Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
5464. “A Política Externa e as Eleições
Presidenciais no Brasil em 2010 e em 2026”, Brasília, 19 setembro 2026, 9 p.
Recuperação do trabalho 2171/2010, quando fui convidado para um debate na UnB,
e não pude comparecer, por estar fora do Brasil, e breves comentários, em 2026,
sobre algo que não existe, ou seja, um verdadeiro debate sobre a política
externa, a não ser invectivas sobre a “defesa da soberania” de um lado, e de
outro a incitação a uma interferência externa pelo chamado “imperador
hemisférico”. Postado o conjunto, inclusive mensagens paralelas trocadas com o
organizador do debate em 2010, no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/a-politica-externa-e-as-eleicoes.html).
5472. “Élections
au Brésil: une approche indépendante sur la polarisation”, Brasília, 22
septembre 2016, 5 p. Synthèse des
échanges au sujet d’un colloque à l’Académie des Sciences d’Outremer,
16/10/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link :https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/elections-au-bresil-une-approche.html).
Transcrevo abaixo a divulgação, por um colega do grupo da Revista Será?, da qual sou colaborador, sobre o estado mental daqueles muito preocupados com o resultado, os resultados, da próxima eleição presidencial, talvez em um turno, talvez em dois. PRA
"Transcrevo abaixo artigo publicado hoje na Folha de SP de autoria do sociólogo Zeca Martins, coordenador do Derrubando Muros, grupo do qual faço parte. Subscrevo sua declaração de voto e as razões que a embasam. OT
Opinião Para não perder o direito de não gostar • Meu voto não absolve o governo Lula, que de fato é muito ruim, com desempenho desastroso • A questão é impedir que Flávio Bolsonaro ameace a liberdade que tenho de dizer o que penso José César Martins Folha de S. Paulo, 17/09/2026
Considero muito ruim o governo Lula (PT). Na política, na ciência e tecnologia e na segurança pública, o desempenho é desastroso. Na educação e na saúde, medíocre. No conjunto, ruim. E com suspeitas que continuam a exigir respostas. A proximidade da eleição não absolve esse governo. Há, porém, uma circunstância decisiva: posso combatê-lo. Posso escrever o que penso, atacar suas escolhas, levantar da cadeira para dizer isso na cara de qualquer ministro. Minha família não precisa entrar no cálculo das consequências. Quem aprendeu do jeito mais difícil o preço de enfrentar uma ditadura sabe o tamanho dessa diferença. É desse lugar que escrevo. Faltam poucos dias para as eleições. Considero mais provável a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), em 4 de outubro ou no segundo turno. Um sujeito com moral de miliciano, disposto a sabotar a democracia, seguindo a tradição da família. Confundir esse risco com mais uma alternância de governo exige uma distração que nenhum democrata tem o direito de cultivar. O grupo Derrubando Muros tem o privilégio de acesso aos principais institutos de pesquisas eleitorais. Conhecemos nuances e correlações que escapam aos leigos. Isso ajuda a saber antes. Mas nenhuma sutileza estatística é condição necessária para reconhecer o intolerável quando ele se apresenta. Nem nos dispensa de fazê-lo. Nem de reagir diante disso. Em 2022, votei em Lula no segundo turno. Nunca havia votado no PT, assim como a maioria dos que fizeram aquela escolha comigo. Foi uma decisão de risco político e reputacional, diante de uma ameaça maior. Não pedi reconhecimento, não negociei contrapartidas, não condicionei o voto. Votei para impedir o pior. Quatro anos de gestão não melhoraram minha avaliação do governo. A do PT, menos ainda. O precipício, o apego à democracia, este cresceu. E eu me pergunto o que farei com minha coleção de críticas corretas se outro da dinastia familiar dos Bolsonaros ocupar a Presidência da República também por minha omissão. Vou apresentar meu muxoxo como prova de coerência? Há tempo para exigir mudança, confrontar e fazer oposição. Há também a hora de separar o que nos desagrada do que pode destruir nossa vida em comum. Família, amigos, valores, democracia: não ponho nada disso na mesa de apostas para preservar o conforto de uma posição. Um governo ruim pode ser enfrentado e substituído. A destruição das instituições que permitem enfrentá-lo cobra outro preço. É aí que passa a fronteira. Para enxergá-la, não preciso gostar de Lula, absolver o PT ou recolher uma única crítica. Preciso distinguir um desempenho medíocre de uma ameaça ao direito de combatê-lo. Levo semanas amadurecendo essa posição. É pessoal, desconfortável e clara. Considero uma obrigação torná-la pública. Quero continuar podendo fazer oposição de cabeça erguida, sem hesitação, sem ter de escolher entre a palavra e a segurança dos meus. Não escolho as circunstâncias em que preciso decidir. Mas respondo pelo que permito por omissão. Prefiro continuar fazendo oposição a um governo ruim a ser impedido de enfrentar o próximo. Meu voto não absolve o governo atual. É uma escolha para impedir que Flávio Bolsonaro chegue ao poder e ameace a liberdade que tenho de dizer o que penso.
