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sexta-feira, 10 de julho de 2026

O trumpismo idiota é uma epidemia maligna que começa a se espalhar pelo hemisfério americano - Orlando Tambosi, Paulo Roberto de Almeida, Comentários de Madame IA

Transcrevo primeiro a postagem original de Orlando Tambosi, sobre a estupidez comp superior à maldade no embrutecimento dos comportamentos humanos. Depois o meu proprio texto; finalmente os comentários de Madame IA:

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Por que a estupidez é mais perigosa que a maldade: 

https://otambosi.blogspot.com/2026/07/por-que-estupidez-e-mais-perigosa-que.html 

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Teoria da Estupidez de Dietrich Bonhoeffer: 


A Teoria da Estupidez de Dietrich Bonhoeffer é um dos conceitos mais profundos e necessários para entender o comportamento humano coletivo em momentos de crise. Escrita na década de 1940, enquanto o teólogo e pastor luterano alemão estava preso pelo regime nazista, essa reflexão vai muito além do seu contexto histórico original e serve como um espelho assustador para a nossa sociedade atual.

Vamos trocar uma ideia sincera sobre esse conceito que é, ao mesmo tempo, um soco no estômago e uma explicação cirúrgica da realidade. Sabe aquele momento em que você abre as redes sociais, assiste ao telejornal ou conversa com alguém na fila do mercado e pensa que o mundo perdeu completamente o juízo? Pois é, esse incômodo não é de hoje. Na cela de sua prisão, esperando a execução, Bonhoeffer não tentava decifrar estratégias militares ou segredos econômicos do Terceiro Reich, mas sim algo muito mais íntimo: a mente humana. O resultado foi um ensaio atemporal onde ele afirmou, com todas as letras, que a estupidez é um inimigo do bem muito mais perigoso do que a própria maldade.

Para a gente entender o peso disso, precisamos desconstruir o que achamos que é ser estúpido. Quando o teólogo fala de estupidez, ele não está se referindo a notas baixas na escola, dificuldades de aprendizado ou falta de um diploma universitário. Esqueça o quociente de inteligência. A estupidez bonhoefferiana é uma condição moral, um comportamento psicológico e social. Existem pessoas com doutorado, cientistas renomados, juízes e grandes empresários que são perfeitamente estúpidos nesse sentido. Ao mesmo tempo, existem trabalhadores simples, que mal sabem ler, mas possuem uma clareza mental impressionante. O estúpido é aquele que tomou a decisão de fechar os olhos para a realidade, abdicando da capacidade de pensar por si mesmo para se tornar um joguete nas mãos de um grupo ou de um líder. É um processo de lavagem cerebral voluntária.

Mas por que a estupidez seria pior que a maldade? A lógica é impecável. Contra o malvado, nós sabemos exatamente como agir. O mal carrega em si a semente da sua própria denúncia. Quando alguém age com maldade explícita, a sociedade consegue identificar, combater e criar mecanismos de defesa ou punição. Você pode expor o malvado, usar leis contra ele ou enfrentá-lo abertamente. Ele sabe que está fazendo o mal e tenta se justificar ou agir nas sombras. No entanto, com o estúpido, a história é completamente diferente. Ele é absolutamente impermeável a argumentos lógicos, fatos ou evidências. Se você apresentar dados científicos, estatísticas reais ou provas incontestáveis, ele vai dar de ombros, dizer que as provas foram inventadas por uma conspiração e partir para a agressividade. O estúpido tem uma certeza inabalável de que está coberto de razão, fazendo o pior estrago possível achando que está salvando o mundo.

Se traçarmos um paralelo com a filosofia e a história, a análise de Bonhoeffer conversa diretamente com outra gigante do pensamento do século vinte, a filósofa Hannah Arendt. Ao cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann, ela esperava encontrar um monstro sádico que sentia prazer em mandar milhões de pessoas para a morte. Em vez disso, encontrou um burocrata medíocre, um sujeito comum que repetia slogans vazios e dizia que estava apenas cumprindo ordens. Foi aí que ela cunhou a expressão "a banalidade do mal". O que Arendt chamou de incapacidade de pensar é exatamente a estupidez que Bonhoeffer descreveu. Ambos perceberam que as maiores tragédias da história humana não foram causadas por meia dúzia de psicopatas, mas sim por multidões de pessoas comuns que decidiram parar de pensar. Quando o cidadão comum abre mão da sua autonomia intelectual, ele se torna o combustível perfeito para que os tiranos operem seus planos de destruição.

Olhando pelo lado da psicologia social, o fenômeno da estupidez coletiva é fascinante e desesperador. O ser humano tem uma necessidade biológica e evolutiva de pertencer a um grupo. O problema é que o preço cobrado por essa inclusão costuma ser a entrega do pensamento crítico. É o famoso efeito manada. Quando os indivíduos se dissolvem em uma massa, a responsabilidade individual desaparece. A pessoa deixa de ser um indivíduo com valores próprios e passa a ser apenas uma célula de um organismo maior e barulhento. A psicologia explica que, dentro desse estado de transe coletivo, o estúpido se sente forte, protegido e validado. Ele não precisa passar pela angústia de tomar decisões difíceis; o grupo já entrega todas as respostas prontas e embaladas para o consumo. Isso gera um alívio psicológico imenso, mas cobra um preço social altíssimo, pois anula a empatia e a capacidade de enxergar o outro.

