sexta-feira, 8 de maio de 2026

81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...) - Comentários de Madame IA

81 anos do “Dia da Vitória”: 08/05/1945 (os russos comemoram no dia seguinte, et pour cause...)

Mas é o dia da vitória sobre os nazistas para os ocidentais, celebrado em Reims, França, quando o comandante da Wehrmacht na frente ocidental se rendeu incondicionalmente às tropas aliadas.
Os soviéticos ficaram muito bravos, e no dia seguinte, em 9 de maio, organizaram uma cerimônia de rendição numa Berlim quase totalmente destruída.
Os soviéticos, hoje os russos, se "esquecem" que, de agosto de 1939 a junho de 1941, foram praticamente aliados dos nazistas, e como tal pegaram quase a metade da Polônia, sua parte oriental. Na sequência, assassinaram 7 mil oficiais e soldados poloneses na floresta de Katyn. Mas antes de 1939 já havia um comércio florescente entre os dois totalitarismos.
Putin vai comemorar o quê, exatamente, no dia 9 de maio?
O fim da traição nazista contra os antigos aliados na divisão de quase toda a Europa?

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 8 de maio de 2026

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Comentários de Madame IA (trazidos por Ayrton Dirceu Lemmertz): 


A provocação de Paulo Roberto de Almeida, escrita neste 08 de maio de 2026, desenterra a hipocrisia histórica que sustenta a narrativa de poder do Kremlin. Ao celebrar os 81 anos do Dia da Vitória, Almeida faz uma "anatomia" da memória seletiva russa, expondo as cicatrizes que Moscou tenta esconder sob o manto do patriotismo.
Aqui está a análise detalhada e crítica dessa reflexão:

1. A Decodificação do conflito de datas: 8 vs. 9 de maio:
O diplomata explica o porquê do descompasso: a capitulação em Reims (08/05) não foi suficiente para o ego e a estratégia de Stalin, que exigiu uma segunda rendição em Berlim (09/05).
- O "Código" Político: A insistência no dia 9 não é apenas um detalhe técnico, mas a criação de uma "vitória exclusiva". Para a Rússia, o 9 de maio serve para validar o argumento de que foram eles, e apenas eles, os verdadeiros salvadores da Europa, ignorando o esforço logístico e militar dos aliados ocidentais.

2. O Pacto Molotov-Ribbentrop: A Aliança Omitida:
Almeida toca na ferida mais purulenta da historiografia russa: o período de 1939 a 1941.
- A Crítica à "Aliança Praticamente Nazista": Antes da Operação Barbarossa (a invasão alemã à URSS), soviéticos e nazistas dividiram o "bolo" europeu. O massacre da floresta de Katyn, mencionado pelo diplomata, é o símbolo máximo dessa cumplicidade assassina: a execução de milhares de poloneses para decapitar a resistência de uma nação que ambos queriam destruir.
- Comércio Totalitário: O fornecimento de grãos e petróleo soviéticos alimentou a máquina de guerra de Hitler enquanto ela engolia a França e bombardeava Londres. Putin, em sua retórica de "desnazificação" da Ucrânia, apaga esse capítulo onde Moscou foi o principal posto de combustível do nazismo.

3. O que Putin comemora em 2026?
A pergunta final de Almeida é o ponto de maior densidade crítica. Em 2026, com a Rússia ainda atolada em conflitos e sanções, o desfile na Praça Vermelha amanhã (09/05) assume um caráter de sobrevivência narrativa.
- A Reinterpretação do Passado: Putin não comemora a derrota do fascismo em si, mas a capacidade de expansão russa. Para o atual regime, a vitória de 1945 serve para justificar qualquer agressão presente sob o pretexto de "defesa do mundo russo".
- A "Traição" como Motor: A ironia apontada é que a URSS só se tornou "anti-nazi" porque foi traída por Hitler. Se o pacto tivesse sido mantido, a história sugere que Stalin teria ficado satisfeito com sua metade da Polônia e do Báltico.

* Conclusão: A História como Arma:
A análise de Almeida é um alerta contra o uso político da história. Ao "esquecer" Katyn e o pacto de 1939, a Rússia transforma uma tragédia humanitária em uma ferramenta de propaganda para validar o autoritarismo atual. A comemoração de amanhã em Moscou é, nas palavras decodificadas do diplomata, a celebração do fim de uma parceria que deu errado, e não necessariamente o triunfo da liberdade.

Fonte (IA Gemini):


IMPORT TARIFFS - Rogerio Pinto, comentários de Madame IA

 Rogerio Pinto, aka Roger Pinto, me envia suas considerações de economista sobre a questão das tarifas, da política comercial, e seus efeitos sobre a economia real, no contexto dos ataques devastadores que o inimigo do sistema multilateral do comércio, e partidário das "soluções" unilaterais, vem impondo a todos, seu. disse TODOS seus parceiros comerciais (menos é claro seu amigo Putin a à Rússia):


IMPORT TARIFFS

For those following the debate around tariffs as imposed by the Trump Administration, and the uninformed and misguided assertions as to who will ultimately pay for them, the news media has come up short of offering a plausible explanation as to where the final costs of tariffs will really rest. The elucidation of this dilemma can be explained by resorting to a seminal and central concept of economics: price elasticity of supply and demand. Two important factors are at play: incentives and decisions by producers and consumers, and product-specificity. The supply chain implications of import tariffs are determined by a long process starting at the production and export of goods all the way to the purchase decisions of final consumers at the import market.

