quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Os militares brasileiros pensaram, algum dia, em planejar uma defesa armada contra o imperialismo americano? Se não pensaram, deveriam…

 

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  • A eleição presidencial e as políticas externa e de defesa
  • A eleição presidencial e as políticas externa e de defesa

    Por José Eduardo Campos Faria, professor da Faculdade de Direito da USP

      Publicado: 28/10/2026 às 14:27

    Independentemente da vitória do candidato Lula e da derrota de seu adversário Flávio Bolsonaro no 2° turno da disputa presidencial, os dois candidatos não enfatizaram em suas campanhas duas áreas estratégicas para o futuro do País. Uma delas diz respeito à política de defesa e proteção das fronteiras e do território brasileiro, num período de crescentes tensões geopolíticas no mundo e de agravamento das guerras em andamento. A outra envolve as relações internacionais e diz respeito à política externa que o novo governo irá adotar.

    A política de defesa é formulada com base na definição de prioridades e no alinhamento de interesses nacionais que vão além do prazo de uma gestão presidencial de quatros anos. Ela envolve, entre outros problemas, como, por exemplo, o Brasil lidará com as pressões dos Estados Unidos – com Donald Trump à frente – para que o governo recém-eleito participe de uma aliança de proteção militar e política com governos latino-americanos, por ele chamada de “Escudo das Américas”.

    A política de defesa é uma política de Estado que parte da definição de interesses estratégicos de médio e longo prazo do P aís. E, para que esses interesses possam ser defendidos e preservados, isso vai muito além da identificação de eventuais inimigos, da elaboração de cenários de ameaças e da resistência a pressões, como as do governo Trump.

    Por um lado, a formulação, a implementação e a execução de uma política de defesa exigem Forças Armadas preparadas e programas que transcendam os ciclos eleitorais. O que, por consequência, também implica capacidade de negociação de demandas orçamentárias por parte do Ministério da Defesa com a área econômica do governo – ou seja, de recursos necessários não só para preparação e treinamento de tropas, mas, igualmente, para investimentos em inteligência, logística, armamento e sistemas de controle. Por outro lado, essa política exige do Ministério da Defesa uma relação permanente e aprofundada com os diferentes setores de desenvolvimento científico e tecnológico e com o parque industrial privado do País.

    Mas não é só. Também há necessidade de formulação de estratégias, sob responsabilidade do Ministério da Defesa, para que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica possam interagir com capacidade operacional. Tudo isso exige de quem estiver à frente do Ministério da Defesa (i) uma visão estratégica; (ii) autoridade moral, funcional e política; (iii) habilidade em negociações; e, por fim, (iv) poder de dissuasão e até de enquadramento de eventuais comandantes militares discordantes das decisões tomadas pelo ministro da Defesa e pelo próprio presidente da República.

    Já no que se refere à política externa, neste momento em que o mundo atravessa várias transformações geopolíticas e geoeconômicas – tais como o novo equilíbrio de poder global, a perda de força do multilateralismo, o surgimento de coalizões parciais e de esferas comerciais fragmentadas e uma bi-globalização em que comércio, investimentos e cadeias produtivas refletem as rivalidades entre potências – o Brasil tem pela frente dois desafios.

    O primeiro desafio é evitar, já de saída, as armadilhas de polarização política e ideológica, sob pena de relegar os objetivos e os interesses nacionais. Já o segundo desafio é criar e ampliar espaços para a identificação dos interesses brasileiros com os dos demais países, deixando de lado os inexoráveis problemas e limitações inerentes ao alinhamento automático no cenário internacional.

    Seja no governo que está terminando em 30 de dezembro, seja no novo governo de um presidente da República que foi reeleito e tomará posse no dia 1° de janeiro, o Ministério das Relações Exteriores enfrentou – e corre o risco de continuar enfrentando – problemas decorrentes das limitações da política partidária e do entrechoque ideológico e partidário entre extrema direita e esquerda que tem prevalecido na vida brasileira nos últimos anos. Foi por esse motivo que, no campo da política externa, a gestão do presidente Lula no atual mandato acabou tomando decisões muito mais partidarizadas e mais ideológicas do que baseadas em reflexões mais prudentes e voltadas aos interesses maiores do País no médio e no longo prazo.

