domingo, 6 de setembro de 2026

Os perigos da extrema-direita - Paulo Roberto de Almeida

Os perigos da extrema-direita

Paulo Roberto de Almeida 

Uma postagem acautelatória quanto às consequências a médio e longo prazo dessa evolução preocupante:


Security experts fear Putin may be winning hybrid war with the west amid rise of pro-Kremlin, far-right parties….

The European embrace of Russian fascism.”


Meus comentários pessoais:


PRA: Trump já foi um efeito dessa guerra híbrida muito antes de assumir o poder pela primeira vez em 2017, datando provavelmente dos anos de URSS, quando se converteu num asset russo pelas mãos do KGB, agora FSB sob Putin.

Eu acrescentaria que a adesão ao fascismo russo não ocorre só entre partidos europeus. Na América Latina também, no Brasil em especial, partidos de direita, mas também de esquerda, não encontram nenhum problema em apoiar objetivamente a ação do fascista Putin no massacre diário contra civis ucranianos e contra a infraestrutura do país.

Se a direita alemã ou a francesa lograrem a conquista do poder elas não hesitarão em continuar apoiando Putin, pois já foram fartamente subsidiados por ele. 

Como diplomata, me constrange reconhecer que isto ocorre também no Brasil. Bolsonaro se declarou “solidário” a Putin numa viagem feita (contra a opinião do Itamarary) uma semana antes da invasão total da Ucrânia em fevereiro de 2022. 

Lula sempre se mostrou favorável e amigável ao ditador russo, não apenas em 2022 e desde então, mas já 2003 (na verdade desde sempre), quando assumiu o poder e expressou inequívoco apoio às teses russas sobre a “ameaça” da Otan. Continua na mesma linha e o Itamaraty amordaçado para qualquer manifestação diplomática equilibrada. Lula pretendia convidar o criminoso de guerra procurado pelo TPI para visitar o Brasil, e sempre atendeu aos desejos e imposições do genocida, sobretudo no âmbito do Brics, esse Frankenstein diplomático que é o principal erro estratégico da política externa (não da diplomacia, mas que a ele aquiesceu submissavamente) em décadas.

Existem muitos outros erros estratégicos na política externa, e o maior deles poderá se materializar proximamente se, em 2027, a extrema-direita bolsonarista voltar ao poder, com seu projeto de submeter nossa diplomacia sos desmandos dd Trump 2, que se julga o imperador hemisférico. 

Essa possibilidade precisa ser denunciada com todo o vigor na atualidade brasileira, assim como o horror que seria na Europa ver os dois principais paises da UE aderirem à postura russa sobre segurança estratégica, ou modo de vida democrático.

A extrema-direita, no mundo todo, representa a maior ameaça às atuais democracias, bem mais do que uma esquerda mais preocupada com o distributivismo do que com o socialismo.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 6/09/2026

ADL solicita a Madame IA que se debruce sobre postagens minhas neste quilombo de resistência intelectual- Paulo Roberto de Almeida

 Airton Dirceu Lemmertz, mestre, talvez já doutor, em elocubrações informáticas, com  o apoio de (e comando sobre) Madame IA, submeteu diversas postagens minhas no Diplomatizzando ao escrutínio sempre ponderado dessa demoiselle dotada de imensos poderes de coleta de dados e de interpretações sensatas:


As participações recentes de "Madame IA" (Gemini AI) em postagens no blog Diplomatizzando


PRA, Madame IA e os companheiros assaltando a politica externa e a diplomacia (um texto de 2014): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/pra-madame-ia-e-os-companheiros.html 


Repercussão na mídia brasileira do primeiro debate presidencial eleitoral na BandNews: avaliação de Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/repercussao-na-midia-brasileira-do.html 


Madame IA encarna Paulo R Almeida discorre sobre Geopolítica atual - Airton Dirceu Lemmertz (orquestrador): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/ma-dameia-encarna-paulo-r-almeida.html 


O primeiro debate eleitoral de 2026 entre os candidatos à Presidência do Brasil - Band TV (análise completa, via Airton Dirceu Lemmertz, com a ajuda de Madame IA): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/o-primeiro-debate-eleitoral-de-2026.html 


Sobre os “boiolas” do Itamaraty - Paulo Roberto de Almeida (Diplomatizzando + Madame IA): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/sobre-os-boiolas-do-itamaraty-paulo.html 


The World according to Madame IA, supostamente encarnando este blogueiro - Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/the-world-according-to-madame-ia.html 


Autobiografia de um fora-da-lei, 7: O Barão em todos os seus estados - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?): 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/autobiografia-de-um-fora-da-lei-7-o_02013568178.html


Madame IA, comandada por ADL, se debruça sobre este blogueiro irreverente - Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/madame-ia-comandada-por-adl-se-debruca.html 


Blog Diplomatizzando visto por Madame IA sob instruções de ADL: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/blog-diplomatizzando-visto-por-madame.html 


Autobiografia de um Fora-da-Lei, 7: o Barão em todos os seus estados - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?); + resumo de Madame IA: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/autobiografia-de-um-fora-da-lei-7-o.html 


Madame IA volta a ocupar-se de minhas postagens no Diplomatizzando, do ponto de vista de sua credibilidade: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/madame-ia-volta-ocupar-se-de-minhas.html 


Madame IA se ocupa da minha linguagem no blog Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/madame-ia-se-ocupa-da-minha-linguagem.html 


Billet: Poutine piégé par son propre système - Maxime Marquette (Votre Dose Quotidienne) - Seguido por análise de Madame IA: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/billet-poutine-piege-para-son-propre.html 


Lula's Foreign Policy 3 and the Options Open to Brazilian Diplomacy - Paulo Roberto de Almeida (Revista CEBRI online) + Madame IA interpretation: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/lulas-foreign-policy-3-and-options-open.html 


Madame IA comenta minhas muitas postagens sobre os problemas da educação no Brasil - via Airton Dirceu Lemmertz: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/madame-ia-comenta-minhas-muitas.html

 

O sentido do meu voto - Paulo Roberto de Almeida

 O sentido do meu voto

Paulo Roberto de Almeida


Já desobrigado do voto obrigatório, não penso num candidato a presidente ou nos demais candidatos aos cargos executivos e parlamentares em disputa no mês de outubro de 2026 como sendo pessoas, executivos ou representantes, que possam “resolver” problemas meus, preocupações ou aspirações pessoais ou individuais. Já atingi, pela educação e pelo trabalho, uma condição que me permite dispor de uma situação de segurança alimentar, civil, econômica que pode ser descrita como satisfatória, sem ser dotada de meios abundantes ou excessivos a um padrão aceitável de estabilidade, que já foi atingido na vida ativa.

