Apenas uma reflexão sobre o grave momento que vivemos
Paulo Roberto de Almeida
A política brasileira em geral, mas também os três poderes da República, vivem atualmente uma grave crise MORAL, e também um IMPASSE INSTITUCIONAL, uma vez que a corrupção, a venalidade, a mentira e a desfaçatez, todas essas más qualidades de simples mortais, PENETRARAM as instituições e a própria prática da política, a da sua execução (o Executivo), da sua legalidade republicana (o Parlamento) e a do julgamento de eventuais crimes (o Judiciário), o que faz com que tudo isso e todas essas instituições da República encontram-se, e se revelam CONTAMINADAS por práticas delituosas, algumas já reveladas, outras ainda não. Daí muitas dúvidas, sinceras algumas, oportunistas e rasteiras, outras.
Em consequência, nós, simples observadores, pessoas civis, ou seja, as pessoas que assistem, que participam do processo como eleitores que são, assistimos, alguns estupefatos, outros incrédulos, outros assustados, a todo esse espetáculo deplorável de uma FALÊNCIA MORAL da nossa "Quinta República" (talvez mais), reagimos como simples cidadãos que somos, mas também como seres pensantes que somos, alguns mais à esquerda, outros à direita, muitos centristas ou moderados, ou apenas indiferentes ao mundo da política, cuidando dos nossos afazeres, mas AFETADOS por todos os agentes públicos que atuam nos três poderes e nos órgãos de controle e de segurança pública, todos somos levados a expressar a nossa opinião sobre essa CONFUSÃO GERAL que se instalou no país, e que ATINGE O VOTO de cada um de nós ao sermos chamados para a urna no começo de outubro, de maneira definitiva para os cargos representativos, ou de maneira provisória, em previsão do segundo turno, para cargos executivos (presidente e governadores).
Como simples observador da vida pública, mas também como ser pensante, modestamente participante, como emissor de opiniões pessoais sobre a política, a economia e as relações exteriores do Brasil, também estou imerso no espetáculo deplorável que se oferece todos os dias aos nossos olhos, e preocupado com os destinos do país, de nossos filhos e netos, com a imagem do país na comunidade internacional, sou levado a refletir essa realidade em meus canais de comunicação social (como assinante de certos meios oferecidos por entidades privadas da área, como administrador de um blog pessoal, o Diplomatizzando), com inevitáveis lapsos de informação, e com julgamentos pessoais, escolhas políticas, opções MORAIS, no que posso acertar ou me equivocar nos julgamentos e opiniões.
Tenho de tomar partido, escolher quem, quais serão os eleitos como Executivos (no país ou num estado) ou Representantes nos corpos legislativos, nacional ou estadual, para o próximo período subsequente às eleições de outubro (geralmente por quatro anos, 2027-2030, senadores por oito anos, o que acho um exagero).
As "ofertas" que temos não são as ideais, algumas no domínio do continuísmo, outras como "novidade", mas praticamente todas marcadas por graves deficiências morais, políticas ou até criminosas (até julgamento), algumas, poucas, como esperança de uma melhor condução dos assuntos públicos. Não tenho muita ilusão de que o Brasil vai melhorar dramaticamente nos próximos anos, naquilo que conta: o bem-estar dos simples cidadãos na vida diária, especialmente os mais modestos e necessitados de ajuda, a estabilidade e a prosperidade na vida econômica e financeira de cada um, a credibilidade e a correção da postura do país na comunidade internacional, vale dizer, a qualidade da nossa política externa e da nossa diplomacia (o que me concerne pessoalmente). Sem ilusão, portanto, creio que vamos ter de escolher aquelas figuras, aqueles candidatos que possam trazer, acarretar, produzir o MÍNIMO de prejuízos para a nação em todas essas esferas da vida.
Isso é triste de se reconhecer, de afirmar, pois significa que as opções são todas muito limitadas, uma vez que os candidatos são muitos, e neles, com eles, suas respectivas qualidades, ou falta delas, podem ser duvidosas ou até mentirosas. O que fazer? Não tenho nenhuma recomendação especial, nominal, a fazer, apenas o uso de minha inteligência e informação, nenhum interesse pessoal, tão somente o uso do tirocínio pessoal para escolher – considero a abstenção uma renúncia ineficiente – os candidatos que se aproximam de certos princípios morais e políticos que julgarmos os mais qualificados, ou os menos danosos para a continuidade da democracia de qualidade em nosso país.
Esta é apenas uma mensagem reflexiva. Talvez eu volte com algum pronunciamento mais engajado (já tenho opinião formada sobre vários candidatos), ou apenas formulando sugestões de escolhas bem informadas, numa escala de prioridades que julgo relevantes na vida nacional. Apenas antecipando: sou contra mentirosos e falsificadores de suas próprias "qualidades", contra os vendidos e cúmplices da venalidade, da soberania nacional e dos preceitos simplesmente republicanos, não tenho partido ou religião (usada muitas vezes de maneira sórdida), tenho apenas a consciência de que nossas escolhas são provisórias, até que a crise, as CRISES que nos abatem atualmente sejam resolvidas da melhor forma possível, do que tenho enormes dúvidas.
O Brasil caminha para as eleições mais dramáticas de sua história, não tanto pela falta de informação, mas por informações deformadas pelos próprios impasses que nos atingem atualmente. Temos menos de um mês para refletir e escolher, sabendo que essa escolha vai se refletir em nossas vidas nos próximos anos, para alguns um futuro já curto, para outros uma esperança relativamente duvidosa.
Espero poder contribuir para um futuro melhor, com os meios de que disponho, com a inteligência formada no estudo e na experiência de vida.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11 de setembro de 2026
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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sexta-feira, 11 de setembro de 2026
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