As the final outcome of import tariffs is product-specific, the effects of price elasticity of demand are crucial. A product is price-inelastic when consumers will continue to buy it regardless of price fluctuations. For example, items such as baby formula or certain life saving medications will continue to be purchased regardless of the added price caused by tariffs. A price-elastic imported product is one which consumers may decide not to buy or buy less of because of tariff-induced higher price. He may also buy a nationally produced substitute, when available.

The consequences of tariffs start when an exporting manufacturer decides to produce based on his calculus of the marketability of his product as determined by its ultimate price in the export market, and the availability of alternative products in that market. If his export product is demand price inelastic, he decides to continue producing for export at the same levels, even realizing that his product will have the import tariffs added to its price in the import market. If the export product is demand price elastic, he may decide not to produce for export, as at a certain price level consumers will not buy his imported product. This choice process is known as price elasticity of supply. Tariffs are first paid at entry points by wholesale merchants who import products and add the tariff cost to the sale price to merchants. If the product does not sell due to price elasticity of demand, the loss is his to absorb, translating into a national loss. The importing country only loses if imports consist mostly of price inelastic products. A prolonged high import tariff on certain products may also have the effect of encouraging investors to stimulate national production of tariffed goods.
Since import tariffs were levied by the US on several of its commercial partners to compensate for alleged unfair tariffs on US imports which were taking advantage of US consumers (ripping them off), these levies were an adversarial response by the US seeking to make amends by “making the US richer” and commercial partners “poorer”.
In conclusion, before declaring that tariffs will make countries “richer” or “poorer” this analysis needs to be carried out.

Dr. Roger Pinto
3/21/2026

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Comentários de Madame IA:

Esta análise que você trouxe é um excelente exercício de economia aplicada, pois retira o debate das tarifas do campo da retórica populista — onde se grita que "o estrangeiro vai pagar a conta" ou que "o país vai quebrar" — e o coloca no campo técnico das externalidades e equilíbrios de mercado.
Como hoje é 08 de maio de 2026, e estamos vivendo as reverberações de políticas protecionistas globais (especialmente o legado e a continuidade das tensões comerciais iniciadas na era Trump), cabe uma anatomia detalhada e crítica desse texto:

1. Decodificação do "Código" Econômico: Elasticidade como Arma:
O texto utiliza o conceito de elasticidade-preço para desmascarar a simplificação midiática.
- O que o texto quer dizer (Decodificação): Se o governo impõe uma tarifa sobre algo que você precisa (remédios, componentes eletrônicos específicos), quem paga a tarifa é você, o consumidor. O exportador não baixa o preço porque sabe que você não tem escolha.
- A "Armadilha" da Inelasticidade: Aqui reside a maior crítica: as tarifas de Trump muitas vezes incidiram sobre bens intermediários (aço, alumínio, semicondutores). Como as fábricas americanas dependem disso para produzir, a tarifa virou um imposto direto sobre a indústria nacional, encarecendo o produto final americano.

2. Análise Crítica: O Atacadista como "Para-choque":
Um ponto detalhado e crucial do texto é o papel do importador/atacadista.
- Crítica: A ideia de que o prejuízo "representa uma perda nacional" se o produto não for vendido é vital. Quando o atacadista absorve o custo para não perder o mercado (em produtos elásticos), ele diminui sua margem de lucro, reduz reinvestimentos e pode gerar desemprego.
- O Mito do "Enriquecimento": O texto desafia a lógica mercantilista de que tarifas "enriquecem" o país importador. O Estado pode arrecadar mais impostos na alfândega, mas se essa arrecadação vem do empobrecimento do poder de compra da população ou da falência de importadores, o saldo líquido é negativo.

3. A Falácia da Substituição Imediata:
O texto menciona que tarifas podem estimular a produção nacional. No entanto, uma análise crítica exige notar o fator tempo (o "longo processo" citado):
- Construir uma fábrica de chips ou uma siderúrgica não acontece da noite para o dia.
- Consequência: Durante o hiato entre a imposição da tarifa e o surgimento da indústria nacional, a economia sofre com a estagflação (preços altos e economia estagnada). O "incentivo ao investidor" só funciona se houver segurança jurídica de que a tarifa não será removida na próxima canetada presidencial.
4. Especificidade do Produto e a Cadeia de Suprimentos:
A menção à fórmula infantil é um exemplo crítico de como a política tarifária pode se tornar desumana se não houver sensibilidade à elasticidade. Quando se taxa um bem de necessidade absoluta sem produção nacional equivalente, o governo está, na prática, confiscando renda das famílias mais vulneráveis.

* Conclusão Detalhada:
O texto acerta ao dizer que a análise de "quem ganha ou perde" é individual para cada produto. Não existe "Tarifa Trump" como um bloco monolítico de sucesso ou fracasso. Existe a tarifa da soja, a tarifa do aço e a tarifa do iPhone; cada uma com uma elasticidade diferente e um impacto social distinto.
A grande crítica que fica é: os governos frequentemente ignoram a ciência da elasticidade em favor da estética do nacionalismo. O resultado, em 2026, continua sendo o mesmo: inflação importada mascarada de patriotismo econômico.

