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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro - obra da Funag, em 2 volumes, disponivel online

Finalmente publicada, e já disponível online, a obra de referência Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro, Sérgio Eduardo Moreira Lima; Paulo Roberto de Almeida; Rogério de Souza Farias (organizadores); Brasília: Funag, 2017; disponível na Biblioteca Digital da Funag: volume 1, 568 p.; ISBN: 978-85-7631-696-1; link: http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=913; volume 2, 356 p.; ISBN: 978-85-7631-697-8; link: http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=914.

Cabe, neste momento, uma palavra de agradecimento aos principais colaboradores na feitura desta importante obra de referência sobre um dos nossos mais importantes chanceleres, um diplomata e grande homem público, mas especialmente a:

Pedro Corrêa do Lago, autor do livro Oswaldo Aranha: uma Fotobiografia (Rio de Janeiro: Capivara, 2017), quem primeiro lançou a ideia de que seu livro pudesse ser lançado no Itamaraty, agora feito;
Luiz Aranha Corrêa do Lago, quem nos forneceu dezenas de arquivos com textos (discursos, palestras, entrevistas, pronunciamentos diversos) de Oswaldo Aranha, a partir dos quais foram revistos, scannerizados, complementados com informações editoriais, para chegar às dezenas de registros constantes dos dois volumes; foi ele quem nos passou toda a matéria prima de base que constituiu a documentação histórica, em grande parte inédita, permitindo a construção desta obra que constitui, provavelmente, uma contribuição importante para nossa historiografia da mal chamada "era Vargas”, pois creio que não havia nenhuma obra consolidada reunindo os mais importantes textos de OA, com ênfase nas suas atividades internacionais;
Rubens Ricupero, embaixador, ex-ministro da Fazenda, ex-secretário-geral da Unctad, autor do magnífico livro de história diplomática e de história do Brasil, A diplomacia na construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017) quem prontamente atendeu meu convite para fazer uma apresentação do personagem e de sua importância na história, não só de nossa diplomacia, mas na própria história do Brasil;
Rubens Antonio Barbosa, ex-embaixador em Washington, casado com uma das netas de OA, a embaixatriz Maria Ignez Corrêa da Costa Barbosa, que apoiou esta nossa iniciativa de se ter, finalmente, uma coletânea dos escritos e falas mais importantes do grande estadista brasileiro;
Rogério de Souza Farias, historiador, gestor público, autor de dois livros importantes -- A Palavra do Brasil no Sistema Multilateral de Comércio e Edmundo P. Barbosa da Silva e a Construção da Diplomacia Econômica no Brasil, ambos disponíveis na Biblioteca Digital da Funag -- atualmente trabalhando no IPRI, e que se tornou o nosso “historiador oficial” (ou oficioso), que foi quem “lapidou” o material bruto enviado pelo Luiz Aranha, deixando-o em perfeito estado para ser incorporado nesta coletânea, e quem revisou, pacientemente, cada página dos volumes compostos nas fases preliminares, podendo ser apontado, legitimamente, como verdadeiro, editor, organizador e autor principal desta obra de referência;
Stanley Hilton, brasilianista, historiador, autor da biografia Oswaldo Aranha: uma biografia (Rio de Janeiro: Objetiva, 1994), e de muitos outros livros de história diplomática e política do Brasil, autor, nesta obra, de um ensaio introdutório sobre a "estratégia" de OA;
Carlos Leopoldo Oliveira, diplomata, quem colaborou com um ensaio sobre as relações entre Oswaldo Aranha e Franklin Roosevelt, um texto extremamente interessante, que revela que OA foi o embaixador que mais esteve com o presidente americano (dez vezes) entre 1934 e 1937 (e depois ainda, como chanceler), ultrapassando qualquer outro embaixador, mesmo o de grandes potências;
Fabio Koifman, historiador, autor de magnífica obra sobre o embaixador Luiz de Souza Dantas, Quixote nas Trevas: o embaixador Souza Dantas e os refugiados do nazismo (Rio de Janeiro: Record, 2002), quem também colaborou com um ensaio sobre OA e os judeus, desmantelando definitivamente alegações equivocadas sobre um suposto antissemitismo do grande chanceler;
Os trabalhos destes três colaboradores voluntários (isto é, a meu convite), sob a forma de ensaios introdutórios e explicativos,  recolocam OA na “linha do tempo” da política brasileira e internacional do Brasil, complementando com maestria em diversos pontos — sua estratégia, suas relações com Roosevelt e sua postura em relação ao problema judeu — a coletânea de textos de OA, assim como a própria Fotobiografia do Pedro Corrêa do Lago;
Rafael de Souza Pavão, Marcia Ferreira e todos os demais funcionários e colaboradores do IPRI, cujo trabalho diligente permitiu a composição desta obra “de peso” (et pour cause, mais de 900 páginas e mais de 2 quilos) em tempo recorde.

