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sábado, 1 de agosto de 2026

A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política - Paulo Roberto de Almeida (boletim Mundorama)

Divulgando no blog pessoal dada a descontinuidade das postagens em Mundorama.

A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 26 novembro 2010, 4 p. Artigo para sobre a possível diplomacia do governo que toma posse em 1 de janeiro de 2011. Publicado no Boletim Mundorama; revista de divulgação científica em relações internacionais (29/12/2010).

  

A crer nas declarações, após o 31 de outubro de 2010, do presidente Lula, responsável inquestionável pela vitória eleitoral da candidata oficial Dilma Rousseff, o novo governo será constituído e conduzido à imagem e semelhança da presidente eleita. Ele também negou que vá ter, pessoalmente, qualquer influência sobre as decisões de governo a partir de 2011. A despeito dessas declarações, é provável que o novo governo conserve, grosso modo, as grandes linhas seguidas durante os dois mandatos do presidente Lula, o que foi aliás confirmado pela candidata eleita, que pautou sua campanha como estando marcada pela continuidade das mudanças empreendidas desde 2003. A rigor, a afirmação vale tanto para a economia e para as políticas sociais, que respondem por grande parte do sucesso do mandato que se encerra, quanto para a política internacional do Brasil e suas relações diplomáticas, de modo geral, terreno no qual as avaliações são mais circunspectas.

Partindo, justamente, do pressuposto de que a base política do novo governo se manteve, e até se reforçou, como resultado das eleições de outubro de 2010, bem como da possibilidade de que o principal artífice pela vitória de Dilma nestas eleições pretenda, em função de projetos políticos futuros, manter-se ativo no “mercado de consultoria presidencial”, é possível, assim, vê-lo articulando contatos e iniciativas que compreendam a frente interna, mas que também alcancem, de algum modo, a esfera diplomática. Independentemente, porém, desse tipo de interface operacional, aparentemente inevitável nas circunstâncias que cercaram o mais recente escrutínio presidencial – a mais de um título inédito na história política nacional –, a força do cargo, quando assumido plenamente, e características pessoais ligadas a cada uma das personalidades citadas, fazem com que se venha a assistir, necessariamente, um cenário bastante diferente daquele registrado nos últimos oito anos.

Peculiaridades especiais na forma de conduzir os assuntos de Estado, seja na frente interna, seja no âmbito externo, assim como simbologias ligadas a histórias de vida diferentes, sustentam o diferencial que pronto se observará. Dificilmente se poderá reproduzir, por exemplo, o protagonismo de Lula nos foros internacionais e nas relações bilaterais (em especial na África), assim como não se deve assistir novamente às suas formas especiais de interlocução, mais baseadas no instinto e no gosto da improvisação, do que propriamente no seguimento dos cânones burocráticos tradicionalmente ligados à figura presidencial. Assim, mesmo deixando de lado escolhas funcionais quanto ao novo titular da chancelaria – se de carreira ou não, de um ou outro gênero, como especulado abundantemente na imprensa – o mais provável é que a nova presidente imprima suas preferências pessoais e suas prioridades políticas à diplomacia que lhe caberá comandar a partir de 1o. de janeiro de 2011. Nessa área, porém, o peso da continuidade costuma ser maior do que no campo das políticas internas, inclusive porque a agenda vem em grande parte “pronta” do exterior. Alguns temas encontram-se inclusive na ordem do dia, como é sempre o caso nesse tipo de atividade, a exemplo dos que serão examinados a seguir.

Das três grandes prioridades do governo Lula na frente diplomática, não se pode dizer que alguma tenha sido encaminhada a seu termo lógico ou a resultados exitosos do ponto de vista do Brasil: o ingresso do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas, por exemplo, encontra-se no terrenos das possibilidades difusas, e assim promete permanecer no futuro indefinido, ainda que o status do Brasil, como ator de relevo no cenário internacional, seja hoje amplamente reconhecido; as negociações comerciais multilaterais, por sua vez, devem se arrastar penosamente por pelo menos mais um ano inteiro, completando assim um ciclo frustrante de dez anos de tergiversações, mas sempre com o ativo envolvimento do Brasil em todas as fases e configurações negociadoras; a integração sul-americana, finalmente, caminha num ritmo ambíguo, com muitas iniciativas no plano político, mas resultados menos seguros nos terrenos econômico e comercial (que deveriam ser, aliás, a base da integração). Todos esses temas serão retomados pela nova administração, que talvez queira imprimir novas características às demandas e ofertas brasileiras nos diferentes capítulos e frentes de negociação. Vários dos itens na agenda, não dependem, a rigor, da postura brasileira, já que cada um deles, em seus contextos respectivos, carregam o peso de interesses muito diversificados por parte dos principais parceiros envolvidos.

