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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

1112) Carreira Diplomatica: respondendo a um questionario

Carreira Diplomática: respondendo a um questionário
Paulo Roberto de Almeida (www.pralmeida.org)
Respostas a questões colocadas por graduanda em administração na UFSC.

1. Como você se sente por ter escolhido essa profissão (área de atuação)?
PRA: Bastante bem: de certa forma, a profissão me escolheu, posto que desde muito cedo comecei a viajar, primeiro pelo Brasil, depois pela América do Sul e, finalmente, ao completar 21 anos, decidi estudar na Europa, por meus próprios meios e obtendo meus próprios recursos. Foi uma escolha que me preparou para uma vida nômade e aventureira e nunca me arrependi de ter-me lançado ao mundo em fase ainda precoce e sem sequer ter terminado o segundo ano da graduação. Como minha intenção era estudar fora do Brasil, pode-se dizer que realizei meu intento. Quando regressei ao Brasil, depois de quase sete anos na Europa, eu já estava preparado, digamos assim, para tornar-me diplomata. Mas, antes, não tinha pensado: “tropecei” com a carreira, se ouso dizer. Até então, eu só queria derrubar o governo militar.

2. Como você descreveria a sua profissão?
PRA: Uma burocracia de alto nível de qualificação técnica com ampla abertura para as humanidades e o conhecimento especializado. Trata-se, simplesmente, da mais intelectualizada carreira na burocracia federal, combinando aspectos da carreira acadêmica, da pesquisa aplicada e da elaboração de decisões em ambiente altamente competitivo, tanto interna, quanto externamente. Uma elite, como se costuma dizer.

3. Qual sua formação acadêmica? Você considera que ela foi fundamental para o sucesso profissional?
PRA: Ciências Sociais, ou humanidades, no sentido lato, e acredito que ela foi fundamental no ingresso e sucesso na carreira escolhida. Desde muito cedo inclinei-me para os estudos sociais, com forte ênfase na história, na política e na economia, complementados por uma dedicação similar a geografia, antropologia, línguas e cultura refinada, de uma maneira geral. Sou basicamente um autodidata e creio que isso facilitou-me enormemente o ingresso na carreira, pois quase não necessitei de muito estudo para os exames de ingresso. Aliás, entre a decisão de fazer o concurso (direto, no meu caso) e o ingresso efetivo, decorreram pouquíssimos meses (três).

4. Quais as principais dificuldades enfrentadas para conseguir passar no concurso?
PRA: Direito e Inglês, posto que eu havia estudado amplamente todas as demais matérias, mas não Direito, e todos os meus estudos foram feitos em Francês, que eu dominava amplamente. Mas, meu Inglês era muito elementar, servindo tão somente para leituras. Acho que passei raspando nessas duas matérias, nas outras fui bem.

5. Quando você iniciou sua carreira você tinha definido alguns objetivos e metas de onde queria chegar?
PRA: Não especialmente: nunca fui carreirista, no sentido tradicional do termo, e não me preocupava em ser embaixador ou ocupar qualquer posto de distinção. O que me seduzia era a profissão em si, a mobilidade geográfica, o conhecimento de novos países, a possibilidade de estar sempre aprendendo, estudando, viajando. Sou basicamente um estudioso, um observador da realidade, um “compilador” de informações e análises e um escritor improvisado. Todo o resto me é secundário.

6. Como você integra as diversas esferas de sua vida (trabalho, família, lazer, esporte, cursos, etc.)? Está satisfeito?
PRA: Imenso sacrifício para consegui fazer tudo aquilo que tenho vontade, pela simples razão que eu tenho vontade de ler tudo, o tempo todo, em qualquer circunstância, assim como tenho vontade de viajar, de participar de atividades acadêmicas e intelectuais, tendo ao mesmo tempo de me desempenhar em funções atribuídas pela burocracia no meio de tudo isso. Ora, é praticamente impossível conciliar tantas vontades, e ainda ser um marido perfeito, um pai de família perfeito e outras coisas da vida social e relacional. Em síntese, esses outros aspectos foram de certa forma sacrificados no empenho pessoal em ler, estudar e escrever. Reconheço essas imperfeições, mas não se pode ter tudo na vida: escolhas são inevitáveis, e as minhas estão do lado da leitura, do saber e da escrita. São atividades nas quais eu me realizo plenamente. Em outros termos, ninguém consegue integrar todos os seus interesses perfeitamente, e algum aspecto (ou vários) acaba sempre sendo sacrificado; no meu caso, são horas de sono, de lazer, de simples far niente, e também certa negligência familiar, reconheço. Não pratico esportes, a não ser caminhadas moderadas, já em idade madura. Pratico leituras, com alguma intensidade, eu diria intensíssima, e sobretudo o gosto da escrita. No mais, sou um pouco eremita...

7. Quais os períodos de sua carreira que você mais gostou?
PRA: Todos, pois em todos e em cada um eu fiz aquilo que mais gosto: viajar, muito, intensamente, ler, também intensamente, escrever, observar, aprender, em toda e qualquer circunstância, mesmo em situações difíceis de abastecimento, conforto, restrições monetárias ou outras. Toda a minha carreira me trouxe algo de bom, mesmo em situações temporariamente de sacrifício. Nunca deixei de fazer aquilo que mais gosto, e que já foi descrito anteriormente.

8. Quais os períodos de sua carreira que você menos gostou?
PRA: Numa ou noutra situação, alguns postos apresentam dificuldades materiais, desconfortos psicológicos, desafios razoáveis: por pequenos momentos, chega-se a desejar voltar ao Brasil e retornar à rotina burocrática do cerrado central, onde os atrativos são menores, mas também as surpresas. De toda forma, sempre aproveitei os momentos de dificuldade para refletir e escrever, como sempre, aliás.

9. Dentro da perspectiva de sua carreira tem alguma coisa que você gostaria especialmente de evitar?
PRA: Sim, talvez eu devesse ter dedicado menos atenção aos livros e mais às pessoas, mas essas são escolhas que fazemos deliberadamente, por opções próprias, pensadas ou não. Quem tem a compulsão pela leitura e pela escrita, não consegue acalmar-se a menos de satisfazer o seu “vicio”, daí o sacrifício de outros aspectos da vida social que muita gente valoriza em primeiro lugar. Por outro lado, nunca, na carreira, fui obrigado a assumir obrigações que eu mesmo não desejasse assumir, como por exemplo trabalhar em áreas para as quais eu não me sinto talhado nem tenho a mínima vontade de experimentar: administração, por exemplo, ou cerimonial, ou talvez ainda consular. São áreas nas quais eu provavelmente me sentiria infeliz, pois o meu terreno natural são os estudos, de qualquer tipo: geográfico, político, econômico, cultura, antropológico, no sentido amplo. Todas as áreas funcionais de caráter geográfico, político ou sobretudo econômico me servem perfeitamente. Aliás, nunca me pediram para trabalhar em áreas nas quais eu não gosto, e se me pedissem eu não teria nenhuma hesitação em recusar, mesmo podendo incorrer em alguma falta funcional ou ser sancionado por isto. Sou um pouco anarquista, e não gosto de fazer o que me mandam e sim o que eu decido e gosto de fazer.
Por outro lado, jamais me pediram para escrever ou dizer algo que violentasse minha consciência, e eu não hesitaria um segundo em recusar-me terminantemente, como algumas vezes me recusei a defender determinados pontos de vista, que não eram os meus. Por outro lado, jamais enfrentei a obrigação de escrever naquele estilo clássico, ou chatérrimo, que é o diplomatês habitual, cheio de adjetivos hipócritas e de pura formalidade vazia: não tenho espírito, paciência nem disposição para esse tipo de enrolação. Costumo escrever o que penso, sem qualquer concessão a formalismos. Sobretudo, não costumo produzir bullshits, muito freqüentes nesta profissão...

10. Você tem objetivo em longo prazo na sua carreira? Você tem uma visão de futuro profissional?
PRA: Acredito que o diplomata deve servir antes à Nação do que a governos, deve defender valores, e não se subordinar a teses momentaneamente vitoriosas que por alguma eventualidade confrontem esses valores. Já escrevi algo a esse respeito, e remeto a meu trabalho: “Dez Regras Modernas de Diplomacia” (Chicago, 22 jul. 2001; São Paulo-Miami-Washington 12 ago. 2001, 6 p., n. 800; ensaio breve sobre novas regras da diplomacia; revista eletrônica Espaço Acadêmico, a. 1, n. 4, setembro de 2001; link: http://www.espacoacademico.com.br/004/04almeida.htm).

11. Você se considera realmente bom em quê? Quais são seus pontos fortes? E como você aproveita seus pontos fortes no seu trabalho?
PRA: Creio que sou capaz de fazer análises contextuais que envolvam conhecimento histórico, embasamento econômico e situação política, ou seja, tenho instrumentos analíticos e amplos conhecimentos que me permitem situar qualquer problema (ou quase) em um contexto mais amplo, e daí extrair alguns elementos de informação para a instrução de um processo decisório que tenha em conta o interesse nacional. Toda a minha vida eu estudei o Brasil e o mundo, visando tornar o primeiro melhor, num mundo que nem sempre é cooperativo. Registre-se que eu não pretendo tornar o Brasil melhor para si mesmo, ou seja, uma grande potência ou qualquer pretensão desse gênero, que encontro simplesmente ridícula. Eu pretendo tornar o Brasil melhor para os brasileiros, ponto. Contento-me apenas com isso. Minha perspectiva, a despeito de ser um funcionário de Estado, não é a do Estado. Não pretendo trabalhar no Estado, para o Estado, com o Estado: minha perspectiva é a dos indivíduos concretos, e meus objetivos são promover os indivíduos, se preciso for contra o Estado. Não tenho nenhum culto ao Estado e nem pretendo torná-lo maior ou mais poderoso, apenas mais eficiente para servir aos indivíduos, não a si mesmo. Desespera-me essas pretensões nacionalistas estatizantes, pois elas se fazem, em geral, em detrimento do bem-estar individual da maior parte dos cidadãos.
Por outro lado, não me considero patriota, no sentido corriqueiro do termo. Sou brasileiro por puro acidente geográfico, pois poderia ter nascido em qualquer outro país ou em qualquer outra época, por puro acaso. Gostaria de reiterar esse ponto, com toda a ênfase que me é permitida. Não sou dado a patriotismos, nem a chauvinismos ultrapassados e ridículos. A nacionalidade, repito, é um acidente geográfico, ou talvez seja a naturalidade, da qual decorre a primeira. Parto do pressuposto da unidade fundamental e universal da espécie humana. Sou brasileiro, como poderia ter sido esquimó, hotentote ou pigmeu, e ninguém seria responsável por esses acasos demográficos, nem mesmo meus pais, posto que ninguém “fabrica” uma pessoa com base em especificações pré-determinadas. Somos em parte o resultado da herança genética (em grande medida, talvez mais do que o indicado ou desejável, mas talvez não a parte mais decisiva de nossas personalidades); em parte o resultado do meio social e cultural no qual crescemos, e das influências que experimentamos involuntariamente em diversas etapas formativas de nosso caráter; e em parte ainda (o que espero mais substancial ou importante), somos o produto de nossa própria formação ativa, dos estudos empreendidos e dos esforços que fazemos nós mesmos para moldar nossas vidas, nosso estilo de comportamento e nossa maneira de pensar, com base em escolhas e preferências que adotamos ao longo da vida. Devemos sempre assumir responsabilidade pelo que somos, e jamais atribuir ao meio ou a qualquer herança genética determinados traços que podem eventualmente revelar-se menos funcionais para nosso desempenho profissional ou intelectual.
Meus pontos fortes, portanto, são minha capacidade analítica, meus conhecimentos acumulados e meu devotamento à causa dos indivíduos, não dos Estados, e sempre tento passar esses pontos à frente de qualquer outra consideração. Não hesito em defender meus pontos de vista, mesmo contra meus interesses imediatos, que poderiam recomendar uma acomodação com a situação presente – a lei da inércia é uma das mais disseminadas na humanidade – ou com autoridades de qualquer tipo. Não costumo fazer concessões a autoridades apenas para obter vantagens pessoais, e acho essa atitude basicamente correta (ainda que a um custo por vezes enorme no plano pessoal). Talvez seja teimosia de minha parte, mas considero isso antes uma virtude, do que um defeito. Enfim, tendo concepções fortes sobre determinados temas, me é muito mais fácil preparar e expor posições do interesse do Brasil, com base em conhecimentos previamente acumulados, o que me dispensa de longas pesquisas ou buscas em arquivos.

12. Quais são seus pontos fracos?
PRA: Devo ter (e tenho) vários, sendo os mais evidentes essa introversão habitual, essa preferência ao convívio com os livros, mais do que a convivência com pessoas, uma certa arrogância intelectual (que reconheço plenamente), derivada de leituras intensas e de uma imensa acumulação de conhecimentos e informações – que em excesso podem ser prejudiciais, dizem alguns – essa pretensão a saber mais do que os outros (o que em parte é verdade, pela simples intensidade de leituras, mas os outros não gostam que se lhes confronte os argumentos, obviamente). Por outro lado, não tenho nenhum respeito pela hierarquia ou pela autoridade, o que muitos consideram um defeito (mas não eu, dado meu anarquismo particular). Não sou de respeitar o argumento da autoridade, mas apenas a autoridade do argumento, a lógica impecável, e a decisão bem formulada, posto que empiricamente embasada, tecnicamente sólida, com menor custo-oportunidade ou a melhor relação custo-benefício. Enfim, sou um racionalista, e detesto impressionismos e subjetivismos, o que é muito fácil de encontrar em quaisquer meios. Daí choques inevitáveis com determinadas pessoas que pretendem mandar a partir de sua vontade exclusiva, não de um estudo aprofundado de situação. Enfim, ser rebelde assim deve ser um defeito...

13. O que você mais deseja na sua carreira?
PRA: Todos somos egocêntricos ou narcisistas em certa medida. Todos queremos reconhecimento e prestígio, por mais que se diga o contrário. Todos queremos ser elogiados e premiados (no meu caso não monetariamente ou em qualquer aspecto material). Assim, desejo ser reconhecido não necessariamente como um bom diplomata, mas simplesmente como um bom cidadão, alguém que cumpre seus deveres e atua conscienciosamente em benefício da maioria (que calha de ser o povo brasileiro, mas poderia ser qualquer outro, pois como disse, eu me coloco do ponto de vista dos indivíduos, não do Estado). Gostaria de ser reconhecido como estudioso, como esforçado e, sobretudo, como alguém comprometido com o bem comum. Pode ser vaidade, mas é assim que vejo minha carreira, que para mim não é uma simples carreira de Estado, mas sim uma atividade que me coloca no centro (ou pelo menos numa das agências) do Estado, ali colocado para servir a pessoas, não a instituições abstratas.
Gostaria que se dissesse de mim, em algum momento futuro: foi um funcionário dedicado, foi um homem bom, esforçado, devotado ao bem comum, sobretudo foi correto consigo mesmo e com todas as instâncias de interação social ou profissional. Praticou a honestidade intelectual e se esforçou para fazer do Brasil e do mundo lugares melhores do que aqueles que encontrou em sua etapa inicial de vida.

14. O que você pensa que acontecerá à sua carreira nos próximos dez anos?
PRA: Nada de muito relevante, posto que não sou carreirista e não faço da carreira o centro de minhas preocupações intelectuais ou sequer materiais. Estou na carreira diplomática, como poderia estar na academia ou em alguma outra atividade que tenha a ver com o estudo, o esforço intelectual, a análise e a elaboração de propostas. Sou basicamente um intelectual e a carreira para mim é secundária. Provavelmente vou me aposentar nos próximos dez anos, e aí dispor de todo o meu tempo livre para me dedicar àquilo de que mais gosto: leitura, redação, um pouco de aulas e palestras, viagens, alguns prazeres materiais (como a gastronomia, ou a gourmandise, por exemplo) e espero ter condições físicas de continuar escrevendo, ensinando e colaborando com a elevação intelectual da sociedade pelo maior tempo possível. Se me sobrar tempo gostaria de consertar algumas coisas que encontro muito erradas no Brasil, como por exemplo: a corrupção (generalizada em todas as esferas), a desonestidade intelectual nas academias, a miséria material de grande parte da população (que decorre, em minha opinião, de políticas erradas e do excesso de poderes conferidos ao Estado), enfim, tudo aquilo que sabemos errado em nosso País.

15. O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?
PRA: Seja estudioso, dedicado, honesto intelectualmente, esforçado no trabalho, um pouco (mas apenas um pouco) obediente, inovador, curioso, questionador – mas ostentando um ceticismo sadio, não uma desconfiança doentia –, tente aprender com as adversidades, trate todo mundo bem (e, para mim, da mesma forma, um porteiro e um presidente), não seja preguiçoso (embora dormir seja sumamente agradável), cultive as pessoas, mais do que os livros (o que eu mesmo não faço), seja amado e ame alguém, ou mais de um... Enfim, seja um pouco rebelde, também, pois a humanidade só avança com aqueles que contestam as situações estabelecidas, desafiam o status quo, tomam novos caminhos, propõem novas soluções a velhos problemas (alguns novos também). No meio de tudo isso, não se leve muito a sério, pois a vida é uma só – sim, sou absolutamente irreligioso – e vale a pena se divertir um pouco. Tudo o que eu falei ou escrevi acima, parece sério demais. Não se leve muito a sério, tenha tempo de se divertir, de contentar a si mesmo e os que o cercam.

Brasília, 21 de maio de 2009.

162 comentários:

André disse...

Realmente muito instrutivas as dicas... e perigosas, sobretudo a quem deseja que sua vontade seja obedecida somente em função da autoridade de que é ocasionalmente revestida, e não em função do conhecimento objetivo de causa em que se baseia.

Bety Bückér disse...

achei este blog por acaso,no meio de uma pesquisa se sirvo para o serviço diplomático, sou meio autodidata e me peguei estudando história do Brasil em pleno sábado a tarde quando a maioria das mulheres brasileiras estão no cabelereiro,e como você disse meu maior defeito é - não tenho nenhum respeito pela hierarquia ou pela autoridade - não gosto muito desta estória de chefe,sub-chefe e todos os chefes acima e abaixo, isto pode ser um empecilho real, e como voce não tenho pretensões de carreira visto já estar na casa dos 50 anos, mas estou interessada em prestar concurso para a diplomacia, voce acha meu perfil por demais anarquista ?

Dalto Filho disse...

Muito bom seu blog.
Acho que minha real vocação é o serviço diplomático, apesar de cursar Medicina.
Se não for pedir muito. você poderia me informar em que pontos a carreira médica se aproxima da diplomática?!
Pretendo terminar o curso que estou fazendo diecionar meus estudos mais para área da Saúde Pública.
Parabéns pela seu percurso profissional. Há muito na sua história daquilo que almejo alançar no futuro.

Paulo R. de Almeida disse...

Dalto,
Medicina e diplomacia possuem poucos pontos em comum. Nos exames de ingresso possivelmente nenhum, a nao ser o conhecimento de Portugues e de Ingles. Na profissao, apenas a analogia de se usar o bisturi para dissecar problemas complicados, que necessitam uma abordagem anatomica, digamos assim, mas não deve ter muito terreno comum.
Saude pública é importante eestá na agenda internacional, mas nem sempre se pode trabalhar onde se deseja. Diplomata é um generalista, nao um especialista, mas acho importante que tenhamos um perfil diversificado, incorporando engenheiros, médicos, matematicos, etc.

Janaina disse...

Tenho 18 anos, faço direito e desde sempre sou encantada pela carreira diplomatica. Lendo o post , então, me deu mais vontade ainda. Faltam alguns anos pra eu tomar uma decisão efetiva de carreira, mas a diplomatica ganha pouco a pouco o meu coração. Vou começar a visualiza-la mais como um objetivo a seguir. Já que tenho muito caminho a trilhar.

Paulo R. de Almeida disse...

Acho que fiquei devendo algumas respostas ou comentários aos comentários, aqui postados.
A Betty eu diria que o problema não está em ser anarquista, pois isto não vai ser objeto de questionamento no ingresso, nem depois. A questão está em que você teria de estudar muito, agora, para poder aspirar algum sucesso nos exames de ingresso, e depois não terá nenhuma possibilidade de carreira, por causa da idade. Se trata de um fato, não de uma opinião.
Para a Janaina, eu diria que se você pretende entrar, o tempo de decisão é agora mesmo, sem esperar mais nada. A preparação é muito exigente, e você tem de comecar agora lendo todos os livros, do contrpário, se for começar a estudar apenas no final do curso de graduação, poucas chances terá, a menos que estude exatamente as matérias exigidas no concurso...

talesosorio disse...

