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terça-feira, 28 de julho de 2026

Estatísticas do setor externo - Ricardo Bergamini (Fonte BCB)

 

No Brasil, por deformação cultural, não se debate balanço de pagamentos: acreditamos que a culpa é sempre do resto do mundo (Ricardo Bergamini).

 

Prezados Senhores

 

Saldo de Transações Correntes

 

Série história do saldo das transações correntes com base na média/ano foi como segue: Governo FHC (1995/2002) – déficit de US$ 23,4 bilhões = -3,31% do PIB; Governo Lula (2003/2010) – déficit de US$ 6,6 bilhões = -0,52% do PIB; Governo Dilma/Temer (2011/2018) – déficit de US$ 48,2 bilhões = -2,20% do PIB; Governo Bolsonaro (2019/2022) - déficit de US$ 36,2 bilhões = -2,11% do PIB; Governo Lula (junho de 2026) – déficit de US$ 61,4 bilhões = -2,46% do PIB.

 

Estatísticas do setor externo - Fonte BCB

 

Base: junho de 2026


1. Balanço de pagamentos

 

As transações correntes do balanço de pagamentos foram deficitárias em US$2,3 bilhões em junho de 2026, ante déficit de US$5,2 bilhões em junho de 2025. Na comparação interanual, o superávit da balança comercial aumentou US$3,6 bilhões, enquanto o déficit em serviços aumentou US$0,7 bilhão. As rendas primária e secundária permaneceram em patamares semelhantes ao do ano anterior. O déficit em transações correntes acumulado em doze meses até junho de 2026 somou US$61,4 bilhões (2,46% do PIB), ante US$64,2 bilhões (2,60% do PIB) no mês anterior e US$75,5 bilhões (3,52% do PIB) em junho de 2025.

 

O superávit da balança comercial atingiu US$8,8 bilhões em junho de 2026, ante US$5,2 bilhões em junho de 2025. As exportações de bens registraram o recorde da série histórica e totalizaram US$36,4 bilhões, incremento de 24,8% na comparação interanual, enquanto as importações de bens somaram US$27,6 bilhões, elevação de 15,3%.

 

O déficit na conta de serviços totalizou US$5,1 bilhões em junho de 2026, ante US$4,4 bilhões em junho de 2025. As despesas líquidas de viagens internacionais totalizaram US$1,4 bilhão, 21,0% superiores às de junho de 2025, com aumento de 17,2% nas receitas, de US$0,7 bilhão para US$0,8 bilhão, e de 19,6% nas despesas, de US$1,8 bilhão para US$2,2 bilhões. Houve aumentos nas despesas líquidas de transporte (22,4%), totalizando US$1,4 bilhão; e de telecomunicação, computação e informações (16,9%), somando US$0,7 bilhão. 

 

O déficit em renda primária somou US$6,5 bilhões em junho de 2026, mesmo patamar de junho de 2025.  As despesas líquidas de lucros e dividendos, associadas aos investimentos direto e em carteira, totalizaram US$4,2 bilhões, 4,3 % superiores às de junho de 2025 (US$4,1 bilhões). As despesas líquidas com juros somaram US$2,3 bilhões, 5,8% inferiores às observadas em junho de 2025 (US$2,4 bilhões).

 

Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$9,1 bilhões em junho de 2026, ante US$3,1 bilhões em junho de 2025. Houve ingressos líquidos de US$8,4 bilhões em participação no capital, dos quais US$4,0 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos e US$4,4 bilhões em lucros reinvestidos no país; e de US$0,7 bilhão em operações intercompanhia. O IDP acumulado em 12 meses totalizou US$89,3 bilhões (3,58% do PIB) em junho de 2026, ante US$83,3 bilhões (3,38% do PIB) em maio de 2026 e US$68,5 bilhões (3,19% do PIB) em junho de 2025.

 

Os investimentos em carteira no país somaram saídas líquidas de US$0,6 bilhão em junho de 2026. Os investimentos em ações e fundos de investimento no mercado doméstico registraram saídas líquidas de US$2,2 bilhões, enquanto os investimentos em títulos no mercado doméstico registraram ingressos líquidos de US$1,6 bilhão. Nos doze meses encerrados em junho de 2026 os investimentos em carteira no mercado doméstico somaram ingressos líquidos de US$17,8 bilhões.​

 

2. Reservas internacionais

 

As reservas internacionais somaram US$367,6 bilhões em junho de 2026, redução de US$3,6 bilhões em relação a maio. Contribuíram para a redução do estoque as variações por paridades, US$4,5 bilhões; as vendas à vista, US$2,0 bilhões; e as variações por preço, US$0,3 bilhão. O retorno líquido em operações de linha com recompra, US$2,1 bilhões, e as receitas de juros, US$0,9 bilhão, contribuíram para aumentar o estoque.​

 

Ricardo Bergamini

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