No plano da governança global, os avanços continuam sendo muito lentos ou frustrantes: meio ambiente, coordenação econômica internacional, segurança e terrorismo, constituem, por sinal, temas que transcendem a tradicional postura Norte-Sul, que, segundo certas visões maniqueístas, dividiria o mundo em países desenvolvidos, de um lado, e em desenvolvimento, do outro. Não se pode dizer, assim, que a ênfase na diplomacia Sul-Sul que caracterizou o governo Lula tenha as respostas e o formato adequados ao encaminhamento de todos esses temas inscritos na ordem do dia das negociações internacionais, tanto porque alguns dos supostos aliados na causa do desenvolvimento podem perfeitamente exibir posturas protecionistas e subvencionistas que confrontam diretamente nossos interesses exportadores agrícolas, entre outros exemplos. Assim, algum pragmatismo na formação de coalizões negociadoras é sempre recomendável.

Em temas como o da integração regional, qualquer observador isento pode constatar a imensa distância que existe entre um modelo tradicional de liberalização comercial e de abertura econômica – que deveria situar-se, lógica e necessariamente, na base de qualquer processo “normal” de integração baseado em clássicas vantagens ricardianas – e um outro “modelo”, de caráter mercantilista, dirigista, estatizante e politizado, avesso ao capital estrangeiro e aos sistemas de mercados, como o que vem sendo impulsionado por alguns países na região. Assim, dificilmente se poderá dizer que o Mercosul sairá reforçado ou dotado de maior coerência intrínseca ao integrar novos membros que de fato perseguem um modelo situado nas antípodas do que se entende normalmente por integração econômica.

Em temas essencialmente políticos, talvez se tenha, igualmente, de proceder a uma revisão de conceitos, a partir de questionamentos que surgiram quanto à postura brasileira em matéria de direitos humanos, por exemplo. Observadores da área, em geral representantes de ONGs humanitárias, não deixaram de observar – e alguns interlocutores até a questionar concretamente votos brasileiros nos foros pertinentes – a mudança de postura do Brasil em diversas ocasiões que envolveram resoluções críticas em relação a países reconhecidamente violadores dos direitos humanos, a pretexto de “não politização” desses temas e de uma preferência pelo “diálogo direto”. Causou especial constrangimento, nessas áreas, visitas e palavras amigáveis dirigidas pelo presidente Lula a dirigentes desses países, que são os mais visados pela comunidade internacional envolvida na proteção dos direitos humanos e na defesa das liberdades democráticas de maneira geral.

Em qualquer hipótese, a presença do Brasil cresceu enormemente no cenário internacional nesses anos de intenso protagonismo político e de uma ativa diplomacia presidencial, a um ritmo que talvez seja difícil de manter para personalidades menos carismáticas ou menos suscetíveis de manter a credibilidade nacional em situações de ambiguidade em face dessas questões de direitos humanos ou de clara seletividade no tratamento do princípio de não-intervenção. Amizades ostensivas com personalidades autoritárias e relações políticas com países vistos com desconfiança pela comunidade internacional – geralmente pelas mesmas razões, acima apontadas, que preocupam entidades voltadas para os direitos humanos e as liberdades democráticas – podem até se inscrever na lógica política de partidos cujos instintos primários se situem nessa tradição filosófica antidemocrática, mas certamente não contribuem para elevar a reputação moral de um país ou de seus dirigentes.

Finalmente, a questão das parcerias seletivas certamente ganharia em ser vista menos do lado do antihegemonismo instintivo, com alguns laivos de anti-imperialismo démodé, e mais pelo lado pragmático dos benefícios que possa trazer uma cooperação bilateral fundada em critérios de excelência, independentemente de suas coordenadas geográficas. Para todos os efeitos práticos, fases de transição política são sempre carregadas de incerteza quanto ao itinerário futuro, mas nunca se pode excluir boas surpresas com base na renovação de quadros e de políticas.

