Acho que realmennte não é preciso. Nós nos desintegramos por nossa própria conta (e incompetência).
A Argentina prova que é possível, sim, graças à inteligência e a memória prodigiosa que possuem certas pessoas, reincidir várias vezes nos mesmos erros, tanto em matéria de economia interna -- vocês sabem, controle de preços, de câmbio, dirigismo, essas coisas -- como em matéria de economia internacional: política comercial, cambial, de investimentos, etc.
Os argentinos vem fazendo as mesmas bobagens, repetidamente, há pelo menos 80 anos: não surpreende, assim, que o país ande cada vez mais para trás.
Agora, nessa questão da integração, tanto argentinos quanto brasileiros, erraram e continuam errando, falando em retaliações comerciais (inclusive um ministro de Estado).
My God, as pessoas não sabem que existem regras multilaterais que comandam os processos de tarificação, de defesa comercial, de simples relacionamento comercial. Elas ainda estão naquela fase pré-histórica, em que um ataque da tribo inimiga comandava a formação de um batalhão de voluntários para ir lá e desmantelar com os atacantes.
A lei da selva, na verdade, vive na cabeça das pessoas: ela fala espanhol, portugiês, inglês...
Por vezes me pergunto se as pessoas são alfabetizadas...
Paulo Roberto de Almeida
Argentina teme retaliação
Da Redação
Diário do Comércio e Indústria,
Quarta-feira, 12 de maio de 2010
Os empresários brasileiros ganharam ontem uma parceria de peso contra as novas barreiras alfandegárias que o governo argentino está programando e que poderá entrar em vigor no início de junho. É que empresários argentinos de grande porte na participação no PIB daquele país temem represálias brasileiras à importação de alimentos. Em reunião ontem, na câmara de empresas alimentícias da Argentina, os empresários defenderam claramente a necessidade de se respeitarem os acordos comerciais internacionais diante da possibilidade de imposição de barreiras do governo à importação de alimentos, o que poderia provocar represálias.
A Coordenadoria de Indústrias de Produtos Alimentícios (Copal) frisou que sustenta firmemente a urgência de que toda medida de política comercial respeite os critérios dos tratados internacionais dos quais a Argentina faz parte. O respeito aos acordos é uma das garantias necessárias para evitar represálias no comércio mundial, ressaltou o comunicado oficial da entidade.
A reação ocorreu assim que se confirmaram informações segundo as quais a Secretaria de Comércio argentina pediu às grandes redes de supermercados que deixem de importar produtos alimentícios, o que afeta exportadores do Brasil e da União Europeia (UE). As barreiras comerciais para proteger a indústria alimentícia argentina ante uma eventual avalanche de importações decorrente da desvalorização do euro favoreceriam os exportadores da UE e desviariam à Argentina parte do comércio entre Brasil e o bloco europeu.
O ministro da Economia argentino, Amado Boudou, disse que é preciso cuidar do mercado interno e dos produtores nacionais, mas evitou falar de medidas concretas.
Brasil e UE são os principais parceiros comerciais da Argentina. O Brasil exporta anualmente US$ 22 bilhões em alimentos à Argentina e importa US$ 1 bilhão, segundo dados da Copal. Os alimentos importados representam cerca de 3% dos que oferecem os supermercados no mercado argentino, segundo cálculos de fontes do setor. O assunto causou mal-estar no Brasil e de países da União Europeia.
A Secretaria de Comércio começaria a aplicar barreiras à importação de uma lista de alimentos, dentre os quais frangos do Brasil.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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sábado, 15 de maio de 2010
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