segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Billet: Poutine piégé par son propre système - Maxime Marquette (Votre Dose Quotidienne) - Seguido por análise de Madame IA

BILLET : Poutine piégé par son propre système : pourquoi la Russie ne pourra jamais gagner en Ukraine
Crédit: Adobe Stock

Un système bâti sur le mensonge

La corruption dans les forces armées russes n’est pas un phénomène nouveau, mais elle a atteint sous Poutine des proportions proprement sidérantes qui auraient dû alerter les observateurs bien avant le premier coup de canon. Les pratiques qui auraient valu des procès en cour martiale dans n’importe quelle armée professionnelle sont devenues la norme institutionnelle en Russie, où chaque maillon de la chaîne logistique représente une opportunité de gain personnel aux dépens de l’efficacité militaire. Cette corruption n’épargne aucun secteur, du simple soldat qui revend son carburant sur le marché noir aux généraux qui siphonnent les budgets d’équipement pour s’offrir des dachas luxueuses et des comptes en Suisse.

Les témoignages recueillis depuis le début du conflit sont éloquents sur l’étendue du désastre. Des colonnes entières de véhicules se sont retrouvées à court de carburant à quelques dizaines de kilomètres de leur base de départ, non pas parce que les réserves n’existaient pas, mais parce que les officiers responsables de la logistique avaient revendu le précieux liquide bien avant que les premiers chars ne prennent la route. Des unités d’élite censées bénéficier des meilleurs équipements se sont retrouvées avec des gilets pare-balles expirés, des jumelles de vision nocturne inopérantes et des systèmes de communication incapables de fonctionner au-delà de quelques centaines de mètres. L’argent était là, alloué par le budget de l’État, mais il n’a jamais atteint sa destination finale, dévoré par une clique de profiteurs qui prospèrent sur l’incompétence généralisée.

Cette corruption généralisée n’est pas qu’une simple question d’argent détourné, elle représente une trahison envers chaque soldat envoyé au front avec un équipement défaillant, chaque famille qui attend le retour d’un proche parti se battre avec des armes inférieures à celles promises. Le système russe a sacrifié ses propres enfants sur l’autel du profit personnel, et c’est peut-être le crime le plus impardonnable de cette guerre.

Les conséquences mortelles sur le terrain

L’impact de cette prédation institutionnalisée se mesure en vies humaines sur le terrain ukrainien. Les rapports font état de soldats russes contraints de pourchasser les pigeons pour se nourrir, de vider les fermes environnantes de leurs animaux pour éviter la famine, pendant que les officiers supérieurs continuaient de profiter des confortables allocations de terrain. Cette situation grotesque rappelle les pires moments des campagnes napoléoniennes, sauf que Napoléon avait au moins l’excuse de la distance et de l’hostilité du terrain, tandis que les forces russes opèrent à quelques centaines de kilomètres de leurs bases, sur un territoire dont les infrastructures n’ont pas été totalement détruites.

Ce contenu a été créé avec l'aide de l'IA.

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Análise detalhada de Madame IA: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/billet-poutine-piege-

para-son-propre.html

Fato ou Fake: Fato (Opinião Analítica)

 

O texto inserido é um fato no que diz respeito à sua procedência institucional e autoria.

Trata-se da reprodução de um artigo de opinião (um billet) intitulado "Poutine piégé par son propre système", escrito por Maxime Marquette e publicado originalmente no portal Votre Dose Quotidienne em fevereiro de 2026. O conteúdo foi legitimamente replicado em 3 de agosto de 2026 no renomado blog Diplomatizzando, mantido pelo diplomata, historiador e acadêmico brasileiro Paulo Roberto de Almeida.

Como o texto pertence ao gênero de análise geopolítica e crônica de opinião, o

julgamento de "fato" aplica-se à autenticidade da publicação e ao uso de dados reais de inteligência, embora suas conclusões sobre o desfecho da guerra operem no campo da projeção e do debate de ideias.

 

Análise Crítica e Detalhada

O artigo de Marquette desenvolve uma tese central: a Rússia enfrenta um impasse militar intransponível na Ucrânia devido a falhas estruturais causadas pelo próprio modelo de governança de Vladimir Putin. O autor diagnostica a corrupção endêmica como uma "prédação institucionalizada" que corrói as forças armadas russas, listando desvios orçamentários, equipamentos obsoletos ou vencidos e falhas logísticas primárias (como a falta de combustível e rações no fronte).

