Mostrando postagens com marcador Le Figaro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Le Figaro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de março de 2026

A obra mais recente do intelectual francês especializado no mundo árabe e especialmente no terrorismo muçulmano, Gilles Kepel, é analisada, como sempre, por Madame IA (Le Figaro)

 A obra mais recente do intelectual francês especializado no mundo árabe e especialmente no terrorismo muçulmano, Gilles Kepel, é analisada, como sempre, por Madame IA:


Em seu novo livro, Holocausto (Plon), o professor universitário descreve o novo cenário geopolítico que emergiu após 7 de outubro e o início da guerra em Gaza. Ele aponta para os becos sem saída de um "Sul Global" cujos defensores não compartilham nada além do ódio ao Ocidente. LE FIGARO - O título do seu livro, Holocausto, pode dar a impressão de que o senhor está equiparando os pogromistas de 7 de outubro à guerra travada pelas Forças de Defesa de Israel em Gaza. O mesmo termo pode ser usado para ambos os eventos? GILLES KEPEL. O objetivo não é estabelecer uma equivalência entre o massacre em Gaza e os ataques do Hamas, que lembram pogroms, mas sim mostrar que, com o 7 de outubro e suas consequências, estamos testemunhando uma tentativa de remodelar completamente a ordem moral mundial. Após o extermínio dos judeus pelos nazistas, houve um consenso entre o bloco soviético e o Ocidente — os julgamentos de Nuremberg, em 1947, sendo sua expressão mais significativa. Contudo, hoje, em muitos países do "Sul Global", e até mesmo em certos círculos europeus e entre estudantes universitários, vemos o apagamento da memória do 7 de outubro devido ao subsequente massacre em Gaza. O fundamento ético da ordem mundial não é mais o "nunca mais" após os horrores de Hitler, mas a luta contra a colonização, retrospectivamente redefinida como genocídio. Isso altera o cenário geopolítico, uma vez que o confronto entre o Ocidente e o bloco soviético é substituído por um conflito essencializado entre um Norte que supostamente personifica todo o horror moral e o "Sul Global", que supostamente carrega todas as virtudes positivas. Para efetivar essa inversão epistemológica — e especialmente ideológica —, invoca-se o Holocausto. A África do Sul, portanto, levou um caso de genocídio contra Israel ao Tribunal Internacional de Justiça, insinuando que o povo judeu, vítima do genocídio nazista que levou a ONU a criar o Estado de Israel em 1947, tornou-se um povo genocida e, consequentemente, que seu Estado é desprovido de legitimidade. Você fala de uma nova Guerra Fria entre o "Sul Global" e o Ocidente. Não deveria esse conceito de "Sul Global" ser questionado, especialmente após o ataque jihadista que atingiu a Rússia? De fato. A noção abrangente de "Sul Global" ignora o fato de que esses estados, supostamente personificando o bem e a lei, são em sua maioria governados por regimes iliberais e repressivos e, sobretudo, que uma parcela significativa da população do Sul Global em questão, oprimida por potências autoritárias ou sofrendo com sua falência e corrupção, deseja vir viver no supostamente odiado, porém democrático e próspero, Norte Global. O exemplo mais recente foi a decisão de Ursula von der Leyen e dos demais chefes de Estado da União Europeia de pagar 7,5 bilhões de euros ao Marechal Sisi para evitar um ataque israelense a Rafah e uma possível entrada de palestinos fugindo para o Egito, o que resultaria em travessias ilegais para países europeus. Portanto, estamos lidando com um grande engano ideológico, mas também com uma aberração geopolítica. Isso porque esse chamado "Sul Global" engloba o antigo Terceiro Mundo e a maior parte do antigo bloco soviético que não foi integrada à União Europeia, ou seja, a China de Xi Jinping e a Rússia de Putin. Este último tentou a reconciliação palestina, sem sucesso, unindo o Hamas e o Fatah e estendendo o tapete vermelho para o presidente iraniano Khamenei, líder do "eixo da resistência" contra Israel. Mas ele sofreu um golpe terrível com o ataque em Moscou, reivindicado pelo Estado Islâmico no Khorasan. Este grupo é composto por sunitas ultrarradicais originários do sul muçulmano — da Rússia à Ásia Central, Afeganistão e o nordeste sunita do Irã, o Baluchistão. Eles aprimoraram suas habilidades na Síria, nas fileiras do ISIS, onde