Penso, ao contrário, nas pessoas que encontro nas ruas, nos semáforos, nas portas do comércio varejista, que são obrigadas, de certa forma, a pedir ajuda para algum alimento ou necessidade — ainda que entre eles se encontrem pessoas perfeitamente válidas para algum trabalho manual —, penso nos milhões de brasileiros ainda pobres e deseducados, entre eles muitos verdadeiramente miseráveis, que não possuem sequer um lugar para morar, e que estão na luta diária para sobreviver, com dignidade ou mesmo sem ela, nas pequenas contravenções.

Tendo nascido num Brasil atrasado, e claramente miserável, e participado da construção de um país razoavelmente dotado de meios próprios para satisfazer necessidades básicas de toda a população, me angustia o fato de ainda sermos um país inaceitavelmente desigual, incapaz de oferecer a todos um minimo de oportunidades de subsistência própria e de condições para acender a um patamar de prosperidade razoável: saúde, educação, trabalho, segurança na vida civil, certeza de que os filhos e netos possam aspirar uma condição ao menos equivalente, se for possível até melhor.

A incapacidade das elites políticas de satisfazer tais critérios me choca, mais profundamente até do que a incapacidade das elites econômicas de se convencer, entre si, de que deveriam buscar menos proteção do Estado, coletivamente, e mais engajamento na escolha de dirigentes políticos voltados para propósitos sociais justamente focados na superação da condição de pobreza e miséria de largos estratos de uma população desprovida de condições para se alçarem, por esforço próprio, dessa condição inaceitável sob qualquer ponto de vista moral. O único critério suscetível de fazer isso é uma educação de massa de qualidade, repito, o único, isso num espaço de pelo menos quinze anos, ou uma geração inteira.

Ainda não chegamos a esse consenso, e me choca que ainda estejamos vendo as eleições em termos ideológicos ou no plano da confrontação entre dois extremos políticos. Lamento que seja assim.

Permito-me repostar aqui um artigo que se aproxima muito dessa concepção de vida e de voto, ainda que eu tivesse outras considerações a fazer sobre diretrizes ou orientações básicas em matéria de políticas macro e setoriais. 

Fico no essencial, na dignidade dos mais desprovidos de condições minimas de uma existência razoável, rejeitando qualquer instrumentalização do voto pela religião ou pela ideologia securitária repressiva, mas também, como diplomata, rejeitando toda e qualquer subordinação da nação a interesses espúrios estrangeiros (o que também implica alinhamento ou apoio objetivo a ditaduras execráveis que cometem crimes de guerra, contra a humanidade e contra as liberdades democráticas).


Brasília, 6/09/2026

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Meus interesses? Deixem-os pra lá.

Martha Medeiros

Zero Hora, 6/09/2026


Aviso aos candidatos à presidência e demais cargos públicos. Sou uma mulher branca e heterossexual. Minha família pagou meu colégio e a faculdade. Na juventude, pude me exercitar, estudar idiomas, viajar. Fui criada em meio a livros, filmes e teatro. Nenhum homem jamais levantou a mão para mim.


Tenho plano de saúde e previdência privada. Trabalho há 45 anos. Minhas duas filhas estão criadas. Vivo no meu próprio país, nunca tive que abandoná-lo para fugir da fome ou de uma guerra. Se eu me apertar, aciono minha rede de contatos. Deveria votar em quem defende os meus interesses? Os meus???


Meus interesses foram atendidos desde o dia em que nasci — aliás, antes mesmo de eu nascer, pois minha mãe teve condições de realizar os exames de pré-natal.


Preciso do governo infinitamente menos do que aqueles que ainda lutam por seus direitos básicos. Tenho 65 anos de privilégios. Voto por quem tem 3 anos e é cuidado por um irmãozinho de 9, enquanto a mãe realiza serviços domésticos na casa dos outros — aos sábados, inclusive. Voto por quem tem 12 e teve que sair da escola para ajudar na renda familiar. Voto por quem tem 24 e ainda não conseguiu o primeiro emprego. Voto por quem mora em encostas, por quem sofre violência, por quem mal sabe escrever.


Seria uma indecência se eu votasse pensando em mim.


Voto em quem pode impedir a escalada do retrocesso, da ignorância e da irresponsabilidade de indivíduos que nunca conceberam um projeto social de inclusão e negam evidências científicas. Voto em qualquer um que, em vez de ser um entreguista lambe-botas, defende nossa independência e democracia, em vez de tratar o Brasil como sucursal dos Estados Unidos. 


Obviamente, quem assumir em janeiro vai cometer erros e será cobrado, como acontece em todas as gestões de todas as nações. 

Mas não contem comigo para dar poder a quem nunca demonstrou compaixão por homens e mulheres que dependem de um governo consciente. O mercado importa, o agro importa, a economia importa, o empresariado importa, desde que beneficiem também a população, e não apenas suas bolhas.


Minhas angústias emocionais, conhecidas como white people problem, atenuo com amigos, leitura e terapia, sob um teto sólido e com a certeza de que almoçarei amanhã. Desejo, claro, ver meus impostos bem investidos, a valorização da cultura, o meio ambiente preservado e a corrupção combatida, mas sem esquecer o principal: nunca iremos decolar enquanto o Brasil for um dos países mais desiguais do mundo. É o nosso problema maior, que origina tantos outros.


Portanto, nobres candidatos, obrigada pela consideração, mas deixem para lá meus interesses.