A crítica aponta que a modernização militar russa prometida na década passada revelou-se uma "modernização fantasma", onde armamentos de ponta (como o tanque T-14 Armata) servem à propaganda de desfiles, mas não são viáveis em escala real de combate. A dependência forçada de armamentos iranianos e norte-coreanos é tratada como a prova cabal do esgotamento desse complexo industrial.

 

Confronto por Múltiplas Perspectivas

1. Perspectiva Econômica

O texto baseia sua argumentação econômica na deterioração das cadeias produtivas

russas sob o peso das sanções ocidentais, traçando um paralelo direto com o colapso

financeiro da União Soviética. O teto tecnológico imposto pelo isolamento impede a Rússia de acessar semicondutores e componentes ópticos avançados.

No entanto, economistas e analistas contrários apontam um "ponto cego" nessa

abordagem: a resiliência russa em transicionar para uma economia de guerra agressiva. Ao redirecionar suas exportações de hidrocarbonetos para a China e Índia, a Rússia conseguiu estabilizar seu PIB e financiar seu esforço bélico, desafiando a premissa de um estrangulamento financeiro imediato. A Rússia converteu-se em uma economia altamente militarizada, onde o gasto público em defesa funciona temporariamente como um motor de atividade econômica interna. 

 

2. Perspectiva Tecnológica

Sob a ótica da tecnologia militar, o conflito na Ucrânia é o primeiro a ser amplamente

dominado por sensores omnipresentes, guerra eletrônica e frotas de drones civis

adaptados. O texto argumenta corretamente que a incapacidade russa de fornecer

comunicações seguras expôs suas tropas.

Contudo, o confronto tecnológico não é unilateral. A Rússia demonstrou uma curva de

aprendizado acentuada a partir de meados de 2024, aperfeiçoando sistemas de

interferência de GPS (guerra eletrônica) que neutralizaram munições ocidentais de alta precisão fornecidas à Ucrânia. O conflito tecnológico, portanto, transformou-se em uma

corrida de adaptação contínua, desmentindo a visão de uma obsolescência russa estática.

 

3. Perspectiva Geopolítica e de Defesa

A análise de Marquette alinha-se estritamente à doutrina de think tanks anglo-saxões, como o RUSI e o Chatham House, sugerindo que o Ocidente deve dobrar o apoio militar e que a paz só existirá com tropas da OTAN em solo ucraniano.

Sob a perspectiva da Realpolitik e das escolas geopolíticas realistas (como a de John

Mearsheimer), essa recomendação é vista como uma receita para a escalada global

catastrófica. O realismo geopolítico argumenta que a Rússia enxerga a expansão da OTAN como uma ameaça existencial. Portanto, o imperativo impérial citado pelo autor não é apenas um traço do "ADN expansionista" russo, mas uma reação de equilíbrio de poder na Europa Oriental, o que torna uma vitória convencional ocidental total extremamente complexa e perigosa.

 

4. Perspectiva Filosófica e Sociológica

O artigo examina o conflito sob uma lente moral e ética, denunciando a "traição" do Kremlin contra os seus próprios cidadãos ao enviá-los ao fronte sem suporte adequado.

Filosoficamente, expõe o conflito entre o universalismo democrático (defendido pelo

Ocidente e pela resistência ucraniana) e o particularismo nacionalista autocrático

(russo). O texto peca, contudo, por um viés de "eurocentrismo moral". Fora do eixo ocidental (EUA-Europa), grande parte do Sul Global (América Latina, África e partes da Ásia) não adota a mesma leitura maniqueísta da guerra. Para muitas dessas sociedades, o conflito é visto de forma pragmática e utilitarista, como uma disputa de esferas de influência entre grandes potências, desprovida da pureza ética sugerida pela narrativa ocidental.

 

5. Perspectiva Política e Jurisdicional

Do ponto de vista político interno, o artigo aponta para o "efeito bumerangue" do

ecossistema autocrático de Putin. Em sistemas centralizados e baseados no medo, os

relatórios enviados ao topo tendem a ser sistematicamente falseados para agradar ao

ditador, resultando em um erro crasso de planejamento estratégico ao subestimar a

Ucrânia.

