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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Eleições no Brasil: o que há de velho, o que há de velho? - Paulo Roberto de Almeida

 Madame IA começa por traduzir para o português a postagem que eu fiz, nesta sexta-feira 16/10/2026, para discutir com acadêmicos franceses sobre as eleições do Brasil, neste link: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/elections-au-bresil-quoi-de-neuf-quoi.html

Ela traduz e analisa, por sua própria conta, provocada por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, cujo resultado transcrevo a seguir: 

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Eleições no Brasil; o que há de velho, o que há de velho?
Paulo Roberto de Almeida

"Devemos começar com uma verdade óbvia: ninguém, hoje, a menos de nove dias do segundo turno das eleições presidenciais, pode fazer uma aposta — uma daquelas aceitas pelas casas de apostas de Londres — sobre quem vencerá o voto popular. A segunda verdade óbvia seria dizer que o Brasil está profundamente dividido hoje — aliás, está assim há mais de três décadas — e que continuará politicamente dividido durante o próximo mandato; qualquer pessoa será eleita presidente pelos próximos quatro anos. São duas afirmações banais, mas com algumas diferenças: antes, eram populistas conservadores contra políticos progressistas; depois tivemos 21 anos de ditadura militar que ruiu em meio à inflação e à dívida externa, as mesmas razões pelas quais os militares intervieram contra um governo populista; em seguida, tivemos social-democratas como Fernando Henrique Cardoso contra os esquerdistas de Lula e seus associados. Cada um durou dois mandatos — uma infeliz invenção de Fernando Henrique Cardoso — e Lula representou um inegável progresso social, bem como uma política externa diferente, o que é particularmente importante para mim. O país permaneceu dividido nos últimos dez anos, especialmente com a ascensão de movimentos de direita a partir de 2013, seguida pelo fim do primeiro governo do PT com o impeachment de Dilma Rousseff e, posteriormente, pelo governo centrista do vice-presidente Michel Temer. O que aconteceu em 2018 não foi uma mera repetição de clichês, mas o início de uma completa transformação dos costumes políticos, das interações sociais, das políticas sociais de todos os tipos, da ajuda humanitária, da diplomacia, da proteção ambiental, do tratamento dos povos indígenas e até mesmo das universidades — em suma, uma regressão nunca vista nem mesmo durante a ditadura, promovida por um militar que não se envergonhou de elogiar aqueles que ordenavam torturas nas catacumbas do regime. Acima de tudo, Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente que não hesitou em colocar o país a serviço do jovem Trump, ainda nos estágios iniciais da loucura tarifária e da destruição das instituições multilaterais. A reeleição de Lula para um terceiro mandato em 2022 foi conquistada por uma margem mínima, e Bolsonaro tentou mais uma vez repetir o ataque de Trump ao Capitólio de Joe Biden em janeiro de 2021, numa tentativa frustrada de impedir que Lula assumisse o governo já no início de janeiro de 2023. Por isso, foi condenado a 27 anos de prisão, juntamente com vários membros de seu círculo íntimo, incluindo, pela primeira vez, oficiais militares de alta patente. Agora, seu filho tenta recolocar a família no poder, o que já aconteceu com a maioria dos que se candidataram ao Parlamento e às assembleias estaduais — uma série de novos conspiradores em favor de um regime iliberal ao estilo de Viktor Orbán. O que é antigo no Brasil é a disputa entre populistas de direita e de esquerda, os primeiros amplamente identificados com conservadores à moda antiga, e os últimos com esquerdistas tradicionais que não se reinventaram na renovação da esquerda europeia, como o SPD alemão, o PS francês, o PSOE espanhol e até mesmo o Partido Trabalhista britânico; o PT, por sua vez, permaneceu cubano e neobolchevique, o que assustou a classe média e até mesmo a classe alta, que se voltou para a direita, um cenário bastante facilitado pela ascensão desastrosa de seitas evangélicas exploradoras. O que é novo é a chegada de novas figuras à disputa eleitoral no Brasil em 2026. Pensei muito em um filme antigo, um faroeste spaghetti, enquanto me preparava para esta videoconferência: Três Homens em Conflito , ou Il buono, il brutto, il cattivo , no original de Sergio Leone de 1966. Nenhum dos três era realmente bom, mas um era realmente mau, e morreu no final. Não sei se é uma comparação justa, mas as eleições brasileiras de 2026 também têm um pouco de tudo isso: elementos bons, maus e horríveis. Refiro-me particularmente à corrupção desenfreada, que não é mais apenas horizontal, afetando toda a classe política, de um extremo ao outro do espectro ideológico, mas também, agora, vertical, atingindo o topo das instituições, até o Supremo Tribunal Federal. Isso mesmo:  se você pensa que estou me referindo a um faroeste italiano quando menciono os candidatos à presidência de 2026, está enganado. Na verdade, estou me referindo aos juízes, tanto os do Tribunal Eleitoral quanto os da Suprema Corte. Desde o ano passado, há uma verdadeira guerra civil entre os ministros da Suprema Corte e, desde o início da campanha eleitoral, uma guerra dentro do próprio Tribunal Superior Eleitoral, entre os juízes, além de uma disputa com seus colegas da Suprema Corte. Esta é a primeira vez que o Tribunal Eleitoral, criado em 1932, quando as mulheres conquistaram o direito ao voto, intervém diretamente na disputa sobre as acusações de notícias falsas e táticas desonestas, disseminadas por todos os lados, a ponto de restar apenas um duelo ao anoitecer, organizado entre o Bom, o Mau e o Feio — três ou quatro juízes, do Supremo Tribunal ou do Tribunal Superior Eleitoral, onde também atuam três juízes do Supremo Tribunal. Esses juízes detêm atualmente mais influência na disputa do que os próprios candidatos, agora reduzidos aos dois que se saíram melhor no primeiro turno: o candidato de extrema-direita, com vários pontos de vantagem sobre Lula, que ficou em segundo lugar. O que os divide nas eleições? Dependendo se um juiz foi indicado pela esquerda antes ou por Jair Bolsonaro depois, eles se alinharam claramente com seus respectivos candidatos. Táticas desonestas já vêm sendo empregadas desde a divulgação dos resultados do primeiro turno; portanto, todos os tipos de surpresas estão por vir até domingo, 25 de outubro. Há, assim, um novo elemento nessas eleições, além da ascensão da direita no Parlamento: o envolvimento político dos juízes, que é muito mais prejudicial à democracia brasileira do que uma vitória da direita ou da esquerda nessas eleições presidenciais. Portanto, se Bolsonaro Jr. for eleito em 25 de outubro, estaremos testemunhando uma possível guinada lenta à direita no Brasil, um fenômeno já em curso em muitos países europeus, agora consolidado nos Estados Unidos sob o governo Trump II, bem como na maioria dos países sul-americanos. Na América Latina, apenas México e Brasil (e o pequeno Uruguai) permanecem fora da ECU das Américas, lançada por Donald Trump em março passado, que já reuniu 19 parceiros, incluindo três membros do Mercosul: Argentina, Paraguai e Bolívia. Em todo caso, não haverá mudanças radicais na economia — que tem suas próprias limitações que precisam ser enfrentadas, independentemente da ideologia do presidente — nem uma grande ameaça à democracia, já que o Brasil possui instituições relativamente fortes, pelo menos até o momento. Os principais desafios, portanto, permanecem na esfera diplomática, o que me preocupa bastante, porque o Brasil nunca se vendeu a aventureiros estrangeiros. Nunca se entregou de bom grado a um imperador estrangeiro, especialmente um de tão baixa qualidade. A sorte está lançada, continuo ansioso…" (Paulo Roberto de Almeida). Link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/elections-au-bresil-quoi-de-neuf-quoi.html ("Eleições no Brasil: O que há de novo, o que há de velho? - Paulo Roberto de Almeida (Academia de Ciências Ultramarinas)"). Apresente uma análise do texto acima, entre aspas [e, também, no link], de autoria do diplomata aposentado, professor e escritor PRA (também administrador do blog Diplomatizzando). A análise será redigida em um texto discursivo (apenas frases e parágrafos); com, no mínimo, 4400 caracteres; usando linguagem acessível brasileira e didática; confrontada com fontes confiáveis; confrontada a partir de múltiplas perspectivas atinentes ao conteúdo. 

