Tenho acompanhado com razoável constância e amplitude não só o noticiário “normal” - se ele merece alguma credibilidade — assim como, e sobretudo, o colunismo desenfreado, isto é, os artigos de opinião, sobre as eleições no Brasil, tanto da imprensa nacional quanto da internacional.
As perspectivas parecem aterradoras: fascismo, autoritarismo, misoginia, homofobia, racismo, destruição das “conquistas sociais”, dos direitos dos trabalhadores, das mulheres, dos negos, dos gays, fim das florestas tropicais e degradação completa do meio ambiente, submissão ao império, enfim, algo como a antessala do inferno, começando pela intervenção militar e o fim da democracia.
Daí o meu título irônico, baseado em Mark Twain.
Os paranóicos já estão antecipando o desastre.
Posso dizer que estou absolutamente tranquilo: nem 10% das catástrofes anunciadas vai efetivamente acontecer, embora desgastes, fricções e contradições parecem prováveis.
Por isso mesmo, tendo votado, no primeiro turno, para o candidato que me parecia o melhor preparado para colocar o Brasil numa rota correta, pretendo abster-me no segundo turno.
Mas, eu comecei o ano com uma consigna: “não reelejam ninguém “.
Acho que fui largamente recompensado pelos resultados eleitorais.
O resto são hipóteses, e pretendo esperar pela realização dos desastres anunciados.
Boas eleições a todos, minha solidariedade aos derrotados: o eleitorado está bem mais educado do que se esperava.
Paulo Roberto de Almeida
Rio de Janeiro, 18/10/2018
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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