quinta-feira, 30 de abril de 2026

Relatório sobre a Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteira

Relatório sobre a Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteira

Liberdade de Imprensa: em queda no mundo, em melhoria no Brasil, mas ainda num indicador muito abaixo do necessário e PELA PRIMEIRA VEZ, à frente dos EUA (mas isso também não vale, pois com DJT qualquer republiqueta fica com melhor nota).

A liberdade de imprensa no Brasil melhorou, segundo levantamento da organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras. Entre os 180 países avaliados, o Brasil ficou na 52ª posição e ultrapassou os Estados Unidos pela primeira vez. No mundo, a liberdade de imprensa caiu para os níveis mais baixos em 25 anos, desde que o ranking começou a ser publicado. A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras mede a liberdade de imprensa com base no contexto político, econômico e sociocultural do país, nas condições de segurança e nas leis que regulam o trabalho jornalístico.

https://www.youtube.com/watch?v=tSVy2alERr0 (CNN);
https://www.youtube.com/watch?v=QjQEpV1fl34 (G1);
https://www.youtube.com/watch?v=9To554-WOTg (TV Cultura);
https://www.youtube.com/watch?v=80ePmpzOcWY (Euronews);

Esta informação é precisa e atual, conforme os dados divulgados pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica sobre os dados do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2026:


1. O Desempenho do Brasil: Ascensão e Contraste:
- Posição Histórica: O Brasil alcançou a 52ª posição entre 180 países.
- Ultrapassagem dos EUA: Pela primeira vez na série histórica do ranking, o Brasil superou os Estados Unidos, que caíram para a 64ª posição.
- Evolução Recente: O país consolidou uma trajetória de recuperação expressiva, subindo 11 posições em relação a 2025 e acumulando uma alta de 58 colocações desde 2022.
- Contexto Sul-Americano: Na região, o Brasil agora ocupa a segunda melhor posição, atrás apenas do Uruguai (48º).


2. A Crise Global da Liberdade de Imprensa:
- Nível Crítico: A RSF alerta que a liberdade de imprensa no mundo atingiu seu nível mais baixo em 25 anos.
- Situação dos Países: Pela primeira vez, mais da metade das nações avaliadas (52,2%) encontra-se em situação classificada como "difícil" ou "muito grave" para o exercício do jornalismo.
- Deterioração nos EUA: A queda norte-americana é atribuída a uma crise de confiança pública e à hostilidade institucional renovada sob o segundo mandato de Donald Trump, com ataques sistemáticos a jornalistas e uso da máquina pública contra veículos de comunicação.


3. Decodificação dos Fatores de Melhora no Brasil:
De acordo com os relatórios da Agência Brasil e do G1, a ascensão brasileira é explicada por:
- Estabilidade Institucional: A retomada de relações menos conflituosas entre o governo federal e a imprensa.
- Segurança: A ausência de assassinatos de jornalistas no último período avaliado e a criação de novos mecanismos de proteção à atividade.
- Combate à Desinformação: Iniciativas governamentais e da sociedade civil voltadas à integridade da informação.


4. Ponto Crítico: O "Assédio Judicial":
Apesar da melhora no ranking, a RSF e veículos como o Estadão ressaltam que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais. O país permanece classificado em uma zona de "situação sensível" devido ao uso crescente do assédio judicial contra repórteres e veículos independentes, onde processos em massa são utilizados para asfixiar financeiramente e intimidar o trabalho jornalístico.
O avanço brasileiro, portanto, deve ser lido como uma exceção em um cenário global de retrocesso, mas que ainda carece de reformas legislativas para proteger o jornalismo de abusos do Poder Judiciário.

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/RDlj6653I2Vfu3ryY

Mentes confusas interpretadas por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida, IA Gemini, via Airton Dirceu Lemmertz

Mentes confusas interpretadas por Madame IA - Paulo Roberto de Almeida, IA Gemini, via Airton Dirceu Lemmertz

Madame IA, chamada a intervir por meu amigo e intérprete informático, Airton Dirceu Lemmertz, está ficando cada vez melhor. Desta vez não apenas concordou largamente com meus argumentos, como os explicou e interpretou para leitores menos atilados na história mundial:

Primeiro o meu texto, em seguida, toda a glória a Madame IA:

"Mentes confusas…"
Paulo Roberto de Almeida
:

"A China não é inimiga dos EUA, nunca foi, a despeito de ter sofrido humilhações dos EUA, secundariamente aos imperialismos europeus, na rebelião dos Boxers, por exemplo. Os EUA nunca foram inimigos da Rússia: até ajudaram a aliviar a fome dos russos durante a guerra civil de 1918-21, sob um regime declaradamente inimigo do capitalismo. O império soviético foi quem declarou os EUA um inimigo a ser abatido. Continua assim sob o atual neoczar.
Apenas uma mente perturbada, muito desequilibrada, completamente ignorante sobre a História e as relações internacionais contemporâneas, poderia ser amigo, e até admirador, do seu inimigo, ao mesmo tempo em que não cessa de hostilizar uma outra grande potência que retirou enormes, bons ensinamentos do capitalismo americano, e os aplicou de forma original e inovativa, ao ponto de superar, materialmente e cientificamente, seu antigo mestre, passando a cultivar um império decadente, selvagem, brutal e totalmente contrário aos ideais de democracia e de liberdades antes cultivadas pela (ainda) maior economia do mundo, mas em processo acelerado de desorganização institucional e diplomática sob as patas de um sujeito profundamente repulsivo.
Desculpem pela longa frase…".
Fonte:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/mentes-confusas-paulo-roberto-de-almeida.html

Agora, é a vez de Madame IA:

Este texto do diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida é uma análise incisiva sobre a inversão de valores e a desorientação estratégica na política externa contemporânea, escrita no contexto de hoje, 30 de abril de 2026.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e a decodificação dos elementos críticos:

1. Decodificação do "Sujeito Profundamente Repulsivo":
O autor utiliza uma linguagem codificada para referir-se a Donald Trump (em seu segundo mandato iniciado em 2025). As pistas contextuais são claras:
- "Processo acelerado de desorganização institucional": Refere-se às políticas de desmantelamento de órgãos multilaterais (como a saída da OMS e o enfraquecimento da OMC) e ao uso de ordens executivas para atropelar o direito internacional.
- "Hostilizar uma outra grande potência": Refere-se à agressiva guerra comercial e diplomática contra a China, que em 2026 já é reconhecida por métricas de Paridade de Poder de Compra (PPC) como a maior economia do mundo.
- "Admirador do seu inimigo": Alude à notória ambivalência de Trump em relação a Vladimir Putin ("o atual neoczar") e à Rússia, mantendo uma postura transacional que frequentemente isola os aliados europeus da OTAN em favor de uma aproximação com regimes autocráticos.

2. A Tese do "Neoczar" e o Império Soviético:
Almeida diferencia o Estado russo histórico do regime atual. Ele argumenta que a hostilidade não é intrínseca à Rússia, mas sim um produto do "espírito soviético" ressuscitado por Putin. Ao chamar Putin de neoczar, o autor decodifica a natureza do governo russo não como uma democracia moderna, mas como um império expansionista e anacrônico que sobrevive da subversão da ordem global.

