O comentário abaixo lista apenas alguns, poucos, pouquissimos exemplos das falcatruas que vem sendo feitas com o dinheiro de todos os brasileiros, para beneficiar alguns espertinhos, que alegaram "resistência contra a ditadura" para enriquecer -- ou pelo menos viver da poupança alheia -- à custa de todos os brasileiros...
A desfaçatez é tão grande que nem tenho palavras para classificar esse tipo de imoralidade.
Paulo Roberto de Almeida
A empulhação da bolsa-ditadura
Reinaldo Azevedo, 12.08.2010
Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, considerou um “retrocesso” a revisão do valor de algumas indenizações pagas a “perseguidos políticos” ou a seus familiares.
É mesmo?
A indenização virou a farra do boi. Há alguns casos realmente fabulosos. O cartunista Ziraldo, que ficou rico com o jornal Pasquim, recebeu R$ 1 milhão a título de pagamento retroativo e tem pensão mensal de R$ 4.375. Por quê? Jaguar, seu amigo e sócio, não ficou tão rico porque, confessadamente, diz ter bebido tudo o que ganhou. A ditadura proibia as pessoas de dizer certas coisas, é verdade. Mas não impunha a ninguém que bebesse a própria fortuna. Millôr Fernandes, que também foi do Pasquim, não pediu indenização e afirma que luta contra a ditadura não era poupança. Na mosca.
A viúva de Carlos Lamarca foi indenizada e recebe uma gorda pensão. O homem era militar, desertou, matou seus pares. A comissão decidiu promovê-lo postumamente — como se tivesse competência pra isso —,antes de decidir o valor da prebenda. Promoção? Para Lamarca? Por que mesmo? Por serviços prestados ao Exército ou à causa comunista? A coisa toda é de um ridículo atroz.
Carlos Heitor Cony, que chegou a redigir um dos editoriais do Correio da Manhã em favor do golpe militar — isso é história — se disse perseguido porque demitido mais tarde. Recebeu pouco mais de R$ 1,4 milhão! E sua pensão mensal era de mais de de R$ 23 mil até outro dia. A quantas anda hoje, não sei. Terá ele aberto mão de tamanha generosidade? Seria o moral. Afinal, pouco depois da demissão, virou uma estrela do Grupo Manchete, com sala decorada com mármore rosa importando sei lá de onde — mas era podre de chique! —, numa revista que não dizia um “a” contra o regime, muito pelo contrário. Sua única veia de contestação, se assim se pode chamar, era uma fotinho de Adolfo Bloch abraçado a Juscelino, que tinha sido importante para a consolidação do grupo. Que eu saiba, Cony foi o mais premiado de todos. Justiça?
Indenização a quem realmente padeceu agruras quando já rendido por agentes do Estado? Compreendo, defendo e sou favorável. Indenização a quem refez plenamente a sua carreira e, em alguns casos, até ficou rico, ainda que por vias oblíquas, com a ditadura? É oportunismo da pior espécie. Indenização a quem pegou em armas (ou seus descendentes) para derrubar o regime, consciente dos riscos que corria, para matar ou morrer — e muitos mataram em vez de morrer? É uma indignidade.
Esse descalabro tem de ser revisto. Entre as indenizações pagas e as já aprovadas, o espeto passa de R$ 4 bilhões. E quem paga não é a ditadura. Quem paga é o povo brasileiro.
PS - Só para lembrar. Lula também recebe a prebenda. A grana passa de R$ 6 mil por mês. Por quê? Porque ficou 30 dias preso no começo dos anos 80 — aquela prisão junto com o “Menino do MEP”… Felizmente, não lhe tocaram num fio de cabelo. No de Lula, quero dizer. Estava construindo o PT, por meio do qual chegaria à Presidência da República, e jamais deixou de receber um mês de salário, pago primeiro pelo sindicato e depois pelo partido. Usou aquele evento para se fazer de mártir, grande militante, representante do povo e, finalmente, presidente.
Agora todo-poderoso, defende os regimes iraniano e cubano, entre outras tiranias, notórios por torturar e matar prisioneiros.
Memória é importante em jornalismo.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Mostrando postagens com marcador bolsa-ditadura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bolsa-ditadura. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)
Postagem em destaque
Eleições e Cebolas - Paulo Gustavo (Revista Será?)
*Revista Será? ANO XIV | Eleições e Cebolas - Paulo Gustavo* Ao reler Mário e o mágico, de Thomas Mann, Paulo Gustavo aproxima a figura de...
-
Minha entrevista desta sexta-feira 25/02/2022, sobre a dramática situação da Ucrânia no canal +BrasilNews. 1437. “ Entrevista sobre a Ucrân...
-
Parece que foi ontem: o livro começou a circular com mais facilidades fazem mais ou menos 500 anos. E eu já consegui acumular, creio, uns 5 ...
-
Quase um ano atrás, em viagem de férias entre o final de 2022 e o começo de 2023, eu fazia meus votos de sucesso ao presidente no início do...
-
Natan Elkin: https://natanelkin.wordpress.com/2019/10/20/segunda-contribucion-ilustrada-para-el-centenario-de-la-oit/ Segunda contribuc...
-
FAQ do Candidato a Diplomata por Renato Domith Godinho TEMAS: Concurso do Instituto Rio Branco, Itamaraty, Carreira Diplomática, MRE, Diplom...
-
Não, o título não é de economista-articulista, mas se refere apenas a um dos tópicos da discussão abaixo. Vocês vão descobrir por que... Pa...
-
Contra o Voto Nulo: meus critérios de escolha Paulo Roberto Almeida Existe uma controvérsia pairando sobre as comunicações que circu...
-
O que esse jornalista alemão (com experiência no terreno) diz sobre a ajuda ao desenvolvimento africano se aplica, mutatis mutandis, a toda ...
-
Imagem negativa do Brasil aumenta em Washington após críticas públicas aos EUA e a Obama Paulo Sotero* O Estado de São Paulo , Domingo, 20 d...
-
Estimadas y estimados colegas, Les envío el programa del VI Congreso Internacional «Historias & Diplomacias. Renovaciones y agendas ...