quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Panorama Editorial: Câmara Brasileira do Livro O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim é eleito Livro do Ano no Prêmio Jabuti 2025

Panorama Editorial: Câmara Brasileira do Livro

O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim é eleito Livro do Ano
no Prêmio Jabuti 2025

Em seu ano como Capital Mundial do Livro, o Rio de Janeiro recebeu,
no Theatro Municipal, a maior premiação literária do país, que laureou
23 categorias e homenageou Ana Maria Machado


O Prêmio Jabuti, principal premiação literária do Brasil, anunciou nesta noite, dia 27 de outubro, os grandes vencedores da 67ª edição. O evento, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), foi realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e reconheceu Ruy Castro com a obra “O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim” (Ed. Companhia das Letras), como o Livro do Ano de 2025. Confira aqui a lista completa dos vencedores.

Além de receber a estatueta dourada, Ruy Castro foi contemplado com um prêmio especial de R$ 70 mil, e uma viagem à Feira do Livro de Londres, que em 2026 celebra o Ano da Cultura Brasil–Reino Unido. A CBL organizará uma agenda exclusiva de encontros, palestras e ações de divulgação.

Com um total de 4.530 obras inscritas, a edição de 2025 premiou também vencedores em 23 categorias, distribuídas nos quatro eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.

Destaque também para a novidade “Categoria Especial - Fomento à Leitura”, dedicada a projetos realizados na cidade do Rio de Janeiro. O ganhador foi o projeto Rio Capital Mundial do Livro, um programa público que fortalece políticas estruturantes do livro e das bibliotecas (como Bibliotecas do Amanhã e Paixão de Ler) e alcance em diferentes territórios.

Os laureados de cada categoria receberam a tradicional estatueta do Jabuti e um prêmio de R$ 5 mil.

As obras vencedoras terão maior visibilidade em eventos nacionais e internacionais, como, por exemplo, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Feira do Livro de Frankfurt, entre outras. Os livros premiados enviados pelas editoras serão destaque em ações de promoção e exposição nos estandes da instituição.

“Realizar esta cerimônia no Rio teve um significado singular. No ano em que a cidade detém o título de Capital Mundial do Livro pela UNESCO, celebramos aqui a indústria do livro, a diversidade da produção nacional, a inovação e a excelência editorial”, comemora Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

“Realizar o Jabuti no Rio foi uma forma de reconhecer a cidade como um centro da cultura. O Theatro Municipal, com sua história e grandiosidade, amplificou as vozes da nossa literatura. Nesta edição, recebemos um grande volume de inscrições de obras, o que demonstra a vitalidade da produção literária brasileira e a importância do Jabuti, que também tem expandido seu papel na internacionalização da literatura brasileira. Ao premiar obras brasileiras publicadas fora do país, a premiação reconhece o esforço de editoras estrangeiras e nacionais que trabalham na exportação dos direitos autorais. O Jabuti está sempre se reinventando e buscando novos espaços de internacionalização”, ressalta o curador do prêmio, Hubert Alquéres.

Os mestres de cerimônia deste ano foram Marisa Orth e Silvio Guindane. A cerimônia, exclusiva para convidados, foi transmitida ao vivo para todo o Brasil pelo canal da CBL no YouTube.

Homenagem do Ano

Ana Maria Machado foi a escolhida como a Personalidade Literária da 67ª edição do Prêmio Jabuti. A honraria consagra figuras da literatura nacional, que contribuíram de forma decisiva para o fortalecimento da cultura brasileira e a formação de gerações de leitores.

A escritora homenageada construiu uma trajetória marcada pela versatilidade, pelo diálogo com diferentes públicos e pelo reconhecimento internacional. Autora de mais de cem títulos publicados, entre romances, ensaios, contos e uma vasta produção infantojuvenil, tem obras traduzidas em diversos idiomas e publicadas em mais de 20 países.

Ana Maria expressou emoção ao receber a homenagem durante a cerimônia: “Fiquei com medo de me emocionar, mas me emocionei, sim. Receber a homenagem de Personalidade Literária do Prêmio Jabuti 2025 foi uma linda surpresa, que me encheu de alegria e gratidão. Todo mundo merece ter seu trabalho reconhecido, mas quando isso acontece de forma totalmente inesperada, é ainda mais especial. A emoção é dupla, porque é um reconhecimento que vem do povo do livro. Ainda mais em um ano em que a festa acontece na minha cidade, nesse local que vi pela primeira vez aos quatro anos e onde vivi memórias inesquecíveis. Tudo se soma para a alegria deste momento de celebração. Agradeço a todos que vêm me acompanhando nesses anos, Brasil adentro e afora, leitores, amigos, colegas escritores e minha família, que sempre soube me respeitar e apoiar. Sabem que hoje a festa é deles também.”

Sobre o autor do Livro do Ano:

Ruy Castro é jornalista e escritor, nascido em 1948 em Caratinga (MG). Começou sua carreira como repórter em 1967 e, a partir de 1990, focou-se na escrita de livros, tornando-se conhecido por biografias detalhadas de figuras como Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. Suas obras também incluem reconstituições históricas sobre a Bossa Nova e o Rio de Janeiro dos anos 1920. Ruy Castro foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2022 e já ganhou prêmios como o Machado de Assis e o Jabuti.

Sinopse:

"O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim" é uma coletânea de 99 crônicas escrita por Ruy Castro que compõe um perfil biográfico fragmentado e detalhado de Tom Jobim, revelando seu lado humano, crítico e muitas vezes inesperado.

O livro explora a profunda conexão de Jobim com o Brasil, sua genialidade, seu compromisso com a natureza e oferece histórias de bastidores e fatos inéditos da cena musical dos anos 1950 e 1960.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

O que meus visitantes no Academia.edu andam buscando em meus textos? - Paulo Roberto de Almeida

O que meus visitantes no Academia.edu andam buscando em meus textos?


Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Relação de algumas buscas recentes na minha página em Academia.edu, para verificar a temática dos acessos em https://unb.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida, em 28/10/2025.

