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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Ciência, soberania nacional e relações internacionais - Paulo Roberto de Almeida

  

Ciência, soberania nacional e relações internacionais

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Texto para interação com alunos e professores do grupo de estudos de Filosofia da Física, na UFMS, em 24/09/2026, 18hs; coordenação Prof. Vinicius Silva. Apresentado a uma audiência numerosa e curiosa.

 

Concebo este primeiro encontro que tenho na UFSM — desde que aqui estive em 1977, para um curso sintético sobre processos de urbanização e democratização para funcionários do Estado criado poucos anos antes, num programa de cooperação com a UniCamp —, mais como uma oportunidade de interagir com pares, em maioria mais jovens do que eu mesmo, do que para proferir uma palestra ex-cathedra para todos vocês. Em todo caso, procurarei ater-me aos temas sugeridos: “Ciência, soberania nacional e relações internacionais”, com algumas inovações.

Então vou simplesmente colocar algumas poucas ideias sobre os três conceitos e aguardar reações, inquirições e contestações, a partir de minha já longa imersão nesses mesmos temas, desde meados dos anos 1960, aproximadamente, quando, ainda adolescente, comecei a mergulhar em “leituras de gente grande”, não apenas marxismo, e muito marxismo, mas sobretudo os grandes mestres da teoria social brasileira, alguns dos quais eu esperava ter como professor ao ingressar em Ciências Sociais da Fefelech-USP, em 1968, mas que foram, em seguida ao AI-5, aposentados compulsoriamente no início de 1969. Fiquei sem os professores dos quais já havia lido algumas obras, e depois de ver a universidade invadida diversas vezes por tropas armadas do Exército, resolvi abandonar o curso e rumar para um autoexílio na Europa.

Vejamos, então, o que eu poderia dizer de inteligente sobre os três temas do título.

Ciência é uma construção coletiva, sobretudo atualmente, depois dos lampejos individuais entre a revolução cientifica do século XVII e a segunda revolução industrial, o que deu lugar à explicação kuhniana sobre a emergência e prevalência de repturas teóricas no itinerário da pesquisa cientifica. Portugal e o Brasil chegaram infelizmente um pouco tarde na preeminência dos métodos científicos, dada a prevalência da Contrarreforma e do excesso de centralidade estatal. Mas o Brasil possui na atualidade um establishment de pesquisas que consegue acompanhar o estado da arte científica dos centros avançados, mas infelizmente sem dispor dos meios e dos recursos necessários para dar grandes saltos coletivos, embora produzindo boas surpresas em caráter e escala mais restritos.

A soberania nacional, por sua vez, é muito alardeada, geralmente em tonalidades patrioteiras, para fins de populismo politico oportunista, sem que ela esteja realmente em risco, a não ser por arroubos externos, e histéricos, de um dirigente demencial, como ocorre atualmente no plano hemisférico, e que encontra repercussão interna, de forma abjetamente submissa e voluntária por parte de deploráveis personagens políticos. O primeiro mandato do capitão elogiador de torturadores, que conseguiu a proeza desprezível de vincular os três conceitos no primeiro mandato, da pior forma possível: ele desprezou, ofendeu e humilhou a ciência e os cientistas, atacando as universidades, sobretudo as faculdades de ciências humanas, alienou deliberadamente, sistematicamente, repetidamente a soberania nacional, ao se submeter aos arreganhos de Trump 1 – a quem declarou amar, num inglês simplório – e, em terceiro lugar, desmantelou completamente a credibilidade da diplomacia profissional, ao defender teses vinculadas à franja lunática dos grupos direitistas americanos que defendem as teorias conspiratórias sobre as relações internacionais.

Justamente, o último termo da tríade proposta, concerne as relações exteriores do Brasil e o cenário internacional, que arrisca repetidamente nos cair sobre nossas cabeças, como sempre temeu o chefe Abraracourcix, da valente aldeia dos irredutíveis gauleses. O Brasil não tem nenhuma poção mágica, para resistir às investidas das modernas legiões de invasores arrogantes de um império já declinante, mais mentalmente do que materialmente. Temos apenas a defesa do Direito Internacional e a faculdade de nos aliarmos a outras potências médias, para evitar sermos tragados nos projetos imperiais das grandes potências. Cabe esclarecer que a fragmentação do sistema onusiano e o desmantelamento das grandes regras e princípios sobre os quais deveriam reger-se as relações entre Estados soberanos não começou com o desequilibrado dirigente do império americano, mas teve a sua partida começou desde o início do presente século, com o ambicioso programa do neoczar de restabelecer a dimensão dos passados domínios imperiais do czarismo e do sovietismo.