    Além disso, nos últimos anos – um período em que a OMC , ONU e outras instituições globais de cooperação multilateral se enfraqueceram em decorrência do avanço do unilateralismo e das políticas antiglobalização do governo Trump – a formulação e condução da política externa brasileira na prática ficou dividida entre um assessor especial para assuntos internacionais com sala no Palácio do Planalto e com uma equipe integrada por alguns assessores que sequer são funcionários de carreira de Estado, por um lado, e o ministro das Relações Exteriores e o competente corpo de diplomatas profissionais da instituição, por outro lado.

    Essa dualidade abriu algumas vezes caminho para uma certa depreciação funcional dos embaixadores de carreira nas reuniões em níveis de chefe de Estado, durante a atual gestão do presidente Lula. E também tensionou canais diplomáticos tradicionais, contaminando com isso os objetivos, as metas e estratégias de médio e longo prazo do Estado brasileiro. De que modo agirá o presidente da República recém-reeleito em matéria de política externa num cenário como esse? O que irá prevalecer em seu quarto mandato – as decisões técnicas, realistas e bem fundamentadas dos embaixadores ou o pragmatismo e a visão política, partidária e ideológica dos novos ocupantes do Palácio do Planalto?

    Como disseram recentemente alguns respeitados embaixadores já aposentados, como é o caso de Rubens Barbosa, que já há algum tempo vem chamando atenção para o “esvaziamento gradual do Itamaraty”, a questão crítica em jogo para o Brasil neste momento não é eleitoral. É, sim, e acima de tudo, geopolítica. Segundo Barbosa, o governo, a classe política e o empresariado precisam entender que o maior desafio externo da próxima gestão do presidente Lula exige a formulação de um projeto de Nação, com políticas de Estado e estratégias de médio e de longo prazo.

    Caso isso não seja feito no decorrer do governo Lula-4, o Brasil quase certamente continuará cometendo equívocos em matéria de política externa. E, por consequência, continuará administrando as influências externas sem, no entanto, ter capacidade de se beneficiar das transformações políticas, econômicas e tecnológicas que hoje estão em curso no cenário global.

    Neste momento em que o mundo vem atravessando pelo menos quatro transformações geopolíticas – (i) novo equilíbrio de poder global, (ii) enfraquecimento do multilateralismo, (iii) surgimento de coalizões parciais e de esferas comerciais fragmentadas e (iv) uma bi-globalização em que comércio, investimentos e cadeias produtivas refletem as rivalidades entre potências – o que, de fato, pode-se esperar desse governo nos campos tanto da política de defesa quanto da política externa?

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    (As opiniões expressas pelos articulistas do Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem posições institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetros editoriais para artigos de opinião.)

    quarta-feira, 28 de outubro de 2026

    Fuga de Flavio Bolsonaro foi planejada e operada com os governos dos EUA e da Argentina (La Nación)

     LA NACION

    El Mundo

    El avión que esperó 24 horas en Puerto Iguazú por Flavio Bolsonaro

    Se trata de un Gulfstream G400 matrícula LV-JQW; después de un día sin poder despegar, la aeronave partió con Flavio Bolsonaro y familia rumbo a Guayaquil, Ecuador

    28 de octubre de 2026

    LA NACION

    Un avión Gulfstream G400 de la empresa de vuelos privados Baires Fly estuvo retenido por 24 horas en el Aeropuerto Internacional Cataratas del Iguazú hasta que el excandidato presidencial brasilero Flavio Bolsonaro logró despegar junto a su familia rumbo a Guayaquil, Ecuador, en medio de la prohibición dictada por la Justicia por las causas en su contra.