        Depois que um antigo provedor de meu primeiro site pessoal, pralmeida.org, falhou, e me deixou sem acesso durante várias semanas, eu comecei a postar, desde 2013 (ou seja, uma dúzia de anos agora) mais material de estudo e de consulta na plataforma Academia.edu, secundado, mas com menor intensidade, de postagens em outra plataforma, a Research Gate (tem também a Social Science Research Network). Ao longo dos anos, ela veio a converter-se no maior “depósito” de trabalhos (artigos, ensaios, até mesmo livros inteiros) oferecidos livremente, gratuitamente, a colegas pesquisadores e estudantes em geral. Efetuei uma divisão nas diferentes seções entre as quais divido os meus materiais – listas de trabalhos, livros pessoais, livros editados por mim, contribuições a obras coletivas, livros diversos, ensaios em revistas científicas, artigos diversos, resenhas de livros, ademais de apresentações, entrevistas e uma série de outras categorias de trabalhos devidamente registrados em minha produção intelectual – e passei a colocar dezenas, centenas, talvez milhares de textos produzidos ao longo destes 12 últimos anos.
        Ademais de plataforma de interação acadêmica, Academia.edu oferece outros serviços a seus membros, como mensagens enviadas e respostas efetuadas, além de indicar as menções que são feitas a meus trabalhos por outros usuários, mas consultando-me sobre a real autoria (uma vez que existem muitos trabalhos inseridos com base na homonímia). Efetuo, regularmente, uma consulta ao excelente Analytics, o que me permite ver o que os “curiosos” andam acessando meus trabalhos, seus países e instituições, assim como a lista de seus acessos anteriores (todos eles devidamente datados), o perfil desses visitantes, ademais das palavras-chave envolvidas em cada um desses acessos (uma providência importante, para que os curiosos “descubram” o que procuram). Obviamente, a indexação mais comum em meus trabalhos é “Brazilian Foreign policy”, “History of Brazilian Foreign policy” e os demais vinculados a temas econômicos e políticos mais frequentes em meus trabalhos, como a integração regional, por exemplo. Pois é a partir dessa lista de “Readers” que eu decidi efetuar agora uma lista de alguns exemplos de acessos, sem poder obviamente esgotar todas as consultas e downloads; ao mesmo tempo, essa lista de Readers, também contém, ao final, trabalhos terceiros que esses leitores andaram lendo, o que me permite por vezes aceder, de meu lado, a material de interesse relativo (para minhas próprias pesquisas). Sob esse conceito apresento abaixo, alguns exemplos retirados ao acaso da lista de Papers, no Analytics.

1) Um conhecido professor de Direito efetuou estes acessos desde novembro de 2023:

5000) Prefacio ao livro 80 Anos da ONU (2025)
Bookmarked10/28/25academia.edu
4846) As relações do Brasil com os Estados Unidos em perspectiva histórica (2025)
Downloaded02/13/25
4864) A extrema-direita europeia, suas relacoes com as duas grandes autocracias - Rodrigo da Silva, Apresentacao Paulo Roberto de Almeida
Read06/15/24
4610) Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (2024)
Read03/27/24
2011) Obsolescência de uma Velha Senhora? A OEA e a Nova Geografia Política Latino-americana (2009)
Read02/27/24
Guiana: postagens no blog Diplomatizzando (2015-2023)
Read12/11/23
4520) A ONU e o sistema internacional: posturas da diplomacia brasileira (2023)
Bookmarked12/11/23academia.edu

2) Um visitante de Luanda, Angola, exibiu estes acessos:
Alain Larcan: De Gaulle Inventaire; ses lectures (2010)
Read10/28/25
Autocracy Inc., Anne Applebaum, Introdução (2024)
Downloaded11/10/24
Regimes politicos na America Latina (2024) - Augusto de Franco e Renato Cecchettini
Downloaded11/10/24
Perfect Storm 1 e 2 - Elie Barnavi (Telos.eu)
Downloaded11/10/24
4226) A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia no contexto histórico (2022)
Downloaded11/10/24
Pact for the future UNO (September 2024)
Downloaded11/10/24

3) Um jornalista de São Paulo efetuou estas consultas:
4946) O Brasil e multilateralismo: construcao e desconstrucao (2025)
Downloaded10/28/25
1920) To Be or Not the Bric (2008)
Downloaded10/14/25
4946) O Brasil e multilateralismo: construcao e desconstrucao (2025)
Read09/27/25

4) Um professor universitário de Brasília, conhecido, foi mais modesto:
4816) Lista de trabalhos de Paulo Roberto de Almeida na plataforma Academia.edu (1976-2024)
Read10/28/25academia.edu4 Pages Read
Eleicoes presidenciais no Brasil: relacoes internacionais, politica externa e diplomacia brasileira, 1985-2018
Read01/29/25295 Pages Read
3960) Relações internacionais, política externa do Brasil e carreira diplomática (2021)
Read01/26/25
QUINZE ANOS DE POLITICA EXTERNA ENSAIOS SOBRE A DIPLOMACIA BRASILEIRA, 2002-2017
Read10/18/24
O Estudo das Relacoes internacionais do Brasil - Quadros Analiticos Horizontais
Read12/22/222 Pages Read
O Estudo das Relacoes internacionais do Brasil - Quadros Analiticos Horizontais
Read10/14/213 Pages Read

5) Um estudioso de Filosofia do Paraná preferiu acessar estes trabalhos:

5093) Trabalhos PRA mais acessados na plataforma Academia.edu
Downloaded10/28/25academia.edu
1920) To Be or Not the Bric (2008)
Downloaded10/15/25
4889) O Brasil no contexto de um novo cenario internacional: incertezas e opcoes (2025)
Downloaded04/29/25
2011) Obsolescência de uma Velha Senhora? A OEA e a Nova Geografia Política Latino-americana (2009)
Read11/19/24

6) Um colega diplomata teve estas curiosidades:


3483) O Ocidente e seus salvadores: um debate de ideias (2019)
Downloaded10/20/25
5033) Lista atualizada de trabalhos sobre o Mercosul e a integracao regional (2025)
Downloaded08/28/25academia.edu
5033) Lista atualizada de trabalhos sobre o Mercosul e a integracao regional (2025)
Read08/28/25

E assim eu poderia continuar indefinidamente, pois a lista de Readers é enorme, praticamente interminável, até perder de vista no passado...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5600, 28 outubro 2025, 4 p.
Postado na própria página de Academia.edu (link: https://www.academia.edu/144683522/5600_O_que_meus_visitantes_no_Academia_edu_andam_buscando_em_meus_textos_2025_

O milagre alemão e como ele funcionou: Barry Eichengreen, Carl-Ludwig Holtfrerich, Tobias Straumann (livros)

 Barry Eichengreen’s Perspective

The German Economic Miracle, Then and Now
By Barry Eichengreen
Why did Germany, defeated in both World War I and WWII, recover so strongly after the latter, but not after the former? Two recent books suggest that conventional accounts of the Wirtschaftswunder – West Germany’s miraculous economic ascent after WWII – get it wrong.