Oi. Eu tenho 36 anos e meu sonho é ser diplomata. Pergunto se há alguma possibilidade promissora na carreira, estando eu com essa idade? Eu tenho possibilidade de chegar ao ultimo posto? Muito obrigado.

Paulo R. de Almeida disse...

Tales Osorio,
Acredito que 36 anos seja um pouco tarde para uma carreira satisfatoria, pois voce poderia ter problemas de promocao e acabar tendo se de aposentar como Primeiro Secretario ou Conselheiro. Em todo caso, nao se trata de um impedimento absoluto, voce pode sempre tentar entrar e comecar a carreira, sabendo que poderá sofrer algum constrangimento por ter, provavelmente, chefes mais jovens do que voce.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida

Fernanda Gauss disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
MarK Santto disse...

Excelente blog.

Paulo R. de Almeida,

Junto-me à turma das idades avançadas para a carreira – 29 anos. Tive o privilégio de dedicar somente aos estudos. Graduei-me Matemática e Administração. Obtive o título de mestre em Estatística e Economia. Neste momento, defendo tese de doutorado. A carreira diplomática é um atalho...

Rafael disse...

Dr. Paulo,

Sou formado em Ciências Sociais e desde o início da faculdade venho sonhando na carreira diplomática não só por causa da prática profissional mas também pelo formação generalista e a proximidade com áreas acadêmicas. Acontece que eu nunca comecei a estudar de fato para o concurso porque me angustia a idéia de não poder dar a mim e aos meus furutos filhos a satisfação de serem criados próximos da família aqui no Rio. Por isso te pergunto sobre algo que descobri há pouco tempo: qual a possibilidade e em quanto tempo mais ou menos, o diplomata, depois do curso de formação, pode ir trabalhar num escritório de representação regional? Existe um limite de tempo para esses locais de trabalho? E qual a diferença de trabalho nesses locais para Brasília?

Muito obrigado.

Paulo R. de Almeida disse...

Rafael,
Acho melhor voce desistir de ser diplomata. A carreira significa passar praticamente dois terços do periodo no exterior e apenas um terco no Brasil, em Brasilia. Se voce pretende ficar com a familia no Rio, melhor nem começar, pois sua carreira seria prejudicada, para nao dizer impossivel, pois precisamos ter tempo de exterior para ser promovidos.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Dr, Paulo

Belo blog e grande pessoa você mostra ser,Parabéns
Não perguntarei se tenho o perfil ou não para ser um diplomata,pois serei um.Sei que a preparação é muito exigente
tenho 23 anos.E vou começar a estudar agora, ler todos os livros que é preciso, para ter uma boa preparação. Isso durante quatro anos, que também será o tempo para me formar. Mas queria saber se nesse tempo as matérias mudam ou existe uma tradição nos livros ,ou algo do tipo, tendo risco de estudar matéria já ultapassada devido o tempo que vou me preparar.
O que esta no guia do estudante seria muito parecido nos próximos anos? ou muda muita coisa. Estudarei todos os dias, mas o que gostaria de saber é como começar , ou melhor com quais livros?
Depois de me prepara entrarei em uma escola preparatória aqui em São Paulo, para reforçar todo o aprendizado. Eum planejamento que vai levar tempo e muito esforço, Agora só preciso de uma direção rapida. O sr. poderia me aconselhar algo?
Cordialmente,
Renato Nery de Melo Oliveira

Paulo R. de Almeida disse...

Renato,
Os exames de ingresso seguem um mesmo padrao basico, com mudancas pontuais a cada ano, com enfases diversas, dependendo dos professores e diplomatas que preparam as questoes. Mas se requer sempre o mesmo tratamento amplo das materias fundamentais que estao na base da selecao? Portugues (que precisa ser perfeito), Ingles excelente, e muito bom conhecimento de Historia Mundial e do Brasil, Economia, Geografia, Direito e bastante coisa sobre a diplomacia brasileira e suas posicoes dentro da materia relacoes internacionais.
Comece lendo os grandes classicos das ciencias sociais no Brasil e a boa literatura.
Depois faca um cursinho preparatorio, pois parece que eles se tornaram obrigatorios.
Paulo Roberto de Almeida

Ademir B. Castorino - Janaina Rodrigues disse...

O QUE FAÇO COM A MINHA CABEÇA?

Caro Paulo, já que você fez o blog então vamos conversar.
Sou Ademir, Geógrafo, 28 anos, portador de deficiência física, técnico do DNIT e interessado na diplomacia.
Não sou bom de português, estudei o básico de inglês e espanhol, tenho facilidade nas demais diciplinas, menos na economia, mas posso estudar.
Sou esforçado, mesmo tendo estudado na escola pública e tendo lido o primeiro ( de capa a capa) livro as 18 anos.
Uma dúvida cruél me incomoda, seria velho demais? O fato de ter estudado pouco e na escola pública não me da base para postular uma vaga? Vou perder tempo e dinheiro?
Tenho medo de fazer uso das cotas para PNE e ser discriminado.
Tenho medo de investir, medo.... a diplomacia me parece grande, enorme para um filho de pais analfabetos.
Diga me caro Paulo, fale de suas impressões sobre mim. Diga me o que faço com a minha cabeça quando penso na diplomacia. Ajude-me a aceitar a impossibilidade dessa realização ou investir nela com toda a inteligência que tenho.
Você é um homem importante, muita gente o ler e o ouve, tem boa formação e logo tem boa carreira, diga se posso ser um aluno seu, um colega seu....
Aguardo suas decisivas considerações.
Ademir

Paulo R. de Almeida disse...

Ademir,
Vou ser muito sincero e franco -- o que é uma redundância -- com você. Pelo que você me descreve, você não está preparado para passar no concurso. Não digo para ser diplomata, e sequer pela deficiência física, que pode representar uma dificuldade adicional, mas não representa um impedimento absoluto às vontades muito fortes.
Se você realmente sente que tem vocação para a diplomacia, se voce quer, pretende, deseja, aspira a ser diplomata, eu diria que você deveria se preparar. Sua idade -- 28, mas supondo que você só consiga entrar em dois ou três anos -- não constitui tampouco um impedimento fundamental.
Ninguém, nunca, perdeu tempo, ou se prejudicou por estudar e por perseguir os seus sonhos, desde que os procedimentos adotados sejam razoáveis em termos de dedicação aos estudos, em tempo e dinheiro.
Mas devo também registrar, pela descrição que você me faz do seu estado de despreparo, que suas chances são mínimas num concurso notoriamente muito exigente (mesmo levando-se em conta a cota para deficientes físicos, que se traduz, ao que parece, em facilidades relativas).
Pessoalmente, eu diria que você deveria estudar e se preparar, ainda que eu reconheça que você tem enormes lacunas de formação, e que pelo background familiar você se atrasou em seus estudos.
Eu também venho de uma família muito modesta, com avós analfabetos, mas tive a chance de residir ao lado de uma biblioteca infantil, onde passei toda a minha infância e primeira adolescencia lendo e estudando. Eu estava preparado, portanto, o que sinto não é o seu caso.
Mas, estude, tente uma vez, e talvez outra, para você não dizer que não tentou.
Meus melhores votos.
Paulo Roberto de Almeida

Thiago Hansen disse...

Dr Paulo,

Tudo bem com o sr.?
Estou acompanhando seu blog e gostaria de parabeniza-lo pela iniciativa.
Gostaria da opinião do senhor sobre a possibilidade do meu ingresso na diplomacia.
Tenho 20 anos, estudo Direito e História na Universidade Estadual do Norte do Paraná. Morei alguns meses nos Estados Unidos, e de certa maneira, domino o inglês.
Estudo firme, e pelo que li no Guia de Estudos do Instituto Rio Branco, já li uma boa parte da bibliografia sugerida para História.
Entretanto, não tenho leituras profundas em economia (mais especificamente em microeconomia).

Penso em fazer mestrado na área de Direitos Humanos na USP, e somente após o término deste, ou quiçá de um doutorado, prestar a prova da Diplomacia.

O sr. considera besteira fazer pós-graduação antes do ingresso na carreira ou uma atitude correta?

Obrigado desde então,

Thiago Hansen

Paulo R. de Almeida disse...

Thiago,
Minha opiniao é a de que voce deve tentar o exame de ingresso no Itamaraty ainda antes de concluir o curso de graduacao, para conhecer, treinar, saber onde estao seus pontos fortes e fracos. Depois, nao espere a pos para tentar novamente. Continue estudando e tentando, e faca o mestrado paralelamente.
Paulo Roberto de Almeida

Daniel disse...

Exmº. Dr.Paulo Roberto de Almeida,
Primeiramente gostaria de prestar congratulações e respeito por vossa biografia, de fato inspiradora, acredito que para todos nós aspirantes à carreira diplomática.
Tenho 31 anos, sou odontólogo, professor auxiliar de uma Universidade pública no Rio de Janeiro e dou início, no atual momento, ao doutorado em minha área.
Entretanto, a carreira diplomática sempre me foi no mínimo instigante e exatamente pela curiosidade e pela compulsão literária, sinto-me impelido a enveredar-me por este caminho de evolução intelectual, profissional e humano. Acerca deste
último campo, me chamou muito à atenção o lado humanista da profissão, o de servir aos brasileiros, não somente ao Estado.
Tendo-se em vista as desigualdades sociais de nosso país, como a carreira diplomática pode ajudar a aliviar as claras deficiências de desenvolvimento humano em nosso país? Pelo que devemos primar em nossas carreiras para transformar crescimento do Estado, muitas vezes fomentado pela atividade diplomática, em consequente desenvolvimento humano?

Cordialmente,
Daniel G. Moscoso

Paulo R. de Almeida disse...

Excelentes perguntas, Daniel, que eu mesmo gostaria de responder agora, se tivesse tempo e capacidade (acho que tenho alguma).
Respondendo rapidamente de forma sintética, eu diria que o papel do diplomata no desenvolvimento brasileiro é claramente acessório, pois nenhum, REPITO NENHUM, dos grandes problemas brasileiros tem a ver com o cenário internacional, ou muito superficialmente.
Todos os nossos problemas -- falta de educação de qualidade, corrupção, políticas públicas inadequadas, baixo investimento em C&T, instituições governamentais deficientes, déficit previdenciário, baixo investimento, baixa poupança, pequena abertura a comércio internacional e investimentos diretos estrangeiros -- todas essas deficiências são "made in Brazil", nossos próprios pecados, e tem de ser resolvidos aqui mesmo. Mas acredito que isso vai demorar um pouco.
O diplomata, como cidadão, pode ajudar um pouco, expondo o que fizeram de certo (e de errado) outros países, e porque alguns deram certo e outros deram errado.
Nós fizemos meio certo em muitas coisas, e muito errado em outras, como em educação, por exemplo.
Mas, isso não é algo que o diplomata possa resolver, não é mesmo?
Paulo Roberto de Almeida
PS.: Vou me dedicar a responder a esse seu questionamento em algum trabalho futuro.
Obrigado por formular a questão.

João disse...

Olá Sr. Paulo.
Tenho 23 anos, sou formado em Administração Hoteleira e pretendo iniciar meus estudos para ingressar na carreira diplomática no início de 2010. Neste princípio, sinto-me um tanto confuso no que diz respeito ao que fazer, por onde começar. Como pretendo dedicar, no mínimo, os próximos dois anos de minha vida apenas aos estudos, estou a procura de um curso preparatório que responda a todas as questões as quais hoje desconheço. O Sr. poderia indicar-me algum?
Buscando informações encontrei seu blog e gostaria muito de ter a sua opinião. Dois anos, "integrais", são o suficiente? Como já disse, pretendo dedicar-me apenas a isso.
Acho que o sonho e a força de vontade são o princípio, mas infelizmente não bastam.
Aguardo suas colocações com ansiedade.

Grato.

Atenciosamente.

João Dornelles

Anônimo disse...

Boa tarde, Sr. Paulo Almeida

Bem, tenho 17 anos. Sempre tive muita facilidade com as matérias de humanas como História,Geografia e Português. Aprendo línguas estrangeiras com extrema facilidade, sou fluente em Inglês e Francês.
Por causa dessa paixão pelo estudo das línguas e culturas, decidi prestar Letras na USP. Porém, a carreira diplomática muito tem me cativado - assim como a muitos outros.
Gostaria de saber qual curso de graduação seria o mais apropriado para obter êxito nessa carreira. Relações Internacionais, Ciências Sociais, ou até mesmo a combinação de uma dessas com Letras?
Muito obrigada pela atenção,
Caroline Gonsalves

Caroline Gonsalves disse...

Boa tarde, Sr. Paulo Almeida.

Bem, tenho 17 anos. Sempre tive muita facilidade e gosto pelas matérias de humanas, tais como Português, História e Geografia. Línguas estrangeiras são meu grande hobby, falo francês e inglês fluentemente.
Exatamente por esse apreço pelas línguas e culturas estrangeiras, optei pelo curso de Letras na Usp no vestibular desse ano. Porém, a carreira diplomática muito tem me atraído - assim como a muitos outros.
Gostaria de saber qual o curso de graduação é o mais adequado para seguir a carreira diplomática. Seria interessante, além de ter tal graduação, ser letrada?
Muito obrigada!

Paulo R. de Almeida disse...

Caroline Gonsalves,
Nao sei bem o qeu voce quis dizer com letrada. A unica coisa de que voce precisa para se tornar diplomata é um diploma de QUALQUER curso superior reconhecido pelo MEC. O resto é com voce, ou seja, o estudo de todas as materias que constam do edital de concurso, o que já é um imenso esforço de leitura.
Mas, voce tem tempo. Comece agora a ler e quando voce terminar a Faculdade voce ja estará pronta para ingressar na carreira.
Agora eu hesito em lhe indicar um curso. Pode ser que o de RI seja o mais adaptado para os exames de entrada, mas nao tenho certeza, pois voce precisa pensar em ter uma profissao normal, antes de se tornar diplomata, pois pode demorar o seu ingresso, tendo em vista que o concurso é muito concorrido.
Voce pode fazer direito, economia, administracao, letras, enfim, aquilo que lhe der mais prazer e oportunidades no mercado, ao mesmo tempo em que estuda as materias do concurso. Pode ser que na sua cidade exista um bom curso de RI, numa boa Faculdade, mas nao sei.
Bons estudos.
PRA

Kênia Pinheiro disse...

Boa Tarde, Sr. Paulo Almeida.
Bom, Tenho 17 anos. Sempre gostei de matérias como, História, Geografia (Geopolítica) e Português.
Línguas estrangeiras, conhecimento sobre outras culturas, assuntos políticos e econômicos é de grande atração para mim.
Eu gostaria de saber o que um profissional formado em Comércio Exterior faria como diplomata?
Não se tem tempo para cursos (fora os de aperfeiçoamento da carreira),
Esportes ou Dança?

Obrigada!

Paulo R. de Almeida disse...

Kenia,
O profissional formado em Comércio Exterior, como qualquer outro profissional formado em qualquer outro curso de graducao reconhecido pelo MEC, faria como diplomata o que qualquer outro diplomata faz: trabalhar no MRE e nos postos no exterior, segundo funções e atribuições típicas da carreira. Ou seja, trata-se de um servidor do Estado, do serviço público federal, como vários outros, um burocrata federal, mas que tem essa particularidade de trabalhar no exterior por periodos determinados, geralmente 3 + 3 anos (em dois postos no exterior) e um periodo variável, de 2 a 3 anos, em Brasília.
Dentro da carreira existem dois cursos de aperfeiçoamento, para promoção, mas você pode fazer qualquer curso extra, fora da carreira, desde que não atrapalhe as funções profissionais: dança, pintura, linguas, mestrado e doutorado, não fazer nada...
PRA

JoãoP disse...

Caro Professor Paulo,

Escrevo-lhe porque pressinto que, com sua ajuda, eu possa obter resposta a uma pergunta sobre a carreira diplomática que me deixa, já há algum tempo, apreensivo. Vamos lá.

Para que o senhor possa compreender melhor o motivo de minha preocupação, apresento minha situação. Tenho 25 anos, nível superior completo e um forte desejo - para muitos injustificável - de ingressar no Itamaraty. Minha lucidez me indica, no entanto, que, iniciando minha preparação para o concurso neste momento, serei aprovado dentro de dois ou três anos. E tenho receio de que o ingresso na carreira com cerca de 28 anos me comprometa no que diz respeito ao meu futuro profissional.

Isto porque percebo que há, de certo modo, um limite de idade implícito para aprovação no concurso de admissão, tendo em conta que o candidato aprovado pretenda ascender de maneira satisfatória e plena na carreira. Suponho, por exemplo, que um sujeito de 35 anos que seja aprovado no concurso dificilmente alcance o ápice da carreira, em termos hierárquicos.

A questão que me atormenta é, então e por fim, a seguinte: qual idade - ou faixa etária - poderia ser apontada como tal limite?

Ademais, bajulações à parte, comento que seu espaço na rede muito me impressionou, tanto por conta da qualidade dos textos e das opinões quanto por conta da nobreza da iniciativa de divulgar aos interessados dados sobre a carreira.

Muito agradeço pela ajuda e pela atenção.

Até.

Paulo R. de Almeida disse...

Joao P,
Acredito que se possa entrar no Itamaraty ate 32 ou 33 anos, embora a progressao possa tornar-se mais lenta a partir de agora, com tantos novos entrantes.
Eu mesmo ingresse cim 28 anos completos e tive uma trajetoria normal ate ministro de segunda classe, e poderia ter sido embaixador 5 ou 6 anos atras, embora por razoes basicamente politicas eu nao tenha sido promovido, pelas mesmas razoes que voce vê em meus escritos.
Você se comportando bem, conserva intactas as suas chances...

Vitória S. Moreira disse...

Dr Paulo,
Tenho 17 anos e estou cursando o ensino médio. Ainda não me decidi completamente pela carreira diplomática, mas já tenho certeza de que quero fazer um curso de Relações Internacionais, por isso, tenho feito o PAS (Programa de Avaliação Seriada) da UnB, para, no futuro, poder cursar essa universidade. Tenho, porém, uma imensa vontade de estudar nos Estados Unidos e já até entrei em contato com agências que possam intermediar e me auxiliar durante o processo, inclusive já até vi uma universidade do meu agrado (University of Washington). Porém, tenho duas dúvidas: a primeira é se, por acaso, eu me decidir pela carreira diplomática, será vantajoso ter estudado fora? A segunda é a mesma dúvida, só que numa situação mais genérica: o Sr. acha que é realmente vantajoso estudar nos EUA em relação às universidades brasileiras (no curso de Relações Internacionais)?
Desde já agradeço a resposta.

Paulo R. de Almeida disse...

Vitoria,
Sempre é bom estudar fora do Brasil, sobretudo em ingles, para voce ficar com a lingua totalmente dominada, mas eu nao recomendaria fazer todo o curso superior fora, pois voce vai precisar estudar muito mais coisas do Brasil, se pretende ingressar na carreira diplomatica. Assim, recomendo que voce estude um periodo fora, seis meses ou um ano, mas faça o essencial de seus estudos de graduação aqui no Brasil, para poder se preparar de maneira adequada, inclusive fazendo algum cursinho preparatorio.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Olá. Eu estudei na Escola Americana de Brasília e tenho o diploma técnico de tradutora intérprete. Sempre foi uma profissão que eu admirei. Sou formada em pedagogia, sou funcionária pública e tenho interesse em ser diplomata. Gostaria de saber como é o horário de trabalho dos diplomatas. Vocês trabalham no horário comercial de 8:00 às 18:00? E o horário é maleável? Vocês podem entrar às 10:00 e sair às 20:00 se quiserem? Os jantares e reuniões informais nos finais de semana para tratar de negócios são computados como horas trabalhadas ou não? Fico feliz que o senhor responda as perguntas de pessoas interessadas na carreira diplomática. Obrigada pela ajuda e consideração. Um abraço da Daniela.

Paulo R. de Almeida disse...

