Argentina e Brasil e suas respectivas ditaduras militares
Paulo Roberto de Almeida
Os argentinos “comemoram” os 50 anos do inicio, em 1976, de uma das mais crueis ditaduras wue tiveram, aquela iniciada em 1976 e que se foi, na incompetência, em 1983, com a volta dos Radicais ao poder (Alfonsin)
Interessante esse ciclo alternativo entre ditaduras e experimentos democráticos. Sim, a ditadura argentina iniciada (depois de algumas outras) em 1976, foi efetivamente cruel.
Comparativamente, a nossas foram, por acaso menos crueis? O que tivemos? O próprio Deodoro, seguido por Floriano. Depois o próprio Exercito se encarregou de afastar Washington Luis e abrir o caminho para Vargas. Este, com o apoio do Exercito, iniciou ditadura do Estado Novo, e caiu depois de abandonado pelo Exército.
As FFAA voltaram num golpe em 1964, mas não foram, ao inicio, tão crueis como os argentinos, mas em 1968-69 acentuaram a crueldade quando provocadas pelos movimentos guerrilheiros e da própria sociedade civil. Se autoeliminaram por incompetência na economia e nos repentes de crueldade da “tigrada” em 1984-85.
Tentaram ser dominantes novamente, como força de apoio de um novo ciclo autoritário em 2017-18, mais por oportunismo, do que por vontade de governar outra vez. O “comandante em chefe”, por incompetência e covardia, não soube sequer dar um golpe “decente”, ou “en bonne et due forme”. A sociedade civil prevaleceu.
Parece que se encerrou no Brasil o ciclo militar iniciado em 1889. Será verdade? Voltamos, desta vez definitivamente, ao ciclo normal de conservadores civis, oligarcas predatórios e populistas não carnívoros (de direita e de esquerda), que sempre governaram o pais independente?
Talvez…
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 2/03/2026