Se trouxermos essa discussão para a política atual, especialmente no cenário brasileiro, a Teoria da Estupidez se transforma em um manual de sobrevivência. Estamos vivendo na era dos algoritmos e das bolhas digitais, ferramentas desenhadas sob medida para amplificar a estupidez. Hoje em dia, as pessoas raramente buscam a verdade; elas buscam a confirmação das suas próprias crenças. A polarização política extrema transformou o debate público em um campeonato ideológico sem fim, onde o que o líder do partido diz é sagrado e o que o adversário fala é uma mentira. Não importa se o político de estimação cometeu um crime óbvio ou falou um absurdo completo; o estúpido político vai criar malabarismos mentais inacreditáveis para defendê-lo. Os fatos históricos e econômicos são distorcidos em tempo real para caber na narrativa. Quem tenta propor um caminho do meio, baseado no diálogo, é atacado de todos os lados e rotulado como traidor. A política moderna descobriu que a estupidez engaja muito mais do que a racionalidade.

Não podemos esquecer de olhar para esse cenário através da lente da religiosidade, algo que o próprio Bonhoeffer conhecia profundamente. Ele era um pastor da Igreja Confessante, uma ala que se recusou a se curvar ao nazismo, enquanto a maioria das lideranças religiosas da época apoiava o regime de braços abertos, misturando o Evangelho com o nacionalismo tóxico. Ele viu de perto como a fé pode ser instrumentalizada para alimentar a estupidez coletiva. Quando a fé deixa de ser uma busca por amor, justiça e transcendência e se transforma em um dogmatismo cego, ela vira uma arma de destruição mental. No cenário contemporâneo, vemos discursos usando o nome de Deus para validar preconceitos, perseguir minorias e apoiar projetos autoritários. O fiel estúpido não questiona a manipulação; ele a aceita como se fosse a vontade divina, esquecendo-se de que a verdadeira espiritualidade exige responsabilidade moral e discernimento pessoal.

Para concluir essa reflexão, a pergunta que fica flutuando no ar é: como fazemos para vencer a estupidez? Bonhoeffer foi muito realista e até um pouco pessimista nessa resposta. Ele sabia que tentar convencer o estúpido através do debate intelectual é uma perda de tempo total, porque o problema dele não é a falta de informação, mas a falta de abertura moral. A verdadeira cura não vem da educação formal que apenas despeja dados na cabeça de alguém, mas sim de uma libertação interior. O indivíduo precisa passar por um despertar de consciência, uma revolução interna que o faça recuperar a coragem de ser livre e autônomo. Na maioria das vezes, a estupidez só começa a ruir quando o castelo de cartas desmorona e as consequências práticas das escolhas erradas batem diretamente na porta da pessoa. Até que esse despertar aconteça, o papel daqueles que conseguem manter a sanidade mental é proteger a própria mente, resistir ao bombardeio de absurdos cotidianos e nunca abrir mão do direito de pensar por conta própria.

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Agora o meu comentário:

De onde menos se espera, a história se repete num grau superior de burrice

Paulo Roberto de Almeida (+ comentários de Madame IA)


E eu que pensava que o nosso bizarro chanceler acidental da era do horroroso e esquizofrênico bolsolavismo diplomático fosse único no mundo, e eis que surge um “irmão gêmeo” colombiano, ainda mais fanático no trumpismo exacerbado do que o bobalhão que quase destruiu o Itamaraty entre janeiro de 2019 e março de 2021. 

Tem uma diferença, porém: o futuro chanceler colombiano parece ser um extremista fundamentalmente estúpido, enquanto o chanceker bolsolavists era até um cara com muitas luzes e leituras, mas um fanático religioso, um submisso integral, aceitando ser mandado por estúpidos monumentais (como o pai e o filho O3), dominado e subserviente ao extremo a ignorantes hors concours, no que deveria ser humilhante para alguém que lia filósofos alemães e historiadores clássicos. 

Nosso chanceler acidental era um ser angustiado, pois tinha de se dobrar à cavalgaduras relinchantes, ao passo que o colombiano parece ser feliz ao repetir as estupidezes trumpistas.

O Brasil já recuou muito na burrice e na mediocridade; agora parece ser a vez dos colombianos. 

Tem outra diferença entre os direitistas tradicionais da Europa, que são pessoas razoavelmente educadas, sabendo até falar direitinho, e essa extrema-direita americana e latino-americana, que parece ter cérebro de galinhas e a agilidade de amebas das profundezas sombrias mais escondidas do pré-cambriano.

Vou ter de voltar a escrever novos capitulos de meu livro Miséria da Diplomacia, agora no contexto hemisférico? Help me God!