3. A China como "Aluna que Superou o Mestre":
O texto apresenta uma visão crítica sobre a ascensão chinesa:
- Originalidade e Inovação: O autor reconhece que a China não apenas copiou o capitalismo americano, mas o adaptou de forma inovadora para superar os EUA material e cientificamente.
- Hostilidade Irracional: A crítica reside na contradição de Washington: hostilizar o parceiro econômico mais vital (China), que opera dentro de uma lógica de mercado (ainda que estatal), enquanto se aproxima de um império "selvagem e brutal" (Rússia) que busca apenas a destruição do sistema internacional.

4. Análise Crítica da "Mente Perturbada":
O termo "mente perturbada" funciona como uma metáfora para a anomia diplomática. Almeida argumenta que a política externa sob o atual governo americano (2025-2026) perdeu a bússola moral e histórica.
- O Paradoxo: É irracional atacar a China — que é uma potência sistêmica integrada — enquanto se cultiva amizade com a Rússia — uma potência antissistêmica que declarou abertamente os EUA como inimigos.
- Desorganização Institucional: O autor alerta que o custo dessa "confusão mental" é a erosão da hegemonia ocidental, deixando o caminho livre para que a aliança "sem limites" entre Pequim e Moscou dite as novas regras da governança global em Tianjin ou Pequim, longe de Washington.

* Conclusão:
O texto é um lamento diplomático. Ele sugere que os EUA, sob a liderança atual, estão destruindo o próprio legado de liberdade e democracia em troca de um isolacionismo transacional que fortalece justamente aqueles que desejam o fim da influência americana.

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/EFmewCmhd1hZGcOlB

Putin’s Spring Offensive Collapses: Data Reveals Russia is Losing Ground - Chuck Pfarrer

 Putin’s Spring Offensive Collapses: Data Reveals Russia is Losing Ground

Russia is losing. Some may think it’s too early to call—but what we are witnessing is a turn in the tide."

In this episode of Point of Impact, military analyst Chuck Pfarrer breaks down the staggering numbers behind the collapse of Putin’s 2026 Spring offensive. While the Kremlin hoped for a "final solution" in Donbas, the reality on the ground tells a different story: Russia’s rate of advance has plummeted by 80%, while Ukraine is now liberating territory at twice the rate the invaders can capture it.

Mentes confusas… - Paulo Roberto de Almeida

Mentes confusas…

Paulo Roberto de Almeida

A China não é inimiga dos EUA, nunca foi, a despeito de ter sofrido humilhações dos EUA, secundariamente aos imperialismos europeus, na rebelião dos Boxers, por exemplo.

Os EUA nunca foram inimigos da Rússia: até ajudaram a aliviar a fome dos russos durante a guerra civil de 1918-21, sob um regime declaradamente inimigo do capitalismo. O império soviético foi quem declarou os EUA um inimigo a ser abatido. Continua assim sob o atual neoczar.

Apenas uma mente perturbada, muito desequilibrada, completamente ignorante sobre a História e as relações internacionais contemporâneas, poderia ser amigo, e até admirador, do seu inimigo, ao mesmo tempo em que não cessa de hostilizar uma outra grande potência que retirou enormes, bons ensinamentos do capitalismo americano, e os aplicou de forma original e inovativa, ao ponto de superar, materialmente e cientificamente, seu antigo mestre, passando a cultivar um império decadente, selvagem, brutal e totalmente contrário aos ideais de democracia e de liberdades antes cultivadas pela (ainda) maior economia do mundo, mas em processo acelerado de desorganização institucional e diplomática sob as patas de um sujeito profundamente repulsivo.

Desculpem pela longa frase…

Paulo Roberto de Almeida


Construir a paz entre judeus e palestinos? É possivel… - Aziz Abu Sarah, Maoz Inon, Rachida El Azzouzi, Luis Favre

Construir a paz do rio ao mar exige afastar palavras

Luis Favre, 28/04/2026

https://www.mediapart.fr/journal/international/280426/nous-la-societe-civile-de-creer-une-vie-partagee-pour-les-israeliens-et-les-palestiniens 

A entrevista que reproduzo a seguir, dos autores do livro The Future Is Peace: A Shared Journey Across the Holy Land, permite uma reflexão de fundo sobre o conflito israelo-palestino. Os autores, o palestino Aziz Abu Sarah e o israelense Maoz Inon, defendem uma lógica de reconciliação, propondo uma “cultura de diálogo e de perdão” como alternativa à espiral de violência.

Ambos carregam em suas vidas o drama da guerra sem fim. Aziz perdeu seu irmão quando tinha 10 anos, durante a Primeira Intifada, preso e torturado nas prisões israelenses, falecido em consequência das sequelas. Maoz perdeu seus pais, que viviam em um kibutz na fronteira com Gaza, durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

Na entrevista, Aziz Abu Sarah indica que: “Se você for falar com palestinos e lhes disser que o que está acontecendo em Gaza não é um genocídio, não haverá possibilidade de diálogo com eles. Os israelenses terão a mesma reação se você lhes disser que o ‘muro de segurança’ é um ‘muro do apartheid’.”

Nenhum dos dois autores se recusa a ter opinião, mas rejeita a utilização das palavras como “armas” para erigir um muro de separação em uma luta que deve ser travada juntos, israelenses e palestinos.

Para Maoz Inon, “o que importa é saber como podemos nos unir para pôr fim a isso e construir um futuro comum.”

Precisamente, são essas palavras que muitos erigem como mísseis em nome da solidariedade, sem perceber, talvez, que, longe de esclarecer o caminho necessário e difícil da luta do povo palestino por seus direitos nacionais, constituem obstáculos suplementares.

Sem dúvida, uma parcela dos que exalam ódio pretendendo defender direitos o fazem com a clara vontade de evitar que possa ser realizada a convergência entre israelenses e palestinos. Não raramente escondem, por trás de certas analogias nauseabundas, uma boa dose de antissemitismo, travestida em luta ideológica. São o espelho dos governantes de Israel, que invocam outras palavras — simples escudos para defender uma guerra sem fim, justificativa de crimes múltiplos, repressões violentas, opressão persistente.

O caminho escolhido por Aziz e Maoz, como o de outros grupos, organizações e militantes em Israel e nos territórios ocupados, é hoje extremamente minoritário, mas é o único que conduz na direção de um futuro de paz. Este é o caminho que leva a superar o impasse em que se encontram ambos os povos, desgarrados em guerras fratricidas. Porque esse caminho deverá ser percorrido pelos dois povos, juntos.

Luis Favre

*****

Cabe a nós, a sociedade civil, criar uma vida compartilhada para israelenses e palestinos”

Em um livro que acaba de ser publicado, o palestino Aziz Abu Sarah e o israelense Maoz Inon, militantes pacifistas de longa data, recusam a fatalidade da guerra. Eles conclamam a Europa a agir para conter o governo Netanyahu.

Rachida El Azzouzi

MEDIAPART, 28 de abril de 2026

Traduzido por IA ChatGPT

Centenas de israelenses e palestinos são esperados na quinta-feira, 30 de abril, em Tel Aviv, para uma “cúpula popular pela paz”. Organizada pela coalizão “É hora”, uma rede de mais de oitenta organizações da sociedade civil judaicas e árabes que atuam pela paz, “a conferência tem como objetivo recolocar a questão de uma solução política no centro do debate israelense”, explicam a Mediapart Aziz Abu Sarah e Maoz Inon.