lutaram contra Bashar al-Assad e os russos que o apoiavam. Assim, são assombrados por seu próprio "Sul global". O Kremlin, apesar de se autoproclamar campeão do BRICS+, enfrenta uma ameaça jihadista em seu próprio território. A população étnica da Rússia é extremamente pequena, ainda menor que a da União Europeia, enquanto a população muçulmana da Rússia, do Cáucaso à Ásia Central, representa atualmente 20% da Federação e chegará a 30% em dez anos. Isso alterará drasticamente o equilíbrio de poder, e Moscou está lidando com a situação de forma bastante inadequada. Esse defensor do "Sul Global", paradoxalmente, possui as características internas de um país do Norte! Você fala de um "choque de civilizações inverso", um termo adotado pelos inimigos do Ocidente. Que "civilização" o "Sul Global" alega defender? Não existe uma única civilização do "Sul Global"; isso é uma fantasia. Samuel Huntington, em seu artigo de 1994 "Choque de Civilizações?", citou meu livro *A Vingança de Deus*, e posteriormente almocei com ele em Harvard. Disse-lhe que, no entanto, não compartilhava de sua visão essencialista de civilizações e religiões. Isso se deve, em particular, ao fato de que, em nosso país, temos inúmeros exemplos de cidadãos de origem muçulmana e imigrante que compartilham os valores da cidadania e até mesmo se consideram parte de nossas elites econômicas, culturais ou políticas. Eles abominam o separatismo defendido pelo movimento islâmico, que, além disso, os estigmatiza como "apóstatas". Contudo, hoje, encontramos essa visão essencialista novamente, mas sendo promovida de forma inversa pelos proponentes do "Sul Global". Para eles, todo indivíduo do "Sul Global" é moralmente bom, e o Norte é reduzido à mancha ética do colonialismo. Essa é a teoria de Huntington de cabeça para baixo! É tudo uma farsa ideológica, da qual a África do Sul, onde o ANC enfrenta dificuldades, se tornou o principal exemplo. Com a acusação de genocídio contra Israel feita pela África do Sul, você diria que a ONU também está cedendo a essa retórica? A ONU está atualmente em uma crise bastante profunda. Os Estados que afirmam representar o "Sul Global" querem que a França e o Reino Unido, antigas potências em declínio demográfico e emblemáticas culpadas de crimes coloniais, sejam expulsas do Conselho de Segurança e substituídas por países emergentes mais populosos, como a Índia ou o Brasil. A ONU se encontra em um estado de impotência sem precedentes devido à desconexão entre suas instituições e essas demandas. Isso pode ser visto, por exemplo, no caso da UNRWA, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina: um escândalo irrompeu quando os israelenses conseguiram comprovar que 12 de seus funcionários estavam entre os autores dos ataques de 7 de outubro. Philippe Lazzarini, chefe da agência, foi questionado sobre este assunto precisamente no dia em que outro órgão da ONU, o Tribunal Internacional de Justiça, emitiu sua decisão sobre o pedido da África do Sul e indicou, não que Israel era "culpado de genocídio" — como Pretória esperava — mas pediu ao Estado judeu que "tomasse medidas para prevenir quaisquer práticas genocidas". Para Israel, isso foi, portanto, uma forma de contradizer a ONU, que não tinha controle sobre a UNRWA, no exato momento em que o Tribunal Internacional de Justiça proferia um veredicto que Israel não apreciou. Mas não é apenas a ONU que é afetada por essa reconfiguração da ordem moral mundial. Os Estados Unidos também são impactados. Tradicionalmente, a política americana no Oriente Médio era ditada, antes de tudo, pelo lobby pró-Israel, tanto democrata quanto republicano. No entanto, hoje, um grupo de árabes-americanos que se uniram em Dearborn, Michigan, conseguiu estabelecer uma espécie de lobby anti-Israel em todo o estado, que influencia a eleição presidencial graças aos seus votos eleitorais. Nesse estado decisivo, que Joe Biden venceu em 2020 por apenas 150 mil votos, 100 mil eleitores votaram em candidatos indecisos nas primárias democratas, punindo o então presidente por fornecer a Israel as bombas usadas para devastar Gaza. Biden, portanto, está numa situação delicada: ou ele se alinha com as minorias árabes e africanas nos Estados Unidos, bem como com os jovens democratas, e perde os votos dos judeus americanos, que ainda o apoiam de forma esmagadora [...].

