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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem... - Paulo Roberto de Almeida

 Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem...

Se compulsarmos alguns dos volumes da grande obra, desde os anos 1930 até o pós-guerra, do historiador britânico Arnold J. Toynbee sobre a ascensão e a queda dos grandes impérios, ou até a síntese em um único volume preparada no início dos anos 1960, podemos constatar que vários deles foram sendo erodidos ao longo de períodos de tempo mais ou menos estendidos devido a fatores estruturais incontroláveis por suas respectivas lideranças políticas.
Poucos casos podem ser atribuídos a erros deliberadamente ou involuntariamente perpetrados pelos próprios dirigentes dos grandes empreendimentos imperiais. A China da era moderna foi levada, pela decisão arbitrária de um imperador mal aconselhado por seus mandarins, a cortar suas relações com o resto do mundo e a manter sua plena autonomia política e econômica sem importar produtos ou ideias de outros impérios. O resultado foi uma lenta decadência, durante a qual os novos imperialismos colonizadores europeus, depois japoneses e americanos, aproveitaram para impor-lhe tratados desiguais, que. a deixarem extremamente fragilizada em face desses estrangeiros dominadores, que finalmente humilharam a China durante um século e meio.
O caso dos EUA atuais é especial, no sentido em que, depois da crise econômica já apontada por historiadores como Paul Kennedy, em seu conhecido livro sobre Ascensão e Queda das Grandes Potências (1987), sobre o "overstrecht imperial" – ou seja o exagero da projeção externa, com centenas de bases militares e pró-cônsules em todo o mundo –, estamos assistindo ao vivo e simultaneamente à derrocada de um grande império por obra e atuação de um dirigente desequilibrado que tem atuado, em todos os setores para diminuir a importância e até a inviabilidade de qualquer manutenção ou estabilidade de um país dividido internamente e sem lideranças efetivas para um esforço de recomposição de sua antiga importância planetária.
Constitui, talvez, um caso único no mundo, de suicídio inconsciente, mas não sem alertas de aliados e parceiros, que foram agredidos e hostilizados pelo referido dirigente autocrático.
Não apenas a auto-destruição, também a destruição do sistema multilateral político e econômico que foi construído pelo próprio império americano no pós-guerra.
Outro império levado ao fracasso e ao esgotamento de suas possibilidades efetivas de controle sobre o próprio país é o sucessor da finada URSS, devido a decisões arbitrárias e equivocadas de seu neoczar, na última década e meia. Para ser correto, a destruição do sistema multilateral do pós-guerra começou exatamente pelas intervenções ilegais do neoczarista em países vizinhos, anteriormente pertencentes ao império soviético.
Acredito que a China apenas contempla, silenciosamente, os gestos insensatos desses dois dirigentes irracionais, cegos por ambições autocráticas não fundamentadas em suas respectivas capacidade efetivas de dominação.
Talvez o mundo passe por uma nova redistribuição imperial, o que é sempre interessante de observar ao vivo.
No que respeita o Brasil, talvez a atitude mais compatível com seus interesses nacionais seja a de manter-se alheios a essa movimentação de placas tectônicas em movimento no hemisfério setentrional, mas atento à necessária coordenação com outras potências médias, capazes de atuar de maneira autônoma e independente em relação às grandes potências, que são as capazes de infligir danos em escala ampliada.
Espero que as lideranças brasileiras tenham aproveitado as lições que são evidenciadas todos os dias no cenário global.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 15/05/2026

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