Tendo me exercido como diplomata profissional, nem sempre disciplinado, por mais de quatro décadas – com treze mudanças acumuladas, e milhares de quilometros percorridos nos mais diversos continentes – creio que tenho algo a dizer sobre os três temas mencionados, por razões mais ou menos prosaicas: em diversos dos postos nos quais trabalhei, ademais das questões de relações econômicas internacionais, minha principal especialização profissional, também me exerci como encarregado dos temas de ciência e tecnologia, em Genebra, por exemplo, onde cobri as atividades da OMPI e da Unctad e cheguei a assinar, pessoalmente, algumas revistas científicas, ademais de me abastecer de livros nessa área. Em Washington, também foi o caso, justo no momento em que o governo FHC assinava, com o governo de Bill Clinton, um primeiro acordo de salvaguardas tecnológicas para o lançamento de satélites com componentes americanos a partir da Base de Alcântara, infelizmente sabotado pelo Congresso, com o que o Brasil perdeu não apenas anos, mas décadas de aproveitamento da base para lançamentos comerciais, podendo portanto competir com base francesa de Kourou, na Guiana. Quando o Itamaraty do primeiro governo Lula me recusou qualquer cargo na Secretaria de Estado – e isso durou treze anos e meio, todo o primeiro período de governos petistas –, o Secretário de Comunicação Luiz Gushiken, um dos membros da Troika (com Palocci e José Dirceu) me convidou como assessor especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da PR, uma aventura que durou três anos aproximadamente, até a saída do grão-petista, por razões de saúde.

No que se refere ao segundo item, soberania nacional, sempre mantive uma postura cética quanto a grandes proclamações patrioteiras nessa área, pois imagino que a soberania não se defende com palavras, proclamações, ou declarações entusiásticas ou indignadas, mas ela se exerce, na prática, pelos meios defensivos adequados, mas sobretudo com a construção de meios próprios de suficiência no abastecimento estratégico – alimentação, energia, comunicações e segurança, no seu conceito mais amplo –, assim como, eventualmente, por meio da cooperação com parceiros confiáveis, com base numa compreensão convergente das ameaças e desafios que podem se apresentar em circunstâncias excepcionais. Poucos países são inteiramente autônomos em todas as vertentes da defesa da soberania nacional, talvez apenas os EUA e a China, ainda assim com várias necessidades cobertas pelo comércio exterior ou por acordos especiais do lado militar, tecnológico, energético e outros. A Rússia, por exemplo, supostamente a segunda força militar do mundo, faz apelo a drones iranianos e a mísseis e soldados norte-coreanos, ademais de uma ampla variedade de insumos chineses, para manter sua guerra de agressão contra a Ucrânia.

Acredito, pessoalmente, que a soberania nacional começa fundamentalmente pelo ensino primário de qualidade, algo que o Brasil ainda não conseguiu oferecer a todos os seus cidadãos em idade de alfabetização obrigatória, a não ser alcançar a taxa de escolarização adequada mais ou menos 150 anos depois dos países líderes em cobertura educacional; mas aqui estamos falando apenas do lado quantitativo do ensino, não do seu conteúdo substantivo, que é o que conta mais, como aprendemos pelos testes da OCDE do PISA, nos quais figuramos tristemente nas últimas e vergonhosas colocações, nos três testes, língua nacional, matemáticas e ciências elementares, para estudantes secundaristas. Ainda temos analfabetos funcionais em várias partes.

Relações internacionais, finalmente, não é algo que possamos controlar, influenciar ou sequer moldar para a melhor adaptação às nossas necessidades. Cabe observar que, a partir de meados do século XIX, a diplomacia brasileira participou ativamente de todos os arranjos discutidos e adotados em conferências internacionais: patentes, cabos telegráficos, propriedade intelectual, segurança, arbitragem, acordos comerciais (primeiro bilaterais, depois coletivamente na era do Gatt), e tudo o que se possa pensar como produtos multilaterais no âmbito da ONU. Nossa interação é suficientemente ampla, mas nossa capacidade decisória é limitada, daí o apelo a coalizões, geralmente no âmbito do chamado Terceiro Mundo, ou atualmente o tal de Sul Global, a mais recente designação de uma realidade que nos acompanha há séculos. Mas, se quiséssemos realmente defender nossa soberania, no âmbito da política externa, já teríamos ingressado na OCDE, em lugar de estar no Brics+, esse Frankenstein diplomático que apenas serve aos interesses nacionais da China e da Rússia, ou teríamos buscado coalizões com like-minded countries, que são outras potências médias, do Norte e do Sul (o que é irrelevante), em lugar de buscar liderança no âmbito dessa fantasmagoria chamada Sul Global, ou mesmo no contexto da América do Sul (o que é recusado pelos demais países de nossa circunstância geográfica orteguiana). 

Mas, prefiro encerrar provisoriamente minhas considerações pessoais sobre os três temas indicados no menu de entrada, e passar a interagir com todos vocês sobre as questões realmente sunstantivas que possam suscitar curiosidade, contestação, contradição da parte de todos, agora esperando que eu possa dizer algumas coisas inteligentes sobre as dúvidas subjacentes às minhas provocações intelectuais dirigidas a vocês. Vamos, portanto, às questões principais que possam agitar esta nossa oportunidade de diálogo nos assuntos nos quais o engenho e a arte desde modesto acadêmico diplomático possam oferecer alguns argumentos racionais.