==========

Esta análise crítica processa as teses de Gilles Kepel em seu livro Holocausto, confrontando-as com a reconfiguração da ordem moral e geopolítica global contemporânea.
1. A Inversão Epistemológica: Do "Nunca Mais" ao "Anticolonialismo"
A observação central de Kepel é a substituição do paradigma ético que sustentou o pós-Guerra.
O Deslocamento do Eixo: Se em 1947 o consenso de Nuremberg estabeleceu o genocídio nazista como o "mal absoluto", hoje o "Sul Global" (e setores da academia ocidental) elege o colonialismo como o pecado original.
A Instrumentalização do Holocausto: A análise de Kepel sugere que o uso do termo "genocídio" contra Israel pela África do Sul no TIJ não é apenas uma disputa jurídica, mas uma tentativa de anular a legitimidade moral do Estado judeu, invertendo os papéis de vítima e agressor históricos para validar uma nova hierarquia de virtudes.
2. A Falácia da Civilização do "Sul Global"
Kepel desconstrói o "Sul Global" como uma entidade coesa, classificando-o como uma farsa ideológica:
Regimes Iliberais: Ele aponta a contradição de regimes autoritários e corruptos (como a Rússia e o Irã) se apresentarem como defensores da "justiça" contra um Ocidente "decadente".
O Paradoxo Migratório: O autor destaca o "plebiscito dos pés": as populações do Sul Global, embora teoricamente ensinadas a odiar o Norte, buscam refúgio e prosperidade nas democracias liberais, evidenciando a superioridade prática das instituições ocidentais sobre a retórica de seus líderes.
A Ameaça Interna Russa: A análise sobre a Rússia é perspicaz ao notar que Moscou, ao tentar liderar o BRICS+, enfrenta sua própria insurgência islâmica interna. A Rússia possui características de um país do "Norte" (demografia declinante e elite étnica minoritária) tentando gerir um "Sul" interno explosivo.
3. O Choque de Civilizações Inverso
Ao citar Huntington, Kepel propõe que vivemos uma versão essencialista invertida.
Reducionismo Moral: Enquanto Huntington via o Ocidente sob ameaça, os ideólogos do Sul Global agora veem o Norte como intrinsicamente maligno.
A Crise das Instituições Multilaterais: A paralisia da ONU e os escândalos da UNRWA são vistos como sintomas de uma organização que perdeu sua bússola moral ao tentar acomodar as exigências de potências emergentes (como Brasil e Índia) que buscam substituir a hegemonia europeia no Conselho de Segurança.
4. A Geopolítica Doméstica dos EUA
Kepel identifica o impacto direto desse "choque inverso" na política interna americana. A pressão de minorias e jovens democratas em estados-chave como Michigan (Dearborn) força Joe Biden a um equilibrismo precário: manter a aliança estratégica com Israel ou ceder à pressão de uma base eleitoral que identifica a causa palestina com a luta antirracista e anticolonial doméstica.
Síntese Crítica
A tese de Kepel sugere que o mundo não está apenas dividido por interesses econômicos, mas por uma guerra de narrativas morais. O perigo reside na perda de um padrão universal de direitos humanos em favor de um julgamento baseado na "identidade política" das nações. O Sul Global, ao se definir puramente pelo "ódio ao Ocidente", corre o risco de ignorar suas próprias contradições e o radicalismo que cresce em suas fronteiras internas.

* Comando [texto original de 2024]:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/gilles-kepel-le-sud-global-est-une.html
https://www.lcrs-politica.com/research/gilles-kepel-le-sud-global-est-une-grande-imposture-ideologique-et-une-aberration-geopolitique
** Resposta:
https://share.google/aimode/5WwjppwTj04y3XCc1

sábado, 17 de janeiro de 2026

Si Vladimir Poutine était assassiné, «l’Europe serait rayée de la carte de l’humanité» - Steve Tenré (Le Figaro)

 A outrora famosa Intelligentsia russa converteu-se numa fenomenal Ignorantsia, a julgar pelos argumentos de um dos “influencers” putinescos:


Si Vladimir Poutine était assassiné, «l’Europe serait rayée de la carte de l’humanité», prévient l’idéologue russe Sergueï Karaganov

Par Steve Tenré

Le Figaro, 17 Janvier 2026

Figure clé du bellicisme russe, Sergueï Karaganov a multiplié ces derniers mois les propos menaçants à l’encontre de l’Europe, estimant qu’elle était «redevenue l’expression la plus absolue du mal qui ronge l’humanité».