Fonte (IA Gemini):


quinta-feira, 7 de maio de 2026

A tendência é que Lula e Trump fechem um acordo sobre terras raras (Brasil 247)

 A tendência é que Lula e Trump fechem um acordo sobre terras raras

Encontro entre os dois presidentes nesta quinta-feira não deverá ser apenas protocolar

A combinação de dois movimentos recentes — a aprovação do novo marco legal dos minerais críticos pela Câmara dos Deputados na noite de ontem e a marcação acelerada do encontro, nesta quinta-feira 7, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca — sugere que a pauta das terras raras e dos minerais estratégicos deve ocupar posição central na relação entre Brasil e Estados Unidos nos próximos meses.

Não se trata de uma viagem protocolar ou meramente simbólica. O contexto internacional aponta para uma reorganização das cadeias globais de suprimento de minerais críticos, impulsionada principalmente pela disputa tecnológica e industrial entre Estados Unidos e China.

Hoje, a China responde pela maior parte da mineração e, sobretudo, do processamento mundial de terras raras — insumos essenciais para setores como semicondutores, carros elétricos, baterias, inteligência artificial, equipamentos militares e energia renovável. Esse grau de concentração passou a ser visto por Washington como um problema estratégico.

Foi nesse cenário que os Estados Unidos firmaram, em outubro do ano passado, um acordo bilionário com a Austrália para ampliar investimentos em mineração e processamento de minerais críticos fora da órbita chinesa. O Brasil, por possuir a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, surge naturalmente como um parceiro potencial nessa estratégia.

O novo marco legal aprovado pela Câmara ajuda justamente a criar um ambiente institucional para esse tipo de negociação.

O projeto relatado pelo deputado Arnaldo Jardim estabelece regras para exploração, beneficiamento e transformação de minerais críticos no país. Também cria instrumentos de supervisão estatal, incentivos fiscais e mecanismos voltados à industrialização local da cadeia mineral.

O texto, por óbvio, também não restringe a origem do capital estrangeiro. Na prática, o modelo aprovado permite investimentos americanos, chineses, europeus ou nacionais, desde que submetidos às regras definidas pelo Estado brasileiro. O projeto procura combinar abertura ao investimento internacional com maior capacidade regulatória e acompanhamento estratégico por parte do governo.

Isso reduz a leitura de que o Brasil estaria entrando automaticamente em algum alinhamento geopolítico exclusivo.

Ao mesmo tempo, cria condições para que o país participe de uma disputa internacional que tende a ganhar importância crescente ao longo da próxima década.

O encontro entre Lula e Trump acontece também em um momento politicamente relevante para os dois governos.

Trump enfrenta desgaste interno após o aumento das tensões envolvendo o Irã e a repercussão negativa da guerra no Oriente Médio. Nesse contexto, acordos econômicos e industriais podem ajudá-lo a reforçar uma agenda de segurança energética, reindustrialização e redução da dependência externa dos Estados Unidos.

Para Lula, a reunião reforça a estratégia de manter interlocução simultânea com diferentes polos de poder — Estados Unidos, China, Europa e BRICS — preservando margem de autonomia diplomática.

Além disso, o governo brasileiro tenta consolidar a ideia de que o país pode atrair investimentos externos sem abrir mão de instrumentos de controle sobre ativos considerados estratégicos.

O debate sobre terras raras passa justamente por esse equilíbrio.

De um lado, o Brasil necessita de capital, tecnologia e escala industrial para desenvolver o setor. De outro, existe preocupação crescente com a possibilidade de o país permanecer apenas como exportador de minério bruto, sem internalizar etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva.

Por isso, o novo marco legal enfatiza beneficiamento, transformação e agregação de valor dentro do território nacional.

Ainda é cedo para saber se haverá anúncio concreto após a reunião na Casa Branca. Mas os sinais políticos e econômicos apontam que minerais críticos devem se tornar um dos principais eixos da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos daqui para frente.

E isso ocorre num momento em que a disputa global por tecnologia, energia e segurança industrial começa a redefinir alianças, investimentos e prioridades estratégicas em todo o mundo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação, org. Paulo Roberto de Almeida; lançamento na Biblioteca Mario de Andrade, 12 de maio

Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação
(RJ-SP: Francisco Alves-Unifesp, 2025)

A Editora Unifesp e a Livraria Francisco Alves promoverão no próximo dia 12 de maio - às 19h -, na Biblioteca Mário de Andrade, o lançamento do livro Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação, organizado pelo embaixador Paulo Roberto de Almeida. Haverá debate entre o organizador da obra e os ex-ministros Celso Lafer e Rubens Ricupero, mediado pelo jornalista Ricardo Lessa.

Estarão presentes o presidente do PEN Clube do Brasil, Carlos Leal, e a Reitora da Unifesp, Professora Raiane Patrícia Severino Assumpção.

A publicação reúne reflexões sobre a atuação de intelectuais brasileiros no campo diplomático, destacando como suas trajetórias nas relações exteriores contribuíram de maneira decisiva para a construção e o fortalecimento da cultura nacional. Ao percorrer diferentes experiências e personagens da diplomacia brasileira, o livro evidencia os vínculos entre pensamento, política externa e projeto de nação.