Muito obrigado, passemos à parte mais interessante: a interação entre iguais.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5450: 8 setembro 2026, 4 p.

 

 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O poder dos sem poder – Hubert Alquéres (Revista Será?)

O poder dos sem poder

Hubert Alquéres

 Revista Será? ANO XIV

Em um sistema internacional cada vez mais assimétrico e instável, Hubert Alquéres analisa o dilema das potências médias diante da erosão das regras e do avanço do poder bruto. Inspirado em Václav Havel, o autor mostra que, para países como Canadá e Brasil, o verdadeiro poder não está na força, mas na defesa persistente da institucionalidade, do multilateralismo e da previsibilidade. Um texto lúcido sobre prudência estratégica, autonomia e realismo num mundo em ruptura.

Seque o link para o artigo.

https://bit.ly/4roWpvB


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domingo, 10 de agosto de 2025

Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (2025) - Paulo Roberto de Almeida

Já em pré-venda, no Ateliê de Humanidades  


Prefácio
Fernando Paulo de Mello Barreto Filho

A título de apresentação:
Uma nota pessoal sobre minhas afinidades eletivas

1. Uma história intelectual: paralelas que se cruzam
1.1. Por que uma história intelectual paralela?
1.2. Por que vidas paralelas numa história intelectual?
1.3. Quão “paralelos” são Rubens Ricupero e Celso Lafer?
1.4. A importância de Ricupero e de Lafer nas relações internacionais do Brasil
1.5. O sentido ético de uma vida dedicada à construção do Brasil

2. Rubens Ricupero: um projeto para o Brasil no mundo
2.1. Do Brás italiano para o Rio de Janeiro cosmopolita
2.2. Um começo desconcertante na vida diplomática
2.3. Uma carreira progressivamente ascendente, pela via amazônica
2.4. Afinidades eletivas com base no estudo do Brasil e no conhecimento do mundo
2.5. Professor de diplomatas e de universitários, no Instituto Rio Branco e na UnB
2.6. O assessor internacional e o Diário de Bordo da viagem de Tancredo Neves
2.7. O Brasil no sistema multilateral de comércio
2.8. O mais importante plano de estabilização da história econômica brasileira
2.9. Unctad: a batalha pela redução das desigualdades globais
2.10. Um pensador internacionalista, o George Kennan brasileiro
2. 11. A figura incontornável de Rio Branco, o paradigma da ação diplomática
2.12. Brasil: um futuro pior que o passado?
2.13. O Brasil foi construído pela sua diplomacia? De certo modo, sim
2.14. Quais as grandes leituras de Rubens Ricupero?

3. Celso Lafer: um dos pais fundadores das relações internacionais no Brasil
3.1. A abertura de asas de um intelectual promissor
3.2. A tese de Cornell sobre o Plano de Metas de JK
3.3. Irredutível liberal: ensaios e desafios
3.4. As relações econômicas internacionais: reciprocidade de interesses
3.5. A trajetória de Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil
3.6. Direitos humanos: a dimensão moral do trabalho intelectual
3.7. Um diálogo permanente com Hannah Arendt
3.8. Norberto Bobbio: afinidades eletivas com o sábio italiano
3.9. A aventura da revista Política Externa e seu papel no cenário editorial
3.10. A diplomacia na prática: a primeira experiência na chancelaria, 1992
3.11. A diplomacia na prática: a segunda experiência na chancelaria, 2001-2002
3.12. No templo dos imortais: “intelectual militante” e “observador participante”
3.13. O judaísmo laico de Lafer e a unidade espiritual do mundo de Zweig
3.14. Uma coletânea dos mais importantes artigos num amplo espectro intelectual
4. Paralelas convergentes: considerações finais
4.1. Bildung pessoal nas relações internacionais do Brasil
4.2. A dupla dimensão das vidas paralelas
4.3. Dois “professores” e não só de política externa
4.4. A République des Lettres do Itamaraty e dois dos seus representantes

Bibliografia

Em venda na Amazon.com.br (link).

domingo, 13 de outubro de 2024

Desculpem-me ser realista mais uma vez - Paulo Roberto de Almeida

Desculpem-me ser realista mais uma vez: Paulo Roberto de Almeida Meu recado - talvez prognósticos - sobre a política internacional e sobre a política nacional: não esperem nada melhor nos próximos 10 anos, seja de qual lado for. O que eu quero dizer com isso? Corrida armamentista intensificada, por um lado, consumindo mais recursos coletivos para produzir maior letalidade humana, e mais corrupção política e mais crime organizado, do outro lado, com menor bem-estar para todos aqueles que trabalham honesta e duramente. Ou seja, destruição de valor dos dois lados, mas, ainda assim, muitos abnegados criando valor, a despeito de tudo! Assim caminha a humanidade. Sorry folks, mas não vejo um futuro resplandecente para a humanidade no futuro próximo: ainda estamos muito próximos dos nossos ancestrais, o que significa que continuará existindo grande inventividade para avançar na criação de mais valor para a maioria, mas certos instintos primitivos usarão isso para atender às suas paixões e interesses exclusivos, diminuindo ou destruindo uma parte do bem-estar (valor) dos demais, que podem ser uma minoria, em certos paises, mas uma maioria em outros. Já sabemos quais são, quem são. Os suspeitos de sempre. Não vai mudar muito em uma ou duas gerações, mas espero que não seja para pior: já temos distopias suficientes espalhadas por aí, vindas dos mais variados horizontes. Querem dois exemplos? Putin e Trump, duas almas gêmeas, unidas na mentira, na desfaçatez e na perversidade egoista. Tem outros menores, com graus de destruição mais limitada nacionalmente ou regionalmente, tipo Maduro, Bolsonaro, Ortega, Orban e Netanyahu. Se tipos como eles prevalecerem, a humanidade se tornará mais miserável no futuro previsível. Como diria um dos investigadores gêmeos do Tintin: C’est mon opinion, mais je la partage. Sorry again! Paulo Roberto Almeida Uberlândia, 13/10/2024