Os dois amigos, embora pudessem ter se odiado — “Era o que todos esperavam de nós”, dizem —, não deixarão de participar do evento. Há dois anos e meio, percorrem o mundo e pregam a paz entre os povos, sobretudo entre palestinos e israelenses.

O primeiro tinha 10 anos quando seu irmão morreu, durante a Primeira Intifada, em consequência das sequelas da tortura sofrida nas prisões israelenses. O segundo perdeu seus pais, que viviam em um kibutz na fronteira com Gaza, durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

De sua fraternidade nasceu um livro que acaba de ser publicado, A paz é o nosso futuro. Uma viagem de reconciliação na Terra Santa (L’arbre qui marche, 2026). Do deserto do Neguev a Jafa, passando por Nazaré, Belém ou ainda pela mais disputada das cidades, Jerusalém, Aziz Abu Sarah e Maoz Inon, que trabalham no turismo, partem ao encontro daqueles e daquelas que recusam as bombas e querem “construir a paz entre o rio e o mar”.

Para realizar esse percurso, eles tiveram primeiro de se reconciliar consigo mesmos e combater o desejo de vingança que os cegava.

Entrevista

“Mediapart”: Vocês defendem um projeto que muitos consideram utópico. O que respondem a eles?

Maoz Inon: Que não somos ingênuos. A paz é o nosso futuro. Estamos convencidos disso. Na minha família, acreditávamos que o muro que separa Israel de Gaza, a apenas 200 metros da casa dos meus pais, em Netiv HaAsara, nos protegeria. A única que não acreditava nisso era minha sobrinha mais nova. Ela tinha medo de passar a noite na casa dos avós porque temia o Hamas — e com razão.

É preciso transformar o desespero em esperança e enfatizar o poder de sonhar, indispensável para mudar a realidade, seja aqui em Israel e na Palestina, mas também no Irã, no Líbano, na Europa ou nos Estados Unidos. Foi isso que fizeram Nelson Mandela e Martin Luther King.

No 7 de outubro, perdi meus pais, mas ganhei um irmão, Aziz. Minha tia paterna repete a ele que ele faz parte da família. Estamos no mesmo campo: o da igualdade, da dignidade, da justiça, da paz. Mesmo que ele seja palestino e eu israelense, que o irmão dele tenha morrido após ter sido torturado em uma prisão israelense e que meus pais tenham sido mortos no 7 de outubro.

Aziz Abu Sarah: O fato de você nos entrevistar hoje contribui para a mudança. Se formos ignorados, então sim, não temos nenhuma chance de fazer as coisas avançarem. Mas, a partir do momento em que nossa mensagem é retomada, amplificada, ela se torna importante.

É preciso romper com essa visão difundida por toda parte — não apenas em Israel e na Palestina — de que bombas e guerra são a solução. Ser uma minoria não deve nos desanimar.

Quando os colonos começaram a se instalar na Cisjordânia, eles também eram uma minoria. Isso não os impediu de colonizar parte do território. E continuam. No início de abril, o governo israelense aprovou discretamente trinta e quatro novas colônias.

Qual é o seu olhar sobre esse governo, vocês que militam pela paz há anos?

Maoz Inon: Enfrentamos extremistas que impõem uma deformação do judaísmo e que estão destruindo o Estado de Israel. O exército comete crimes de guerra na Cisjordânia, em Gaza, no Líbano, no Irã. A polícia está se tornando uma polícia política.

Cabe a nós, a sociedade civil, criar uma alternativa, uma vida compartilhada para israelenses e palestinos. É assim que combateremos aqueles que desviaram nosso presente e nosso passado. Devemos nos recusar a deixá-los sequestrar nosso futuro.

Aziz Abu Sarah: É preciso denunciar o governo israelense em todo o mundo, inclusive na Europa, e exigir responsabilidades. Cada vez que ele se lança em uma nova guerra, seus aliados europeus e norte-americanos lhe fornecem armas.

Não se pode ser a favor da paz apoiando Israel guerra após guerra e dizendo: “Ah, mas não estamos envolvidos.” Para alcançar a paz, precisamos de uma posição clara na Europa e nos Estados Unidos diante desse extremismo mortal.

Quando se bombardeiam civis, como Israel faz em Gaza ou no Líbano, isso não enfraquece o Hamas nem o Hezbollah — isso os fortalece. O governo israelense sabe disso, pois deseja um conflito permanente. Mais israelenses votarão neles porque têm medo do Hezbollah e do Hamas, e assim sucessivamente.

A Faixa de Gaza hoje está destruída, mas não o Hamas. Essas guerras absurdas, que matam principalmente civis inocentes, fortalecem, na realidade, Netanyahu e Ben Gvir, o Hamas, o Hezbollah, a República Islâmica do Irã.

Um profundo desejo de vingança tomou conta de vocês com a morte de seus familiares. Como vocês se libertaram disso?

Maoz Inon: O Hamas e o governo israelense são duas faces de uma mesma moeda. Extremistas prontos para sacrificar seu próprio povo e que desumanizam o outro. O governo israelense havia prometido segurança aos meus pais e à comunidade deles. Falhou completamente. O 7 de outubro foi o dia mais mortal da história judaica desde o Holocausto.

Procurei me vingar do governo israelense por sua traição. Mas aprendi com Aziz e com outros construtores da paz palestinos que posso escolher o perdão para escapar do destino que aqueles que mataram meus entes queridos escolheram para mim. A vingança só me destruía por dentro.

Eu já não cumpria meu papel de pai, de marido, de amigo. Pensava apenas em me vingar. Seguindo os ensinamentos de Aziz, escolhi o perdão e recuperei minha liberdade.

Aziz Abu Sarah: É muito importante falar desse sentimento de vingança, que é totalmente humano. Se alguém mata seu irmão, seus pais, é normal sentir raiva, até mesmo vontade de se vingar. Maoz soube enfrentar sua luta contra a vingança.

Para mim, isso levou oito anos. Tudo mudou quando comecei a estudar hebraico e conheci, pela primeira vez, israelenses que não eram nem soldados nem colonos, mas pessoas que me viam como um ser humano pleno e não como uma ameaça existencial.

Conversando com meu professor de hebraico e com outros alunos, compreendi que a sociedade israelense, como qualquer sociedade, não é um bloco único. Percebi que podia encontrar aliados dentro dela.

Vocês insistem, no livro, na Shoah e na Nakba, pois dizem que o primeiro passo para um futuro comum é conhecer o sofrimento do outro…

Maoz Inon: Sim. Não podemos nem devemos apagar, oprimir, silenciar ou erguer um muro entre nós e o sofrimento do outro.

Somente reconhecendo isso — sem necessariamente concordar, mas aceitando que existe outra narrativa, outro sofrimento — podemos iniciar um processo de cura. E não é um processo fácil.

Aziz Abu Sarah: Há muita ignorância, muita desinformação. Os israelenses não sabem nada da Nakba, os palestinos não sabem nada do Holocausto. Queremos criar um diálogo, e parte desse diálogo consiste em falar de coisas difíceis e ignoradas: o sionismo, o movimento nacional palestino, e como tudo isso afetou a nós e às nossas famílias.

Quando contamos no livro o que aconteceu em Jafa em 1948, por exemplo, ouvimos aqueles que viveram esses eventos. Queremos que as pessoas compreendam de onde vem o passado de cada um, por meio dessas histórias, de uma forma que as leve a escutar.

