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terça-feira, 8 de setembro de 2026

A Economist avalia a economia de Milei - The Economist

 

Milei foi mexer com os ingleses ameaçando retomar as Malvinas, e a The Economist se vinga com um retrato irônico de Milei e do seu governo...

Maurício David

 

... Os peronistas também estão divididos. Sergio Massa, que perdeu para Milei nas últimas eleições, pode tentar novamente. Juan Grabois, um deputado inflamado, também pode concorrer. Ele promete justiça social financiada por impostos dramaticamente mais altos sobre os ricos. "Você não precisa temer Axel [Kicillof]," ele ri, "você tem que me temer, tem que temer Myriam Bregman."

Bregman é uma trotskista de alto perfil, à esquerda até mesmo dos peronistas. Surpreendentemente, sua aprovação é muito melhor do que a de Kicillof e Milei...

 


Enviada em: terça-feira, 8 de setembro de 2026 16:02
Assunto: THE ECONOMIST / Milei promete radicalizar reformas, mas experimento liberal perde popularidade

 

THE ECONOMIST

08set26

 

Milei promete radicalizar reformas, mas experimento liberal perde popularidade

Buenos Aires

The Economist

 

"Meu brinquedo favorito", diz Javier Milei, olhando para a motosserra dourada em seu gabinete na Casa Rosada, a sede da Presidência da Argentina.

"Há muito mais gastos a cortar e muitos mais impostos a reduzir", ele afirma, acrescentando que vai realmente mostrar a que veio assim que for reeleito no ano que vem.

Se as reformas até agora foram "mais do que tudo o que foi feito nos últimos cem anos na Argentina somados, garanto que o próximo pacote de reformas será muito mais profundo".

Ele promete que a Argentina vai abraçar a inteligência artificial como nenhum outro país e diz acreditar que isso pode ajudá-la a "se tornar uma potência mundial líder, como os Estados Unidos" em apenas 20 anos. Prepare-se para Milei 'recarregado', ele sorri.

Ainda assim, este é um momento delicado. Após herdar uma situação econômica terrível, Milei conseguiu reduzir a inflação e desregulamentar fortemente a economia.

Os eleitores recompensaram isso na eleição de meio de mandato do ano passado, mas hoje dizem aos institutos de pesquisa que se importam muito mais com perspectivas de emprego e salários do que com a inflação.

O crescimento econômico está em crise, e ainda faltam apenas 14 meses para que novas medidas políticas tragam resultados antes que ele enfrente as urnas em outubro do próximo ano.

Com sua aprovação pessoal profundamente negativa, há o risco de que um rival mais esbanjador da ala à esquerda do movimento peronista da Argentina, que defenda um Estado intervencionista, possa capturar o coração dos eleitores.

O experimento radical, que inspirou defensores do livre mercado pelo mundo, está em jogo. A grande questão para o próximo ano é se redobrar a aposta agressiva —o Milei "recarregado"— é o caminho para vencer a reeleição.

Ele pode se orgulhar de sucessos notáveis. Antes de assumir o cargo em dezembro de 2023, a inflação batia em 13% ao mês e os gastos do governo estavam fora de controle, financiados pela impressão de dinheiro.

Milei usou sua motosserra contra os gastos e entregou superávits fiscais. A inflação caiu, para cerca de 2% ao mês. Isso ajudou a reduzir a parcela de pessoas vivendo na pobreza em cerca de um terço, para 28%.

Os mercados estão muito mais contentes. O governo tem lidado com a dívida externa e, este ano, o BCRA (banco central argentino) tem comprado reservas em dólares de forma agressiva. Isso é facilitado pelo boom das exportações de petróleo.

Milei também reduziu a burocracia excessiva da Argentina. "Eliminamos 17 mil regulamentos", ele diz. No início deste ano, ele aprovou uma reforma trabalhista abrangente.

O presidente continua sendo um otimista convicto com a tecnologia. A IA "só pode fazer o bem; o único mal que pode ser causado é se os Estados interferirem", afirma. A teoria econômica "prova" isso.

Ele quer conceder plenos direitos legais às empresas administradas exclusivamente por IA. "Por que eu deveria discriminá-las?", questiona —embora o projeto de lei que empodera a IA pareça exigir alguma intervenção humana.

O alinhamento estreito com o governo Trump também deu resultados. Antes das eleições de meio de mandato do ano passado, com os peronistas gastadores indo bem nas pesquisas, o peso argentino estava sob tanta pressão que o banco central gastou mais de US$ 1 bilhão em dois dias tentando impedir a queda da moeda.

Trump veio ao resgate com uma linha de swaps de US$ 20 bilhões e compras diretas pelo Tesouro de pesos argentinos. A moeda se estabilizou, ajudando o partido de Milei a transformar uma provável derrota dolorosa em uma vitória expressiva.

Milei demonstrou pragmatismo em relação à China, grande parceiro comercial. Antes de assumir o cargo, ele vociferou contra a liderança chinesa, classificando-a de "assassina". Agora, se derrete ao dizer que "trabalhar com os chineses é muito agradável".

Isso valeu a pena. No mês passado, a China estendeu uma linha vital de swaps de US$ 19 bilhões com o banco central argentino. Ele diz que não pediram nada em troca.