Vocês têm mais com o que se preocupar.

sábado, 5 de setembro de 2026

Esclarecendo algumas coisas - Paulo Roberto de Almeida

 Esclarecendo algumas coisas…

Não sou um inimigo de toda a politica externa lulopetista; só dessa mania tão deplorável de grudar em qualquer autocracia execrável apenas porque ela é aparentemente antiocidental, anticapitalista (supostamente) e sobretudo antiamericana (e Trump não é americano, é russo putinesco, de coração e alma). Sou inimigo dessa mania de ficar poupando o maior criminoso de guerra depois de Hitler, o maior monstro inimigo da humanidade, essa mania de achar que qualquer ditadura antiocidental vai melhorar o mundinho miserável em que vivemos, pela adesão caolha, cega e inaceitável à tal de “nova ordem global multipolar”. Sendo supostamente de esquerda, acaba apoiando regimes reacionários de direita como o de Putin, o dos aiatolás e dos antigos chavistas, agora reciclados como os melhores amigos de Trump.

Não sou inimigo da diplomacia oficial do velho Itamaraty, do multilateralismo, da integração, da cooperação internacional: sou só inimigo da politica externa caolha, equivocada, destrambelhada do lulopetismo diplomático.

Acho que esclareci certas coisas…

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5/09/2926

O “efeito Trump e o terror de Putin - Les Amis de l’Ukraine

 Pourquoi la Russie bombarde-t-elle les villes ukrainiennes ?

La terreur, c’est ce que fait une armée en train de perdre lorsqu’elle n’a plus d’autres options.

​L'effet Trump

Les attaques russes se sont intensifiées peu après l'élection de Trump en novembre 2024, et elles n'ont cessé de s'intensifier depuis.

​Au lieu de mettre fin à la guerre en vingt-quatre heures comme il l'avait promis, Trump a donné un feu vert à Poutine. Il a suspendu l'aide militaire et le partage de renseignements avec l'Ukraine. Il a menacé Zelenskyy dans le Bureau ovale. Il a fait l'éloge de Poutine, l'a qualifié d'ami et l'a invité en Amérique. Il a levé les sanctions sur les exportations de pétrole russe. Il a invité la Russie à participer au G20.

​Chacune de ces mesures a envoyé le même signal au Kremlin : le coût politique de l'escalade diminue. Poutine a lu ce signal fort et clair. Lorsque l'agression est tolérée, l'escalade ne coûte rien.

​Il y a ici un principe fondamental de dissuasion. La dissuasion ne fonctionne que si l'agresseur croit qu'franchir une ligne sera puni. Lorsque la ligne est effacée et que la punition est remplacée par des louanges, l'agresseur révise ses attentes et agit en conséquence. C'est ce que nous avons vu se produire au cours des vingt derniers mois.

​Un fossé technologique temporaire

Cette guerre est une course permanente entre l'offensive et la défense. La Russie cherche les failles dans la protection de l'Ukraine et les exploite agressivement tant qu'elles durent.

​Aujourd'hui, l'une de ces failles, ce sont les drones. La Russie a intensifié la production de variantes des Shahed propulsées par réacteur, qui volent plus vite et plus haut que les versions à hélice que l'Ukraine avait appris à abattre à l'aide de groupes de feux mobiles et d'intercepteurs bon marché. L'Ukraine s'est adaptée aux précédents Shahed. La Russie s'est adaptée à son tour. L'Ukraine doit maintenant franchir un nouveau cap technologique.

​La bonne nouvelle, c'est que les solutions existent – drones intercepteurs, meilleure couverture radar, défense aérienne plus multicouche. La mauvaise nouvelle, c'est que leur mise à l'échelle prend du temps, et la Russie utilise cette fenêtre pour frapper aussi fort qu'elle le peut avant qu'elle ne se referme. La vague actuelle d'attaques est en partie liée à ce calendrier.

​L'impasse sur le front

Les deux graphiques ci-dessous racontent l'histoire de la ligne de front mieux que n'importe quel commentaire.

Le premier graphique montre que les avancées russes ont presque cessé au cours des derniers mois. Le second montre que les pertes russes sur la même période ont atteint l'un des niveaux les plus élevés de toute la guerre.

​Mettez ces deux faits bout à bout. La Russie paie plus que jamais pour obtenir moins que jamais. Elle ne peut pas progresser significativement sur le terrain, alors elle essaie de compenser par la terreur venue du ciel.

​Ce n'est pas de la force. C'est du désespoir.

​Ce que le mois dernier montre réellement

Malgré toute l'horreur de ce qui s'est produit au-dessus de Kyiv le mois dernier, ces attaques ne sont pas une démonstration de la puissance russe. C'est la preuve du contraire.

​Poutine a échoué dans la quasi-totalité des objectifs majeurs de cette guerre. Il a échoué à prendre Kyiv en trois jours. Il a échoué à briser la résistance ukrainienne, à diviser la société ukrainienne ou à effacer l'identité ukrainienne. Il a échoué à intimer l'Europe à la soumission. Ses pertes en hommes et en matériel sont catastrophiques. Son économie est de plus en plus déformée par les dépenses de guerre. Et chaque jour, des drones ukrainiens frappent désormais des dépôts de pétrole, des bases militaires, des entrepôts et des infrastructures au plus profond de la Russie.

​Poutine est piégé dans la guerre qu'il a commencée. Les dictateurs qui perdent le contrôle réagissent comme les dictateurs ont toujours réagi : ils bombardent des civils. Ils ciblent des immeubles d'habitation. Ils essaient de semer la peur, car la peur est la dernière arme qu'ils contrôlent encore pleinement.

​Les empires sûrs d'eux n'ont pas besoin de bombarder des immeubles résidentiels. Ce que nous observons, c'est la convulsion violente d'un régime qui comprend de plus en plus sa propre défaite.

​La bonne réponse n'est pas de donner à Poutine ce que la terreur est conçue pour arracher. C'est de combler plus rapidement le fossé technologique, de rétablir la dissuasion que Washington a démantelée et de maintenir la pression jusqu'à ce que le coût de la poursuite de la guerre dépasse le coût de sa fin.

https://economicsofpower.substack.com/p/why-is-russia-bombing-ukrainian-cities?fbclid=IwdGRjcAUH5hdjbGNrBQfldXBkb2YFZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMzUwNjg1NTMxNzI4AAEeVUJ2kej0HKwbhH4lvLKDM2Ksry4dkbVVxJPlq1Vn0ckxxf3RW3t5xlh-kLI_aem_qsfoaNxwbYMyRiPUtzt8LQ&utm_id=97758_v0_s00_e0_tv2_a1dennhb5sjqwc

Os grandes amigos da Rússia

 Certas “almas cândidas” (apud Raymond Aron), a exemplo de Jeffrey Sachs, Emmanuel Todd e John Mearsheimer, acham que a Rússia foi a primeira atacada. Ergo!