Maoz Inon: Alguns israelenses ainda hoje afirmam que não existe um povo palestino! Uma das tarefas mais difíceis é libertar-se das narrativas que nos são transmitidas desde a infância. Enquanto permanecermos prisioneiros delas, não poderemos avançar.

Eu mesmo percebi isso quando descobri que, em 1948, havia 600 mil judeus e 1,4 milhão de palestinos nesse território. Dizer que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra” é um absurdo! Mas é um absurdo com o qual cresci e que me foi inculcado.

Reconhecer que isso é falso, que existe outro povo que considera essa terra sua pátria, ligado a ela por sua herança, sua cultura, seus relatos religiosos, suas tradições, exige coragem.

Aziz Abu Sarah: Lembro-me de um grupo de turistas vindos dos Estados Unidos que se diziam pró-Israel. Pediram uma visita guiada de dupla perspectiva por meio da minha agência, mas, na realidade, não estavam prontos para ouvir o ponto de vista palestino.

Nosso guia tentou abrir seus olhos antes de desistir. Para eles, os palestinos eram a causa de todos os males. Ponto final. Ora, para avançarmos em direção à paz, precisamos poder debater o passado, sem necessariamente concordar. A Palestina não era uma terra sem habitantes — minha família vivia lá há muitas gerações! Eu não surgi do nada!

Debater o passado de forma serena exige também concordar sobre as palavras para nomear a realidade. Como fazer isso quando não há acordo?

Maoz Inon: A destruição de Gaza é uma guerra justificada ou uma guerra de vingança, um genocídio, como afirma, aliás, a ONG israelense B’Tselem? Israelenses e palestinos nunca darão a mesma resposta. O que importa é saber como podemos nos unir para pôr fim a isso e construir um futuro comum.

Aziz Abu Sarah: Sim, o mais importante é pôr fim a todo esse derramamento de sangue. Podemos discordar quanto à terminologia, desde que estejamos de acordo quanto ao objetivo: alcançar a paz.

Se você for falar com palestinos e lhes disser que o que está acontecendo em Gaza não é um genocídio, não haverá possibilidade de diálogo com eles. Os israelenses terão a mesma reação se você lhes disser que o “muro de segurança” é um “muro do apartheid”.

Rachida El Azzouzi

https://www.mediapart.fr/journal/international/280426/nous-la-societe-civile-de-creer-une-vie-partagee-pour-les-israeliens-et-les-palestiniens 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Depoimento do embaixador Rubens Ricupero - ADB-Museu da Pessoa

 Depoimento do embaixador Rubens Ricupero no quadro do projeto de História Oral da Diplomacia brasileira da ADB, feito pelo Museu da Pessoa:

https://youtu.be/L4W-Eu-x1Es?si=eAbkeKvw2EByARNq 

Consolidação de trabalhos sobre a carreira diplomática - Paulo Roberto de Almeida

Consolidação de trabalhos sobre a carreira diplomática

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Lista não exaustiva de trabalhos e entrevistas sobre a carreira diplomática.

