Meu artigo na revista Será?, linkado a seguir, atraiu os comentários de Madame IA, que transcrevo logo abaixo:
1673. “Autobiografia de um fora-da-lei, 12: voto, do bico-de-pena ao botão eletrônico”, Brasília, 17 outubro 2026, 4 p. Das eleições falsas, mas representação verdadeira, à votação verdadeira, mas representações falsas.
Colaboração à revista Será? (ano xv, n. 734, 23 outubro 2026, link: https://revistasera.info/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o-voto-do-bico-de-pena-ao-botao-eletronico/); divulgado no blog Diplomatizzando (24/10/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o.html
Relação de Originais n. 5498.
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ADL:
Acesse e leia o texto da postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o.html
"AUTOBIOGRAFIA DE UM FORA-DA-LEI, 12: O VOTO, DO BICO-DE-PENA AO BOTÃO ELETRÔNICO -
Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?, 23/10/1016)")
e, depois, apresente um texto discursivo com todas as informações do texto original, mas reescrito de maneira a ter menos caracteres (palavras mais curtas, expressões mais curtas, frases mais curtas), mantendo as ideias e os argumentos originais. Repito: redução de caracteres, mas não redução de informações. O texto discursivo deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (caso seja necessário para a construção da resposta no texto), ou seja, não tenha "alucinações" de IA; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos na estruturação do texto.
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Madame IA:
Confesso que, por impulsos egoístas, eu não ligava para eleições livres ou voto secreto.
Achava que isso atrapalhava o monopólio e a manutenção do poder. A democracia grega aberta na ágora me parecia impossível em terras brasileiras.
O voto chegou aqui com Tomé de Sousa para expulsar os franceses. Donos de terras votavam em líderes locais. O poder ficava com os “homens bons”, que escravizavam indígenas e africanos para garantir mão de obra.
Depois, ideias iluministas me mostraram que obter o consentimento dos súditos era melhor que a força bruta. Com a Revolução Francesa, partidos passaram a exigir livre expressão e voto legítimo. Tive que ceder.
A “Constituição da Mandioca” limitou o voto e os cargos aos ricos. Eles escolhiam quem concorreria e quem venceria. O voto "a bico-de-pena" imperava. No interior, coronéis da Guarda Nacional garantiam a ordem, simulando um parlamentarismo inglês de fachada. Frei Caneca e outros pernambucanos criticavam o sistema e queriam uma república federal.
Mais tarde, juristas baianos atacaram o arbítrio militar e a corrupção da República Velha. O poder era controlado pelas comissões estaduais de verificação. Tudo era previsível. Surgiram o tenentismo, anarquistas, socialistas e comunistas. Dizia-se que as eleições eram falsas, mas a representação era real. Os anos 1920 seguiram atrasados, apesar do modernismo das elites.
A Revolução de 1930 trouxe o voto feminino e criou a Justiça Eleitoral. Contudo, barrou analfabetos, que eram a maioria. O país continuou sob o "voto de cabresto" no interior. Vivemos o fascismo de Vargas e depois a redemocratização alinhada aos EUA. Mas as fraudes persistiram: os títulos não tinham foto e cédulas eram trocadas por bens e empregos. Analfabetos só votaram em 1985. A ditadura militar barrou o voto direto para presidente.
A Constituinte de 1988 gerou angústia. Eu preferia uma assembleia exclusiva, sem misturar a nova Carta com a gestão de crises como a inflação e a dívida externa. A pressão de grupos de interesse gerou um texto obeso, detalhista e punitivo contra o regime anterior, cheio de incisos longos e regras de transição. Em vez do parlamentarismo esperado, adotou-se um presidencialismo refém do Legislativo, que não assume a gestão do orçamento.
O maior desafio foi unificar as contas públicas. Sob a ditadura, o Brasil tinha três orçamentos simultâneos: o fiscal, o monetário (gerador de inflação) e o das estatais deficitárias. Quase tudo era indexado e muitos serviços eram cobrados em dólar.
Evitar a dolarização oficial foi um milagre. A democracia herdou velhos vícios populistas: gastos sem receita, dívidas e planos econômicos ruins. O país mudou de moeda oito vezes em duas gerações, sendo seis em dez anos.
A Carta de 1988 também foi retrógrada no plano internacional. Contra o mercado global, foi nacionalista, protecionista e estatizante. Presidentes seguintes precisaram fazer emendas para abrir a economia. A Constituição inflou direitos corporativos e criou monopólios que deveriam ser leis comuns. Isso gerou mais de 130 emendas em três décadas.
A grande inovação foi a urna eletrônica em 1996, um sistema seguro e sem fraudes. Recentemente, saudosistas da ditadura atacaram esse modelo. Esse negacionismo eleitoral gerou a contestação das eleições de 2022 e a invasão dos três poderes em 2023. Esse movimento se somou ao negacionismo da vacina na pandemia de Covid-19, multiplicando as mortes.
O golpismo e a postura antivacina copiaram líderes de nações ricas, provando que a ignorância não tem fronteiras. Internamente, o último governo extremista isolou o país, destruiu o ambiente e atacou as urnas de forma caluniosa. Por denunciar esse cenário nesta biografia, acabei virando, ironicamente, um fora-da-lei.
*Fonte: https://share.google/aimode/eiPzbmIUb77eoWNi5 (Gemini).