O “galinheiro” do STF virou uma “estrebaria de Augias”: Facchin como Hèrcules? - Nota da Transparência Internacional

 Nota da Transparência Internacional com a qual concordo inteiramente. Cabe ao ministro Facchin, presidente do STF, colocar ordem no galinheiro em se converteu a Suprema Corte, do contrário o “lobo” do Senado vai limpar só parcialmente essa nova “estrebaria de Augias”. Facchin poderá se converter em Hércules? Tenho minhas dúvidas… PRA

“Um juiz constitucional cercado por gravíssimos indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça já representa, por si só, um risco institucional em razão da natureza de suas condutas. Mas torna-se um elemento ainda mais desestabilizador pelas medidas que pode adotar em busca da impunidade. É nisso que o ministro Alexandre de Moraes se transformou diante das revelações que apontam para suas condutas com Daniel Vorcaro e, sobretudo, diante de sua retaliação autoritária, colocando o Supremo Tribunal Federal no caminho de uma crise institucional sem precedentes.

O Brasil precisa priorizar a defesa de suas instituições e de seu regime democrático, neutralizando imediatamente essas ameaças. O ministro Moraes deve ser afastado de suas funções para que as investigações possam ser conduzidas sem riscos de interferência e sem que a crise escale ao ponto de uma ruptura institucional. Da mesma forma, toda a rede de autoridades potencialmente implicadas ou que esteja obstruindo os mecanismos constitucionais de responsabilização também deve ser afastada e investigada.

Se as vias naturais de resolução estão sendo bloqueadas pelo procurador-geral da República e pelo presidente do Senado Federal, cabe aos plenários do Supremo Tribunal Federal e do Senado, bem como ao Conselho Superior do Ministério Público, desobstruir os mecanismos previstos pela Constituição para o enfrentamento dessa crise.

As investigações dos esquemas do Banco Master e de outros casos de grande complexidade exigem a atuação coordenada dos órgãos de investigação, persecução criminal e julgamento, cada qual dentro de sua competência constitucional. Somente assim é possível assegurar o devido processo legal, a ampla defesa e a solidez das futuras responsabilizações, evitando que nulidades ou interferências comprometam a busca por justiça, reparação e recuperação da confiança pública nas instituições.

Em um contexto de grave tensão institucional, intensa circulação de desinformação e crescente instrumentalização política das investigações, especialmente durante o período eleitoral, a máxima transparência dos procedimentos torna-se ainda mais necessária e deve ser tratada como prioridade por todas as autoridades envolvidas.

Já estão em pleno curso as mesmas táticas que, no passado, foram empregadas com sucesso para enterrar investigações que alcançaram os mais altos níveis do poder no Brasil: a disseminação massiva de desinformação, a manipulação do debate público e a divisão da sociedade, impedindo que ela se una em defesa de seus próprios interesses. O Brasil precisa resgatar as lições do passado e impedir que a corrupção sistêmica volte a operar seus mecanismos de impunidade.

O que está em risco agora é muito mais do que a destruição das investigações sobre o maior caso de corrupção financeira da história brasileira. O que está em jogo é um colapso institucional na mais alta instância do sistema de Justiça, com potencial para contaminar o processo eleitoral e favorecer sua captura por forças populistas e autoritárias, em diferentes níveis, valendo-se da indignação popular.

A sociedade e as instituições precisam agir com responsabilidade, firmeza e respeito à ordem constitucional para conter a escalada da crise e preservar a integridade do Estado Democrático de Direito.”


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Desafios e Oportunidades Globais de Governos Subnacionais - Aula Magna por Paulo Roberto de Almeida

  

Desafios e Oportunidades Globais de Governos Subnacionais

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. 

Aula Magna Inaugural para o Curso de Capacitação e Atualização em Atuação Internacional de Estados, Municípios e Províncias da CPLP+Macau

 

Um antigo ministro do governo parlamentarista do Brasil, sob o presidente João Goulart, depois senador, governador do estado de São Paulo, novamente senador e um grande lutador pela democracia no Brasil, ainda sob a ditadura militar, costumava dizer o seguinte: “Ninguém vive no país, ninguém vive no estado, todos vivem num município”. Essa é a realidade, todos vivemos no micro, nenhum de nós vive no macro. É no micro que temos casa, trabalho, transportes, cuidados médicos, segurança, vizinhança, amizades e convívio com semelhantes.

O macro é o domínio dos Estados soberanos, no âmbito da Política Externa, com representação na ONU, no plano multilateral, e troca de representantes diplomáticos, no plano bilateral. Essas são as relações mais ou menos permanentes que os Estados mantêm na área das suas relações exteriores e da política internacional. Este é, ou foi, o cenário das relações entre Estados no âmbito do multilateralismo dos últimos 80 anos, a era da ONU, e já tinha sido o cenário habitual das relações bilaterais e plurilaterais entre os Estados desde a consolidação de normas diplomáticas costumeiras, ou seja, desde mais ou menos o Congresso de Viena, e no plano formal, institucional, desde o estabelecimento universal das duas convenções de Viena, sobre relações diplomáticas e consulares, do início dos anos 1960.

Três décadas depois, o socialismo realmente existente, isto é, a União Soviética e seus países tutelados ou aliados, fez tilt e depois morreu, acabando a era da primeira Guerra Fria, que foi mais ou menos coincidente com a explosão da globalização, em sua terceira onda. As duas primeiras tinham sido na era dos Descobrimentos, com Colombo e Fernão de Magalhães, seguida dos exclusivos coloniais, para despontar novamente na belle époque, com as grandes migrações e o surgimento de uma economia verdadeiramente mundial com a segunda revolução industrial. Essa segunda onda tinha sido interrompida pelo surgimento do socialismo (e do fascismo), ou seja, a estatização das economias e o protecionismo explícito dos Estados.