 Os dois livros, o do Pedro Correa do Lago e os dois volumes da obra editada pela Funag, estão sendo lançados nesta sexta-feira, 20 de outubro de 2017, em dois eventos: uma cerimônia no Palácio Itamaraty, sala Portinari (o pintor autor do retrato de OA em 1942, que ilustra a nossa capa, por especial obséquio de Oswaldo Sergio Corrêa da Costa), com a presença dos familiares do OA,

e, mais tarde, em formato mais informal, na Casa Thomas Jefferson da Asa Sul.

Sobre a obra: 
Eu pessoalmente considero ser esta obra, em seus dois volumes, uma espécie de “Companion”, ainda que limitado e parcial, à fabulosa Fotobiografia do Pedro Corrêa do Lago, com a colaboração do seu irmão Luiz Aranha, pois ela traz por inteiro textos do próprio OA que estão parcialmente referidos e lateralmente citados na bem mais completa, maravilhosamente ilustrada obra do Pedro, certamente inédita no seu gênero no mercado editorial brasileiro, uma vez que não tenho memória de alguma outra produção tão completa em sua iconografia e textos de um dos mais importantes personagens da política brasileira do século XX, acima de tudo o grande estadista e internacionalista que soube preservar os interesses nacionais em momentos cruciais, e mesmo decisivos, de nossa história.
A Fotobiografia é, obviamente, mais completa em sua abrangência temática e cronológica, mas os dois volumes da Funag podem ser considerados obras de referência doravante obrigatória para os trabalhos históricos que poderão ser feitos a partir de agora conectados para estudos relativos ao estadista gaúcho, isso graças ao trabalho do Rogério Farias com a identificação precisa das fontes e locus de cada um dos textos selecionados de OA. 
Meu próprio trabalho, em colaboração estreita com o Rogério Farias, consistiu em definir a estrutura geral da obra, a divisão dos documentos nas cinco partes finalmente estabelecidas e em estabelecer uma frutífera divisão do trabalho nas introduções setoriais, de maneira a dar o contexto histórico dos escritos e falas do OA, convertidos em textos agrupados segundo um ordenamento cronológico e temático (para as partes econômica e política, por exemplo, no seguimento do material voltado para a diplomacia). Creio, não sem uma ponta de orgulho, que condivido com o Rogério a responsabilidade de montar, aperfeiçoar e concluir de forma exitosa essa obra importante, não apenas do ponto de vista documental e referencial, mas também como uma modesta homenagem ao grande estadista que foi Oswaldo Aranha, já devidamente “premiado” pela obra magnífica que é a Fotobiografia
Minha opinião pessoal, de historiador improvisado, é a de que a comunidade acadêmica tem o dever de continuar reconstruindo e consolidando a imagem dessa figura ímpar no cenário brasileiro, que foi OA, dando o necessário realce à sua obra política e intelectual, no quadro da política e da diplomacia brasileira, durante mais de quatro décadas do século XX. Ele já estava quase “esquecido" nas obras didáticas de história normalmente referenciadas na vulgata prevalecente relativa ao itinerário político do Brasil nesse século, o que constitui certamente uma injustiça para com o líder político que sempre esteve do lado das causas justas e corretas, na contracorrente de certas ideias nefastas temporariamente predominantes. 
Uma “petite histoire” que merecia certamente ser melhor explorada seria a atitude de OA em relação ao golpe do Estado Novo, que suscitou seu afastamento irrecorrível da embaixada em Washington. Uma outra “exploração”, já no domínio da “história virtual”, seria imaginar como seria o Brasil se por acaso OA tivesse ascendido a presidência em alguma oportunidade histórica e política: provavelmente muito diferente do que foi, sob o maquiavelismo varguista e as divisões dramáticas que este suscitou na história subsequente, talvez até hoje.
Enfim, creio que pode-se saudar como auspicioso esse duplo lançamento de duas obras relevantes sobre um estadista mais do que relevante, que espero possam merecer a devida atenção não só dos diplomatas, mas também dos estudiosos brasileiros e estrangeiros da história política do Brasil no século XX. 

Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro
Sérgio Eduardo Moreira Lima, Paulo Roberto de Almeida e Rogério de Souza Farias
(organizadores)
Brasília: Funag, 2017, 2 volumes:
1o. volume; 568 p.; ISBN: 978-85-7631-696-1; link:
http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=913
2o. volume; 356 p.; ISBN: 978-85-7631-697-8; link:
http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=914

SUMÁRIO

Prefácio. Oswaldo Aranha: diplomata e estadista
        Sérgio E. Moreira Lima
Cronologia
Oswaldo Aranha: the evolution of his strategic vision
    Stanley Hilton

PARTE I: Diplomacia hemisférica (1934-1939)
Introdução geral

Rogério de Souza Farias
O homem da virtù. Oswaldo Aranha em Washington (1934-1937)
    Carlos Leopoldo G. de Oliveira
Textos de Oswaldo Aranha
Entre a Europa e a América (1934)
A chegada nos Estados Unidos (1934)
Um elogio à civilização americana (1936)
Limite, fronteira e paz (1937)
Retorno da Embaixada em Washington (1937)
Posse no Ministério das Relações Exteriores (1938)
Paz para a América: assinatura da paz do Chaco (1938)
A vulnerabilidade das Américas (1939)
Pan-americanismo (1939)
Retorno da Missão aos Estados Unidos (1939)
Avaliação da Missão Aranha (1939)
Reassumindo  Itamaraty (1939)

PARTE II: O chanceler no conflito global (1939-1945)
Introdução

    Paulo Roberto de Almeida
Oswaldo Aranha e os refugiados judeus
    Fábio Koifman
Textos de Oswaldo Aranha
Fronteiras e limites: a política do Brasil (1939)
A preparação para a guerra (1939)
Conferência sobre a história diplomática brasileira (1940)
Reunião de consulta dos chanceleres americanos (1942)
O papel do Itamaraty na política do Brasil (1942)
O torpedeamento de navios brasileiros (1942)
O Brasil e a comunidade britânica (1942)
A carta a Vargas: planejando o pós-guerra (1943)
A América no cenário internacional (1943)
Um ano da entrada do Brasil na guerra (1943)
A Sociedade dos Amigos da América (1945)
Comício das quatro liberdades (1945)
Liga da Defesa Nacional (1945)

PARTE III - Multilateralismo e pós-guerra (1947-1958)
Introdução

    Rogério de Souza Farias
Textos de Oswaldo Aranha
A conception of world order (1947)
Homenagem nas Nações Unidas (1947)
A profile of Brazil (1947)
Sessão Especial da ONU: Partilha da Palestina (1947)
Abertura da II Assembleia Geral da ONU (1947)
A new order through the United Nations (1947)
A crise da consciência universal (1948)
Regional systems and the future of UN (1948)
A ONU e a nova ordem mundial (1948)
Entre a paz e a guerra (1949)
Formatura no Instituto Rio Branco (1950)
O Brasil e o pós-guerra (1950)
Estados Unidos e Brasil na Guerra Fria (1953)
A última missão na ONU (1957)
Um balanço da Assembleia Geral da ONU (1957)
Dez anos nas Nações Unidas (1957)
Reatamento das relações com a União Soviética (1958)
Discurso na ESG: o bloco soviético (1958)