O texto em análise, de autoria do diplomata aposentado Paulo Roberto de Almeida, apresenta uma reflexão profunda, incisiva e altamente provocativa sobre o cenário político-eleitoral brasileiro projetado para o segundo turno das eleições presidenciais. Utilizando a metáfora cinematográfica do clássico faroeste Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo), o autor constrói uma narrativa onde o foco principal de instabilidade institucional e de ameaça à democracia não reside apenas na polarização ideológica entre a esquerda e a extrema-direita, mas sim no protagonismo e no envolvimento político direto de magistrados do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. A análise do diplomata engloba uma perspectiva histórica da divisão política nacional, uma dura crítica partidária, uma denúncia sobre a judicialização da política e considerações de ordem geopolítica e econômica regionais.
Sob a perspectiva histórica e sociológica, o autor situa o Brasil em uma trajetória de divisão crônica que remonta a mais de três décadas, perpassando o regime militar, a redemocratização, os embates entre a social-democracia do PSDB e o esquerdismo do PT, culminando na ascensão dos movimentos de direita a partir de 2013. O texto confere um peso singular ao ano de 2018 e ao governo de Jair Bolsonaro, classificando aquele período como uma regressão inédita e uma transformação profunda nos costumes e nas instituições, marcada pelo alinhamento automático à política externa do primeiro governo de Donald Trump nos Estados Unidos. O autor contextualiza o pleito de 2022 como uma vitória estreita de Luiz Inácio Lula da Silva, seguida pelos eventos de janeiro de 2023, que culminaram na condenação criminal e prisão do ex-presidente Bolsonaro e de militares de alta patente. Essa retrospectiva factual alinha-se amplamente com os registros históricos oficiais do período recente da Nova República.
Contudo, ao abordar a configuração partidária contemporânea, o texto adota uma perspectiva política acentuadamente crítica e contundente em relação ao Partido dos Trabalhadores. O autor sustenta que, diferentemente das siglas da esquerda europeia que passaram por processos de modernização e renovação programática, o PT permaneceu ideologicamente ancorado em moldes que classifica como "cubano e neobolchevique". Segundo a ótica expressa no ensaio, esse posicionamento dogmático teria afastado as classes média e alta brasileiras, empurrando-as em direção ao conservadorismo de direita, um movimento sociológico que, na visão do diplomata, foi significativamente catalisado pelo crescimento expressivo e pela influência de lideranças evangélicas.
A tese central e mais controversa do texto emerge na análise legal, jurídica e institucional do processo eleitoral. O diplomata transfere o foco dos candidatos à presidência — onde aponta a liderança do candidato de extrema-direita (Bolsonaro 'Filho') sobre o atual presidente Lula — para os juízes das altas cortes. Almeida denuncia o que descreve como uma "guerra civil" interna entre os ministros do STF e do TSE, acusando-os de corrupção vertical e de atuar como os verdadeiros protagonistas e decisores do pleito por meio de intervenções diretas sobre alegações de notícias falsas e táticas desonestas. O texto argumenta explicitamente que o partidarismo e o envolvimento político dos juízes, alinhados conforme a coloração ideológica dos governos que os indicaram, representam um dano à democracia muito mais profundo e severo do que a vitória eleitoral de qualquer um dos espectros políticos em disputa.
Do ponto de vista econômico e de governança interna, o ensaio adota uma postura mais moderada e pragmática. O autor pondera que, independentemente do resultado das urnas no dia 25 de outubro, a economia brasileira não sofrerá rupturas radicais, dado que o país possui limitações estruturais e fiscais históricas que se impõem a qualquer governante, independentemente de sua matriz ideológica. Da mesma forma, expressa uma relativa confiança na resiliência institucional interna, afirmando que o Brasil possui instituições fortes o suficiente para mitigar ameaças diretas à sua ordem democrática formal no curto prazo.
É na dimensão diplomática e geopolítica, entretanto, que o autor manifesta seu maior grau de preocupação profissional como diplomata de carreira. Ele insere o cenário eleitoral brasileiro dentro de uma ampla dinâmica internacional de avanço da direita, citando o retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos e as transformações na América Sul. O texto introduz um elemento geopolítico específico: a criação de um bloco denominado provisoriamente "Escudo das Américas" por iniciativa de Washington, que já contaria com a adesão de vizinhos sul-americanos do Mercosul, como a Argentina, o Paraguai e a Bolívia. Nesse panorama, o autor alerta que o México, o Uruguai e, momentaneamente, o Brasil permanecem como as destacadas nações da região fora desse alinhamento. O diplomata conclui seu raciocínio expressando o receio de que uma eventual mudança de comando no Executivo brasileiro resulte na perda da tradicional autonomia da política externa do país, submetendo a diplomacia nacional a interesses de potências ou lideranças estrangeiras, o que ele define como uma entrega a "aventureiros".
Em suma, o texto discursivo de Paulo Roberto de Almeida oferece uma leitura densa e multifacetada do Brasil contemporâneo. Ao confrontar o processo eleitoral com as tensões do Poder Judiciário e as pressões da nova geopolítica hemisférica, o autor convida o leitor a enxergar as eleições não apenas como um embate de partidos ou propostas econômicas, mas como um reflexo de uma crise institucional mais profunda, onde os guardiões da Constituição tornaram-se personagens centrais e ativos no tabuleiro do poder político nacional. 