E ainda assim, Milei tem problemas. A economia está a caminho de um segundo ano consecutivo de crescimento, algo raro na Argentina; mas em um ritmo mais lento do que o planejado.

Seu governo havia previsto um crescimento de 5% este ano, mas após vários meses de contração, a maioria dos analistas espera quase metade disso.

O crescimento está concentrado em setores como hidrocarbonetos, mineração e agricultura, que não são intensivos em mão de obra. A atividade econômica em setores mais importantes, como manufatura e construção, ainda é pelo menos 10% menor do que quando Milei assumiu o cargo.

Em parte, isso se deve ao fato de Milei estar expondo as fábricas protegidas da Argentina à concorrência estrangeira. Isso faz sentido, mas a transição é dolorosa.

"É como se estivéssemos financiando nossa própria autodestruição", diz Martín Rapallini, chefe da associação industrial argentina, que defende uma reforma fiscal ampla que Milei nem sequer tentou.

O resultado é 230 mil empregos formais a menos no setor privado do que em 2023, uma queda de 3,6%. Ele se gaba de ter cortado 86 mil cargos no setor público.

A taxa de desemprego aumentou apenas dois pontos percentuais porque as inscrições no âmbito de um regime tributário para pequenos empresários de baixa renda aumentaram acentuadamente. O trabalho informal também cresceu. "Também é trabalho", retruca Milei.

Salários são outra preocupação. No setor privado formal, eles ainda estão abaixo do que eram quando Milei assumiu o cargo. No setor público, eles são dramaticamente menores, fato que o presidente celebra.

Muitos argentinos estão enfrentando dificuldades. Quase 6 milhões de pessoas estão com dívidas atrasadas há mais de 90 dias. Taxas de juros altas e voláteis não ajudam.

Para combater a inflação, o banco central manteve a oferta monetária restrita e interveio para conservar o peso forte. Mas isso prejudica o crescimento porque limita o crédito. Também prejudica a manufatura, tornando as importações rivais mais baratas e as exportações caras.

Milei, concentrado em combater a inflação, simplesmente nega que seus esforços tenham qualquer custo para o crescimento da Argentina.

Esse foco em um único problema pode diminuir os retornos eleitorais. Quando o presidente argentino assumiu o cargo, os eleitores classificaram a inflação como seu principal problema, de longe. Atualmente, ocupa a oitava posição; a falta de empregos e os baixos salários estão no topo da lista.

Os eleitores também estão insatisfeitos com uma série de escândalos de corrupção em seu governo. Sua aprovação se aproxima dos 30%.

Isso parece estar irritando Milei. Ele ficou furioso com jornalistas argentinos por questionarem suas conquistas econômicas e escreverem sobre os supostos casos de corrupção. "Merda humana" é um de seus insultos favoritos para os jornalistas.

Ele pode atacar a imprensa várias vezes ao dia nas redes sociais. Quando questionado sobre economia na pergunta inicial da entrevista a The Economist, sua resposta incluiu ataques à mídia argentina "verdadeiramente vergonhosa" e suas mentiras "arrepiantes".

Seus aliados temem que essa agressividade esteja afastando os eleitores. "Eu não justifico, eu não faço isso", diz Patricia Bullrich, uma das principais senadoras de seu partido.

Com dificuldades internas, Milei parece cada vez mais tentado pelos assuntos externos. Desde que assumiu o cargo, visitou os Estados Unidos cerca de 17 vezes e Israel três vezes, mas ainda não visitou 8 das 23 províncias da Argentina. 

No entanto, viajar não parece divertido para Milei. No vizinho Brasil, em um comício de campanha para Flávio Bolsonaro (PL), candidato de direita na eleição presidencial, ele se referiu ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como "ladrão" e "condenado".

O Brasil, maior parceiro comercial da Argentina, retirou seu embaixador em resposta. Milei não se arrepende. "O comunista Lula", diz, "contaminou todo o continente com o socialismo do século 21".

Em 3 de setembro, em um pronunciamento televisionado, ele intensificou sua retórica sobre as reivindicações da Argentina às Ilhas Malvinas, no que parece um esforço grosseiro para mobilizar apoio.

Será que preocupações com o emprego e a queda das pesquisas podem provocar mudanças antes das eleições? "Não vou parar de fazer o que é certo só pelo resultado da eleição", ele responde.

"Se o povo argentino decidir virar as costas para o modelo de liberdade porque eu permaneci fiel às minhas convicções... bem, isso depende do povo argentino."

As fortes convicções do Sr. Milei estão por trás de grande parte de seu sucesso, mas ele não alcançará uma reforma duradoura sem um segundo mandato.

Ele insiste que suas políticas centrais em breve impulsionarão o crescimento e os salários. Ainda assim, seu governo recentemente fez várias pequenas mudanças que parecem particularmente favoráveis ao crescimento: permitir que as taxas de juros caiam um pouco, usar o fundo de pensões dos argentinos para ajudar os bancos a reduzir as taxas de financiamento imobiliário e permitir que os bancos emprestem mais em dólares do que em pesos.