No campo jurisdicional internacional, os crimes de guerra documentados e citados pelo autor criam uma ruptura duradoura no direito internacional. Mesmo que um acordo de paz político seja alcançado no futuro, a arquitetura jurídica internacional (como os mandados do Tribunal Penal Internacional) isolará a liderança russa por gerações, transformando a punição legal em uma ferramenta de coerção diplomática persistente.

  

domingo, 2 de agosto de 2026

Ricardo Bergamini alerta para a trajetória preocupante da divida pública brasileira

 PRA: Ricardo Bergamini alerta para a trajetória preocupante (ele acha catastrófica) da divida pública brasileira, como sendo um estrangulamento fiscal apontando no horizonte:


A combinação entre arrecadação recorde e déficit fiscal nominal recorde levará o próximo presidente eleito ao impedimento (Ricardo Bergamini)

Prezados Senhores

Qualquer que seja o presidente eleito, não terá força política para enfrentar a tragédia atual vivida pelo Brasil, assim sendo o impedimento do próximo presidente eleito será inevitável para nova composição de forças políticas, haja vista que o centrão já se posicionou para votar a favor do impedimento do próximo presidente eleito.

´É humanamente impossível o Brasil sobreviver por mais 4 anos com um presidente eleito por ser o menos rejeitado. O impedimento é a forma democrática de exterminar essa anomalia gerada pelos irmãos gêmeos xifópagos primatas Bolsonaro/Lula.

1 - Política Fiscal (BCB)

Até junho de 2026, o governo para obter um déficit fiscal primário de R$ 157,2 bilhões (1,19% do PIB), pagou R$ 1.160,5 bilhões (8,80% do PIB) de juros.

No acumulado em doze meses até dezembro de 2022, registrou-se superávit fiscal primário de R$ 126,0 bil3hões (1,28% do PIB). No acumulado em doze meses até junho de 2026, registrou-se déficit fiscal primário da ordem de R$ 157,2 bilhões (1,19% do PIB), Aumento real em relação ao PIB de 192,97%, comparativamente ao acumulado em doze meses até dezembro de 2022.

No acumulado em doze meses até dezembro de 2022, os juros nominais alcançaram R$ 586,4 bilhões (5,96% do PIB). No acumulado em doze meses até junho de 2026, os juros nominais alcançaram R$ 1.160,6 bilhões (8,80% do PIB). Aumento real em relação ao PIB de 47,65%, comparativamente ao acumulado em doze meses até dezembro de 2022.

No acumulado em doze meses até dezembro de 2022, o déficit fiscal nominal alcançou R$ 460,4 bilhões (4,68% do PIB). No acumulado em doze meses até junho de 2026, o déficit fiscal nominal alcançou R$ 1.317,8 bilhões (9,99% do PIB). Aumento real em relação ao PIB de 111,54%, comparativamente ao acumulado em doze meses até dezembro de 2022.

2 – Patrimônio líquido negativo da união (MF)

É lamentável que a grande maioria dos brasileiros não tenha interesse em números, gráficos e tabelas, se tivessem conhecimento do balanço patrimonial da União, que apresentou um patrimônio líquido negativo de R$ 2,5 trilhões em 2018. Em 2022 migra para R$ 5,3 trilhões. Crescimento do patrimônio líquido negativo de 112,00% em relação ao ano de 2018. Em 2025 migra para R$ 6,8 trilhões. Crescimento do patrimônio líquido negativo de 28,30% em relação ao ano de 2022.

No consolidado (união, estados e municípios) de 2025 o patrimônio líquido negativo foi de R$ 10,1 trilhões.

Arrecadação federal bate recorde histórico e chega a R$ 1,58 trilhão no 1º semestre

Receita cresceu 6,6% no primeiro semestre, impulsionada pela alta do PIB e pelo aumento da tributação promovido pelo

Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/economia/arrecadacao-federal-bate-recorde-historico-e-chega-a-r-158-trilhao-no-1o-semestre/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento

sábado, 1 de agosto de 2026

A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política (2010) - Paulo Roberto de Almeida

Divulgando no blog pessoal dada a descontinuidade das postagens em Mundorama.