Daniela,
Suas perguntas s'ao fora do comum, mas vamos lá.
1) Horario oficial de trabalho na Secretaria de Estado: de 9hs a 13hs, e de 15hs a 19hs, mas dependendo da área de trabalho, pode se sair mais tarde (e entrar mais tarde também): geralmente nos Gabinetes isso ocorre.
Temos muito trabalho (e viagens) em fins de semana, assim que a carga total de trabalho pode ser bem mais pesada do que o de um funcionário de outros setores (acabo de voltar da China, para onde viajei num sábado, 28.11.2009, demorei para me recompor com a diferença de 11hs; e voltei ontem, cansadíssimo).
Não existe NENHUMA hora extra computada por jantares, recepções ou viagens em fins de semana: só ganhamos o salário, ponto, todo o resto não é pago.
Ou seja, trabalhamos muito mais que funcionários "normais" e ganhamos proporcionalmente menos, posto que simplesmente não existe esse conceito de horas extras ou compensações por viagens e tempo gasto em atividades diplomáticas extra-horário de trabalho. Existe certa tolerância, por isso mesmo, quando se chega as 10hs ou 11hs na manha seguinte a uma dada atividade extra na noite anterior.
Espero ter satisfeito sua curiosidade.
Paulo Roberto de Almeida

margareth morais disse...

Dr.Paulo, sua informações me são muito oportunas. Tenho interesse na carreira diplomática e gostaria de saber quais seriam exatamente as atribuições de um 3° secretário (primeiro nível de carreira). Se puder esclarecer, agradeço.

Anônimo disse...

Olá. Primeiramente eu gostaria de agradecer por você ter respondido a minha pergunta. Eu tenho mais algumas dúvidas.

Você havia me dito que os diplomatas têm muito trabalho (e viagens) nos finais da semana. E quantos finais de semana por mês você têm que trabalhar? Quantas vezes por mês você viaja para fora do Brasil?

As remoções são direcionadas para postos separados entre as categorias A, B e C e D. O diplomata pode escolher o local para onde deseja ir morar? Se o diplomata quiser trabalhar em Sydney, na Australia, ele pode fazer essa escolha?

Imagino que você esteja na Conferência de Copenhague em inúmeras reuniões com autoridades estrangeiras. Sei que seu tempo é precioso, mas quando tiver um tempinho agradeço se responder minhas perguntas. Admiro a sua carreira diplomática e tenho curiosidade sobre o dia a dia dos diplomatas. Atenciosamente Daniela.

Paulo R. de Almeida disse...

Daniela,
Sinto muito. Estou com minha central de respostas temporariamente desativada, por excesso de trabalho, e excesso de perguntas.
Tente de novo em janeiro. Pode ser que eu tenha conseguido terminar minhas obrigacoes...
Paulo Roberto de Almeida

Dionathan disse...

Prazer!!!
Moro em Santa Cruz do Sul uma cidades de porte médio do interior do Rio Grande do Sul, tenho 15 anos.
Estou interessado em fazer a graduação em Relações Internacionais em uma universidade federal possilvelmente a UFRGS ou UFSM, contudo, sou proveniente de escola pública e de certo modo noto que grande parte das admissões nesses concursos os alunos são provenintes de escolas particulares como por exemplo o Itamaraty...
O fato de eu provir de escola pública é algum tipo de impencilho?
Há também tenho outra dúvida, o serviço militar(não me refiro ao alistamento) é obrigatório para passar no concurso? Quanto tempo?
E apenas mais uma dúvida que condições físicas de saúde são essas que o Itamaraty exige?
Certo de vosa compreensão aguardo as respotas...
Obrigado
Obs.: Adorei seeu blog

Dionathan disse...

Prazer!!!
Sou de Santa Cruz do Sul uma cidade de médio porte do interior do Rio Grande do Sul, vou fazer 16 anos em abril.
Tenho interesse na área diplomática e pretendo cursar Relações Internacionais numa universidade federal...
Tenho algumas dúvidas que se não pedir demais gostaria que o senhor respondesse:
* O fato de eu provir de escola pública me prejudica de alguma forma?
* Tenho ter serviço militar obrigatoriamente (não me refiro ao alistamento ao serviço propriamente dito)?
* Que condições de saúde são essas que o Itamaraty se refere?

Certo de vossa compreensão aguardo as respostas.
Obigado

Obs.: Adorei seu blog

Paulo R. de Almeida disse...

Dionathan,
Nenhuma escola publica representa um impedimento absoluto ao que você pretende ser mais tarde na vida, em termos de carreira acadêmica ou trajetória profissional nos mercados.
Mas, claro, você precisa ter perfeita consciência de que o ensino numa escola pública apresenta deficiências enormes, que você terá de suprir por seus próprios meios estudando de forma autodidata.
Aliás, você pode ter certeza também que o ensino numa escola privada não é de muito melhor qualidade. Os professores, com muito poucas exceções (que são as escolas privadas de altíssimo nivel, e portanto muito caras, e situadas apenas nas grandes capitais) não são muito melhores do que aqueles que ensinam nas escolas públicas, pois a mediocrização do ensino no Brasil é geral, atingindo inclusive as universidades.
Você pode escolher um curso de RI para se preparar depois para o concurso da carreira diplomática, mas sinceramente eu não recomendo. Acho esses cursos muito fracos e não preparam para uma profissão "normal", o que quer dizer tradicionais no mercado (direito, administração, economia, etc).
Recomendaria a você, em qualquer hipótese, fazendo ou não curso de RI ou outro, se preparar por conta própria, lendo e estudando todas as matérias do concurso do Rio Branco de maneira autônoma e individual.
Estude muito, pois você vai precisar ter um excelente nível de conhecimentos se pretende se tornar um diplomata.
Boa sorte nos estudos, felicidades em sua vida pessoal.
Paulo Roberto de Almeida

Louise disse...

Chegamos ao ano de 2010 e acredito que o futuro da diplomacia e das relações internacionais no Brasil se modificou desde o texto ''As relações internacionais como oportunidade profissional'' onde o senhor responde a todas as duvidas dos jovens que pretendem cursar RI.

Pois bem, tenho 17 anos e esse ano pretendo prestar para uma faculdade pública (USP ou UNB) em busca da formação em RI, mas focada para a diplomacia. É o que tomo como ambição para o meu futuro desde os 15 anos. Sempre fui auto ditada e não tenho dificuldades em relação a estudo e leitura, muito pelo contrário, tomo isso como um hobbie. Minha principal preocupação é na verdade o tempo médio que levaria para a minha formação intelectual a nivel de concorrer a uma vaga no Itamaraty ( e o tempo que eventualmente não haveria ''mercado'' para mim ) e se esse ramo, o da diplomacia, tras ainda algum tipo de preconceito em relação a mulher em papeis de poder.

Se puder tirar minhas duvidas, agradeço desde já.
Louise.

Paulo R. de Almeida disse...

Louise,
Você já tem um nome, por assim dizer, internacional, e talvez isso facilite o seu ingresso na diplomacia. Meus cumprimentos por manter esse objetivo desde os 15 anos, ou seja, há dois anos, e se percebo bem, você vai continuar se preparando de forma intensa durante todo o seu curso de graduação em RI. Meus parabéns e eu diria que você deve fazer isso mesmo. Não confie em seus professores, que muitas vezes são preguiçosos, e continue autodidata. Faça um programa de leitura e de estudos dirigidos, calcado no Guia de Estudos e leia três vezes mais do que a lista ali recomendada, pois você vai precisar de toda leitura para ingressar logo na primeira vez.
Pelo que eu vejo de seu Português ainda falho, você vai precisar se aperfeiçoar seriamente em várias matérias. O tempo médio não existe, pois algumas pessoas passam o tempo vendo bobagens na TV e outras aproveitam para estudar: você escolhe o tempo de formação, mas se quiser ter sucesso comece a ler desde já, e treine muita redação também, pois é necessário.
Quando você entrar, já estará em tempo de uma mulher ser chanceler, ou seja, ser ministra das relações exteriores. Aliás, já estaria em tempo, mas a política brasileira ainda é muito machista... Creio que o Itamaraty já não tem muito preconceito nesse terreno, embora possa haver alguma condescendência e talvez mesmo um pouco de demagogia a esse respeito.
Boa sorte nos estudos.
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Olá!

Sou Matheus, tenho 22 anos, terminarei a faculdade de Ciências Contábeis em 2011. Por enquanto não falo outro idioma além do português, mas pretendo iniciar curso de inglês e francês depois de concluir a faculdade e, mais adiante, aprender espanhol(por motivos pessoais não posso fazê-los ao mesmo tempo). Gostaria de parabenizá-lo pela sua trajetória e pelo seu blog. Minha dúvida: é necessário falar, compreender, escrever e ler os três idiomas em nível avançado para ingressar na carreira diplomática?

Codialmente,

Matheus F.

Paulo R. de Almeida disse...

Matheus,
É preciso saber Ingles muito bem, mas muuuuiiito bem, e uma outra lingua, Frnces, Espanhol (ou outras, veja os editais) razoavelmente bem...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Boa tarde,
Primeiramente gostaria de dar parabéns pelo seu ótimo e esclarecedor blog.
Gostaria de lhe perguntar se eu teria condições de concorrer a uma vaga no IRB com estas qualificações: tenho 30 anos, sou bacharel em ciência política, morei 4 anos no exterior mas não possuo qualquer certificado de proeficiência apesar de falar e escrever em inglês e alemâo. Tenho alguma chance?
Desde já lhe sou grato pela atenção.
Chiarel

jose disse...

Prezado Paulo Roberto de Almeida

Meu nome é José ,sou servidor público(RFB) e professor de História da rede pública de ensino.Cursei Ciências Sociais na UFAM,mas não concluí a graduação.Atualmente, sou estudante de Filosofia(UNISUL),francês e inglês,e,desde os 14 anos(isso já faz algum tempo), aspirava seguir a carreira diplomática.Por diversas razões tive que adiar tal objetivo.
Porém,de uns tempos para cá,o desejo voltou,e de forma intensa,quase que vocacional;um sentimento forte,ardente,uma convicção de que "é isso!".Logo deparei-me com uma concreta realidade:o desafio.O problema é que o tempo passou.Hoje tenho 35 anos,considerado velho para os padrões de admissão.Confesso que o fator TEMPO é o que menos importa para mim,pois o que me move não é um desejo de promoção,reconhecimento ou escalada dentro da estrutura da carreira,mas a experiência e a satisfação da realização de uma meta,um objetivo e algo que realmente me dá prazer:o diálogo,o debate,a reflexão crítica e aprofundada dos temas de relevância para o país,respirar o mesmo ar e beber na mesma fonte de tantos intelectuais e que ,pela simples razão de estarmos juntos,seria tremendamente satisfatório para mim.Reconheço a longa estrada e peço algumas orientações acerca da melhor estratégia para atravessá-la.Estou me programando para o concurso de 2015,estudando como autodidata,fazendo cursos das matérias específicas e guardando recursos para um período de estudos no exterior.Confesso que ao ler alguns comentários sobre a questão da idade fiquei um pouco apreensivo.Gostaria de saber sua opinião sobre esta questão (Idade-vou estar com 40 anos em 2015) e sugestões sobre estratégias para admissão no concurso.
Reitero minha admiração pelo homem e pensador Paulo Roberto de Almeida.

Paulo R. de Almeida disse...

Com perdao da expressao, dois coelhos de uma vez so (estou viajando no exterior e sem tempo ou conexoes para responder adequadamente),
Primeiro o Chiarel,
Nao é preciso ter certificado nenhum de nenhuma língua, apenas o diploma universitario. As linguas se precisa apenas saber, ingles muito bem, uma outra razoavelmente bem. Voce tem chance, desde que saiba muito bem o resto do programa, o que não é facil.
Boa sorte nos estudos.

Agora o José.
Nao entendo porque apenas em 2015: isso é falta de confiança em si mesmo. Acho que você deveria estudar intensamente para tentar entrar antes, se possivel no ano que vem, fazendo cursinho e se preparando adequadamente, a menos que voce nao tenha diploma de graduacao.
Acho que 40 anos inviabiliza uma carreira "normal", mas se seu objetivo é apenas entrar, então vá em frente, entre e seja feliz.
Paulo Roberto de Almeida

Glauciane Carvalho disse...

Prezado José,
eu peço desculpas pela minha intervenção em sua conversa com o mestre Paulo Roberto, contudo, foi impossível não me comover com seus comentários. Eu gostaria de lhe dar algumas sugestões:
1) - pegue o edital do concurso no site do MRE o link é este http://sistemas.mre.gov.br/kitweb/datafiles/IRBr/pt-br/file/Edital_abertura_CACD_2010_publicado_no_DOU(1).pdf

2 ) - faça um cronograma com metas de leitura diária, semanal, mensal e semestral.

2 ) - Faça o fichamento dos livros (pode ser em fichas cartonadas ou no computador mesmo, não importa)

3 ) - Tire uma hora diariamente para reler os fichamentos.

4 ) - Não sei o tempo que dispõe, mas seja obssessivo, leia compulsivamente.

5 ) - Não veja mais televisão.

6 ) - Largue a família e amigos (durante um tempo apenas)

7) - E não tenha medo daqueles que tem doutoramento ou pós-doutoramento. Por um único motivo: eles tem doutoramento em um assunto específico e não em todos que caem na prova, portanto, as chances são quase isonômicas.
Por exemplo, você pode concorrer com pessoas com doutoramento em linguística; que estudou na Sorbonne; que estudou inglês nos EUA e assim por diante. Se esta mesma pessoa não dominar Direito e Economia, ela não passa.
Isto significa, que as chances são iguais para todos, pois ninguém tem domínio absoluto de todas as disciplinas que caem nesta prova.

8) - Valorize o seu conhecimento e não se importe com a idade, até por que a atual gestão do Itamaraty nos mostra que muita coisa pode mudar no futuro em relação à carreira. [Só não sei se digo felizmente ou infelizmente]
Comece a estudar "ontem", pois se sente que tem vocação verá que valerá a pena.
9 ) - Só faça um preparatório como o curso Clio e outros quando tiver lido bastante, pois do contrário, apenas jogará dinheiro fora.

Um conselho: Só não se iluda achando que na carreira todos são intelectuais como o mestre Paulo Roberto.
Quem derá que fosse assim !

Marília C. Ferreira disse...

Sr. Paulo R. de Almeida,

Muito oportuno este blog. Admiro sua dedicação e destreza em responder a cada uma das dúvidas aqui apresentadas.

Divido duas paixões: a pesquisa e a diplomacia. É possível conciliar os dois?

Eis a minha atual situação: ingressei no curso de RI, mas me transferi para História. Não me arrependo de ter "nadado contra a corrente" de expectativas a meu respeito, a História me permite uma visão abrangente não apenas da formação da nossa Nação, como também do mundo. Além do mais, foi ali que descobri a paixão pela pesquisa: tenho dois projetos, um a ser submetido esse ano ao Probic, que já possui aprovação da coordenação do curso (aprovação em expectativas, devo dizer) e outro que pretendo desenvolver após o retorno às RI. Além das pesquisas, me propus a escrever e publicar artigos acadêmicos; um já foi submetido, inclusive, ao Congresso Acadêmico da Defesa Nacional. Admito: sou aprendiz ainda, mas com capacidade de progredir sem maiores dificuldades. Tais planos de desenvolvimento de pesquisas e publicações de artigos são o resultado daquilo que sinto prazer em fazer: estudar, ler, pesquisar e escrever. E não tenho o intuito de dedicar minha vida à algo que não me traria tal satisfação. Como o Sr. é o primeiro diplomata com quem tenho contato, é possível, pois, desenvolver pesquisas e estudos na área diplomática e da política externa em geral, paralelamente ao ingresso à carreira em si?

E, como tantos, também me preocupei com o fator 'idade'. Finalizarei a graduação em História com 24 anos e RI com 25, no mais tardar, 26 anos. Porém devo dizer que no momento me dedico a acentuar meus pontos fortes na área de humanas, enquanto que, noções de Economia e Direito, deixarei para que o curso de RI me complemente.

Obrigada.
Atenciosamente,
Marília C. Ferreira

Paulo R. de Almeida disse...

Marilia,
É possível, sim, conciliar, diplomacia e pesquisa e o exemplo mais evidente disso é o historiado Evaldo Cabral de Mello, possivelmente o maior historiador ativo do Brasil, que, aliás, nunca foi acadêmico, mas sempre fez pesquisa, enquanto diplomata. Eu mesmo faço a mesma coisa e não me arrependo, mas sempre há certo stress pessoal e funcional, talvez familiar, pois a carreira é muito exigente em termos de trabalhos, recepções, etc.
Por outro lado, você está na idade perfeita para se preparar e entrar...
Vá em frente.
Paulo Roberto de Almeida

Wilson disse...

Muito obrigado por fazer um blog excelente como esse, que me fez refletir sobre a carreira diplomática (a qual pretendo seguir).
Meu nome é Wilson, tenho 15 anos e, há pouco mais de um ano, tenho interesse em cursar direito e, ao fim deste, diplomacia. Tenho procurado dicas em inúmeros sites sobre como tornar-se um diplomata, porém nenhum foi tão satisfatório como este. Gostaria, se não for muito abuso, que o senhor pudesse me passar algumas dicas sobre o curso, como estudar etc.

Agradeço desde já.

Henrique disse...

Sr. Paulo R. de Almeida,

Me identifiquei muito com o Sr. Sempre disponível para responder todas as perguntas.

Estou me preparando para prestar o concurso. Já fiz muitas pesquisas sobre a carreira, entretanto, ainda não encontrei ninguém que me esclarecesse sobre a frequencia das mudanças de residência. Quais os critérios utilizados para decidir quem irá para qual posto? O diplomata tem algum controle sobre isso? É possível ele não ir? Qual o nível de estabilidade que ele pode obter em cada cidade? Pergunto isso pois possuo dependentes e não seria interessante pra eles viver cada ano em uma parte do mundo, mas manter uma certa "permanência" em cada local.

Desde já agradeço, um forte abraço.

Paulo R. de Almeida disse...

Henrique,
Não vou responder a suas questões, por duas razões muito simples.
1) Se você deseja ser diplomata, deveria saber que não é para ficar parado no mesmo lugar muito tempo. Ou você aceita o fato de ser nômade, ou nunca será um bom diplomata.
2) Concentre-se primeiro na tarefa de entrar na carreira, depois você se preocupa com o que vem depois.
Paulo R. de Almeida

Luana disse...

Há tempos leio tanto o seu blog como a página oficial,para mim é referência obrigatória,já fiz em 2006 uma prova do CACD,da bibliografia básica muitos livros principalmente na área de história já tinha lido, a verdade que só eu fiz para analisar o meu desempenho,não tinha muito tempo nem dinheiro para pagar um curso preparatório,enfim depois do resultado,começei a me convencer que necessitava de um mestrado,mas como eu queria estudar na Inglaterra só havia um jeito, bolsas de estudos,acabei sendo convencida de ir na França e visitar as universidades,ganhei a passagem fui nas férias, confesso que queria Inglaterra,pesquisei sobre universidades francesas na área de mestrado em turismo Sorbonne, Poitiers e Avignon, chegando na França fui convencida pelo departamento internacional da universidade de Avignon de fazer mestrado em desenvolvimento cultural por se adequar mais ao meu perfil (embora eu seja formada em turismo),eu realmente gostei da grade curricular do curso e tive uma péssima impressão da Université Paris I (Sorbonne)...Depois dessa viagem fiquei mais seis meses no Brasil e arquitetando um plano: ou conseguir bolsa ou trabalhar em um navio de cruzeiros para então pagar o curso de francês e depois o mestrado,a verdade é que passei dois anos viajando pelo mundo,voltei para o Brasil julho passado, a experiência que mais influenciou para almejar uma carreira diplomática (e ainda influencia) foi em 2004 ter sido escolhida como líder juvenil pela Unesco Chair Institute da Universidade de Connecticut em um programa para líderes juvenis na área de direitos humanos, com direito a conferência na universidade e visita a ONU.O que me passa na cabeça é que creio que tenho capacidade de passar no exame do CACD ( mas por comodismo não dei o melhor de mim),mas agora estou com 27 anos me mudando para a europa,com planos de realmente fazer meu mestrado e voltar e tentar o Itamaraty,creio que possa desenvolver uma técnica de estudo que me possibilite este efeito estudando lá e só vindo para o Brasil para fazer o exame (espero que ...bom que no atual governo os números de vagas não diminua), sinceramente a minha dúvida é mais pela idade ,digamos que se houver exames ano que vem vou ingressar com 28,29 anos...neste caso não deveria olhar também com bons olhos as agências da Onu como possibilidade? (Sim eu estou confusa não quero mais trabalhar em nada direcionado ao turismo estou saturada).
Agradeço todas as informações passadas!

