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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A busca de uma democracia liberal plena pode nos entregar à mesma direita autoritária e submissa da fase recente - Paulo Roberto de Almeida

 Primeiro Augusto de Franco:

“ Pessoal, bom dia. O Brasil não é uma democracia liberal ou plena. Mas é uma democracia (eleitoral) e flawed (defeituosa). Dois dos principais institutos que monitoram os regimes políticos no mundo (o V-Dem e a The Economist Intelligence Unit) dizem isso. É preciso partir dessa constatação para avaliar nossa situação política e divisar as tarefas dos democratas. Se o Brasil já fosse uma ditadura (autocracia eleitoral ou autocracia fechada, regime híbrido ou autoritário) então tudo mudaria de figura e as oposições não teriam razões para obedecer as leis e acatar as decisões das instituições. Agora é preciso ver que somos uma democracia não-liberal ou não-plena em processo de transição autocratizante, seja por via do golpismo (do nacional-populismo bolsonarista), seja por via do hegemonismo (do neopopulismo lulopetista). Hoje o golpismo (a ruptura ou quebra do arcabouço legal-institucional) tem menos chances de acontecer do que o hegemonismo (a ocupação das instituições para colocá-las a serviço de um partido). Portanto, o risco maior para a democracia (liberal ou plena), no Brasil de hoje, é a continuidade do processo de conquista de hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado aparelhado pelo partido para se prorrogar no governo indefinidamente, ganhando tempo para alterar, "por dentro", o DNA da democracia (transformando-a em cidadania para "o povo" ofertada pelo líder populista ou seu partido e alçando a noção de soberania nacional como um valor acima da democracia como valor universal). É esta via, atualmente mais perigosa, que está alinhando o Brasil ao eixo autocrático (Rússia, China, Irã et coetera) que trava uma netwar contra as democracias liberais.”

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Agora Paulo Roberto de Almeida:

Creio que Augusto de Franco se engana mais uma vez: a alternativa ao hegemonismo da esquerda na atualidade não é o liberalismo socialdemocrático que todos alvejamos, mas sim a continuidade do patrimonialismo oligárquico dos últimos cinco séculos, com a probabilidade de termos um governo reacionário e submisso a uma potência estrangeira. O golpismo pode não ser um putsch, e sim a continuidade da mediocridade. 

Paulo Roberto de Almeida 

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