A terceira onda da globalização propiciou, ademais da elevação dos padrões de vida na periferia, ou seja, nos países antigamente dependentes, uma nova interdependência que antes não existia, dada a competição entre dois sistemas concorrentes de organização social e política, as democracias de mercado, de um lado, os países socialistas de outro, com países mais ou menos dependentes de um ou outro sistema na periferia. Pode-se dizer que a partir do final dos anos 1980 e início dos 1990, a globalização venceu o debate, tendo sido anunciado inclusive um suposto “fim da História” pelo cientista político Francis Fukuyama, mas numa análise puramente idealista. O fato é que as comunicações passaram a fluir mais ou menos livremente, com a notável exceção da China, que conseguiu a proeza de criar uma economia predominantemente de mercado, dominada por um partido leninista, mas este animado por burocratas de alta capacidade técnica, algo como mandarins de um Estado quase weberiano.

Na China, com um grau mais elevado de centralização estatal, mas com uma grande capilaridade nas muitas províncias e regiões interiores, tanto quanto nas democracias ocidentais, a ação do Estado se fazia com grande autonomia por parte das províncias ou municipalidades integradas ao Estado nacional. É a partir dessa repartição de competências que se pode começar a analisar o nosso tema: a projeção externa dos governos subnacionais, o que se observou muito mais nas economias de livres mercados do que sob o socialismo (enquanto esse existiu), ou ainda nos tempos atuais na China, onde o partido se sobrepõe ao Estado, na verdade, ele é o Estado.

Mas, em qualquer sistema concebível, as principais tarefas que concernem o dia a dia das pessoas, dos residentes locais, são resolvidas localmente: fornecimento de água, saneamento básico, transportes, escolas elementares, serviços iniciais de saúde e, sobretudo, segurança dos cidadãos. Todas essas questões essenciais para uma boa qualidade de vida são organizadas e administradas localmente, ainda que com diretrizes e financiamento do governo provincial ou central. Governos subnacionais podem ser eleitos livremente – como nos EUA e na maior parte das democracias ocidentais – ou designados pelo centro, nos países autoritários ou centralizados.

O principal gargalo desse tipo de descentralização reside nas receitas geradas localmente ou recebidas a partir do centro. Geralmente, uma localidade autônoma deve ter capacidade de gerar recursos para os serviços essenciais, necessitando aportes nacionais ou provinciais apenas para obras de infraestrutura – grandes gastos, amortizados sobre anos – ou determinados serviços especializados de saúde e de educação (técnico médio, superior, pós-graduação). Podem existir impedimentos estruturais, ou constitucionais, a esse tipo de autonomia, quando pequenas localidade ou mesmo províncias ou estados não conseguem obter o seu quinhão das receitas públicas, por um tipo de estrutura fiscal que privilegia o centro, ou ainda, localidades que ganham autonomia sem terem capacidade financeira para se manterem com base em seus próprios recursos. É o caso, por exemplo, do Brasil, no qual se concedeu larga autonomia a municípios, por indução política, sem que eles dispusessem de recursos suficientes para se manterem autonomamente, até mesmo em educação básica.

Mas podem existir circunstâncias especiais que demandam assistência do Estado central, como no caso de catástrofes naturais, terremotos, secas, inundações etc. Falta de empreendedores também pode resultar em carência de empregos remunerados, o que causa emigração e fuga de talentos, quando existem. A dinâmica econômica também é espacialmente localizada de modo errático, com localidades dotadas de bons recursos naturais e outras desprovidas de quaisquer infraestruturas básicas, dados os constrangimentos do meio.

 

Não obstante a sobrecapacidade dos Estados atuais – o que pode ser medido pelo aumento da carga fiscal em praticamente todas as economias, pela ampliação dos encargos estatais e a evolução demográfica em praticamente todos os países –, o fato é que existe uma tendência quase natural para o aumento da independência dos entes subnacionais, que passam então a administrar de modo relativamente autônomo suas relações “externas”. Tendo trabalhado e vivido alguns anos na antiga Iugoslávia – um mosaico de regiões, nacionalidades, religiões e tradições históricas, austríacas, otomanas, sérvias, croatas, macedônicos etc. – observei essa autonomia funcionando de maneira mais ou menos independentemente do centro: a economia nacional iugoslava justamente não era propriamente nacional, mas federada, pois que cada região procurava ter seus próprios serviços básicos, e até representação no exterior de forma autônoma.

O relacionamento subnacional exterior começou na Europa nos anos 1950-60, onde, depois do extremo nacionalismo dos anos anteriores, até o entre guerras, começaram a ser assinados acordos de “cidades-gêmeas”, abrindo espaço para cooperação nos terrenos culturais, esportivos e até de cooperação técnica e empresarial. Em princípio, essas associações passam pelos parlamentos e são autorizadas pelos governos centrais, mas os entes subnacionais passam a deter autonomia numa série de áreas antes definidas exclusivamente em âmbito nacional. Esse tipo de cooperação “internacional” em determinadas áreas até pode caminhar de maneira mais rápida do que se tivesse de ser feito pelo alto, ou seja, pelos governos nacionais.

Existem muitos exemplos de atividades “exteriores” que se multiplicaram nos anos de paz mundial depois da Segunda Guerra Mundial, inclusive porque no século XIX enormes massas de emigrantes se deslocaram para novas terras – nas colônias, por exemplo – ou para nações abertas ao acolhimento de trabalhadores, como Estados Unidos, Austrália, Argentina, Brasil e muitos outros países. Na Ásia, a diáspora chinesa se estendeu durante séculos por todo o sudeste asiático, seja voluntariamente, seja ao cabo de conflitos internos. O comércio internacional também se tornou multilateral no decurso da segunda metade do século XX, o que contribuiu enormemente para a internacionalização de entes subnacionais.

A globalização pode ser vista pelo seu lado macro, aquela que se desenvolve mediante regras e acordos negociados por Estados soberanos, administrada por organismos internacionais, ou pelo seu lado micro, aquela que é conduzida por empresas e indivíduos que se utilizam de todos os meios de comunicação disponíveis para acederem a mercados estrangeiros de modo livre ou quase livre. A globalização micro é, na verdade, a real globalização, ao passo que aquela macro pode até ser uma espécie de “antiglobalização”, ao depender do protecionismo de grupos e lobbies nacionais que não conseguem enfrentar o livre comércio.