Paulo R. de Almeida disse...

Luana,
Vá para a Europa, faça seu mestrado e ao mesmo tempo estude para o concurso e prepare-se adequadamente para o ingresso na carreira. Eu ingressei na carreira com 28 anos completos, e acho que ate os 32 ou 33 ainda é aceitável em termos de carreira.
Não pense que você vai conseguir uma excelente posição em agências da ONU logo de início: aquilo é um dinossauro burocrático, com todas as deformações do apadrinhamento e da proteção.
Você pode, inclusive, tentar fazer o concurso no meio do mestrado, e se passar, abandona o mestrado e continua no Brasil.
Estude e divirta-se na Europa...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Ola Dr. Paulo,

Tenho 27 anos, inglês fluente - morei 3 anos no Canadá, espanhol avançado, estou estudando francês e sou bacharel em Geografia. Começei a minha preparação para o CACD e gostaria de saber até que idade eu poderia tentar ingressar tendo plenas condições de sucesso carreira. Obrigada,

Camille

Paulo R. de Almeida disse...

Camille,
Creio que voce pode ter uma carreira normal entrando até os 35 anos, mas isso vai depender muito do fluxo da carreira nos proximos anos, ou duas decadas, pois as regras podem sempre variar um pouco, como expulsorias, etc.
Paulo R Almeida

Marcela disse...

Dr. Paulo,

há alguns anos venho acompanhando o seu blog(ou melhor, os seus blogs), pois o desejo de seguir a carreira diplomática volta e meia aparece.
Tenho 22 anos e estou terminando meus estudos na Faculdade de Direito, mas acredito que minha paixão por "ajudar as pessoas e o mundo" só será suprimida se eu me tornar diplomata.
No entanto, minha única e maior angústia é apenas uma: como conciliar a carreira diplomática com a vida familiar? É possível manter um casamento sem que o outro cônjuge tenha que abdicar da carreira dele para seguir comigo nas missões internacionais?No meu caso, meu namorado é advogado e almeja fazer um concurso público futuramente.Acredito que isso facilite, estou correta?
E a criação dos filhos?
Por fim, pela experiência do senhor, como é a vida de uma mulher nessa profissão?

Obrigado, desde já, pela paciência e gentileza em responder meus questionamentos.

Marcela

Marcela disse...

Dr. Paulo,

há alguns anos venho acompanhando o seu blog(ou melhor, os seus blogs), pois o desejo de seguir a carreira diplomática volta e meia aparece.
Tenho 22 anos e estou terminando meus estudos na Faculdade de Direito, mas acredito que minha paixão por "ajudar as pessoas e o mundo" só será suprimida se eu me tornar diplomata.
No entanto, minha única e maior angústia é apenas uma: como conciliar a carreira diplomática com a vida familiar? É possível manter um casamento sem que o outro cônjuge tenha que abdicar da carreira dele para seguir comigo nas missões internacionais?No meu caso, meu namorado é advogado e almeja fazer um concurso público futuramente.Acredito que isso facilite, estou correta?
E a criação dos filhos?
Por fim, pela experiência do senhor, como é a vida de uma mulher nessa profissão?

Obrigado, desde já, pela paciência e gentileza em responder meus questionamentos.

Marcela

Paulo R. de Almeida disse...

Marcela,
Grato pelo contato. Eu sempre recebo os comentarios nos blogs ou no site, mas nem sempre tenho tempo de responder. Agora, por exemplo, estou em viagem pela China.
Mas vejamos se posso ajuda-la.
Comeco dizendo que voce nao deve "suprimir" a sua paixao, pelo menos esse tipo de paixao, e sim promove-la em quaisquer circunstancias, sendo diplomata ou nao...
No plano da familia, a carreira impoe, sim, alguns constrangimentos, a menos que ambos sejam diplomatas e possam conciliar obrigacoes de carreira com os deveres familiares.
Veja o meu caso: minha mulher, antes de ser minha mulher, era economista, trabalhando no Itamaraty, em projeto temporario. Nos casamos e logo fui removido para o exterior, ela ainda gravida. É evidente que ela teve de abandonar sua carreira de economista, pois que acabamos ficando seis anos no exterior, filho pequeno etc. Torno-se historiadora, mas tambem teve a carreira interrompida todas as vezes em que fui removido e partimos ao exterior. Dependendo do conjuge, pode ser stressante ou mesmo frustrante, mas tem alguns que aproveitam para fazer aquilo que realmente desejam fazer: hobbies artisticos, literarios, simples turismo cultural, etc.
Quanto aos filhos, nao se preocupe, eles sao muito mais fortes e flexiveis do que se imagina. Meu filho fala sete linguas, com as constantes mudancas de escola que teve de fazer. Creio que os filhos se beneficiam enormemente desse nomadismo.
Em qualquer coisa, alias, tudo depende do espirito das pessoas, como elas organizam sua vida, como recebem as mudancas, como se adaptam aos lugares, as pessoas, as linguas.
No nosso caso, sempre foi tudo muito bem, a despeito de postos de sacrificio e de problemas eventuais.
Acredito que seus temores nao sao justificados, mas se voce se tornar diplomata, seu marido seria obrigado a pedir licenca para acompanha-la. Estando no servico publico federal, isso nao é problema: é concedido automaticamente, ainda que sem vencimentos. Mas o salario no exterior dá amplamente para viver bem, desde que não se cometam loucuras residenciais ou de mordomias...
Cordialmente.
----------------
Paulo Roberto Almeida

Anônimo disse...

Paulo, tirando a parte do incentivo,no sentido puro da palavra, o que você teria a dizer para alguém que,pelo que se ouve, se acha ligeiramente incapaz de passar num concurso como esse.
Amo geografia,história línguas mas eu ainda acho que me falta algo.

Paulo R. de Almeida disse...

Ultimo Anônimo,
Se a pessoa se sente incapaz, mas tem vontade, tempo e condicoes (digamos, menos de 30 anos) para tentar, entao eu diria que, se a vontade é efetiva, ela deveria tentar se tornar capaz, o que se consegue simplesmente estudando.
O concurso é reconhecidamente difícil, mas não se trata de algo impossível ou sobrehumano. Nada que muito estudo não consiga resolver.
Portanto, eu recomendaria estudo, pois isso serve para qualquer coisa na vida.
Pode até não resultar em um diplomata, mas certamente vai resultar em uma pessoa melhor preparada para muita coisa na vida.
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Paulo Roberto, venho já há algum tempo seguindo seu site e blog, com respectivas publicações e comentários dos leitores.

Confesso que fico admirado com suas dicas acerca da carreira diplomática, tirando quase todas as dúvidas de quem tem algum interesse em seguir a carreira.

Vamos ao meu caso em específico: Fiquei muitos anos sem estudar, pois acabei dedicando minha vida ao serviço público, deixando de lado meu crescimento pessoal.

Embora tardiamente, dei início a um curso de inglês (já estou no nível avançado). Tenho 33 anos, e darei início ao curso de Administração na UFRGS agora em agosto. Ao longo destes cinco anos, pretendo concluir o inglês, reforçar meu espanhol, e dar início a um curso de francês.

Meus planos são de prestar o concurso para diplomacia, tão logo termine a faculdade. Sei que serei um pouco velho aos 38 anos, mas estou pronto para enfrentar esse desafio.

Tenho algumas dúvidas:

1) Gostaria de saber até que nível de ascenção funcional tenho condições de chegar, começando com a idade de 38 anos.

2) Outra dúvida é em relação ao subsídio inicial, de aproximadamente R$12.400,00, se há mais algum valor a ser adicionado como auxílio moradia, etc...

3) Durante o Mestrado no Instituto Rio Branco, o servidor tem direito a todas as vantagens do cargo, ou é tratado como um estudante?

Minha dúvida, é pelo fato de que sou casado e tenho uma filha, mas minha esposa apoia meus planos de dedicar grande parte do meu tempo no aprendizado de idiomas, na graduação, na leitura prévia de todas as obras indicadas e do que for preciso para isso.

Nos encontramos daqui a cinco anos no Itamaraty. Pode ter certeza disso.

Grande abraço!

Mendes

Paulo R. de Almeida disse...

Mendes,

1) Gostaria de saber até que nível de ascenção funcional tenho condições de chegar, começando com a idade de 38 anos.
Ascensao é com s, não com ç. Acho que voce entrando com 38 nao passaria de Primeiro Secretario antes de entrar no Quadro Especial, e provavelmente se aposentaria nessa condição. Acho muito tarde para fazer uma carreira satisfatoria.

2) Outra dúvida é em relação ao subsídio inicial, de aproximadamente R$12.400,00, se há mais algum valor a ser adicionado como auxílio moradia, etc...
Nao tem outro subsido a nao ser o familiar e transporte, talvez alimentacao, pequenos. Moradia nao creio que se consiga, pois existem muitos diplomatas para os imoveis disponiveis agora. Voce teria de alugar no mercado, o que em Brasilia significa precos mais altos. Se sua esposa trabalhar sria mais facil, do contrario vai viver apertado, porque escolas privadas tambem sao caras em Brasilia.

3) Durante o Mestrado no Instituto Rio Branco, o servidor tem direito a todas as vantagens do cargo, ou é tratado como um estudante?
Ja entra como Terceiro Secretario, mas hierarquia existe e a disciplina tambem. Vai ser tratado como Terceiro Secretario, com algum paternalismo associado.

Anônimo disse...

Bom dia Paulo Roberto.

Continuando, talvez seria tarde para uma carreira satisfatória, mas melhor do que uma carreira medíocre em uma estatal que não valoriza seus funcionários, que é minha situação atual.

Desculpe, mas tenho mais duas dúvidas:

Então o funcionário pode trabalhar até que idade sem pensar em aposentadoria, para que possa usufruir de toda a ascensão na carreira?

O que significa "entrar no Quadro Especial? Depois de entrar, não há mais crescimento na carreira?

Atenciosamente

Mendes

Paulo R. de Almeida disse...

Mendes,
O Quadro Especial, vulgarmente chamado canil, é o "encosto" para onde vão os diplomatas que ultrapassaram certa idade em sua categoria. Nao me interessei nunca por questoes administrativas, mas creio que deve ser 45 para Terceiro, 48 para Segundo e 50 para Primeiro Secretario, depois 55 para Conselheiro, 60 para Ministro de Segunda e 65 para Ministro de Primeira (Embaixador), ainda que a aposentadoria compulsoria seja aos 70 anos, conforme a Constituição.
Depois de entrar no QE pode haver progressao, mas muito lenta e depende de vagas.
Enfim, acho que voce nao deve se preocupar com essas coisas e sim em estudar para entrar.
Mas nao pense que o Itamaraty seja muito diferente de uma estatal. Se trata de uma espécie de Vaticano, uma Santa Casa, se voce quiser...com todos os atributos do genero...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Paulo Roberto,

Realmente, o que me incomoda de verdade nas estatais é a progressão não por merecimento, mas sim exclusivamente por questões políticas. Pessoas completamente despreparadas e sem formação alguma acabam sendo chefes de administradores.

Isso acontece nos Correios, na Petrobrás, no Banco do Brasil, entre inúmeras fundações, autarquias, Sociedades Anônimas, etc.

Ao menos, parece que na carreira diplomática há menos política envolvida.

Agradeço pelo esclarecimento às minhas dúvidas.

Darei continuidade aos meus estudos...

Grande abraço!

Mendes

Paulo R. de Almeida disse...

Ilusao achar que na carreira diplomatica decisoes quanto a promocao, remocao, designação para funções são isentas de vieses politicos e até pessoais.
Pessoas são humanas, ao que parece, em qualquer lugar, época e circunstância...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Boa noite Paulo.
Sempre me interessei pela carreira diplomática.
No entanto, após formar-me em direito, talvez por uma necessidade imediata, estudei para as carreiras jurídicas. Desde 2004 sou procurador federal.
Embora estável no serviço público e com uma boa remuneração, sinto que falta algo para minha realização profissional , talvez porque gosto muito de línguas, política, história e economia.
Vendo o seu blog, pensei em tentar novamente realizar esse sonho. Porém, embora com inglês avançado e já tendo lido alguns livros da bibliografia básica do concurso por prazer (como história e os livros obrigatórios de português) estou com 34 anos.
Acha que ainda há tempo de tentar e ter uma carreira completa?

Obrigado pela atenção.

Alexandre.

Anônimo disse...

Prezado Paulo,

Sou analista judiciário há cinco anos, tempo esse suficiente para que eu percebesse que não me realizaria profissionalmente na área jurídica.
Diante disso, passei a buscar informações sobre outras carreiras e me deparei com o seu blog.
Desde então, cresce em mim o interesse pela carreira diplomática.
Meu inglês é básico e acabei de completar 31 anos de idade; entretanto, tenho um bom conhecimento da língua portuguesa, facilidade na redação e interpretação de textos, aproximadamente quatro horas de tempo livre para estudo por dia, possibilidade de arcar com os custos de um bom cursinho e viagens ao exterior para aprimoramento de línguas estrangeiras.
Ainda há tempo de perseguir essa carreira? Se sim, qual deveria ser o primeiro passo nos meus estudos?
Desde já muito agradecida.

Valéria

Paulo R. de Almeida disse...

Valeria, Alexandre,
31 anos ainda está bem, mas 34 já está quase no limite para uma carreira bem sucedida, pois a progressão é lenta e não se pode esperar cumprir todas as etapas intermediarias ate o pico da carreira, ministro de primeira ou embaixador.
Deve-se comecar pelo habitual: ver o Guia de Estudos, mapear as fortalezas e fraquezas e comecar a estudar seriamente, eventualmente investindo em cursinho, mas os colegas sempre serao bem mais jovens...
Paulo Roberto de Almeida

Maura disse...

Então, quem já passou dos 50, melhor não aspirar à diplomacia? Um 3º secretário faz exatamente o quê? Obrigada.

Paulo R. de Almeida disse...

Maura,
Quem ja passou dos cinquenta não tem nenhuma chance de progredir na carreira diplomatica por imposicao de limites de idade em cada classe. Nem vale a pena tentar.
Quanto ao que faz um terceiro, um segundo ou qualquer outro diplomata, voce leia o que ja escrevi em meu site: www.pralmeida.org
Paulo Roberto de Almeida

Nathany Miguel disse...

Primeiramente, tenho 19 anos e irei agora para o 4º semestre de Relações Internacionais numa universidade particular com bolsa integral do Prouni – estudei Fundamental em escola pública e o Médio em particular com bolsa integral. Considero muito fraco o ensino, e é gritante a necessidade de uma graduação clássica para ingressar em RI, de qualquer forma devo concluir o curso. Meu inglês está razoável e já planejei viajar nas férias de julho do ano que vem para Liverpool pela universidade para aperfeiçoa-lo.

Aos 16 anos ganhei uma viagem à Brasilia no Concurso de pesquisa cientifica promovido pelo IBECC/UNESCO/CNPq na área de História, sou apaixonada por pesquisa, mas infelizmente não posso me dedicar totalmente, já que não posso deixar de trabalhar (trabalho desde os 15, tempo integral).

O fato é que estou em dúvida se após a graduação me dedico no Concurso ou inicio um mestrado, ou até mesmo viajo para fora. Sei das minhas limitações quanto ao tempo de dedicação de estudo posto que trabalho em período integral, mas sou extremamente dedica, autodidata, leio muito (não só por necessidade acadêmica, mas por prazer, literatura me consome), professores já me indicaram tentar uma graduação tradicional numa universidade pública (CS, Economia, etc.), outros me incentivam terminar RI e decidir depois.

Se puder, gostaria de dicas para o meu caso.

*seu currículo é de provocar suspiros em nós, aspirantes.

Paulo R. de Almeida disse...

Nathany,
Meu curriculo, com 19 anos, nao devia ser muito diferente do seu, talvez até pior, pois nunca tive bolsa, e trabalhei desde muito cedo na vida, desde muuuiiiito cedo.
Pelo menos, em minha epoca, a escola publica ainda era risonha e franca, ou seja, de boa qualidade. Infelizmente, sei que NINGUEM, que estude apenas em escola publica, hoje, tem qualquer chance, provavelmente nenhuma, de ter alguma chance na vida, justamente, a não ser que a pessoa seja como eu sempre fui: um rato de biblioteca. Aprendi a ler na tardia idade de 7 anos, mas nunca parei de ler, em toda a minha vida, assim que pude ingressar na carreira de modo relativamente tranquilo, mas isso um pouco mais tarde, apenas com 27 anos. So comecei a construir curriculo depois disso.
Entendo que voce vai ter muitas dificuldades, mas se voce acredita e tem vontade, vá em frente: durma pouco, leia no onibus (se der), leia o tempo todo e tenha uma formação autodidata, como eu tive. Hoje em dia se pode formar na internet, uma chance que eu nao tive, por simplesmente nao existir.
Nao tenho dicas especiais para voce, a nao ser ler o tempo tido, e anotar, se possivel, o que ler, mas se nao der, apenas leia.
Você conseguirá, pois ainda tem dois ou tres anos pela frente...
Boa sorte nos estudos.
Paulo Roberto de Almeida

paulo disse...

Olá, meu nome é Paulo e moro em Natal/RN. Tenho umas dúvidas acerca do concurso para MRE / terceiro - secretario. Tomo remédios controlados( antipsicóticos) mas mesmo assim gostaria de fazer o concurso para Diplomacia. Há algum impedimento? Ou posso participar do concurso sem nehuma preocupação? Tenho que me inscrever como deficiente na hora da inscrição do concurso?

Paulo R. de Almeida disse...

Paulo,
Nao existe nenhum impedimento a que voce faça o concurso tomando remédios, inclusive porque ninguém sabe disso no momento da inscrição.
Nao sei se o que você tem pode ser classificado como deficiência, caso no qual você teria essa inscrição especial e talvez alguma facilidade que eu tampouco sei dizer qual seria.
Acredito que voce deva consultar o proprio Instituto Rio Branco sobre isso. Creio que deficiência é mais de tipo motora, ou física, do que algum disfunção de comportamento que não afete o raciocínio e a intelegibilidade.
Paulo Roberto de Almeida

Danielli disse...

Olá doutor Paulo Roberto, como vai?

Sou advogada, tenho 27 anos, pós graduada em direito civil. Apesar de atuar na área em que me especializei, há algum tempo venho acalentando a idéia de tentar o concurso da diplomacia. Venho de uma família pobre do interior, mas sempre tive interesse em estudar. Cresci frequentando a biblioteca municipal, lendo os clássicos, amando a história mundial e do Brasil, a geografia, a gramática, a literatura. Interesso-me profundamente pelos assuntos ligados à política internacional, e sempre me atualizo com jornais e revistas. Meu tema de monografia na graduação, inclusive, foi uma análise sobre o protocolo de Quioto e o aquecimento global, pois sempre gostei de direito internacional, especialmente os debates ligados ao ramo ambiental.

Penso ter alguma condição de, ao menos, pensar em fazer a prova da diplomacia. Contudo, possuo um inglês elementar, consigo ler alguns textos mas escrevo pouco. O mesmo com o italiano. Mas confesso não saber espanhol e francês.

Com toda a sua experiência, especialmente como professor, o senhor acha que tenho condições de fazer essa prova futuramente?

Desculpe tomar seu tempo, sei que é precioso. Mas é que seu comentário tem para mim grande valia. Será através dele que decidirei o caminho a traçar. Obrigada.

Paulo R. de Almeida disse...