1704. “Um autodidata na carreira diplomática”, Brasília, 26 dezembro 2006, 4 p. Respostas a questões colocadas por jovem candidato à carreira diplomática. Colocada no blog Diplomatizzando; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2006/12/667-um-autodidata-na-carreira.html#links.
1705. “Carreira Diplomática: dicas e argumentos sobre uma profissão desafiadora”, Brasília, 27 dezembro 2006, 6 p. Consolidação e compilação de meus trabalhos relativos à carreira diplomática e à profissão de internacionalista, para atender às muitas consultas que me são feitas nesta época. Colocada no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2006/12/669-carreira-diplomatica-dicas.html) e incorporada ao site pessoal, seção “Carreira Diplomática”.
1706. “Retrato do diplomata, quando maduramente reflexivo”, Brasília, 31 dezembro 2006, 5 p. Reflexões pessoais em torno de uma vida dedicada aos livros, ao estudo e ao aperfeiçoamento da sociedade. Postado no blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2006/12/679-retrato-do-diplomata-quando.html#links). Nova divulgação no blog Diplomatizzando (28/05/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/05/retrato-do-diplomata-quando-maduramente.html).
1739. “Carreira diplomática: uma trajetória”, Brasília, 27 março 2007, 5 p. Respostas a perguntas colocadas pela Carta Forense, para caderno especial sobre concursos, sobre diplomacia. Publicado, sob o título “Minha trajetória como concursando”, na revista Carta Forense (ano 5, n. 47, abril 2007, Caderno de Concursos, p. C2-C3; link: www.cartaforense.com.br). Postado no blog Diplomatizzando (12/07/2010; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/07/como-no-caso-de-textos-anteriores-que.html e 6/02/2025; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/02/carreira-diplomatica-uma-trajetoria.html).
1885. “Questionário sobre a carreira diplomática”, Brasília, 10 maio 2008, 5 p. Respostas a questões colocadas por estudante de administração, sobre a carreira diplomática. Postado no Blog DiplomataZ (2.07.2009; link: http://diplomataz.blogspot.com/2009/07/19-mais-um-questionario-sobre-carreira.html#links).
1937. “Gênero e Carreira Diplomática”, Brasília, 11 outubro 2008, 3 p. Entrevista concedida a estudante graduação em Direito Unigranrio-RJ, para pesquisa sobre igualdade de gêneros na diplomacia brasileira. Postado no blog Diplomatizando (29/05/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/05/genero-e-carreira-diplomatica-2008.html).
2007. “Carreira Diplomática: respondendo a um questionário”, Brasília, 21 maio 2009, 8 p. Respostas a questões colocadas por graduanda em administração na UFSC. Postado no blog Diplomatizzando (21.05.2009; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2009/05/1112-carreira-diplomatica-respondendo.html). Reproduzido no blog MondoPost (27.05.2009, link: http://www.mondopost.com.br/2009/05/27/carreira-diplomatica-respondendo-a-um-questionario/). Postado novamente no blog Diplomatizzando em 8/01/2016 (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/01/um-questionario-sobre-carreira.html).
2102. “Carreira Diplomática: Geral ou Especializada? Respondendo a dúvidas legítimas”, Brasília, 16 janeiro 2010, 4 p. Respostas a questões colocadas por uma candidata à carreira diplomática. Postado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/01/1700-carreira-diplomatica.html).
2126. “Carreira Diplomática: um questionário acadêmico”, Florença (Itália), 28 março 2010, 3 p. Respostas a perguntas de alunos de curso de Relações Internacionais da USP. Postado no blog Diplomatizzando (3.04.2010; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/04/1016-carreira-diplomatica-um.html).
2136. “Entrevista sobre Minha Carreira Diplomática”, Shanghai, 25 abril 2010, 5 p. Respondendo a um aluno do curso médio. Postado no blog Diplomatizzando (http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/04/2076-mais-uma-entrevista-sobre-carreira.html).
2222. “Respondendo a questões sobre a carreira diplomática”, Shanghai, 5 novembro 2010, 32 p. Introdução a compilação de respostas a questões colocadas por leitores do blog sobre a carreira diplomática, estudos preparatórios e o concurso de ingresso. Postado no blog Diplomatizzando (5/11/2010; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2010/11/carreira-diplomatica-respondendo.html), inclusive com as questões e comentários submetidos a seguir.
2328. “Carreira Diplomática e Carreira Acadêmica: vidas paralelas ou linhas que não se tocam?”, Brasília, 9 outubro 2011, 4 p. Respostas a questionário apresentado por estudante; postado no blog Diplomatizzando (http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/10/carreira-diplomatica-e-carreira.html).
2382. “Questionário sobre a carreira diplomática”, Paris, 10 abril 2012, 2 p. Respostas para trabalho universitário. Blog Diplomatizzando (19/08/2017; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/questionario-sobre-carreira-diplomatica.html).
2608. “Carreira diplomática e formação”, Hartford, 19 maio 2014, 9 p. Respostas a questões colocadas por aluna de RI do IESB, com base em trabalhos anteriores sobre o mesmo assunto. Postado no blog Diplomatizzando em 15/08/2015 (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2015/08/carreira-diplomatica-e-formacao-do.html).
2984. “Uma carreira diplomática: Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 11-27 maio 2016, 16 p. Entrevista redigida para o site “Diplowife, Diplolife”. Respostas ampliadas e revistas na sequência, com links para os trabalhos mais importantes nessa categoria. Postada no site “Diplowife-Diplolife” (link: http://diplowife-diplolife.blogspot.com.br/2016/05/entrevista-com-paulo-roberto-de-almeida.html). Transcrito no blog Diplomatizzando (http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/entrevista-sobre-carreira-atividades.html) e no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1162371277159654). Relação de Publicados n. 1226.
3153. “A carreira diplomática: questionário pessoal e consolidação de trabalhos produzidos por Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 19-20 agosto 2017, 22 p. Respostas a questionário submetido por grupo de alunos de Relações Internacionais do IESB, acompanhadas de listagem de trabalhos identificados sob a rubrica da diplomacia em minha produção entre 2001 e 2016, para entrevista audiovisual (efetuada em 31/08/2017. Postado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/34279860/A_carreira_diplomatica_questionario_pessoal_e_consolidacao_de_trabalhos_produzidos_por_Paulo_Roberto_de_Almeida), e em Research Gate (link: https://www.researchgate.net/publication/319184080_A_carreira_diplomatica_questionario_pessoal_e_consolidacao_de_trabalhos_produzidos_por_Paulo_Roberto_de_Almeida) e no Twitter (https://shar.es/1S2F5K). Trabalho aproveitado para palestra sobre “Opções de Mercado para o Profissional de RI”, na Semana de Relações Internacionais organizada pelo Diretório Acadêmico do UniCEUB, em 21 de agosto de 2017, no campus de Taguatinga pela manhã, e no campus da Asa Norte pela noite. Feita nova informação em 31/08/2017 (link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/carreira-diplomatica-questionario-e.html).
3154. “Carreira diplomática: lista seletiva de trabalhos de Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 22 agosto 2017, 6 p. Revisão e correção do apêndice do trabalho 3153, para divulgação independente. Postado no blog Diplomatizzando (22/08/2017; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/carreira-diplomatica-lista-seletiva-de.html); disseminado no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1630553210341456). Feita nova informação em 31/08/2017 (link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/carreira-diplomatica-questionario-e.html).
3304. “Carreira na diplomacia: ingresso, requerimentos, desempenho”, Brasília, 20 julho 2018, 8 p. Listagem dos trabalhos relativos à carreira diplomática, para divulgação ampla. Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/37089699/Carreira_na_diplomacia_ingresso_requerimentos_desempenho); Blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/07/carreira-na-diplomacia-ingresso.html); Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/2006592702737503).
3543. “Pesquisa sobre carreira diplomática”, Brasília, 25 novembro 2019, 3 p. Resposta a questionário sobre a carreira diplomática, encaminhada por formulário online. Divulgado no blog Diplomatizzando (29/05/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/05/pesquisa-sobre-carreira-diplomatica.html).
3683. “Preparação para a carreira diplomática: uma conversa com candidatos”, Brasília, 29 maio 2020, 2020, 6 p. Conversa online com candidatos à carreira diplomática, coordenada por Amanda do “Keep it blue podcast”, sobre as seguintes questões: 1) O que fez o senhor decidir ser diplomata?; 2) Como foi sua jornada para passar o CACD?; 3) Quais são os diferenciais para passar o concurso?; 4) Como o candidato deve abordar as atualidades em seus estudos?; 5) Como deveria ser o mindset para o estudo dos idiomas?; 6) Como foi o Instituto Rio Branco?; 7) O que se aprende por lá?; 8) Como é a vida no exterior?; 9) Como muda em relação a Brasília? Elaborada lista de 37 trabalhos que se encaixam nos critérios solicitados. Divulgado no blog Diplomatizando (29/05/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/05/preparacao-para-carreira-diplomatica.html); disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/43192887/Preparacao_para_a_carreira_diplomatica_uma_conversa_com_candidatos_2020_).
3684. “Um diplomata desvio padrão: podcast para candidatos à carreira”, Brasília, 29 maio 2020, Audio Mpeg da Apple 1:31:13, 37, 2MB. Podcast gravado sobre os pontos enunciados no trabalho n. 3683. Disponível no Dropbox (link: https://www.dropbox.com/s/0kd91ucpgmlkhgn/3684DiplomataDesvioPadraoPodcast.m4a?dl=0); anunciado no blog Diplomatizzando (30/05/2020; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/05/uma-conversa-com-candidatos-carreira.html).
3725. “A carreira diplomática e a diplomacia brasileira”, Brasília, 26 julho 2020, 3 p. Respostas a questões de alunos de RI da Unesp-Franca-SP; Gravação de podcast; Pod-RI; alunos de RI da Unesp Franca, na quarta-feira, dia 5/08, 18hs. Gravação de entrevista, disponível no Facebook (https://www.facebook.com/107203960975709/posts/161249412237830/), no Instagram (https://www.instagram.com/p/CD15Rc_DSNT/?igshid=l0v8zq3suh7) e no Spotfy (https://open.spotify.com/episode/1W8FWd9dKConYOOH6Zfa6X). Disponível no blog Diplomatizzando (13/08/2020; https://diplomatizzando.blogspot.com/2020/08/a-carreira-diplomatica-e-diplomacia.html).
3960. “Relações internacionais, política externa do Brasil e carreira diplomática: reflexões de um diplomata não convencional”, Brasília, 17-19 agosto 2021, 15 p. Notas para aula inaugural no quadro do novo curso do Ibmec Global Affairs, em 20/08/2021, 19hs (Sala Virtual Teams: https://bit.ly/3szvGzn). Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/50940045/3960_Relacoes_internacionais_politica_externa_do_Brasil_e_carreira_diplomatica_Reflexoes_de_um_diplomata_nao_convencional_2021_) e anunciado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/08/relacoes-internacionais-politica_19.html). Resumo para exposição oral, colocado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/08/relacoes-internacionais-politica_20.html).
4126. “Livros de diplomatas e de terceiros sobre temas da diplomacia brasileira”, Curitiba, 5 abril 2022, 6 p. Relação de meus livros que compilam resenhas dos livros de diplomatas e não diplomatas sobre política externa e diplomacia brasileira, com uma lista suplementar de meus livros sobre os mesmos temas. Oferecida a candidatos à carreira diplomática. Divulgado no blog Diplomatizzando(28/04/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/04/livros-de-diplomatas-e-de-terceiros.html); postado novamente em 14/08/2023 (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/08/livros-de-diplomatas-e-de-terceiros.html).
4331. “Lista de trabalhos sobre a carreira diplomática e a diplomacia”, Brasília, 3 março 2023, 10 p. Relação de trabalhos, palestras, entrevistas, questionários respondidos, com base numa seleção feita exclusivamente a partir do conceito de “carreira” (diplomática). Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/03/lista-de-trabalhos-sobre-carreira.html); divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/97876189/4331_Lista_de_trabalhos_sobre_a_carreira_diplomatica_e_a_diplomacia_2023_).
4686. “A diplomacia como pilar da ordem internacional: Reflexões e desafios da nova ordem mundial e sua integração regional e global”, Brasília, 16 junho 2024, 15 p.; revisão em 19/06, 16 p. Notas para palestra online a convite do Instituto Simula Model United Nations. Preparada versão descaracterizada, sob o título de “Mudanças na ordem internacional: fatores estruturais e contingentes”, para servir de subsídio a aula no curso de preparação à carreira diplomática. Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/122758145/4686_A_diplomacia_como_pilar_da_ordem_internacional_Reflexões_e_desafios_da_nova_ordem_mundial_e_sua_integração_regional_e_global_2024_); informado no blog Diplomatizzando (11/08/2024, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/08/a-diplomacia-como-pilar-da-ordem.html).
4815. “Três grandes desafios dos novos diplomatas brasileiros”, Brasília, 20 dezembro 2024, 3 p. Notas para Aula Magna em curso preparatório a concurso para a carreira diplomática. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2024/12/tres-grandes-desafios-dos-novos.html).
5062. “Memória Diplomática: Depoimento Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 19 de setembro de 2025, 6 p. Pequeno roteiro cronológico ressaltando principais etapas da carreira diplomática, com vistas a entrevista gravada com organizadores do Museu da Pessoa, em projeto encomendado pela ADB, em 3/10/2025; agregados os livros publicados ao longo da carreira. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/memoria-diplomatica-paulo-roberto-de.html).
5072. “Memória Diplomática: Linha do tempo de Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 28 de setembro de 2025, 8 p. Complemento ao trabalho 5062 (Diplomatizzando, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/memoria-diplomatica-paulo-roberto-de.html), contendo roteiro cronológico ilustrado sobre as principais etapas da vida pessoal e da carreira diplomática, para subsidiar entrevista gravada com organizadores do Museu da Pessoa, em projeto encomendado pela ADB, em 3/10/2025; incluindo os livros sobre questões internacionais publicados ao longo da carreira. Faltam fotos, recortes das várias etapas. Postado no Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/memoria-diplomatica-linha-do-tempo-de.html).
5073. “’Você é um diplomata propenso aos acidentes!’ Minha trajetória diferenciada na diplomacia do Brasil (e, talvez, uma história sincera do Itamaraty)”, Brasília, 29 setembro 2025, 2 p. Nota sobre o início de um processo de recomposição de memória de vida. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/voce-e-um-diplomata-propenso-aos.html).
5078. “Listagem de trabalhos pessoais sobre a carreira diplomática”, Brasília, 3 outubro 2025, 6 p. Consolidação da listagem do trabalho 5077, sem referências pessoais. Postada no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/listagem-de-trabalhos-pessoais-sobre.html).