Une nouvelle menace de la part d’un proche du Kremlin. Invité du podcast de l’ancienne vedette de Fox News Tucker Carlson, l’idéologue russe Sergueï Karaganov a estimé qu’en cas d’assassinat de Vladimir Poutine, «l’Europe serait rayée de la carte de l’humanité». «On commencera à attaquer l’Europe avec des armes conventionnelles, puis (avec) des vagues de missiles nucléaires». Et de cingler: «Ces idiots ne comprennent rien d’autre que la souffrance physique.»

Figure clé du bellicisme russe, Sergueï Karaganov est le président d’honneur de l’influent Conseil de politique étrangère et de défense (SVOP). Antieuropéen par excellence, bien qu’il dise avoir été «europhile il y a encore 40 ans», il a multiplié ces derniers mois les propos menaçants à l’encontre de l’Europe, estimant notamment en décembre que l’Europe est «redevenue l’expression la plus absolue du mal qui ronge l’humanité».

«Défaite inconditionnelle de l’Europe»

Interrogé par Tucker Carlson quant à la fin éventuelle de la guerre, Karaganov cingle: «Cette guerre ne se terminera que lorsque la Russie parviendra à obtenir une défaite inconditionnelle de l’Europe. Espérons-le, sans la détruire. Nous ne combattons pas l’Ukraine ou Zelensky, nous combattons à nouveau l’Europe, qui est la source de tous les maux dans l’histoire de l’humanité.»

Au cours de cette heure d’interview, Karaganov, qui estime que les élites intellectuelles et politiques européennes se sont «totalement dégradées» au fil des années, sous-entend que la totalité de l’Europe partageait le nazisme allemand lors de la seconde guerre mondiale. «L’Europe nous a envahis à plusieurs reprises lors des deux guerres mondiales. Malgré leurs défaites, ils poussent encore pour une guerre. L’Europe a entraîné les États-Unis dans leurs guerres», estime-t-il également. Une façon comme une autre de ne pas se mettre l’administration Trump à dos.

«L’Europe a été la source des pires affres de l’humanité: le racisme, le colonialisme... Elle est la source du “post-humain” et tente d’exporter (son idéologie). Je ne parle pas de toute l’Europe, il y a beaucoup de gens loin de tout ça et il existe de bons pays», poursuit-il. Ce discours propagandiste, largement documenté par moult observateurs, vise à diviser le peuple européen et à «semer la discorde entre les États membres de l’UE, à saper le soutien à l’Ukraine et à miner la cohésion stratégique de l’alliance occidentale», assure le ministère des Armées sur son site.

«L’Europe est une blague»

Et à Karaganov d’ajouter: «Nous réfléchissons à un armistice, offert par Donald Trump, mais tant que les élites européennes continuent de vouloir poursuivre la confrontation», la guerre ne pourra pas s’arrêter. «J’étais un europhile il y a encore 40 ans (mais aujourd’hui) l’âge d’or est terminé».

Il accuse même, sans fournir une quelconque preuve ou élément tangible: «(Les élites européennes) ont besoin d’une guerre pour rationaliser leurs envies de rester au pouvoir. (...) Ils pensent que la guerre ne viendra jamais sur leur territoire, ils ont oublié ce qu’était la guerre.» Il cingle, enfin: «Désormais, l’Europe est une blague, alors qu’elle était l’un des centres de pouvoir du monde. Je n’ai plus d’interlocuteurs en Europe.»

Le discours de ce proche conseiller du Kremlin, diffusé ce vendredi sur les réseaux sociaux, tranche avec la dernière déclaration du Kremlin, qui a qualifié vendredi de «positive» la volonté affichée de certains pays européens, dont l’Italie et la France, de restaurer le dialogue avec la Russie. «Si cela reflète réellement la vision stratégique des Européens, il s’agit d’une évolution positive de leur position», a déclaré aux journalistes le porte-parole de la présidence russe, Dmitri Peskov, disant avoir «pris note des déclarations faites ces derniers jours par plusieurs dirigeants européens». «À Paris, à Rome et même à Berlin, ils ont dit qu’il fallait parler avec les Russes pour assurer la stabilité en Europe. Cela correspond tout à fait à notre vision», a poursuivi Dmitri Peskov. Comme toujours, les intentions du Kremlin sont floues et changeantes... Probablement à dessein.


domingo, 12 de outubro de 2025

UNE ANALYSE DE LA SITUATION RUSSO-UKRAINIENNE HORS PROPAGANDE ... - Andreï Makine (Le Figaro)

UNE ANALYSE DE LA SITUATION RUSSO-UKRAINIENNE HORS PROPAGANDE ...