Recebi, neste dia de jogo do Brasil contra a Escócia, um convite para falar sobre as eleições brasileiras deste ano para uma audiência francesa (provavelmente online). Ainda não é o caso de formular minha avaliação sobre o pleito (os pleitos) deste ano, em outubro, mas lembrei-me de que em 26 de setembro de 2022 eu respondi a questionamentos de um jornalista francês. Respondi às suas poucas questões, nunca divulgadas, o que faço agora:
Élections au Brésil (2022): réponses Paulo Roberto de Almeida Paulo Roberto de Almeida Diplomata, professor (diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com) Réponses à questions de journaliste sur les élections au Brésil
1) Est ce que l’on peut dire qu’il y a des Swing States au Brésil ou pas ? PRA : Non pas dans le sens américain, où la différence d’un seul vote peut faire tourner tout le collège électoral d’un état en faveur d’un seul candidat, qui alors rafle tous les représentants de cet état. Au Brésil chaque voix individuelle compte, dans un unique corpus électoral national, n’importe qui sort vainqueur dans chaque état particulier, dont l’électorat est valable pour chaque circonscription fédérale, mais pas au niveau national. Cela étant, il y a certainement des états importants, par leur composition démographique et par leurs concentrations économiques, dans les choix des électeurs. Le Brésil est un des pays les plus important par la puissance de l’agrobusiness, et ce secteur (le seul à délivrer des surplus commerciaux significatifs) tend naturellement à être conservateur, sinon droitier à l’extrême, et doit donner beaucoup des votes à Jair Bolsonaro. Mais l’agrobusiness est présent dans tous les états, avec une prééminence dans le vaste hinterland des hauts plateaux. Minas Gerais, de son côté, possède tous les secteurs économiques du Brésil : l’industrie, les minerais, l’agrobusiness, la petite agriculture de subsistance, tous les petits secteurs et les plus grandes aciéries, et constitue, peut-être, une plaque tournante, dans ces élections, car les gens de Minas Gerais peuvent se tourner à gauche ou à droite. São Paulo est l’état le plus avancé et le plus progressiste, avec Rio, mais aussi le plus conservateur hors de sa capitale. Le Nord-Est, plus arriéré, tend à favoriser les populistes de n’importe quelle tendance, gauche et droite, pourvu qu’ils octroient des bénéfices aux pauvres, qui sont nombreux, mal éduqués et tous dépendants des gouvernements.
2) Il y a des États qui sont fondamentaux pour la présidentielle, lesquels en dehors de Sao Paulo, Rio, Bahia ? PRA : Même des petits états, comme Santa Catarina et Mato Grosso, peuvent faire la différence, si jamais ils concentrent leurs votes dans un candidat, dans ce cas, dans Bolsonaro. Cette élection n’est pas comme les autres, à cause de la radicalisation.
3) On dit que le vainqueur de la présidentielle dans le Minas est celui élu ? Un état test ou pas ? Pourquoi ? PRA : Ce n’est pas scientifique, mais peux de présidents ont été élus sans gagner dans les Minas Gerais. Comme indiqué plus haut, c’est un grand état, avec son Nord arriéré et son Sud développé, avec toutes sortes d’activités économiques. Les candidats doivent donc promettre tout à les uns et les autres.
4) Oublie-t ’on trop dans la presse internationale les votes gouverneurs ? Ainsi que les élections parlementaires ? Qui se déroulent en même temps. PRA : Sauf les préfets et les échevins, tous sont élus à chaque quatre ans, sauf 1/3 ou 2/3 des sénateurs, qui ont un mandat de huit ans. La structure fédérative du Brésil peut compliquer les arrangements au niveau national, car la représentation proportionnelle n’est pas vraiment proportionnelle, le Nord et le Centre-Ouest possédant plus des représentants que population, et les petits états aussi, tandis que São Paulo est plafonné sur 71 députés, quand il devrait avoir 120, car c’est le plus grand nombre d’électeurs. Cela est absolument stratégique quand il s’agit de s’accorder sur les règles tributaires, car il y cinq états qui sont de « payeurs » ou des contributeurs nets, et 21 états qui sont des récepteurs de fonds fédéraux.
Anatomia do Sistema Eleitoral e a Inexistência de Estados Pêndulo
O ensaio do embaixador Paulo Roberto de Almeida resgata uma entrevista concedida a um jornalista francês em setembro de 2022 para analisar as engrenagens do sistema político-eleitoral brasileiro, estabelecendo um contraponto crítico com o modelo dos Estados Unidos. A primeira decodificação conceitual promovida pelo autor demonstra atotal inaplicabilidade do conceito de "Swing States" (estados pêndulo) no cenário nacional. Enquanto a estrutura norte-americana se ancora em um colégio eleitoral indireto baseado no princípio majoritário distrital do "winner-take-all", o modelo brasileiro para o poder executivo opera sob o crivo dovoto popular direto unificado, onde cada sufrágio individual possui peso idêntico dentro de um único corpus nacional. Portanto, a oscilação de maiorias em distritos específicos afeta as bancadas regionais e as dinâmicas locais, mas é incapaz de transferir compulsoriamente blocos fechados de delegados ao candidato presidencial. [1,2]
Mapeamento Geoeconômico e o Comportamento do Eleitorado
A despeito da unicidade do colégio eleitoral nacional, o diplomata adota uma perspectiva geográfica e sociológica detalhada para mapear os grandes centros de gravidade demográfica e econômica do país, os quais exercem papel decisivo no resultado das urnas. O texto decodifica o comportamento das principais regiões brasileiras por meio das seguintes características estruturais:
O Complexo do Agronegócio: Setor vital responsável pelos saldos comerciais positivos do país, cujas lideranças e bases territoriais, concentradas no vastohinterlanddos planaltos centrais e em estados como Mato Grosso, tendem a umposicionamento político conservador e de alinhamento com a direita.[1]
Minas Gerais como Estado Teste: Definido como o verdadeiro microcosmo da federação por abrigar em suas fronteiras todas as atividades econômicas nacionais — desde a indústria pesada e mineração no centro-sul até a agricultura de subsistência no norte —, o estado funciona como oprincipal termômetro político do país, visto que historicamente raros presidentes foram eleitos sem vencer em território mineiro.