Se olharmos o mundo como ele é, veremos que os países e regiões mais prósperas são, também aqueles mais abertos ao livre comércio e a todos os tipos de intercâmbios. Existe uma correlação quase automática entre nível de renda per capita e coeficiente de abertura externa, e muito da prosperidade é criada em caráter micro, não necessariamente macro. No passado, as maiores empresas – como as companhias coloniais de comércio – detinham cartas patentes garantindo uma espécie de monopólio sobre determinadas atividades. Atualmente, mesmo um pequeno empresário, em regiões interioranas, consegue se conectar aos mercados externos e oferecer seus produtos. Nos tempos de comunicações abundantes isso se faz naturalmente.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5445, 4 setembro 2026, 4 p.

Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/desafios-e-oportunidades-globais-de.html )

Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis - Paulo Roberto de Almeida (Académie des Sciences d’Outre-Mer)

  

Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomate, professeur

Note sur les élections au Brésil entre le premier et le second tour, pour présentation et débat ; Académie des Sciences d’Outre-Mer, Paris, le 16 octobre, 15-17hs (10-12hs au Brésil).

  

Présentation de l’intervenant :

Paulo Roberto de Almeida est titulaire d'un doctorat en sciences sociales de l'Université de Bruxelles (1984) et d'une maîtrise en planification économique de l'Université d'Anvers (1977). Diplomate de carrière depuis 1977, il a été professeur à l'Institut Rio Branco et à l'Université de Brasília, et directeur de l'Institut de recherche en relations internationales (IPRI) de la Fondation Alexandre de Gusmão (Funag-Itamaraty) de 2016 à 2019. De 2004 à 2022, il a enseigné l'économie politique dans les programmes de troisième cycle en droit du Centre universitaire de Brasília (Uniceub). Il a publié plusieurs ouvrages sur les relations économiques internationales, la politique étrangère brésilienne et l'histoire diplomatique.

  

Synthèse de l’exposition :

Arrivé à la dixième élection présidentielle depuis la démocratisation, en 1985, le Brésil est désormais confronté à un changement fondamental dans la structure politique nationale et dans les relations entre les pouvoirs. Ayant vécu sous l’emprise d’un État centralisateur, commandé par un Exécutif très puissant, depuis l’entre guerres jusqu’à la deuxième décennie de ce siècle, tout en étant partagé entre sociaux-démocrates (FHC) et petistes (PT) dans les trois dernières décennies, le système politique vit aujourd’hui sous l’emprise du pouvoir du Congrès sur l’Exécutif, ou plutôt, dominé informellement par les caciques de principaux partis, qui sont centristes ou de droite. Les principaux partis n’ont plus besoin de négocier des montants accrus des ressources publiques, puisqu’ils ont progressivement accaparé les dotations légales qui leur sont attribués – dont deux fonds, des partis et électoral, toujours croissants – ainsi que des montants relativement importants au titre des différentes sortes des « amendements » obligatoires au budget annuel, jusqu’au point qu’ils ne se sentent plus obligés d’appuyer ou de soutenir un candidat aux élections présidentielles : n’importe qui sera élu, les parlementaires se dotent des ressources pour se soutenir indéfiniment.

La société, de son côté, est profondément déçue par l’insécurité quotidienne, la lenteur de l’accroissement des revenus, la corruption politique et le déjà-vu des candidats, dont les discours et les promesses ne rassemblent plus des grandes masses. Il y a un épuisement de l’espoir de véritables changements, comme il y eu dans la fin des années 1950 – coupe du monde, construction de Brasília, des avancées dans l’industrialisation – ou au début de la démocratisation, dans les années 1980 : nouvelle Constitution progressiste, floraison de partis, multiplication des organisations civiles.

 

Développement du débat (provisoire) : 

Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis

Le XXIe siècle a débuté par une triple crise au Brésil : en 2000, la crise du modèle argentin de convertibilité a éclaté, le gouvernement Menem menaçant de dollariser immédiatement l'économie, ce qui aurait compromis la poursuite du projet Mercosur ; en 2001, le Brésil a subi des coupures d'électricité, dues à la sécheresse et à des réductions drastiques de l'approvisionnement en électricité, compte tenu de la forte composante hydroélectrique de son énergie ; en 2002, la victoire du PT aux élections a fait planer la menace d'un changement radical de politique économique : chute des titres de dette brésiliens à l'étranger, forte dévaluation du real et flambée de l'inflation. Dans une lettre datée de juin, le candidat Lula s'est engagé à maintenir la politique économique en cours, héritage du plan de stabilisation macroéconomique de 1994 mis en œuvre par Fernando Henrique Cardoso, la maîtrise des fluctuations du taux de change et la rigueur budgétaire de 1999.

Son premier mandat (2003-2006) a été marqué par une grande prudence en matière de politique économique, avec le lancement de plusieurs programmes sociaux, profitant de la hausse des prix des matières premières et de l'essor des exportations vers la Chine (devenue le premier partenaire commercial du Brésil en 2009, devant les États-Unis et l'Union européenne). Lula a été réélu en 2006. Son second mandat, en revanche, a suivi le modèle de politique économique du PT, avec une forte augmentation des dépenses publiques et un moindre respect des principes de rigueur budgétaire. Néanmoins, le gouvernement a accéléré les dépenses et, profitant du prétexte de la crise financière de 2008-2009, a encore renforcé les programmes de redistribution : en 2010, stimulant la demande, Lula est parvenu à faire élire son successeur et à atteindre une croissance du PIB de 7,5 %, quasiment au niveau chinois, contre une moyenne inférieure à 4 % les années précédentes.

À partir de 2011, au lieu de la forte croissance promise par l'expansion continue du crédit, les investissements et la croissance ont commencé à chuter, et l'inflation a augmenté. Malgré cela, Dilma Rousseff est parvenue à être réélue in extremis en 2014, grâce aux mêmes mesures expansionnistes qui ont plongé le Brésil dans la plus grave crise de son histoire, en 2014-2015, plus grave encore que celle de 1929-1931, ce qui a contribué à sa destitution par le Congrès en 2016, sous l'accusation de violation des lois budgétaires.

