Comparações não comparativas sobre o fim dos impérios
Paulo Roberto de Almeida
Suez 1956, quando França, Reino Unido e Israel impuseram uma derrota ao Egito que tinha nacionalizado o canal, representou o fim do imperialismo franco-britânico sobre boa parte do Oriente Médio (e sobre a África quatro anos depois).
O estreito de Ormuz não será um novo Suez para o imperialismo americano no Oriente Médio (e para o seu subsidiário israelense). Tampouco será um novo Vietnã ou Iraque para Trump, mas representará uma semi-demolição da prepotência americana sobre toda a região, sobretudo seus “aliados”, que não mais confiarão nos EUA, como tampouco os europeus o fazem agora.
Trump conseguiu prejudicar o mundo inteiro e sobretudo o seu próprio país.
Trump não tem antecessores, tampouco terá sucessores, pois nenhum político americano conseguiria ser tão ignorante e tão arrogante quanto ele, um marco extraordinário na escala da estupidez humana.
Não busquem comparações: Trump é único no gênero e suas “guerras” envergonhariam Sun Tzu, Maquiavel e Clausewitz. Confesso sentir uma certa pena dos seus generais — sobretudo dos soldados e pilotos, que estão morrendo em vão —, mas ele deveriam ter coragem de repudiar ordens loucas emitidas por incompetentes, como Trump e Hegseth.
RIP American Century
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 21/03/2026