A Dicotomia de São Paulo e Rio de Janeiro: Representam os polos econômicos mais dinâmicos e industrializados, manifestando uma feição progressista em suas capitais e grandes centros urbanos, que contrasta com ummarcado conservadorismo em seus setores interioranos.[1]
O Populismo no Nordeste: Região historicamente marcada por gargalos socioeconômicos estruturais e baixos índices educacionais, o que, na análise crítica do autor, fomenta aproliferação de lideranças populistas de variadas matrizes ideológicas, cuja sustentação se ancora na concessão de subsídios estatais e benefícios assistenciais a populações vulneráveis.[1]
Assimetria Federativa e as Distorções do Pacto Fiscal
A análise mais severa do diplomata recai sobre o desenho institucional do Parlamento, denunciando o que qualifica como umafalsa representação proporcional que sabota a igualdade federativa. Por determinação constitucional, estados de menor densidade demográfica nas regiões Norte e Centro-Oeste possuem uma super-representação artificial na Câmara dos Deputados, enquanto estados populosos enfrentam tetos rígidos de representatividade. O autor expõe o impacto estratégico dessa distorção ao revelar que São Paulo se encontra limitado a setenta e um deputados federais, quando critérios estritamente proporcionais ao seu eleitorado deveriam lhe conferir cerca de cento e vinte cadeiras. [1,2,3]
Essa distorção legislativa reverbera diretamente na governabilidade e no desenho das políticas públicas, travando reformas estruturais urgentes. A disparidade de cadeiras gera um severo desequilíbrio no pacto federativo, convertendo o Congresso em uma arena de disputa fiscal desigual. O modelo atual perpetua um cenário em queapenas cinco estados atuam como contribuintes líquidos da federação, financiando a transferência contínua de receitas federais para vinte e um estados permanentemente receptores de fundos públicos. Essa assimetria política blinda o modelo de repartição tributária contra alterações substanciais, uma vez que a maioria legislativa super-representada atua ativamente para preservar os privilégios orçamentários das regiões deficitárias. [1,2]
Brazilians head to the polls on Sunday in perhaps the country’s most consequential elections in a generation. On the ballot will be the presidency, one third of the senate, all of the lower chamber, state governors and state legislatures. But the stakes are far higher than a simple accounting of winners and losers. As in much of the world, there is significant demand for change in Brazil, amid rising polarization, economic woes and a pandemic that has killed more than 686,000 Brazilians. In a presidential race that is as much about the past as it is about the future, the tense contest will also test the country’s commitment to democracy.
State of the Race
Nothing is certain in politics, but the presidential race has proven stable in recent months – and with just two days left before the election, the window for a sudden shift is closing fast. The latest figures suggest that former President Luiz Inacio Lula da Silva, polling at roughly 46 percent, will win the largest share of the vote on Sunday. President Jair Bolsonaro, polling at approximately 34 percent, will likely secure enough votes to force a runoff on October 30. The other candidates, including Ciro Gomes and Simone Tebet, poll in the single digits.
There is a chance that Lula could pull off a first-round victory.”
With roughly 80 percent of Brazilians firmly decided on their preference, there is a chance that Lula could pull off a first-round victory. To avoid a second round, Brazilian election law requires a candidate to secure more than 50 percent of valid votes. Notably, Lula has pulled slightly ahead in much of the Southeast except Rio de Janeiro, a region that voted for Bolsonaro in 2018 by a margin of 15.3 million votes in the first round. In short, the president faces a problematic electoral map.
Economic Nostalgia
If 2018 was an anti-establishment election – in which voters expressed deep frustration with corruption and poor governance, and Bolsonaro campaigned as a straight talking outsider – this year is a more traditional anti-incumbent dynamic. Voters are focused on the president’s performance, and the reviews are not positive. According to a recent IPEC survey, 59 percent of voters disapprove of how Bolsonaro has governed. Similarly, a recent Quaest/Genial poll found that only 31 percent of voters had a positive image of the government.
Bolsonaro’s unfavorable ratings held even as the economy improved.”
Interestingly, Bolsonaro’s unfavorable ratings held even as the economy improved in recent months. That was partly due to the unequal distribution of economic ups and downs, with higher-income Brazilians more likely to experience the modest economic recovery. Among those who say the economy has improved, more than two-thirds intend to vote for Bolsonaro. However, two-thirds of Brazilians say the economy has remained the same or worsened over the past year. That sentiment is particularly strong among lower-income Brazilians. Inflation has fallen in the last two months, but much of that decline reflects dropping fuel prices. Food remains expensive, and concerns over hunger are growing.
