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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Ciência: fuga de cérebros é uma realidade no Brasil - presidente da ABC

Fuga de cérebros é realidade, diz chefe da Academia Brasileira de Ciências
Valor Econômico, 13/08/2019

Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o físico Luiz Davidovich tem assinado cada vez mais cartas de recomendação para pesquisadores que deixam o Brasil. Aves raras na academia, esses doutores não querem salários altos. Procuram, na verdade, insumos e equipamentos para os quais o governo brasileiro tem empenhado cada vez menos recursos nos últimos anos. O êxodo de cientistas, para Davidovich, é a ferida mais exposta do sistema de ciência e tecnologia (C&T) do país, que se agravou no governo Jair Bolsonaro e seus contingenciamentos, ausência de projeto tecnológico e negação da ciência. "A fuga de cérebros é muito concreta e dolorosa para mim", diz Davidovich. Recentemente ele viu quatro colegas concursados abandonarem seus cargos para tocar trabalhos em Austrália, Holanda, Portugal e Chile. "Três vão para universidades estrangeiras, outro vai para uma empresa australiana de computação quântica, mas aprendeu tudo aqui", diz apontando para o chão da Escola de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde leciona há 25 anos. Ele comanda os estudos da casa em computação e ótica quânticas, sendo colaborador do francês Serge Haroche, laureado com o Nobel de Física em 2012.
"Não nego as recomendações. Essas pessoas têm o direito de se preocupar com suas pesquisas, mas escrevo nas cartas que lamento o fato de estarem nos deixando", diz. A debandada, afirma, está diretamente ligada à queda nos repasses a universidades federais. Segundo Davidovich, as verbas têm caído todos os anos desde 2010. A exceção foi 2013, quando houve um pico que ele atribui ao programa Ciência sem Fronteiras. Em 2019, o golpe mais duro da década: contingenciamento de 30% no Ministério da Educação e 42% na pasta de Ciência e Tecnologia (MCTIC). O principal afetado é o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que provê a maior parte dos recurso à pesquisa científica. "Com o corte, as bolsas de pesquisa só chegariam a junho, mas uma suplementação de R$ 300 milhões permitiu pagar até setembro. Ainda falta para o resto do ano", afirma Davidovich. De acordo com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ainda faltam R$ 340 milhões para o CNPq honrar as bolsas de 84 mil pesquisadores neste ano. 
Os cortes surpreenderam o chefe da Academia de Ciências. Ainda em campanha, Jair Bolsonaro respondera a um questionamento da entidade com a promessa de elevar o investimento em ciência a 3% do PIB até o fim do mandato, enquanto a entidade recomendava a reserva de 2% da riqueza nacional para a área. Segundo Davidovich, hoje em queda, o investimento total em ciência e tecnologia está um pouco acima de 1% do PIB, sendo igualmente dividido entre União e setor privado. Inicialmente encarado como auspicioso pelo cientista e seus pares, o compromisso de campanha do presidente se mostra cada vez mais distante. "O apagão de investimentos pode quebrar o sistema de C&T. Tudo que temos hoje começou a ser institucionalizado na década de 1950, mas vem de antes. A construção é um processo longo, mas a destruição pode ser muito rápida, menos de uma década". Questionado se o "Future-se", programa do governo para estimular a entrada de recursos privados nas universidades, pode solucionar o problema, Davidovich é claro: "Só funcionará se os repasses públicos forem restabelecidos".
Em sua leitura, as universidades só vão interagir mais com empresas na medida em que se modernizarem primeiro via recurso público. "A maior parte do orçamento universitário sempre virá do governo, como acontece no mundo todo. O ministro [Abraham Weintraub, do MEC] precisa de um choque de realidade", diz. O pesquisador, no entanto, vê com bons olhos aspectos da proposta como desvinculação de verbas privadas do orçamento e previsão de incentivos fiscais para quem investir. Caso o governo ainda queira honrar a promessa de investir duas vezes mais em ciência, Davidovich afirma que, além de rever os cortes, será preciso incentivar investimento direto do setor privado. Ele cita as experiências dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Doutor pela Universidade de Rochester (EUA) e membro estrangeiro da Academia de Ciências dos Estados Unidos (NAC), lembra que na Coreia do Sul três quartos do investimento em P&D vêm de empresas, e um quarto, das universidades. "Não precisamos reinventar a roda. Basta olhar para o lado. Os EUA sempre usaram encomendas de Estado para grandes projetos nacionais", diz, citando como exemplos o programa espacial e a criação de bancos de dados para órgãos de governo. "Isso é muito melhor que subvenção, pois permite orientar os resultados."
Como um caminho natural, Davidovich aponta a biotecnologia baseada na pouco explorada biodiversidade nacional. "Conhecemos apenas 5% do potencial de nossos biomas", diz. Animado, ele fala de uma substância chamada bergenina, originalmente encontrada no caule de uma planta amazônica. Sua molécula anti-inflamatória foi sintetizada por um laboratório privado que hoje comercializa o miligrama por mais de R$ 1.000. "Existem várias outras substâncias que poderiam ser produzidas no Brasil." Soluções de saúde, afirma, são mais que recomendadas para um país com um comprador natural do tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS). "Prioridades óbvias como a biotecnologia têm sido prejudicadas por uma política de desmatamento que nega evidências científicas", diz. Davidovich se mostra especialmente irritado com os ataques do governo ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em cuja defesa saiu mais de uma vez por meio de carta aberta da ABC. "Há uma ironia no fato de não perceberem que isso pode prejudicar a própria agroindústria, por causa dos rios voadores que garantem chuvas no Centro-Oeste e Sudeste. Isso para não citar o acordo comercial com os europeus, que terão um Parlamento com cada vez mais [deputados] verdes." Em seu entender, as ações do governo até aqui refletem uma "total ausência de agenda para o desenvolvimento científico" que abre espaço para voluntarismos, expressos por exemplo na retórica sobre nióbio ou dessalinização, que têm o seu valor, mas estariam longe da escala necessária para alavancar a ciência no país.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Academia Brasileira de Ciência: "ciência gera desenvolvimento"