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Relações internacionais, política externa do Brasil e carreira diplomática, Aula Inaugural 2021, Paulo Roberto de Almeida

Relações internacionais, política externa do Brasil e carreira diplomática

Paulo Roberto de Almeida

Notas para aula inaugural no quadro do curso do Ibmec Global Affairs, em 20/08/2021.

      Residente que fui nos Estados Unidos, por duas vezes, ademais de diversas outras viagens de trabalho, acadêmicas ou de simples lazer naquele país continente, que atravessei duas vezes costa a costa, do Atlântico ao Pacífico, e várias outras vezes no sentido Norte-Sul ou em diagonal, percorrendo a quase totalidade dos seus estados federados – faltou o Dakota do Norte, no território continental, o Alaska e o Havaí, no Pacífico, e o estado associado de Porto Rico, para completar toda a nação – posso dizer que conheço razoavelmente aquela grande nação.

 (...)

Pois, num dos boletins eletrônicos que recebo regularmente, este, da New Yorker, a irreverente revista mensal de uma das melhores cidades do mundo, trazia a seguinte manchete provocadora: “Does the Great Retreat from Afghanistan Mark the End of the American Era?”, (16/08/2021; link para a minha postagem no blog Diplomatizzando: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/08/does-great-retreat-from-afghanistan.html), por Robin Wright, uma das melhores colunistas da revista desde 1988. Repito, em português: “A Grande Retirada do Afeganistão marca o fim da Era Americana?”, interrogação, pois o colunista tem dúvidas sobre se isso representa uma fatalidade ou um processo reversível. Vamos, pois, examinar os dados da questão, e depois tentar ver como se situa o Brasil e a nossa política externa em face dessas questões. Finalmente, tratarei muito brevemente sobre os impactos disso tudo sobre a minha profissão e sobre a de muitos dos que me leem ou assistem minha exposição.

(...)

Ler a íntegra desta aula inagural neste link.

 

 


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Relações internacionais, política externa do Brasil e carreira diplomática: reflexões de um diplomata não convencional - Paulo Roberto de Almeida

 

Relações internacionais, política externa do Brasil e carreira diplomática: reflexões de um diplomata não convencional

 

Paulo Roberto de Almeida

Notas para aula inaugural no quadro do curso do Ibmec Global Affairs, em 20/08/2021, 19hs.

 

Agradecimentos pelo convite.

Como sempre faço, tomo notas do que gostaria de expor, mas como também sempre acontece, fica muito grande, e por isso acabo não lendo, mas colocando à disposição de todos as minhas reflexões do momento, para que todos possam ler com mais calma, do que numa exposição ex-catedra, que teria virtudes dormitivas.

Comecei pelo assunto do momento, a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão e o reflexo disso para as relações internacionais e para a posição dos EUA, e para isso me vali de um interessante artigo na revista The New Yorker, da colunista Robin Wright, “Does the Great Retreat from Afghanistan Mark the End of the American Era?” (16/08/2021; que coloquei à disposição de todos em uma postagem no meu blog Diplomatizzando: “A Grande Retirada do Afeganistão marca o fim da Era Americana?”).

Faço uma série de considerações sobre a questão dos Impérios, um pouco com base na conhecida obra de Arnold Toynbee, Estudo da História, mas também recomendo um livro que estou lendo atualmente: Empires in World History, de Jane Burbank e Frederich Cooper, que downloadei no meu Kindle (Princeton, 2010). É um livro diferente das histórias convencionais, pois que justamente trata das questões de poder, desde a antiga Roma e a China até o fim do sistema imperial, o que não está perto de ocorrer. Não vou retomar aqui tudo o que escrevi sobre os variados impérios, com destaque para o americano, em aparente declínio, até a irresistível ascensão da China e a sua volta ao seu antigo status imperial. Apenas me refiro ao fato de que o moderno sistema de relações internacionais, baseado numa representação supostamente igualitária dos Estados nacionais, têm no máximo 75 anos, ou seja, pouco mais de três gerações. O próprio sistema de Estados nacionais, se sistema existe, têm aproximadamente quatro ou cinco séculos, mas isso de uma perspectiva ocidental, pois que outros impérios e civilizações existiram, coexistiram se combateram e se suplantaram durante muitos séculos antes, e em várias outras regiões do mundo.