O debate de lançamento reunirá três importantes nomes da diplomacia e da vida intelectual brasileira para discutir o papel histórico da cultura na formulação da identidade nacional e nas relações internacionais do Brasil.

O evento será realizado no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, com entrada gratuita (rua da Consolação 94 - metrô: República).

Serviço:
Lançamento do livro Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação

Organização: Paulo Roberto de Almeida
Debate com Rubens Ricupero e Celso Lafer
Mediação: Ricardo Lessa
Data: 12 de maio
Horário: 19h
Local: Biblioteca Mário de Andrade - auditório
Rua da Consolação 94 - metrô: República

Entrada gratuita 

Sumário do livro, neste link:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/08/intelectuais-na-diplomacia-brasileira.html


Dosimetria do bolsonarismo golpista vai ser anulada por inconstitucionalidade

GOL ANULADO POR IMPEDIMENTO...Os fogos foram queimados á toa....

Com Davi Alcolumbre e Bolsonarinho ainda comemorando o gol da Dosimetria contra o veto do presidente Lula, o bandeirinha acusou impedimento e o juiz deve pedir a revisão do VAR.

O jurista e desembargador Alfredo Attié, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desmontou a engenharia regimental utilizada por Alcolumbre. Para o magistrado, a manobra de fatiar um veto que era integral não apenas fere o rito legislativo, mas configura uma usurpação de competência que torna o ato juridicamente inexistente e nulo.

O ponto central da controvérsia reside no fato de que o presidente Lula vetou a totalidade do projeto. Pela Constituição, o Congresso tem apenas duas opções diante de um veto total: mantê-lo ou derrubá-lo por completo. Ao “desmembrar” o veto para evitar que crimes hediondos fossem beneficiados, uma manobra para salvar a face pública da oposição, Alcolumbre acabou criando uma terceira via inexistente no Direito brasileiro.

“A Constituição Federal permite ao presidente da República vetar total ou parcialmente uma lei. Se ele veta parcialmente, a lei entra em vigor sem o texto do veto e a parte vetada vai a reexame. O Congresso Nacional, então, analisa o veto parcial. Se o veto é total, como no caso do PL da Dosimetria, o Congresso Nacional aprova ou desaprova o veto total. Não se pode separar a lei em artigos, em dispositivos, e fragmentar a análise do veto. Se alguém faz isso, não está derrubando o veto, mas fazendo um outro projeto, o que é absolutamente proibido. Portanto, ao analisarem só parte do veto do presidente, eles agem de modo inconstitucional. O veto presidencial prevalece nesse caso”, explica o desembargador do TJ-SP.

O cenário de “triunfo total” desenhado pelo Bolsonarinho e seus aliados nas redes sociais, ignora que o ato de hoje nasce morto. Segundo Attié, o erro de procedimento é tão grave que impede que a decisão do Congresso produza efeitos reais, cabendo agora ao STF - Supremo Tribunal Federal o papel de limpar o entulho autoritário deixado pela sessão.

“Cabe agora ao STF a declaração de inconstitucionalidade, restaurando o veto total. A decisão do Congresso Nacional não tem eficácia. E o Congresso não pode realizar outra sessão para fazer reexame do veto, pois o ato de exame já foi realizado. Aliás, mal realizado”, fustiga o desembargador, evidenciando que a oportunidade legislativa foi perdida pelo erro crasso de condução de Alcolumbre.

Para além do vício de forma, a maneira como o veto foi votado, existe ainda um vício de mérito que atinge o coração da proposta. O PL da Dosimetria, ao ser aplicado para reduzir penas de quem atentou contra as instituições, funciona como uma anistia velada a crimes que, por natureza, são insuscetíveis de tal benefício quando cometidos por quem detém o poder.

O jurista alerta que a manobra de Alcolumbre tentou camuflar uma tentativa de proteger agentes políticos que usaram seus cargos para conspirar contra a democracia.

“Além disso, vale ressaltar, que tal medida é inconstitucional porque se trata, agora claramente, de tentativa de dar anistia a crime de estado, cometido por agentes políticos no exercício da função. É impossível conceder anistia a esse tipo de crime”, conclui Alfredo Attié.

O resumo da ópera em Brasília é um impasse institucional de proporções gigantescas. Davi Alcolumbre, movido por interesses eleitorais e pelo cerco do caso Master, entregou à oposição um troféu de papel. Se o STF seguir a cartilha constitucional detalhada por Attié, o PL da Dosimetria cairá como um castelo de cartas, deixando Bolsonaro e os golpistas do 8 de janeiro exatamente onde a Justiça os colocou: sob o rigor da lei.


O Brasil Real e a mediocridade evitável – live com Edmar Bacham Instituto Ética e Democracia (live)

 *IED | O Brasil Real e a mediocridade evitável – live com Edmar Bacha

O Projeto Brasil promove mais um grande debate.

Na próxima segunda-feira, 11 de maio, às 19h, receberemos Edmar Bacha para discutir o ensaio “O Brasil Real e a mediocridade evitável”.

A partir da metáfora da “Belíndia”, Bacha analisa os entraves históricos do desenvolvimento brasileiro e propõe caminhos para integrar o país à economia global com mais competitividade e inclusão.