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 10/07/2026

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Comentários de Madame IA:

Uma epidemia maligna que começa a se espalhar pelo hemisfério americano: 


*Gemini AI

A articulação entre o ensaio crítico de Paulo Roberto de Almeida, intitulado "O trumpismo idiota é uma epidemia maligna que começa a se espalhar pelo hemisfério americano", e a clássica Teoria da Estupidez do teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer oferece um terreno fértil para compreender os descaminhos da diplomacia contemporânea. Bonhoeffer, ao escrever suas reflexões da prisão nazista, argumentava que a estupidez não é um defeito intelectual, mas um defeito moral e psicológico. Para ele, o estúpido não perde a capacidade de raciocinar, mas abre mão de sua autonomia crítica ao ser dominado pelo clamor de um coletivo ou de uma liderança messiânica. Quando confrontado com o texto de Almeida, esse conceito ganha um contorno prático e visceral, revelando como a ideologização cega de políticas externas na América Latina atua exatamente sob os mecanismos descritos pelo pensador alemão. [1]
A Anatomia da Estupidez no Itamaraty e o Fenômeno da Submissão
O ponto de partida de Almeida é uma comparação ácida entre o que chama de "chanceler acidental" do período "bolsolavista" no Brasil e um novo "irmão gêmeo" despontando na Colômbia. A fricção com Bonhoeffer surge imediatamente na distinção que o autor faz sobre a bagagem de cada um. Almeida pontua que o ex-chanceler brasileiro não era um homem sem leituras; pelo contrário, lia filósofos alemães e historiadores clássicos. No entanto, ele se transformou em um "fanático religioso" e um "submisso integral" a figuras de menor estofo intelectual. [123]
Essa descrição é a personificação exata da tese de Bonhoeffer: a inteligência não imuniza ninguém contra a estupidez. O teólogo alemão explicava que, sob o impacto do avanço de uma força histórica ou política avassaladora, grande parte da humanidade é contaminada pela perda de independência psicológica. O indivíduo intelectualizado, ao se render ao dogmatismo, silencia o próprio discernimento para se alinhar ao poder. O "ser angustiado" descrito por Almeida — que precisava se dobrar a "cavalgaduras relinchantes" — ilustra a tragédia do homem culto que abdica de sua função crítica para operar como engrenagem de um projeto ideológico de poder. [1]
A Felicidade dos Ignorantes e a Epidemia Hemisférica
A análise avança para o cenário colombiano, onde o autor enxerga um agravante: o novo personagem político parece "feliz ao repetir as estupidezes trumpistas". Aqui, a fricção com a Teoria da Estupidez se aprofunda. Bonhoeffer alertava que o estúpido é tipicamente autocomplacente, teimoso e perigoso, porque assume uma postura de superioridade moral blindada contra fatos. Quando o erro histórico se traveste de virtude política, a estupidez deixa de ser um evento isolado e se torna, nas palavras de Almeida, uma "epidemia maligna". [12]
A importação mecânica do trumpismo pela extrema-direita latino-americana atua como esse vírus psicológico coletivo. Ela destrói a tradição pragmática e técnica da diplomacia — historicamente baseada na racionalidade e no interesse nacional — e a substitui por slogans, dogmas e uma lealdade quase tribal a Washington. O indivíduo afetado por essa onda perde a capacidade de processar a realidade de forma autônoma; ele apenas repete palavras de ordem, tornando-se uma ferramenta nas mãos do demagogo.
O Cérebro Coletivo e a Miséria Diplomática
Almeida usa de forte ironia ao comparar essa vertente ideológica americana e latino-americana a organismos de baixa complexidade biológica, criticando a falta de sofisticação em contraste com a direita tradicional europeia. Sob a ótica de Bonhoeffer, essa simplificação brutal do debate público é uma necessidade metodológica da própria estupidez. O pensamento complexo exige esforço, dúvida e nuances — elementos que sabotam o funcionamento de movimentos populistas. Para que a militância funcione como um bloco monolítico, o vocabulário precisa ser reduzido e os inimigos precisam ser claramente desenhados. [12]
Quando essa mentalidade invade as chancelarias, o resultado é a publicação de novos capítulos daquilo que o diplomata chama de Miséria da Diplomacia. A diplomacia, que por natureza deveria ser a arte de negociar com a diferença, desaba em um proselitismo estéril que isola os países no cenário global. O debate técnico de Estado é jogado de lado para dar lugar a um exibicionismo ideológico voltado para alimentar algoritmos de redes sociais e aplausos domésticos. [1]
Conclusão: O Desafio da Resistência Intelectual
O fechamento do texto de Almeida evoca a necessidade de manter um "quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas". Esse apelo dialoga diretamente com a única solução apontada por Bonhoeffer para superar a estupidez: a libertação interior do indivíduo através da reconexão com a responsabilidade cívica e moral. [1]
O combate a essa "epidemia hemisférica" não se faz apenas apontando erros técnicos de política externa, mas desmascarando o processo de infantilização e submissão psicológica que esses movimentos impõem sobre os seus quadros. Enquanto a diplomacia for tratada como um palanque para o fanatismo e para a mimetização de lideranças estrangeiras, a racionalidade continuará sob cerco, exigindo um esforço constante de denúncia e resgate da sobriedade institucional.”
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