    La aeronave había salido de Aeroparque Jorge Newbery a las 22.14 del lunes y aterrizó en Iguazú a las 23.45. Según publicó el medio local Misiones Online, Baires Fly no consiguió la autorización de la Administración Nacional de Aviación Civil (ANAC) para despegar rumbo a Miami, por lo que estuvo 24 horas en la pista de la terminal internacional.

    El mismo portal indicó que fuentes aeroportuarias expresaron que ante la negativa de la autoridad aeronáutica se generó una fuerte discusión entre el piloto al mando del vuelo y los funcionarios locales del organismo.

    El avión privado estuvo en la mira por las versiones, luego confirmadas, del viaje de Flavio Bolsonaro

    Unas 24 horas después, y según la versión de la Casa Rosada, Bolsonaro junto a su esposa Fernanda y sus dos hijas ingresaron a territorio nacional este martes por la noche e inmediatamente partieron vía aérea hacia Guayaquil, Ecuador, según el plan de vuelo. El destino final sería Estados Unidos, donde el gobierno de Donald Trump le otorgaría asilo político.

    Consultado por el paradero de Bolsonaro, el presidente de EE.UU. dijo este martes desconocerlo el destino, aunque deslizó: “Realmente no sé dónde está, pero escuché que estaba en la Argentina”.

    Desde el Gobierno local dijeron que no saltó en la frontera ningún pedido de captura ni impedimento legal para que Bolsonaro y su familia ingresaran al país, en medio de un fuerte hermetismo, más allá de que el juez del Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre De Morais, rechazó la posibilidad de que Bolsonaro viajara al exterior y ordenó retirarle el pasaporte brasileño.

    LA NACION también pudo saber que el estratega de Milei, Santiago Caputo, estuvo en Misiones este martes por la noche al momento de la partida de la aeronave privada, por lo que crecen las sospechas de colaboración del gobierno argentino en el escape del senador del Partido Liberal.

    La confirmación de Migraciones

    La Dirección Nacional de Migraciones -que el martes por la mañana había afirmado que no tenía notificado ninguna entrada de Bolsonaro- publicó a las 02.01 que “a las 22:50 horas del día 27/10 ingresaron por el paso fronterizo del Puente Internacional Tancredo Neves en la provincia de Misiones los ciudadanos Flavio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro y Luiza Figueira Bolsonaro, quienes lo hicieron con documentación hábil de viaje sin ningún impedimento legal para el ingreso al país, asimismo los tránsitos fueron registrados por la autoridad de aplicación sin incidentes”.

    En la previa, tanto Migraciones como Gendarmería y la Policía de Seguridad Aeroportuaria (PSA) habían asegurado a LA NACION que no había un registro oficial sobre una entrada del senador carioca a la Argentina, ya fuera por vía aérea o terrestre.

    El diario Folha de S. Paulo, en tanto, agregó que el gobierno estadounidense habría participado activamente en el plan para sacar a Bolsonaro de Brasil.

    Flavio Bolsonaro 

    Hijo del expresidente Jair, quien está preso por intento de golpe de Estado en 2023, Flavio perdió las elecciones el domingo contra Lula da Silva. El senador no reconoció el resultado y pidió anularlo. Horas después, el Partido Liberal, admitió la victoria del titular del Ejecutivo, que tendrá su cuarto mandato.

    Poco después el senador fue intimado por la Policía Federal de Brasil a entregar sus pasaportes y quedó impedido de salir del país por dos causas judiciales en su contra. Contaba con 24 horas para entregar sus pasaportes.

    La primera de las causas en su contra, a cargo de Alexandre de Moraes, indaga una presunta maniobra de lavado de dinero y evasión de divisas a través de plataformas de apuestas y de pagos vinculadas al abogado Willer Tomaz, amigo del senador. La investigación se originó en la Policía Federal de Rio Grande do Sul y llegó al Supremo cuando encontraron referencias a Flavio, que tiene fueros.