O império chinês, que existiu por meio de mais de duas dezenas de dinastias, através dos séculos, por mais forte e inovador que tenha sido, não pode evitar sua conquista por povos de fora de suas muralhas supostamente inexpugnáveis: os mongóis, no século XII, e os manchus, no século XVII. O império romano do Ocidente, com sua capital em Roma, existiu durante mais de quatro séculos, até ser submerso pelos povos germânicos ou eslavos que viviam na sua periferia, no século V despois de Cristo. O império romano no Oriente, com sua capital em Constantinopla, ou Bizâncio, sobreviveu durante mil anos, aproximadamente, até ser conquistado pelos otomanos, que mantiveram, por sua vez, o seu império por mais de 600 anos.

Mais próximo de nós, o império britânico, o maior do mundo entre o final do século XIX e o início do XX, dominou o comércio internacional, pagamentos e financiamentos durante décadas, até o seu declínio, a partir da Grande Guerra e finalmente em Suez. Foi a partir de 1917 que tem início a era do império americano, começando pelo lado financeiro para depois se traduzir num domínio econômico e estratégico claramente preeminente, pelo resto do século XX: o século americano parecia predestinado a durar mais um século inteiro, todo o século XXI. A China recém emergia dos anos destruidores de maoísmo demencial – depois do fracasso mortífero do Grande Salto para a Frente e dos anos turbulentos da Revolução Cultural – e não parecia estar minimamente em condições de desafiar a superpotência americana.

O que assistimos, nos últimos trinta anos, desde os anos 1990, quando começa, verdadeiramente, a fulgurante ascensão da China, foi algo absolutamente excepcional na história econômica mundial, jamais visto nos registros de crescimento econômico e de capacitação tecnológica e de construção de poderio militar.

O mundo está próximo, agora, de ver a China conquistar o primeiro lugar na formação do PIB global, como já é o caso em grande parte do comércio internacional e será certamente o caso dos investimentos diretos e dos financiamentos em mais alguns anos. Os chineses, não alcançarão, provavelmente, o PIB per capita dos americanos no corrente século ou em qualquer tempo, mas existem outros elementos que sinalizam a mudança de cenário.

Três observações podem ser feitas a esse respeito. Em primeiro lugar, a ascensão da China não significa, inevitavelmente, o declínio, mesmo relativo, do poderio científico e tecnológico ocidental, ou seja, americano, europeu, japonês (e de alguns outros membros do clube das nações avançadas). Em segundo lugar, o impulso excepcional da China pode não ser tão irresistível quanto parece atualmente, sobretudo em vista de tremores geopolíticos na Ásia Pacífico ou no próprio Império do Meio, Em terceiro lugar, não se pode conceber que, após essa “era americana” – que ainda não terminou, cabe esclarecer – virá uma “era chinesa”, o que está longe de ser admitida universalmente ou consensualmente.

A China também foi humilhada ao longo de sua história, duas vezes por invasores que não se intimidaram com o seu tamanho e desprezaram solenemente a Grande Muralha, e mais algumas outras vezes pelas potências ocidentais, nas guerras do ópio e na destruição do Palácio de Verão, em meados do século XIX,

Os impérios que humilharam a China já não poderão voltar a fazê-lo novamente, e os impérios que ainda restam já não podem ignorar solenemente os Estados nacionais, como frequentemente fizeram no passado. O mundo mudou, mas veleidades imperiais permanecem presentes, assim como as mesmas paixões e instintos que deslancharam a guerra de Troia permanecem invariavelmente humanas, mesmo a uma distância de milhares de anos.

Como se situa o Brasil no presente contexto de uma incerta multipolaridade?

Nos trinta anos precedentes, o Brasil e o Itamaraty construíram as bases conceituais de suas relações exteriores e os instrumentos operacionais de uma diplomacia autônoma e soberana, identificadas, ambas, com os grandes interesses do desenvolvimento nacional, em todos os planos: bilateral, regional e multilateral.

A política externa, a gestão ambiental, a condução da cultura e a da educação nunca corresponderam, no atual governo, a padrões compatíveis com o que se espera de uma administração normal, dotada de um programa qualquer que pudesse garantir estabilidade macroeconômica e programas setoriais voltados para o crescimento, o emprego e ganhos de produtividade necessários para enfrentar a competição econômica num mundo globalizado.

Examinei, em quatro livros digitais, fase de demolição completa dos fundamentos conceituais e de sua substância operacional nos dois anos e três meses em que perduraram os desatinos e loucuras perpetrados por quem chamei de “chanceler acidental”, sendo que os efeitos da virtual derrocada de nossa credibilidade no exterior não foram ainda totalmente superados, uma vez que a política externa continua a ser marcada pela mesma autoridade incompetente. Esses livros receberam os significativos nomes de Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (2019), O Itamaraty num labirinto de sombras: ensaios de política externa e de diplomacia brasileira e Uma certa ideia do Itamaraty: a reconstrução da política externa e a restauração da diplomacia brasileira (ambos de 2020) e O Itamaraty Sequestrado: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo, 2018-2021, o mais recente. A esses, se seguirá um novo livro, Apogeu e demolição da política externa: itinerários da diplomacia brasileira (em versão impressa, pela Editora Appris).

