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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Mini-história das grandes crises em escala mundial - Paulo Roberto de Almeida

 Mini-história das grandes crises em escala mundial

Paulo Roberto de Almeida


    Houve a crise da bolsa de NY em 1929, da qual todo mundo ouviu falar. Como toda crise do mercado acionário, muitos perdem dinheiro, alguns se suicidam (porque tomaram dinheiro emprestado para especular com ações), mas ao fim e ao cabo todos se salvam, MAS, APENAS SE, se o governo não interferir para atrapalhar o curso normal dos negócios.
        E não é que o governo intervém para piorar as coisas?
        Em 1930 o presidente sanciona a Lei (estúpida) Smoot-Hawley aumentando significativamente as tarifas protecionistas nos EUA.
        Bingo! O mundo inteiro reage e o protecionismo se espalha em vários países, prejudicando todo mundo: países desvalorizam as suas moedas para se tornarem competitivos e todo mundo faz a mesama coisa, com os piores resultados possíveis.
        Um ano depois, já em abril de 1930, a Economist detecta uma reação nos mercados, como um sinal de volta à normalidade.
        Apenas que, com a paralisação dos negócios, bancos europeus se tornam inadimplentes com a retirada de dinheiro pelos correntistas e investidores. Uma crise bancária, limitada, se impõe. Deixados por sua própria conta, muitos perderiam, alguns se suicidariam, e depois tudop voltaria à normalidade.
        Só que. não! Não é que os governos intervêm novamente?
        Bancos decretam a suspensão da conversibilidade das moedas em ouro, a exportação de ouro, e tentam salvar um ou outro, aqui e ali, mas não dá para salvar todos.
        Até aí, coisas normais na crise, mas como todos fazem tudo ao mesmo tempo, de forma atabalhoada, o resultado é o começo da Depressão, em primeiro lugar na Europa, mas o desemprego já tinha se instalado também nos EUA.
        Foi aí que alguns homens de boa vontade resolvem convocar uma reunião econômico-financeira em Londres, para discutir como colocar ordem na bagunça.                 Tudo bem, mas isso dependeria do bom comportamento do governo dos EUA, já então a maior economia do mundo, e a moeda que está assumindo o lugar da libra britânica nos pagamentos, nas reservas, nos financiamentos internacionais.
        E não é que, na abeertura dessa conferência de Londres, em 1934, o governo americano se opõe a qualquer coordenação econômico-mmenetária em escala global e decreta uma desvalorização do dólar em 50%. Banho frio e aprofundamento da recessão, que vira a Grande Depressão, pelo resto da década.

        Passa guerra, passa reconstrução da ordem global, passam as pequenas crises econômicas aqui e ali, até que as grandes empresas petrolíferas ocidentais pressionam seus governos para que os preços do barril de petróleo sejam mantidos estáveis a despeito de qualquer inflação ao longo dos anos. E do pós guerra até o início dos anos 1970, os preços se mantiveram estáveis, anormalmente baixos. Até que as guerras países árabes-Israel precipitam uma resposta dos produtores árabes de petroleo no sentido de triplicar, de uma hora para a outra, o preço do barril.
        Primeiro choque do petróleo: Kissinger planejava invadir, dominar e explorar os campos de petróleo da Arábia Saudita, mas os europeus o convencem a não fazer isso, e apenas se cria a AIE da OCDE, para administrar estoqes e informações sobre o óleo.
        As coisas voltam a caminhar mais ou menos normalmente, mas já num patamar de inflação elevada nos anos 1970, até que os aiatolás, tomando o poder no Irã, decreta novo aumento no preço do barril de petroleo. Segundo choque mundial e novo impacto na economia mundial.
        Muito bem, as coisas começaram a andar e a economia mundial, liberta das amarras do socialismo realmente existente, primeiro na China, depois na URSS e tutelados, começa a avançar de forma otimista, com dinheiro regurgitando pelos mercados emergentes. Claro que alguns desses "investimentos" eram especulativos, que muitos empréstimos feitos pelos governos não tinham garantias, claaro que algumas moedas estavam sobrevalorizadas, enfim, aquela festa em que todo mundo se diverte até que a música e a cerveja se esgotam. Tudo para e a crise começa nos mercados emergentes: foi a primeira crise do século XXI, como disse Michel Camdessus, diretor-geral do FMI, já em meados da última década do século XX. Todo mundo sofreu: o México em primeiro lugar, os asiáticos logo depois, a Rússia, o Brasil, a Argentina e todo o resto.
       Bem, a crise se instalou aqui e ali, mas no fim todos se salvaram.
        Até que vieram os ataques terroristas em setembro de 2001, e o Fed abaixou resolutamente os juros de 5 a 2%, como forma de prevenir a recessão. Tudo funcionou e a vida continuou, assim como o populismo dos políticos, aproveitando os juros baixos.
        Pois foi justamente no bastião do capitalismo, nos EUA, que o populismo vicejou de forma mais extravagante: todo mundo poderia ter casa própria, até – como diziam depreciativamente os supremacistas das elites - o "negro desempregado do Alabama".         Pois foi assim que as duas agências públicas de financiamento habitacional - Fannie Mae e Freddy mac – ofereciam aval a empréstimos a juros baixos para todo mundo comprar a sua casinha. Não só isso: usar a nova "propriedade" (não ainda paga) para usar como colateral a novos empréstimos, garantidos por aquele aval (classificado Triple A, pois que do governo) para o que fosse: carro, casaco, viagens.         Os bancos que concederam os empréstimos emitiram derivativos (também AAA), alegremente adquiridos por bancos europeus e japoneses.
        Formou-se a bolha imobiliária, alertada dois anos anos por analistas do mercado imobiliário, mas ignorada pelo Fed, que manteve os juros artificialmente baixos por muito tempo.
        Quando ele finalmente subiu os juros, a crise se instalou, primeiro no mercado imobiliário, depois no setor de seguros, depois nas instituições bancárias. Quando europeus e japoneses quiseram descontar os seus títulos descobriram que eles não valiam rigorodamente nada. Mas entretempos, países e políticos irresponsáveis permitiram um endividamente geral, que devorou primeiro os PIIGS, depois os demais: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e alguns outros mais, inclusive bancos japoneses e da Europa continental. A Ásia, sobretudo a China, se safou bem.
        E assim vamos caminhando, com pequenas crises aqui e ali, sem grandes sobressaltos, mas eis que surge um enorme elefante na loja de louças do capitalismo mundial. Um baita elefante chamado Trump.
        Preciso dizer mais alguma coisa?
        Agora temos uma crise verdadeiramente global que pode ficar na história econômica mundial que se chama Crise Trump.
        Divirtam-se! Eu continuarei a escrever a história...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 9 de abril de 2026

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