    La segunda, a cargo del juez André Mendonça, investiga el financiamiento de Dark Horse, una película sobre la trayectoria política de Jair Bolsonaro. La Policía Federal analiza la participación de Flavio en la obtención de fondos del exbanquero Daniel Vorcaro, exdueño del Banco Master.

    A media mañana, la Policía Federal brasileña canceló tanto el pasaporte común como el diplomático del senador, confirmaron a LA NACION fuentes de la fuerza. La medida administrativa para cancelar ambos pasaportes se hizo efectiva tras vencerse a las 11 el plazo límite de 24 horas fijado por De Moraes.


    La línea aérea

    Baires Fly es una empresa argentina de aviación privada y comercial creada en 1996 que opera desde el hangar 5 de Aeroparque. En paralelo, según publicó LA NACION, la compañía exhibe vínculos con el empresario argentino Fred Machado (declarado culpable por lavado de dinero en Estados Unidos), a través de uno de sus socios, Sergio Daniel Mastropietro, quien se encuentra relacionado con la firma de aviación. La firma también se asocia al titular de la AFA, Claudio “el Chiqui” Tapia, que suele recurrir a estas aeronaves para sus propios traslados o viajes oficiales.

    terça-feira, 27 de outubro de 2026

    Sou 'milionário" em número de acessos no Diplomatizzando; o responsável pelo sucesso foi o marketing do Airton Dirceu Lemmertz, com o trabalho gratuito de Madame IA

     