Thirty-eight percent of voters cite inflation, unemployment and economic crisis as Brazil’s main problems, and another 22 percent point to social welfare concerns such as hunger. Although worries about the economy have declined recently, social welfare concerns have grown. Even more worrisome for the Bolsonaro campaign, voters seem to regard the government’s efforts to reduce inflation and boost household incomes as political ploys rather than meaningful social policy.
Lula’s campaign has leaned heavily on economic nostalgia.”
At the same time, Lula’s campaign has leaned heavily on economic nostalgia. Lula governed from 2003 to 2010 during a global commodities boom. He left behind a legacy of social policies unique in Brazilian history. Poverty fell from 27 percent to just 15 percent, and economic growth averaged 4 percent – hitting nearly 8 percent in 2010, Lula’s last year in office. One of Lula’s campaign jingles is titled, “Tô com saudade do tempo de Lula” (“I miss the Lula years”). It’s an ode to the past, when “people had gas in their cars and meat on their plates.” For many Brazilians, Lula’s two terms were the first time they could afford a television, a refrigerator or a car. A return to those good old days is at the heart of Lula’s argument for reelection.
Stress Test of Brazilian Democracy
There is another explanation for Lula’s strong showing in the polls: concern over the state of democracy in Brazil. The incumbent has long been known for defending Brazil’s military dictatorship. His term has involved constant tension between the branches of government – especially between the president and the courts. For many months, Bolsonaro has sought to undermine confidence in Brazil’s electronic voting system and given mixed signals about whether he would accept an electoral defeat.
At the same time, support for democracy in Brazil is at its highest since pollster Datafolha began asking the question in 1989. Seventy-five percent of Brazilians say democracy is the best form of government, compared to 70 percent last year and 62 percent in 2019. Support for a military regime has fallen from 12 percent in 2019 to just 7 percent last month. These results suggest little appetite for an outright rupture, although there is a risk of protests and political violence if Bolsonaro loses – particularly as much of his base no longer trusts Brazil’s electronic voting system.
However, even if Brazil’s election goes smoothly, there are longer-term threats to its democracy. Perhaps the most significant is Brazil’s failure to address the many struggles ordinary Brazilians face. Despite poor quality public education, an underfunded health system, weak economic productivity and corruption, political parties appear more focused on maintaining power than improving governance.
This will prove a tough assignment for Lula should he return to the presidency. Support for his Workers’ Party is low; although it is expected to gain seats in congress, the conservative Centrão coalition will likely retain its dominance, with lawmakers from the right and center-right holding a majority of seats. With many Lula votes reflecting anti-Bolsonaro sentiment, Lula would confront daunting challenges without a solid mandate.
'There's something strange going on': Some fear a coup in Brazil
CNN —
Brazil’s upcoming presidential election has been shrouded by an unprecedented climate of tension and violence. As the Oct. 2 vote approaches, episodes of harassment and attacks have intensified, with even neutral players like poll institutes turning into targets.
Far-right President Jair Bolsonaro, who aims to be reelected, is currently lagging in the main polls behind leftwing former President Luiz Inácio “Lula” da Silva. And the battle between these two very different household names has divided the nation – with experts saying the level of political anger is different this year
“The polarization we’re facing this year is different from just a political polarization,” says Felipe Nunes, CEO of Quaest Research Institute, which conducts polls in Brazil.
“This year we are seeing affective polarization — where different political groups see each other as enemies, not as adversaries.”
Several of his group’s researchers have been harassed while conducting polling this year, Nunes added.
Another well-known research institute, Datafolha said that one of its researchers’ lives was threatened, after they refused to interview a self-identified Bolsonaro supporter in the city of Ariranha, outside of Sao Paulo.
The disgruntled man accused the researcher of bias, and accused him of only interviewing “Lula’s supporters” and “tramps”. He then beat and threatened him with a knife, says Datafolha, which filed a police report
“One of the polling guidelines is to not interview someone who offers himself. It has to be random for statistical purposes,” said Jean Estevao de Souza, electoral researcher project coordinator at Datafolha, to CNN.
“The most typical cases (of attacks) are of people who offer themselves and when the researcher explains that he cannot be interviewed under that circumstance, the person starts filming, offending and cursing.”
According to Datafolha, 42 other cases of harassment and violence against its employees have been reported since September 7 this year.
Critics accuse Bolsonaro of fueling fire
While violence has been seen on both sides of the political spectrum, critics accuse Bolsonaro of deliberately fostering distrust and frustration among supporters toward the Brazilian electoral system. And increasingly, as his performance flags in the polls, Bolsonaro’s ire has turned toward research organizations like Datafolha.
Datafolha has been repeatedly named – and the accuracy of its polls questioned — by Bolsonaro. In a speech in Brasília during the celebrations of Brazil´s 200-year Independence Anniversary on September 7, Bolsonaro discredited Datafolha projections, a common theme in his speeches.
“I’ve never seen such a big sea here with these green and yellow colors. There is no lying Datafolha here,” he said. “Here is the truth, here is the will of an honest, free and hardworking people.”
During a campaign event on Sept. 23, Bolsonaro kept the tone in a speech to his supporters in Divinópolis, Minas Gerais state. “We are the majority. We will win in the first round. There is no election without people in the streets. We don’t see any of the other candidates holding a rally that comes close to 10% of the people here,” he said.