Andreï Makine

Le Figaro, 12/10/2025

FIGAROVOX/ENTRETIEN - L'académicien franco-russe, prix Goncourt 1995, s'afflige de voir l'Ukraine transformée en  « chaudron guerrier ». Il se défend d'être pro-Kremlin et regrette une vision « manichéenne » du conflit « qui empêche tout débat ».

Andreï Makine, né en Sibérie, a publié une douzaine de romans traduits dans plus de quarante langues, parmi lesquels Le Testament français (prix Goncourt et prix Médicis 1995), La Musique d'une vie (éd. Seuil, 2001), et, plus récemment, Une femme aimée (Seuil). Il a été élu à l'Académie française en 2016.

FIGAROVOX -  En tant qu'écrivain d'origine russe, que vous inspire cette guerre ?

Andreï MAKINE. - Pour moi, elle était impensable. J'ai en tête les visages de mes amis ukrainiens à Moscou, que je voyais avant tout comme des amis, pas comme des Ukrainiens. Le visage de leurs enfants et de leurs petits-enfants, qui sont dans ce chaudron guerrier. Je plains les Ukrainiens qui meurent sous les bombes, tout comme les jeunes soldats russes engagés dans cette guerre fratricide. Le sort du peuple qui souffre m'importe davantage que celui des élites. Comme le disait Paul Valéry, «la guerre, ce sont des hommes qui ne se connaissant pas et qui se massacrent au profit d'hommes qui se connaissent et ne se massacrent pas.

- Une partie de la presse vous qualifie d'écrivain pro-Poutine. L'êtes-vous ?

C'est une journaliste de l'AFP qui m'a collé cette étiquette il y a une vingtaine d'années. C'était juste après le départ de Boris Eltsine dont le bilan était catastrophique pour la Russie. Je lui avais expliqué que Eltsine, dans un état d'ébriété permanent, avec la responsabilité du bouton atomique, représentait un vrai danger. Et que j'espérais que la Russie pourrait devenir un peu plus rationnelle et pragmatique à l'avenir. Mais elle a titré : « Makine défend le pragmatisme de Poutine. » Comme c'était une dépêche de l'AFP, cela a été repris partout. Et lorsque je suis entré à l'Académie, un grand hebdo, dont par charité je tairai le nom, a, à son tour, titré : « Makine, un Poutinien à l'Académie » … Cela en dit long sur le monde de mensonge dans lequel nous vivons.

- Vous condamnez l'intervention russe…

Mon opposition à cette guerre, à toutes les guerres, ne doit pas devenir une sorte de mantra, un certificat de civisme pour les intellectuels en mal de publicité, qui tous cherchent l'onction de la doxa moralisatrice. À force de répéter des évidences, on ne propose absolument rien et on en reste à une vision manichéenne qui empêche tout débat et toute compréhension de cette tragédie. On peut dénoncer la décision de Vladimir Poutine, cracher sur la Russie, mais cela ne résoudra rien, n'aidera pas les Ukrainiens.

Pour pouvoir arrêter cette guerre, il faut comprendre les antécédents qui l'ont rendue possible. La guerre dans le Donbass dure depuis huit ans et a fait 13 000 morts, et autant de blessés, y compris des enfants. Je regrette le silence politique et médiatique qui l'entoure, l'indifférence à l'égard des morts dès lors qu'ils sont russophones. Dire cela, ne signifie pas justifier la politique de Vladimir Poutine. De même que s'interroger sur le rôle belliciste des États-Unis, présents à tous les étages de la gouvernance ukrainienne avant et pendant la « révolution du Maïdan », n'équivaut pas à dédouaner le maître du Kremlin. Enfin, il faut garder à l'esprit le précédent constitué par le bombardement de Belgrade et la destruction de la Serbie par l'Otan en 1999 sans avoir obtenu l'approbation du Conseil de sécurité des Nations unies. Pour la Russie, cela a été vécu comme une humiliation et un exemple à retenir. La guerre du Kosovo a marqué la mémoire nationale russe et ses dirigeants.

