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domingo, 24 de maio de 2026

Duas opiniões contrarianistas: Sul Global e BRICS - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA

Duas opiniões contrarianistas

Paulo Roberto de Almeida + Madame IA

        Existe muita imaginação no mundo acadêmico e mesmo no jornalismo analítico, geralmente de opinião, a partir dessa mesma imaginação.
        Vou dar apenas dois exemplos.
        Acadêmicos enchem a boca ao falar de um tal de Sul Global, como se se tratasse de uma respeitável entidade pronta para agir em uníssono em favor do seu desenvolvimento e da cooperação entre os seus múltiplos povos. Na sequência, jornalistas respeitados acatam essa opinião e os politicos em busca de algum discurso estimulante se põem a falar graciosamente dessa nova e prometedora entidade.
        Não é uma gracinha? Mas algo realmente mudou na assemblagem de Estados, paises, nações e povos que compōem essa entidade?
        Deixo a resposta com vcs.

Segunda opinião. Pouca gente está disposta a reconhecer que o tão propalado BRICS é apenas e tão somente um Frankenstein, ou seja, um novo ser, que não se sabe bem se tem algum cérebro, mas que é apenas uma assemblagem voluntarista (e, na verdade, oportunista) de, na origem, quatro partes retiradas de quatro fontes diferentes, apenas “soldadas” por um acrônimo atraente, mas concebido simplesmente para produzir retornos financeiros interessantes, para fundos institucionais, a partir de quatro economias independentes que, na época, apresentavam taxas expressivas de crescimento (o que não é mais o caso de duas economias das quatro originais). 
Zut! Por um golpe diplomático que teve pouco a ver com os fundamentos subjacentes a quatro Estados possuindo interesses nacionais próprios se constituiu uma nova entidade aparentemente prometedora na geopolítica mundial, mas que, no fundo, não deixa de ser, continua sendo, um Frankenstein. Depois, ainda acrescentaram uma quinta peça, sem muito a ver com os propósitos originais do inventor do acrônimo, mas, que importa?, o Frankenstein pode sempre receber novas partes e peças, segundo os desígnios imaginativos do Dr. Viktor Frankenstein.
E assim fizeram: o Frankenstein original a quatro incorporou sua quinta parte e, mais adiante, inventaram de costurar mais meia dúzia de novas partes e peças e mais outros tantos componentes, penduricalhos que foram sendo acrescentados ao Frankenstein do início (apenas econômico em sua concepção, vale lembrar).
Pronto! O Frankenstein agora chamado de BRICS+ está tão “assemblado” que já não consegue obter uma nova Declaração conjunta que recolha os interesses nacionais, e as eventuais contrariedades, de todas as suas partes e peças componentes (que são de tamanhos, formatos, cores e sabores muito diferentes entre si).
O novo Frankenstein (ainda não sabemos precisamente quais centelhas que se movimentam em seu cérebro) está aí, se deslocando mais ou menos pesadamente, sob os olhos preocupados do Dr. Viktor (que já declarou não reconhecer a criatura).

Fico por aqui com essas duas opiniões contrarianistas, que sempre surgem para desafiar certos consensos opinativos. Desculpo-me pelo fato de abalar algumas convicções simples!

Paulo Riberto de Almeida

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Agora Madame IA se intromete no assunto, convidada por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz:

Capítulo 1: Desconstrução Epistêmica do Conceito de Sul Global:
A noção de Sul Global, amplamente difundida nos círculos acadêmicos das ciências sociais e replicada pelo jornalismo opinativo, carece de homogeneidade ontológica e de capacidade operativa unificada. Trata-se, fundamentalmente, de um constructo geopolítico e retórico que tenta agrupar uma vasta e heterogênea gama de Estados sob o denominador comum do subdesenvolvimento histórico ou da perifericidade em relação ao eixo do Atlântico Norte. A hipótese de que essa demarcação geográfica e socioeconômica funcione como uma entidade coesa e articulada esbarra nas profundas assimetrias internas que dividem os seus supostos integrantes.
Subcapítulo 1.1: Divergências Estruturais e Interesses Nacionais:
A análise empírica da assemblagem de Estados associados ao Sul Global revela fraturas intransponíveis em termos de regimes políticos, matrizes econômicas e ambições geopolíticas. O alinhamento automático em favor do desenvolvimento mútuo e da cooperação irrestrita funciona como uma idealização teórica. Na realidade prática das relações internacionais, as prioridades nacionais de potências emergentes frequentemente colidem com os interesses de nações de menor expressão econômica em sua própria vizinhança geográfica.
A dinâmica de poder global não sofreu uma mutação estrutural que tenha apagado a centralidade do interesse próprio dos Estados em favor de uma solidariedade coletiva abstrata. A retórica do Sul Global é utilizada, de forma pragmática, como um instrumento de barganha diplomática e de legitimação de lideranças regionais. As nações que compõem esse grupo operam de modo fragmentado, orientadas pelo realismo político, competindo por mercados, recursos e influência, o que desidrata a tese de uma atuação em uníssono.

Capítulo 2: A Anatomia do BRICS como Articulação Voluntarista:
A tese que define o bloco BRICS como uma estrutura assemelhada a um Frankenstein encontra sustentação na gênese estritamente financeira do acrônimo. Concebido originalmente pelo economista Jim O'Neill, do banco de investimentos Goldman Sachs, o termo possuía uma finalidade mercadológica: direcionar fluxos de capital institucional para quatro economias emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China) que apresentavam forte aceleração do Produto Interno Bruto na transição para o século XXI. A transformação de uma tese de investimentos em um bloco político-diplomático formal constitui um fenômeno de engenharia voluntarista, onde partes com trajetórias históricas e estruturas internas radicalmente distintas foram articuladas sob uma chancela institucional comum.

Subcapítulo 2.1: Assimetrias e a Evolução para o BRICS+:
A evolução cronológica do agrupamento evidenciou o distanciamento entre as trajetórias macroeconômicas dos membros originais. Enquanto China e Índia mantiveram expansões expressivas, consolidando-se como potências de peso global, Brasil e Rússia enfrentaram períodos de estagnação, recessão e isolamento geopolítico decorrentes de crises internas e sanções internacionais. A perda da convergência econômica original minou o fundamento inicial do acrônimo, transformando a aliança em um fórum predominantemente político e reativo à hegemonia das potências ocidentais.
A inclusão posterior da África do Sul e, mais recentemente, a expansão para o formato BRICS+ acentuaram a fragmentação interna do organismo. A incorporação de novos membros responde a conveniências diplomáticas conjunturais e à busca por maior representatividade numérica, contudo, eleva a complexidade de coordenação a níveis disfuncionais. A heterogeneidade de tamanhos populacionais, capacidades militares, orientações ideológicas e interesses estratégicos dos novos componentes dificulta a formulação de consensos mínimos. A paralisia ou a diluição do teor das declarações conjuntas reflete a impossibilidade prática de harmonizar as agendas de Estados que, em muitos casos, mantêm rivalidades geopolíticas bilaterais históricas e profundas, limitando a capacidade do bloco de atuar como um ator unificado na governança global.

Fonte: Gemini IA.

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Conclusão: Madame IA concorda plenamente com meus dois argumentos: o Sul Global é uma entidade fantasmagórica, e o BRICS é um Frankenstein. Point!

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