Edward A. Tenenbaum and the Deutschmark:
How an American Jew Became the Father of Germany’s Postwar Economic Revival
By Carl-Ludwig Holtfrerich

Eichengreen says: According to Holtfrerich, the subject of this biography, Edward Tenenbaum, was the “real author” of the West German currency reform of 1948, with which Ludwig Erhard is often credited.s freedom.”


Out of Hitler’s Shadow: Debt, Guilt, and the German Economic Miracle
By Tobias Straumann

Eichengreen says: In this political narrative, Straumann argues that Germany’s postwar economic recovery was “far from secure following the reforms of 1948.”

O que esperar da COP-30 - Rubens Barbosa (O Estado de S. Paulo)

 Opinião:

O que esperar da COP-30

A COP-30 foi pensada como uma conferência que transcende a imagem restritiva de um encontro climático

Rubens Barbosa
O Estado de S. Paulo, 28/10/2025

        A tão falada e esperada COP-30 terá início na próxima semana. Desde 2023, o governo brasileiro vem trabalhando para que a COP-30 se consolide como marco não apenas para o fortalecimento do multilateralismo, mas também para sua evolução rumo a uma nova era de governança global fortalecida.
        As bem-sucedidas presidências brasileiras da Cúpula da Amazônia (Belém, agosto de 2023), do G-20 (2024) e do Brics (2025), bem como o protagonismo brasileiro na COP-28 (Dubai, dezembro de 2023) e na COP-29 (Baku, novembro de 2024), permitiram desenhar uma linha de pensamento e ação na área de mudança do clima capaz de enfrentar os desafios do século 21, de ameaças difusas e grandes transformações nos cenários econômico e político globais, em que o avanço tecnológico e as preocupações com o meio ambiente e as mudanças climáticas ganham um papel de relevo.
        A COP-30 foi pensada como uma conferência que transcende a imagem restritiva de um encontro climático. Além das expectativas da sociedade civil em torno de uma “COP social”, trata-se de um momento potencialmente definidor para o futuro da governança global, que vai muito além do seu papel convencional de conferência climática. Tal perspectiva reflete uma realidade em que geopolítica, comércio, desenvolvimento, paz e segurança, estabilidade financeira, inflação, emprego, política fiscal e monetária, tecnologia e integridade da informação, democracia e combate às desigualdades, fome e pobreza passaram a fazer parte de agendas que impactam e são impactadas, em todos os níveis, do local ao global.
        Para a política interna, a COP-30 poderá servir de plataforma para que o Brasil se consolide na vanguarda da economia do futuro, permitindo ao País não só aproveitar, como também moldar um novo ciclo de prosperidade definido pelas transições energética, digital e bioeconômica, acompanhadas por avanços no combate às desigualdades. A agenda de transições justas para uma economia de baixo carbono poderá ajudar a definir um novo caminho para o desenvolvimento brasileiro.
        A presidência brasileira da COP teve um papel relevante na preparação e no desenvolvimento da agenda do encontro em torno de três objetivos: 1) reforçar o multilateralismo e o regime climático sob a Convenção do Clima e seu Acordo de Paris; 2) conectar o regime climático à vida real das pessoas, inclusive como vetor de prosperidade, desenvolvimento e combate à desigualdade, no quesito fome e pobreza; e 3) acelerar a implementação do Acordo de Paris, envolvendo atores públicos e privados e ajustes estruturais na governança global e na arquitetura financeira internacional.
        A presidência brasileira convocou um “mutirão global” contra a mudança do clima, em quatro frentes de atuação: Mobilização Global, com quatro Círculos de Liderança – o “Círculo dos Presidentes das COP”, presidido por Laurent Fabius, presidente da COP-21; o “Círculo dos Povos”, liderado pela ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara; o “Círculo de Ministros da Fazenda”, presidido pelo ministro Fernando Haddad; e o “Círculo do Balanço Ético Global”, liderado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. Negociações formais incluem cerca de 20 temas substantivos, entre os quais adaptação e transições climáticas justas. Agenda de Ação – envolve atores públicos e privados (governos subnacionais, setor privado, sociedade civil), durante a COP. Cúpula de Líderes, tratando de temas politicamente sensíveis que poderão dar o tom para o sucesso da COP-30, com anúncios de alto nível, em áreas como fome e pobreza, energia e florestas, entre os quais o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
        A COP-30 marca o início do segundo ciclo de ambição do Acordo de Paris com a apresentação das novas metas climáticas para 2035 pelos países-membros, por meio de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Além da apresentação das NDCs e do relatório com soluções para o incremento do financiamento climático para países em desenvolvimento, a COP-30 deverá avançar em três dimensões: 1) dar seguimento e melhor detalhamento a metas globais de transição energética e do “fim do desmatamento e sua reversão até 2030”, adotadas pela COP-28 sob o Balanço Global do Acordo de Paris; 2) atender aos anseios de países em desenvolvimento quanto aos impactos de medidas unilaterais de comércio sobre o desenvolvimento sustentável; e 3) há expectativa em relação à presidência brasileira quanto à inflexão sem precedentes para colocar as pessoas no centro da pauta climática e de desenvolvimento, inclusive via oportunidades para empregos, renda, qualidade de vida, redução da inflação, saúde e combate às desigualdades, fome e pobreza.
        Embora não constando formalmente da agenda negociadora, as seis áreas-chave mencionadas – multilateralismo; NDCs; pessoas; comércio; energia e florestas; e financiamento climático – colocar-se-ão, substantivamente, como medidas do sucesso da COP-30. O pacote político de Belém deverá finalmente ser lastreado por entregas mínimas na agenda formal das negociações, sobretudo quanto aos indicadores para o Objetivo Global de Adaptação – principal tema negociador mandatado para a COP-30 e ao programa de trabalho sobre transições justas.

