Mostrando postagens com marcador Sobre a nova insanidade tarifária de Mister Trump contra o Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sobre a nova insanidade tarifária de Mister Trump contra o Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Sobre a nova insanidade tarifária de Mister Trump contra o Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Sobre a nova insanidade tarifária de Mister Trump contra o Brasil

Paulo Roberto de Almeida

 

Não há, nunca houve, qualquer “negociação” de boa fé, racional, coerente com a real situação do relacionamente bilateral (hoje completamente destruído de forma unilateral) entre, de um lado, NÃO os Estados Unidos, como país — e mais importante parceiro comercial, econômico, financeiro, cultural e educacional do Brasil, ao longo de mais de 150 anos de história —, mas a tropa demencial que cerca o desequilibrado dirigente americano, e, de outro lado, o Brasil, enquanto Estado, país, nação e uma sociedade, o povo brasileiro,  estreitamente, fielmente, extremamente vinculados, de maneira simpática, até admirativa da cultura, do povo, do exemplo democrático e da grande generosidade demonstrados pela nação americana em mais de dois séculos de relações corretas, raramente em lados opostos no plano geopolítico, devotadas à cooperação em beneficios mútuos, não só bilateralmente, mas também no plano hemisférico e mundial.

Nunca ocorreram, simplesmente e na verdade, “negociações” entre as duas partes, no conceito diplomático preciso do que sejam negociações, e sim uma IMPOSIÇÃO unilateral da vontade do mais forte, uma obrigação de submissão, inaceitável sob todos os aspectos, pois que sem qualquer correspondência com o estado real das relações econômicas entre as partes e com o próprio conceito do que sejam negociações.

A prepotência e a arrogância demencial não se dirigiu unicamente ao Brasil, está claro, mas ao mundo todo, amigos m, aliados, competidores, adversários e até “inimigos”, com uma única exceção, que precisa explicitar quem seja. E elas não começaram neste segundo mandato, mas já tinham sido exercidas durante o primeiro, sob a forma de sobretaxas abusivas, cotas e restrições sobre diversos produtos e setores, com destaque para aço e alumínio, mas também voltadas para serviços e tecnologias também oferecidas por concorrentes da Ásia.

A partir de 2025, no segundo mandato, a prepotência recrudesceu contra tudo e contra (quase) todos, sendo que a primeira manifestação de insanidade tarifária, em abril, veio sob a forma de uma “reciprocidade” esquizofrênica, pois que baseada nos dados simplórios da balança comercial bilateral, uma metodologia que condenou pequenos e pobres países exportadores de poucos produtos primários a receber as alíquotas mais altas da “reciprocidade” tarifária, uma total irracionalidade.

Mas o Brasil foi logo contemplado, em meados de 2025, a nova imposição de 40%, sobre os “modestos” 10% de abril por meio de um nova imposição clara e deliberadamente POLÍTICA, já que expressamente vinculada a um processo judicial em curso na mais alta corte do país, em resposta a uma débil imitação bolsonarista dos ataques trumpistas feitos contra o Congresso e as instituições americanas de janeiro de 2021, como escrito e assinado pelo dirigente americano em carta pública. 

A violência dessa nova IMPOSIÇÃO não tem precedente nas relações bilaterais, nem em qualquer outra violência perpetrada pelo Estado americano fora de uma situação dd guerra aberta, unilateral ou declarada. Não existem exemplos nos anais da Haia de atos semelhantes ou similares em quaisquer outros registros históricos de fatos desse tipo em qualquer época do Direito Internacional lidando com as relações entre Estados soberanos.

Simultaneamente à carta de julho de 2025, era acionado pela tropa trumpista o mecanismo unilateral da Seção 301 do Trade Act americano, dando início a novas interpelações impositivas, sem quaisquer respaldos nas leis ou práticas do Brasil, sequer conectadas ao comércio bilateral, como é o caso do sistema de pagamentos e transações automáticas no sistema bancário do Brasil, popularmente conhecido como PIX, que é uma simples derivação de métodos anteriores, como a liquidação em dinheiro circulante, por cheques ou transferências bancárias, por cartão de crédito, por moedas digitais ou, agora, por simples registro automático online.

O Brasil, seu governo, sua diplomacia, suas rmpresas privadas, igualmente dos EUA, tentaram, de forma persistente, entamar e conduzir negociações em formato bilateral — uma vez que os mecanismos existentes de solução de controvérsias comerciais da OMC se encontram inoperantes pela própria ação dos EUA —, mas jamais houve predisposição da parte americana, mais exatamente da parte trumpista, de realizar verdadeiras negociações.

O Brasil, a OMC, o mundo inteiro, assistem estupefatos a essa sequência de desatinos imperiais, que remetem a eras ultrapassadas na história mundial, de invasões bárbaras e de imposições pela força segundo a vontade brutal de um poder arbitrário e ilegal (aos olhos dos fundamentos jurídicos construídos nos últimos dois séculos que regulam as relações entre Estados).

Não sabemos ainda como evoluirão as fases seguintes dessa brutal contenda imposta por apenas uma das partes, mas podemos especular nos dois planos abertos aos contrndores.

No plano politico interno, o efeito mais evidente, e imediato, será o claro comprometimento das forças politicas brasileiras que se associaram aos ataques arbitrários do trumpismo contra os interesses nacionais — milhares de empresas e milhões de trabalhadores afetados, prejuízos significativos aos negócios dos dois lados —, com consequências politicas eleitorais claramente contrárias ao pretendido.

No plano externo, um efeito mais lento será um evolução negativa da geografia dos intercâmbios bilaterais, em direção de outros parceiros econômicos e comerciais, financeiros, de cooperação tecnológica e de investimentos em novos ativos mais condizentes com beneficios mutuamente proveitosos, inclusive no terreno cultural e político.

Uma importante brecha nas relações diplomáticas, já pré-existente, acaba de ser agravada pela ação irresponsável de um dirigente arrogante e irracional até do ponto de vista dos interesses do seu próprio pais e economia.

Poucas vezes na história da humanidade assistimos a tal tipo de insanidade politica e econômica, equivalente a um tiro de bazuca nos dois pés, algo incompreensível sob todos os ângulos do relacionamento bilateral (também já visto em outros casos similares).

O Brasil enfrentará adversidades momentâneas, mas serão os EUA da gestão demencial do atual dirigente que terão contratempos mais duráveis na perda de credibilidade diplomática de uma nação empenhada na destruição da ordem global que ela mesmo criou 80 anos atrás. Raras vezes, talvez nunca, na história humana a insensatez teve oportunidades tão amplas de cometer desatinos talvez irreparáveis. 

Nenhum tribuno estrangeiro ou nacional se empenhou alguma vez numa ação que relembra algo do estilo “Delenda America”, dirigida contra a sua própria nação. Surpreende-me que as elites empresariais, representantes políticos e o próprio povo americano consintam nessa autoflagelação e no suícidio material e espiritual da grande democracia liberal surgida dois séculos e meio atrás. Lamento a irracionalidade doentia, contra si própria, mas também contra o resto do mundo.


Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 16/07/2026

Postagem em destaque

Sobre a nova insanidade tarifária de Mister Trump contra o Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Sobre a nova insanidade tarifária de Mister Trump contra o Brasil Paulo Roberto de Almeida   Não há, nunca houve, qualquer “negociação” de b...