Lorsque Vladimir Poutine affirme que la Russie est menacée, ce n'est pas un « prétexte » : à tort ou à raison, les Russes se sentent réellement assiégés, et cela découle de cette histoire, ainsi que des interventions militaires en Afghanistan, en Irak et en Libye. Une conversation rapportée entre Poutine et le président du Kazakhstan résume tout. Ce dernier tente de convaincre Poutine que l'installation de bases américaines sur son territoire ne représenterait pas une menace pour la Russie, qui pourrait s'entendre avec les États-Unis. Avec un petit sourire triste, Poutine répond : « C'est exactement ce que disait Saddam Hussein ! »

Encore une fois, je ne légitime en aucune manière la guerre, mais l'important n'est pas ce que je pense, ni ce que nous pensons. En Europe, nous sommes tous contre cette guerre. Mais il faut comprendre ce que pense Poutine, et surtout ce que pensent les Russes, ou du moins une grande partie d'entre eux.

- Vous présentez la guerre de Poutine comme une conséquence de la politique occidentale. Mais le président russe ne nourrit-il pas une revanche contre l'Occident depuis toujours ?

J'ai vu Vladimir Poutine en 2001, peu après sa première élection. C'était un autre homme avec une voix presque timide. Il cherchait la compréhension des pays démocratiques. Je ne crois pas du tout qu'il ait eu déjà en tête un projet impérialiste, comme on le prétend aujourd'hui. Je le vois davantage comme un réactif que comme un idéologue. À cette époque-là, le but du gouvernement russe était de s'arrimer au monde occidental. Il est idiot de croire que les Russes ont une nostalgie démesurée du goulag et du Politburo. Ils ont peut-être la nostalgie de la sécurité économique, de l'absence de chômage. De l'entente entre les peuples aussi : à l'université de Moscou, personne ne faisait la différence entre les étudiants russes, ukrainiens et ceux des autres républiques soviétiques… Il y a eu une lune de miel entre la Russie et l'Europe, entre Poutine et l'Europe avant que le président russe ne prenne la posture de l'amant trahi. En 2001, Poutine est le premier chef d'État à proposer son aide à George W. Bush après les attentats du 11 septembre. Via ses bases en Asie centrale, la Russie facilite alors les opérations américaines dans cette région. Mais, en 2002, les États-Unis sortent du traité ABM, qui limitait l'installation de boucliers antimissiles. La Russie proteste contre cette décision qui ne peut, d'après elle, que relancer la course aux armements. En 2003, les Américains annoncent une réorganisation de leurs forces, en direction de l'Est européen.

Poutine s'est durci à partir de 2004 lorsque les pays anciennement socialistes ont intégré l'Otan avant même d'intégrer l'Union européenne, comme s'il fallait devenir anti-russe pour être Européen. Il a compris que l'Europe était vassalisée par les États-Unis. Puis il y a eu un véritable tournant en 2007 lorsqu'il a prononcé un discours à Munich en accusant les Américains de conserver les structures de l'Otan qui n'avaient plus lieu d'être et de vouloir un monde unipolaire. Or, en 2021, lorsqu'il arrive au pouvoir, Joe Biden ne dit pas autre chose lorsqu'il déclare que « l'Amérique va de nouveau régir le monde ».

- On a le sentiment que vous renvoyez dos à dos les Occidentaux et les Russes. Dans cette guerre, c'est bien la Russie l'agresseur…

Je ne les renvoie pas dos à dos. Mais je regrette que l'on oppose une propagande européenne à une propagande russe. C'est, au contraire, le moment pour l'Europe de montrer sa différence, d'imposer un journalisme pluraliste qui ouvre le débat. Lorsque j'étais enfant dans la Russie soviétique et qu'il n'y avait que la Pravda, je rêvais de la France pour la liberté d'expression, la liberté de la presse, la possibilité de lire différentes opinions dans différents journaux. La guerre porte un coup terrible à la liberté d'expression : en Russie, ce qui n'est guère surprenant, mais aussi en Occident. On dit que « la première victime de la guerre est toujours la vérité ». C'est juste, mais j'aurais aimé que ce ne soit pas le cas en Europe, en France.

- Comment peut-on prétendre défendre la démocratie en censurant des chaînes de télévision, des artistes, des livres ?