Parte IV - O estadista econômico
Introdução

    Paulo Roberto de Almeida
Textos Oswaldo Aranha
Renegociação da dívida externa (1934)
Nacionalismo econômico na Constituinte (1934)
Comparando as economias do Brasil e dos Estados Unidos (1936)
Soluções nacionais para os problemas de cada país (1937)
Tratado de integração econômica Brasil-Argentina (1941)
The rise of interdependence (1947)
De volta ao Ministério da Fazenda (1953)
A situação financeira e econômica do país (1953)
O parlamento e as finanças (1953)
Os fundamentos do Plano Aranha (1953)
O problema da dívida brasileira (1954)
O café e o Brasil (1954)

Parte V - O estadista político
Introdução

    Paulo Roberto de Almeida
Textos Oswaldo Aranha
A Revolução (1930)
Despedida do Ministério da Justiça (1931)
Roosevelt: o único estadista mundial (1945)
A relevância de Rui Barbosa (1945)
Democracia, Estado Novo e relações internacionais (1945)
Os governos e o povo (1947)
Discurso no túmulo de Vargas (1954)
Compreendendo o suicídio de Vargas (1954)
A despedida do estadista (1959)

Frases de Oswaldo Aranha
Referências bibliográficas
Sobre os autores


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Integracao Regional: uma introducao - livro de Paulo Roberto de Almeida (2013)

Não me lembro de ter lido esta resenha, publicada pouco depois do lançamento deste meu livro.
Aprovo.
Paulo Roberto de Almeida

Resenha do livro: “Integração Regional: uma introdução.”, de Paulo Roberto de Almeida, por Cairo Junqueira

 