Recent polls have shown Lula leading Bolsonaro in recent weeks.
Attempts by politicians to discredit polling institutes are not new in Brazil, says Datafolha’s Estevao de Souza. “But we never faced harassment and attacks on the researchers on the streets until this year.”
“The rhetoric of attack on the institutes by the president’s campaign, which tries to discredit the polls, ends up circulating among the most radicalized supporters and it is reflected in the streets,” he said.
Verbal sparring between the two leading candidates — though not uncommon in Brazil — has also added to the poisoned atmosphere, with Bolsonaro repeatedly calling Lula a “thief,” and Lula recently describing Bolsonaro as vermin.
Given the charged national dialogue, some Brazilian voters have chosen to refrain from discussing their electoral preferences in public, according to a Quaest poll.
“We recently asked voters if they feel it’s more dangerous to say their opinions or whoever they want to vote for. And around 80% of respondents claimed it’s more dangerous to talk about politics right now than it used to be in the past,” continued Nunes.
‘Repeat with me: I swear to give my life for freedom’
Attacks on polling researchers are just one example of the political hostility seen in Brazil as the nation prepares for the vote.
During a speech accepting his party’s nomination for reelection on July 23, the Brazilian president called on supporters to give their lives “for freedom.”
“Repeat with me: I swear to give my life for freedom. Once again,” said Bolsonaro to the crowd who repeated his words.
There have been repeated clashes between Bolsonaro and Lula supporters – the most emblematic episode being perhaps the shooting death of Workers Party member Marcelo Arruda on July 9 by the Bolsonaro supporter José da Rocha Guaranho, who was later charged with aggravated murder.
Guaranho, who was also shot and subsequently hospitalized, has said he doesn’t not remember what happened.
Such high profile incidents have caused fear among some potential voters – and could risk deterring people from voting at all. On the streets of Sao Paulo’s iconic Paulista avenue, voters interviewed by CNN expressed frustration over the bitter atmosphere around the coming elections.
“There is too much tension, it’s almost turning into a war. It seems that Lula and Bolsonaro are like football teams. People are angry at each other,” said 33-year-old Erika de Paula, who said she was still undecided but would not vote for Bolsonaro.
Felipe Araujo, who considers himself a moderate supporter of Bolsonaro, wished the elections would end soon. “(The elections) are very polarized between the two main candidates. And there is a lot of fighting between people. I sincerely hope this ends soon. It has contaminated all of the environments, work, family, friends,” he said.
Voter turnout will be crucial at this historic juncture for the country – which could see Brazil’s leadership double down on Bolsonaro’s agenda or else take a left turn under Lula.
But four in ten Brazilians believe that there is a high chance of political violence on election day and – although voting is compulsory in Brazil – 9% said they were are considering not voting at all for fear of violence, according to a Datafolha poll earlier this month.
“These tensions and attacks are very bad for the research work, but also for the election, for the political environment in general, and for democracy itself,” said Estevao de Souza from Datafolha.
Embaixadores são alertados por seus países a não reforçar tese de Bolsonaro em reunião sobre urnas
Por Valdo Cruz O Globo, 18/0z/2022 11h07 Atualizado há uma hora
Embaixadores convidados por Jair Bolsonaro para uma reunião nesta segunda-feira (18) foram alertados por seus países a não reforçar a tese do presidente sobre urnas eletrônicas. Bolsonaro tem alardeado que quer contar a eles "o que aconteceu no país em eleições passadas".
Segundo representantes de embaixadas em Brasília, os embaixadores vão à reunião com o objetivo de relatar a seus governos qual foi o tom da conversa.
Bolsonaro disse neste domingo (17) que cerca de 40 embaixadores confirmaram presença. Os Estados Unidos devem enviar o encarregado de negócios, Douglas Koneff. O Reino Unido também deve enviar representantes. Há um receio no Palácio do Planalto de que alguns países importantes deixem de enviar representantes.
Segundo o blog apurou, alguns países lembraram a seus embaixadores que já têm uma posição firmada de apoio ao sistema eleitoral brasileiro e não concordam com os ataques que o presidente Bolsonaro faz às urnas eletrônicas. Por isso, segundo um diplomata, o presidente vai acabar “pregando no deserto” e será ouvido apenas por aqueles que têm posições semelhantes à do brasileiro.
O receio de assessores de Bolsonaro é que o encontro possa acabar virando uma agenda negativa para o próprio presidente, a depender do que os embaixadores divulguem depois da conversa.
Bolsonaro decidiu fazer a reunião após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, fez uma reunião com embaixadores para falar sobre a eleição deste ano no Brasil. Ele reclamou do encontro e acabou pedindo à sua equipe para organizar um semelhante.
Em uma transmissão ao vivo no dia 7 de julho, o presidente disse que iria apresentar aos embaixadores um power point com dados sobre as eleições de 2014 e 2018, nas quais ele afirma terem ocorrido fraudes, mas nunca apresentou provas para confirmar suas suspeitas.