 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O fantasma da cleptocracia - Simon Schwartzman (Estadão)

 O fantasma da Cleptocracia

Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo, 9/10/2026


Dois resultados do primeiro turno me impressionaram mais: o mapa político do país, que separa com nitidez o Nordeste mais pobre e lulista do Centro-Sul mais rico e bolsonarista, e a vitória esmagadora de Cleitinho para governador de Minas Gerais. O primeiro mostra o esgotamento do sistema político criado por Lula e o PT, baseado na distribuição de benefícios e cooptação de elites políticas tradicionais, que perdeu sentido para a parte mais dinâmica do país. O segundo confirma o que se diz de Minas, que o Estado aponta para onde o Brasil vai: o esvaziamento tanto do PT quanto da oposição conservadora, e a eleição de um governador que aparentemente nada sabe e nada diz.

Partidos e candidatos se apresentam com discursos de direita e esquerda que mobilizam suas militâncias. Ideologias mais conservadoras e autocráticas têm hoje mais força do que as mais liberais e progressisas. Mas interpretar as eleições nesses termos é não entender bem o que está acontecendo. Lula, ao lançar a campanha do segundo turno, prometeu dobrar a aposta no que imagina serem os grandes sucessos de seu governo, como educação, ciência e tecnologia e a velha política industrial, áreas em que o que mais se observa é o contraste entre os discursos, os custos crescentes e a pobreza de resultados. A imprensa mal notou. Flávio se limitou a anunciar o fim da era do PT e a promessa de um STF a seu gosto, sem dizer como seu governo seria diferente da experiência desastrada dos anos de seu pai.

Estamos no fim de uma era, sem saber como será a próxima. Ganhe quem ganhe o segundo turno, o melhor cenário seria um governo com capacidade e condições de enfrentar os desafios do futuro. O pior cenário é que o novo governo continue a remoer os cacoetes e ressentimentos do passado. Nesse caso, corremos o risco de descer ladeira abaixo, pelos desequilíbrios crescentes dos gastos públicos, a esclerose do Judiciário, o envelhecimento da população e a deterioração do meio ambiente. Sabemos hoje, mais do que antes, como desenvolver políticas competentes para a violência, a saúde, a educação, a pobreza, e o funcionamento das cidades, mas todas dependem de condições políticas e institucionais que não sabemos se teremos.