O papel fundamental da ciência na construção da nação:

Ciência Gera Desenvolvimento é um projeto da Academia Brasileira de Ciências que utiliza a divulgação científica para conscientizar a população sobre a importância do investimento em ciência e dos seus impactos na economia e na sociedade.
Desde 2017, divulgamos uma série de vídeos curtos, dinâmicos, acessíveis e cheios de informação, que mostram, com exemplos reais, como a produção científica pode ser traduzida em benefícios palpáveis para o nosso país.

O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo. E ainda com o menor custo de produção! Grande parte dessa conquista se deve à engenheira agrônoma Johanna Döbereiner, que desenvolveu um mecanismo que trouxe economia nos gastos com fertilizantes! Quer saber como? É só assistir ao primeiro vídeo da série.

CNPq, Comissão Nacional de Energia Nuclear e Instituto de Matemática Pura e Aplicada: provavelmente você já ouviu falar de alguma dessas instituições. Sabe o que elas têm em comum? O Almirante e ex-presidente da ABC Álvaro Alberto estava envolvido na criação de todas elas. Conheça a sua importante trajetória no segundo vídeo do projeto.

Você sabia que a insulina usada no tratamento de diabetes era tirada de bois e porcos? Foi o médico Marcos Luiz dos Mares Guia que desenvolveu o método que gera a insulina humana e fez do Brasil o líder dessa produção. Ficou curioso? Confira o terceiro vídeo da série, que foi lançado no dia 14 de maio!

Vídeos disponíveis no site da ABC.




domingo, 23 de setembro de 2018

ABC: projetos de cooperacao cientifica internacional - brochura

Brochura neste link.

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 ATUAÇÃO DA ABC | 10/09/2018 
   
 

Grandes Projetos de Colaboração Internacional da Ciência Brasileira

 
 Serão apresentados projetos nas áreas de física de partículas, mudanças climáticas, biotecnologia, genômica, supercomputação, atividades espaciais e  oceanos. 
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 ATUAÇÃO DA ABC | 17/09/2018 
   
 

Grandes projetos de cooperação internacional na Amazônia

 
 Recursos decrescentes comprometem projetos na região, que é a chave da sustentabilidade global e um fantástico laboratório para ciência inovadora, de acordo com o Acadêmico Paulo Artaxo. 
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 ATUAÇÃO DA ABC | 17/09/2018 
   
 

Grandes projetos de cooperação no Atlântico Sul

 
 O físico e oceanógrafo Edmo Campos alertou para o aumento do nível do mar em função do derretimento das geleiras do Ártico. 
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 ATUAÇÃO DA ABC | 21/09/2018 
   
 