Um dos temas mais amplos e, talvez, mais recentes na área de Relações Internacionais seja a integração regional. Os processos de criação de instituições e a formação de blocos regionais, embora datados de longa data, podem ser considerados como traços característicos da Política Internacional Contemporânea. Do mesmo modo, tal atualidade torna-se visível no ambiente acadêmico, haja vista que a integração regional é base disciplinar de diversos cursos, abrangendo até mesmo a Economia, o Direito, a Ciência Política e a Sociologia.
Como maneira de consolidar e resumir a importância desses estudos, a recente lançada “Coleção Temas Essenciais em Relações Internacionais”, organizada pelos professores doutores Antônio Carlos Lessa e Henrique Altemani de Oliveira, além de tratar de questões envolvendo estudos introdutórios e teóricos das Relações Internacionais, dedica o terceiro volume em sua totalidade à integração regional. O desafio, bem como a responsabilidade, de escrever essa obra ficou a cargo de Paulo Roberto de Almeida, diplomata de carreira, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas, professor de Economia Política do Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e exímio pesquisador sobre relações econômicas internacionais e política externa brasileira.
Em “Integração Regional: uma introdução”, Almeida sintetiza um extenso rol de estudos teóricos, sobretudo a respeito do Mercado Comum do Sul (Mercosul), da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e das negociações multilaterais presentes no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), com sua vivência prática de negociações internacionais e do funcionamento interno dos processos de integração regional.
Ao todo, a obra é dividida em sete capítulos, além do prefácio, da conclusão e de dois complementos, sejam eles uma breve cronologia da integração no contexto internacional e um glossário com os principais termos utilizados ao longo do livro com o intuito de dirimir possíveis dúvidas do leitor. Vale ressaltar que, ao final de cada seção e do livro, Almeida disponibiliza uma série de “questões para discussão” e algumas indicações bibliográficas, respectivamente, para facilitar o aprendizado em sala de aula. Afinal, conforme apontado pelo próprio autor, trata-se da sistematização introdutória sobre termos, conceitos e blocos regionais.
No primeiro capítulo intitulado “Introdução: Regionalismo, um fenômeno complexo da Economia Mundial”, o autor dá início à temática predominante no livro: muito mais do que dissertar sobre integração regional, Almeida foca-se nos processos de integração econômica regional e, porque não dizer, internacional. Aqui, além de enumerar e apresentar os acordos regionais de integração (regionalismo) tendo como base dados do Banco Mundial, o autor abre caminho para expor seu objetivo principal, ou seja, “[…] explicar como surgiram, como funcionam e quais são os tipos atuais de acordos regionais, qual seu papel no quadro do sistema multilateral de comércio e quais seus impactos, atuais e futuros, na economia mundial” (p. 10).
De tal sorte, em “O conceito de regionalismo e os processos de integração” discorre-se a respeito do histórico de integração regional exemplificados pela Liga Hanseática (séculos XIII ao XVIII) e pelo Zollverein (1834). Posteriormente, fala-se sobre o novo regionalismo e o papel apresentado pelo mercado nesse processo marcado pelo acordo geral de comércio do GATT/OMC desde 1947, em Genebra, até os dias atuais com o impasse da Rodada Doha, acompanhada por 155 países na cidade supracitada.
Continuando com o raciocínio, Almeida nomeia o capítulo três com duas perguntas: “Por que acordos regionais? Para que integração econômica?”. Aqui são conceitualizados termos como integração e integração econômica. Além disso, apresentam-se os efeitos negativos e os benefícios de tais processos, com destaque para eficiência na produção, aumento de barganha no plano internacional, coordenação de políticas fiscais e monetárias e pleno emprego. Por fim, aglutina-se um fenômeno mais amplo e mundial, a globalização, a qual é caracterizada pela intensificação de vínculos comerciais e pelos níveis crescentes de fluxos de capitais entre empresas, como fator de propulsão ao dinamismo integracionista.
Na quarta seção, “Como são os acordos regionais? Que tipos de integração econômica existem?”, são apresentadas breves distinções entre os tipos de cooperação intergovernamental e supranacional, sendo a primeira caracterizada pela ausência de renúncia das soberanias estatais em prol do avanço integracionista, a qual é bastante característica do Mercosul. Logo após, Almeida cita, distingue e caracteriza os principais tipos de integração econômica, sejam eles: Área de Preferência Tarifária (APT), Zona de Livre-Comércio (ZLC), União Aduaneira (UA), Mercado Comum (MC) e União Econômica e Monetária (UEM). Ressalta-se, ainda, o apontamento do autor sobre a UEM, dizendo que não existe nenhum exemplo histórico para tal tipologia, até porque a União Europeia (UE) não tem total adesão ao Euro por parte dos Estados-membros.
Em “Por que não integrar: razões antigas e modernas, boas e más”, Almeida discorre sobre dois temas principais: os efeitos adversos da integração aliados às explicações das teorias econômicas nas políticas de comércio internacional e a integração regional na América Latina. Passando por Alexander Hamilton até Raul Prebisch, Bertil Ohlin e Paul Krugman, o autor evidencia seu conhecimento e preocupação com a Economia Internacional. Acerca da América Latina, traça o histórico de integração desde a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) até os desdobramentos do Mercosul, afirmando que neste último bloco ainda há “[…] aplicação de salvaguardas de maneira arbitrária ou mesmo ilegal” (p. 63), fato que fomenta as dificuldades intrínsecas ao seu esquema de integração.
