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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Assédio, ‘capangas’ e ameaças: bolsonaristas fazem ofensiva contra diplomatas - Jamil Chade (ICL)

 Colunistas ICL

Assédio, ‘capangas’ e ameaças: bolsonaristas fazem ofensiva contra diplomatas

Fontes nos bastidores do Itamaraty revelam a truculência da extrema direita e operação de intimidação por parte dos aliados de Flávio Bolsonaro

ICL, 15/10/2026 | 11h00 Atualizado há 1 hora

Jamil Chade 

https://iclnoticias.com.br/assedio-capangas-e-ameacas-bolsonaristas-fazem-ofensiva-contra-diplomatas/?fbclid=PAdGRzdgU9z9RleHRuA2FlbQIxMQBwZG9mAnNydGMGYXBwX2lkDzU2NzA2NzM0MzM1MjQyNwABpzza_-Sk3zqUm1rXq2FieEqVeQ6i-D_AW7FHuqDvKsQM77aplzVZRN_2efOc_aem_gqU-hbizFaaFhOOW12AYqw  

 

Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.

Assédio, ‘capangas’ e ameaças: bolsonaristas fazem ofensiva contra diplomatas

Agentes do bolsonarismo lançam uma ofensiva contra a diplomacia brasileira, antecipando uma suposta vitória da extrema direita nas eleições presidenciais em 25 de outubro. Com o monitoramento das redes sociais de embaixadores e servidores, recados enviados a adversários e ameaças abertas, aliados do senador Flávio Bolsonaro sinalizam uma operação de caça à bruxas dentro de uma instituição de estado.

O ICL Notícias coletou mais de uma dezena de episódios que revela a truculência da base de Flávio dentro da chancelaria brasileira.

Um dos embaixadores de maior prestígio dentro do Itamaraty relatou, na condição de anonimato, a exigência de uma milícia digital que está fiscalizando quais diplomatas brasileiros contam com qualquer tipo de símbolo do PT, do MST ou de grupos progressistas em suas redes sociais.

A ideia é a de coletar dados para a elaboração de uma “lista suja” e que, num eventual governo de Flávio Bolsonaro, poderia ser usada para punir diplomatas. Dentro do Itamaraty, eles passaram a ser chamados de “capangas” do Flávio.

Outra marca do grupo de extrema direita tem sido o de enviar mensagens por intermediários para embaixadores e negociadores. O recado é de que, por seus históricos na ala progressista, esses funcionários deveriam se preparar para serem deslocados para cargos periféricos ou até deixados sem função.

No governo de Jair Bolsonaro, o exílio de diplomatas foi uma realidade, com alguns deles proibidos de ter acesso a qualquer tipo de informação considerada como sensível dentro do Itamaraty.

Naquele momento, não faltaram sindicâncias para apurar supostos vazamentos de informações diplomáticas para jornalistas. Num dos episódios, funcionários do Itamaraty foram questionados se conheciam este colunista. O formulário ainda perguntava se o diplomata em questão conhecia algum colega que poderia ter mantido contato com o jornalista, uma espécie de sistema de delação.

Durante os quatro anos de Jair Bolsonaro, porém, grande parte do Itamaraty resistiu e montou uma verdadeira trincheira secreta para sabotar a destruição da diplomacia nacional que o governo pretendia realizar.

Agora, o que vem ocorrendo nos bastidores do Itamaraty é ainda um resultado do que aparenta ser uma ordem dada por Eduardo Bolsonaro. Há duas semanas, numa live, ele prometeu caçar diplomatas que possam ter agido contra o governo de seu pai.

O filho do ex-presidente e que se considera como um nome “natural” para ser o próximo chanceler anunciou no dia 30 de setembro que estava “mapeado” os embaixadores que entraram e saíram de postos durante o governo Lula.

As ameaças também foram tecidas por Paulo Figueiredo, o neto do último ditador do Brasil e residente nos EUA.

No começo da semana, ele sugeriu que, num governo bolsonarista, haveria uma retaliação contra o embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza. Figueiredo indicou que o diplomata seria transferido de Roma para Burkina Faso.

Além da ilegalidade da caça às bruxas, o ato de Figueiredo foi considerado dentro do Itamaraty como uma deselegância contra o governo de Burkina Faso, ao sinalizar que o destino seria uma “punição”.

Eduardo Bolsonaro já havia feito um gesto similar ao sugerir que uma diplomata fosse sancionada por seu apoio ao presidente Lula e enviada para o Zimbábue.

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