Milei diz que está apenas "liberando restrições". Seja o nome que isso tenha, se oferecer melhores salários e mais empregos, os eleitores vão gostar mais dele.

A salvação de Milei pode ser seus rivais. O principal provável desafiante é Axel Kicillof, atual governador peronista da província de Buenos Aires.

Ex-ministro das finanças profundamente associado a excessos de gastos passados, sua taxa de aprovação é tão ruim quanto a de Milei. Kicillof insiste que, no momento, não é candidato, mas mesmo assim se esforça para destacar os problemas econômicos.

Ainda assim, sua própria economia pouco ortodoxa aterroriza os mercados e assusta muitos eleitores. Ele não aceita que a principal causa da inflação no passado tenha sido a emissão de dinheiro. Em vez disso, diz que a conjuntura é "muito complexa".

Os peronistas também estão divididos. Sergio Massa, que perdeu para Milei nas últimas eleições, pode tentar novamente. Juan Grabois, um deputado inflamado, também pode concorrer. Ele promete justiça social financiada por impostos dramaticamente mais altos sobre os ricos. "Você não precisa temer Axel [Kicillof]," ele ri, "você tem que me temer, tem que temer Myriam Bregman."

Bregman é uma trotskista de alto perfil, à esquerda até mesmo dos peronistas. Surpreendentemente, sua aprovação é muito melhor do que a de Kicillof e Milei.

Com os principais candidatos sendo tão impopulares, outros nomes também estão de olho nas eleições. Hernán Lacunza, um ex-ministro das finanças de centro-direita, oferece uma economia no estilo Milei, mas sem os palavrões do presidente.

Governadores provinciais e pastores pentecostais que aparecem na televisão estão sondando o terreno. Milei ainda é o favorito. Mas, enquanto a economia cambaleia, a situação parece desconfortavelmente apertada.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Quando nasceu o Clube de Paris? - Paulo Roberto de Almeida

Quando nasceu o Clube de Paris?

Paulo Roberto de Almeida


Um interlocutor no Academia.edu me escreveu o seguinte em 17 de janeiro de 2026:

"Olá, Prof. Paulo Roberto.
Em seu artigo (782_), consta a informação de que o Clube de Paris foi criado em 1961 após sugestão brasileira em 1956. Como no site da instituição <https://clubdeparis.org/en/history> consta apenas o ano de 1956 como data de seu primeiro acordo (com a Argentina), sem qualquer menção ao ano de 1961, gostaria de verificar os dados sobre essa participação brasileira na formação do foro de credores. O senhor poderia, por gentileza, informar onde posso confirmar essas informações?
Desde já, agradeço a atenção.
Abraços,..
Xxxx Xxxxx"

Paulo Roberto de Almeida respondeu isto: 

Primeiro, cabe remeter ao texto citado pelo questionador:
Relações Internacionais e política externa do
Brasil: uma perspectiva histórica (Meridiano 47)
https://www.academia.edu/5829830/782_Rela%C3%A7%C3%B5es_Internacionais_e_pol%C3%ADtica_externa_do_Brasil_uma_perspectiva_hist%C3%B3rica_2001_
 

O Clube de Paris talvez tenha alguma história oficial em seu site, mas o fato é que desde meados dos anos 1950 tanto Brasil quanto Argentina enfrentavam problemas de balanço de pagamentos, com redução dos preços das commodities, ao final da guerra da Coreia. A Argentina já era pós peronista e o Brasil pós-Vargas, mas ainda na confusão da transição para o JK. Demandas foram feitas aos países credores, EUA e europeus, que se reuniam em Paris, onde a OECE trabalhava nos programas de reconstrução europeia. As reuniões foram sem formato definido, mas os credores, visando evitar concessões diferentes, e oportunistas, resolveram se coordenar entre si. Esse exercício continuou com funcionários dos tesouros nacionais, até que novamente Brasil e Argentina, entre outros, pediram novas negociações. O Tesouro franês, ainda instalado numa ala do Louvre, patrocinava essas negociações, que acabaram se transformando em reuniões regulares, mesmo na ausência de "pedintes". Eles passaram a se reunir uma vez por mês em Paris, para o maior prazer gastronômico e cultural dos funcionários do Tesouro, uma vez por mês, para justamente discutir os termos dos acordos com os próximos inadimplentes. O pessoal de Washington, FMI e BIRD, também adorava viajar a Paris. Assim nasceu o Clube de Paris, em 1961 ou próximo disso, como um conclave de credores supostamente solidários entre eles. Em 1960, a OECE foi transformada em OCDE, com ampliação a outros países e a criação do CAD, no seguimento das descolonizações europeias.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 17/01/2026

domingo, 14 de setembro de 2025

Argentina, o país do déjà vu - Marcelo Guterman

A Argentina não é uma exeção: câmbio fixo ou bandas ajustáveis são dificilmente sustentáveis...

Argentina, o país do déjà vu

A Argentina é um eterno déjà vu. Agora mesmo estou lendo um livro (gentilmente emprestado pela amiga Nora Gonzalez) que reúne entrevistas de economistas argentinos sobre a convertibilidade. O livro é de 1995, a convertibilidade (1 peso-1 dólar, garantido pelo governo) havia sido instituída em 1991, e passava por seu primeiro grande teste, após a crise do México, em março daquele ano.