 

Paulo Roberto de Almeida

Divulgado no blog Diplomatizzando (1/08/2026; link:).

 



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Um debate sobre o BRICS em 2011 - Alexander Zhebit, Paulo R. Almeida

Alguém me fez retomar um trabalho hoje esquecido, mas ainda pertinente. Só preciso repostar agora o artigo de Mundorama.
Um leitor de meu blog “desenterrou” um debate que eu mantive em 2011, ou seja, oito anos atrás, com um acadêmico do RJ sobre o BRICS. A despeito da passagem do tempo, continuo pensando a mesma coisa, e não é porque a diplomacia brasileira mudou (mas continua a entreter essa maluquice do BRICS), mas os Brics (reparem na distinção) mudaram e bastante).
Convido os interessados, sobretudo Oliver Stuenkel, um dos “promotores” do BRICS, a continuar o debate.
Paulo Roberto de Almeida 
Brasilia, 5/08/2019


sábado, 22 de outubro de 2011

Brics: pequeno debate sobre seu papel mundial - Paulo R. Almeida e Alexander Zhebit
Registro aqui, em primeiro lugar, o comentário de Alexander Zhebit a meu artigo sobre o papel dos Brics na atual conjuntura mundial de crise -- neste artigo de Mundorama --, fazendo-o seguir de meus próprios comentários-resposta.
Quem desejar se associar ao debate, sinta-se livre para enviar-me comentários neste post, aos quais darei o devido destaque, em função de argumentos substantivos.
Grato ao Alexander pela atenção demonstrada, mas como se verifica pela minha resposta, ainda não sou capaz de aderir à essência de sua posição.
Paulo Roberto de Almeida

Uma resposta to “Os Brics na nova conjuntura de crise econômica mundial, por Paulo Roberto de Almeida”

Parabenizando o autor pelo ensaio conceitual e profundo e concordando com muitas teses dele, gostaria de ressaltar que a plataforma ideacional da aproximação dos BRICS não é econômica, embora a ideia da correlação entre os BRICS se origine do estudo econômico da Goldman Sachs, mas é axiológica. BRICS, uma rede transgovernamental de governança ad hoc, persegue principalmente o objetivo alternativo da reconstrução da ordem internacional que entrou em obsolência. O fato de acolher no seu grupo a África do Sul, incompatível com os outros BRIC em termos econômicos e populacionais, mas muito útil no sentido de representatidade de alter mundo, demonstra esta sua ânsia de alteratividade em nível mundial. É indiscutível que a proposta de prestar assistência financeira à Europa, descartada logo em seguida, teve uma intenção propagandística, o que em si não desmente a capacidade acrescida de auxílios financeiros pelos BRICS, devido à elevação da cota de participação e do peso de votação dos BRICS no FMI.

Comentário-resposta de Paulo Roberto de Almeida:

Agradeço ao Alexander Zhebit pelo seu comentário e como é de meu estilo -- sem qualquer floreio verbal ou hipocrisias relacionais -- vou direto ao assunto central, que se prende não às concordâncias entre ambos, mas ao ponto que nos separa.
Alexander pretende que a "plataforma ideacional dos BRICS não é econômica (...), mas é axiológica". Esta plataforma, segundo ele, "persegue principalmente o objetivo alternativo da reconstrução da ordem internacional que entrou em obsolência" (sic). Os Brics, nessa concepção, demonstram "ânsia de alteratividade em nível mundial" (sic, novamente, mas por razões substantivas).
Enfim, deixo de lado essa questão de ajudar ou não os caloteiros de fato (Grécia) e de intenção (Portugal e talvez outros) de uma Europa arrastada pela crise que ela própria criou -- e que para mim tem pouco a ver com a crise original americana -- pois esse ponto é absolutamente irrelevante para o ponto central que pretendo discutir, o que faço a partir de agora.