A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 26 novembro 2010, 4 p. Artigo para sobre a possível diplomacia do governo que toma posse em 1 de janeiro de 2011. Publicado no Boletim Mundorama; revista de divulgação científica em relações internacionais (29/12/2010).

  

A crer nas declarações, após o 31 de outubro de 2010, do presidente Lula, responsável inquestionável pela vitória eleitoral da candidata oficial Dilma Rousseff, o novo governo será constituído e conduzido à imagem e semelhança da presidente eleita. Ele também negou que vá ter, pessoalmente, qualquer influência sobre as decisões de governo a partir de 2011. A despeito dessas declarações, é provável que o novo governo conserve, grosso modo, as grandes linhas seguidas durante os dois mandatos do presidente Lula, o que foi aliás confirmado pela candidata eleita, que pautou sua campanha como estando marcada pela continuidade das mudanças empreendidas desde 2003. A rigor, a afirmação vale tanto para a economia e para as políticas sociais, que respondem por grande parte do sucesso do mandato que se encerra, quanto para a política internacional do Brasil e suas relações diplomáticas, de modo geral, terreno no qual as avaliações são mais circunspectas.

Partindo, justamente, do pressuposto de que a base política do novo governo se manteve, e até se reforçou, como resultado das eleições de outubro de 2010, bem como da possibilidade de que o principal artífice pela vitória de Dilma nestas eleições pretenda, em função de projetos políticos futuros, manter-se ativo no “mercado de consultoria presidencial”, é possível, assim, vê-lo articulando contatos e iniciativas que compreendam a frente interna, mas que também alcancem, de algum modo, a esfera diplomática. Independentemente, porém, desse tipo de interface operacional, aparentemente inevitável nas circunstâncias que cercaram o mais recente escrutínio presidencial – a mais de um título inédito na história política nacional –, a força do cargo, quando assumido plenamente, e características pessoais ligadas a cada uma das personalidades citadas, fazem com que se venha a assistir, necessariamente, um cenário bastante diferente daquele registrado nos últimos oito anos.

Peculiaridades especiais na forma de conduzir os assuntos de Estado, seja na frente interna, seja no âmbito externo, assim como simbologias ligadas a histórias de vida diferentes, sustentam o diferencial que pronto se observará. Dificilmente se poderá reproduzir, por exemplo, o protagonismo de Lula nos foros internacionais e nas relações bilaterais (em especial na África), assim como não se deve assistir novamente às suas formas especiais de interlocução, mais baseadas no instinto e no gosto da improvisação, do que propriamente no seguimento dos cânones burocráticos tradicionalmente ligados à figura presidencial. Assim, mesmo deixando de lado escolhas funcionais quanto ao novo titular da chancelaria – se de carreira ou não, de um ou outro gênero, como especulado abundantemente na imprensa – o mais provável é que a nova presidente imprima suas preferências pessoais e suas prioridades políticas à diplomacia que lhe caberá comandar a partir de 1o. de janeiro de 2011. Nessa área, porém, o peso da continuidade costuma ser maior do que no campo das políticas internas, inclusive porque a agenda vem em grande parte “pronta” do exterior. Alguns temas encontram-se inclusive na ordem do dia, como é sempre o caso nesse tipo de atividade, a exemplo dos que serão examinados a seguir.

Das três grandes prioridades do governo Lula na frente diplomática, não se pode dizer que alguma tenha sido encaminhada a seu termo lógico ou a resultados exitosos do ponto de vista do Brasil: o ingresso do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por exemplo, encontra-se no terrenos das possibilidades difusas, e assim promete permanecer no futuro indefinido, ainda que o status do Brasil, como ator de relevo no cenário internacional, seja hoje amplamente reconhecido; as negociações comerciais multilaterais, por sua vez, devem se arrastar penosamente por pelo menos mais um ano inteiro, completando assim um ciclo frustrante de dez anos de tergiversações, mas sempre com o ativo envolvimento do Brasil em todas as fases e configurações negociadoras; a integração sul-americana, finalmente, caminha num ritmo ambíguo, com muitas iniciativas no plano político, mas resultados menos seguros nos terrenos econômico e comercial (que deveriam ser, aliás, a base da integração). Todos esses temas serão retomados pela nova administração, que talvez queira imprimir novas características às demandas e ofertas brasileiras nos diferentes capítulos e frentes de negociação. Vários dos itens na agenda, não dependem, a rigor, da postura brasileira, já que cada um deles, em seus contextos respectivos, carregam o peso de interesses muito diversificados por parte dos principais parceiros envolvidos.