Danielli,
Não tenho certeza de ter respondido a esta sua mensagem pessoal, pois estava viajando e terminando trabalhos. Se não fiz, faço-o agora.
Se você tem muitas e boas leituras, a despeito de não ter tido um ambiente familiar dos mais favoráveis a uma boa formação, como a maior parte dos candidatos (que são, presumivelmente, de classe média e alta), você já tem um bom começo, pois a carga de leituras, as referências culturais acumuladas ao longo da vida são importantes numa prova de redação.
Mas, você antes precisa passar no teste inicial, que é uma coleção enfadonha de interpretações subjetivas e outros tantos dados objetivos, que só se adquire lendo os textos "certos", aqueles selecionados na bibliografia oficial (antigamente era diferente, a criatividade pessoal, a capacidade de raciocínio eram mais valorizados, agora virou uma coisa mecânica). Você precisaria aperfeiçoar tremendamente o seu inglês, o que não é difícil, basta dedicação, algumas horas por semana, se possível 1h por dia. Teria de ter outra língua, de preferência espanhol, o que tampouco é dificil.
Fazendo isso, voce tem e deve fazer a prova ja no ano que vem, para testar seus conhecimentos. Talvez não entre imediatamente, mas saberá o que tem de aperfeiçoar.
Paulo R Almeida

Deíse disse...

Olá, estudo Direito em uma universidade estadual. Apesar de sempre gostar do curso de Relações Internacionais, por ter passado imediatamente no curso de Direito resolvi cursá-lo.
Porém, tendo em vista não desistir de um 'sonho' antigo, agora, no meio do ano, prestei Relações Internacionais e passei, em uma faculdade federal(de outro estado)que está iniciando o curso agora(eles estão no segundo ano de curso, quarta turma).
Gostaria de saber qual seria uma melhor opção pra mim no momento, para que no futuro eu tenha mais chances de iniciar a carreira diplomática.
Agradeço desde já a ajuda.

Paulo R. de Almeida disse...

Deise,
Os cursos de relações internacionais costumam ser fraquinhos e não levar a grandes perspectivas no mercado de trabalho, pela indefinição geral de curriculos e especializações. Você não pode partir do pressuposto de que se tornará diplomata em seguida. Muitos diplomatas tem as formações as mais diversas.
Eu recomendaria que você fique em Direito, como profissão, e se dedique paralelamente e seriamente aos estudos para ingressar na diplomacia.
Paulo Roberto de Almeida

Bruna disse...

Olá. Como vai? Tenho 22 anos e estou no último semestre do curso de Direito. Tenho muito interesse na área diplomática. Adoro Direito Internacional. Sempre fui apaixonada por inglês e sempre tive muita facilidade com o português. Porém, quanto a história e geografia, só tenho o background do que estudei no Ensino Médio, que foi muito bem feito. Estudei numa escola exigente e dei o meu melhor. Quanto a Economia e Ciências Políticas, tenho uma base muito superficial. Quanto a francês e espanhol, nunca estudei essas matérias. Pretendo passar em outro concurso antes de estudar para o Instituto Rio Branco,pois devido especialmente à minha falta de conhecimento nessas últimas matérias, penso que levará algum tempo até a minha aprovação no concurso para admissão à carreira diplomática.
O que o senhor acha ?

Paulo R. de Almeida disse...

Bruna,
Eu acho que se voce tem intencao de passar no concurso do Itamaraty, independentemente de se sentir ou nao preparada para ingressar agora, você deveria se inscrever e fazer as provas, as que passar, e até onde der. Será uma maneira de já ir se familiarizando com o estilo de questoes demandadas em provas desse tipo, experiencia para saber administrar o tempo, constatar quais suas fortalezas e fraquezas, alem dessas agora percebidas ou intuidas, ou seja, eu acho que voce nao perde nada em ir tentando sempre quando puder. Estude muito agora para o proximo concurso, que abre no comeco de 2011, e tente sua chance.
Boa sorte nos estudos.
Paulo R. Almeida

Gabriela disse...

Olá, estou no 2º ano do Ensino Médio e já me decidi por seguir a carreira diplomática. Faço cursos de inglês, espanhol e francês e sempre tive maior facilidade para a área de humanas. Porém estou em dúvida entre os cursos de RI ou Direito, ambos na USP. Qual seria o mais recomendado para o CACD?
Obrigada, e parabéns pelo seu trabalho!

Paulo R. de Almeida disse...

Gabriela,
O mais indicado, com certeza, é o curso de RI, o que não quer dizer que seja o melhor, seja intrinsecamente, em termos de qualidades e méritos próprios, seja em termos de mercados e oportunidades de trabalho.
Um curso mais tradicional como o de Direito talvez ofereça maiores oportunidades de trabalho, até que você consiga entrar no MRE. O concurso do Itamaraty é muito exigente.
Claro, se voce comecar a estudar desde já, e estudar por sua própria conta, sem esperar nada de faculdades e cursinhos, você já estará bem mais preparada para esse concurso.
Boa sorte nos estudos.
Paulo R Almeida

Bruno disse...
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Bruno disse...

Dr. Paulo Roberto,

Tenho algumas dúvidas sobre a carreira da diplomacia, entretanto gostaria antes de descrever um pouco o meu perfil para o senhor.

Tenho 21 anos e estou entrando no 4º ano de Direito da Universidade Federal da Paraíba. Não obstante faltarem apenas 4 semestres para eu me formar, a cada dia que passa acho o Direito mais e mais entediante. Por mais que à época de prestar o vestibular a idéia de ser advogado parecesse muito empolgante, hoje em dia não consigo me imaginar passando o resto da vida meramente decorando artigos de códigos e repetindo mecanicamente conceitos doutrinários arbitrários e puramente retóricos. Exceto por Filosofia do Direito (a única disciplina jurídica que realmente desperta algum interesse em mim), desde que entrei na universidade meu grande prazer acadêmico tem sido unicamente estudar Economia por conta própria – tenho uma grande base de micro e teoria dos jogos, sendo o meu maior foco atualmente em institutional economics.

Acredito que tenho uma forte vocação acadêmica: além de teoria econômica, leio muito lógica, fenomenologia, filosofia da ciência em geral e epistemologia das ciências sociais; e sempre gostei de estudar novas línguas estrangeiras, sobretudo para ter acesso a bibliografias mais diversificadas (leio em inglês, alemão e holandês). Contudo, o ambiente universitário da minha cidade e adjacências não é nada propício para se fazer pesquisa nas áreas que me atraem (aqui só tem desconstrucionistas, adeptos da hermenêutica filosófica e sociólogos no estilo frankfurtiano, pessoas perto das quais considero exercer a advocacia um mal menor).

Levando em consideração os posts que pude ler do senhor neste blog acerca de sua carreira, sinto-me tentado a acreditar que a diplomacia seria uma boa alternativa para mim na medida em que não apenas me permitiria seguir meu lado acadêmico sem instabilidades econômicas como também me estimularia ao máximo a desenvolvê-lo e ainda aplicá-lo cotidianamente no exercício da profissão.

Tendo explicado esse meu background, pergunto ao senhor:

- O CACD é realmente tão inacessível quanto parece e todos dizem que ele é?

- É utópico acreditar que, se eu me concentrar na matéria do concurso pelos próximos 2 anos, passarei no exame tão logo eu termine a faculdade?

Embora eu acredite que seja possível passar em qualquer concurso com a quantidade certa de tempo e dedicação, não gostaria de ser um estorvo para meus pais por anos a fio para conseguir realizar esse objetivo, somente vivendo de mesadas e produzindo apenas sonhos.

É quase um dilema do prisioneiro: se eu priorizar os estudos diplomáticos e não for aprovado no concurso, dificilmente terei condições técnicas de advogar em área alguma após a graduação; se eu priorizar os estudos jurídicos, aí é que dificilmente serei aprovado mesmo. Por conta disso, acabo ficando nesse “chove, não molha” e não me motivo para investir a sério em nenhuma das duas coisas.

Por último, tenho ainda mais uma dúvida, a qual não tenho certeza se o senhor poderá me esclarecer. Em um eventual Mestrado em Diplomacia, alguma coisa do meu conhecimento em teoria dos jogos (que é basicamente matemática pura combinada com axiomas de Economia para modelar escolhas e comportamento estratégico) poderia ser aproveitada? Ou a carreira no Itamaraty só permitiria abordagens mais "clássicas"?

Muito obrigado desde já.

Paulo R. de Almeida disse...

Bruno,
O CACD é difícil, mas não inacessível, tanto que TODAS as vagas abertas tem sido preenchidas nos últimos anos, o que nem sempre era o caso nos concursos passados, com vagas sobrando (pois os exames de entrada eram mais rigorosos e a seleção pessoal de uma banca impiedosa cortava muita gente boa, por achar que não tinham vocação para a diplomacia).
Hoje ficou muito mecanico, com aquelas perguntas previsiveis que as pessoas que fizeram os cursinhos preparatorios acertam quase todas. Sobra o conhecimento perfeito de Português, literatura inclusive, o domínio do Ingles, e uma boa redação em algumas areas setoriais, como fatores decisivos.
Se voce se concentrar na MECANICA do concurso nos proximos dois anos e tiver uma boa cultura geral, como voce tem, voce passa, mas tem de ter os macetes do concurso, que geralmente um cursinho dá.
Acho que você deveria estudar para a advocacia, que é o que lhe vai dar dinheiro enquanto voce nao passar, e se preparar ao mesmo tempo para o concurso do IRBr.
Esqueça por enquanto o curso do Rio branco, esqueça a carreira e o que vai fazer nos dois, e se concentre unicamente no concurso. Depois você se preocupa com o que é secundário por enquanto.
Nem no Rio Branco, nem na carreira você vai precisar, infelizmente, de teoria dos jogos: eles estão muito aquém disso.
Repito: forme-se advogado, estude para o concurso. Você ainda é muito jovem, e pode entrar tranquilamente com 24 ou 28 anos.
Paulo Roberto de Almeida

Marcus Oliveira disse...

Dr. Paulo Roberto,

Bom Dia! Acabo de ler sobre o questionário feito ao senhor por uma aluna do curso de administração e me identifiquei demais com suas respostas, muito parecido comigo, pois sou um cara que não respeito hierarquias também, sou meio anarquico e gosto de tomar minhas decisões por mim próprio. Também fico meio que indignado com todos os acontecimentos recentes no Brasil, sobretudo no que diz respeito a impunidade e a corrupção.
Além disso, eu agora tenho mais certeza ainda que essa é a carreira que quero seguir, tenho determinação, vontade e além de tudo gosto de estudar, sobretudo temas de economia, relações internacionais e línguas estrangeiras.
Falando sobre línguas estrangeiras, eu tenho vontade após eu passar no concurso estudar sete línguas estrangeiras, que são além do inglês, espanhol e francês, o alemão, italiano, russo e chinês, tenho um sonho de falar como nativo todas essas línguas, acredito que me servirá na carreira e sobretudo é algo como realização pessoal como o senhor mesmo disse que estuda por isso também. Eu tenho a curiosidade de saber quantas línguas o senhor fala e se acredita ser possível alguém falar como nativo sete línguas estrangeiras como pretendo e se o senhor conhecer alguém como tal.
Preciso lhe agradecer pois todo dia que leio seu bog eu ganho mais força ainda para seguir em direção a essa tão sonhada caminhada que ainda "efetivamente" nem comecei, considerando que estou no 7º semestre em administração com ênfase em comércio exterior, onde começarei "efetivamente" no ano que vem.
Ficaria muito grato pela honra de uma resposta do senhor.

Grato,

Marcus Oliveira.

Paulo R. de Almeida disse...

Marcus,
Nao se preocupe agora com tantas linguas e sim com as materias, em seu conjunto, que voce precisa saber muito bem para poder entrar. Vc precisa ser otimo em Português, em Inglês e saber razoavelmente bem uma uma outra lingua, para fins de classificação. Mas precisa saber muito bem historia, geografia, economia, etc.
Primeiro entre, e depois voce estuda sete linguas. Alias, o numero de linguas que meu filho fala, por ter morado ou estudado em sete linguas.
Eu so falo quatro ou cinco...

Rockdrigo disse...

Rodrigo
Sr. Paulo, o senhor já deve estar exausto de auxiliar jovens que tem como meta principal a carreira diplomática, e percebo que já tirou dúvidas em varias áreas, embora prefira focar no concurso.Eu poderia ser mais um desses jovens??
Tenho 16 anos, e me dedico á carreira diplomática desde os 11 anos, tendo como uma meta principal, embora tenha mantido uma relação de ''amor e ódio'' com ela durante esses últimos anos, devido aos comentários gerais sobre a impossibilidade de passar no concurso, mas prefiro não pensar dessa forma.
Já falo inglês e francês fluentemente, e gostaria de aprender espanhol durante a faculdade, mas estou um pouco em duvida com relação á faculdade.
Sempre pensei em R.I., mas vejo que você, por exemplo, não gosta muito do curso de R.I., afirmando que são ''fraquinhos'' em geral, e que não fornecem possibilidades de empregos..
Penso em R.I. devido a semelhança da grade curricular com as materias que caem no CACD...
Qual você acha que seria a melhor preparação para alguem que está na minha situação, ainda se rpeparando para ingressar em alguma universidade, e totalmente focalizado no CACD, disposto a passar anos estudando ininterruptamente para o concurso?
Grato desde já!

Paulo R. de Almeida disse...

Caro Rodrigo,
Voce tem razao: a interface é essa mesma, de curso de RI. Faça o curso, pois você já sabe o que tem de aprender e o fará sozinho, sem depender de professores e apostilas.
Você já é um diplomata, apenas só falta entrar, mas isso é um detalhe para voce.
Paulo Roberto de Almeida

Rockdrigo disse...

Sr. Paulo, sou eu mais uma vez! Mas desta para agradecer sua gentileza e suas palavras animadoras, que foram muito importantes para mim.
Muito obrigado!

Anônimo disse...

Saudações Dr. Almeida,
Primeiramente, me sinto obrigado a expressar a euforia em degustar cada palavra que o Sr. emprega em seus artigos. Tardiamente, encontrei seus blogs, no entanto, tenho muito tempo livre para compensar o perdido. Bem, tenho 16 anos e sonho com a carreira diplomática desde o início de 2009. Desde então, comecei a me esforçar neste objetivo; hoje, possuo inglês avançado e espanhol intermediário. Minha paixão abrupta por línguas, culturas, enfim, pela "novidade" em si não me deixa outra opção. Definitivamente, não consigo me imaginar em outra profissão. Sou estudante do 3º ano em escola pública federal. Tenho acumulado certas conquistas nesta área: já viajei ao Uruguai (onde me encontrei com o Ex-ministro Celso Amorim), a Colômbia, e a vários estados do país participando de eventos importantes. Ademais apresentações, contato-lhe pois pretendo cursar UnB, e estou entre os cursos de Direito, RI e Ciência POlítica. As minhas inquietações referentes: Direito, acredito ser um curso muito específico, apesar das posteriores pós-graduações que poderiam ser feitas na área de RI, Direito Internacional ou outras; RI, acredito ser um curso fantástico, que proporciona muitas expectativas em relação a fazer intercâmbios durante a graduação e na área de estudo; Ciência Política, também é um curso fantástico e, pelo que vi na grade curricular, é o curso, dentre esses três, que mais é flexível, podendo cursar várias matérias opcionas e adicionais de interessa diplomático.
Contudo, peço desculpas pelo meu português, caso haja algum erro. Espero que tenha sido claro. E reafirmo minha admiração pelo diplomata que o Sr. é.
Cordialmente, Cassiano Santana.

Paulo R. de Almeida disse...

Cassiano,
Você me parece nem orientado e sobretudo bem decidido, desde já. Creio, assim, que você já É diplomata, só faltando os detalhes de terminar a graduação e passar no concurso.
Mas, refreie esse seu entusiasmo pelos cursos universitários, pois por melhor que eles sejam, nunca vão lhe dar tudo o que você precisa em termos de preparação adequada.
Faça um desses cursos, embora eu não recomendo muito RI que acho fraquinhos em geral (mas não na UnB, que tem bons cursos, certamente), mas dependa sobretudo de você mesmo.
Estude sozinho e se prepare de forma autodidata, pois não já nada melhor do que tratar de sua própria formação, lendo os livros.
Existe pouca coisa fora dos livros que os professores podem lhe ensinar e provavelmente nada que eles possam lhe ensinar que você não encontra na internet. Assim que faça você mesmo o seu curso de formação, em qualquer área, lendo livros e buscando na internet o que você quer saber.
O diploma é só um canudo, um certificado, e certamente você precisa dessa coisa para se candidatar em concursos, mas ele não vale absolutamente nada em termos de conhecimento se você não estudar por sua própria conta.
Confie em você mesmo, e bons estudos.
Paulo Roberto de Almeida

Dhry* disse...

Dr. Paulo,
Muito válido foi ler suas postagens tanto pelo conhecimento como pela sabedoria.
Cursei Direito, advogo no momento e trabalhei 18 anos na Secretaria da Segurança em SP. Depois cursei pós em Relações Internacionais e encontrei o que procurava, unir o Direito às relações internacionais.
Tenho 39 anos, marido e filho e a vida estabilizada no que diz respeito à constituição de família e apoio familiar.
Pelos comentários, fiquei receosa da idade para prestar o exame, contudo, internamente é algo que me cala muito fundo.
Estou construindo um blog. O Sr. poderia dar sua opinião?
Grata,
Adriana
www.adrianaferserol.blogspot.com

Anônimo disse...

dr paulo
primeiramente eu quero lhe parabenizar pelo blog, que me foi muito útil e esclarecedor.
A dúvida que tenho é de quanto tempo o senhor acha que eu precisaria de estudo para ter um nível avançado, ou pelo menos necessário para passar no concurso, nos idiomas francês e espanhol, sendo que estudaria os dois ao mesmo tempo. O sr acha que três anos de estudo nos dois, seria o suficiente?
grato,

Matheus

Léo Rubens disse...

Dr. Almeida,
Há algum tempo venho acompanhando seu blog, lendo os posts, comentários, dicas e etc. Somente agora tomei coragem de fazer uma pergunta bem específica publicamente. Para preservar um pouco minha intimidade, tomei a liberdade de usar um codinome.
Sou servidor municipal há 5 anos e sempre muito curioso em diversos assuntos relacionados a área da diplomacia, mas não necessariamente específicos do concurso. Tenho conhecimento em idiomas: inglês, francês e italiano. Inclusive já lecionei o primeiro em uma escola de idiomas. Já estive dois meses na Itália também. Porém, minha situação é, acredito, delicada. Sou soropositivo há 3 anos e ano passado iniciei o tratamento com os remédios pouco antes de minha viagem à Itália. Apesar de hoje em dia essa doença ser crônica e controlável, ainda há muito preconceito e pergunto: ela seria um empecilho na carreira de um diplomata (visto que há a necessidade de ser nômade, como o Sr. mencionou)? Acha que meu tratamento pode ser prejudicado por essa constante mudança de países/regiões? Tenho interesse na profissão, mas sou um realista e também completo 30 anos este ano, quase na idade limite para uma carreira satisfatória. Qual a sua opinião?
Parabéns pelo trabalho e principalmente a atenção em que responde às questões, o que me deixou mais a vontade para exprimir esta dúvida.

Paulo R. de Almeida disse...

Leo Rubens,
Não tenho certeza sobre se ainda são conduzidos exames médicos na fase final do concurso e para a admissão oficial. No meu tempo havia inclusive testes psicológicos, daqueles bem idiotas, e muitos eram bombardeados nessa fase, por revelarem sabe-se lá qual traço esquizóide. Em outros tempos havia também uma banca terrível, onde pontificava um famoso "deer hunter", zeloso guardião da pureza heterossexual do MRE. Deve ter falhado várias vezes, pois a nossa fauna é variada.
Não creio que existam problemas e imagino que uma discriminação desse tipo seja inconstitucional.
Existem na carreira, abertamente ou veladamente, vários soropositivos. Alguns morreram, mas isso foi bem no início, quando a informação era deficiente. Eu conheço pelo menos dois que sobrevivem há quase duas décadas na base do coquetel de remédios habituais. O conhecimento médico assegura uma vida quase normal, como você deve saber.
Não creio que o nomadismo da carreira afete o tratamento, pois os procedimentos hoje são bem conhecidos.
Preconceito sempre haverá, pois seres humanos são assim, mas acredito que você pode realizar uma carreira quase normal se ingressar com base em seus resultados intelectuais.
Eu lhe desejo dedicação nos estudos e boa sorte nos exames.
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Olá Dr. Paulo
Tenho 14 anos e a pouco tempo li seu blog, estou interessada em ser diplomata mas tenho algumas duvidas, gostaria de saber se a Matemática é uma matéria de muito peso para quem quer ser diplomata, pois tenho dificuldade nesta matéria,mas em contrapartida gosto muito de inglês inclusive faço curso além de gostar de viajar e não ter problema em ficar longe da família por um longo tempo. E só mais uma curiosidade gostaria de saber se diplomata tem férias?