A questão relevante, expressa tanto na criação dos Brics e nos argumentos de certos acadêmicos, como talvez seja o caso de Zhebit, é o fato de os Brics representarem, supostamente, um modelo alternativo, uma contestação da ordem global, uma proposta de um mundo diferente, do que o existente atualmente, feito pelas potências que emergiram economicamente no meio século que decorreu desde a Segunda Guerra (algumas ascendentes, outras declinantes). 
Seria essa tal de "alteratividade em nível mundial", para construir uma "nova ordem", substituindo a velha, que teria entrado em obsolescência. Isso corresponde, em termos um pouco mais elegantes e refinados, ao que vêem fazendo os tais alternativos, o pessoal do "outro mundo possível", com sua recusa da globalização capitalista e suas demandas por um mundo menos desigual e imperfeito, mais solidário, não assimétrico, justo e humano.
Bem, se não for isso que Alexander Zhebit pretende, desde já me desculpo pela má interpretação de suas palavras, mas o fundo da questão é que ele pretende que os Brics representem uma proposta nova, supostamente melhor do que a que está aí (que aliás não foi proposta por nenhum comitê acadêmico, nem por algum diretório do poder mundial, mas que simplesmente surgiu, em decorrência de movimentos reais, nos campos militar, econômico, tecnológico, financeiro, etc.).

Meu problema com os sonhadores acadêmicos -- e desde já me desculpo pela designação, mas ela corresponde ao que imagino ser verdade, ou seja, acadêmicos passam seus conceitos e vontades acima e além da realidade dos fatos -- e também com os proponentes e sustentadores dos Brics é essa capacidade que eles têm de enganar a si próprios e de pretender, no mesmo movimento, enganar aos outros.
Como sou um realista-idealista -- depois explico o que seria isso -- fico na modesta racionalidade dos fatos, nos elementos materiais e nas expressões de poder real, de capacidade material e de determinação dos movimentos efetivos do mundo real, que constato visualmente e por leituras do que ocorre no mundo, e deixo essas elaborações mentais de lado, por mais elegantes e mais atrativas que elas possam ser.

Pois bem, qual é o meu problema com os Brics, com o conceito e com a realidade?
Eu começaria por dizer que os Brics não existem, embora isso possa parecer exagerado, e correndo o risco de que me tomem por maluco. Mas corro o risco e reincido no argumento.
Os Brics não existem, por mais reuniões de alto nível e de coordenação ministerial que tenham feito e por mais esforços que façam para afirmar sua realidade.
Em primeiro lugar se trata de uma construção artificial, feita por um analista de banco de investimentos, para justificar direcionamento de capitais e oportunidades de ganhos, com base em algumas constatações simplórias: tamanho, crescimento, influência crescente em determinados mercados, etc.
Pois foi com base nesse tipo de argumento instrumental, que responsáveis políticos de dois dos Brics -- Rússia e Brasil -- decidiram, por motivos os mais diversos, mas por vezes coincidentes, e certamente oportunistas do ponto de vista político-diplomático, decidiram transformar essa construção mental em realidade diplomática. Que seja: os homens, mormente os políticos, têm todo o direito de transformar sonhos e vontades em realidades, e de proclamar objetivos conjuntos na busca de realização de seus objetivos reais.
E quais são esses objetivos reais? Obviamente aumentar o seu poder, relativo e absoluto, tanto interna, quanto externamente. Ponto, parágrafo.
Os Brics, individualmente ou coletivamente, só pretendem isso, só sonham com isso, são dominados por essa ideia obsessiva: aumentar seu poder, ponto.
E o que se opõe a esse objetivo?
Nada, a não ser sua própria falta de capacidade.
O que fazer então?
Bem, o caminho mais lógico é crescer, inovar, aumentar seu poder financeiro, fazer investimentos em outros países, propor respostas a problemas comuns, oferecer soluções a determinados dramas planetários, enfim, se fazer forte, grande e belo, e como tal admirado por todos, suscetível de despertar invejas, ter a pretensão de ver outros imitando-o e desejando se aproximar de si, para aproveitar um pouco de todas essas bondades e felicidades.
Afinal de contas, ninguém quer ser um fracasso, objeto de desprezo, negligenciado, não é mesmo?
Como qualquer ser humano narcisista, os Brics querem ser admirados, mas também querem ter o poder de influenciar os outros.