A primeira pergunta do jornalista é a mesma para todos os entrevistados: “poderá se manter a convertibilidade?”. Estou ainda na metade do livro, mas a resposta, até o momento, oscilou entre “se manterá” e “precisa ser mantida”. E não pensem tratar-se de economistas heterodoxos ou desenvolvimentistas. Pelo contrário, o apoio à convertibilidade se dá mesmo entre os entrevistados que se alinham à ortodoxia, que citam o problema do déficit fiscal como o principal para a manutenção da convertibilidade.

Havia uma leitura de que a convertibilidade seria um instrumento para forçar o mundo político a se adequar. Como sabemos, ocorreu o inverso: o Estado não se adequou, e a convertibilidade foi pelos ares 6 anos depois.

O problema do câmbio fixo, mesmo com o governo fazendo tudo certo, é a incapacidade de absorver choques de externos. O efeito é o esgotamento das reservas na vã tentativa de blindar a economia doméstica do choque, dando tempo para que o mundo político faça a lição de casa, adaptando o país às novas condições externas. O problema, como sabemos, é que o mundo político, ainda mais na América Latina, não faz a lição de casa, sobrando para o BC a tarefa inglória de sustentar um câmbio distorcido.

Milei, que se elegeu com uma plataforma de não intervenção na economia, insiste em manter o câmbio sob controle. Adotou um sistema de bandas reajustáveis, as mesmas que praticamos durante 4 anos, entre 1995 e 1999, e que foi pelos ares, substituída pelo atual regime de câmbio flutuante. Ou seja, Milei está só 30 anos atrasado.

Alguns dirão que não dá para fazer tudo de uma vez, o câmbio flutuante virá a seu tempo, quando todo o resto da casa estiver arrumado e a inflação estiver em patamares mais baixos. O problema, claro, é combinar com o cenário externo e o fornecimento de dólares para manter as reservas. Não há caso de câmbio fixo que tenha terminado bem. Talvez essa seja uma exceção.

Blog do Marcelo Guterman é uma publicação apoiada pelos leitores.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Programa da Homenagem ao Dr. Rubens Ricupero Ateneo de Ciências Sociais – Via Zoom

Programa da Homenagem ao Dr. Rubens Ricupero

Ateneo de Ciências Sociais – Via Zoom
Data: 23 de agosto
Abertura da sala Zoom: 10h20
Início do ato: 10h30
10h30 – Abertura
Mestre de Cerimônias
Boas-vindas aos presentes.
Apresentação do motivo central: homenagem ao Dr. Rubens Ricupero e sua designação como Membro de Honra do Ateneo de Ciências Sociais.

10h40 – Palavras institucionais
Presidente do Ateneo de Ciências Sociais
Apresentação do Ateneo.

Palavras de homenagem à figura do Dr. Ricupero e abertura formal do ato.
10h50 – Palavras de homenagem
Dr. Roberto Luis Troster
Dr. Nicolás Svirnovsky-Riveris
Dr. Paulo Roberto de Almeida
Dr. Daniel Alfonso da Silva

(Cada orador será apresentado em seu turno pelo Mestre de Cerimônias.)

11h10 – Momento protocolar
Leitura da Resolução
“Visto” e “Considerando” a cargo do Mestre de Cerimônias.
Proclamação solene da parte resolutiva pelo Presidente do Ateneo e golpe de martelo.
Entrega simbólica do Diploma: exibição na tela e anúncio de envio ao Dr. Ricupero no Brasil.
11h20 – Intervenção do homenageado
Dr. Rubens Ricupero
Reflexão pessoal.
Aceitação da designação como Membro de Honra.

11h30 – Encerramento
Mestre de Cerimônias
Leitura final das adesões recebidas.
Agradecimento aos oradores, ao homenageado e aos presentes.
Encerramento formal do ato.

Notas organizativas
Tendo em vista que se trata de uma reunião virtual e com o objetivo de manter a atenção do público, solicita-se aos oradores que sejam breves em suas intervenções.
Durante o ato serão lidas as adesões e mensagens enviadas por diversas organizações e personalidades.
A ordem dos oradores foi estabelecida em função da disponibilidade horária de cada um, e não reflete hierarquias de méritos nem antecedentes acadêmicos.
Cada orador será apresentado na ordem correspondente pelo Mestre de Cerimônias.
Duração total estimada: 55–60 minutos.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

O que se passa ao Sul: Argentina - Joaquim Levy

O que se passa ao Sul 

Joaquim Levy 

As principais mudanças do governo Milei, as que farão mais diferença para o país, são realmente microeconômicas. 