Uma dessas condições é conter a corrupção antes que ela se transforme em cleptocracia. As pesquisas de opinião durante a companha eleitoral diziam que a corrupção era a maior preocupação dos eleitores, Mas o escândalo do Banco Master, em seu ecumenismo, fez com que os candidatos só falassem dela como arma contra o adversário. No Brasil, parece, só é corrupto quando quem rouba é o outro.

Mas, com quanta corrupção podemos conviver, e quando ela se torna intolerável? Se as leis favorecem os mais ricos ou nossos adversários, não seria justo envergá-las a nosso favor?

Émile Durkheim, um dos fundadores da sociologia, ajuda a pensar essa questão com sua distinção entre o normal e o patológico na vida social. Para ele, o crime é normal, existe em todas as sociedades, e cumpre a função de criar seus anticorpos. Quando o criminoso é julgado e punido, a sociedade se robustece, fortalecendo as regras violadas. Patológico não é o crime, mas a situação em que essa reação deixa de funcionar. Com a corrupção é parecido. Ela existe em todos os países, e é ilusão supor que possa ser eliminada. A corrupção “normal” é a que continua sendo tratada como desvio: o corrupto precisa se esconder, a imprensa denuncia, a polícia investiga, os tribunais julgam, e de vez em quando alguém importante vai para a cadeia. Os escândalos não são sinais de doença, mas de que o organismo reage.

A cleptocracia começa quando a corrupção deixa de ser desvio e passa a ser o modo de funcionamento da política. A diferença não é de quantidade, mas de natureza. Os órgãos de controle são capturados por quem deveriam controlar, a sociedade fica sem ter a quem recorrer. No limite, o Estado se torna propriedade pessoal dos governantes e de seus aliados, que o administram em causa própria. A própria ideia de corrupção perde então o sentido, substituída por uma versão depravada de patrimonialismo, em que não há distinção entre o público e o privado.

Quando as instituições funcionam, a questão fiscal, a pobreza, a segurança e a educação podem ser tratadas como problemas de interesse de todos, cuja solução depende de negociar perdas e ganhos entre os diferentes setores da sociedade. Quando se transformam em balcões de negócios, a política se reduz a uma disputa de soma zero, perde - ganha, pela partilha dos recursos do Estado, e ninguém mais acredita no interesse público nem se preocupa com o bem comum.

Por isso, mais do que as ideologias ou promessas de campanha, o grande desafio dos próximos anos será restaurar as instituições que garantem a legitimidade do sistema político: um Congresso que não se aproprie dos recursos públicos em benefício de seus membros, um Judiciário sujeito às regras que aplica, órgãos de controle protegidos da captura política, a autonomia de instituições técnicas como o Banco Central e o IBGE, e uma polícia e Ministério Público que investiguem sem escolher alvos.

O caso Master ainda provoca indignação, e isso é um bom sinal: a sociedade reage. O pior será se, à força de ver investigações paralisadas e culpados protegidos, ela deixe de reagir, e a cleptocracia se instale de vez.

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Eleições no Brasil: uma lista de minhas postagens, antigas, mais recentes - Paulo Roberto de Almeida

Eleições no Brasil: uma lista de minhas postagens, antigas, mais recentes

 

Paulo Roberto de Almeida 

 

5238. “Relação de trabalhos referentes a eleições e campanhas eleitorais”, Brasília, 10 março 2026, 16 p. Relação de trabalhos pessoais sobre eleições e campanhas eleitorais, de 1978 a 2026. Postada na plataforma Academia.edu, com esta apresentação: Selected list of all papers, works, interviews, presentations by Paulo Roberto de Almeida about elections in Brazil, electoral presidential campaigns, especially covering all subjects dealing with foreign relations, external policy and Brazilian diplomacy (link: https://www.academia.edu/165013044/5238_Rela%C3%A7%C3%A3o_de_trabalhos_referentes_a_eleicoes_e_campanhas_eleitorais_2026_). Divulgada no blog Diplomatizzando (10/03/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/relacao-de-trabalhos-referentes.html).

5239. “Meus blogs em eleições presidenciais”, Brasília, 10 março 2026, 3 p. Uma primeira informação sobre meus blogs eleitorais, e decisão de realizar a abertura de um novo blog, para as eleições de 2026. Divulgado no blog Diplomatizzando (10/03/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/meus-blogs-em-eleicoes-presidenciais.html) e no novo blog (link: https://campanhaeleitorailbrasileira2026.blogspot.com/2026/03/meus-blogs-em-eleicoes-presidenciais.html) .

5259) “Eleições Presidenciais 2006”, Brasília, 29 março 2026, 203 p. Compilação de todas as postagens feitas no blog dedicado exclusivamente às eleições presidenciais de 2006, que foram concluídas com a reeleição de Lula. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165380634/5259_Blog_Eleicoes_Presidenciais_2006_2026_); informado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/blog-eleicoes-presidenciais-2006-2026.html).

5384. “Interferência do governo Trump nas eleições do Brasil”, Brasília, 2 julho 2026, 1 p. Respostas a questões da agência R7. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/interferencia-do-governo-trump-nas.html).