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5294, 28 abril 2026, 5 p.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A Rússia atacará os países bálticos? - Serhii Marchenko

 An attack on the Baltic states is entirely plausible, and here’s why. There are at least three reasons. 

First and foremost: russia risks nothing. No matter how events unfold with the occupation of the Baltic countries, things will not get worse for russia. Sanctions are already in place. Europe no longer buys its oil or gas. Weapons are being supplied to Ukraine.

From a purely military perspective, russia also risks nothing. It has nuclear weapons, so if it wins and occupies the Baltics, or even parts of them, no one will be able to push it out.

And if it loses, it will not lose its own territory. It will simply retreat to its borders, and NATO will not invade russian territory because of those same nuclear weapons.

So why not try?

Second reason: the goals of the war. The objectives of russia go far beyond the occupation of the Baltics. Above all, russia is interested in weakening or dismantling NATO and the EU. From this perspective, any territorial gain in the Baltics would count as a victory.

Even if russia does not capture Vilnius or Tallinn, but only a few border villages, that would still be a win, because it would demonstrate NATO’s inability to defend its members.

So again, why not try?

Third reason: russia has sufficient forces and resources in the potential conflict zone to carry out military objectives and achieve an acceptable outcome.

In the Leningrad Military District, there is a combat-ready army of around 70,000 troops, which can easily be reinforced with reserves from the Ukrainian front. This army is mechanized, with around 700 tanks and a large amount of armored equipment.

Separately, I would highlight the drone component, which has no real equivalent in NATO and could significantly shift the balance of power in the event of an invasion.

If the forces are sufficient, then why not try?

Thus, as of now, we are facing the following situation: russia has enough forces and resources to achieve its goals in the Baltics, and it does not face a bad scenario under any development of events.

The situation is very similar to the one before the invasion of Ukraine, especially considering the law that allows putin to “protect russians abroad,” which was quickly introduced in the State Duma.

The Baltic states have helped us more than anyone else, so I sincerely hope our friends will not face war.

But to preserve peace, one must prepare for a major war. It is very good that our Baltic friends have learned from Ukraine’s mistakes and have built defensive lines and fortifications to repel an invasion. I very much hope that russia will break its teeth on the Baltics, just as it did on Ukraine.

Source: translated and adopted from Serhii Marchenko

Projeto Brasil: Edmar Bacha - O Brasil Real e a mediocridade evitável (1): Uma proposta de políticas públicas

 Uma contribuição ao Projeto Brasil

https://revistasera.info/projeto-brasil-integracao-competitiva-na-economia-globalizada/

Projeto Brasil Edmar Bacha

 

O Brasil Real e a mediocridade evitável[1]

Edmar Bacha

1. A fábula continuada

Em 1974, escrevi uma fábula sobre o reino de Belíndia, mistura de Bélgica com Índia, onde o crescimento econômico beneficiava apenas os mais ricos. Era uma alegoria sobre o Brasil da ditadura militar. Desde então, o país acumulou outros apelidos:  Banglabânia (pobreza de Bangladesh com estatismo da Albânia) de Mario Henrique Simonsen, Ingana (impostos da Inglaterra com serviços públicos de Gana) de Delfim Netto, Rumala (corrupção da Rússia com criminalidade da Guatemala) que me ocorreu nas manifestações de 2013, Brasa que evoquei durante as queimadas na Amazônia do governo Bolsonaro.

Cinquenta anos depois de Belíndia, a pergunta permanece: por que o Brasil ainda não cruzou a fronteira da renda alta? A resposta não está na cultura nem na geografia. Está em escolhas de política econômica que foram feitas — e que podem ser desfeitas.

2. Grande, desigual e fechado

Desde a Segunda Guerra, cerca de doze países escaparam da armadilha da renda média e alcançaram níveis de renda per capita comparáveis aos dos ricos: Coreia do Sul, Hong Kong, Israel, Singapura, Taiwan (via indústria); Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal (via serviços); Austrália, Nova Zelândia, Noruega (via recursos naturais). Todos têm forte integração ao comércio internacional e são relativamente igualitários. A maioria é pequena.

O Brasil é o oposto: grande, profundamente desigual e fechado. O contraste com a Coreia do Sul é brutal: em 1960, a renda per capita brasileira era superior à coreana; hoje, a Coreia tem renda 2,5 vezes maior. O ponto de inflexão foram os anos 1970: enquanto o Brasil aprofundava a substituição de importações, a Coreia voltava sua indústria para a exportação e integrava suas empresas às cadeias globais.