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), foi embaixador do Brasil em Londres (1994-99) e em Washington (1999-2004).

Opções da diplomacia brasileira num mundo em desordem – Paulo Roberto de Almeida

 *Revista Será? ANOXIV | 

Opções da diplomacia brasileira num mundo em desordem

Paulo Roberto de Almeida* 

O diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida analisa os desafios da diplomacia brasileira diante do atual cenário global de instabilidade e competição entre potências. 

Defende que o Brasil preserve sua autonomia decisória, mantenha coerência com os princípios do Direito Internacional e atue pela solução pacífica dos conflitos, evitando alinhamentos geopolíticos que comprometam seus interesses nacionais. Um texto lúcido sobre o papel do Itamaraty num mundo em desordem.

#DiplomaciaBrasileira

Seque o link para o artigo.

https://bit.ly/4nowwcF

Revista Será?

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Qual o sentido de minhas reflexões, de minha ação prática, de minha produção intelectual? Paulo Roberto de Almeida

Qual o sentido de minhas reflexões, de minha ação prática, minha produção intelectual?

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre meus objetivos primários na vida social.

        Apenas um curto registro sobre o que me motiva, pessoalmente, o que me induz nas atividades concretas, o que espero que delas resultem.
        Em primeiro lugar, o conhecimento pelo conhecimento, o indizível prazer intelectual, sempre solitário, de buscar saber um pouco mais pela leitura, pela pesquisa metódica, pela busca incessante de encontrar respostas para as muitas questões sobre a existência humana, sobre o mundo, sobre os problemas da vida em sociedade.
        Em segundo lugar, a preocupação em sistematizar esse conhecimento adquirido na formulação de respostas possíveis, tentativas, aproximativas a esses mesmos problemas e suas soluções mais adequadas num contexto social mais amplo.
        Em terceiro lugar, na propagação intencional, numa perspectiva pedagógica, desse saber adquirido no estudo a um círculo maior de possíveis recebedores desse conhecimento ampliado, partindo do princípio de que todo ser humano nasce zero quilometro em matéria de conhecimento util à sua sobrevivência, à diferença dos instintos animais na natureza.
        Em quarto e mais importante lugar, de sistematizar estudo, pesquisa, conhecimento e experiência adquirida nas atividades precedentes de maneira a poder transmitir o estoque de saber acumulado a um leque mais amplo de pessoas, pela divulgação da produção intelectual pelos meios mais apropriados de disseminação gratuita desse estoque de saber, o que é uma forma de devolver à sociedade o que dela recebi sob a forma de leitura em livros e revistas científicas e no contato com gente mais inteligente ou mais experiente.
        Finalmente, em quinto lugar, participar de atividades públicas, profissionais ou de lazer, na academia ou na burocracia, que redundem na elevação espiritual de meus semelhantes ou no acréscimo de bem-estar a um número bem mais amplo de concidadãos ou a todo e qualquer indivíduo da espécie humana.
        Por último, não tenho nenhuma adesão a qualquer tipo de nacionalismo exclusivista, a qualquer religião organizada, a quslquer grupo, tribo ou nação em especial. Não me sinto obrigado a seguir ou obedecer a qualquer tipo de autoridade política ou estatal, sou levemente anarquista, contra qualquer poder da autoridade, e sim a favor da autoridade do argumento racional, podendo ser exsminado, inquirido, questionado e respondido da mesma forma.
        Sou livre, tanto quanto me permitem as condições sociais e materiais que me cercam, em favor das quais contribui ao melhor dos meus esforços.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5099, 28 2utubro 2025, 1 p.

Sobre “neutralidade” e imparcialidade: uma lição de Rui Barbosa - Paulo Roberto de Almeida

Ao retranscrever uma postagem de algumas semanas atrás, gostaria de enfatizar aos meus poucos leitores a importância da leitura de um livro contendo as lições de Rui Barbosa em Buenos Aires, em 1916, reeditadas no livro da Fundação Casa de Rui Barbos, “Conceitos Modernos do Direito Intetnacional” (1983):

segunda-feira, 6 de outubro de 2025
A neutralidade que não é imparcialidade - Palmari H. de Lucena (Mais PB); comentário de Paulo Roberto de Almeida
 Um artigo num jornal da Paraíba que argumenta sobre um dos traços mais identificadores, a despeito dos desacordos gerais em outras matérias, entre Bolsonaro e Lula, no que respeito temas de política externa, especificamente no que concerne a guerra de agressão da Rússia contra um Estado soberano, a Ucrânia: a postura objetivamente favorável a Putin e à guerra cruel e unilateral do neoczarismo russo contra o país da Europa oriental, antigamente dominado pela União Soviética.

Como já tinha argumentado Rui Barbosa desde 1916 (a propósito da agressão do antigo Império alemão contra a Bélgica neutra, na Grande Guerra, neutralidade NÃO É imparcialidade, infelizmente. PRA

A neutralidade que não é imparcialidade
Palmari H. de Lucena 
Mais PB, 05/10/2025

O Brasil gosta de repetir que sua tradição diplomática é a da neutralidade. Mas a guerra da Ucrânia deixou claro: neutralidade não é sinônimo de imparcialidade. Nos gestos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, a política externa brasileira acabou beneficiando mais a Rússia de Vladimir Putin do que a paz que diz buscar.

Bolsonaro, em fevereiro de 2022, sentou-se ao lado de Putin na antessala da invasão, declarando solidariedade e reforçando laços comerciais. Justificou a posição brasileira pelo pragmatismo dos fertilizantes, como se a dependência agrícola bastasse para relativizar a violação da soberania ucraniana. A neutralidade, nesse caso, serviu de biombo para uma aproximação cúmplice.

Lula, por sua vez, herdou o conflito e procurou se vestir de mediador global. Propôs um “clube da paz”, equiparou responsabilidades de Kiev e Moscou e acusou o Ocidente de estimular a guerra. Sua retórica sofisticada, porém, esbarrou no mesmo problema: transformar agredido e agressor em equivalentes morais. Ao tentar exibir imparcialidade, acabou favorecendo Putin, ao reduzir a pressão internacional contra a Rússia e diluir a clareza de quem iniciou o conflito.