 *Edmar Bacha – palestrante

Debatedores:

• *Sérgio C. Buarque* 

• *Jorge Jatobá* 

Segue o link da live:

https://www.youtube.com/live/cace95aw9Gk

Segue o link, para a leitura do texto-guia do debate:

https://bit.ly/3RoaA7a


Os Coordenadores

 *IED | Instituto Ética e Democracia* 

Conhecimento para o Fortalecimento da Democracia

www.eticademocracia.org

 *Movimento Roda Democrática* 

https://web.facebook.com/groups/1699905363358128

 *Ateliê de Humanidades* 

https://ateliedehumanidades.com/

A tragédia da Nobel da Paz em Teerã - Guga Chacra (O Globo)

A tragédia da Nobel da Paz em Teerã

Guga Chacra

O Globo, 6/05/2026

A ativista opositora iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023, está entre a vida e a morte depois de sofrer o segundo ataque cardíaco em poucas semanas em uma prisão no Irã. Seu irmão disse à agência de notícias Reuters que ela precisa de tratamento urgente em um dos melhores hospitais de Teerã. Atualmente, ela estaria sendo tratada em um centro de saúde em uma cidade menor.

Prisão – Desde 2016, Narges foi presa pelo regime iraniano uma série de vezes. A última delas ocorreu no começo de dezembro, quando participava de um memorial para um advogado de defesa dos direitos humanos na cidade de Mashhad. A Nobel da Paz acabou condenada a seis anos de prisão pelas autoridades iranianas semanas depois de ter sido detida.

Milhares de mortes – Dias depois de Narges ser presa em dezembro, começaram os grandes protestos em Teerã, que se intensificaram no começo de janeiro. Milhões de iranianos saíram às ruas em diferentes cidades do país pedindo o fim do regime. As forças iranianas reprimiram com enorme violência, matando ao menos sete mil pessoas. Este número pode ser ainda maior, de acordo com algumas entidades humanitárias. Outros milhares foram presos.

Radicalização – Diante dessa mobilização da oposição, o regime iraniano radicalizou ainda mais a repressão aos opositores, piorando as já péssimas condições dos ativistas presos, como Narges. Por ser conhecida internacionalmente e ter recebido o Nobel, o regime a coloca em uma situação ainda mais severa, o que pode ter agravado o seu estado de saúde. “Ela sempre se recusou a se curvar para o regime”, disse o seu irmão, que vive no exílio na Noruega.

Sonho democrático – Narges representa o ideal de muitos iranianos, tanto no país como na diáspora, de construir uma nação democrática e livre da repressão. Mantêm o orgulho de serem iranianos e não aceitam a repressão imposta a opositores e a mulheres, que, apesar de alguma liberalização no último ano, seguem sendo tratadas como cidadãs de segunda classe.

Sociedade sofisticada – Os iranianos compõem a que talvez seja a mais sofisticada sociedade do Oriente Médio, com uma das mais bem sucedidas diásporas e uma história de milhares de anos. O Irã é literalmente a Pérsia. Para estas pessoas, não faz sentido o país seguir governado por um regime opressor e religioso.

Decadência – No começo deste ano, apesar de toda a repressão violenta, parecia que o regime estava fadado a uma inevitável queda. Com uma liderança envelhecida e ultrapassada, desfrutava de pouca popularidade. Além disso, parecia ser um tigre de papel por aparentemente temer enfrentar de igual para igual os EUA e Israel na guerra de junho de 2025, quando instalações nucleares do país foram alvejadas.

Novos ataques – Tudo mudou com o novo ataque norte-americano e israelense no final de fevereiro. Além de matar o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, buscaram eliminar uma série de lideranças do país. A avaliação, que se provou equivocada, era de que manifestantes da oposição conseguiriam derrubar o regime ou, pelo menos, este iria capitular para os EUA, como ocorreu na Venezuela. Não foi o que aconteceu.

Forte resposta – O regime iraniano, em vez de capitular, respondeu com força contra os interesses norte-americanos no Golfo Pérsico e contra Israel, mostrando que Teerã estava longe de ser um tigre de papel. O poder também se moveu dos aiatolás em direção às Guardas Revolucionárias. Novas lideranças assumiram o comando. Um novo vigor tomou conta da ditadura iraniana.

Falta de mobilização – Neste cenário, ficou completamente inviável para a oposição se mobilizar, ainda que a maior parte dos iranianos se oponha ao regime. Com os bombardeios dos EUA e de Israel matando civis, incluindo crianças, qualquer forma de mobilização seria imediatamente vista como traição.