5464. “A Política Externa e as Eleições Presidenciais no Brasil em 2010 e em 2026”, Brasília, 19 setembro 2026, 9 p. Recuperação do trabalho 2171/2010, quando fui convidado para um debate na UnB, e não pude comparecer, por estar fora do Brasil, e breves comentários, em 2026, sobre algo que não existe, ou seja, um verdadeiro debate sobre a política externa, a não ser invectivas sobre a “defesa da soberania” de um lado, e de outro a incitação a uma interferência externa pelo chamado “imperador hemisférico”. Postado o conjunto, inclusive mensagens paralelas trocadas com o organizador do debate em 2010, no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/a-politica-externa-e-as-eleicoes.html). 

5472. “Élections au Brésil: une approche indépendante sur la polarisation”, Brasília, 22 septembre 2016, 5 p. Synthèse des échanges au sujet d’un colloque à l’Académie des Sciences d’Outremer, 16/10/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link :https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/elections-au-bresil-une-approche.html).     

5477. “Eleições brasileiras: desaparecimento de partidos, de programas, de reguladores isentos”, Brasília, 1 outubro 2026, 3 p. Para comunicação a Paris  (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/eleicoes-de-2026-no-brasil.html); feito na versão francesa (https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/elections-de-2026-au-bresil-disparition.html); versão em inglês (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/the-2026-elections-in-brazil.html).

 

Vou continuar escrevendo sobre as eleições brasileiras, antigas e atuais.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 2 de outubro de 2026

Postado no Diplomatizzando, link:  

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/eleicoes-no-brasil-uma-lista-de-minhas.html

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Para não perder o direito de não gostar - José César Martins (FSP)

 Transcrevo abaixo a divulgação, por um colega do grupo da Revista Será?, da qual sou colaborador, sobre o estado mental daqueles muito preocupados com o resultado, os resultados, da próxima eleição presidencial, talvez em um turno, talvez em dois. PRA

"Transcrevo abaixo artigo publicado hoje na Folha de SP de autoria do sociólogo Zeca Martins, coordenador do Derrubando Muros, grupo do qual faço parte. Subscrevo sua declaração de voto e as razões que a embasam. OT

Opinião
Para não perder o direito de não gostar
•⁠ ⁠Meu voto não absolve o governo Lula, que de fato é muito ruim, com desempenho desastroso
•⁠ ⁠A questão é impedir que Flávio Bolsonaro ameace a liberdade que tenho de dizer o que penso
José César Martins
Folha de S. Paulo, 17/09/2026

Considero muito ruim o governo Lula (PT). Na política, na ciência e tecnologia e na segurança pública, o desempenho é desastroso. Na educação e na saúde, medíocre. No conjunto, ruim. E com suspeitas que continuam a exigir respostas. A proximidade da eleição não absolve esse governo.
Há, porém, uma circunstância decisiva: posso combatê-lo. Posso escrever o que penso, atacar suas escolhas, levantar da cadeira para dizer isso na cara de qualquer ministro. Minha família não precisa entrar no cálculo das consequências. Quem aprendeu do jeito mais difícil o preço de enfrentar uma ditadura sabe o tamanho dessa diferença.
É desse lugar que escrevo. Faltam poucos dias para as eleições. Considero mais provável a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), em 4 de outubro ou no segundo turno. Um sujeito com moral de miliciano, disposto a sabotar a democracia, seguindo a tradição da família. Confundir esse risco com mais uma alternância de governo exige uma distração que nenhum democrata tem o direito de cultivar.
O grupo Derrubando Muros tem o privilégio de acesso aos principais institutos de pesquisas eleitorais. Conhecemos nuances e correlações que escapam aos leigos. Isso ajuda a saber antes. Mas nenhuma sutileza estatística é condição necessária para reconhecer o intolerável quando ele se apresenta. Nem nos dispensa de fazê-lo. Nem de reagir diante disso.
Em 2022, votei em Lula no segundo turno. Nunca havia votado no PT, assim como a maioria dos que fizeram aquela escolha comigo. Foi uma decisão de risco político e reputacional, diante de uma ameaça maior. Não pedi reconhecimento, não negociei contrapartidas, não condicionei o voto. Votei para impedir o pior.
Quatro anos de gestão não melhoraram minha avaliação do governo. A do PT, menos ainda. O precipício, o apego à democracia, este cresceu. E eu me pergunto o que farei com minha coleção de críticas corretas se outro da dinastia familiar dos Bolsonaros ocupar a Presidência da República também por minha omissão. Vou apresentar meu muxoxo como prova de coerência?
Há tempo para exigir mudança, confrontar e fazer oposição. Há também a hora de separar o que nos desagrada do que pode destruir nossa vida em comum. Família, amigos, valores, democracia: não ponho nada disso na mesa de apostas para preservar o conforto de uma posição.
Um governo ruim pode ser enfrentado e substituído. A destruição das instituições que permitem enfrentá-lo cobra outro preço. É aí que passa a fronteira. Para enxergá-la, não preciso gostar de Lula, absolver o PT ou recolher uma única crítica. Preciso distinguir um desempenho medíocre de uma ameaça ao direito de combatê-lo.
Levo semanas amadurecendo essa posição. É pessoal, desconfortável e clara. Considero uma obrigação torná-la pública. Quero continuar podendo fazer oposição de cabeça erguida, sem hesitação, sem ter de escolher entre a palavra e a segurança dos meus.
Não escolho as circunstâncias em que preciso decidir. Mas respondo pelo que permito por omissão. Prefiro continuar fazendo oposição a um governo ruim a ser impedido de enfrentar o próximo. Meu voto não absolve o governo atual. É uma escolha para impedir que Flávio Bolsonaro chegue ao poder e ameace a liberdade que tenho de dizer o que penso.