Anônimo disse...

Olá Dr. Paulo
Tenho 14 anos e a pouco tempo li seu blog, estou interessada em ser diplomata mas tenho algumas duvidas, gostaria de saber se a Matemática é uma matéria de muito peso para quem quer ser diplomata, pois tenho dificuldade nesta matéria,mas em contrapartida gosto muito de inglês inclusive faço curso além de gostar de viajar e não ter problema em ficar longe da família por um longo tempo.
Grata desde já.
Geovanna

Paulo R. de Almeida disse...

Geovanna,
Voce fez nem em escrever e em manifestar a intenção de se tornar diplomata desde os 14 anos. Acho que você tomou a decisão correta, no tempo certo. Se você começar a se preparar desde já, poderá ser uma diplomata desde sua formação universitária, a condição que leia os livros da bibliografia e que estude de maneira adequada de aqui até lá, digamos pelos próximos seis ou sete anos.
Matemática não é uma disciplina exigida nos concursos de entrada, mas economia sim. Para você ter um conhecimento e compreensão adequados de economia, você precisa saber um pouco de matemática, e eu recomendaria que você fizesse um esforço nessa matéria, pois se trata de uma importante área de conhecimento, aliás bastante instrumental para a sua vida, e não apenas para uma boa compreensão da economia.
Tenha uma boa cultura clássica, ou seja, humanidades, mas também não despreze a matemática e a economia, inclusive estatística.
Bons estudos, futura diplomata.
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Boa Noite Dr. Paulo
Muito obrigada por responder minha pergunta, pois eu realmente estava preocupada, sei que a Matemática é muito importante para a vida, não desprezo a matéria, mas procuro focar nos meus pontos fortes, e a Matemática não é um deles.
Geovanna

Paulo R. de Almeida disse...

Geovanna,
Tudo bem que a Matemática não seja o seu ponto forte, mas acredite, tente gostar, ou fazer, mesmo não gostando. Eu também não gostava, e deixei de lado, antes mesmo da sua idade, e me arrependi muito depois. Queria ser economista, mas não consegui, pois justamente não dominava o instrumental matemático, e isso faz uma ENORME diferença quando precisamos projetar taxas de crescimento, ou elaborar alguma correlação econômica mais complexa.
Na vida diplomática, também, saber matemática pode nos ajudar em alguma negociação econômica ou comercial.
Portanto, estude as matérias que você gosta com gosto, e a Matemática mesmo sem gosto.
Você estará melhor preparada e será uma melhor diplomata.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida

cecília disse...

oi Sr. Paulo.
Primeiro quero vir parabenizar o senhor pelo seu blog.
Tenho 19 anos e estou cursando Ciências Sociais, diga-se de passagem ADORO ciência politica, por este motivo escolhi o curso.
Bom sem mais delongas, tenho duas dúvidas: Primeiro, devo trocar o curso para Relações Internacionais, pois lá terei aulas de economia e direito?
Segunda: Interfere na banca avaliadora do concurso, se eu tiver dupla nacionalidade?
Obrigada pela atenção.

Paulo R. de Almeida disse...

Cecilia,
Voce pode ter dupla nacionalidade sem problema.
QUanto ao curso, so vale a pena trocar se ele for bom, do contrario fique onde está e estude em paralelo.

Anônimo disse...

Sr. Paulo,

Gostaria de saber a sua opinião: penso em começar a estudar para a carreira diplomática, contudo, tenho 31 anos. Seria tarde demais ingressar na carreira com 34, 35 anos? Há algum tipo de constrangimento, em decorrência da idade?
Muito obrigada,
Laura.

Paulo R. de Almeida disse...

Laura,
Nao, não é muito tarde, mas não deveria tardar muito além de 33 ou 35 anos...
O único constrangimento seria ter um chefe mais jovem que você, mas isso é o de menos.
Paulo Roberto de Almeida

Pedro Henrique Nahid disse...

Dr. Paulo,
Gostaria de saber se no período no qual o diplomata trabalha no exterior existe a possibilidade de vir ao Brasil, além do período de férias. Pergunto isso pois apesar de sempre viajar muito não tenho condições de ficar sem manter contato pessoal com meus familiares. Não vejo problema em trabalhar fora do país, porém gostaria de saber se há alguma brexa para que o diplomata passe alguns dias no Brasil e, caso possível, quantas vezes esses períodos são concedidos por ano.
Muito obrigado,

Pedro Henrique

Paulo R. de Almeida disse...

Pedro Henrique,
Se voce não tem condicções de ficar sem manter contato pessoal com familiares, entao talvez fosse o caso de nem pensar em carreira diplomatica, que é essencialmente nômade, e por vezes em condicoes adversas.
Diplomata tem um mes de ferias por ano, como muitos outros, (menos juizes, claro). que deve ser suficiente para visitar qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo;
Paulo Roberto de Almeida

Pedro Henrique Nahid disse...

Dr. Paulo,
Lhe fiz essa pergunta porque ouvi de alguns amigos que o diplomata conseguiria uma semana a cada dois meses para vir ao Brasil. Isso não procede, certo? Além disso, vi em alguma legislação que quanto trabalhar em um país de categoria C ou D, o diplomata disporia de 2 meses de férias, além dessas semanas a cada dois meses.
Me desculpe o incômodo, mas essa é minha única dúvida para ingressar na carreia diplomática.
Muitíssimo obrigado,

Pedro Henrique Nahid,

Paulo R. de Almeida disse...

Pedro Henrique,
Brecha se escreve com ch.
Postos de sacrificio dão direito a saídas periódicas, que você pode usar como quiser.
Não tenho certeza quanto a prazos, mas pode ser.
Então você sabe melhor do que eu, e poderá aproveitar essas brechas para vir visitar sua família no Brasil a cada vez.
Mas antes você precisa entrar na carreira, e depois pedir posto de sacrifício, para poder ter brechas...
Boa sorte.

Diogo disse...

Gostaria de saber se é permitido ao diplomata investir na bolsa de valores.

Paulo R. de Almeida disse...

Diogo,
Voce pode tudo o que voce quiser com o seu dinheiro, até doar para o Itamaraty, só não pode roubar o Itamaraty...
Paulo Roberto de Almeida

Caio H. Adams Soares disse...

Serei franco com você, Paulo. A tempos eu procuro um blog assim. Cheguei a agendar um horário com o diretor do meu curso para ver se, juntos, não achávamos algum tipo de instrução voltada a carreira diplomática (ele é um amor de pessoa. Me ajudou, deliberadamente, com muitas das minha indagações quanto a formação profissional) e, desde o site do Curso Clio até o formulário oficial do Itamaraty, eu não encontrei orientação melhor do que a que você nos disponibilizou (me perdoe pelo período longo, as vezes penso que isso já é uma mania).

Desde criança, meu sonho é a carreira diplomática. Primeiramente, pela facilidade e conforto que a carreira oferece, apesar de que apenas uma pessoa muito vivida, sábia, que já tenho obtido um controle notável sobre o próprio ego não sinta-se atraída por moradia, custos e transporte pagos pelo governo. Porém, Paulo, desde os últimos anos, eu não consigo mais olhar para os lados sem ver algumas coisas que me dão arrepios na espinha. Nosso mundo, hoje em dia, é construído de tal maneira que a hipocrisia e a ignorância não são apenas mascaradas, como também aceitas e, até, incentivadas. Eu vou aos shoppings daqui de Curitiba, praia, baladas, bares e shows como a maioria do resto dos brasileiros de 18 anos, me divirto muitas vezes, pelo menos ao meu ver, muito mais do que os meus amigos (talvez porque eu não beba, dou graças a Deus pela centelha de bom senso que me resta nessas noites) mas eu não consigo imaginar uma vida na qual os alicerces sejam apenas esses. O mundo vive para fingir que se diverte, enquanto o próprio cai por terra a cada dia, de todas as maneiras (ecologicamente, politicamente, socialmente, economicamente e por aí vai).

Mas Paulo, por favor não me entenda como pessimista, minha maior paixão nesse mundo é a felicidade, até a curtição, mas além dela, a paz de espírito, o conhecimento e, acima de tudo, o amor. O que eu quero, no futuro, é poder passar isso ao máximo de gente possível, especialmente para quem precisa (grupo que cada dia me parece mais aumentar em PG de razão elevada ao cubo). E é aí que entra a diplomacia. Eu vejo essa carreira, da minha humilde e limitada perspectiva, como a ligação entre uma carreira política de extrema satisfação profissional; a possibilidade de viajar o mundo e aprender ao máximo sobre tudo e de todos; e, por fim, a chance de me envolver em ações sociais, o máximo que eu conseguir. Eu gostaria de saber se estou certo no meu ponto de vista, além de outra pergunta que me tem me incomodado muito nos últimos meses: Eu tenho verdadeira paixão pela faculdade de Medicina, não pela profissão em si, mas pelo conhecimento que o curso proporciona. Você acredita que seja possível cursar Medicina (como já foi apontado lá em cima, porém meio que fora desse contexto) e, desde já e até a realização do CACD, estudar as matérias que a prova de ingresso exige? Eu não tenho problemas com esforço, já sou fluente em inglês e espanhol, amo de paixão todas as áreas do conhecimento, em especial exatas e humanas. Caso seja algo que beire o impossível, ou simplesmente não recomendável, eu não teria problemas em seguir educação em Relações Internacionais ou até Direito. Me perdoe pelo texto longo, mas você pode me dar uma ideia?

Abraços e obrigado pela atenção, como já dito acima, parabéns pela incrível pessoa que você mostra ser.

Paulo R. de Almeida disse...

Caio Adams,
Temos poucos medicos na carreira, e isso é muito ruim. Creio que você faria muito bem se fosse médico e ao mesmo tempo diplomata. Estude Medicina, e ao mesmo tempo se prepare para a diplomacia estudando paralelamente.
Siga seu coração e seus interesses. Faça as duas coisas...
Paulo Roberto de Almeida

Rodrigo Magno disse...

Caro Paulo,

Pretendo fazer o curso de Ciências Sociais - Ciências Políticas. Gostaria de sua opinião sincera quanto as chances de passar no concurso do Itamaraty com essa formação, pois entendo que se fizer esse curso, terei posteriormente que me dedicar aos estudos de Direito e outras matérias que não estão na grade curricular.

Desde já grato,

Rodrigo Magno

Marina Pompermayer disse...

Sr. Paulo
Primeiramente quero parabenizar o senhor pelo blog, ele é muito interessante.
Ainda sou bem jovem, tenho apenas 12 anos, mas de uma coisa tenho certeza, vou ser Diplomata. Me esforço bastante para ser uma boa aluna, sempre estudo e gosto bastante de questionar sobre certos assuntos. E apesar de várias pessoas falarem que não tenho chances, e que precisa ser uma pessoa superdotada para ser diplomata, eu não ligo, sempre me esforço e tento alcançar os meus objetivos.
Tenho uma dúvida: Qual dos cursos é o melhor para prestar quando se quer fazer diplomacia, Relações Internacionais ou Direito?
O Senhor poderia dar sua opinião?
Grata,
Marina

Paulo R. de Almeida disse...

Marina Pompermayer,
Meus cumprimentos por já saber, aos 12 anos, o que você quer ser quando "crescer", ou quando se formar.
Isso lhe dá uma ENORME vantagem que essas pessoas, derrotistas, ou pessimistas, não podem ter: certeza sobre seus próprios desejos, projetos, vocação.
Meus parabéns, inclusive porque você terá todo o tempo do mundo para se preparar adequadamente, de maneira sistemática, metódica, independente, e poderá desmentir aqueles que acham que para ser diplomata é preciso ser superdotado.
De forma nenhuma, qualquer pessoa pode ser diplomata, desde que passe no concurso. E NENHUM concurso é impossível para quem está preparado, simples assim.
Eu até tenho encontrado diplomatas bem ruinzinhos, e me pergunto como é que eles conseguiram entrar: deve ser uma mistura de decoreba e de sorte.
Você não precisa nem de uma, nem de outra: basta estudar, desde já, as matérias do concurso. Assim, quando você terminar a graduação poderá entrar diretamente.
Faça um curso que lhe dê satisfação, mas tenha certeza de que são todos medíocres, e que você precisará estudar sozinha, e se preparar sozinha para o concurso. RI possui a maior interface com o concurso, mas os cursos costumam ser piores do que os demais, tradicionais, como Direito ou Economia.
Em todo caso, confie apenas em você mesma, desde já.
Boa sorte.
Paulo Roberto de Almeida

Paulo R. de Almeida disse...

Marina Pompermayer,
Meus cumprimentos por já saber, aos 12 anos, o que você quer ser quando "crescer", ou quando se formar.
Isso lhe dá uma ENORME vantagem que essas pessoas, derrotistas, ou pessimistas, não podem ter: certeza sobre seus próprios desejos, projetos, vocação.
Meus parabéns, inclusive porque você terá todo o tempo do mundo para se preparar adequadamente, de maneira sistemática, metódica, independente, e poderá desmentir aqueles que acham que para ser diplomata é preciso ser superdotado.
De forma nenhuma, qualquer pessoa pode ser diplomata, desde que passe no concurso. E NENHUM concurso é impossível para quem está preparado, simples assim.
Eu até tenho encontrado diplomatas bem ruinzinhos, e me pergunto como é que eles conseguiram entrar: deve ser uma mistura de decoreba e de sorte.
Você não precisa nem de uma, nem de outra: basta estudar, desde já, as matérias do concurso. Assim, quando você terminar a graduação poderá entrar diretamente.
Faça um curso que lhe dê satisfação, mas tenha certeza de que são todos medíocres, e que você precisará estudar sozinha, e se preparar sozinha para o concurso. RI possui a maior interface com o concurso, mas os cursos costumam ser piores do que os demais, tradicionais, como Direito ou Economia.
Em todo caso, confie apenas em você mesma, desde já.
Boa sorte.
Paulo Roberto de Almeida

Paulo R. de Almeida disse...

Rodrigo Magno,
Os cursos, como eu sempre digo, são muito ruins, todos eles. Estude por sua própria conta.
Tudo é possível estudar sozinho.
Mas escolha uma graduação que o sustente enquanto você não entrar.
RI costuma ter um mercado muito restrito...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Olá, Paulo. Tenho 30 anos, sou formada em Letras, e curso meu primeiro ano de mestrado. Falo inglês e francês e sou apaixonada por história. Sou professora civil, concursada de uma instituição militar de ensino superior. Antes de ler seu blog, pensava mudar o rumo de minha carreira e tentar a diplomacia. No entanto, percebo agora que minha idade já não é mais adequada. No entanto, gostaria de pedir informações sobre as carreira de oficial e assistente de chancelaria. Quais os atributos necessários para essas carreiras? Há problemas com a idade nessas posições também?
Grata pela atenção,
Márcia

Paulo R. de Almeida disse...

Marcia,
O fato de voce ter 30 não é absolutamente um impedimento a uma carreira bem sucedida, desde que você entre, preferencialmente, nos próximos dois ou três anos.
O limite histórico de ingresso na carreira era 32 anos completos. Depois, a partir da Constituição, não existem limites estritos, mas o ideal seria que fosse na faixa dos 25 a 30, mas até a primeira metade dos 30 é plenamente aceitável, e tem gente que entre bem depois disso.
Creio que você deveria se preparar seriamente para ambos concursos, o da carreira diplomática e o de OfChans. Em ambos você pode ter satisfação, embora a de diplomata obviamente seja a mais distinguida e valorizada.
No site do MRE deve ter editais para ambos concursos.
Depois é só estudar e fazer...
Paulo Roberto de Almeida

Ananda Marques disse...

Caro Paulo R. de Almeida,
o primeiro contato que tive com o seu blog foi há mais ou menos um ano. Naquele período eu tinha acabado o ensino médio e estava pesquisando sobre a carreira diplomática, lendo editais, sites, blogs e afins.
Hoje tenho 17 anos e estou cursando o 3° período de Ciências Sociais, devo dizer que me mantive mais firme ainda na escolha depois de saber que o sr. é formando em Ciências Sociais e é diplomata (já que Direito e R.I. são os cursos mais comuns).
Nesse um ano que passou me apaixonei mais ainda pelo curso e já participo de pesquisas na área da Ciência Política, sobre Desenvolvimento e Pobreza.
Meus planos são de terminar a graduação e tirar dois anos para estudar especificamente para o concurso, pois hoje meu tempo é divido entre a universidade, o trabalho e pesquisa, meus estudos para o concurso não são intensivos, leio os principais livros que o sr. indicou naquela bibliografia resumida, comecei a fazer francês e continuei meus estudos em inglês e espanhol.
Em conversa com meus pais surgiu a possibilidade de eu ir para Brasília, que tem os melhores cursinhos preparatórios, quando terminar a graduação.
Sempre fui autodidata e aprendo melhor estudando sozinha, mas em conversas com quem estuda para o concurso há mais tempo, recebi muitas orientações de procurar um cursinho, que é intensivo.
Ir para Brasília para ter uma preparação melhor seria difícil, principalmente pelo esforço econômico, mas não impossível, fiz o ensino médio em um internato no Rio de Janeiro e sou do Piauí. Por isso, gostaria de saber a sua opinião sobre os cursinhos preparatórios.

Quero parabenizá-lo novamente pelo blog e agradecer, o sr. é uma inspiração para muitas pessoas!

Ananda Marques

Paulo R. de Almeida disse...

Ananda Marques,
A melhor relação custo-benefício é estudar e se preparar sozinha para o concurso do Itamaraty. Mas isso é para quem já tem uma excelente formação -- escolas particulares de bom nível a vida toda, algumas viagens, línguas etc -- e para quem tem energia, disciplina e método para ficar estudando sozinho o tempo todo.
Não reunindo essas condições, cabe os cursinhos preparatórios, que sim são importantes, nas provas bitoladas que existem atualmente para ingressar na carreria. As provas são debiloides (no sentido de viciadas em determinadas questões que os cursinhos sabem quais são), mas exigentes no mais alto grau. Se você puder pagar um cursinho em Brasilia, creio que seria o ideal, mas a cidade é cara, e os cursinhos idem.
Não se importe muito com o curso universitário, a menos que você pretenda e precise trabalhar para ganhar sua vida. Todos eles são medíocres, especialmente os de Ciências Sociais.
Foi-se o tempo em que eu podia falar bem do curso de CS na USP, onde iniciei minha carreira acadêmica: hoje provavelmente virou um lixo igual ao de muitas universidades Tabajara do setor privado.
Como você vê, eu sou especialmente crítico, e pessimista, em relação às universidades brasileiras, todas elas, mas tenho razões para ser assim: eu as conheço e reconheço a mediocridade galopante que se apossou de todas elas.
Por isso, continue fazendo o que deseja, mas dependendo única e exclusivamente de si mesma e de alguma preparação dirigida, como essa que pode ser dada por um cursinho preparatorio a diplomacia.
Estude, apenas isto, o resto vem de arrasto...
Paulo Roberto de Almeida

Caroline Servo disse...

Olá! Boa tarde!

Gostei muito do seu Blog! Parabéns!
Sou advogada, tenho 25 anos, moro em Brasília e do final do ano passado para hoje, tenho pensado muito em estudar para carreira diplomática. Inobstante, tenho muitos receios de "abandonar" o direito e todas as possibilidades que ele permite. A grande verdade é que acredito que não nasci para demandas, e sim para conciliação, negociação, isso me fascina! Assim como muitas pessoas que já escreveram, o único óbice que vejo é a necessidade de uma "vida nômade". Assim, minha dúvida é, os diplomatas, obrigatoriamente, são enviados para residir fora do país, ou eu posso exercer minhas atividades em Brasília? Pesquisando, vi que há algumas funções de intermediação, em que há necessidade de posto fixo em Brasília, mas não sei se na pratica efetivamente é assim. Obrigada desde já pela atenção despendida!!

Paulo R. de Almeida disse...

Minha cara Advogada,
IMPOSSIVEL progredir na carreira se voce não cumprir períodos no exterior. Período de serviço externa é obrigatório para promoção. Você pode até entrar na carreira, mas se não quiser ou não puder sair não vai ser promovida.
Diplomata, por definição, é nômade. Se você não gosta de mudanças, melhor nem começar...
Mudamos em média a cada 3 anos...
Eu já morei em muitos países, e viajo constantemente.
Assim é a vida de diplomata.
Paulo Roberto de Almeida

Julie Dorothy disse...