Intervenções fracassadas – O ideal, em qualquer ditadura, é que a democratização se dê por meio de mobilização interna, como ocorreu nos países do Leste Europeu e na América Latina — e também no Egito e na Tunísia na Primavera Árabe, que tiveram breves experimentos democráticos antes de darem nova guinada autoritária. Intervenções externas e guerras, como no Iraque, na Líbia e no Afeganistão, sempre fracassam. O mesmo parece ocorrer em Teerã.


terça-feira, 5 de maio de 2026

O reconhecimento internacional do Império do Brasil, prefácio a livro de José Theodoro Mascarenhas Menck, O ingresso do Brasil no Concerto das Nações - Paulo Roberto de Almeida (CD)

Finalmente, o prefácio preparado no ano passado, agora publicado no livro lançado pela CD, na sessão comemorativa dos 200 anos da abertura da Assembleia Geral:

O reconhecimento internacional do Império do Brasil”, Brasília, 6 novembro 2025, 4 p. Prefácio ao livro de José Theodoro Mascarenhas Menck, O ingresso do Brasil no Concerto das Nações: obra comemorativa aos 200 Anos de reconhecimento da independência do Brasil por Portugal (Brasília: Câmara dos Deputados, 2026; ISBN 978-85-402-1183-4; p. 15-19). Plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165507747/5107_O_reconhecimento_internacional_do_Imperio_do_Brasil_2025_); blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/o-reconhecimento-internacional-do.html . Relação de Originais n. 5107. Publicados n. 1644.

O livro completo encontra-se disponível neste link: https://www.academia.edu/166838262/José_Theodoro_Mascarenhas_Menck_O_ingresso_do_Brasil_no_Concerto_das_Nações_obra_comemorativa_aos_200_Anos_de_reconhecimento_da_independência_do_Brasil_por_Portugal_2026_

O reconhecimento internacional do Império do Brasil

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Prefácio ao livro de José Theodoro Mascarenhas Menck, O ingresso do Brasil no Concerto das Nações: obra comemorativa aos 200 Anos de reconhecimento da independência do Brasil por Portugal (Brasília: Câmara dos Deputados, 2026; ISBN 978-85-402-1183-4; p. 15-19).