https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/para-nao-perder-o-direito-de-nao-gostar.shtml

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Eleições no Brasil: questionamentos de um jornalista francês em 2022 - Paulo Roberto de Almeida, comentários Madame IA

Recebi, neste dia de jogo do Brasil contra a Escócia, um convite para falar sobre as eleições brasileiras deste ano para uma audiência francesa (provavelmente online). Ainda não é o caso de formular minha avaliação sobre o pleito (os pleitos) deste ano, em outubro, mas lembrei-me de que em 26 de setembro de 2022 eu respondi a questionamentos de um jornalista francês. Respondi às suas poucas questões, nunca divulgadas, o que faço agora:


Élections au Brésil (2022): réponses Paulo Roberto de Almeida
Paulo Roberto de Almeida
Diplomata, professor
(diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com)
Réponses à questions de journaliste sur les élections au Brésil

1) Est ce que l’on peut dire qu’il y a des Swing States au Brésil ou pas ?
PRA : Non pas dans le sens américain, où la différence d’un seul vote peut faire tourner tout le collège électoral d’un état en faveur d’un seul candidat, qui alors rafle tous les représentants de cet état. Au Brésil chaque voix individuelle compte, dans un unique corpus électoral national, n’importe qui sort vainqueur dans chaque état particulier, dont l’électorat est valable pour chaque circonscription fédérale, mais pas au niveau national.
Cela étant, il y a certainement des états importants, par leur composition démographique et par leurs concentrations économiques, dans les choix des électeurs. Le Brésil est un des pays les plus important par la puissance de l’agrobusiness, et ce secteur (le seul à délivrer des surplus commerciaux significatifs) tend naturellement à être conservateur, sinon droitier à l’extrême, et doit donner beaucoup des votes à Jair Bolsonaro. Mais l’agrobusiness est présent dans tous les états, avec une prééminence dans le vaste hinterland des hauts plateaux.
Minas Gerais, de son côté, possède tous les secteurs économiques du Brésil : l’industrie, les minerais, l’agrobusiness, la petite agriculture de subsistance, tous les petits secteurs et les plus grandes aciéries, et constitue, peut-être, une plaque tournante, dans ces élections, car les gens de Minas Gerais peuvent se tourner à gauche ou à droite. São Paulo est l’état le plus avancé et le plus progressiste, avec Rio, mais aussi le plus conservateur hors de sa capitale. Le Nord-Est, plus arriéré, tend à favoriser les populistes de n’importe quelle tendance, gauche et droite, pourvu qu’ils octroient des bénéfices aux pauvres, qui sont nombreux, mal éduqués et tous dépendants des gouvernements.

2) Il y a des États qui sont fondamentaux pour la présidentielle, lesquels en dehors de Sao Paulo, Rio, Bahia ?
PRA : Même des petits états, comme Santa Catarina et Mato Grosso, peuvent faire la différence, si jamais ils concentrent leurs votes dans un candidat, dans ce cas, dans Bolsonaro. Cette élection n’est pas comme les autres, à cause de la radicalisation.

3) On dit que le vainqueur de la présidentielle dans le Minas est celui élu ? Un état test ou pas ? Pourquoi ?
PRA : Ce n’est pas scientifique, mais peux de présidents ont été élus sans gagner dans les Minas Gerais. Comme indiqué plus haut, c’est un grand état, avec son Nord arriéré et son Sud développé, avec toutes sortes d’activités économiques. Les candidats doivent donc promettre tout à les uns et les autres.

4) Oublie-t ’on trop dans la presse internationale les votes gouverneurs ? Ainsi que les élections parlementaires ? Qui se déroulent en même temps.
PRA : Sauf les préfets et les échevins, tous sont élus à chaque quatre ans, sauf 1/3 ou 2/3 des sénateurs, qui ont un mandat de huit ans. La structure fédérative du Brésil peut compliquer les arrangements au niveau national, car la représentation proportionnelle n’est pas vraiment proportionnelle, le Nord et le Centre-Ouest possédant plus des représentants que population, et les petits états aussi, tandis que São Paulo est plafonné sur 71 députés, quand il devrait avoir 120, car c’est le plus grand nombre d’électeurs. Cela est absolument stratégique quand il s’agit de s’accorder sur les règles tributaires, car il y cinq états qui sont de « payeurs » ou des contributeurs nets, et 21 états qui sont des récepteurs de fonds fédéraux.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4243: 26 setembro 2022, 2 p.
Postado no blog Diplomatizzando (link:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/eleicoes-no-brasil-questionamentos-de.html 

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Eleições no Brasil: questionamentos de um jornalista francês em 2022 - Paulo Roberto de Almeida: 