No plano da governança global, os avanços continuam sendo muito lentos ou frustrantes: meio ambiente, coordenação econômica internacional, segurança e terrorismo, constituem, por sinal, temas que transcendem a tradicional postura Norte-Sul, que, segundo certas visões maniqueístas, dividiria o mundo em países desenvolvidos, de um lado, e em desenvolvimento, do outro. Não se pode dizer, assim, que a ênfase na diplomacia Sul-Sul que caracterizou o governo Lula tenha as respostas e o formato adequados ao encaminhamento de todos esses temas inscritos na ordem do dia das negociações internacionais, tanto porque alguns dos supostos aliados na causa do desenvolvimento podem perfeitamente exibir posturas protecionistas e subvencionistas que confrontam diretamente nossos interesses exportadores agrícolas, entre outros exemplos. Assim, algum pragmatismo na formação de coalizões negociadoras é sempre recomendável.

Em temas como o da integração regional, qualquer observador isento pode constatar a imensa distância que existe entre um modelo tradicional de liberalização comercial e de abertura econômica – que deveria situar-se, lógica e necessariamente, na base de qualquer processo “normal” de integração baseado em clássicas vantagens ricardianas – e um outro “modelo”, de caráter mercantilista, dirigista, estatizante e politizado, avesso ao capital estrangeiro e aos sistemas de mercados, como o que vem sendo impulsionado por alguns países na região. Assim, dificilmente se poderá dizer que o Mercosul sairá reforçado ou dotado de maior coerência intrínseca ao integrar novos membros que de fato perseguem um modelo situado nas antípodas do que se entende normalmente por integração econômica.

Em temas essencialmente políticos, talvez se tenha, igualmente, de proceder a uma revisão de conceitos, a partir de questionamentos que surgiram quanto à postura brasileira em matéria de direitos humanos, por exemplo. Observadores da área, em geral representantes de ONGs humanitárias, não deixaram de observar – e alguns interlocutores até a questionar concretamente votos brasileiros nos foros pertinentes – a mudança de postura do Brasil em diversas ocasiões que envolveram resoluções críticas em relação a países reconhecidamente violadores dos direitos humanos, a pretexto de “não politização” desses temas e de uma preferência pelo “diálogo direto”. Causou especial constrangimento, nessas áreas, visitas e palavras amigáveis dirigidas pelo presidente Lula a dirigentes desses países, que são os mais visados pela comunidade internacional envolvida na proteção dos direitos humanos e na defesa das liberdades democráticas de maneira geral.

Em qualquer hipótese, a presença do Brasil cresceu enormemente no cenário internacional nesses anos de intenso protagonismo político e de uma ativa diplomacia presidencial, a um ritmo que talvez seja difícil de manter para personalidades menos carismáticas ou menos suscetíveis de manter a credibilidade nacional em situações de ambiguidade em face dessas questões de direitos humanos ou de clara seletividade no tratamento do princípio de não-intervenção. Amizades ostensivas com personalidades autoritárias e relações políticas com países vistos com desconfiança pela comunidade internacional – geralmente pelas mesmas razões, acima apontadas, que preocupam entidades voltadas para os direitos humanos e as liberdades democráticas – podem até se inscrever na lógica política de partidos cujos instintos primários se situem nessa tradição filosófica antidemocrática, mas certamente não contribuem para elevar a reputação moral de um país ou de seus dirigentes.

Finalmente, a questão das parcerias seletivas certamente ganharia em ser vista menos do lado do antihegemonismo instintivo, com alguns laivos de anti-imperialismo démodé, e mais pelo lado pragmático dos benefícios que possa trazer uma cooperação bilateral fundada em critérios de excelência, independentemente de suas coordenadas geográficas. Para todos os efeitos práticos, fases de transição política são sempre carregadas de incerteza quanto ao itinerário futuro, mas nunca se pode excluir boas surpresas com base na renovação de quadros e de políticas.

 

Paulo Roberto de Almeida

Divulgado no blog Diplomatizzando (1/08/2026; link:).

 



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