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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A morte do liberal brasileiro? Um fenômeno preocupante - Paulo Roberto de Almeida

A morte do liberal brasileiro? Um fenômeno preocupante

Paulo Roberto de Almeida

Nota sobre o desaparecimento de uma espécie ameaçada de extinção.

 


Antigamente, mas muito antigamente, o liberal brasileiro era uma espécie extremamente rara nas terras castigadas da inteligência nacional. Os poucos que existiam viviam quase desprezados entre a massa de estatizantes nacionalistas, os conservadores de boa cepa, quase todos educados, poucos carnívoros, e um punhado de esquerdistas divididos entre marxistas acadêmicos, trotsquistas semi-clandestinos, comunistas do Partidão (depois desafiados pelos maoistas) e várias outras seitas obscuras nessa área.

Os liberais tinham lido os economistas do século XIX, Hayek, Milton Friedman e até Eugenio Gudin (o Roberto Campos dessa época ainda acreditava em certas ideias estatais, mas já era conhecido como Bob Fields). Eles eram muito cultos e por isso mesmo viviam quase reclusos, pois tinham pouca gente com quem conversar e trocar ideias sobre os caminhos e os desafios do desenvolvimento brasileiro.

Os conservadores e os estatizantes ocupavam todo o espaço nacional de debates e propostas, ao passo que a Academia se inclinava para o marxismo e o desevolvimentismo socialdemocrata.

O fim do socialismo trouxe-lhes certo alento, mas foi de pouca duração, pois o sindicalismo gramsciano passou a ocupar corações e mentes de muita gente. Foi só quando o populismo econômico dessa esquerda que nunca se modernizou produziu a maior crise desde 1929-31 que as vias pareciam abertas para os liberais, infelizmente classificados imediatamente de “neoliberais” pela esquerda, e assim eles se retraíram novamente.

Mas uma extrema-direita muito burra e ressentida, formada por saudosistas do regime militar, logo ocupou os espaços que deveriam servir de base de ação para os remanescentes do pensamento liberal legitimo.

O mais triste é que os liberais de verdade se renderam quase que inteiramente aos extremistas de uma direita muito burra, no limite da estupidez irremediável. Passaram a apoiar, inclusive, os mais estúpidos dentre essa extrema-direita ignorante e ressentida, ainda misturada a gente muito corrupta e entreguista.

Quase não se ouve a voz dos poucos liberais que sobraram, esmagados pela dominação politica dessa extrema-direita desprovida de qualquer inteligência prática e de qualquer sentimento de dignidade nacional, pois que resoveu se entregar a um autocrata desequilibrado que se pretende um novo imperador hemisférico.

Simplesmente, não existem mais liberais no Brasil, pelo menos que tenham expressão e capazes de se contrapor a essa extrema direita das mais estúpidas que já apareceram nestas terra onde canta o sabiá.

Vai demorar para poder encher uma minivan com liberais e promover um encontro intelectual com representantes brasileiros da Société du Mont Pélerin.

Vou continuar mapeando o cenário.

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 23/10/2026

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