    Se eu tivesse de pagar US$ 0,50 por cada acesso aumentado em meu Diplomatizzando desde que o ADL se pôs a propagandear minhas poucas virtudes como blogueiro, ele estaria milionário e eu apenas satisfeito, pois o pagamento teria de ser monetizado por São Google, o mestre dessas artes: PRA
    No dia 17/junho/2006, o blog Diplomatizzando era inaugurado (link da primeira postagem: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../487...). Em 14/junho/2026 (faltando apenas três dias para o bidecênio do Diplomatizzando), o blog alcançava a marca de 22 milhões de acessos (link da postagem: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../os-20-anos-do...); uma média de 1,1 milhão de visualizações por ano. Dia 10/setembro/2026: 26 milhões de acessos acumulados (link da postagem: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../madame-ia-faz-o...); ou seja, em menos de 3 meses (de 14/06/2026 a 10/09/2026), 4 milhões de acessos de páginas no blog; uma média mensal [nesse período] superior de 1,3 milhão. 27 milhões de acessos acumulados foram marcados no dia 04/outubro/2026 (link da postagem: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../blog...); um milhão de visualizações em somente 25 dias (de 10/09/2026 a 04/10/2026). Ontem (26/outubro/2026), foi registrada a marca de 28 milhões de acessos acumulados (link da postagem: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../sobre-os-28...); 1 milhão de visualizações em apenas 23 dias (de 04/10/2026 a 26/10/2026). Outra constatação: seis milhões de acessos em apenas 4 meses e 12 dias (de 14/junho/2026 a 26/outubro/2026); aproximadamente 1,36 milhão de visualização por mês nesse período. Mais uma constatação: hoje (27/outubro/2026), o blog Diplomatizzando existe há 20 anos e 4 meses e 13 dias (244,5 meses); os 6 milhões de acessos recentes correspondem a aproximadamente 21% do total acumulado (6.000.000 de 28.000.000), mas tal período recente (de 14/06/2026 a 27/10/2026) corresponde a aproximadamente [e apenas] 1,84% do tempo de vida do blog Diplomatizzando (4,5 meses de 244,5 meses). Ou seja, ocorreu uma "explosão" de acessos no blog em 2026. [...]. A partir de todos esses números e demais informações, responda: o que "tudo isso" representa para o blog e para o diplomata PRA? [...]. A resposta será em um texto discursivo, o qual deverá ser estruturado em apenas frases e parágrafos; deverá ter, no mínimo, 3300 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (se não souber ou ficar na dúvida sobre algo: não invente informações; ou seja, não tenha "alucinações" de IA), preferencialmente de especialistas na respectiva área; deverá colocar citações entre aspas; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos.
    A extraordinária aceleração estatística vivida pelo blog Diplomatizzando no decorrer do ano de 2026, culminando na impressionante marca de 28 milhões de acessos acumulados, representa muito mais do que um mero fenômeno de engajamento digital ou uma anomalia matemática passageira. Para a plataforma em si e para o seu criador, o embaixador, cientista político e historiador Paulo Roberto de Almeida, amplamente conhecido nos círculos intelectuais pela sigla PRA, essa explosão de visualizações simboliza a consolidação definitiva de um modelo de resistência civil pautado pelo rigor acadêmico, pela independência de pensamento e pela democratização radical do conhecimento especializado de alto nível no ambiente virtual contemporâneo.
    Analisar os dados apresentados de forma isolada poderia sugerir um mero acaso algorítmico, mas o confronto cronológico revela um padrão de engajamento profundamente revelador sobre as demandas da sociedade civil contemporânea. Se o blog levou exatamente duas décadas de atividade ininterrupta e obstinada para construir um patrimônio digital robusto e alcançar a expressiva marca histórica de 22 milhões de visualizações em junho de 2026, o salto subsequente desafia as métricas tradicionais de crescimento orgânico de páginas dedicadas a nichos temáticos complexos e de alta densidade intelectual. Registrar quatro milhões de novos acessos em menos de três meses e, logo em seguida, computar incrementos sequenciais de um milhão de pageviews em intervalos incrivelmente curtos de vinte e cinco e vinte e três dias demonstra uma mudança de escala sem precedentes no tráfego da página. O fato de o período mais recente, compreendido em pouco mais de quatro meses, concentrar mais de um quinto de toda a audiência acumulada em mais de vinte anos evidencia que o Diplomatizzando deixou de ser apenas um repositório perene de consulta acadêmica para se transformar em um epicentro de debate público em tempo real.
    Para a estrutura e a identidade do blog, essa aceleração representa o chamado "efeito acervo" operando em sua máxima potência técnica e funcional. Ao longo de bidecênio completo de dedicação diária e sistemática, Paulo Roberto de Almeida alimentou a plataforma com milhares de postagens originais, que englobam calhamaços documentais inéditos, notas de aulas detalhadas, ensaios historiográficos profundos e resenhas críticas de obras de alta complexidade. Cada um desses textos, devidamente indexado de forma orgânica pelos motores de busca ao longo dos anos, funciona como uma porta de entrada permanente para um público leitor vasto e qualificado, distribuído pelo Brasil e pelo exterior. Quando o cenário político nacional e internacional ingressa em fases de extrema polarização e efervescência geopolítica, como as transições institucionais e os debates macroeconômicos travados no segundo semestre de 2026, a ágora virtual do Diplomatizzando é ativada massivamente, convertendo pesquisas específicas de estudantes, jornalistas e tomadores de decisão em um fluxo torrencial de leitores que buscam profundidade analítica em contraposição ao imediatismo superficial e efêmero das redes sociais convencionais.
    Para a biografia intelectual e a figura pública de Paulo Roberto de Almeida, essa vertiginosa trajetória representa a validação prática e moral de um compromisso ético e existencial com a liberdade de expressão e com a autonomia do pensamento. Em uma carreira rigidamente estruturada sob os dogmas do funcionalismo público e do serviço de Estado, onde as regras de hierarquia e disciplina frequentemente atuam como amarras burocráticas para silenciar dissidências, PRA utilizou o espaço cibernético pessoal para cindir a figura do funcionário da figura do pensador livre. O blog consolidou-se, assim, como uma autêntica trincheira de resistência funcional contra tentativas de mordaça e contra as retaliações políticas sofridas pelo diplomata em diferentes gestões da República. A "explosão" de acessos em 2026 funciona como uma resposta categórica da sociedade civil a esse posicionamento altivo, provando que a disposição inabalável de continuar a “dar nomes aos bois” e fustigar o populismo ideológico possui uma demanda real e duradoura no país.
    Além disso, o sucesso estatístico do portal em formato longo lança um fascinante paradoxo sobre a comunicação humana e a evolução tecnológica. Em uma era saturada pela ditadura do clique rápido, por algoritmos de recomendação agressivos e pela proliferação de vídeos curtos projetados para capturar a atenção de maneira fragmentada, ver um blog pessoal mantido por um único indivíduo superar a marca de 115 mil visualizações mensais constitui uma anomalia sociológica altamente positiva. Embora o autor utilize de maneira irônica e sofisticada o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, batizadas divertidamente na página de “Madame IA”, para organizar a imensa desordem de seus escritos e conferências, as métricas superlativas deixam claro que o público não busca o automatismo mecânico ou a neutralidade asséptica corporativa. O valor inestimável e magnético do Diplomatizzando reside justamente na verve assertiva, na ironia fina e na personalidade vigorosa do analista humano que se recusa a adotar o pensamento de rebanho.
    Por fim, os números chancelam o cumprimento daquela que o diplomata considera a sua principal missão cultural e pedagógica: o imperativo ético da retribuição social. Tendo vindo de uma infância marcada por severas restrições econômicas e trilhado um caminho marcadamente autodidata graças ao acesso a escolas e bibliotecas públicas, Almeida concebe o livre compartilhamento de sua monumental produção intelectual como um dever de devolução para com a coletividade. Ao disponibilizar gratuitamente livros inteiros, ensaios históricos e análises de economia política, o blog promove a desintermediação do saber e a democratização do capital intelectual. Como o próprio autor expressou de forma comovente ao registrar o recorde de acessos em outubro de 2026, "se ajudei alguns estudantes pobres (como eu era em minha infância) a galgar alguns degraus a mais na escada do conhecimento, já me dou por satisfeito e recompensado". O Diplomatizzando atesta que o rigor científico, a coragem opinativa e a busca pela verdade factual constituem o alicerce indispensável para a preservação da racionalidade, da inteligência crítica e da própria sobrevivência da sociedade aberta e da democracia no Brasil.