A contradição torna-se ainda mais evidente quando se compara a atitude brasileira na guerra da Ucrânia com sua postura diante de Gaza e da Cisjordânia. No Oriente Médio, o governo não hesitou em condenar Israel, responsabilizá-lo por excessos e assumir posição frontal em defesa dos palestinos. Já em relação à Ucrânia, a diplomacia prefere relativizar, apelar à equidistância e suavizar a responsabilidade russa. O contraste expõe que a neutralidade, no caso europeu, é menos princípio universal e mais cálculo de conveniência.

O Itamaraty costuma invocar o princípio da não intervenção e da solução pacífica de controvérsias. Mas imparcialidade verdadeira não é fechar os olhos ao desequilíbrio das ações. Não há simetria entre quem invade e quem resiste. Ao se abster de julgamentos claros ou ao tratar Moscou e Kiev como lados igualmente responsáveis, o Brasil compromete não apenas sua credibilidade moral, mas também sua capacidade de liderar qualquer processo de mediação legítima.

No fundo, a diferença entre Bolsonaro e Lula é mais de estilo do que de substância. Um se abraçou a Putin em nome dos fertilizantes; o outro o recebe como parceiro estratégico, falando em paz enquanto relativiza responsabilidades. Ambos, porém, praticaram uma neutralidade que não é imparcialidade, mas silêncio cúmplice. Ao evitar nomear com clareza o agressor, o Brasil não apenas enfraquece sua voz moral no mundo: ajuda, ainda que de forma disfarçada, a prolongar a guerra iniciada pelo Kremlin.

* Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Portal MaisPB

Da importância de uma reflexão aprofundada para um sólido planejamento diplomático - Paulo Roberto de Almeida

 Em 3 de outubro de 2025 eu postava uma avaliação sobre os prejuizos à credibilidade de um serviço diplomático profissional como é o do Brasil derivados do excesso de personalismo no exercicio de uma diplomacia presidencial excessivamente baseada nos instintos pessoais do chefe de Estado, à margem de estudos acurados do tipo custo-benedicio que deveriam provir dos próprios quadros da diplomacia profissional. Mais de três semanas depois, mantrnho minha critica e reafirmo o alerta que formulei ao início do mês de outubro de 1925.

Paulo Roberto de Almeida 

Uma pequena avaliação sobre certas inconsequências de uma diplomacia presidencialista excessivamente personalista:

Muitas das iniciativas diplomáticas do lulopetismo na política externa do Brasil, como a Unasul, por exemplo, se mostraram inviáveis por “defeitos de origem”, digamos assim, ou de concepção e de condução, sem que tivessem produzido os bons frutos esperados, neste caso, uma pretensa liderança brasileira na América do Sul, o que se revelou ilusório, como a errática trajetória política do continente depois o demonstrou sobejamente.

Mas, nenhuma foi tão pesada, em seus desenvolvimentos futuros, como a decisão voluntarista, sem estudos ou reflexões diplomáticas ponderadas, de criar um BRIC, com base em uma sugestão puramente externa, com objetivos totalmente desprovidos de qualquer conotação diplomática, alheios aos interesses nacionais permanentes e em contradição com padrões, princípios e valores de uma diplomacia profissional comprometida  com a condição do Brasil no grande jogo do poder global.

De BRIC a BRICS, e agora BRICS+, o voluntarismo personalista cobra um preço em termos de coerência com a sempre defendida, pela diplomacia profissional, postura de autonomia decisória, de neutralidade e de imparcialidade com respeito a conflitos interimperiais, que foram a sua marca nos 183 anos anteriores de sua trajetória, desde o Manifesto às Nações Amigas concebido em agosto de 1822 por José Bonifácio de Andrada e Silva, postura também partilhada por Hipólito da Costa.

Os EUA também se ressentem de certos excessos de diplomacia personalista, marcados por muita megalomania, mas sobretudo por ignorância fundamental quanto aos mecanismos do grande jogo do poder global. Fatores contingentes superam muitas vezes tendências estruturais que se acreditavam mais sólidas. A guerra de Troia, por sinal, não está muito longe de nosso horizonte de possibilidades históricas. Paixões e interesses ainda movem certos dirigentes que se movimentam guiados apenas por seus instintos primitivos individuais.

A primeira metade do século XX foi pródiga em terríveis consequências involuntárias das paixões humanas. Se esperava que o novo século não repetisse o padrão…

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3/10/2025

Postado novamente em 28/10/2025

Noticias recentes da geopolítica mundial - Paulo Roberto de Almeida

Noticias recentes da geopolítica mundial:

Lido no Observatorio Politica China, 28/10/2025:
“La Casa Blanca adelantó que el presidente de EE. UU. abordará “el tema Taiwán” con Xi Jinping al margen de APEC en Busan, Corea del Sur.”
Opinião do WSJ (28/10/2025): "Xi Gives Trump a Taiwan Test
By The Editorial Board; China’s president wants the U.S. to oppose the democratic island’s independence."

Um tema ainda mais importante no plano geopolitico, ou da “nova guerra do Peloponeso”, do que o próprio conflito comercial entre os dois gigantes da economia mundial, que poderiam viver em completa simbiose cooperativa no plano econômico, em benefício recíproco de ambos os paises e no de toda a comunidade internacional, em especial no dos países em desenvolvimento, mas que, no entanto, iniciaram uma disputa de caráter hegemônico que prejudica a ambos e que só pode refletir as paixões e ambições mesquinhas de dirigentes descompromissados e alienados com redpeito aos reais interesses dos povos de cada Estado respectivo.
O mesmo sucede, mutatis mutandis, com respeito à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que apenas representa o o resultado de ambições imperialistas do atual ditador de todas as Rússias, e não o real interesse de desenvolvimento e cooperação entre dois Estados saídos da dissolução do irracional e desmesurado império da URSS, ele mesmo herdeiro do império autocrático dos czaristas feudais, já dissolvido em 1917, e recriado logo depois pelo novo poder bolchevique, brutalmente ampliado pelo déspota Stalin, o novo czar na sucessão de Lênin, aquele que era um grande estrategista político, mas uma nulidade em economia.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 28/10/2025

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Bolivie : Comment expliquer l’effondrement du dernier bastion du “socialisme du XXIe siècle” ? - Vincent Arpoulet et Tristan Waag (IHEAL)

Bolivie : Comment expliquer l’effondrement du dernier bastion du “socialisme du XXIe siècle” ?