Não pretendo refazer aqui todas as críticas e comentários que já formulei a propósito da miséria da nossa atual política externa e dos descompassos de nossa diplomacia – no momento felizmente liberta das loucuras alucinadas e alucinantes do ex-chanceler acidental –, tanto porque já disso tudo o que poderia ser dito nesses cinco livros mencionados acima. Mas cabem algumas palavras de alento aos que pensam em seguir a carreira diplomática e que se preparam seriamente para tal.

Como diz o famoso bordão: não há bem que nunca acabe, e não há mal que sempre dure. O Itamaraty e a política externa passaram por turbulências inéditas em nossa história independente, mas uma recuperação está em curso, e ela se completará no próximo governo.

A carreira diplomática é uma das mais atraentes na burocracia federal, pelo menos para aqueles que não estão apenas à procura de um emprego público, mas que, sim, tenham a vocação internacionalista, possuam um bom preparo intelectual e se sintam totalmente à vontade numa vida nômade, feita de postos excelentes, muitos médios e algumas situações de dificuldades materiais no vasto mundo da periferia do capitalismo global.

 “Dez Regras Modernas de Diplomacia” (Chicago, 22 de julho de 2001; 19/08/2021: link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/08/regras-modernas-e-sensatas-de.html).

Se ouso concluir, seria por uma nota de otimismo. No Brasil, depois de surpresas e frustrações, retomaremos nosso inevitável processo de crescimento econômico, visando um grau maior de desenvolvimento social, o que virá, no devido tempo, e reconstruiremos também a nossa política externa e a diplomacia de qualidade, uma vez afastados os novos bárbaros do poder. É uma questão de persistência, de resiliência, de insistência no caminho iniciado 200 anos atrás, que construiu uma das melhores diplomacias entre novas nações saídas do colonialismo e uma política externa das mais respeitadas entre países em desenvolvimento.

De minha parte, continuarei me exercendo em minhas vantagens comparativas relativas, que estão na pesquisa, no estudo, na reflexão e na escrita e publicação de materiais diversos atinentes às relações internacionais do Brasil, à sua política externa e à sua diplomacia, cujo itinerário estou concluindo com plena satisfação intelectual e um registro de boas obras realizadas, no plano profissional e no acadêmico.

Muito obrigado.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3960, resumo: 19 agosto 2021, 14 p.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Mais um livro terminado, à espera de editor...

 

Vidas Paralelas: 

Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil

 

Paulo Roberto de Almeida 


Índice 

  

A título de apresentação:

Uma nota pessoal sobre minhas afinidades eletivas , 9

 

1. Uma história intelectual: paralelas que se cruzam , 13

1.1. Por que uma história intelectual paralela? , 13

1.2. Por que vidas paralelas numa história intelectual? , 15

1.3. Quão “paralelos” são Rubens Ricupero e Celso Lafer? , 18

1.4. A importância de Ricupero e de Lafer nas relações internacionais do Brasil , 22

1.5. O sentido ético de uma vida dedicada à construção do Brasil , 24

 

2. Rubens Ricupero: um projeto para o Brasil no mundo , 27

2.1. Do Brás italiano para o Rio de Janeiro cosmopolita , 27

2.2. Um começo desconcertante na vida diplomática , 30

2.3. Uma carreira progressivamente ascendente, pela via amazônica , 35

2.4. Afinidades eletivas com base no estudo do Brasil e no conhecimento do mundo, 40

2.5. Professor de diplomatas e de universitários, no Instituto Rio Branco e na UnB, 44

2.6. O assessor internacional e o Diário de Bordo da viagem de Tancredo Neves, 54

2.7. O Brasil no sistema multilateral de comércio 65

2.8. O mais importante plano de estabilização da história econômica brasileira , 79

2.9. Unctad: a batalha pela redução das desigualdades globais , 91

2.10. Um pensador internacionalista, o George Kennan brasileiro , 102

2. 11. A figura incontornável de Rio Branco, o paradigma da ação diplomática, 110

2.12. Brasil: um futuro pior que o passado? , 119

2.13. O Brasil foi construído pela sua diplomacia? De certo modo, sim, 123

2.14. Quais as grandes leituras de Rubens Ricupero? , 129

 