Olá Sr. Paulo Roberto!

Primeiramente seu blog é espetacular, e com certeza vc ouve isso constantemente, mas é sempre bom reforçar.
Bem, eu tenho uma pergunta um tanto usual, que se fosse respondida me tiraria a dúvida de prestar ou não o concurso para diplomacia. Portanto espero ansiosamente por sua resposta!
Eu gostaria de saber se o diplomata tem que viajar muito aos sábados, ou mesmo se existem algumas atribuições que lhe são cabidas durante esse dia? Me refiro tanto ao período no Brasil, quanto ao período do exterior.

Isso é de extrema importância pra mim, porque sou adventista do sétimo dia, ou seja, minha religião guarda o sábado. E depois de ler seu blog, vi que os diplomatas trabalham muito de final de semana, por isso fiquei com o pé atrás em relação a esse quesito!

Desde já, muito obrigada pela disposição!

Paulo R. de Almeida disse...

Julie Dorothy,
Agradeco suas palavras gentis em relacao a meu blog, que foi justamente feito para responder a duvidas e questoes de pessoas como vc.
Indo direto ao assunto, eu posso lhe responder em toda sinceridade e diretamente.
SIM! Temos de trabalhar em quaisquer dias que sejam requeridos pelo trabalho, e frequentemente aos sabados, domingos, feriados, enfim, em diversas circunstancias da vida moderna, e ainda mais para o diplomata.
Vc nao pode dizer ao seu chefe, que lhe manda para uma reuniao em Genebra, por exemplo, que comeca na segunda-feira: "Sinto muito chefinho, nao posso viajar no sabado e sou chegar na reuniao na terca-feira."
Ou exigir diarias extras para viajar antes, ou sair depois...
Isso nao existe.
Diplomatas comecam fazendo plantao nos fins de semana, em Brasilia ou nas embaixadas do exterior e viajam, sim, frequentemente para o exterior ou dele voltam nos fins de semana.
Sua escolha e', portanto, muito simples: ou vc desiste de ser diplomata, ou desiste de ser Adventista.
Acho que as duas coisas nao combinam.
Ou entao, vc escolhe uma religiao mais simples, dessas que nao exigem coisas absurdas, em completa contradicao com a vida moderna, e a globalizacao, ou simplesmente com os deveres de um diplomata.
Religioes sao coisas atrasadas, que alimentam superstcoes ridiculas, algumas mais do que outras, como essa coisas de interdicoes alimentares ou de trabalho.
Bem, acho que vc vai desistir de ser diplomata, depois destas minhas palavras absolutamente sinceras.
Eu lhe desejo felicidades em sua vida adventista, bem mais tranquila que a minha, em todo caso.
Paulo Roberto de Almeida

P. Vianna disse...

Quanto alívio em encontrar um profissional da diplomacia com as mesmas aspirações e o mesmo impulso irrefreável daquele desejo que tantas vezes é tipo como esnobismo: a pulsão de saber, como diria Freud, o puro desejo da leitura, do entendimento, o incômodo com a pura rotinização burocrática e o comodismo pavloviano. Almejo a carreira diplomática e percebo que as minhas motivações são muitas vezes mal vistas pelos mais idealistas e pragmáticos. Ora, que mal há em ter como maior impulso o puro deleite intelectual, a vontade de ler, escrever, conhecer mais o mundo para além do cotidiano, quando se tem uma mente inquieta e insaciável? O que mais me encanta na carreira é justamente o lado acadêmico, o estímulo para continuar estudando pelo resto da vida para muito além de uma mera tese de doutorado, a oportunidade de refletir sobre questões de alto nível,estar para sempre aprendendo, a confrontação com tantas culturas e modos de vida tão diferentes que alimentam a curiosidade e levam a um desejo irresistível de ver tudo isso mais de perto. Quanta coragem em admitir que tudo isso pode estar em primeiro plano, ainda que às custas de valores tão arraigados em nossa cultura, como a priorização da família e do conforto que se sente quando se tem a impressão de que 'já se chegou lá', quando a vida já está 'arrumadinha', ou mesmo do sacrifício para subir na 'hierarquia'. Chegarei lá também. Um abraço.

Carla X disse...

Prezado Paulo,

Navegando pela rede, colhendo informações sobre a diplomacia, pesquei as "dez regras modernas" que me instigaram a ler um pouco mais. Comecei pelo "Está aumentando o número de idiotas no mundo?" e pretendo ler muitos outros ainda. Não vou perguntar sobre o ingresso no Itamaraty, acho que esta questão já foi praticamente esgotada nos post acima e, ademais, deriva das particularidades de cada um, da real vontade de fazer. Gostaria somente de parabenizá-lo pelo blog. Obrigada.

Anônimo disse...

Olá Sr. Paulo, chamo-me José, devo dizer que para mim, é um privilégio estar a ter a possibilidade de comunicar-me com o senhor, mesmo que minimamente!, pois entendo que o tempo corre!, e não obstante, o Sr. é um homem muito atarefado e cheio de responsabilidades.
Pois bem Sr. Paulo, humildemente venho aqui, por sentir que devo agradecer por todas as respostas aos questionamentos, pois me ajudaram muito sobre a devotada carreira de diplomata, sei que é uma enorme responsabilidade, e ademais, que não é tão glamuroso quando olhado tão de perto.
Eu sou um estudante de Direito que na verdade, se encantou pela filosofia e sociologia jurídicas, e que a medida que fui avançando no curso, fui sentindo que a carreira jurídica não iria me dar tanta alegria em servir ao meu próximo, foi quando eu começei a ler sobre a carreira de diplomata e me interessei, pois, eu sempre tive um espírito desbravador, no sentido de sempre querer mais, ser inquieto e não gostar de mesmices e ter um certo desconforto com os dogmatismos que me foram empurrados.
Não acredito em acasos, mas entrei para a faculdade de Direito por intermédio de meu pai, mesmo estando contrariado, mas fui. Ocorre que agora, estando no 6º período, com 21 anos não consigo ter tanto gosto pela carreira, acho muuuuito monótono e sempre pensei em não mofar atraz de uma mesa de escritório, pois me vejo sendo além de um advogado (não desmerecendo a carreira, pois é um grande ofício), pois penso em trabalhar com direitos humanos. Eu me senti muito atraído pelo direito constitucional, justamente na parte de direitos humanos (não querendo ser utópico)onde encontrei belos motivos pelos quais alguém deve trabalhar para ser útil ao seu próximo como pessoa inerente e não tão somente como compatriota!.
Vendo seus atrigos, caí nesse post, e vi o quão útil eu poderia ser abraçando esta carreira!, uma vez que eu almejo uma carreira diligente, que me alimente no sentido cultural, filosófico, político, econômico, sociológico, etc., pois também sempre fui muito afinizado em aprender novas culturas, novos idiomas e conhecer as diferentes vertentes da natureza humana que creio eu, só é possível conhecer, estando em contato com outras culturas.
Hoje, eu não tenho mais praticado tanto inglês, nem espanhol, qui çá o françês, sempre tive fluência, entendo um diálogo em inglês ou espanhol, mas é sabido que o falado nesses casos, para quem é estrangeiro, é bem distoante do escrito gramaticalmente falando.
Tendo disciplina e vontade, eu sei que não seria tão trevoso estudar essas línguas exigidas no concurso, sei que tenho um bom potencial a ser desenvolvido, que naturalmente, depende unicamente de mim mesmo!.
Eu decidi que vou IMEDIATAMENTE começar a elaborar planos e estratégias ao estudo do conteúdo programático, para partir a uma ação efetiva de aprendizado, tendo como base a bibliografia oferecida no seu blog e no site do Instituto Rio Branco.
Poderia fazer mil perguntas ao senhor, mas todas já foram muito bem perguntadas e posteriormente maestralmente respondidas!. Eu gostaria de dizer OBRIGADO pelo blog, pois é uma luz à obscuridade de nossas dúvidas, que por vezes nos tiram de tempo.

Anônimo disse...

Olá Sr. Paulo, chamo-me José, devo dizer que para mim, é um privilégio estar a ter a possibilidade de comunicar-me com o senhor, mesmo que minimamente!, pois entendo que o tempo corre!, e não obstante, o Sr. é um homem muito atarefado e cheio de responsabilidades.
Pois bem Sr. Paulo, humildemente venho aqui, por sentir que devo agradecer por todas as respostas aos questionamentos, pois me ajudaram muito sobre a devotada carreira de diplomata, sei que é uma enorme responsabilidade, e ademais, que não é tão glamuroso quando olhado tão de perto.
Eu sou um estudante de Direito que na verdade, se encantou pela filosofia e sociologia jurídicas, e que a medida que fui avançando no curso, fui sentindo que a carreira jurídica não iria me dar tanta alegria em servir ao meu próximo, foi quando eu começei a ler sobre a carreira de diplomata e me interessei, pois, eu sempre tive um espírito desbravador, no sentido de sempre querer mais, ser inquieto e não gostar de mesmices e ter um certo desconforto com os dogmatismos que me foram empurrados.
Não acredito em acasos, mas entrei para a faculdade de Direito por intermédio de meu pai, mesmo estando contrariado, mas fui. Ocorre que agora, estando no 6º período, com 21 anos não consigo ter tanto gosto pela carreira, acho muuuuito monótono e sempre pensei em não mofar atraz de uma mesa de escritório, pois me vejo sendo além de um advogado (não desmerecendo a carreira, pois é um grande ofício), pois penso em trabalhar com direitos humanos. Eu me senti muito atraído pelo direito constitucional, justamente na parte de direitos humanos (não querendo ser utópico)onde encontrei belos motivos pelos quais alguém deve trabalhar para ser útil ao seu próximo como pessoa inerente e não tão somente como compatriota!.
Vendo seus atrigos, caí nesse post, e vi o quão útil eu poderia ser abraçando esta carreira!, uma vez que eu almejo uma carreira diligente, que me alimente no sentido cultural, filosófico, político, econômico, sociológico, etc., pois também sempre fui muito afinizado em aprender novas culturas, novos idiomas e conhecer as diferentes vertentes da natureza humana que creio eu, só é possível conhecer, estando em contato com outras culturas.
Hoje, eu não tenho mais praticado tanto inglês, nem espanhol, qui çá o françês, sempre tive fluência, entendo um diálogo em inglês ou espanhol, mas é sabido que o falado nesses casos, para quem é estrangeiro, é bem distoante do escrito gramaticalmente falando.
Tendo disciplina e vontade, eu sei que não seria tão trevoso estudar essas línguas exigidas no concurso, sei que tenho um bom potencial a ser desenvolvido, que naturalmente, depende unicamente de mim mesmo!.
Eu decidi que vou IMEDIATAMENTE começar a elaborar planos e estratégias ao estudo do conteúdo programático, para partir a uma ação efetiva de aprendizado, tendo como base a bibliografia oferecida no seu blog e no site do Instituto Rio Branco.
Poderia fazer mil perguntas ao senhor, mas todas já foram muito bem perguntadas e posteriormente maestralmente respondidas!. Eu gostaria de dizer OBRIGADO pelo blog, pois é uma luz à obscuridade de nossas dúvidas, que por vezes nos tiram de tempo.

Allan Marrone Marcolino disse...

Bom, inicialmente, gostaria de elogiá-lo, Sr. Paulo, pelo maravilhoso trabalho em suas páginas virtuais. Elas têm me ajudado muito a firmar os alicerces nessa nova empreitada em minha vida: a escolha da profissão.
Curso, atualmente, o 3º ano do ensino médio e, há pelo menos um ano e meio, aspiro à carreira diplomática. Já pesquisei praticamente todas as áreas possíveis de atuação profissional, e cada vez mais concluo que aquela que melhor se encaixa a mim é a diplomacia. Contudo, tendo a carreira como uma quase certeza, encontro-me diante de um terrível dilema. Não sei exatamente qual curso de graduação eu devo fazer. Já pesquisei por diversas opções e, atualmente, as duas que mais me atraem são Ciências Sociais e Direito, porém ambas deixam-me receoso em certos aspectos.
Diante da grande dificuldade do concurso de admissão para a carreira diplomática, preocupo-me com um campo de atuação alternativo (que muito provavelmente envolveria a esfera política). É fato que uma graduação em Direito me ofereceria uma gama imensa de áreas de atuação, porém não acredito que elas me trariam tanta satisfação como a diplomacia. Em relação às Ciências Sociais, é fato que o curso em si e a sua grade curricular me atraem muito mais do que o Direito, mas eu tenho preocupações quanto ao mercado de trabalho. Já pesquisei sobre o assunto, mas acho que nada melhor do que conversar com alguém formado na área.
Portanto, peço alguns comentários do senhor em relação ao mercado de trabalho das Ciências Sociais e a possibilidade de inserção no cenário político (principalmente na área de planejamento de políticas públicas).
Aproveitando o momento, também farei uma pergunta que, cada vez mais, acredito não ter resposta: dentre minhas duas opções atuais de curso, existe alguma que de fato irá me dar mais bases para a entrada na carreira diplomática? Depois de muito investigar em sites de cursinhos preparatórios e perfis de diplomatas atuantes aprovados recentemente, percebi que uma grande maioria é formada em Direito ou Relações Internacionais, enquanto um número muito menos significativo é graduado em Ciências Sociais. Essa informação é realmente significativa ou o que determinará o meu sucesso no concurso está mais relacionado à minha capacidade autodidata do que com o curso de graduação que farei?
Peço, enfim, perdão pela extensão de meu comentário, mas tenho o Sr. como uma fonte essencial para o sanamento de minhas dúvidas.
Desde já,
extremamente grato.
Allan Marrone Marcolino

Lucas Caparelli disse...

Parabens sr. Paulo por esse maravilhoso texto que escreveu, foi muito motivador para mim, que estou nesse processo de descoberta do que eu realmente quero fazer. Eu faço Direito, estou no 2º periodo e tenho 18 anos, e acho que essa é minha vocação, estou arrependido de não fazer relações internacionais por ser um curso mais proximo da vida diplomatica, mas mesmo assim acho que há chances de sucesso para mim se começar a me preparar a partir de agora. Mas se puder me responda, o que é mais importante ser um gênio ou um esforçado para poder alcançar esta meta? A carreira diplomatica, agradeço desde já.

Paulo R. de Almeida disse...

Lucas,
Tenho encontrado poucos genios na carreira, embora existam pessoas brilhantes e alguns mediocres tambem.
Na media sao pessoas bem preparadas, mais na base do esforco e da oreparacao (ou seja, muito estudo), do que da genialidade,
Assim, se vc quiser entrar na carreira, minga unica recomendacao seria esta: estude muito, o dobro do que vc acha necessario.
Boa sorte, mas sobretudo bons estudos.
PRA

Iran disse...

Olá Paulo,

Chamo-me Iran. Tenho 22 anos e me formarei no fim do ano em Ciências Socias (UFG). Gostaria de obter algumas informações e opiniões. Tive a oportunidade de durante a minha graduação fazer um intercâmbio de um ano em Portugal onde pude convíver com pessoas de diferentes localidades e culturas. Fato que me enriqueceu bastante, seja academicamente quanto pessoalmente. Lá pude estar em contato diário com elementos que muitas vezes não encontrei nos livros durante a graduação, ou que, puderem me explicar melhor o mundo em que vivemos, através da relações sociais e trocas culturais. Tal experiência fez com que conhecesse novas "perpectivas". E é aí que entra a diplomacia. Passei a pesquisar um pouco mais sobre o que se tratava, fui me informar melhor. E hoje me encontro em um dilema, se é de saber se reuno condições (falo em relação a tempo)para tal fim.
Sei que terei de estudar entre 3 a 5 anos, já que algumas leituras eu não possuo e, também, não domino certos temas. Terei que avançar no francês, já que comecei a menos de um mês. Tenho quase 23 anos não sei com que média as pessoas costumam ingressar no Instituto Rio Branco. Gosto muito de história brasileira e mundial quanto economia. Direito nunca estudei para falar algo. Paralelamente aos meus estudos quero fazer um mestrado na área de Sociologia Econômica e ficar seis meses fora do país para aprimorar meu inglês.
Diante desse cenário queria saber se reuno possibilidades/perfil de ser um diplomata, bem como poder passar. Com que média as pessoas ingressam? A maioria possuem mestrado? Quanto tempo leva de prepara? Depois dos trinta anos vale a pena ainda tentar?
Desde já agradeço.
meu e-mail é: nariocomuna@gmail.com

Lucas C. disse...

Olá Sr. Paulo, queria saber a sua opniao a respeito dos cursinhos preparatorios para ingresso na diplomacia, eles dão material suficiente para o sucesso no concurso?

Paulo Roberto Almeida disse...

Sinto muito Lucas C.,
Não posso me pronunciar sobre cursinhos, porque não os conheço, nunca fiz ou dei aulas em cursinhos preparatórios e também porque não costuma fazer propaganda de nenhum deles.
Suponho que eles treinem o candidato com base no que conhecem do concurso oficial no últimos anos.
Pode ser interessante fazer, mas não sei se valem o que cobrem.
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Olá Sr. Paulo, adorei o seu blog! Estou decidido de que vou seguir a carreira diplomática, no entanto, o senhor poderia por favor responder a essas seguintes dúvidas:

1- Como é determinado a qual tipo de posto(A,B,C ou D)um diplomata recém formado vai servir em sua primeira remoção no exterior? É possível ir para um posto A ou B, logo na primeira remoção?

2-É possível recusar todos os postos oferecidos, uma vez que o diplomata se inscreve para ser removido ou o diplomata é obrigado a escolher um dos postos que lhe foram oferecidos?

3-É possível servir em dois postos B ou C consecutivamente?

Grato desde já, Vinicius.

Anônimo disse...

Olá Sr. Paulo, adorei o seu blog! Estou decidido de que vou seguir a carreira diplomática, no entanto, o senhor poderia por favor responder a essas seguintes dúvidas:

1- Como é determinado a qual tipo de posto(A,B,C ou D)um diplomata recém formado vai servir em sua primeira remoção no exterior? É possível ir para um posto A ou B, logo na primeira remoção?

2-É possível recusar todos os postos oferecidos, uma vez que o diplomata se inscreve para ser removido ou o diplomata é obrigado a escolher um dos postos que lhe foram oferecidos?

3-É possível servir em dois postos B ou C consecutivamente?

Grato desde já, Vinicius.

Paulo Roberto Almeida disse...

Vinicius,
Para o seu próprio bem, concentre-se nos estudos e nos exames. Depois você se preocupa com que postos desejar e com os que a Administração lhe oferecerá.
Se você quer fazer uma carreira ao seu modo, gosto e preferência, desista agora, pois uma grande burocracia como essa não pode satisfazer todos os desejos.
Paulo Roberto de Almeida

James Nepomuceno disse...

Boa noite, Sr. Paulo

Mais uma vez venho até o seu site para colher informações sobre o mundo da diplomacia. A vida continua, mas nunca consigo afastar meu sonho de ser diplomata.
Já tenho 36 anos e não me preocupo tanto com progressão, apenas o desejo de mudança constante assim como a possibilidade de fazer uma carreira internacional. Acredito que ingressar no Itamaraty com a idade avançada não seja empecilho para ser lotado em postos no exterior.
Já sou servidor público efetivo e o maior problema que eu tenho é a falta de tempo, associado a uma graduação sem tanta relação com o CACD (Análise de Sistemas).
Acho que vou diminuir mais ainda minhas horas de sono... para poder sonhar cada vez mais.

Abraços,
James

Laryssa disse...

Boa tarde Paulo!
Parabéns pelo blog, é realmente muito bom!

Bom, irei direto ao conselho que gostaria de lhe pedir, para posteriormente refletir. Percebo que é uma pessoa muito atarefada, então tentarei ser breve.

Desde já peço desculpas por meu português, embora eu esteja me formando em Letras, estudei na maior parte do curso somente francês. Por isso sou muito insegura ao escrever em minha língua nativa. (por mais estranho que isso pareça)

Tenho 23 anos, e estou no ultimo período do curso de Letras/Francês (UFMG).


