Sou obrigado a manifestar minha total contrariedade em relação à postura vergonhosa do chefe de Estado e da diplomacia do Brasil, a qual tive a honra de servir por mais de 44 anos, no tocante e essa solidariedade a um criminoso de guerra dos mais horripilantes.
A nota abaixo do presidente Lula é de uma indignidade tal que duvido que algum diplomata de bom senso teria coragem de redigir. Ao mencionar sua “decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em encaminhar uma solução para os conflitos” atuais, o chefe de Estado e da diplomacia brasileira passa por cima do fato que a Rússia de Putin deu início a uma guerra de agressão contra um Estado soberano, violou a Carta da ONU e perpetra CRIMES DE GUERRA, pelos ataques à população civil, e CRIMES CONTRA A HUMANIDADE, pelo sequestro de crianças ucranianas, e que por isso é procurado pelo TPI. Nada disso incomoda o dirigente petista, que ainda pretende sustentar o esforço de guerra russo ao mencionar o desejo de continuar expandindo as importações brasileiras de fertilizantes e combustíveis russos.
Sinto-me envergonhado (e não é a primeira vez) por uma postura indigna das tradições diplomáticas brasileiras.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7/08/2026
Nota da PR:
“Conversei na manhã desta terça-feira, 4 de agosto, com o presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin. No telefonema de cerca de uma hora, repassamos os principais temas da agenda bilateral, com destaque para as reuniões que ocorreram este ano, em Brasília, no âmbito da Comissão de Alto Nível (CAN) e da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica (CIC).
Reforçamos o caráter estratégico das relações Brasil-Rússia e a intenção de intensificar a cooperação em temas como energia, ciência e tecnologia e na área naval. Sublinhei a importância do comércio entre os dois países, com ênfase especial no fornecimento de diesel e fertilizantes.
Também ressaltei a necessidade de buscar maior equilíbrio no intercâmbio comercial, com aumento das exportações brasileiras para a Rússia.
Discutimos também a situação geopolítica atual. Expressei decepção com a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em encaminhar uma solução para os conflitos e sublinhei a importância do diálogo entre as grandes potências em busca da paz.
Nesse contexto, ressaltei os aspectos humanitários dos conflitos e lamentei a perda de vidas humanas, inclusive civis. Expressamos determinação de continuar trabalhando conjuntamente nos foros internacionais, especialmente no BRICS, cujo papel no atual cenário internacional foi enfatizado.
Concordamos também quanto ao valor do multilateralismo, baseado em um mundo multipolar. Mencionei a eleição para o cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas, reiterando o apoio do Brasil à candidatura de Michelle Bachelet.