De mon point de vue, la fermeture de la chaîne RT France par Ursula von der Leyen, présidente non élue de la Commission européenne, est une erreur qui sera fatalement perçue par l'opinion comme une censure. Comment ne pas être révolté par la déprogrammation du Bolchoï de l'Opéra Royal de Londres, l'annulation d'un cours consacré à Dostoïevski à Milan ? Comment peut-on prétendre défendre la démocratie en censurant des chaînes de télévision, des artistes, des livres ? C'est le meilleur moyen, pour les Européens, de nourrir le nationalisme russe, d'obtenir le résultat inverse de celui escompté. Il faudrait au contraire s'ouvrir à la Russie, notamment par le biais des Russes qui vivent en Europe et qui sont de manière évidente pro-européens. Comme le disait justement Dostoïevski : « chaque pierre dans cette Europe nous est chère. »

- La propagande russe paraît tout de même délirante lorsque Poutine parle de « dénazification »

Le bataillon Azov, qui a repris la ville de Marioupol aux séparatistes en 2014, et qui depuis a été incorporé à l'armée régulière, revendique son idéologie néo-nazie et porte des casques et des insignes ayant pour emblème le symbole SS et la croix gammée. Il est évident que cette présence reste marginale et que l'État ukrainien n'est pas nazi, et ne voue pas un culte inconditionnel à Stepan Bandera. Mais des journalistes occidentaux auraient dû enquêter sérieusement sur cette influence et l'Europe condamner la présence d'emblèmes nazis sur son territoire. Il faut comprendre que cela ravive chez les Russes le souvenir de la Seconde guerre mondiale et des commandos ukrainiens ralliés à Hitler, et que cela donne du crédit, à leurs yeux, à la propagande du Kremlin.

- Au-delà du débat sur les causes et les responsabilités de chacun dans la guerre, que pensez-vous de la réponse européenne ?

Bruno Le Maire a été critiqué pour avoir parlé de guerre totale, mais il a eu le mérite de dire la vérité et d'annoncer la couleur, loin de l'hypocrisie de ceux qui envoient des armes et des mercenaires et entendent ruiner l'économie russe, mais prétendent qu'ils ne font pas la guerre. En vérité, il s'agit bien de provoquer l'effondrement de la Russie, l'appauvrissement de son peuple. Il faut le dire clairement : l'Occident est en guerre contre la Russie.

Cependant, s'il y a un aspect positif pour la possible démocratisation de la Russie, c'est que l'on va anéantir la construction oligarchique qui est une vraie tumeur depuis les années 90. J'invite les dirigeants européens à exproprier les oligarques prédateurs, à confisquer ces milliards de roubles volés et investis à Londres et, plutôt que de les bloquer comme on le fait aujourd'hui, à les donner aux pauvres en Europe et en Russie.

- Que peut-on faire d'autre ?

Pour cesser les hostilités, pour donner un avenir à l'Ukraine, on pense toujours qu'il faut avancer ; parfois il faut, au contraire, reculer. Il faut dire : « on s'est trompé ». En 1992, après la chute du mur de Berlin, nous nous trouvions à une bifurcation. Nous nous sommes trompés de chemin. Je pensais alors véritablement qu'il n'y aurait plus de blocs, que l'Otan allait être dissoute car l'Amérique n'avait plus d'ennemi, que nous allions former un grand continent pacifique. Mais je pressentais aussi que cela allait exploser car il y avait déjà des tensions : dans le Caucase, en Arménie dans le Haut-Karabakh… À l'époque, j'avais écrit une lettre à François Mitterrand.

- Quel était le contenu de cette lettre ?

J'ignore s'il l'a reçue, mais j'évoquais la construction d'une Europe qui n'avait rien à voir avec le monstre bureaucratique représenté aujourd'hui par Madame von der Leyen. Je rêvais d'une Europe respectueuse des identités, à l'image de la Mitteleuropa de Zweig et de Rilke. Une Europe finalement plus puissante car plus souple, à laquelle on aurait pu adjoindre l'Ukraine, les Pays Baltes et pourquoi pas la Biélorussie. Mais une Europe sans armes, sans blocs militaires, une Europe composée de sanctuaires de la paix. Les deux garants de cette architecture auraient été la France et la Russie, deux puissances nucléaires situées aux deux extrémités de l'Europe, chargées légalement par l'ONU de protéger cet ensemble.

- Est-ce réaliste ?

La Mitteleuropa n'est pas une utopie, elle a existé. Je veux y croire et marteler cette idée. Il y a quelques années, j'ai rencontré Jacques Chirac puis Dominique de Villepin, qui partageaient cette vision d'une Europe de Paris à Saint-Pétersbourg. Mais les Américains en ont décidé autrement. Cela aurait signifié la fin de l'Otan, la fin de la militarisation de l'Europe qui, appuyée sur la Russie et ses richesses, serait devenue trop puissante et indépendante. J'espère tout de même qu'un nouveau président s'emparera de cette idée. L'Europe est un Titanic qui sombre et d'un pont à l'autre, on se bat.