Comecei a minha preparação a cerca de um mês, e tenho duas opções de "seguir com a minha vida":

1ª - Sou de uma família de classe média, (já conversei com minha família) e eu posso me dedicar 100% ao concurso (por no minimo dois anos), no entanto, ficarei limitada a fazer entre uma ou duas disciplinas em cursinhos especializados no CACD, pois são muito caros.

ou

2ª - Assim que me formar (julho), conseguir um emprego e com isso, me dedicar parcialmente ao concurso....mas poderei cursar maior numero de disciplinas e contraditoriamente estudar menos horas por dia...


Peço desculpas por minha duvida, mas apesar de parecer um pouco boba e talvez inocente, acredito ser algo que "perturbe" alguns candidatos que estão prestes se formar.

Quanto aos idiomas, assumo que realmente tenho facilidade. Meu francês é intermediário, o espanhol no momento me parece nulo...mas já cheguei a ter uma base muito boa, pois fiz a segunda etapa do vestibular da UFMG em espanhol. Acredito que quando começar a estudar, eu reaprenda com mais facilidade.
O problema se concentra no inglês, hoje ele está no nível básico. (estou cursando um curso de didática tradicional)Se o sr. puder, gostaria de alguma dica para acelerar o aprendizado no inglês.

Desde já agradeço!

Paulo Roberto Almeida disse...

Laryssa,
Confesso a você que eu não sou critério para nenhum tipo de estudo que não seja o autodidata, nada...
Nunca fiz cursos de línguas, nenhuma língua: simplesmente aprendi lendo livros e revistas em francês e inglês basicamente, com dicionário do lado, penando no começo, depois adquirindo um bom vocabulário para me libertar do dicionário. As leituras constantes me deram bom domínio das línguas, escrita e lida. Quanto ao oral, só morando no país é que fui aprender direito. Mas isso era antes da era da TV a cabo e da internet. Hoje você pode aprender línguas assistindo programas de TV, filmes, nessas línguas.
Eu diria que você deve, todos os dias, ler um artigo de um bom jornal ou revista (NYTimes, Economist, Le Monde) e depois fechar o artigo e procurar redigir o que puder, apenas com base no que você retiver do texto, de memória, mas basicamente dizendo a mesma coisa com outras palavras. Faça isso todos os dias, creio que é uma boa maneira de adquirir um inglês razoável.
Mas confesso que não sei, pois não tenho didática nenhuma, a não ser aprender por mim mesmo, qualquer coisa... (menos programar em computador).
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Bom dia Dr. Paulo Roberto. Tenho 23 anos e estou cursando Comércio Exterior. me formo no final do próximo ano-2014). Paralelamente a faculdade estudo inglês e espanhol, em níveis intermediário os dois. Pretendo fazer um cursinho preparatório para carreira diplomática antes de terminar a graduação. Gostaria de saber se o curso de comércio exterior tem ligações a carreira diplomática ou RI e Ciências Sociais seriam mais adequados. Meu planejamento é de conseguir entrar no maximo em 3 anos. O que o senhor acha sobre isso? Desde já, muito obrigada!
LAIANE
Rio de Janeiro

Paulo Roberto Almeida disse...

Laiane,
Continue no seu curso de Comércio Exterior, se é verdade que ele lhe dá um certificado aferido pelo MEC como de graduação plena, como exigido pelo MRE.
Ciências Sociais vai lhe deixar no desemprego ou oferecer carreira de professor do ensino médio. E os cursos de RI são todos muito ruinzinhos...
Estude por conta própria...
PRA

Wayrone Klaiton disse...

Acho que não tenho ainda esta ousadia de vida nômade e aventureira em me lançar ao mundo – embora viaje relativamente por conta das publicações e orientações. Não sei se sou autoditada, como você é, mas tenho um pouco desta característica. Descreveria como se fosse uma inquietação quase que infinita em aprender e progredir intectualmente, e isso não é para aumentar simplesmente a minha vaidade intelectual, mais porque isso dá um sentido a minha existência, dos valores e das ideias que acredito, sem essa busca de dar sentido as coisas que idealizo talvez a minha vida não teria sentido. Advenho de uma família de origem muito humilde do interior de Goiás e tive experiências muitas sofridas na minha terra, as quais já superei e tenho superado a cada dia. Meus pais me ajudam muito em apoio emocional, espiritual e pouquíssimo financeiro, contudo, o resto dos objetivos que tenho conseguido é comigo e Deus. Mas basicamente, sou um jovem de 22 anos, graduado e mestrando em geografia na área de planejamento regional e políticas públicas e bolsita pesquisador. Desde a iniciação cientifica tenho trabalhado com um arcabouço teórico e metodológico para entender questões geográficas, políticas e econômicas do Brasil. Sinto falta, de uma maneira geral, em dedicar as línguas e ao conhecimento do direito, das relações internacionais e da diplomacia, bem como melhorar muito o inglês e o Frances quanto à leitura e a fluência. Já em outras características percebi algumas semelhanças. Também não sou carreirista, tenho repensado bastante essa questão, não procuro obter um cargo de distinção, mas quero ajudar a nação brasileira neste novo tempo de mudanças econômicas e políticas, e ao mesmo tempo, conciliar viagens, conhecimento de novas culturas e o estudo de diferentes lugares com diferentes formas de ver o mundo. Neste ponto também sou “um estudioso, um observador da realidade, um “compilador” de informações e análises e um escritor improvisado” – não quanto você, mas estou caminhando para isso. Tenho vontade, de maneira em geral, em dedicar as artes-música, teatro, literatura, mas não sei se tenho talento o bastante, um pena, pois isso é uma coisa que me faz viver plenamente. Minha situação atual: não sou casado e estudo o dia inteiro. Quero compartilhar com você, que também sobre desse mal – “uma certa arrogância intelectual” pelas mesmas razões, e uma insistência, meio rebelde, em superar o argumento da autoridade e apresentar um olhar racional, cético e aprofundado da questão em si, dizem alguns rs. Mas também pela minha formação religiosa não abro mão da minha fé e nem possibilidade da existência da ação de fatores ligados a questões espirituais e subjetivamente intuitivas do ser humano. Você pareceu lúcido nas argumentações sobre si mesmo, o que demostra que você sabe quem é e o que quer da vida. Eu estou ainda definindo o meu caminho. Às vezes ser um diplomata, parece uma profissão tão distante e de outro lado, parece um alternativa para ajudar a educação no Brasil. Outro ponto é que nunca fiz a prova e essa profissão calhou como uma luva nas minhas expectativas do futuro. Um doutorado, em meses atrás, seria minha melhor alternativa. Mas cheguei à conclusão que ser um jovem professor pesquisador na universidade no Brasil (que dirá no ensino público) é uma profissão ingrata, a não ser pelos momentos com alguns alunos. No entanto, você perde finais de semana, momentos com a família, pegando ônibus e se mata estudando para ensiná-los, para que? Para não ser reconhecido pelo individuo e pelo Estado e no final do mês ter um salário mísero, que não dá pra nem ir em Machu Picchu... rsrs. Pelo acaso, comecei a pesquisar assiduamente essa profissão que não conhecia e ai cheguei a esta página e você expôs suas ideias de maneira tão esclarecedora e pessoal e aí interessei na profissão. Você acha que tenho o perfil?

Paulo Roberto Almeida disse...

Meu caro Wayrone Klaiton,
Você teria todo o perfil, até demais, só que isso não serve para nada se você não passar no concurso, e aí, não vale perfil nenhum, nem do mais brilhante intelectual, nem dos mais obtuso autista analfabeto: o que vale, simplesmente, é saber responder as questões da prova geral de entrada e depois as provas setoriais da segunda e terceira fase.
Aí também não tem perfil nenhum: ou você sabe, ou você não sabe, as simple as that.
Só uma recomendação: leia o edital e estude tudo, um dia você passa. Apenas isto.
Paulo Roberto de Almeida

Luis Gustavo disse...

Prezado Sr. Paulo R. Almeida,

Conheço seu comentário anterior, em que indica a idade de 32 ou 33 anos como potencial limite etário 'de fato' à ascensão padrão na carreira.

O comentário foi, no entanto, disponibilizado em nov.2009, de sorte que pode estar desatualizado.

Peço-lhe, assim, a gentileza de confirmar se essa referência se mantêm ainda hoje, ou se comporta algum tipo de atualização para este ou próximos anos.

Obs.: Quando falo em ascensão padrão, refiro-me àquela que não é nem "carreirista" de um lado, nem "desinteressada" de outro; Algo próximo ao adequado - e até mesmo exigido - amadurecimento profissional e humano do servidor.

Com os melhores cumprimentos,
Luis Gustavo

Paulo Roberto Almeida disse...

É óbvio que quanto mais cedo melhor, mas se voce quer saber se dá para enfrentar a carreira com mais de 35 anos, suponho que sim, apenas sabendo que os desafios são maiores pois você poderá ter chefes mais jovens. De toda forma a idade média tem sido elevada, de fato, e dentro em pouco teremos 3ros secretários com 50 anos.
Vale a experiência, por uns poucos anos.
Paulo Roberto de Almeida

Luis Gustavo disse...

Prezado Sr. Paulo,

Obrigado pela pronta e gentil resposta.
Conto hoje com 28 anos de idade, de modo que, se a referência se mantêm, o panorama não é dos piores.

Minha grande dúvida era se a idade continuava a baixar cada vez mais, impedindo o regular curso de promoção de um terceiro-secretário na casa dos 31/32 anos até digamos, ministro de segunda classe...

Muito obrigado,
Luis Gustavo

Anônimo disse...

Olá Dr Paulo Roberto de Almeida..

Gostaria de saber se o diplomata pode exercer outra função paralela a de diplomata? Um advogado formado em direito por exemplo, poderá advogar para terceiros em concomitância com o execício da diplomacia?

Paulo Roberto Almeida disse...

Concretamente NAO! Um diplomata pode ensinar, que é a única atividade permitida a um funcionário público de carreira e que pode ser cumulativa com suas funções, desde que não interfira nos horários de trabalho.
Definitivamente ele NAO pode advogar, já que isso representaria uma atividade de tipo comercial, ou mercantil, suscetível de gerar honorários, o que seria contraditório com o estatuto de funcionário público.
Advocacia só em favor dos entes queridos, no recesso do lar, entre quatro paredes, em silêncio, ou com pouco estardalhaço, informalmente e não remunerado. Fui claro?
Eu, por exemplo, também advogo: por uma boa educação, pela moralidade no trato da coisa pública, contra a corrupção, a desfaçatez, as patifarias que vejo cometidas, advogo em favor das boas causas intelectuais, em defesa da moral cidadã e dos bons costumes políticos. Ninguém me paga por isso, mas advoga assim mesmo.
Paulo Roberto de Almeida

meninacomsonhos disse...

Olha, vou ser bem sincera. Tenho 19 anos e durante toda minha vida, ate os dias de hoje, me sinto presa quando sou obrigada a permanecer em um lugar por muito tempo. Quando li seu blog, percebi o quando temos em comum, isso me atingiu em cheio. Quero a carreira de diplomacia para poder estudar, e vasculhar a grandeza desse mundo( sem contar o fato de que durante toda minha juventude as áreas de atuação política me atraiam). As pessoas vivem jogando em minha cabeça o que significa o tempo, e que não tenho muito. Como disse, tenho 19 anos, as vezes me sinto velha, como se tivesse que começar já. As vezes jovem, como se ainda tivesse que experimentar algo mais. Estava pensando em fazer faculdade fora. Sabe, sou extremamente medrosa, mas algo em mim me manda ir, sempre ir em frente, em busca dessas coisa desconhecida que não se encontra em um curso de engenharia. Tenho medo de voltar, ou de nunca mais voltar. Não que eu seja apegada as pessoas daqui, ou que sofra quando estiver fora, não , talvez. Mas, saber que você, ou o senhor, não sei como devo te chamar, fez isso me da coragem para tentar. Não formulei bem uma pergunta, ou varias, mas queria que alguém me falasse que estou no caminho certo, que devo sim seguir aquilo que tenho vontade, que não vou perder meu tempo ou minha vida em uma faculdade fora do pais.

Paulo Roberto Almeida disse...

Olha, menina com sonhos, vou ser bem sincero
Se você pretende ser diplomata, pare de ter tantas dúvidas, dê algum sentido ao seu sonho e se programe para ser o que você pretende ser. Quer ser diplomata?
Muito bem: consulte as informações do Instituto Rio Branco, veja o que você precisa aprender para passar no concurso depois de concluir um curso superior (qualquer um reconhecido pelo MEC, esse dinossauro bobalhão) e comece a estudar desde ONTEM por usa própria conta, pois se não o fizer, intensamente, não vai conseguir passar, já que as faculdades atualmente não ensinam muita coisa (estou sendo generoso).
Comece agora...
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

Saudações, senhor Paulo Roberto de Almeida. Tenho 16 anos e sou um aspirante à carreira diplomática (creio que como todos aqui). Desde que me lembro sou um leitor voraz (devoro de tudo, desde romances e contos a clássicos da filosofia e da historiografia), e acredito que isso pode servir de base para estudos mais aprofundados que envolvam os assuntos do concurso (nisso estou dando meus primeros e tímidos passos). Falo bem inglês e leio e escrevo razoavelmente bem em espanhol, tendo aprendido ambos como autodidata. Estou realizando meu primeiro contato com francês (lendo colado com o dicionário). Sou bastante indeciso quanto ao meu futuro (medicina, matemática e física são minhas outras opções), mas acredito que me decidirei até lá. Do contrário, o senhor acredita ser possível conciliar a diplomacia a outra carreira (mais especificamente acadêmica)? E quanto ao preparo para o concurso, o senhor acha prudente ou demasiado caprichoso iniciar minhas primeiras leituras agora?
Muito atenciosamente e com os meus melhores votos, Daniel Fernandes de Andrade.

Paulo Roberto Almeida disse...

Daniel,
Meus parabens pela sua trajetória de autodidata e de leitor voraz. Eu diria que com esse perfil, você já é diplomata, só não entrou ainda, mas esse é um detalhe que você vai resolver nos próximos anos, tirando um diploma superior, qualquer um, e fazendo o concurso para passar.
Louvo também sua disposição em fazer algo mais do que ser apenas diplomata, pois pode ser muito chato você se ocupar única e exclusivamente de uma burocracia que tem muito a ver com o Vaticano (hierarquia, disciplina, rituais, aquelas coisas chatas). Você deve sim, fazer outras coisas, seja como hobby, seja como profissão paralela.
Mas atenção: você não poderá ser médico e diplomata, físico (ou apenas teórico) e diplomata, ou qualquer outra profissão que envolva dedicação e uma estrutura própria. Vc só pode ser o que eu sou: professor. Ou então ser artista, da pluma, do pincel, da música, da literatura, coisas que vc pode fazer em qualquer hora e lugar, independentemente de ser assalariado ou a serviço de alguém ou instituição outra que não o Itamaraty.
No meu caso, eu consegui ser diplomata e professor contratado, pois a possibilidade está prevista na carreira.
Vc deve iniciar leituras desde ontem, sempre, lendo tudo o que precisa saber para o concurso desde agora mesmo...
Paulo Roberto de Almeida

Luccas N. Stangler. disse...

Prezado Paulo,

li seu texto com grande entusiasmo. Parabéns pela clareza! Suas idéias são muito bem expostas e extremamente pontuais.

Att.,
Luccas.

Anônimo disse...

Olá, primeiramente, parabéns pelo blog!
Gostaria de saber como é feita as promoções, se é por prova, se acontece com mais frequência por indicação ou por tempo de carreira mesmo.
Obrigada pela atenção!

b. disse...

DR. Paulo,

desculpe vir lhe incomodar, mas gostaria de seu insight. Tenho 25 anos (quase 26), já morei em 6 países diferentes, sou formada em Relacões Internacionais na PUC-Rio e fiz Mestrado em Política Internacional com foco em Direito internacional pela London School of Economics (LSE). Falo fluentemente inglês, francês e italiano e já estudei espanhol, embora não goste. Vi no meu mestrado que não quero ser acadêmica e vi minhas chances de conseguir um emprego em alguma organizacão internacional minimizados pelo fato de não possuir cidadania européia (consegui um Estágio não remunerado na UNESCO em Paris, mas com poucas chances de efetivação e declinei a oferta). Sempre fiz simulações da ONU (MUN's) quando era adolescente e foram elas que me motivaram a ingressar no curso de Relações Internacionais. Dessa forma, ao voltar ao Brasil no fim de 2013 decidi aceitar que a carreira me escolheu e me inscrevi num cursinho preparatório. Acredito ter lido ou dominar grande parte das disciplinas cobradas, embora reconheça que Economia e Geografia não são meus pontos fortes. Apesar de tudo, vendo o ambiente hostil no cursinho sei que estou o tempo inteiro lutando contra a pressão e tentando não me contaminar pelos "mitos e boatos" que circulam: "tem que ler 150 livros", "impossível passar de primeira", "tem que dar fim à sua vida social, cancelar redes sociais, terminar namoro". O que eu faço? Ignoro tudo isso ou sigo meus instintos e tento conciliar as coisas? Sei que é uma pergunta boba, mas fico muito incomoda ao ver pessoas estudando 10,12 horas por dia... porque eu simplesmente não consigo isso. Traço metas de "hoje tenho X páginas para ler", depois de alcançadas - com certa facilidade (ao menos por enquanto, não tenho dúvidas quanto ao leio nem problemas de compreensão), me permito sim ver um programa ou outro, falar com meu namorado por skype (ele é frances e mora em paris).... devo abrir mão disso ? Minha segunda pergunta é sobre o "mestrado no IRBR", sei que o curso é obrigatório, mas o mestrado também é? Pergunto pois como disse a princípio, já tenho um mestrado numa das melhores escolas do mundo e não tenho pretensão alguma de continuar na linha acadêmica. Minha terceira e última pergunta é mais específica: meu namorado é engenheiro de petróleo, se e quando eu entrar no itamarary poderei traçar uma carreira no exterior escolhendo países nos quais a firma dele tem sede e são países "petroleiros"? Enfim, perdão pelas longas linhas neste misto de consultoria e desabafo. Grande abraço.

Paulo Roberto Almeida disse...

B,
NAO EXISTE MAIS MESTRADO no Instituto Rio Branco. Reverteu ao curso de formação normal que havia antes de 2001, quando foi tomada a decisão (a meu ver formalmente correta, mas apenas formalmente) de converter o Rio Branco numa pós.
O problema é que nunca se tratou de transformá-lo numa pós de verdade, não de tipo acadêmico, mas de tipo profissionalizante, e tudo continuou como antes, aquelas aulinhas chatas que só repetem o que os candidatos já estudaram para entrar, com um ou outro acréscimo típico da carreira.
Ou seja, houve um excesso de otimismo da Capes quanto ao Rio Branco se transformar em pós (e eles julgam tudo pelos seus critérios puramente acadêmicos, o que não se ajusta ao Itamaraty), e houve um excesso de passividade do Itamaraty em tratar o Rio Branco como uma escola superior, e ele continuou aquela coisinha chata de costume.
Equívocos de parte e outra.
Confesso que não sei o que seria melhor, só examinando com cuidado as conexões entre formação e carreira, mas eu teria matérias totalmente adaptadas ao que se faz na carreira, não esses cursos ex-catedra com professores "normais" (alguns anormais também).
Quanto a escolha de postos, bem, seria o caso de perguntar no Vaticano se os padrecos podem escolher os países e paróquias onde vão servir: alguém se habilitaria a ir para o interior do Congo, ou da Somália?
Paulo Roberto de Almeida

Anônimo disse...

"muitas leituras" e "arrogância intelectual" com esse português chinfrim? O Sr. precisa urgentemente estudar o uso da expressão "posto que" tem sentido concessivo e não explicativo. Isso é bem básico e ensinado no ensino fundamental.

Paulo Roberto Almeida disse...

Depois de sete anos no exterior (no auge da ditadura), só estudando, lendo e escrevendo em outras línguas, certas deformações linguísticas se tornam inevitáveis.
Sorte dos que, tendo se criado e estudado no Brasil, preservaram a pureza de uma língua impoluta, uma reflexão sempre oportuna, e comentários refinados como os de certos leitores anônimos, que estão sempre vigiando este blogueiro para acusá-lo de um desvio qualquer de linguagem, o que já tinha sido percebido desde algum tempo. À diferença de certos anônimos, porém, este escriba não teme a crítica, nem o ato de se expor a tão doutos corretores (ainda que modestos colaboradores com a parte substantiva dos argumentos).
Paulo Roberto de Almeida