3. Celso Lafer: um dos pais fundadores das relações internacionais no Brasil , 137

3.1. A abertura de asas de um intelectual promissor , 137

3.2. A tese de Cornell sobre o Plano de Metas de JK , 140

3.3. Irredutível liberal: ensaios e desafios , 145

3.4. As relações econômicas internacionais: reciprocidade de interesses , 150

3.5. A trajetória de Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil , 157

3.6. Direitos humanos: a dimensão moral do trabalho intelectual , 165

3.7. Um diálogo permanente com Hannah Arendt  , 171

3.8. Norberto Bobbio: afinidades eletivas com o sábio italiano , 175

3.9. A aventura da revista Política Externa e seu papel no cenário editorial , 181

3.10. A diplomacia na prática: a primeira experiência na chancelaria, 1992 , 186

3.11. A diplomacia na prática: a segunda experiência na chancelaria, 2001-2002,199

3.12. No templo dos imortais: “intelectual militante” e “observador participante”, 212

3.13. O judaísmo laico de Lafer e a unidade espiritual do mundo de Zweig, 223

3.14. Uma coletânea dos mais importantes artigos num amplo espectro intelectual, 234


4. Paralelas convergentes: considerações finais , 241

4.1. Bildung pessoal nas relações internacionais do Brasil , 239

4.2. A dupla dimensão das vidas paralelas , 242

4.3. Dois “professores” e não só de política externa , 243

4.4. A République des Lettres do Itamaraty e dois dos seus representantes , 245

 

Bibliografia geral , 251

 

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Trajetória de Paulo Roberto de Almeida nas relações internacionais - relação de livros por editoras comerciais e em edições digitais

 Trajetória de Paulo Roberto de Almeida nas relações internacionais, nas relações exteriores do Brasil e na diplomacia brasileira: um itinerário acadêmico-prático

Paulo Roberto de Almeida

Relação de meus trabalhos nos campos afetos à política internacional e do Brasil, como refletido em livros publicados desde os anos 1990.

 

Seleção dos livros publicados por editoras comerciais: 23

 

1)      55) Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação (Brasília: 15 maio 2023, 310 p.; em publicação. Relação de trabalhos n. 4397)

2)      50) Apogeu e demolição da política externa: itinerários da diplomacia brasileira (Curitiba: Appris, 2021, 291 p.; ISBN: 978-65-250-1634-4)

3)      36) Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (Boa Vista: Editora da UFRR, 2019, 165 p.; ISBN livro impresso: 978-85-8288-201-6; ISBN livro eletrônico: 978-85-8288-202-3)

4)      35) Contra a corrente: Ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais do Brasil (2014-2018) (Curitiba: Appris, 2019, 247 p.; ISBN: 978-85-473-2798-9)

5)      33) O homem que pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Appris, 2017, 373 p.;ISBN: 978-8547304850)

6)      32) Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (3ª edição; Brasília: Funag, 2017; 2 vols.; 964 p.; ISBN: 978-85-7631-675-6).

7)    31) Nunca Antes na Diplomacia…: a política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Editora Appris, e-book, 2016, 450 p.; 1366 KB; Kindle, ASIN: B0758G8BXL).

8)   21) Nunca Antes na Diplomacia...: A política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Editora Appris, 2014, 289 p.; ISBN: 978-85-8192-429-8).

9)    19) Integração Regional: uma introdução (São Paulo: Saraiva, 2013, 192 p.; ISBN: 978-85-02-19963-7).

10)   18) Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (Rio de Janeiro: LTC, 2012, 328 p.; ISBN: 978-85-216-2001-3). 

11)   17) Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização. Rio de Janeiro: Lumen Juris Editora, 2010, xx+272 p.; ISBN: 978-85-375-0875-6). 

12)   14) O Estudo das Relações internacionais do Brasil: um diálogo entre a diplomacia e a academia (Brasília: LGE Editora, 2006, 385 p.; ISBN: 85-7238-271-2).

13)   Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (2ª edição; São Paulo: Editora Senac, 2005, 680 pp., ISBN: 85-7359-210-9).

14)   12) Relações internacionais e política externa do Brasil: história e sociologia da diplomacia brasileira (2ª ed.: revista, ampliada e atualizada; Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004, 440 p.; ISBN: 85-7025-738-4). 

15)   09) Os primeiros anos do século XXI: o Brasil e as relações internacionais contemporâneas (São Paulo: Editora Paz e Terra, 2002, 286 p.; ISBN: 85-219-0435-5).

16)   8) Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (São Paulo: Editora Senac, 2001, 680 pp., ISBN: 85-7359-210-9).

17)   7) Le Mercosud: un marché commun pour l’Amérique du Sud. Paris : L’Harmattan, 2000, 160 p.; ISBN: 2-7384-9350-5). 

18)   6) O estudo das relações internacionais do Brasil (São Paulo: Editora da Universidade São Marcos, 1999, 300 p.; ISBN: 85-86022-23-3).

19)   5) O Brasil e o multilateralismo econômico (Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, na coleção “Direito e Comércio Internacional”, 1999, 328 p.; ISBN: 85-7348-093-9).

20)   4) Velhos e novos manifestos: o socialismo na era da globalização (São Paulo: Editora Juarez de Oliveira, 1999, 96 p.; ISBN: 85-7441-022-5).

21)   3) Mercosul: Fundamentos e Perspectivas (São Paulo: Editora LTr, 1998, 160 p.; ISBN: 85-7322-548-3).