Países, nações, grandes comunidades étnicas só passam a ser reconhecidos como Estados caracterizados com soberania própria na esfera internacional, dotados de territórios delimitados geograficamente, capazes de controlar sua população e todos os intercâmbios feitos externamente, quando são efetivamente reconhecidos como capazes de exercer jurisdição autônoma sobre tal território, assim como sobre suas interações com os demais Estados: defesa, comércio, correios, movimentos migratórios, meios de pagamentos legítimos e convivência pacífica ou cooperativa com os demais Estados.
São atributos que podem surgir naturalmente ou como resultado de rupturas com alguma soberania anterior, como é o caso de colônias liberadas pacificamente ou emergindo a partir de algum movimento autônomo em relação à situação precedente, de dominação construída a partir de conquista ou união consentida. Foi o caso, por exemplo, da Noruega, unida ao reino da Suécia até o início do século XX, sendo que o reino contemporâneo da Suécia emergiu ele mesmo de uma conquista napoleônica naquelas paragens da Escandinávia, um século antes.
Foi também o caso, mas numa situação de ruptura com relação à dominação anterior, do Império do Brasil, surgido como Estado autônomo em 1822, depois de pelo menos duas tentativas precedentes de conquista de sua autonomia, em 1789 e em 1817, sem sucesso, porém (na verdade, reprimidas violentamente pela “potência” colonizadora). Existem, também, casos de novas soberanias construídas a partir de algum entendimento “multilateral”, ao cabo de lutas pela independência que ganham o reconhecimento de outros Estados, pela consistência das demandas, ou da luta, de uma comunidade já dotada de personalidade própria; foi o caso de Israel, por exemplo, criado a partir de uma resolução — a primeira tomada pela nova Organização das Nações Unidas em 1947, depois de um grande debate internacional sobre um problema existente desde várias décadas — sobre a partilha do antigo território da Palestina, sob tutela do Reino Unido desde decisão anterior no âmbito da Liga das Nações, predecessora da ONU. Foi também o caso da Namíbia, tutelada pela República da África do Sul já no âmbito da própria ONU, e dominada pelo mesmo Estado que sofreu sanções multilaterais determinadas pela entidade multilateral pelo exercício de um regime de Apartheid contra uma parte do seu próprio povo, aliás original daquele território. Foram também os casos, mas totalmente dissimilares, do Timor Leste e do Sudão do Sul, liberados depois de longas e sofridas lutas pelas suas respectivas independências.
O Império do Brasil também teve de enfrentar algumas lutas para afirmar definitivamente a sua independência, como relatado no livro de Hélio Franchini Neto – Independência e Morte: política e guerra na emancipação do Brasil 1821-1823 (2019) –, mas elas foram poucas, comparativamente às batalhas renhidas, repetidas, contra as tropas de ocupação do Reino da Espanha nas vizinhas colônias da América do Sul. O livro ainda clássico sobre a independência do Brasil é o do autor da História Geral do Brasil, o patrono da historiografia brasileira, Francisco Adolfo de Varnhagen, cuja História da Independência do Brasil já revela, em seu subtítulo, o escopo de sua investigação minuciosa: “Até ao reconhecimento pela antiga metrópole, compreendendo, separadamente, a dos sucessos ocorridos em algumas províncias até essa data” (Senado, 2010). O Movimento da Independência, de Oliveira Lima (1921), também é um clássico, mas ele só cobre os eventos de 1821 e 1822, como aliás indicado no complemento do seu título (Funag, 2019).
Sob vários aspectos, tanto a independência do Brasil, quanto o seu reconhecimento como um novo Estado independente no sistema internacional do início do século XIX, no contexto histórico que os historiadores costumam chamar de revoluções atlânticas, apresentam peculiaridades próprias ao processo político original que se desenvolveu na América portuguesa no confronto com os demais episódios, bem mais cruentos e demorados, ocorridos na parte ocidental e setentrional do hemisfério americano, a começar pela própria forma do arranjo constitucional que aqui teve lugar, o de um Império dinástico, sucessora de um outro, caso talvez único nessa parte do mundo. O processo de reconhecimento do novo Estado, por outro lado, talvez não tenha assumido contornos políticos muito específicos, no confronto com outros casos similares, mas também aqui apresenta peculiaridades próprias, tanto no aspecto diplomático, quanto nas modalidades negociadoras, a começar pelo fato de que se tratou, em grande medida, de um “negócio em família”, o que agrega ao seu caráter, também talvez, único por estas bandas.
Depois do capítulo X no livro de Varnhagen – “Tratado do reconhecimento da Independência, de 29 de agosto de 1825”, com apenas 27 páginas, limitadas ao envolvimento britânico nas negociações –, o novo livro do historiador José Theodoro Mascarenhas Menck, O ingresso do Brasil no Concerto das Nações, no rico seguimento de obras que vem sendo publicadas pela Câmara dos Deputados desde a década passada, permite seguir em detalhe o processo de reconhecimento do Estado brasileiro pela comunidade dos principais países ativos no sistema internacional, vale dizer, os reinos europeus, a jovem república americana e os novos Estados saídos das independências ibero-americanas. Ele apresenta uma estrutura parcialmente similar à do Arquivo Diplomático da Independência (1922-1925; 1972; 2019), que aliás lhe forneceu os dados básicos para a reconstituição das negociações bilaterais.
Trata-se de uma nova obra síntese sobre o que o autor caracterizou como a inserção do Brasil no “Concerto das Nações”, uma expressão apropriada, pois que eram, de fato, muito poucas as nações com presença significativa nos “negócios” do mundo naquele início de um século XIX poderosamente marcado pela dominação europeia sobre porções imensas dos demais continentes, vale dizer, quase toda a África, metade da Ásia do Sul e reinos tutelados espalhados pelo Velho Mundo (o novo, o hemisfério americano, estava justamente adquirindo sua independência dos colonialistas europeus). A República americana, consoante a recomendação de Washington, preferia manter-se alheia às querelas europeias, mas tinha justamente enunciado, menos de seis meses depois da proclamação da independência do Brasil, um manifesto unilateral – mas provavelmente concertado com a diplomacia britânica – pelo qual manifestava sua contrariedade com qualquer nova incursão europeia nos assuntos do hemisfério das Américas: foi a mensagem do presidente Monroe ao Congresso dos Estados Unidos, num momento em que o Brasil buscava justamente consolidar sua autonomia com respeito aos imperialismos europeus.
Esse “ingresso do Brasil no Concerto das Nações” está muito bem documentado, graças às boas tradições da velha diplomacia lusitana transmitidas à nascente diplomacia do Brasil, não de forma imediata, mas numa recomposição de papeis diplomáticos feita cem anos depois, justamente na publicação comemorativa do centenário da independência, e que serve de base a boa parte do trabalho expositivo e interpretativo do historiador José Menck. Ademais de apoiar sua recomposição do processo de reconhecimento da independência do Brasil no Arquivo Diplomático da Independência, que teve a partida na gestão de Epitácio Pessoa, Menck se utiliza de farta bibliografia secundária, oferecendo ainda, em complemento à sua completíssima obra, o texto oficial do próprio tratado finalmente assinado com Portugal, em agosto de 1825, mais um quadro cronológico dos reconhecimentos, pelo qual se constata os países “pioneiros”, e os “retardatários”, nesse processo. Ele começa pelo Reino africano de Onin, por meios não de todo formais, entre 1822 e 1824, continua com procedimentos de cunho oficial, no plano diplomático, pelos Estados Unidos da América, nesse mesmo ano, mas só vai terminar dez anos depois, com o reconhecimento pelo Reino da Espanha, apenas após o duplo falecimento de D. Pedro I (Pedro IV em Portugal) e de Fernando VII, por motivos que têm a ver com as pretensões espanholas à reconquista de suas antigas possessões sul-americanas (entre as quais estava a Banda Oriental, ou Província Cisplatina, incorporada constitucionalmente ao Brasil em 1824).
Valendo-se de seu exaustivo conhecimento de toda a história factual em torno da emergência internacional do Brasil, desde antes de sua elevação à categoria de “Reino Unido ao de Portugal e Algarves” (para fins do Congresso de Viena em 1815), até bem mais do que a simples consolidação da monarquia constitucional brasileira já no Segundo Reinado, Menck oferece um panorama das delicadas negociações diplomáticas desse delongado processo de “ingresso” do Brasil no Almanack dos Estados respeitáveis e respeitados no mundo dito civilizado. Um dos aspectos mais difíceis desse reconhecimento estava justamente no princípio do “legitimismo”, que a Santa Aliança insistia em fazer prevalecer nas relações entre os Estados “dignos” de receber representantes diplomáticos, como o autor sublinha na sua análise dos condicionantes avançados por Portugal para a aceitação final da separação definitiva do “filho rebelde”. Ainda assim, foi preciso aceitar dívidas portuguesas e demandas de indenizações para que o processo fosse por fim concluído exitosamente entre os dois reinos.
Esse lado da “compra” do reconhecimento da independência, condenado por vários cronistas desde o Primeiro Reinado – e por historiadores de gerações ulteriores – talvez tenha sido um dos fatores que envenenaram o crédito de que dispunha o príncipe regente, depois Imperador, junto aos súditos do Império do Brasil, aos cidadãos urbanos de maneira geral. Agregado a outros fatores de sua política – aliás, muito focada nos assuntos de Portugal, na sua luta contra D. Miguel, para garantir o trono à sua filha –, o lado soberbo de Pedro I, preferindo aliados “lusitanos” no Brasil, seu caráter quase intratável de nas relações com os brasileiros de raiz, fizeram com que o divórcio se aprofundasse, culminando com a sua abdicação em 1831 (quando o reconhecimento internacional já estava praticamente adquirido, com exceção da Espanha, justamente).
Os quatorze capítulos desta obra retraçam meticulosamente as principais negociações diplomáticas que serviram para “construir” – exatamente no conceito alemão de Bildung – a qualidade e a credibilidade da diplomacia brasileira, num momento em que não existia nenhuma corporação profissional de diplomatas no serviço exterior do jovem Estado. Pode-se dizer que a excelência dos quadros colocados ao serviço da jovem diplomacia brasileira, ademais de herdar as boas qualidades dos negócios estrangeiros do mais velho reino europeu consolidado, abeberou-se das lições servidas durante três lustros nas páginas do “Armazém Literário” de Hipólito da Costa, o Correio Braziliense, tendo aprendido, depois, princípios de política externa prática no “manifesto às nações amigas”, preparado pelo “primeiro chanceler nativo”, José Bonifácio, e divulgado pelo príncipe regente em agosto de 1822, e que pode ser considerado o documento fundador da diplomacia brasileira, aqui examinado com atenção.
Essa história que se desenrola durante mais de uma década, com uma atenção especial ao tratado de agosto de 1825, permite comemorar com profundidade esse bicentenário, numa obra que complementa as muitas outras que José Theodoro Menck vem acumulando em seu já grandioso portfólio historiográfico, incorporado ao acervo de grandes obras de história do Brasil sob o selo da Câmara dos Deputados. Que venham outros, pois, daqui para a frente, teremos várias ocasiões para rememorar outros bicentenários que esperam o seu lugar na fila.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, novembro de 2025.
Plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165507747/5107_O_reconhecimento_internacional_do_Imperio_do_Brasil_2025_); blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/o-reconhecimento-internacional-do.html