Le vice-président Michel Temer a gouverné pendant deux ans et demi (2016-2018) et a impulsé plusieurs réformes, tout en maîtrisant les dépenses publiques. Cependant, depuis 2013, les manifestations contre le PT ont donné naissance à plusieurs mouvements d'extrême droite, qui ont culminé avec la victoire d'un officier militaire lié au régime dictatorial des Forces armées (1964-1985). Jair Bolsonaro a instauré une mini-révolution dans tous les domaines de l'administration publique, faisant fi des droits humains, des acquis sociaux, de la protection de l'environnement et du respect des peuples autochtones. Il s'est également attaqué violemment aux universités et à la science (déni de la vaccination pendant la pandémie), contribuant ainsi à un nombre disproportionné de victimes de la Covid-19 au Brésil par rapport à la population mondiale. Dès le début, il a contesté les élections et la légitimité du vote électronique, préparant un coup d'État après sa défaite en octobre 2022. Il projetait alors d'assassiner le président élu, Lula, son vice-président et un ministre de la Cour suprême qui présidait également le tribunal électoral cette année-là.

Le troisième mandat de Lula (2023-2026) s'est déroulé dans un contexte – national, régional et international – très différent de celui des dix premières années du siècle, période où la hausse des prix des matières premières exportées offrait une marge de manœuvre considérable pour les dépenses publiques, où l'Amérique latine comptait encore plusieurs gouvernements progressistes et où la détérioration des relations internationales n'avait pas encore commencé. Cette détérioration a été marquée par l'invasion et l'annexion illégales de la Crimée en 2014, par le premier mandat de Trump (2017-2020) et le début de son offensive protectionniste et tarifaire, ainsi que par le renforcement de l'« axe anti-occidental » (Russie-Chine-Iran), qui englobe une bonne partie des BRICS+, dont le Brésil est membre fondateur (mais membre du BRIC).

Lula n'est pas parvenu à reconstruire l'Unasur – la coalition sud-américaine vaguement anti-américaine, alliée à la faction bolivarienne – et n'a pas réaffirmé son soutien indéfectible à la transition énergétique et au nouvel écologisme. Il a même commencé à promouvoir l'exploration pétrolière dans des zones sensibles et a consolidé une position internationale favorable à la proposition russo-chinoise d'un « nouvel ordre mondial multipolaire », alors que le Brésil était engagé dans son processus d'adhésion à l'OCDE entre 2016 et 2023. Les élections de 2026 restent marquées par la même polarisation qu'en 2022 (partisans du PT contre partisans de Bolsonaro), mais l'émergence de nouveaux mouvements politiques conservateurs et une certaine détérioration de la conjoncture économique – avec une augmentation de 10 points de pourcentage de la dette publique ces quatre dernières années – pourraient modifier l'issue du second tour, le 25 octobre (en fonction des résultats du premier tour).

Le Brésil pourrait être à l'aube d'un important bouleversement politique, la population étant visiblement lasse après deux décennies de gouvernement du Parti des travailleurs (PT) de Lula, dépourvu d'idées novatrices et toujours dépendant de la redistribution du crédit et de l'augmentation des prestations sociales. La situation devrait se préciser en septembre, mois de campagnes électorales intenses, non seulement au niveau présidentiel, mais aussi dans les États et au Congrès, désormais doté de pouvoirs considérables.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5442 : 31 août 2026, 4 p.

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Addition le 4 septembre 2026 :

On est à un mois du premier tour de la dixième élection présidentielle depuis la démocratisation de 1985. Le 16 octobre, il y aura une visioconférence de l’Académie des Sciences d’Outremer sur les élections au Brésil, à laquelle je participerai.

 

Je me permets d’enregistrer ici les résultats des scrutins précédents :

1)    1989 (Fernando Collor élu; impeached en 1992; vice-président Itamar Franco)

2)    1994 (Fernando Henrique Cardoso élu au premier tour, par le Plan Real)

3)    1998 (Fernando Henrique Cardoso reélu au premier tour, une nouveauté)

4)    2002 (Luiz Inácio Lula da Silva élu, après être vaincu les trois premières)

5)    2006 (Luiz Inácio Lula da Silva reélu au second tour)

6)    2010 (Dilma Rousseff élue, pour le troisième mandat du PT)

7)    2014 (Dilma Rousseff, au second tour; impeached en 2016; vice Michel Temer)

8)    2018 (Jair Bolsonaro élu, pour la première fois un representant de l’extrême-droite)

9)    2022 (Luiz Inácio Lula da Silva élu, avec une courte avance, au deuxième tour) 

1        2026 (en cours; Lula se présente pour la quatrième fois, incertitude sur le résultat)

 

Comme information aux divers participants de la séance, il faut enregistrer dès maintenant que ces élections de 2026 seront tenues dans des circonstances exceptionnelles, jamais vues auparavant depuis la démocratisation de 1985, sauf peut-être aux élections de 1962, avant le coup d’État, quand il eut une intervention explicite des États-Unis aux élections pour les gouvernements des états, dans le cadre de la Guerre Froide, la révolution cubaine, la crise du régime parlementaire introduit artificiellement un an auparavant, etc. 

Le Brésil vit une crise politique exceptionnelle, simultanément aux trois pouvoirs, due notamment à la corruption disséminée, d’une part larvée, càd, “normale”, fréquente dans les milieux politiques, d’autre part opportuniste, due au scandale de la Banque Master, la plus grosse fraude jamais vue au Brésil, qui a touché des personnages de tous les pouvoirs et institutions, y compris au Supérieur Tribunal Fédéral. Tout cela dans le cadre d’une polarisation aussi exceptionnelle, entre droite et gauche, cette fois-ci représentée par les « petistes » (du PT) d’un côté, par les « bolsonaristes » de l’autre, qui peut condenser les votes des extrémistes de droite, des conservateurs, des opposants aux vingt ans de « régime lulopetiste ». Mais il peut aussi avoir une très grande abstention aux urnes électroniques, dans l’absence d’une troisième voie qui pourrait attirer des votants, malgré la totale absence d’un programme de gouvernement en bonne et due forme.