China e Argentina não receberam convite para reunião de Bolsonaro com embaixadores
São esperados entre 30 a 40 embaixadores; os embaixadores do Reino Unido e da Alemanha não estarão presentes
Por Eliane Oliveira — Brasília O Globo, 18/07/2022 11h47 Atualizado há 39 minutos
Países importantes para a política externa brasileira, a Argentina e a China não deverão estar representadas na reunião desta segunda-feira, no Palácio da Alvorada, entre o presidente Jair Bolsonaro e embaixadores. Segundo interlocutores do governo, não foram enviados convites a várias embaixadas, inclusive para esses dois postos.
O encontro está previsto para acontecer às 16h, no Palácio da Alvorada. São esperados de 30 a 40 altos funcionários de governos estrangeiros, para ouvir o que Bolsonaro tem a dizer sobre o sistema eleitoral brasileiro. O presidente costuma questionar publicamente a eficácia das urnas eletrônicas sem apresentar provas, o que causa preocupação dentro e fora do Brasil.
China e Argentina estão sem embaixadores efetivos em Brasília, assim como outras representações, como a do Chile. Porém, a embaixada dos Estados Unidos está na mesma situação, mas recebeu convite do cerimonial do Palácio do Planalto e o encarregado de negócios Douglas Koneff estará na reunião.
De acordo com uma fonte do governo ligada à área internacional, o critério para o envio de convites é o “bom senso”. Outro interlocutor disse que outro critério é o nível de interesse do país sobre a eleição no Brasil.
De férias na Europa, os embaixadores do Reino Unido e da Alemanha, Melanie Hopkins e Heiko Thoms, não estarão presentes. Os de Portugal, (Luís Faro Ramos), da Rússia (Alexey Labetskiy), da França (Brigitte Collet), do Uruguai (Guillermo Valles Galmés), entre outros, disseram que vão comparecer.
O embaixador da Espanha, Fernando García Casas, foi convidado, mas ainda não há informação se ele irá ou não ao Alvorada. Alegando compromissos em São Paulo, o embaixador do Japão, Teiji Hayashi, não deve comparecer à reunião.
Bolsonaro fracassou na reunião dos embaixadores antes do encontro
Por Míriam Leitão O Globo, 18/07/2022 • 09:04
A insólita tentativa do presidente da República de difamar o processo eleitoral brasileiro, convocando os embaixadores para uma reunião sobre supostas fraudes eleitorais, já fracassou. Primeiro, ele queria levar um grande número de embaixadores, falou em 50, depois mandou convite para todos e agora fala em 40 confirmados, sendo que algumas das principais representações não vão. Segundo, ele imaginou uma manobra para constranger o Judiciário, especialmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele diria as mentiras que sempre diz na presença do presidente do TSE, e o ministro Luis Fachin teria que ouvir.
O que ele esperava era que, como convite de presidente da República em geral não se recusa, o ministro fosse comparecer. Fachin recusou com uma excelente resposta. Lembrou que como presidente da Corte não pode ir a atos de campanha. Preservou-se de estar nesse teatro de absurdos e ainda deixou claro que tipo de evento é. Bolsonaro fracassou também porque as urnas eletrônicas brasileiras têm um alto grau de confiabilidade e ele nunca apresentou provas do que acusa. O presidente do STF também não vai.
De qualquer maneira, é uma derrota para a democracia brasileira ter um presidente que tenta desqualificar o processo eleitoral diante de representantes de outros países. O Brasil viu tantos absurdos neste governo que foi se acostumando. É de novo inaceitável esse comportamento do presidente da República.
Bolsonaro demonstrou que ficou irritado porque Fachin já tinha chamado os embaixadores para falar da integridade das urnas. Mas esse papel o TSE faz bem de fazer, até porque observadores internacionais sempre houve em qualquer eleição brasileira, e são bem-vindos. Bolsonaro disse que quem faz política externa é o presidente da República. Sim, ninguém discute isso. Essa reunião, além de ser um absurdo institucional, é ridícula.
Tomar lições de democracia de um país que sempre se vangloriou de ser a maior democracia estável do mundo, há mais de dois séculos, mas que atualmente enfrenta problemas com o seu próprio sistema político-eleitoral, contestado por uma imensa maioria do GOP, o partido Republicano, pode ser instrutivo, mas também pode ser humilhante para o Brasil, que possui uma democracia de menor qualidade, mas um sistema eleitoral dos mais seguros e efetivos do mundo.
Os americanos estão dizendo para confiarmos em nossos sistema. Não precisariam, se não fosse um chefe de Estado e de governo que se esforça, todos os dias, para lançar dúvidas sobre esse sistema que o elegeu muitas vezes, assim como toda a sua família, para cargos que talvez não mereçam...
Paulo Roberto de Almeida
Queremos eleições livres e justas no Brasil, diz subsecretária de Estado dos EUA
Crédito, EPA - Legenda da foto: Militantes de direita pedem golpe militar na Avenida Paulista durante manifestações do 7 de setembro
No momento em que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) volta a lançar dúvidas sobre o processo eleitoral, sugerindo que os militares deveriam supervisionar a contagem de votos do pleito presidencial de 2022, a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, Victoria Nuland, afirmou em entrevista exclusiva à BBC News Brasil que, no Brasil, "o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando as estruturas institucionais que já serviram bem a vocês (brasileiros) no passado".
Nuland, responsável por assuntos políticos na diplomacia americana comandada por Antony Blinken, esteve há poucas semanas no Brasil, junto a uma delegação americana de alto nível. Os diplomatas dos dois países trataram, entre outros temas, de cooperação na área de defesa e de agricultura.