Essa é a minha versão -- realista crua -- dessa tal de "alteridade" proclamada por alguns analistas. O que fazer com ela? Nada, pois versões de acadêmicos têm menos importância, para mim, do que a verdade dos fatos.
A verdade dos fatos é que os Brics gostariam de diminuir o poder dos atuais poderosos para aumentar o seu próprio. Tem sentido isso? Pode ter, sobretudo se não significar uma ação puramente negativa, de diminuição compulsória do poder de outrem, e sim positiva, de aumentar o seu próprio poder, em conjunção com a prosperidade conjunta, numa perfeita interdependência econômica global. Esse seria o mundo ideal.
Mas nem sempre funciona assim, pois os poderosos do momento detêm certas regras normativas e bloqueiam um processo de redistribuição do poder mundial.
Certo, mas a solução, então, é crescer e oferecer suas propostas, que precisariam ser melhores do que as existentes, para vê-las então serem aceitas pelo conjunto de participantes da ordem mundial. 

E o que têm os Brics a oferecer de melhor para a ordem mundial?
Um mundo mais feliz, e gentil, mais pacífico, mais próspero, mais respeitador dos valores democráticos, dos direitos humanos, com maior aceleração da criação de riqueza e mecanismos consensuais para sua distribuição, um mundo mais educado, mais limpo, menos poluído, mais seguro, sem bandidos, sem proliferadores, ou violadores dos direitos humanos, enfim um mundo mais perfeito do que o atualmente existente?

Se os acadêmicos, e os patrocinadores dos Brics me provarem que é isso que ambos pretendem, que essa "nova ordem", essa alteridade prometida, esse "outro mundo possível" que ele prometem ou anunciam é melhor do que o atualmente existente, então eu estou de acordo com a tal de proposta axiomática, e passarei a achar que os Brics, essa última novidade no supermercado da História, é uma maravilha, um emplastro glorioso que merece ser promovido, propagandeado e sustentado -- academicamente e politicamente -- e vou então dar a mão à palmatória e só escreverei coisas boas a respeito dos Brics.

A julgar, porém, por certas votações e propostas de resoluções no Conselho de Segurança da ONU, eu só posso chegar à conclusão de que o mundo dos Brics não é tão perfeito assim, que em face de certos problemas reais eles preferem a recusa, a inação, a omissão, em lugar de assumir certas responsabilidades, que eles são por um mundo de perfeita aceitação da soberania absoluta das nações (ou melhor, dos Estados), em oposição aos direitos dos indivíduos, dos cidadãos, dos simples direitos humanos.
Enfim, o mundo é cruel e arbitrário, todos sabemos, embora algumas situações sejam mais cruéis e arbitrárias do que outras: massacres de civis, por exemplo.
Meu critério é o do indivíduo, não do Estado, e é isso, acho, que me separa da maior parte desses analistas de Brics, que acham que a proposta deles é melhor do que a atualmente existente.
Sinto muito discordar, mas ainda não acho que o mundo dos Brics é melhor do que o atualmente existente.
Sempre quando os analistas e proponentes me PROVAREM que o mundo dos Brics é capaz de garantir tudo aquilo de bondades, que eu descrevi cinco parágrafos acima, estou pronto a revisar minhas concepções e apoiar as propostas dos Brics. Até lá, fico com a modesta racionalidade de meus argumentos.
Grato a todos pela atenção,
Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 22/102011

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Mundorama: artigos mais recentes de Paulo Roberto de Almeida

Os impactos do pensamento estratégico de Francisco Adolfo de Varnhagen, por Paulo Roberto de Almeida

19/02/2016 0
Varnhagen impactou o pensamento historiográfico nacional durante mais de meio século, e todos os homens de Estado, parlamentares, magistrados, diplomatas, acadêmicos e os membros cultos […]

A globalização e o direito comercial: uma longa evolução, por Paulo Roberto de Almeida

06/04/2015 0
O direito comercial, em seu sentido estrito, é bem mais recente do que as formas mais primitivas de comércio entre as comunidades humanas: codificado de […]


Continuar aqui: 



Permito-me remetar a esta publicação: 