Anatomia do Sistema Eleitoral e a Inexistência de Estados Pêndulo
O ensaio do embaixador Paulo Roberto de Almeida resgata uma entrevista concedida a um jornalista francês em setembro de 2022 para analisar as engrenagens do sistema político-eleitoral brasileiro, estabelecendo um contraponto crítico com o modelo dos Estados Unidos. A primeira decodificação conceitual promovida pelo autor demonstra a total inaplicabilidade do conceito de "Swing States" (estados pêndulo) no cenário nacional. Enquanto a estrutura norte-americana se ancora em um colégio eleitoral indireto baseado no princípio majoritário distrital do "winner-take-all", o modelo brasileiro para o poder executivo opera sob o crivo do voto popular direto unificado, onde cada sufrágio individual possui peso idêntico dentro de um único corpus nacional. Portanto, a oscilação de maiorias em distritos específicos afeta as bancadas regionais e as dinâmicas locais, mas é incapaz de transferir compulsoriamente blocos fechados de delegados ao candidato presidencial. [1, 2]
Mapeamento Geoeconômico e o Comportamento do Eleitorado
A despeito da unicidade do colégio eleitoral nacional, o diplomata adota uma perspectiva geográfica e sociológica detalhada para mapear os grandes centros de gravidade demográfica e econômica do país, os quais exercem papel decisivo no resultado das urnas. O texto decodifica o comportamento das principais regiões brasileiras por meio das seguintes características estruturais:
  • O Complexo do Agronegócio: Setor vital responsável pelos saldos comerciais positivos do país, cujas lideranças e bases territoriais, concentradas no vasto hinterland dos planaltos centrais e em estados como Mato Grosso, tendem a um posicionamento político conservador e de alinhamento com a direita. [1]
  • Minas Gerais como Estado Teste: Definido como o verdadeiro microcosmo da federação por abrigar em suas fronteiras todas as atividades econômicas nacionais — desde a indústria pesada e mineração no centro-sul até a agricultura de subsistência no norte —, o estado funciona como o principal termômetro político do país, visto que historicamente raros presidentes foram eleitos sem vencer em território mineiro.
  • A Dicotomia de São Paulo e Rio de Janeiro: Representam os polos econômicos mais dinâmicos e industrializados, manifestando uma feição progressista em suas capitais e grandes centros urbanos, que contrasta com um marcado conservadorismo em seus setores interioranos. [1]
  • O Populismo no Nordeste: Região historicamente marcada por gargalos socioeconômicos estruturais e baixos índices educacionais, o que, na análise crítica do autor, fomenta a proliferação de lideranças populistas de variadas matrizes ideológicas, cuja sustentação se ancora na concessão de subsídios estatais e benefícios assistenciais a populações vulneráveis. [1]
Assimetria Federativa e as Distorções do Pacto Fiscal
A análise mais severa do diplomata recai sobre o desenho institucional do Parlamento, denunciando o que qualifica como uma falsa representação proporcional que sabota a igualdade federativa. Por determinação constitucional, estados de menor densidade demográfica nas regiões Norte e Centro-Oeste possuem uma super-representação artificial na Câmara dos Deputados, enquanto estados populosos enfrentam tetos rígidos de representatividade. O autor expõe o impacto estratégico dessa distorção ao revelar que São Paulo se encontra limitado a setenta e um deputados federais, quando critérios estritamente proporcionais ao seu eleitorado deveriam lhe conferir cerca de cento e vinte cadeiras. [1, 2, 3]
Essa distorção legislativa reverbera diretamente na governabilidade e no desenho das políticas públicas, travando reformas estruturais urgentes. A disparidade de cadeiras gera um severo desequilíbrio no pacto federativo, convertendo o Congresso em uma arena de disputa fiscal desigual. O modelo atual perpetua um cenário em que apenas cinco estados atuam como contribuintes líquidos da federação, financiando a transferência contínua de receitas federais para vinte e um estados permanentemente receptores de fundos públicos. Essa assimetria política blinda o modelo de repartição tributária contra alterações substanciais, uma vez que a maioria legislativa super-representada atua ativamente para preservar os privilégios orçamentários das regiões deficitárias. [1, 2]

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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

O Wilson Center se pronuncia sobre as eleições no Brasil - Anya Prusa (Wilson Center)

WILSON CENTER weekly report: 

 


Eleições no Brasil: a CNN sobre a tensão pré-eleitoral no Brasil - Rodrigo Pedroso, Marcia Reverdosa and Camilo Rocha


Brazil’s presidential vote is just days away. Voters are comparing it to ‘war’

By Rodrigo Pedroso, Marcia Reverdosa and Camilo Rocha, CNN

Updated 12:39 PM EDT, Thu September 29, 2022 - 03:41 - Source: CNN

'There's something strange going on': Some fear a coup in Brazil

CNN  — 


Brazil’s upcoming presidential election has been shrouded by an unprecedented climate of tension and violence. As the Oct. 2 vote approaches, episodes of harassment and attacks have intensified, with even neutral players like poll institutes turning into targets.

Far-right President Jair Bolsonaro, who aims to be reelected, is currently lagging in the main polls behind leftwing former President Luiz Inácio “Lula” da Silva. And the battle between these two very different household names has divided the nation – with experts saying the level of political anger is different this year

“The polarization we’re facing this year is different from just a political polarization,” says Felipe Nunes, CEO of Quaest Research Institute, which conducts polls in Brazil.