Na ocasião, os americanos voltaram a expressar "confiança na democracia brasileira". Segundo Nuland, no entanto, ela alertou o governo e a oposição sobre o risco de interferência russa nas eleições deste ano.
Na semana passada, a agência de notícias Reuters noticiou que, em julho de 2021, o diretor da agência de inteligência americana, a CIA, William Burns, teria advertido assessores diretos de Bolsonaro de que o presidente, que àquela altura já levantava dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, deveria deixar de questionar a integridade das eleições no país.
Tanto Bolsonaro como o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que teria estado presente na conversa, negam que ela tenha acontecido.
Crédito, Divulgação/Departamento de Estado; Legenda da foto: Victoria Nuland, subsecretária de Estado dos EUA
Questionada sobre o que os EUA fariam em caso de uma tentativa de golpe no país, Nuland afirmou: "Queremos eleições livres e justas em países ao redor do mundo e, particularmente, nas democracias. Julgamos a legitimidade daqueles que se dizem eleitos com base em se a eleição foi livre e justa e se os observadores, internos e externos, concordam com isso. Então, queremos ver, para o povo brasileiro, eleições livres e justas no Brasil".
Ao citar observadores externos, Nuland toca indiretamente em mais um ponto sensível no atual debate político brasileiro. Depois que o TSE remeteu dezenas de convites para instituições estrangeiras acompanharem o pleito, em outubro, o Itamaraty reclamou do convite à União Europeia, e o TSE teve de recuar. Bolsonaro também disparou críticas públicas à presença dos observadores, que acompanham eleições brasileiras ao menos desde 1994.
Brasil e EUA vivem uma "recalibragem" de suas relações, depois do mal-estar causado nos americanos pela visita do presidente brasileiro a Moscou em fevereiro, dias antes de o líder russo Vladimir Putin ordenar a invasão da vizinha Ucrânia. Entre diplomatas brasileiros existe a expectativa de que Bolsonaro e Biden se falem pela primeira vez pessoalmente em Los Angeles (EUA), em junho, durante a Cúpula das Américas.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista, editada por concisão e clareza.
BBC News Brasil - Os EUA mudaram recentemente de tom em relação à Rússia: falam em 'enfraquecer' o país, enviam altos funcionários e parlamentares (como a presidente da Câmara, Nancy Pelosi) a Kiev, estão treinando soldados ucranianos. Não existe o risco de que essa nova postura contribua para o discurso de Putin de que esta é uma guerra do Ocidente contra a Rússia e aumente as chances de uma guerra nuclear? O que há para os EUA ganharem com essa nova abordagem?
Victoria Nuland -Eu diria que nosso tom em relação à Rússia é uma resposta direta ao fato de que Putin e seus militares invadiram a Ucrânia e à agressão cruel que estão perpetrando no país, incluindo os tipos de crimes de guerra que temos visto em Bucha e Kramatorsk etc. E os Estados Unidos, junto com o Brasil e muitos outros países, 141 países, foram ao Conselho de Segurança da ONU e à Assembleia Geral da ONU e disseram 'não' à agressão da Rússia.
Portanto, temos que chamar as coisas pelos seus nomes, e isso não é apenas uma guerra cruel contra a Ucrânia, mas uma violação de todos os princípios da carta da ONU e da soberania e integridade territorial dos países. Estamos defendendo o Estado de Direito, as regras globais que levaram à paz e à segurança por tantos anos e que a Rússia está violando flagrantemente agora.
Crédito, Reuters Legenda da foto: Biden e Putin se reuniram em Genebra em meados de 2021, em uma que reunião durou menos do que era previsto e não impediu o início da guerra na Ucrânia em fevereiro de 2022
BBC News Brasil - O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, favorito para vencer as eleições de 2022 segundo pesquisas eleitorais, deu uma entrevista recente à revista Time em que critica o presidente dos EUA Joe Biden por não ter embarcado em um avião para Moscou para tentar dissuadir o líder russo Vladimir Putin da guerra. Como os EUA recebem essa crítica?
Nuland - Bem, em primeiro lugar, o presidente Biden falou com o presidente Putin duas, três, quatro vezes antes desta guerra, argumentando com ele. Como você deve se lembrar, os EUA descobriram esses planos de guerra no final de outubro e começaram a alertar o mundo em novembro, dezembro, janeiro, fevereiro que Putin tinha esses planos.
E durante esse período, o presidente Biden trabalhou muito para tentar convencer o presidente Putin a não ir à guerra, e em vez disso, seguir um caminho diplomático, trabalhar conosco, trabalhar com aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), trabalhar com a Ucrânia, negociar quaisquer preocupações que ele tinha sobre as visões de segurança russas na Ucrânia. E nos oferecemos para ajudar. Tivemos uma rodada de conversas.
Enviamos uma proposta de dez páginas analisando todos os tipos de coisas, como preocupações (russas) com armas ocidentais, etc. Mas, em vez de vir à mesa diplomática, o presidente Putin optou por invadir e invadir de uma maneira muito, muito sangrenta. Portanto, não acreditamos que ele esteja ouvindo alguém.