O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo. As importações representam apenas 17% do PIB — ante 44% na Coreia e 40% na Alemanha. Parte do recente aumento do coeficiente importador deve-se à depreciação do real desde 2020 (que reduz o PIB em dólares), não a uma abertura real.

Esse fechamento é o sintoma central da doença brasileira. Sem exposição ao exterior, as empresas nacionais não acessam tecnologias de ponta, não ganham escala, não se especializam e não são forçadas a inovar. Resultado: produtividade do trabalho crescendo apenas 0,5% ao ano entre 1981 e 2024. Com essa taxa, jamais se alcançará a renda dos países ricos.

A proposta central é a integração competitiva ao comércio internacional, em três movimentos.

O primeiro é usar o acordo Mercosul–União Europeia como catalisador. O acordo está concluído após décadas de negociação. Ratificá-lo e implementá-lo com seriedade seria o gesto de maior credibilidade que o governo brasileiro poderia fazer para sinalizar a ruptura com o isolamento histórico. A partir daí, o Brasil seguiria o caminho aberto pelo Chile: uma rede crescente de acordos comerciais com o resto do mundo, tendo a adesão à OCDE como horizonte e âncora do processo.

O segundo é a redução progressiva, mas substantiva e pré-anunciada, especialmente das tarifas de importação sobre insumos e bens de capital. O protecionismo brasileiro não protege apenas produtos finais: ele encarece os próprios instrumentos de produção, elevando o custo de toda a cadeia produtiva nacional. Uma estratégia crível de abertura, anunciada com horizonte de cinco a dez anos, poria em marcha um processo de ajuste gradual que as empresas conseguiriam absorver.

O terceiro movimento é complemento natural dos dois anteriores: implementar a reforma tributária, reduzindo o “custo Brasil” que onera a indústria em relação aos demais setores. A redução complementar do custo do capital é objeto da análise a seguir.

3. O analista e o marciano revisitados: o nó fiscal

Há dez anos, na fábula “O Analista e o Marciano”, imaginei um marciano pousando em Brasília e ficando pasmo diante dos paradoxos da economia brasileira: juros reais altíssimos apesar de reservas internacionais abundantes; déficit público elevado, mas principalmente por causa dos próprios juros; inflação persistente apesar do baixo crescimento. O marciano concluiu — parafraseando Tom Jobim sem o saber — que o Brasil não era para extraterrestres.

Se o marciano pousasse em Brasília em 2026, sua confusão não seria menor. Encontraria um país que superou a hiperinflação há trinta anos, com inflação baixa ainda que não na meta e reservas internacionais confortáveis. E se depararia com taxas de juros reais de 7,4% ao ano para títulos do governo de dez anos — uma das mais altas do mundo.

Contatado pelo marciano, um analista local lhe explicaria que os juros não caem porque o mercado desconfia da trajetória fiscal. A dívida bruta do governo geral já chega a 80% do PIB e segue crescendo. O marciano perguntaria por que a dívida cresce mesmo quando o governo aumenta impostos e contém despesas discricionárias. A resposta estaria no coração do problema: as despesas obrigatórias crescem automaticamente por força de vinculações constitucionais, da indexação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo e da proliferação de gastos tributários — independentemente da receita, da conjuntura e da vontade de qualquer governo.

O marciano entenderia então que o Brasil montou uma máquina de gasto automático que nenhum orçamentista consegue deter apenas com boa vontade. Sem desmontar essa máquina — sem desindexar, desvincular e desconstitucionalizar as despesas —, o ajuste fiscal é uma tarefa de Sísifo, que nunca se cumpre. E enquanto o mercado entender assim, os juros permanecerão altos, alimentando o déficit que se quer combater. A carga tributária brasileira já se situa em torno de 32% do PIB — comparável à de nações europeias que oferecem serviços públicos de qualidade muito superior. Não há espaço para aumentar impostos. O caminho é rever a composição da despesa: desvincular receitas, desconstitucionalizar gastos e reduzir benefícios tributários, subordinando o crescimento das despesas ao crescimento da receita. A boa notícia é que — como já ocorreu em resposta ao teto de gastos no governo Temer — um ajuste fiscal crível e substantivo pelo lado dos gastos poderá derrubar a taxa real de juros para níveis civilizados.

Mas o ajuste fiscal, por si só, não transforma o Estado — apenas o encolhe. O que o Brasil precisa, em paralelo, é de uma reforma de produtividade do setor público, centrada no RH da máquina pública. Essa reforma não exige emenda constitucional. A Constituição de 1988 já prevê a demissão por baixo desempenho — o dispositivo foi introduzido em 1998 e nunca foi regulamentado. Grande parte das distorções está na legislação infraconstitucional: as centenas de carreiras sem racionalidade funcional, as progressões automáticas por tempo de serviço e não por mérito, a impossibilidade de mover servidores entre órgãos com excesso e órgãos com falta de pessoal. Uma lei complementar federal, com condicionalidades para estados e municípios nos auxílios da União, já seria suficiente para iniciar esse processo. O objetivo não é cortar salários nem acabar com a estabilidade — é fazer o Estado entregar o que dele se espera: serviços de qualidade para quem mais precisa deles.

Sem reforma da estrutura do gasto e sem reforma do RH, a perspectiva é de paralisia governamental progressiva. A partir de 2027, ficará evidente que o orçamento público brasileiro não consegue mais financiar simultaneamente a previdência, o funcionalismo, os juros da dívida e qualquer investimento ou política social nova. A analogia pertinente é com o período que antecedeu a hiperinflação dos anos 1980 — não que a hiperinflação vá estar de volta, mas que a paralisia governamental, sem reformas, deixa de ser risco para virar destino.

4. A floresta como ativo estratégico

A Amazônia é um ativo brasileiro que a análise econômica sistematicamente subestima. Com cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, a floresta amazônica corresponde a 59% do território nacional e abriga a maior biodiversidade do planeta. Num mundo que caminha para a multipolaridade e enfrenta riscos climáticos crescentes, esse ativo não é ornamento geográfico — é um ativo estratégico de escala global.

A economia mundial em transição para a multipolaridade evoluirá em torno de três escassezes crescentes: carbono, água e biodiversidade. O Brasil detém uma fração significativa das reservas mundiais das três. A Amazônia regula o ciclo hidrológico de toda a América do Sul, incluindo as chuvas que irrigam a agropecuária do Centro-Oeste e abastecem os reservatórios do Sudeste. Destruí-la não é apenas um crime ambiental — é uma decisão econômica suicida.

A boa notícia é que a floresta em pé é crescentemente mais valiosa do que a floresta derrubada. Os mercados de carbono, a bioeconomia — que vai de cosméticos e fitoterápicos a proteínas alternativas e novos materiais —, o ecoturismo e os acordos de preservação financiados por países ricos criam fluxos de renda compatíveis com a conservação. A região amazônica pode tornar-se, com as políticas certas, um polo de desenvolvimento econômico sustentável e de alta tecnologia, em vez de fronteira de desmatamento.

Isso conecta diretamente ao posicionamento externo do Brasil. Num cenário multipolar, o Brasil pode tornar-se referência global em energia limpa, alimentos e minerais estratégicos — mas somente se associar essa liderança à preservação e ao uso inteligente da floresta. Chegar à mesa das grandes negociações internacionais sobre clima e biodiversidade como guardião da Amazônia é um ganho diplomático sem equivalente.

