Do site No Minimo: por Sérgio Rodrigues
Embaixadinha (26.06.2006)
O amigo botafoguense se empolga com a nota sobre o “Olé” e pergunta, talvez esperando que eu encontre mais uma vez em João Saldanha a explicação para o mistério: e a embaixadinha, de onde vem? Talvez saiba que o chute é indefensável e o gol, certo. Nunca se chegou a um acordo sobre a origem dessa acepção futebolística de “embaixada”, provavelmente mais usada no diminutivo, “embaixadinha” – aquele exercício de foca em que se controla a bola com pés, coxas, cabeça e até ombros, sem permitir que ela toque no chão.
Em seu livro “A origem curiosa das palavras” (José Olympio), Márcio Bueno não toma partido de nenhuma das duas teses que dividem os estudiosos do futebol. Limita-se a registrá-las e deixar que o leitor escolha. Uma é rebuscada e luxuosa: a palavra viria do fato de a embaixadinha ser considerada uma jogada de gala, digna de black tie e outros salamaleques exigidos em recepções diplomáticas – hipérbole típica de locutor esportivo. A segunda tese é simples e prosaica: sem qualquer relação com a diplomacia, “embaixada” viria apenas do advérbio “embaixo”, que é onde se precisa tocar na bola para mantê-la no ar.
Embaixo + ada, sufixo de coletivo. Muitas vezes embaixo, um festival de toques embaixo da bola. Não soa bem? Provavelmente nunca saberemos ao certo, mas que a simplicidade dessa explicação lhe dá um jeitão de verdadeira, dá.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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