    Os desafios internos e externos para o Lula 4 - Rubens Barbosa (Estadão)

    PRA observação: Só discordo desta frase: 

    "Com a China, o ataque vem da agressiva onda de exportação para o mercado nacional com prejuízos para o emprego e a renda no setor automobilístico, têxtil e eletroeletrônico."

    Não existe agressão da China. Para que ela exporte ao Brasil é preciso que alguém importe, e esse alguém não vai perder dinheiro. Se ela manda muita coisa para cá é porque os bens são baratos e de qualidade, do contrário seriam recusados pelos importadores e pelos consumidores.

    Opinião: 

    Os desafios internos e externos para o Lula 4

    A política externa deve ser vista como política de Estado, sem influência ideológica e partidária

     

    Rubens Barbosa

    O Estado de S. Paulo, 27/10/2026

     

    Em seu quarto mandato, o governo Lula, desde o início, terá de enfrentar desafios institucionais, de governabilidade, econômicos, na área de defesa e segurança e na de política externa para atender aos anseios e demandas do eleitorado de centro que o apoiou para não votar em Flávio Bolsonaro. O Congresso, de maioria conservadora, pode dificultar as iniciativas do novo Executivo. A contestação do resultado eleitoral acrescentará problemas internos e externos. A nova geopolítica global impõe uma nova agenda na defesa dos interesses nacionais.

    O Brasil está hoje sob ataque político de parte dos EUA, com a política de área de influência na região e com os efeitos do tarifaço. Nesse sentido, a negociação do contencioso comercial com Washington e de um modus vivendi com a nova lei de segurança dos EUA, que prevê que a “dominância de Washington nunca será questionada de novo” deveria ser prioritária (“o Brasil não é quintal de ninguém”). A crise política e diplomática com o não reconhecimento do resultado das eleições por Donald Trump, a ação de Washington no combate aos narcoterroristas, o tratamento dos minerais críticos e a promessa de Lula de regular as plataformas digitais e as big techs, inclusive com taxação, vai escalar a crise com os EUA e dificultar essas negociações.