O Panorama visto em Mundorama: Ensaios Irreverentes e Não Autorizados (Hartford: Edição do Autor, 2015, 374 p.; DOI: 10.13140/RG.2.1.4406.7682), Hartford, 21 abril 2015, 294 p. Compilação de artigos selecionados publicados em Mundorama, com uma relação dos escritos anteriormente publicados nas Colunas de RelNet. . Disponível em Academia.edu (link: (link: https://www.academia.edu/12038814/29_O_Panorama_Visto_em_Mundorama_2015_2a._edicao_). https://www.academia.edu/12038814/29_O_Panorama_Visto_em_Mundorama_2015_), divulgado no blog Diplomatizzando  (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2015/05/livro-o-panorama-visto-em-mundorama.html). Disponível na plataforma Research Gate (11/08/2015; link: https://www.researchgate.net/publication/280883937_O_Panorama_visto_em_Mundorama_Ensaios_Irreverentes_e_No_Autorizados?showFulltext=1&linkId=55ca738508aeb975674a4d44). 


O Panorama Visto em Mundorama
Ensaios Irreverentes e Não Autorizados

Paulo Roberto de Almeida

Índice


Apresentação                        
O mundo visto no diorama de Mundorama                                                                     11

Primeira Parte
Política externa brasileira e diplomacia companheira
1. Fim das utopias na Casa de Rio Branco?                                                                     17
2. A política externa companheira e a diplomacia partidária                                           21
3. Continuidade e mudança na política externa brasileira                                                 31
4. A diplomacia brasileira numa nova conjuntura política                                               37
5. O Brasil e a integração regional, da Alalc à Unasul: algum progresso?                        41

Segunda Parte
Economia política internacional
6. Mudanças na economia mundial: perspectiva histórica de longo prazo                      55
7. Os Brics na nova conjuntura de crise econômica mundial                                           59
8. A Guerra Fria Econômica: um cenário de transição?                                                   68
9. Desafios da economia brasileira na interdependência global                                        74
10. A agenda econômica internacional: o cenário atual                                                    80
11. Como o Brasil se insere no cenário mundial, agora e no futuro próximo?                 85
12. Como e qual seria uma (ou a) agenda ideal para o Brasil?                                          91
13. O que o Brasil deveria fazer para maximizar a “sua” agenda?                                   99

Terceira Parte
Globalização, Embromação
14. A globalização e o direito comercial: uma longa evolução                                      113
15. Fluxos financeiros internacionais: é racional a proposta de taxação?                     120
16. Fórum Econômico e Fórum Social: dois mundos contraditórios                            129
17. Fórum Social Mundial: uma década de embromação                                              138
18. Triste Fim de Policarpo Social Mundial                                                                149
19. A falência da assistência oficial ao desenvolvimento                                             159

Quarta Parte
Política internacional, Questões estratégicas
20. A guerra de 1914-18 e o Brasil: impactos imediatos, efeitos permanentes            167
21. O mundo sem o Onze de Setembro: explorando hipóteses                                    172
22. Wikileaks: verso e reverso                                                                                     179
23. Wikileaks-Brasil: qual o impacto real da revelação dos documentos?                    187
24. Digressões contrarianistas sobre o desarmamento nuclear                                     197
25. Um congresso de Viena para o século 21?                                                             203
26. As ilusões perdidas do século 21                                                                           210

Quinta Parte
Ideias, cultura, livros
27. A ideia do interesse nacional: onde estamos?                                                         217
28. Imperfeições dos mercados ou “perfeições” dos governos                                    223
29. Miséria do Capital no século 21                                                                            229
30. Reformando o sistema monetário internacional                                                     233
31. As quatro liberdades e um projeto para o Brasil                                                    241
32. Algumas recomendações de leituras                                                                       249
33. Estratégia diplomática: relendo Sun Tzu para fins menos belicosos                      255
34. Memória e diplomacia: o verso e o reverso                                                            264
35. Da democracia à ditadura: uma gradação cheia de rupturas                                    269

Conclusão                              
A diplomacia dos antigos comparada à dos modernos                                                275


Apêndices
Relação cronológica dos ensaios publicados em Mundorama                                      291
Relação dos artigos publicados anteriormente em RelNet                                            298
Livros publicados pelo autor                                                                                       302
Nota sobre o autor                                                                                                       307


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