Faz um ano e meio que Javier Milei foi eleito presidente da Argentina. A evolução da inflação e a liberalização do câmbio têm sido bem discutidas, mas mudanças microeconômicas profundas ainda não ganham tanta atenção, apesar de elas provavelmente serem as que farão mais diferença para o país. A gestão macro do governo Milei calcou-se em reajustes dos gastos do governo central abaixo da inflação, principalmente em pessoal e previdência social, possibilitando superávit primários e diminuindo a pressão sobre os juros, que ainda continuam abaixo da inflação. Já os principais impostos foram mantidos, com pequena redução temporária naqueles sobre as exportações, e bondades pré-eleitorais, como redução do IR de profissionais, revertidas. Essas ações têm paralelos abrandados no Brasil: ajustar certos gastos abaixo da inflação, reforçando o fiscal, foi um ingrediente “secreto” para o sucesso do Plano Real, diminuindo a pressão inflacionária na transição da moeda, antes de os juros ganharem proeminência na manutenção do câmbio e controle da demanda doméstica. Robustecer a arrecadação foi chave para o equilíbrio macroeconômico quando o câmbio brasileiro flutuouem1999. Os juros reais negativos ajudaram a dissolver (“licuar”) a dívida do Banco Central argentino, que foi sendo transferida para o Tesouro, e permitirão a dívida pública cair de 85% para 73% do PIB em 2025, com um superávit primário do governo central de apenas 1,3% do PIB. Assim, o Tesouro tem podido focar na sua dívida externa, cerca de 30% do PIB, e em reforçar as reservas internacionais que alcançaram 5,5% do PIB após desembolsodo FMI (no Brasil, a dívida externa da União é de 3% do PIB e as reservas umas seis vezes mais). A recente liberação do câmbio contou com três fatores: a boa safra em 2024-25, apesar da seca na virada do ano; a anistia fiscal que transferiu deUS$9 a 15 bilhões “do colchão” para os depósitos bancários e poderá ser ampliada; e o empréstimo de US$ 20 bilhões com o FMI, a que talvez se somem US$ 20 bilhões de bancos multilaterais e swaps com a China, formando um pacote de 7% do PIB, equivalentes ao Brasil tomar R$ 800 bilhões no exterior para estabilizar a moeda. Na fronteira entre o macro e o microeconômico tem estado a flexibilização das importações — para ansiedade de alguns setores industriais e moderação da inflação —e o realinhamento das tarifas de energia e transportes, agora atenuado e parcialmente casado com a redução das transferências aos governos subnacionais, um grande dreno fiscal na última década. Mas as principais mudanças são realmente microeconômicas. Elas cobrem a liberalização dos aluguéis, aumentando a oferta de moradia; as relações de trabalho, com aumento do período probatório, anistia em favor da formalização de relações de trabalho existentes, medidas tipo MEI para ajudar as microempresas, flexibilização do seguro-desemprego, cujo valor passa a depender de acordos coletivos com sindicatos, e mesmo a dispensa de frentistas no posto de gasolina. Há diversas outras iniciativas, cujos efeitos conhecemos no Brasil, como admitir capital estrangeiro na aviação doméstica e em serviços nos aeroportos e liberar a importação de equipamentos para o setor de óleo e gás e de máquinas usadas de modo geral. Além da redução de exigências regulatórias, fitossanitárias e de registro, inclusive de pesticidas e fertilizantes, na agropecuária. Como sempre ocorre quando se mexe em estruturas de décadas, algumas medidas são quase anedóticas. Deu-se fim, por exemplo, na limitação da área plantada com erva mate, nos tetos para o preço da uva cobrado às vinícolas e volume e tipo de produção de vinho, vindos dos 1980s; e na estatal do azeite criada em 1947. Revogou-se ainda o arsenal de restrições no setor de algodão (com impacto na indústria têxtil) e açucareiro, como cotas para suprimento interno vindas dos anos 1970. Mutatis mutantes, é como ter acabado com o IBC, IAA e intervenções setoriais que ainda nos assombram com suas centenas de bilhões de reais em precatórios que terão que ser encaixados no arcabouço fiscal em 2027, mas cujo fim deu nova vida ao agro brasileiro a partir dos 1990s. A expansão das exportações de vinho e do interesse em investir na terra, inclusive por estrangeiros, já se faz sentir na Argentina. Algumas mudanças são ainda mais profundas, porque a arquitetura social argentina é particular. A saúde, por exemplo, é ligada aos sindicatos, por meio das chamadas Obras Sociales, criadas na era peronista e postas no centro do sistema em 1970. Financiadas por assalariados e empregadores, elas correspondem aos velhos institutos por categorias no Brasil, como o IAPI e IAPETEC, extintos e integrados ao INPS há sessenta anos. Até o ano passado, mesmo os planos de saúde privados (prepagas) eram intermediados por essas Obras. Com a eliminação dessa intermediação, benefícios passam a ser expressão do Estado, não de grupos ou categorias, e se dá mais liberdade para planos privados. As transferências de renda também deixaram de ser intermediadas por grupos políticos ou setoriais. Mas nem tudo é simplificação transversal, como ilustra o lançamento do regime de incentivo a grandes investimentos em áreas estratégicas (RIGI), com benefícios fiscais de 30 anos e outras vantagens. Esse regime contrasta, por exemplo, com a proposta esboçada há pouco pela Fazenda em parceria com MDIC, MMA e MME para atrair investimentos em data centers no Brasil, que no fundo apenas antecipa os ganhos gerais da reforma tributária. O desmonte dos labirintos Borgeanos da arquitetura social e econômica argentina impulsionará a produtividade do país, mesmo que no curto prazo cause deslocamentos não compensados pelo aumento de certas transferências sociais. É essa expectativa que provavelmente dá popularidade ao governo. Acompanharmos essas transformações é fundamental, porque o Brasil logo poderá ter um parceiro bem distinto, alterando e ampliando nosso espaço econômico. 