Vincent Arpoulet et Tristan Waag
Lettre d'information de l'IHEAL CREDA; n°89, septembre 2025
http://www.iheal.univ-paris3.fr/fr/edito/bolivie-comment-expliquer-l%E2%80%99effondrement-du-dernier-bastion-du-%E2%80%9Csocialisme-du-xxie-si%C3%A8cle%E2%80%9D

Aux lendemains du premier tour de l’élection présidentielle bolivienne, un parfum d’années 1990 plane sur le pays andin : ayant échoué aux portes du second tour, Samuel Doria Medina, ex-ministre de la coordination et de la planification (1991-1993) et principal artisan du processus de privatisation systématisé sous la présidence de Jaime Paz Zamora (1989-1993), apporte son soutien au fils de ce dernier, Rodrigo Paz, qui termine à la surprise générale en tête de ce premier tour. Face à lui, se trouve l’ancien président Jorge - alias “Tuto” - Quiroga Ramírez (2001-2002) connu pour avoir mené à son terme ce processus néolibéral via la vente des dernières entreprises encore publiques – et, accessoirement, la dernière phase du coup d’État de 2019 contre Evo Morales. Si l’arrivée au pouvoir de ce dernier en 2006 avait soulevé l’espoir d’une réappropriation du pouvoir par les franges marginalisées par cette cure d’austérité, les bases sociales du Mouvement vers le Socialisme (MAS) ont aujourd’hui tourné le dos aux deux candidats revendiquant l’héritage de ce processus progressiste : le ministre Eduardo del Castillo investi par ce mouvement et Andrónico Rodríguez – héritier déchu d’Evo Morales et ancien président du Sénat – rassemblent en effet péniblement 11% des suffrages au total. Si le vote nul – plébiscité par l’ex-président depuis son exclusion de la course présidentielle – atteint un niveau inédit de 20%, force est de constater que la base électorale de la gauche bolivienne est à son plus bas depuis sa première accession au pouvoir. Comment expliquer un tel retour en force du néolibéralisme dans le seul pays du continent dans lequel il n’avait plus gagné dans les urnes depuis 2006 ?

Derrière la fracture Arce / Morales, des divergences stratégiques et la traditionnelle maladie des ressources expliquent l’effondrement de la gauche bolivienne

La principale explication du rejet du MAS réside dans l’inflation, qui a cru de près de 12 points depuis le début de l’année, soit un niveau jamais atteint depuis son arrivée au pouvoir. Si ses traditionnels opposants voient là la preuve incontestable d’une piètre gestion économique et d’un excès de dépenses publiques de la part du président sortant Luis Arce, ce dernier subit également les foudres de son prédécesseur Evo Morales qui estime que son ancien ministre de l’économie aurait « trahi [le] modèle économique » implanté à partir de 2006. Il semble pourtant que cette crise est avant tout due au traditionnel phénomène de dégradation des termes de l’échange généré par la spécialisation dans l’exportation de matières premières brutes telles que le gaz naturel ou les ressources minières, les deux principaux produits commercialisés par l’État bolivien sur la scène internationale. En effet, celle-ci est à double tranchant. Lorsque les prix internationaux sont élevés ou que les exportations surpassent les importations, la quantité de dollars qui entrent dans le pays est suffisante pour importer tout ce qu’il ne produit pas, c’est-à-dire la plupart des biens nécessaires à la consommation nationale. Dans un contexte d’augmentation de la fiscalité des entreprises privées et de réaffirmation de la prédominance de la puissance publique dans la gestion des ressources stratégiques, la hausse quasi continue du cours des matières premières entre 2006 et 2014 est par ailleurs venue appuyer la réduction incontestable des inégalités de revenus, ainsi que l’adoption de mesures destinées à encadrer l’inflation, au premier rang desquelles l’établissement d’un taux de change fixe de 6,96 bolivianos pour 1 dollar. Or, ces mesures phares du « miracle économique bolivien » se heurtent aujourd’hui à l’épuisement des réserves de gaz disponibles. La diminution des exportations qui en découle vient dans le même temps réduire les réserves de dollars. Or, la demande de biens de consommation reste toujours la même. Résultat : la demande de dollars nécessaires pour perpétuer ces importations devient plus importante que la quantité réellement disponible de devises internationales et il faut donc plus de bolivianos pour obtenir un dollar. Par conséquent, les prix des biens importés augmentent lorsqu’ils sont répercutés en bolivianos, ce qui provoque une inflation généralisée à l’ensemble du marché des biens de consommation. C’est ce qu’on appelle la dégradation des termes de l’échange. Si, dans un contexte de taux de change fixe, ce phénomène a dans un premier temps été limité lors du choc des commodities en 2014, l’entrée de devises internationales n’est aujourd’hui plus suffisante pour soutenir le taux de change fixe et répondre à la demande interne dans le même temps. L’administration Arce ayant jusqu’alors choisi de perpétuer la fixité du taux de change, elle ne peut plus suffisamment importer et la population se tourne vers le marché des changes parallèles pour se procurer des dollars dont le prix est jusqu’à deux fois plus élevé en bolivianos. Mécaniquement, l’ensemble des prix en dollars augmentent, d’où l’inflation qui relève donc surtout de la traditionnelle maladie des matières premières.

Celle-ci vient ainsi traduire la principale limite de l’expérience bolivienne, à savoir l’insuffisante diversification de la structure productive – en dépit de la volonté affichée d’un autre modèle productif et d’une autre matrice énergétique –, cette dernière découlant elle-même d’une étatisation en réalité moins importante que celle officiellement revendiquée par le MAS. Ce dernier a notamment dû composer avec certaines contraintes structurelles préexistantes à son arrivée au pouvoir, au premier rang desquelles l’endettement extérieur. Sa volonté affichée de renégocier ces prêts n’a en effet pas été sans contreparties. À titre d’exemple, l’annulation de la dette de 443 millions de dollars contractée auprès du Japon coïncide avec le rachat, par le consortium japonais Sumitomo Corporation, de l’intégralité des parts de San Cristobal, plus grande mine à ciel ouvert du pays, privant ainsi la puissance publique de marges de manœuvre dans la gestion de cette société qui extrait non moins de 85% du zinc bolivien. La production d’or bolivien étant par ailleurs quasi intégralement assurée par des coopératives bénéficiant d’un cadre fiscal plus avantageux que celui auquel sont soumises les entreprises publiques et privées, ou opérant dans la plus parfaite illégalité, l’État bolivien ne peut s’appuyer sur la nouvelle ruée internationale vers l’or en vue de pallier à l’épuisement de ses réserves de gaz.