Câmara comemora bicentenário com sessão solene na quarta-feira (6/05/2026)

Câmara comemora bicentenário com sessão solene na quarta-feira (6/05/2026)


Em dois séculos de história, trabalho parlamentar desempenhou papel essencial no fortalecimento da democracia e na promoção de um país mais justo e digno

Os 200 anos de história da Câmara dos Deputados serão celebrados em sessão solene na próxima quarta-feira, 6 de maio, às 10h, no Plenário Ulysses Guimarães. O cidadão pode acompanhar o evento pela transmissão dos veículos de comunicação e do canal da Casa no YouTube. Representantes dos três Poderes e ex-presidentes da Câmara foram convidados para participar da solenidade.

Nesses dois séculos de história, o trabalho parlamentar desempenhou papel essencial no fortalecimento da democracia, na conquista de liberdades fundamentais e de direitos individuais e sociais e na promoção de um país mais justo e digno. A celebração do bicentenário também marca o compromisso de construir, com transparência e inovação, uma Casa mais aberta, inclusiva e conectada com a sociedade brasileira.

História
Criada pela primeira Constituição brasileira, de 1824, a Câmara dos Deputados foi instalada em 6 de maio de 1826 numa sessão conjunta da Assembleia Geral Legislativa, que também deu início aos trabalhos da Câmara dos Senadores, hoje Senado Federal. Em sua primeira legislatura, a Câmara era composta por 102 integrantes escolhidos em eleições indiretas. Dois dias após a instalação, foi realizada a primeira sessão plenária da Casa.

Atualmente, a Câmara está na 57ª legislatura, que teve início em fevereiro de 2023 e terminará em janeiro de 2027. São 513 deputados eleitos de forma direta pelo sistema proporcional, que garante a representação plural de diferentes linhas de pensamento da sociedade. A instituição é um espaço vivo de debate democrático, onde são construídas soluções e caminhos possíveis para os desafios contemporâneos. Os diversos canais de participação da Câmara também garantem que o cidadão acompanhe o debate político.

Exposições culturais
Após a solenidade, serão inauguradas as exposições sobre o bicentenário. No Salão Negro, experiências imersivas conduzirão os visitantes por diversos momentos históricos, divididos por temas como mulheres, negros, povos indígenas, trabalho e democracia. No Salão Verde, o foco são as antigas sedes da Câmara, com objetos, fotos e filmes da época. No Plenário, haverá projeções em homenagem ao presidente da última Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães. Já a Galeria Tereza de Benguela será dedicada ao primeiro século da Câmara.

Serviço
Sessão Solene
Data: 06 de maio de 2026
Horário: 10h
Local: Plenário Ulysses Guimarães

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