  1. As quatro integrações

A experiência do México serve de advertência. O México fez a abertura comercial — o NAFTA, a partir de 1994 — mas não fez a integração interna. O Norte do país se integrou à economia americana; o Sul permaneceu para trás. O setor formal se dissociou do informal. As grandes empresas se separaram das pequenas e médias. A distribuição de renda se deteriorou nas dimensões regional e social. O resultado é que o México, apesar de aberto ao comércio, não superou a armadilha da renda média.

A conclusão é que, em países grandes e desiguais, a abertura, por si só, não basta. São necessárias simultaneamente quatro integrações: externa, entre o país e a economia mundial; regional, entre as diferentes partes do território nacional; social, entre os brasileiros de diferentes condições de renda, educação e acesso a serviços; e ambiental, entre o desenvolvimento econômico e a preservação do capital natural.

A integração social não depende de mais gasto, mas de melhor desenho institucional das políticas públicas. O Brasil construiu, desde a redemocratização, um amplo sistema de proteção social — com avanços reais na redução da pobreza extrema. Mas esse sistema opera com baixa eficiência: o volume de recursos cresceu significativamente, sem que os resultados tenham avançado na mesma proporção.

O ponto central não é apenas quanto se gasta, mas a “potência” da política social — isto é, sua capacidade efetiva de reduzir pobreza e desigualdade. Essa potência é reduzida por problemas conhecidos: erros de focalização, fragmentação de programas, regras de elegibilidade mal calibradas e ausência de avaliação sistemática de resultados. O envelhecimento populacional, por outro lado, impõe a necessidade de uma nova reforma previdenciária, não apenas paramétrica mas que incorpore elementos de capitalização. Sem enfrentar essas questões de desenho institucional, aumentos adicionais de gasto tendem a produzir retornos rapidamente decrescentes.

A educação básica permanece o eixo estruturante da integração social. O Brasil já universalizou o acesso, mas não a aprendizagem. O problema central deixou de ser a exclusão da escola e passou a ser a exclusão dentro da escola. As evidências são claras: o retorno social mais elevado está na primeira infância, onde intervenções precoces têm impacto duradouro sobre o desenvolvimento cognitivo e socioemocional. Já o ensino médio precisa ser reorganizado — para oferecer formação ao mesmo tempo científica e técnica, compatível com uma economia mais aberta e intensiva em conhecimento.

No ensino superior, domina o credencialismo — o “canudo” socialmente ambicionado, seja pela regulamentação excessiva das profissões, seja pela sinalização de capacidade individual, seja pelo símbolo de ascensão social. A reforma precisa atacar as dimensões regulatória e sinalizadora, mas a dimensão simbólica impõe um limite de velocidade: microcredenciais e formação técnica só ganharão prestígio quando o mercado de trabalho os absorver de forma visível. E aí está o nó: o crescimento econômico é condição de possibilidade das próprias reformas educacionais.

A segurança pública é a outra face da integração social. O custo econômico da violência no Brasil — estimado no Atlas da Violência do IPEA em mais de 5% do PIB — funciona como um imposto regressivo que recai desproporcionalmente sobre os mais pobres e bloqueia o desenvolvimento das regiões mais vulneráveis. A fragmentação institucional e a ausência de coordenação entre políticas impedem avanços mais consistentes. Reduzir a violência não é apenas uma questão social: é condição necessária para o crescimento econômico sustentado.

Por fim, há uma conexão direta entre políticas sociais e o nó fiscal. Um sistema social baseado em regras rígidas de indexação, vinculações automáticas e baixa avaliação de resultados tende a expandir gastos sem elevar proporcionalmente seu impacto. Sem reformar esses mecanismos — tornando o gasto mais flexível, focalizado e orientado a resultados —, não haverá ajuste fiscal duradouro. E, sem estabilidade fiscal, as próprias políticas sociais perdem eficácia.

  1. Democracia, fragmentação política e a liderança necessária

Por que essas reformas não acontecem, se são conhecidas e necessárias? A resposta está na economia política, não na economia. As reformas que o Brasil precisa ameaçam interesses organizados e bem posicionados: setores que vivem da proteção tarifária, segmentos do funcionalismo resistentes à avaliação de desempenho, grupos políticos que extraem renda de um orçamento rigidamente vinculado. Esses interesses não são ilegítimos em si — são a expressão normal da democracia. O problema é quando capturam o Estado e bloqueiam a ação coletiva.

Parte desse bloqueio decorre também do desenho do sistema político. A fragmentação partidária extrema, combinada com regras eleitorais que enfraquecem o vínculo entre representantes e eleitores, amplia o poder de minorias organizadas e dificulta a formação de maiorias programáticas estáveis. O resultado é um sistema que responde mais a pressões distributivas do que a estratégias de desenvolvimento. Reformas que reduzam o número efetivo de partidos, fortaleçam a responsabilidade política dos eleitos e aumentem a previsibilidade das coalizões — como a adoção de um sistema distrital misto e o aprofundamento das cláusulas de desempenho — poderiam melhorar a capacidade do país de processar agendas de interesse geral.

A história brasileira recente oferece, entretanto, um exemplo de que a ruptura com equilíbrios disfuncionais é possível: o Plano Real. A comparação com a situação atual é instrutiva em dois sentidos.

Primeiro, quanto às ideias. Em 1993, as ideias necessárias para a estabilização estavam prontas. O diagnóstico da inércia inflacionária, o instrumental da URV e a estratégia de coordenação de expectativas já haviam sido desenvolvidos. Algo análogo vale para o Brasil de hoje: o diagnóstico da abertura necessária, da reforma do gasto e das quatro integrações não requer mais elaboração — requer execução.

Segundo, e mais importante, quanto à liderança. O Plano Real não resultou apenas da maturidade das ideias, mas da capacidade de viabilizá-las politicamente. Construir apoio no Congresso, enfrentar resistências e convencer a sociedade exigiu um tipo específico de empreendedorismo político — raro, mas decisivo. Essa capacidade, no entanto, não é independente das instituições: sistemas políticos mais simples, com maior clareza de responsabilidade e menor fragmentação, tendem a facilitar a emergência de lideranças reformistas e a sustentação de coalizões baseadas em programas, e não apenas na distribuição de recursos.

Sem liderança política, as reformas não avançam. Mas, sem ajustes institucionais que reduzam a fragmentação e reforcem a responsabilidade dos representantes, a própria liderança tende a ser episódica e insuficiente. O risco, nesse caso, é a reprodução de um equilíbrio de baixo crescimento, gasto rígido e reformas adiadas.

A democracia é o maior trunfo do Brasil. Com ela, fizemos a transição pacífica da ditadura, superamos a hiperinflação e construímos políticas sociais relevantes. O desafio agora é fortalecer suas engrenagens — políticas e institucionais — para que sejamos capazes de sustentar um projeto de longo prazo: uma economia aberta, socialmente integrada, fiscalmente equilibrada e ambientalmente responsável. A busca pelo Brasil Real segue em frente.

Edmar Bacha é economista, fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica/Casa das Garças.

[1] Texto preparado para o Projeto Brasil, iniciativa do Instituto Ética e Democracia,  Ateliê de Humanidades e Movimento Roda Democrática.

 

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