Cette crise vient ainsi mettre en lumière la contradiction inhérente à la politique économique du MAS. En effet, la défense d’un État fort et centralisé comme instrument de rupture avec la prédominance du secteur privé dans la gestion de l’économie bolivienne semble difficilement compatible avec la promotion de coopératives en tant qu’instruments de réappropriation locale des moyens de production. Or, là où Arce incarne la génération de fonctionnaires ayant émergé dans le cadre de la reconstruction de l’État bolivien, Evo Morales s’est précisément converti en porte-voix de cette autonomie territoriale et communautaire. Il en fallait cependant plus pour convaincre la fédération nationale des coopératives minières (Fencomin) qui a préféré opter pour la troisième voie prônée par Andrónico Rodríguez … tout en exprimant son souhait d’une politique d’austérité radicale à priori incompatible avec la volonté conciliatrice affichée par son candidat vis-à-vis de la frange étatiste du MAS. Cette rhétorique a en revanche trouvé écho du côté du projet de restructuration des entreprises publiques porté par Rodrigo Paz. Sa percée inattendue dans la quasi-totalité des anciens bastions du MAS (en particulier les secteurs périurbains de l’Altiplano) semble ainsi venir définitivement acter cette rupture entre tenants de la souveraineté étatique et de l’autonomie territoriale, cette dernière sortant d’autant plus renforcée de ce scrutin que bon nombre de coopérativistes se sont désolidarisés des consignes de votes de leurs organisations, la majorité d’entre elles ayant pris parti pour Rodríguez ou Del Castillo. À l’image du MAS qui semble avoir perdu la main sur les organisations populaires qui assuraient son ancrage territorial, ces dernières semblent ne plus trouver d’écho auprès de leurs propres bases sociales.

Après le difficile compromis, l’éclatement de la gauche bolivienne

Si ces tensions éclatent aujourd’hui au grand jour, elles couvent en réalité depuis l’élection présidentielle du 20 octobre 2019, qui marque une césure majeure dans l’histoire politique récente de la Bolivie. Alors qu’Evo Morales, au pouvoir sans discontinuer depuis 2006, est donné vainqueur dès le premier tour, l’opposition de droite conteste la légitimité du scrutin, invoquant une fraude électorale liée à l’interruption du comptage électronique. Bien que ces accusations demeurent dépourvues de fondement, elles cristallisent le mécontentement de l’opposition, déjà nourri par la décision prise par Morales en 2016 de briguer un nouveau mandat malgré le rejet référendaire de cette perspective. La contestation, intensifiée par les mobilisations des comités civiques des principales villes de l’Oriente bolivien, conduit l’armée à « suggérer » la démission du président, événement largement perçu comme un coup d’État. L’exil de Morales au Mexique puis en Argentine ouvre ainsi une séquence de recomposition politique, marquée par l’installation au pouvoir d’un gouvernement intérimaire de droite (2019-2020), puis par le retour triomphal du Mouvement vers le socialisme (MAS) avec l’élection de Luis Arce en octobre 2020.

Ce retour au pouvoir ne se traduit toutefois pas par une consolidation durable. La désignation de Luis Arce, ancien ministre de l’Économie, comme candidat du MAS révèle d’emblée les tensions entre l’autorité charismatique de Morales et l’affirmation d’un leadership plus technocratique. Dès l’accession d’Arce à la présidence, la marginalisation des proches de Morales amorce une polarisation interne entre evistas et arcistas. Cette fragmentation, d’abord contenue dans les discours, se diffuse progressivement au sein de l’Assemblée plurinationale, puis au cœur des organisations syndicales paysannes et ouvrières historiquement liées au MAS. L’interdiction constitutionnelle, en décembre 2023, d’une nouvelle candidature de Morales, renforce cette dynamique centrifuge. Contestant la légitimité de la décision judiciaire, l’ancien président mobilise son bastion du Chapare, recourant à des pratiques de blocages routiers et parlementaires qui perturbent durablement le gouvernement de Luis Arce.

L’analyse de ces clivages invite à dépasser une lecture strictement conjoncturelle. Ils traduisent en réalité la persistance du caudillisme comme phénomène politique inhérent au champ partisan bolivien. En Bolivie, le caudillisme se traduit historiquement par la mise en compétition de leaders politiques désireux de capter les ressources fiscales de l’État afin d’en assurer la redistribution à des cercles de militants et d’électeurs en situation de dépendance vis-à-vis de ces leaders. La lutte entre Morales et Arce reflète donc moins des divergences idéologiques substantielles qu’une compétition pour le contrôle des ressources fiscales et bureaucratiques, dans un contexte marqué par la faiblesse structurelle du secteur privé et par la centralité redistributive de l’État. Cette configuration illustre finalement la difficulté du MAS à opérer un processus de « routinisation » du charisme, au sens wébérien, c’est-à-dire à transformer une domination fondée sur l’exceptionnalité personnelle en une domination juridico-légale et institutionnalisée. L’incapacité de Morales à céder son rôle de médiateur principal entre l’État et les organisations sociales qui soutiennent historiquement le MAS empêche la consolidation d’un leadership alternatif et fragilise l’ensemble du mouvement.

Cet affaiblissement doit enfin être appréhendé à la lumière de l’échec du projet de « gouvernement des mouvements sociaux » initié par Evo Morales en 2006. Initialement fondé sur l’intégration des revendications issues des luttes anti-néolibérales de la fin des années 1990 et du début des années 2000 (nationalisation des hydrocarbures, reconnaissance plurinationale, droits indigènes), ce projet s’est progressivement heurté aux contradictions internes d’un bloc social hétérogène, notamment divisé entre des secteurs pro-extractivistes (cultivateurs de feuilles de coca, coopérativistes miniers) et anti-extractivistes (organisations indigènes de l’Oriente bolivien). À cette difficulté structurelle, s’est ajoutée une dynamique de clientélisation, par laquelle certaines organisations sociales, intégrées à l’appareil bureaucratique, ont progressivement perdu leur autonomie au profit d’une logique de dépendance vis-à-vis des ressources étatiques. Sous le mandat d’Arce, cette tendance s’est accentuée dans un contexte de raréfaction des ressources et de technocratisation croissante de la gestion publique, accentuant le divorce entre gouvernement et organisations sociales.