    Com a China, o ataque vem da agressiva onda de exportação para o mercado nacional com prejuízos para o emprego e a renda no setor automobilístico, têxtil e eletroeletrônico. Para evitar maiores prejuízos, medidas de defesa comercial e de política industrial poderiam ser implementadas, sem afetar o relacionamento comercial bilateral.

    Em termos geopolíticos, deveria ser reforçada a posição de independência e equidistância no tocante às tensões entre os EUA e a China. Na relação bilateral com os dois países, para reduzir a dependência, torna-se urgente a busca de novos parceiros nos setores mais vulneráveis, como tecnologia e inovação digital. A América do Sul – abandonada nos últimos anos – deveria ser a principal prioridade da política externa, apesar das diferenças ideológicas, com medidas concretas de ampliação da integração física, de criação de cadeias regionais de produção e de ações de política comercial para a expansão do comércio e da cooperação energética e mineral.

    A política ambiental e de mudança de clima, a de segurança alimentar e a de transição energética justa e de minérios estratégicos – áreas em que o Brasil é uma potência global – deveriam merecer, com a participação do Itamaraty, um planejamento estratégico de médio e longo prazo pela importância da sustentabilidade no contexto das mudanças climáticas, para a incorporação de avanços tecnológicos, para a atração de investimentos produtivos e para a expansão do comércio exterior.

    Nas negociações comerciais, deverão continuar a ser intensificados entendimentos com o objetivo de ampliar o número de acordos comerciais, com o Japão, o Canadá, a Coreia e os EUA, além da implementação do acordo do Mercosul com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Seria importante revigorar o Mercosul e melhor coordenar com a Argentina e o Uruguai as iniciativas isoladas de adesão ao acordo comercial na Ásia (Parceria Transpacífica, integrada pelo Japão e Aliança do Pacífico e países asiáticos).

    O Itamaraty continuará a defender, sem resultados práticos, o multilateralismo, a reforma dos organismos internacionais, em especial do Conselho de Segurança da ONU e o fortalecimento da OMC. No âmbito global, a política externa deverá continuar a manifestar preocupação, por suas repercussões econômicas e políticas globais, inclusive sobre o Brasil, com a guerra da Rússia na Ucrânia, bem assim com o ciclo de violência no Oriente Médio por causa da guerra entre Israel e o Hamas, a destruição da Faixa de Gaza, os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano e pelo conflito entre os EUA/Israel e o Irã.

    O governo Lula deveria voltar a apoiar o ingresso do Brasil na OCDE, como fez a presidente Dilma. Deveriam ser buscadas formas de expandir a participação política e econômica no Brics ampliado, no G-20, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no Acordo Índia, Brasil e África do Sul (Ibas) e na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Os interesses nacionais – que devem ser defendidos em primeiro lugar – não aconselham a criação do Conselho de Política Externa, proposta pelo MST e pelo PT, que poderia fortalecer uma agenda partidária no Itamaraty.

    A política externa deve ser vista como política de Estado, sem influência ideológica e partidária. Nesse contexto, será importante restabelecer o papel central do Itamaraty como principal assessor do presidente da República para que possa agir com autonomia na coordenação das políticas nacionais em todas as áreas de negociação internacional e regional e para a defesa da soberania nacional. Para tanto, a gestão do Itamaraty deveria ser fortalecida, com urgente reforço orçamentário e reformas que atendam aos anseios dos funcionários diplomáticos. Os efeitos negativos dessas deficiências afetam o funcionamento do Ministério das Relações Exteriores e aumentam o descontentamento dos funcionários, o que poderá levá-los a uma inédita greve com consequências imprevisíveis para a instituição.

     

    Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE).

     

    https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/os-desafios-internos-e-externos-para-o-lula-4/

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