1) Recente trabalho do FGV/Ibre (Giambiagi e Tizziani) é uma benvinda exceção. Os relatórios do FMI continuam úteis. 

Joaquim Levy é diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercado do Banco Safra. Foi ministro da Fazenda e diretor-gerente do Banco Mundial.

domingo, 6 de outubro de 2024

Pessoas cometem erros, países cometem erros: uma análise histórica - Paulo Roberto de Almeida

Pessoas cometem erros, países cometem erros: uma análise histórica Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. Sobre como se aprende melhor com erros do que com acertos, a partir de exemplos nacionais. Nenhuma trajetória, individual ou coletiva, é isenta de desvios, de percalços, de erros ou de desastres. Erros individuais são, aparentemente, mais fáceis de corrigir, dado que eles podem ser objeto de recriminações, de alertas, de recomendações de terceiros, geralmente os mais próximos, ou seja, familiares ou amigos, o que pode (nem sempre o faz) induzir o sujeito equivocado – por ignorância, ingenuidade, ambição ou alienação temporária – a tentar retificar suas ações e retomar um caminho, senão virtuoso, pelo menos mais adequado às circunstâncias e limitações da vida prática. (...) Brasil e Argentina talvez estejam ainda sob o domínio excessivo dos “instintos primitivos” de seus animais políticos. Provavelmente já é mais do que tempo de se livrar das oligarquias regressivas e abrir espaços para a energia dos empreendedores individuais. O senso comum considera que a China é uma ditadura comunista, o que é apenas meia verdade. Se consultarmos os indicadores setoriais de liberdade econômica, constataríamos que a China é mais livre, economicamente, do que Brasil, Argentina e a maioria dos países. Paulo Roberto de Almeida Brasília, 4751, 6 outubro 2024, 8 p. Disponível na plataforma Academia.edu; link: https://www.academia.edu/124475398/4751_Pessoas_cometem_erros_paises_cometem_erros_uma_analise_historica_2024_

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Argentina e Venezuela, à frente da história latino-americana de fracassos - Paulo Roberto de Almeida

Argentina e Venezuela, à frente da história latino-americana de fracassos

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota de caráter histórico sobre retrocessos ocorridos na América Latina, com destaque para Argentina e Venezuela, na economia, na educação, na política, no social.

Fazem muitos anos que o Brasil é ultrapassado pela Argentina nos exames do PISA-OCDE, o que para mim constitui talvez o sinal mais eloquente e dramático dos retrocessos do país em décadas, destruindo tudo o que Sarmiento e Alberdi haviam legado de positivo para o único pais no mundo capaz de andar para trás por seus próprios meios e decisões soberanas. 

Mas antes da Argentina, a Venezuela ganha a Palma de Ouro de uma destruição completa de um país pelos seus próprios dirigentes. São coisas surpreendentes na história do mundo: na Argentina foram os peronistas os principais responsáveis, na Venezuela os chavistas, duas tropas organizadas para dois retrocessos exemplares. 

Fenômenos como esses me deixam estupefato sobre como determinados países se deixam conduzir para o abismo. Em ambos, qualquer recuperação, quando começar, vai levar décadas para recompor o país, na Venezuela de forma ainda mais determinada, pela “exportação” de um quarto de sua população, algo extraordinário e devastador, incluindo quadros qualificados, não apenas refugiados econômicos. 

Certos países africanos talvez superem os dois “campeões latino-americanos” em decadência, pois convivem ademais com guerras civis, inter-étnicas e religiosas.

O caso do Brasil é muito diferente, pois se trata apenas de um país lentíssimo em se desenvolver, com pequenos retrocessos apenas pontuais na esfera das políticas econômicas. Em todos os casos registrados sobre esse tipo de processo exasperante em sua lentidão as causas nunca são choques externos; sempre se trata de populismo e incompetência nas políticas públicas. O que mais uma vez remete à má qualidade da educação para explicar a baixa qualidade da governança. 

Pessoas, povos inteiros podem sim se tornar deseducados. Basta piorar na qualidade da educação, o que resulta de má formação de capital humano dedicado ao setor. O Brasil é um exemplo disso, mas num processo geral de incorporação progressiva dos mais pobres (um grande estoque) aos benefícios democratizantes da inserção social. Somos lentos nesse processo, por falta de prioridades claras na casta dos políticos, sempre selecionados entre os piores e mais oportunistas. Mas o que mais me tem impressionado nos últimos tempos é o crescimento da estupidez entre segmentos outrora aparentemente bem educados da população branca majoritária mos EUA: senão como explicar a resiliência e a extensão do trumpismo ignaro? 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4745, 1 outubro 2024, 2 p.

 

 

 

terça-feira, 24 de setembro de 2024

Cláusulas Democráticas servem para alguma coisa?

