Itamaraty reformula segundo escalão
by Por Daniel Rittner
Valor Econômico, 2/06/2015
O chanceler Mauro Vieira já bateu o martelo em uma nova dança das cadeiras que abrange quase todo o segundo escalão do Ministério das Relações Exteriores. As trocas de equipes envolvem diplomatas experientes, que lidam com o núcleo da política externa brasileira e em áreas sensíveis, como o relacionamento com a vizinhança e negociações comerciais.
As mudanças ainda não se tornaram oficiais porque os atuais ocupantes dos cargos, que foram indicados para chefiar representações diplomáticas no exterior, ainda dependem de sabatina no Senado e precisam ter suas indicações aprovadas. Essa reformulação, no entanto, já foi comunicada informalmente a todos os envolvidos.
O embaixador Paulo Estivallet ocupará a Subsecretaria-Geral de América do Sul, Central e Caribe no lugar de Antônio Simões. A troca deverá ocorrer apenas na segunda metade do ano, já que Simões, além de aguardar a sabatina para sua indicação à embaixada brasileira em Madri, está diretamente envolvido na presidência rotativa do Brasil no Mercosul neste semestre. É de sua responsabilidade ainda a condução do diálogo político com a Venezuela, a ênfase na reaproximação com o México e as discussões sobre barreiras comerciais impostas pela Argentina.
Gaúcho e engenheiro agrônomo por formação, Estivallet integrou a delegação brasileira junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Desde 2011, tem respondido pelo Departamento Econômico do Itamaraty, que lida com os contenciosos na própria OMC e com o desenvolvimento da Rodada Doha. Também esteve à frente, nos últimos meses, de negociações com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), com quem o Brasil deseja estreitar suas relações, embora uma adesão ao "clube dos países ricos" esteja fora do radar, por enquanto.
Quem também teve a sua nomeação acertada é o atual embaixador do Brasil em Quito, Fernando Simas Magalhães, que voltará ao país para ocupar a Subsecretaria-Geral de Política I. Nela, passará a acompanhar o relacionamento com os Estados Unidos e com os países da Europa, além de organismos internacionais, como Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos (OEA). O atual subsecretário, Carlos Paranhos, foi indicado para a embaixada em Copenhague.
Outra mudança, já desenhada desde a virada do ano, deverá se concretizar nos próximos meses: o embaixador Carlos Márcio Cozendey, ex-secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, voltou ao Itamaraty com a chegada de Joaquim Levy e ocupará a Subsecretaria-Geral de Assuntos Econômicos e Financeiros. Hoje o cargo está com o embaixador Ênio Cordeiro, indicado para o México.
Com um amplo leque de atividades, a subsecretaria chefia o departamento atualmente por Estivallet, além da área comandada atualmente pelo próprio Cozendey, que abrange assuntos financeiros e serviços - a reforma do FMI, o Banco dos Brics e o arranjo contingente de reservas passam por lá. O departamento responsável por algumas das principais negociações comerciais em andamento, como o acordo entre Mercosul e União Europeia, também faz parte da estrutura dessa subsecretaria.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 2 de junho de 2015
Itamaraty reformula segundo escalao - Valor Economico
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