En définitive, l’éclatement de la gauche bolivienne relève moins d’un désaccord idéologique que d’une double impasse : l’incapacité à dépasser la personnalisation charismatique du leadership d’Evo Morales, et l’échec à institutionnaliser une démocratie sociale et participative durable. Ce double déficit, à la fois organisationnel et institutionnel, explique la défaite historique du MAS en 2025 et souligne les limites structurelles des expériences progressistes latino-américaines fondées sur des leaderships charismatiques exceptionnels.

Rodrigo Paz: le « capitalisme pour tous » comme troisième voie ?

La victoire de Rodrigo Paz, candidat de centre-droit arrivé en tête de ce premier tour du scrutin présidentiel avec 32% des voix a été vue comme une surprise par nombre d’observateurs. En effet, la totalité des enquêtes pré-électorales annonçait l’accession au second tour de Jorge “Tuto” Quiroga et Samuel Doria Medina, deux candidats de droite ayant occupé des fonctions exécutives au cours des années 1990-2000, marquées en Bolivie par une vague de privatisations et de mesures de libéralisation de l’économie. Paz est ainsi apparu comme une troisième voie entre une gauche en voie de déliquescence, et une droite néolibérale vers laquelle un certain nombre de catégories populaires indigènes anciennement électrices du MAS n’ont pas voulu se tourner. C’est ainsi que l’on peut lire le succès de Paz au sein d’anciens bastions électoraux du MAS tels que les départements de La Paz (46,95%), Oruro (48,21%) ou Potosi (43,13%).

Cependant, la victoire de Paz repose aussi sur sa capacité à avoir perçu les transformations que connaît actuellement le monde populaire bolivien. Ainsi, si celui-ci appelle, à l’instar de Jorge “Tuto” Quiroga, son concurrent du second tour, à une restructuration des entreprises publiques ainsi qu’à une réduction drastique du déficit public, c’est au nom de la consolidation des économies populaires qu’il juge fragilisées par une bureaucratie inefficiente, et non en vue du retour d’un néolibéralisme orthodoxe. Ce projet de « capitalisme pour tous », qui constitue un axe programmatique du candidat, entend s’articuler sur l’ethos entrepreneurial adopté par nombre de catégories populaires notamment urbaines au cours des dernières décennies, alors que même la gauche était au pouvoir. Ce micro-entreprenariat, souvent familial et informel (85% des actifs le sont en Bolivie) repose sur une logique de compétition exacerbée entre producteurs ou commerçants du même secteur d’activité. Il a été directement soutenu par les transferts de ressources fiscales opérés par la gauche bolivienne au cours des dernières décennies. De même, le MAS n’a cessé de promouvoir la centralité des coopératives, comités de voisins, etc. comme instruments de réappropriation populaire des moyens de production et de décision. Pourtant, ces organisations apparues initialement sous l’ère néolibérale ont favorisé la persistance de logiques d’informalisation, d’individualisation, et de compétition pour la ressource publique préexistantes au MAS. La percée de Paz semble ainsi refléter l’incapacité, à la fois de Morales / Arce et des organisations sociales ou syndicats de travailleurs urbains qui sont sortis consolidés de leurs présidences, à promouvoir, auprès de leurs bases, un discours alternatif à toute logique néolibérale. S’il incarne ainsi un clair rejet de la conception étatiste jusqu’alors portée par une frange significative du MAS, le soutien apporté à Paz ne s’apparente pas pour autant à une nouvelle adhésion à un néolibéralisme radical massivement rejeté par les guerres de l’eau (2000) et du gaz (2003), deux mobilisations de grande ampleur ayant laissé des traces dans les mémoires collectives.

Au-delà de l’adhésion à son projet économique « hybride », Paz semble ainsi plus largement avoir bénéficié du rejet de la classe politique traditionnelle dans son ensemble. En témoigne l’importante popularité dont bénéficie son colistier Edman - alias « el capitan » - Lara, un ancien policier devenu médiatique après avoir dénoncé des affaires de corruption impliquant un certain nombre d’officiers de police sur les réseaux sociaux. Cette vague de rejet des logiques politiques traditionnelles emporte ainsi jusqu’à Manfred Reyes Villa, candidat conservateur relégué en troisième position dans la ville de Cochabamba qu’il dirige pourtant depuis 2021. Enfin, dans un pays où l’implantation des églises évangéliques est un phénomène en pleine expansion, la religiosité affirmée du projet politique porté par Paz et Lara constitue elle aussi un atout électoral certain.

Notes de bas de page

Trading Economics, “Taux d’inflation en Bolivie”, juillet 2025. URL : https://fr.tradingeconomics.com/bolivia/inflation-cpi ; consulté le 26/08/2025.
Banque Mondiale, “Indice Gini - Bolivia”, 2023. URL : https://donnees.banquemondiale.org/indicateur/SI.POV.GINI?locations=BO ; consulté le 26/08/2025.
González Diego, “Le miracle économique de la Bolivie”, Courrier international, 9 août 2019. URL : https://www.courrierinternational.com/article/economie-le-miracle-economique-de-la-bolivie ; consulté le 26/08/2025.
Educación Radiofónica de Bolivia, “Cooperativas mineras declaran a Evo ‘enemigo de la democracia’ y le advierten con impedir que vuelva a la presidencia así corra sangre”, 11 de junio del 2025. URL : https://erbol.com.bo/nacional/cooperativas-mineras-declaran-evo-%E2%80%98enemigo-de-la-democracia%E2%80%99-y-le-advierten-con-impedir-que ; consulté le 26/08/2025.
Alcides Arguedas, Historia de Bolivia: Vol.2. Los caudillos letrados…, Barcelona: imprenta Arnau, 1923.
Do Alto Hervé, Stefanoni Pablo, Nous serons des millions. Evo Morales et la gauche au pouvoir en Bolivie, Raisons d’agir, 2008.
Poupeau Franck, Altiplano, fragments d’une révolution (Bolivie, 1999-2019), Raisons d’agir, 2021.

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