La campagne est entrée maintenant dans sa phase décisive, avec la tenue de la propagande dans les horaires convenus à la radio et TV (c’est la loi électorale qui le détermine), mais aussi cette fois avec un recours exponentiel aux moyens digitaux, y compris l’usage de l'Intelligence Artificielle pour la composition souvent mensongère des attributs propres et des défauts attribués aux adversaires. 

On n’a jamais vu tout cela, y compris une obscurité complète sur le résultat final, qui pourra être contesté par les deux parties au second tour, demande pour un nouvel contage des votes et querelles introduites auprès du Tribunal Supérieur Électoral. 

C’est la dixième élection présidentielle, et la première avec des tournures exceptionnelles. Comme on dit au Brésil, qui vivra verra !

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5443 : 4 septembre 2026, 5 p.

 

Uma lista com os 20 jornais mais importantes no mundo - ADL

 Uma lista com os 20 jornais mais importantes no mundo. Para fins de "importância", considere um conjunto de características do respectivo jornal, a saber: "tempo de existência + número total de leitores + qualidade dos textos + reputação dos jornalistas + credibilidade no mercado + demais características relevantes a um jornal de prestígio". 


Para compor esta lista com os 20 jornais mais importantes do mundo, foram consolidados critérios rigorosos que medem o verdadeiro prestígio na imprensa profissional global: o tempo de existência, o tamanho e engajamento da base de leitores (digital e impressa), a qualidade e rigor da redação, o histórico de prêmios (como o Pulitzer), além da sua capacidade de pautar a agenda política e econômica internacional.
Os veículos foram agrupados por região geopolítica e relevância de mercado, mantendo uma estrutura de leitura rápida.
🇺🇸 Estados Unidos (Os Gigantes Globais de Referência):
  • The New York Times: Considerado o "jornal de registro" dos EUA, possui mais de 10 milhões de assinantes digitais e detém o recorde de Prêmios Pulitzer, ditando o ritmo do debate político e cultural do Ocidente.
  • The Wall Street Journal: A maior referência mundial em jornalismo de negócios e finanças, célebre pela precisão de seus furos corporativos e rigor editorial econômico.
  • The Washington Post: Famoso por sua cobertura investigativa de política interna americana (como o caso Watergate), combina credibilidade histórica com uma das redações mais influentes de Washington.
  • Los Angeles Times: O principal jornal da Costa Oeste dos EUA, de relevância massiva na cobertura de direitos civis, meio ambiente e na indústria do entretenimento global.
🇬🇧 Reino Unido (A Tradição e Influência Europeia):
  • The Financial Times: Sediado em Londres, é a "bíblia" do capitalismo global. Sua análise econômica e geopolítica em tons de rosa-salmão é leitura obrigatória para chefes de Estado e investidores do mundo inteiro.
  • The Guardian: Reconhecido por sua forte independência editorial (financiado por um fundo privado e apoio dos leitores), lidera investigações de impacto global, como os vazamentos de Edward Snowden.
  • The Times: Fundado em 1785, é um dos jornais mais antigos do mundo em circulação contínua, moldando o estilo de escrita jornalística moderno e servindo de referência conservadora britânica.
🇪🇺 Europa Continental (Prestígio e Análise Crítica):
  • Le Monde (França): O diário mais respeitado do mundo francófono, conhecido por seus editoriais intelectuais profundos, ensaios políticos densos e independência partidária.
  • El País (Espanha): O maior jornal em língua espanhola do planeta, com forte influência e correspondência na América Latina e prestígio internacional pelo seu rigor democrático.
  • Die Zeit (Alemanha): Embora seja um semanário, este jornal de Hamburgo é um colosso intelectual, famoso pelos textos mais longos, analíticos e de altíssima qualidade literária da Europa Central.
  • Corriere della Sera (Itália): O jornal milanês é o mais vendido e tradicional da Itália, com uma reputação histórica intocável na cobertura da política europeia e do Vaticano.
  • Neue Zürcher Zeitung - NZZ (Suíça): Conhecido mundialmente por sua cobertura internacional extremamente detalhada e objetiva, mantendo um tom analítico característico da neutralidade suíça.
🌏 Ásia e Oriente Médio (Grande Escala e Geopolítica):
  • Asahi Shimbun (Japão): Um dos maiores jornais do mundo em número absoluto de leitores (circulação física milionária), conhecido por sua cobertura séria, intelectualizada e de tendência pacifista.
  • Yomiuri Shimbun (Japão): Detém o título de jornal de maior circulação impressa do planeta, sendo uma força editorial massiva que molda a opinião pública asiática.
  • South China Morning Post (Hong Kong): O jornal em língua inglesa mais importante da região asiática, servindo como uma janela crucial de análise sobre a economia e os bastidores políticos da China continental.
  • The Straits Times (Singapura): A voz jornalística de maior autoridade no Sudeste Asiático, altamente respeitado no mercado financeiro e de comércio internacional pela precisão de seus dados.
  • Al-Ahram (Egito): Fundado em 1875, é o jornal em língua árabe mais influente e prestigioso do mundo, sendo o principal registro histórico e político do Oriente Médio moderno.
🌎 América Latina, África e Oceania (Lideranças Regionais):
  • O Estado de S. Paulo / Folha de S.Paulo (Brasil): Empate técnico regional. Ambos representam a espinha dorsal do jornalismo profissional na maior economia da América Latina, reconhecidos internacionalmente pela defesa das instituições democráticas e investigações complexas.
  • La Nación (Argentina): Centenário e tradicional, é reconhecido internacionalmente pela alta qualidade literária de suas seções culturais e profundidade na análise econômica sul-americana.
  • The Sydney Morning Herald (Austrália): Fundado em 1831, é o jornal mais antigo do hemisfério sul em circulação contínua, sendo a maior autoridade jornalística da Oceania.
🎯 Conclusão do Analista:
O mercado de mídia de prestígio internacional passou por uma forte filtragem na última década. Jornais que investiram em muros de pagamento (paywalls) rígidos e mantiveram grandes orçamentos para jornalismo investigativo de campo (como The New York Times e The Financial Times) conseguiram distanciar sua credibilidade da crise de desinformação das redes sociais, concentrando o maior índice de confiança do mercado institucional e financeiro global. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

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