Cette situation est tellement tragique, tellement chaotique, qu'il faudrait proposer une solution radicale, c'est-à-dire revenir à la bifurcation de 1992 et reconnaître qu'il ne fallait pas relancer la course aux armements, reprendre cette direction démocratique et pacifique qui pouvait très bien inclure la Russie. Cela damnerait le pion aux tendances extrêmes en Russie. Cela éviterait l'effondrement politique et économique qui concerne toute la planète. Ce serait une issue honorable pour tout le monde et cela permettrait de construire une Europe de la paix, des intellectuels, de la culture. Notre continent est un trésor vivant, il faut le protéger. Hélas, on préfère prendre le contre-pied de cette proposition : bannir Dostoïevski et faire la guerre. C'est la destruction garantie car il n'y aura pas de vainqueur.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Lucio Dalla vu par Le Figaro

A matéria do Figaro sobre Lucia Dalla, com links para suas músicas mais famosas:

  • La disparition de Lucio Dalla

    Mots clés : 
    Par Richard HeuzéMis à jour  | publié  Réactions (2)
    Lucio Dalla aurait eu 69 ans le 4 mars prochain.
    Lucio Dalla aurait eu 69 ans le 4 mars prochain. Crédits photo : Joel Ryan/ASSOCIATED PRESS

    Le troubadour de l'Italie, auteur de la chanson Caruso, est mort d'un infarctus lundi, à Montreux, en Suisse.

    ll aurait eu 69 ans dans deux jours. Lucio Dalla était en tournée en Suisse et devait donner un concert le jour de son anniversaire. Une crise cardiaque l'a emporté dans son hôtel, à Montreux. La veille, il avait dîné en compagnie de ses amis. Il y a deux semaines, il était apparu au théâtre Ariston de San Remo, pour sa dixième participation au festival italien de la chanson. C'est là qu'il avait fait ses débuts en 1967. Sa date de naissance constitue le titre d'un de ses plus grands succès: 4/3/1943, en 1971. Comme Luciano Pavarotti, il était originaire de Bologne. À treize ans, sa mère Iole lui offre une clarinette. Il s'y adonne avec passion et se tourne vers le jazz, s'initiant aussi au saxophone et au piano.

    En 1960, il se produit au Festival d'Antibes et rejoint deux ans plus tard les Flippers, un des groupes les plus connus de l'époque. Il enregistre plusieurs 45-tours avant de créer son propre groupe, Idoli, avec lequel il sortira en 1966 son premier album, 1999, sur des textes de Gino Paoli. Malgré son caractère d'ours mal léché, il s'attire la sympathie du public.

    «Je chante pour Dieu»

    Avec les années 1970, il change de registre et travaille avec Roberto Roversi, un poète de Bologne avec lequel il produira trois albums en quatre ans. L'un des plus célèbres, sorti en 1976, Automobili («Les automobiles») avec un éloge au pilote Tazio Nuvolari et une parodie d'interview de Gianni Agnelli.
    Trois ans plus tard, après Banana Republic, il remplit les stades. Roversi voulait radicaliser ses textes, les rendre plus politiques. Lucio Dalla prend ses distances. Il se rapproche alors du chanteur Francesco De Gregori, avec lequel il liera une grande amitié. En 1986, sort Dallamericaruso, œuvre enflammée consacrée au célèbre ténor napolitain, qui obtient un immense succès aux États-Unis.

    Commence une nouvelle période, pendant laquelle Lucio Dalla se montre moins exigeant sur les textes, se laisse tenter par des mélanges de pop et de musique baroque. Il se produit avec Gianni Morandi avec qui il fait de longues tournées, aborde un registre lyrique avec une Tosca en collaboration avec la chanteuse Mina, interprète Vivaldi avec les Solisti Veneti, multiplie CD et spectacles, écrit des musiques de films, collabore à des spectacles d'opéra sur Stravinsky à Bologne.
    Le 2 janvier 2010, il retrouve sur scène Francesco De Gregori pour les trente ans de Banana Republic. Ces dernières années, il s'était rapproché de l'Église et déclarait lire les livres du Pape. «Je chante pour Dieu, déclarait-il en novembre lors de la présentation de son dernier album. Je crois plus dans les choses que l'on ne voit pas que dans celles que l'on voit.»


Postagem em destaque

250 años de un texto radical: Adam Smith y La Riqueza de las Naciones - Ian Vásquez (El Cato Institute)

250 años de un texto radical Ian Vásquez conmemora los 250 años de la publicación de La riqueza de las naciones, la célebre obra de Adam Smi...