22)   2) Relações internacionais e política externa do Brasil: dos descobrimentos à globalização (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1998, 360 p.; ISBN: 85-7025-455-5).

23)   O Mercosul no contexto regional e internacional (São Paulo: Edições Aduaneiras, 1993, 204 p.; ISBN: 85-7129-098-9).

 

Seleção dos livros publicados digitalmente: 19

 

1)    51) A grande ilusão do Brics e o universo paralelo da diplomacia brasileira (Brasília: Diplomatizzando, 2022, 277 p.; 1377 KB; ISBN: 978-65-00-46587-7; ASIN: B0B3WC59F4)

2)    49) O Itamaraty sequestrado: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo, (Brasília: Diplomatizzando, 2021, 130 p. ISBN: 978-65-00-22215-9; ASIN: B094V28NGD)

3)    48) Uma certa ideia do Itamaraty: a reconstrução da política externa e a restauração da diplomacia brasileira(Brasília: Diplomatizzando, 2020, 169 p.; ISBN: 978-65-00-19254-4; Academia.edu)

4)    46) A ordem econômica mundial e a América Latina: ensaios sobre dois séculos de história econômica (Brasília: Diplomatizzando, 2020; 394 p.; 2286 KB; ISBN: 978-65-00-05967-0; Kindle, ASIN: B08CCFDVM2)

5)    45) O Mercosul e o regionalismo latino-americano: ensaios selecionados, 1989-2020 (Brasília: Diplomatizzando, 2020; 497 p.; 2537 KB; ISBN: 978-65-00-05970-0; Kindle, ASIN: B08BNHJRQ4)

6)    44) O Itamaraty num labirinto de sombras: ensaios de política externa e de diplomacia brasileira (Brasília: Diplomatizzando, 2020; 205 p.; 1309 KB; ISBN: 978-65-00-05968-7; Kindle, ASIN: B08B17X5C1).

7)    41) Minhas colaborações a uma biblioteca eletrônica: contribuições a periódicos do sistema SciELO (Brasília: Edição de Autor, 2019, 525 p.; 920 KB; Kindle, ASIN: B08356YQ6S).

8)    40) Paralelos com o Meridiano 47: Ensaios Longitudinais e de Ampla Latitude (Brasília, Edição do Autor, 2019, 543 p.; 1908 KB; Kindle, ASIN: B082Z756JH).

9)    39) O panorama visto em Mundorama: ensaios irreverentes e não autorizados (Brasília: 2ª. edição do Autor, 2019, 655 p.; 5725 KB; Academia.edu; Kindle, ASIN: B082ZNHCCJ).

10) 38) Pontes para o mundo no Brasil: minhas interações com a RBPI (Brasília, Edição do Autor, 2019, 685 p.; 1693 KB; Kindle, ASIN: B08336ZRVS).

11) 36) Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty (Brasília: Edição do autor, 2019, 184 p., ISBN: 978-65-901103-0-5; Academia.edu; Amazon.com.br)

12) 29) Die brasilianische Diplomatie aus historischer Sicht: Essays über die Auslandsbeziehungen und Außenpolitik Brasiliens (Saarbrücken: Akademiker Verlag, 2015, 204 p.; Übersetzung aus dem Portugiesischen ins Deutsche: Ulrich Dressel; ISBN: 978-3-639-86648-3; Amazon.com; Amazon.com.br).

13) 28) O Panorama visto em Mundorama: Ensaios Irreverentes e Não Autorizados (Hartford: 2a. edição do autor, 2015, 294 p.; DOI: 10.13140/RG.2.1.4406.7682; nova edição, ampliada dos artigos até o final de 2015, em 4/12/2015, em 374 p.; Research Gate; edição original: Academia.edu)

14) 27) Paralelos com o Meridiano 47: Ensaios Longitudinais e de Ampla Latitude (Hartford: Edição do Autor, 2015; 543 p.; 1908 KB; DOI: 10.13140/RG.2.1.1916.4006; Academia.edu; ASIN: B082Z756JH; Research Gate). 

15) 26) Volta ao Mundo em 25 Ensaios: Relações Internacionais e Economia Mundial (Brasília: 1ª edição: 2014; 2ª. edição: 2018; Kindle edition; 809 KB; ASIN: B00P9XAJA4).

16) 25) Rompendo Fronteiras: a Academia pensa a Diplomacia (Kindle, 2014, 414 p.; 1324 KB; ASIN: B00P8JHT8Y).

17) 24)Codex Diplomaticus Brasiliensis: livros de diplomatas brasileiros (Kindle, 2014, 326 p.; ASIN: B00P6261X2; Academia.edu; ).

18) 23) Polindo a Prata da Casa: mini-resenhas de livros de diplomatas (Kindle edition, 2014, 151 p., 484 KB; ASIN: B00OL05KYG).

19) 22) Prata da Casa: os livros dos diplomatas (Hartford: edição para a Funag, 2013, 667 p; não publicada; disponível em Research Gate; 2ª. edição de Autor; 16/07/2014, 663 p.; Academia.edu; Research Gate).

 

Brasília, 8 abril 2024


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