Primeiro, permito-me transcrever a breve apresentação de um livro recentemente publicado, que pode ter sido feita pelo próprio autor, como soe acontecer:
QUESTÃO DE CLASSES: Direito, Estado e capitalismo em Menger, Stutchka e Pachukanis
Adriano de Assis Ferreira
(São Paulo: Editora Alfa-Omega, 2009)
O início do século marca o desaparecimento de ilusões teóricas e de ideologias, revelando a irracionalidade nua e crua de um capitalismo em vias do colapso. Já não é mais necessário o recurso a discursos ideológicos como o direito e o Estado para se produzir e fazer circular as mercadorias e os capitais. Todos sabem que a sociedade contemporânea é profundamente desigual, que o trabalhador é explorado, que a riqueza é mal distribuída, que a publicidade engana. Mas tudo continua num mesmo curso econômico, sem perspectivas de transformação.
Agora comento:
Se "tudo continua num mesmo curso econômico, sem perspectivas de transformação", por que, então, o autor escreveu e publicou esse livro Ele já não está condenando ab initio seu esforço analítico?
Por outro lado, essa afirmação de que o início do século " marca o desaparecimento de ilusões teóricas e de ideologias", só pode ser coisa de gente jovem demais. Já em 1955, o sociólogo Daniel Bell proclamava o "fim das ideologias".
Ainda: essa coisa de "irracionalidade nua e crua de um capitalismo em vias do colapso" só pode ser argumento de quem não conhece o capitalismo, que ainda vai trazer bons lucros a esse autor, se por acaso o seu livro for bem sucedido (Deve ser: as academias vivem desse tipo de afirmação gratuita, que encanta gregos e goianos anti-capitalistas).
Quanto a isso: "Já não é mais necessário o recurso a discursos ideológicos como o direito e o Estado para se produzir e fazer circular as mercadorias e os capitais."
Sinceramente não entendi: as mercadorias e os capitais nunca precisaram de muito discurso para circular. Esse rapaz precisa urgentemente fazer um crash-course de economia capitalista.
Finalmente, se:
"Todos sabem que a sociedade contemporânea é profundamente desigual, que o trabalhador é explorado, que a riqueza é mal distribuída, que a publicidade engana."
Precisaria escrever um livro para nos dizer isso?
Ou estou muito enganado, ou já não se fazem mais acadêmicos como antigamente...
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Postagem em destaque
Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida
Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...
-
Carreira Diplomática: respondendo a um questionário Paulo Roberto de Almeida ( www.pralmeida.org ) Respostas a questões colocadas por gradua...
-
Ficha catalográfica de um livro saindo agora do "forno": Intelectuais na diplomacia brasileira : a cultura a serviço da nação /...
-
Stephen Kotkin is a legendary historian, currently at Hoover, previously at Princeton. Best known for his Stalin biographies, his other wor...
-
Brasil: cronologia sumária do multilateralismo econômico, 1856-2006 Paulo Roberto de Almeida In: Ricardo Seitenfus e Deisy Ventura, Direito ...
-
*TRUMP E O SEQUESTRO DE UM CHEFE DE ESTADO : MÚLTIPLAS AGRESSÕES À ORDEM JURÍDICA INTERNACIONAL* Por Celso de Mello , ministro aposentado d...
-
A prioridade errada nas reportagens sobre a Venezuela A mídia, brasileira e internacional, não está usando os dois neurônios que c...
-
Crítica do coronel-general Leonid Grigoryevich Ivashov à guerra de agressão de Putin contra a Ucrânia Um corajoso dissidente do tirano de M...
-
Trump apresenta lista de exigências para o novo governo da Venezuela Fim de apoio para adversários dos EUA, expulsão de cubanos e pleno ace...
-
Um trabalho mais do que atual: 5104. “ Rupturas nas relações internacionais no contexto do triunvirato imperial ”, Brasília, 2 novembro 20...
4 comentários:
antes de começar qualquer interlocução a respeito da obra citada gostaria de saber se você leu o livro?
17 de Setembro (acho que seus pais nao pensaram muito ao lhe dar esse nome, ou estou enganado?),
Eu não disse que iria comentar o livro, pois não o tenho. Comentei a apresentação, que recebi.
Se voce quiser me oferecer o livro, terei prazer em comentar.
Eu sempre leio os livros que comento. Se quiser lhe mando uma lista de todas as minhas resenhas. Alias, acho que estao no meu site (ainda que defasadas)...
Paulo Roberto de Almeida
www.pralmeida.org
críticas infundadas a sua, já que você nem se quer leu o livro! Analisar o assunto genericamente sempre é fácil, tornaria a maioria dos livros inuteis de leitura e entendimento. Você ifluencia pessoas que não leram ao falar dessa maneira, devia pensar melhor antes de postar críticas sem argumentos na internet!
Camila,
Antes de comprar um livro, ou de lê-lo, você sempre lê uma apresentação. Na apresentação, o autor, ou alguém por ele, diz exatamente o que contém o livro.
Eu li a apresentação e fiquei sabendo pelo seu autor que nada adianta fazer, pois não existem "perspectivas de transformação".
Ora, se o autor é assim imobilista, eu me pergunto para que serve o seu livro, pois ele não me disse qual o seu argumento principal.
Disso pode-se concluir duas coisas, alternativas: ou o livro é inepto, ou sua apresentação é inepta. Você escolhe com qual pretende ficar.
Eu escolho os livros que vou ler com base numa apresentação sumária.
Pela desse livro, eu concluo que nada tenho a aprender, pois não existem perspectivas.
Ficamos assim?
Paulo Roberto de Almeida
Postar um comentário