 

Milei lança ofensiva diplomática contra Maduro na região 

Governo argentino quer promover a adoção de uma cláusula democrática no Consenso d Brasília, como passo prévio e uma eventual expulsão da Venezuela do grupo

Por  — Buenos Aires 


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, discursa para a mídia ao lado após comparecer perante o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ)
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, discursa para a mídia ao lado após comparecer perante o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) Federico Parra/AFP

O governo do presidente argentino, Javier Milei, iniciou uma ofensiva diplomática que tem como objetivo cercar a Venezuela de Nicolás Maduro em foros regionais e, no cenário mais otimista traçado pelos argentinos, expulsar o país do Consenso de Brasília, criado ano passado por iniciativa do Brasil, e da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). O plano da Casa Rosada é conseguir que o Consenso, formado por todos os países da América do Sul, incorpore uma cláusula democrática e, em base a essa cláusula, a Venezuela seja obrigada a sair do grupo. A estratégia do governo Milei foi confirmada ao GLOBO por fontes dos governos brasileiro e argentino.


domingo, 16 de junho de 2024

A Argentina volta às “relações carnais” - Roberto López (Pagina 12)

 La errática política exterior y de defensa de Javier Milei

Socio global de la OTAN y miembro del grupo Ramstein: la irresponsabilidad como factor común


Desde la asunción del presidente Javier Milei, la política de Defensa Nacional en Argentina ha experimentado cambios significativos, particularmente, tal cual señaló el pasado martes de 11 de junio el Secretario de Asuntos Internacionales de la Defensa -Juan Battaleme- en la Comisión de Defensa Nacional, donde había sido citado para que brinde explicaciones, en torno las alianzas y compromisos internacionales.

Practicando el ejercicio de recorrer la exposición del citado funcionario, se puede apreciar que cada uno de los eventos que, tomando estado público, sin dudas, obedecen a una planificación que tiene un sentido nítido de alineamiento irrestricto –y sobreactuado-- a las políticas emanadas desde Washington. Hasta acá ninguna novedad.

Ahora bien, en esa imaginaria línea de tiempo se pudo observar que, en abril de 2024, el ministro de Defensa, Luis Petri, llevó a cabo una misión diplomática clave ante la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN) por instrucción del presidente Milei. El objetivo principal fue operativizar el proceso de aprobación para que Argentina pueda adquirir la categoría de "socio global" de la alianza hemisférica.

Durante una reunión en Bruselas, sede de la OTAN, Petri entregó una carta de intención que expresaba la solicitud de Argentina para convertirse en un socio global de la organización.

Simultáneamente, el Ministerio de Defensa -y la cancillería- terminaban de darle forma a un nuevo Plan Anual de Ejercitaciones Combinadas y Conjuntas de las FF. AA. para el período 1° septiembre 2024/31 agosto 2025. Este proyecto enviado de apuro esta última semana -PE008-2024- debió haber ingresado al Congreso de la Nación en el mes de marzo de 2024, es decir, con un atraso significativo que pudo estar atado a los retoques que le imprimió la nueva gestión de la Defensa Nacional.

La principal novedad estuvo dada en la incorporación del Ejercicio XIV “GUINEX”, una ejercitación a desarrollarse en el Golfo de Guinea. Tal cual surge del marco situacional y objetivos descriptos en el proyecto, esta actividad tiene como foco central aquellas técnicas y tácticas en operaciones navales asociadas a la vigilancia y el control del mar, especialmente la que se desarrolla con más frecuencia en esa parte del globo, la piratería. 

Vale recordar, una vez más, que en nuestro país la autoridad marítima está en manos de la Prefectura Naval Argentina, y que la piratería, un fenómeno relacionado a la seguridad, debería estar en la órbita de acción de la esta última fuerza de seguridad. Todo ello previsto en las leyes 23. 554, 24.059, Decreto Reglamentario 727/2006 y otras normas conexas y concatenantes.

Sobre este particular, el licenciado Juan Battaleme indicó que el gobierno nacional está trabajando sobre una modificación del decreto reglamentario de la ley de Defensa Nacional y, en particular, sobre la Directiva Política de Defensa Nacional (DPDN). En ese sentido, agregó el funcionario, que existen actividades de Defensa Nacional que operan en “zonas grises” en cuanto a que podrían ser consideradas de Seguridad Interior. 

Finalmente, Battaleme sostuvo como argumento central, que el Ejercicio “Guinex” era liderado por la Marina brasileña, entendiendo que esto ofrecía una mirada legitimadora para la ejecución de éste. Vale recordar que en Brasil la autoridad marítima es la Marina de Brasil, así lo contempla la legislación de ese país.

En ese recorrido imaginario de la exposición del Secretario de Asuntos Internacionales de la Defensa, conviene resaltar los ejes en los cuales fijó la centralidad de su argumento respecto a la petición de incorporar a la Argentina como socio global de la OTAN.

Battaleme sostuvo que esto obedecía a una directiva estratégica ordenada por el presidente de la nación. En estrictas palabras del funcionario: "Esto significa integrarse a Occidente poniendo, de este modo, en funcionamiento un mecanismo de coordinación política con los miembros de la Organización militar multinacional (sic)”. Agregó, además, la conveniencia de "tener un oído en esa mesa de decisiones (sic)”.

