Noventa anos atrás, Winston Churchill, um imperialista teimoso, tentando recuperar seu prestígio depois de Galípoli -- a desastrosa tentativa de neutralizar a Turquia na Grande Guerra -- resolveu, como ministro das finanças (Lord of Exchequers), fazer a libra retornar ao padrão ouro.
Tudo bem, diriam os incautos, mas não na mesma paridade de antes da Grande Guerra, como ele pretendia, por um estúpido orgulho imperial.
John Maynard Keynes, cada vez mais irreverente depois de ter publicado seu panfleto condenatório do Tratado de Versalhes -- The Economic Consequences of the Peace, publicado em 1919 --, resolveu se opor a essa loucura do ministro teimoso das finanças (sabemos como eles são), publicando um alerta: The Economic Consequences of Mister Churchill, no qual ele alertava para as consequências recessivas da medida, pois que a libra ficaria muito valorizada em relação às demais moedas, que foram desvalorizadas ou reinseridas no padrão ouro a uma taxa bastante depreciada em relação a 1913.
O que Keynes alertou aconteceu: o retorno ao padrão ouro representou uma catástrofe econômica previsível. A Grã-Bretanha perdeu competitividade, o déficit comercial se instalou, a recessão se manifestou e com ela o desemprego.
A consequência foi uma greve geral de trabalhadores, que durou mais de uma semana.
Sem qualquer jornal circulando, o governo britânico tomou a medida extraordinária de editar e publicar ele mesmo um jornal diário, chamado The British Gazette, que era editado e publicado pelo próprio Winston Churchill.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
As consequencias economicas (e jornalisticas) de Mister Churchill - The British Gazette (1926)
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greve geral,
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