Como grandes impérios entram em crise, depois desaparecem...
Se compulsarmos alguns dos volumes da grande obra, desde os anos 1930 até o pós-guerra, do historiador britânico Arnold J. Toynbee sobre a ascensão e a queda dos grandes impérios, ou até a síntese em um único volume preparada no início dos anos 1960, podemos constatar que vários deles foram sendo erodidos ao longo de períodos de tempo mais ou menos estendidos devido a fatores estruturais incontroláveis por suas respectivas lideranças políticas.Poucos casos podem ser atribuídos a erros deliberadamente ou involuntariamente perpetrados pelos próprios dirigentes dos grandes empreendimentos imperiais. A China da era moderna foi levada, pela decisão arbitrária de um imperador mal aconselhado por seus mandarins, a cortar suas relações com o resto do mundo e a manter sua plena autonomia política e econômica sem importar produtos ou ideias de outros impérios. O resultado foi uma lenta decadência, durante a qual os novos imperialismos colonizadores europeus, depois japoneses e americanos, aproveitaram para impor-lhe tratados desiguais, que. a deixarem extremamente fragilizada em face desses estrangeiros dominadores, que finalmente humilharam a China durante um século e meio.
O caso dos EUA atuais é especial, no sentido em que, depois da crise econômica já apontada por historiadores como Paul Kennedy, em seu conhecido livro sobre Ascensão e Queda das Grandes Potências (1987), sobre o "overstrecht imperial" – ou seja o exagero da projeção externa, com centenas de bases militares e pró-cônsules em todo o mundo –, estamos assistindo ao vivo e simultaneamente à derrocada de um grande império por obra e atuação de um dirigente desequilibrado que tem atuado, em todos os setores para diminuir a importância e até a inviabilidade de qualquer manutenção ou estabilidade de um país dividido internamente e sem lideranças efetivas para um esforço de recomposição de sua antiga importância planetária.
Constitui, talvez, um caso único no mundo, de suicídio inconsciente, mas não sem alertas de aliados e parceiros, que foram agredidos e hostilizados pelo referido dirigente autocrático.
Não apenas a auto-destruição, também a destruição do sistema multilateral político e econômico que foi construído pelo próprio império americano no pós-guerra.
Outro império levado ao fracasso e ao esgotamento de suas possibilidades efetivas de controle sobre o próprio país é o sucessor da finada URSS, devido a decisões arbitrárias e equivocadas de seu neoczar, na última década e meia. Para ser correto, a destruição do sistema multilateral do pós-guerra começou exatamente pelas intervenções ilegais do neoczarista em países vizinhos, anteriormente pertencentes ao império soviético.
Acredito que a China apenas contempla, silenciosamente, os gestos insensatos desses dois dirigentes irracionais, cegos por ambições autocráticas não fundamentadas em suas respectivas capacidade efetivas de dominação.
Talvez o mundo passe por uma nova redistribuição imperial, o que é sempre interessante de observar ao vivo.
No que respeita o Brasil, talvez a atitude mais compatível com seus interesses nacionais seja a de manter-se alheios a essa movimentação de placas tectônicas em movimento no hemisfério setentrional, mas atento à necessária coordenação com outras potências médias, capazes de atuar de maneira autônoma e independente em relação às grandes potências, que são as capazes de infligir danos em escala ampliada.
Espero que as lideranças brasileiras tenham aproveitado as lições que são evidenciadas todos os dias no cenário global.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 15/05/2026
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Madame IA entra em campo, chamada pelo técnico Airton Dirceu Lemmertz;
“ Capítulo 1: A Lógica da Decadência Imperial na Historiografia de Toynbee:
A macro-história de Arnold J. Toynbee estabelece que as civilizações e os grandes impérios não colapsam por mero determinismo geográfico ou forças puramente exógenas, mas sim pelo colapso de sua capacidade interna de responder a desafios existenciais. O conceito de "desafio e resposta" (challenge and response) sugere que a erosão estrutural ocorre quando a minoria criativa, que lidera o corpo político, se transforma em uma minoria meramente dominante, incapaz de gerar soluções inovadoras para as crises que se acumulam. Embora os fatores estruturais de longo prazo atuem como o pano de fundo da decadência, as decisões das lideranças políticas funcionam como o gatilho que acelera o esgotamento dos recursos materiais e da legitimidade moral do império.
Capítulo 2: Três Modelos de Erosão Hegemônica Contemporânea:
Subcapítulo 2.1: O Isolamento Histórico Chinês:
O recuo estratégico da China imperial em direção ao isolamento voluntário representa o exemplo clássico de um erro de cálculo político com consequências seculares. A convicção da dinastia de que o Império do Meio era autossuficiente e imune à necessidade de intercâmbio tecnológico e cultural com o exterior resultou em atrofia militar e econômica. Esse hiato de desenvolvimento permitiu que as potências ocidentais e o Japão, impulsionados pela Revolução Industrial, impusessem o período conhecido como o "Século das Humilhações", caracterizado por tratados desiguais e perda de soberania territorial.
Subcapítulo 2.2: O "Overstretch" e a Fragmentação Interna dos EUA:
O cenário atual dos Estados Unidos ilustra a tese do historiador Paul Kennedy sobre a distensão imperial exagerada (imperial overstretch). O custo financeiro e operacional de manter centenas de bases militares globais colide com uma infraestrutura doméstica deteriorada e um endividamento público recorde. Este quadro é agravado por uma polarização política crônica e o surgimento de lideranças de perfil autocrático e isolacionista que sabotam as próprias alianças multilaterais erguidas por Washington no pós-guerra. O desmantelamento voluntário de acordos comerciais e tratados de segurança, aliado à hostilidade contra aliados históricos, configura um processo de retração hegemônica autoinfligida, reduzindo a capacidade do país de projetar estabilidade global.
Subcapítulo 2.3: O Esgotamento Neoczarista Russo:
A Federação Russa, herdeira do espólio geopolítico da União Soviética, trilha um caminho de esgotamento estrutural derivado de decisões unilaterais e personalistas de seu comando central. As intervenções militares em nações vizinhas violaram os princípios da governança multilateral e desencadearam um ciclo severo de sanções econômicas internacionais. Essa postura consolidou o isolamento financeiro e tecnológico de Moscou, forçando uma dependência assimétrica em relação ao mercado asiático. O esforço de guerra contínuo drena os recursos demográficos e industriais do país, limitando severamente sua viabilidade como superpotência de longo prazo.
Capítulo 3: A Postura Estratégica do Brasil e o Realismo Geopolítico:
Enquanto as potências do hemisfério norte enfrentam o deslocamento de suas placas tectônicas geopolíticas, a República Popular da China adota uma postura de observação pragmática. Pequim capitaliza sobre os erros táticos de Washington e Moscou, expandindo sua influência econômica global através de investimentos em infraestrutura sem a necessidade de engajamento militar direto.
Para o Brasil, o cenário de transição de poder global exige a aplicação rigorosa do pragmatismo e da autonomia diplomática. A estratégia mais alinhada ao interesse nacional consiste em evitar o alinhamento automático com qualquer um dos polos em disputa, preservando a neutralidade ativa. A coordenação estreita com outras potências médias de perfil independente permite ao país construir salvaguardas contra as turbulências do sistema internacional. Ao focar na diversificação de parcerias comerciais e na defesa do direito internacional, o Estado brasileiro protege sua economia e projeta influência sem se expor aos danos colaterais da competição entre as grandes potências.”
Fonte: Gemini IA.