Profundizando en ese concepto, sostuvo que Argentina había tenido un “gesto” hacia occidente y que esto era en el marco de una clara elección: Trabajar asociado a Estados Unidos. Nuestro país exhibió ese estatus similar a partir de 1998 hasta que la Dra. Nilda Garré ordenó poner fin a esa asociación durante su mandato al frente a esa cartera.

En términos de adquisición de materiales para defensa, cerrado el capítulo de la compra de los cazas multirrol F-16, el ministro de defensa, según publicaciones de esta semana, sostiene conversaciones con Italia por la compra de un buque de asalto anfibio clase San Giorgio que la Marina Italiana está próximo a desprogramar. Esta nave, que además cuenta con una cubierta para operar helicópteros, es una capacidad que la Armada Argentina había perdido con la baja del buque ARA San Antonio. Con coherencia, Juan Battaleme sostuvo el pasado martes que su aspiración es que las Fuerzas Armadas recuperen la proyección naval y el largo alcance.

Esta lógica obedece más a un concepto de una Defensa Nacional del tipo “ofensiva” y no “defensiva-disuasiva” como establece el complejo normativo argentino. Detalle no menor si se tiene en cuenta que la OTAN realiza operaciones de proyección de fuerzas a lo largo y ancho del globo.

Por último, Battaleme sostuvo que pertenecer a la OTAN como socio global no le generaba obligaciones en torno a los conflictos en que la organización tomaba parte; estrictamente dijo: “Si Argentina no quiere meterse en un conflicto, no lo va a hacer". Al mismo tiempo, indicó que en Ucrania la única misión que llevaría a cabo nuestro país iba a ser de índole humanitaria.

Dicho esto, ocurrieron dos cosas: Argentina fue incluida oficialmente en el Grupo Ramstein, un grupo de países que apoyan la defensa a Ucrania mediante el envío de equipo y entrenamiento militar. Por otro lado, trascendió que existe la intención de enviar los cinco aviones Super Etendard Moderinsé -comprados en la gestión del ingeniero Macri- y que nunca volaron por tener vencidos los cartuchos pirotécnicos de los asientos eyectores (esto último con una triangulación con Francia). Aquí sí parece que el discurso y las acciones entran en colisión.

Algunas consideraciones

Es evidenciable, en el relato del secretario de Asuntos Internacionales de la Defensa, que el gobierno argentino ha fijado su rumbo en política exterior. Este rumbo va a estar determinado por las decisiones en esta materia que surjan desde Washington. Así lo expresó claramente cuando sostuvo que habían elegido ser socios de Estados Unidos, visto las asimetrías entre ambas naciones es factible poner en duda el carácter de “socios”. En ese mismo orden, vale decir, existe coherencia entre lo escrito por el Ministerio y las acciones ejecutadas, en materia de política exterior.

Las inconsistencias aparecen cuando la sobreactuación, antes declamada, irrumpe en la escena internacional y genera posicionamientos que ponen en riesgo a la seguridad de la nación. Mientras Battaleme sostenía que Argentina solo apoyaría operaciones humanitarias en Ucrania, resulta que su jefe, el ministro Petri, era recibido por el secretario de Defensa de Estados Unidos, Lloyd Austin, en la 23ª reunión del Grupo de Contacto de Defensa de Ucrania. Por otra parte, se comenzaba el estudio del citado traspaso de material aeronaval en triangulación con Francia, actual proveedora de material bélico a Ucrania. 

Es acá donde la inconsistencia, entre en el relato y las acciones, pone en una situación peligrosa, inestable y poco asertiva a la República Argentina. Romper las tradiciones, en este caso la neutralidad en conflictos que no atañen intereses u objetivos directos de la nación, implica no solo un hecho disrruptivo de la liturgia del Palacio San Martín, sino que compromete el destino del país y de todos los que vivimos en él. La incorporación al Grupo Ramstein debería ser tratada en el Congreso de la Nación, toda vez que ese grupo es el que apoya el esfuerzo militar de Ucrania y coordina, al mismo tiempo, las acciones de los países que apuntalan a esta nación en la guerra contra Rusia. 

En resumen, es necesario recuperar la sensatez en el modo de vincularse con las grandes potencias sin la necesidad de dividir al mundo, adolescentemente, entre “buenos” y “malos”; entendiendo que las relaciones se mueven por intereses nacionales y no por gustos personales. Eso queda en evidencia con el anuncio del próximo viaje del presidente Milei a China, luego de las desafortunadas declaraciones del mismo presidente y su canciller, Diana Mondino.

En síntesis, volver a la senda de la racionalidad en asuntos de política exterior y defensa de la mano de una planificación adecuada que observe, particularmente, la soberanía e independencia de la Nación Argentina, su integridad territorial y capacidad de autodeterminación, y, finalmente, protegiendo la vida y la libertad de sus habitantes. 

*El autor es abogado, magíster en Defensa Nacional. Asesor parlamentario en la Comisión de Defensa Nacional en la Honorable Cámara de Diputados y en la Comisión Bicameral de Inteligencia del Honorable Congreso de la Nación.


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