Ademais, no sexto capítulo nomeado “Como se processa a integração no plano internacional?”, colocam-se em contraponto os acordos regionais com a teoria do comércio internacional. Indaga-se até que ponto a formação de blocos econômicos regionais vai ao encontro da tão evidenciada liberalização econômica mundial. Além de fazer um breve apanhado histórico da integração europeia desde os tempos da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), Almeida pontua sobre o “regionalismo aberto” caracterizado por compreender inúmeros países, abranger porção significativa dos trâmites de capitais internacionais e estar sob o guarda-chuva das regras da OMC. Vale destacar, finalmente, o apontamento do autor sobre os novos rumos da integração regional: antes dita como essencialmente comercial, vem adquirindo uma nuance cada vez mais política.
No sétimo capítulo, “O futuro do regionalismo comercial: mais do mesmo?”, reflete-se sobre o que se deve esperar dessas novas configurações regionais nos próximos anos. Novamente, Almeida mostra sua preocupação com o multilateralismo econômico vigente e construído nas últimas décadas, enfatizando, com conhecimento de causa, que há uma crise no sistema de comércio internacional. Atores importantes, dentre eles os Estados Unidos, e grande parcela dos países não respeitam as regras por eles mesmos criadas no âmbito da OMC. E complementa afirmando: “É certamente um paradoxo, e provavelmente uma ironia da história, que o país que mais lutou por uma ordem econômica multilateral, os Estados Unidos, esteja, hoje, na origem dos mais sérios ataque a essa ordem […]” (p. 90).
Mesmo assim, Almeida passa uma visão otimista ao final da obra. Além da inovação institucional e da possibilidade de avançar no diálogo para solucionar barganhas econômicas, a integração regional e sua liberalização interna mobilizam fatores de produção e diminuem custos entre as partes envolvidas. Todavia, ao mesmo tempo em que o processo de formação de blocos regionais é benéfico para a consolidação de acordos preferenciais, ele freia as forças da globalização com um modus operandi particularista e protecionista.
Na “Conclusão: do zero ao infinito?”, o autor trata da atualidade da possível assinatura de um acordo de livre-comércio entre dois gigantes, a UE e os Estados Unidos. Mas, por que, afinal, tomar esse exemplo para concluir e resumir o livro? Porque ele retoma os ensinamentos passados ao longo da obra e ainda serve como guia para estudos futuros. De mais importante, cita-se o fato dessa possível aliança, se concretizada, ser a maior zona de livre-comércio recíproca do mundo, trazendo uma possível solução para os impasses da Rodada Doha em aberto desde 2001. Protecionismo comercial, desvalorização de capitais, controles econômicos, aumento do desemprego, dentre outros, continuarão a ser temas centrais da integração regional e do bem-estar de milhões de pessoas.
Como apontado pelo próprio autor, “Integração Regional: uma introdução”, é uma tentativa de refletir sobre méritos econômicos e virtudes políticas sob o manto em que se organizam as sociedades contemporâneas. É uma obra imprescindível para graduandos que querem compreender um pouco do debate desde integração econômica até integração regional, protecionismo até liberalização comercial, regionalismo mercosulino até integração europeia. Por trazer questões ao debate, indicar e comentar bibliografias, além de esboçar um glossário, o livro pode servir como manual para disciplinas e estudantes de Relações Internacionais e, principalmente, Economia Política Internacional. Mesclando conhecimento empírico e teórico, o diplomata e professor Almeida soube colocar em poucas páginas um vasto histórico da integração regional tanto como processo de formação de blocos por parte de Estados quanto como tema acadêmico a ser abordado nas salas de aula. Em comunhão com os outros dois volumes da “Coleção Temas Essenciais em Relações Internacionais”, cumpre dizer que são de extrema importância para a construção das Relações Internacionais aqui no Brasil.
Referência
ALMEIDA, Paulo Roberto de (2013). Integração Regional: uma introdução. São Paulo: Saraiva, 192 p. (Coleção Temas Essenciais em R.I.). ISBN 978-85-02-19963-7
Cairo Gabriel Borges Junqueira é Mestrando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília – UnB e Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES (cairojunqueira@gmail.com).

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Livros em sebos; precos disparatados: O Estudo das RI do Brasil (PRAlmeida)

Por acaso recebi um link para sebos, onde figura um antigo livro meu, aliás em duas edições, uma de 2006, outra de 1999, sendo que neste caso, os preços são absurdamente caros, mais do que o dobro do cobrado pela edição mais recente:

Capa ilustrativa

O Estudo das Relações Internacionais do Brasil

Paulo Roberto de Almeida

Este livro trata justamente dessa proliferação de iniciativas didáticas, dessa explosão do ensino e da pesquisa nesse campo relativamente novo de concentração universitária, tal como refletidas no incremento da literatura especializada e, também, namultiplicação de grupos de pesquisa e de instituições voltadas para a interface externa do Ler mais

O Estudo das Relações Internacionais do Brasil

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O Estudo das Relações Internacionais do Brasil

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Ano:   Editora: Unimarco
Tipo: seminovo/usado
Otto Livros SP - São Paulo
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O Estudo das Relações Internacionais do Brasil

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Ano:   Editora: Unimarco
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