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sábado, 18 de julho de 2026

Economia do Brasil Imperial cresceu quatro vezes mais do que se dizia, pesquisa da FGV - Bruna Castro (Diário do Rio)

Coincide com a revisão da história econômica do Brasil enunciada por Edmar Bacha.

Pesquisa da FGV revela que economia do Brasil Imperial cresceu quatro vezes mais do que se dizia

Estudo de Thales Zamberlan Pereira reconstruiu os preços entre 1824 e 1889 com mais de 20 mil registros de instituições cariocas, muitos deles publicados pelo próprio Diário do Rio de Janeiro, e valorizou fontes preservadas pelo Jornal do Commercio, pela Santa Casa da Misericórdia e pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência

Durante décadas, estudos, livros e bancos de dados internacionais repetiram que a economia brasileira havia crescido muito pouco durante o Império. O fato causava estranheza em quem lia sobre a pujante exportação de café e sobre a estabilidade econômica e prosperidade de grande parte do período imperial em fontes mais históricas do que econômicas, e na literatura. Mas segundo as estatísticas que eram tidaa como reais até agora, a renda por habitante teria avançado somente 0,3% ao ano entre 1850 e 1889, desempenho difícil de conciliar com a expansão do café, o desenvolvimento das ferrovias, o crescimento das cidades, a ampliação do comércio e a modernização observada durante o bem sucedido reinado de Dom Pedro II.

Agora, uma nova e verdadeiramente minuciosa pesquisa da Fundação Getulio Vargas mostra agora que a economia do Brasil Imperial cresceu, na realidade, quatro vezes mais do que se dizia.O trabalho é do professor Thales Zamberlan Pereira, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, e foi publicado em 19 de maio de 2026 pela European Review of Economic History, revista científica da Universidade de Oxford e da European Historical Economics Society. O artigo, intitulado Inflation and Economic Growth in Imperial Brazil — 1824-1889, foi recebido em maio de 2025, revisado e finalmente aceito pela comunidade científica agora em março de 2026. 

Com um novo e minucioso índice de preços, construído a partir de uma extensa é inédita pesquisa por mais de 20 mil cotações mensais, Pereira concluiu que a renda por habitante no Brasil aumentou aproximadamente 1,2% ao ano entre 1850 e 1889 — e não apenas os irrisórios 0,3%, como apontavam as estimativas tradicionalmente utilizadas.

Não se trata de uma alteração pequena. A taxa quadruplicada muda completamente a posição brasileira nas comparações internacionais e coloca o crescimento do Império em linha com a média da América Latina naquele período, e finalmente casa a estatística econômica com a literatura e a história política. O interessante é que o próprio DIÁRIO ajudou a contar essa história: a descoberta tem um sabor especialmente carioca — e particularmente especial para o Diário do Rio.

Para reconstruir os preços praticados durante o Império, o pesquisador recorreu principalmente a jornais publicados na Corte. Nas décadas de 1820 e 1830, sua fonte principal foi o próprio Diário do Rio de Janeiro, em sua fase original do século XIX. Para os anos posteriores, o estudo utilizou predominantemente o Jornal do Commerciorecorrendo ainda a outros periódicos para preencher eventuais lacunas. 

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O Diário do Rio de Janeiro, ou Diário do Rio, como carinhosamente o carioca se acostumou a chamá-lo, foi o primeiro jornal diário do país, começando a circular em primeiro de junho de 1821, antes mesmo da independência do Brasil. Agora, em 2021, completou 200 anos. Isso mesmo, 200 anos! Inicialmente impresso na sua própria … Continue lendo: https://diariodorio.com/historia-e-antecedentes/  

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Resumo do texto por Madame IA: 

Resumo Crítico da Pesquisa Historiográfica sobre o Crescimento do Brasil Imperial
O terceiro texto examina o impacto metodológico do estudo revisionista coordenado pelo professor Thales Zamberlan Pereira e chancelado pela Universidade de Oxford, o qual promove uma profunda retificação nos indicadores macroeconômicos do Brasil do século dezenove. Durante gerações, o pensamento acadêmico tradicional baseou-se em modelos econométricos que apontavam para uma expansão pífia da renda por habitante, estimada em zero vírgula três por cento ao ano entre 1850 e 1889. Essa estatística gerava um persistente paradoxo historiográfico, pois colidia com os relatos documentais da época e com a produção literária do período, que atestavam a opulência gerada pelo complexo cafeeiro, pela urbanização e pela expansão das ferrovias sob o reinado de Dom Pedro II. A superação desse impasse ocorreu por meio da reconstrução minuciosa de um índice de preços inédito, estruturado a partir do levantamento de mais de vinte mil cotações mensais extraídas de periódicos como o Diário do Rio de Janeiro e o Jornal do Commercio, além de balancetes de ordens religiosas e instituições hospitalares da antiga Corte. A nova modelagem demonstrou que a renda per capita imperial cresceu, na realidade, à taxa de 1,2% ao ano na segunda metade do 1800-1899, uma performance quatro vezes superior à aceita anteriormente. Esse dado realinha o desempenho brasileiro à média da América Latina e mitiga a narrativa de estagnação econômica crônica sob a vigência do regime monárquico, validando as teses de intelectuais como Edmar Bacha. O capítulo conclui ressaltando o valor metodológico da imprensa histórica como repositório estatístico insubstituível para a soberania intelectual e para a correta compreensão do desenvolvimento de longo prazo do país.


 

 

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