“This year we are seeing affective polarization — where different political groups see each other as enemies, not as adversaries.”

Several of his group’s researchers have been harassed while conducting polling this year, Nunes added.

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Bolsonaro stumps for reelection in United Nations speech

Another well-known research institute, Datafolha said that one of its researchers’ lives was threatened, after they refused to interview a self-identified Bolsonaro supporter in the city of Ariranha, outside of Sao Paulo.

The disgruntled man accused the researcher of bias, and accused him of only interviewing “Lula’s supporters” and “tramps”. He then beat and threatened him with a knife, says Datafolha, which filed a police report


“One of the polling guidelines is to not interview someone who offers himself. It has to be random for statistical purposes,” said Jean Estevao de Souza, electoral researcher project coordinator at Datafolha, to CNN.

“The most typical cases (of attacks) are of people who offer themselves and when the researcher explains that he cannot be interviewed under that circumstance, the person starts filming, offending and cursing.”

According to Datafolha, 42 other cases of harassment and violence against its employees have been reported since September 7 this year.


Critics accuse Bolsonaro of fueling fire

While violence has been seen on both sides of the political spectrum, critics accuse Bolsonaro of deliberately fostering distrust and frustration among supporters toward the Brazilian electoral system. And increasingly, as his performance flags in the polls, Bolsonaro’s ire has turned toward research organizations like Datafolha.

Datafolha has been repeatedly named – and the accuracy of its polls questioned — by Bolsonaro. In a speech in Brasília during the celebrations of Brazil´s 200-year Independence Anniversary on September 7, Bolsonaro discredited Datafolha projections, a common theme in his speeches.

“I’ve never seen such a big sea here with these green and yellow colors. There is no lying Datafolha here,” he said. “Here is the truth, here is the will of an honest, free and hardworking people.”

During a campaign event on Sept. 23, Bolsonaro kept the tone in a speech to his supporters in Divinópolis, Minas Gerais state. “We are the majority. We will win in the first round. There is no election without people in the streets. We don’t see any of the other candidates holding a rally that comes close to 10% of the people here,” he said.

Recent polls have shown Lula leading Bolsonaro in recent weeks.

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As Brazil's military rolls out the tanks for Independence Day, Bolsonaro tells fans to 'make a stand'

Attempts by politicians to discredit polling institutes are not new in Brazil, says Datafolha’s Estevao de Souza. “But we never faced harassment and attacks on the researchers on the streets until this year.”

“The rhetoric of attack on the institutes by the president’s campaign, which tries to discredit the polls, ends up circulating among the most radicalized supporters and it is reflected in the streets,” he said.

Verbal sparring between the two leading candidates — though not uncommon in Brazil — has also added to the poisoned atmosphere, with Bolsonaro repeatedly calling Lula a “thief,” and Lula recently describing Bolsonaro as vermin.

Given the charged national dialogue, some Brazilian voters have chosen to refrain from discussing their electoral preferences in public, according to a Quaest poll.

“We recently asked voters if they feel it’s more dangerous to say their opinions or whoever they want to vote for. And around 80% of respondents claimed it’s more dangerous to talk about politics right now than it used to be in the past,” continued Nunes.

‘Repeat with me: I swear to give my life for freedom’

Attacks on polling researchers are just one example of the political hostility seen in Brazil as the nation prepares for the vote.

During a speech accepting his party’s nomination for reelection on July 23, the Brazilian president called on supporters to give their lives “for freedom.”

“Repeat with me: I swear to give my life for freedom. Once again,” said Bolsonaro to the crowd who repeated his words.

There have been repeated clashes between Bolsonaro and Lula supporters – the most emblematic episode being perhaps the shooting death of Workers Party member Marcelo Arruda on July 9 by the Bolsonaro supporter José da Rocha Guaranho, who was later charged with aggravated murder.

Guaranho, who was also shot and subsequently hospitalized, has said he doesn’t not remember what happened.

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Fatal shooting at a party in Brazil highlights soaring political tensions

Such high profile incidents have caused fear among some potential voters – and could risk deterring people from voting at all. On the streets of Sao Paulo’s iconic Paulista avenue, voters interviewed by CNN expressed frustration over the bitter atmosphere around the coming elections.

“There is too much tension, it’s almost turning into a war. It seems that Lula and Bolsonaro are like football teams. People are angry at each other,” said 33-year-old Erika de Paula, who said she was still undecided but would not vote for Bolsonaro.

Felipe Araujo, who considers himself a moderate supporter of Bolsonaro, wished the elections would end soon. “(The elections) are very polarized between the two main candidates. And there is a lot of fighting between people. I sincerely hope this ends soon. It has contaminated all of the environments, work, family, friends,” he said.

Voter turnout will be crucial at this historic juncture for the country – which could see Brazil’s leadership double down on Bolsonaro’s agenda or else take a left turn under Lula.

But four in ten Brazilians believe that there is a high chance of political violence on election day and – although voting is compulsory in Brazil – 9% said they were are considering not voting at all for fear of violence, according to a Datafolha poll earlier this month.

“These tensions and attacks are very bad for the research work, but also for the election, for the political environment in general, and for democracy itself,” said Estevao de Souza from Datafolha.

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