BBC News Brasil - O presidente brasileiro Bolsonaro sugeriu ao governo turco recentemente uma missão conjunta a Moscou para participar das negociações para o fim da guerra. Os EUA diriam que essa tentativa é bem-vinda?
Nuland -Não temos dificuldade com nenhum líder global tentando convencer Putin a acabar com esta guerra. E vários já tentaram. O presidente Putin não está ouvindo. Esse é o problema. Então, torna-se uma questão de, se ao ir a Moscou você não for muito cuidadoso, parece estar dando apoio à guerra de Putin, especialmente visto que ele não mostrou nenhuma evidência de mudança de rumo com telefonemas e visitas recentes.
BBC News Brasil - Cerca de uma semana antes do início da guerra na Ucrânia, dois grandes líderes da América Latina, os presidentes da Angentina e do Brasil, foram a Moscou para se encontrar com Putin. O que isso diz sobre as relações dos EUA com esses países da região?
Nuland -Sabíamos que essas visitas iriam acontecer. Exortamos tanto o Brasil quanto a Argentina a darem a Putin a mesma mensagem que o presidente Biden estava enviando a ele e aos funcionários russos em todos os níveis, pública e privadamente, de que esta guerra seria um desastre, não apenas para a Ucrânia, mas para a Rússia, para a liderança de Putin e para sua economia e sua posição militar. E nosso entendimento é que em ambas as visitas, ambos os líderes, tentaram argumentar com Putin, mas ele não estava ouvindo. Então este é o problema, Putin não está ouvindo ninguém.
BBC News Brasil - Teremos eleições presidenciais este ano no Brasil. Os EUA têm alguma preocupação ou motivo para acreditar que os russos tentarão interferir ou se intrometer no processo?
Nuland - Obviamente, temos preocupações. Vimos a Rússia se intrometer em eleições em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos e na América Latina. Por isso, em minha recente visita ao Brasil, exortei o governo a ser extremamente vigilante, e a oposição também, para garantir que forças externas não estejam manipulando seu ambiente eleitoral de forma alguma. Isso precisa ser uma eleição de brasileiros para brasileiros, sobre seu próprio futuro.
Crédito, Reuters Legenda da foto: Assim como aconteceu com Trump 2020 nos EUA, o presidente Bolsonaro está lançando dúvidas sobre o processo eleitoral no Brasil antes do pleito
BBC News Brasil - Assim como aconteceu em 2020 nos EUA, Bolsonaro está lançando dúvidas sobre o processo eleitoral no Brasil de antemão, exigindo a participação do Exército na apuração dos votos e dizendo que pode não reconhecer os resultados. Como os EUA veem esse tipo de declaração?
Nuland -Acreditamos que o Brasil tem um dos sistemas eleitorais mais fortes da América Latina. Vocês têm instituições fortes, salvaguardas fortes, uma base legal forte. Então, o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando suas estruturas institucionais que já serviram bem a vocês no passado. Temos confiança no seu sistema eleitoral. Os brasileiros também precisam ter confiança.
BBC News Brasil - O que os EUA fariam caso alguma tentativa de subversão dos resultados eleitorais acontecesse no país?
Nuland -Queremos eleições livres e justas em países ao redor do mundo e particularmente nas democracias. Julgamos a legitimidade daqueles que se dizem eleitos com base em se a eleição foi livre e justa e se os observadores, internos e externos, concordam com isso. Então, queremos ver, para o povo brasileiro, eleições livres e justas no Brasil. Vocês têm uma longa tradição nisso. E isso é o mais importante para manter a força do Brasil daqui para frente.
BBC News Brasil - Os fertilizantes são um suprimento crítico para a produção de alimentos e o Brasil enfrenta a falta do produto, importado principalmente da Rússia. Os EUA apoiariam a criação de algum corredor seguro ou um salvo-conduto para navios russos carregados de fertilizantes para o Brasil, como o presidente brasileiro solicitou recentemente à diretora da Organização Mundial do Comércio?
Nuland -O fato de haver uma escassez global de fertilizantes - e uma escassez no Brasil - é resultado direto da decisão de Putin de lançar essa guerra. No meu entendimento, a única coisa que impede o fertilizante russo de chegar ao mercado é a guerra que Putin lançou.
Então, o que os Estados Unidos estão tentando fazer é trabalhar com países como o Brasil. E o secretário Blinken terá uma reunião, para a qual o Brasil está convidado, em algumas semanas sobre alimentação, segurança e fertilizantes etc., para ajudar países como o Brasil que precisam de fertilizantes. E então, com fertilizantes, podemos ajudar a alimentar o mundo, porque também temos muitos países com insegurança alimentar que dependem de grãos vindos da Ucrânia.
Quando eu estive no Brasil, nós trabalhamos em um projeto do Departamento de Agricultura dos EUA, para ver como vocês usam os fertilizantes nas lavouras (brasileiras). Estamos tentando aumentar a produção de fertilizantes nos EUA.
Estamos trabalhando com o Canadá e outros países que podem ajudar, para acelerar isso, para que vocês tenham uma safra muito forte, para poder alimentar a si mesmos e seus parceiros de exportação habituais, mas também possa ajudar a alimentar o mundo, (para o Brasil) ser generoso com alimentos, como já foi com o petróleo, com o aumento da produção brasileira de petróleo neste momento de necessidade para o mundo.