Colaboração internacional: grandes telescópios, ciência e tecnologia espaciais

 
 Os Acadêmicos João Steiner e Ricardo Galvão apresentaram os projetos Gemini, SOAR, GMT e CBERS em evento organizado pela ABC e SBPC, em 12 e 13 de setembro. 
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 ATUAÇÃO DA ABC | 19/09/2018 
   
 

Grandes projetos de colaboração internacional em física e engenharia genética

 
 Confira os projetos apresentados pelos pesquisadores Ettore Segreto (LBNF), Irina Nasteva (Connie), Elibio Rech (GP-write) e Carla Göbel (Renafae). 
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 ATUAÇÃO DA ABC | 19/09/2018 
   
 

Grandes projetos de colaboração internacional em astronomia, física e biologia

 
 Conheça os projetos apresentados pelos pesquisadores Eduardo Pacheco (Plato), Elcio Abdalla (Bingo), Carlos Morel (genômica) e Wagner Rodrigues (microscopia eletrônica). 
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 ATUAÇÃO DA ABC | 18/09/2018 
   
 

Grandes projetos de colaboração internacional em computação e física

 
 Confira os projetos apresentados por Wagner Léo (SDumont), Jacques Lépine (LLAMA), Sergio Novaes (LHC), Beatriz Barbuy (ESO), Elisabete dal Pino (CTA) e Luiz Nicolaci (LIneA). 
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

Eleicoes 2014: Academia Brasileira de Ciencias encaminha suas propostas aos candidatos

Documento da ABC com recomendações aos presidenciáveis é entregue à candidata do PT

Ntícias da Academia Brasileira de Ciência, 10/07/2014

O documento com recomendações de políticas para o desenvolvimento científico do Brasil, destinado aos candidatos à Presidência da República e elaborado pela ABC, foi entregue oficialmente à atual presidente, Dilma Rousseff, que pleiteia a reeleição pelo PT. 

Jacob Palis, Dilma Rousseff, Henrique Paim (MEC), Mauro Borges (MDIC) e Clélio Campolina (MCTI)

Rousseff recebeu o texto, intitulado "Por uma política de estado para ciência, tecnologia e inovação - contribuições da ABC para os candidatos à presidência do Brasil", por ocasião da reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), que ela preside. Ele foi entregue pelo presidente da ABC, Jacob Palis, que participou do encontro. 

De quatro em quatro anos, quando há eleições presidenciais, a ABC redige documento análogo, com o objetivo de orientar os presidenciáveis em matérias relativas à situação da ciência, tecnologia e inovação no país. 

Em 2014, o texto foi trabalhado nos meses de abril e maio por uma junta de membros da ABC nomeados pela Diretoria e, depois, apresentado na Reunião Magna, o evento da Academia mais importante do ano. O documento foi, então, referendado pelos Acadêmicos nos dias seguintes. Trata-se, portanto, de um trabalho conjunto dos membros da ABC. 

"Depois de varias discussões, o documento reflete o pensamento da Academia sobre a situação atual e futura da ciência no país", afirma o Acadêmico Jailson Bittencourt de Andrade, que foi um dos redatores. 

A ABC já enviou ofício aos candidatos do PSDB, PSB, PSOL, PSC e PCB e, agora, aguarda oportunidades para que os candidatos recebam o documento. Em breve, o texto será divulgado para o público.

(Clarice Cudischevitch para NABC)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Proibicao de importacao de publicacoes estrangeiras: ABC e SBPC pedem retirada de projeto

A Academia Brasileira de Ciências e a SBPC enviaram carta ao deputado Vicentinho contra o seu famigerado projeto protecionista e obscurantista. Do site da ABC:

SBPC e ABC se manifestam contra projeto que proíbe órgãos públicos de comprar publicações estrangeiras

ABC, 11/06/2014
No último dia 9, a SBPC e ABC enviaram carta ao deputado Vicentinho (PT-SP) protestando contra o Projeto de Lei 7299/2014, de autoria do deputado, que proíbe a aquisição de publicações gráficas de procedência estrangeira pelos órgãos públicos das esferas federal, estaduais e municipais, para utilização de qualquer espécie e natureza da administração pública. Diante das críticas sobretudo da comunidade científica, ontem (10/06) o projeto foi retirado da Câmara dos Deputados.
Na carta, as entidades ressaltaram que têm atuado para promover o desenvolvimento científico e tecnológico no País, de modo a aumentar a produtividade e a qualidade da ciência brasileira com impacto no bem estar social. Segundo o documento enviado ao deputado, no mundo globalizado a geração de conhecimento é cada vez mais internacionalizada.

Leiam a carta compketa neste link: