quarta-feira, 15 de julho de 2026

A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos? (2006) - Paulo Roberto de Almeida

 Em 2006, ou seja, vinte anos atrás, eu publicava um pequeno artigo em forma de interrogação. Ainda não o reli, mas talvez seja interessante uma nova visita a meus argumentos de duas décadas atrás:

621. “A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?”, site do Instituto Millenium (08 mar. 2006). Reproduzido no site do Instituto Internacional de Planejamento Educacional). Desparecidos nestes links nos dois sites. Postado no blog Diplomatizzando (28/05/2011; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2011/05/decadencia-economica-brasileira-um.html . Relação de Trabalhos n. 1558.

Um trecho desse trabalho: 

"...sem ser preciso nenhuma revolução ou mudança dramática na situação corrente, deve ser melhor viver numa sociedade que conhece progressos incrementais nas condições de vida do que numa outra que, por hipótese, afunde progressivamente na delinqüência, no desemprego, na inflação, na deterioração dos equipamentos sociais, na compressão do poder de compra, na desesperança trazida pela sensação de aumento na corrupção política, enfim, que se debata com vários males de que padecem hoje muitos países ao redor do mundo." 

 
A decadencia economica brasileira: um trabalho perdido (2011)
Já que estamos falando de problemas brasileiros para crescer, vamos dramatizar o quadro.
Não que eu queira ser pessimista, mas por puro acaso.
Eu estava compondo uma lista de livros sobre relações internacionais e de política externa do Brasil, e dentro dela os livros escritos por diplomatas (em qualquer gênero, aliás), quando deparei com este registro, de um trabalho que já não me lembrava mais ter escrito:

1557. “A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?”
Brasília, 7 de março de 2006, 5 p.
Publicado no blog do Instituto Millenium em 8.03.06 (link). Reproduzido no site do Instituto Internacional de Planejamento Educacional (link).
Desparecidos nestes links nos dois sites.
Relação de publicados nº 630.

Procurei nos links, e eles obviamente já não funcionavam mais. Por isso vai aqui postado gentilmente.
Não, não sou pessimista, apenas realista...
Paulo Roberto de Almeida

A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?

Paulo Roberto de Almeida


Peço desculpas aos meus leitores pelo tom passavelmente pessimista, quando não francamente niilista, do título deste artigo, mas é que não pude evitar certa sensação de desalento (e talvez também de inveja) ao ler sobre o recente e espetacular recorde na captação de investimentos estrangeiros diretos pela Grã-Bretanha no decorrer de 2005. Nada menos do que US$ 209 bilhões, ultrapassando em muito o segundo colocado, os EUA, que figuram há muitos anos no primeiro lugar, tanto como receptor quanto como principal investidor, seguido, nos últimos dez anos, pela China, como segundo colocado do lado da captação (com cerca de US$ 60 bilhões) e primeiro dos países emergentes. Comparados aos pouco mais de US$ 15 bilhões obtidos pelo Brasil em 2005, a cifra é realmente impressionante para qualquer país engajado no processo de globalização. Mesmo descontando-se, da cifra britânica, US$ 100 bilhões relativos a operações da Shell, que concentrou suas operações a partir da Holanda, remetendo então recursos aos sócios ingleses, ainda assim a Grã-Bretanha ultrapassa os EUA, que “só” atraíram 106 bilhões de dólares em 2005.
Trata-se de um notável feito da economia britânica, hoje, inquestionavelmente, o melhor lugar europeu – e provavelmente mundial, pelo lado financeiro – para se fazer negócios e desenvolver novos projetos, nas diversas áreas da nova e da velha economia, quer seja a indústria manufatureira, quer sejam os “novos serviços”, um conglomerado de atividades que junta tecnologias da informação e pesquisa de ponta em nano ou em biotecnologia. Ele é tanto mais notável em vista do fato de que, duas décadas atrás, a Grã-Bretanha era um dos piores lugares do mundo para se começar novos negócios ou mesmo para manter os existentes. Como isso foi possível?
Lembro-me de que quando eu estava terminando minha tese de doutoramento, em 1984, uma digressão aborrecidamente sociológica sobre os desempenhos capitalistas em escala comparada, a Grã-Bretanha era o protótipo mesmo da decadência econômica, o exemplo acabado de declínio industrial, um modelo notório do atraso tecnológico, da desesperança científica – com sua exportação contínua de cérebros para os EUA – e do desalento político, de que eram testemunhos os freqüentes movimentos grevistas, que conseguiam paralisar até mesmo o enterro dos mortos (um serviço obviamente estatal). Em escala e em estilo talvez diferentes de um outro notável exemplo de decadência, o da Argentina, mas numa dimensão provavelmente comparável à da nação “peronista”, pela amplitude e profundidade do declínio econômico auto-infligido, a Grã-Bretanha, promotora e pioneira da primeira revolução industrial e centro indisputável das finanças internacionais nos 150 anos que seguem aos conflitos napoleônicos, tinha sido vítima, durante todo o século XX, mas mais especialmente no decorrer dos anos 60 e 70 desse século, de um dos mais acabados processos de decadência econômica a que nos foi dado assistir na história econômica mundial.
Lembro-me também que minha bibliografia sobre o “caso” inglês vinha marcada pelos conceitos de “decline”, “fall”, “end” e vários outros do gênero. Naqueles tempos – final dos anos 1970 e início da década seguinte – não parecia haver nenhum limite para a extensão da decadência britânica. Ela era feita de baixo crescimento, inflação, déficits orçamentários e de transações correntes, desvalorização da libra, “sucateamento” da indústria e dos transportes, deterioração dos serviços públicos – notadamente nas áreas da saúde e da educação –, aumento da violência nas metrópoles, enrijecimento dos conflitos sociais, empobrecimento dos equipamentos urbanos, desemprego mais do que residual ou setorial e desesperança geral na sociedade, em especial na juventude. O cenário estava mais para “Laranja Mecânica” do que para “A Wonderful World”, mais para George Orwell do que para Winston Churchill e seu otimismo inveterado quanto ao futuro do império, que aliás já não existia mais, tendo sido irremediavelmente deixado num passado distante de glórias irrecuperáveis.
E, no entanto, vinte anos depois, o que ocorreu? Um notável “renascimento” da indústria e dos negócios na Grã-Bretanha – mais notavelmente ainda na Irlanda vizinha, não esquecer –, um surto de progresso e de modernização que não deixa nada a invejar nos melhores centros da tecnologia mundial, uma recuperação econômica segura, que fez do país o mais dinâmico membro – com a Irlanda – da União Européia, exibindo, ao mesmo tempo, as maiores taxas de crescimento e as menores de desemprego e inflação. Trata-se, como já dito, do melhor lugar para se fazer negócios no continente – mas a Grã-Bretanha sempre brincou com a idéia de que o continente é que vivia “isolado” –, o que vem apoiado no fato de que os investimentos estrangeiros, inclusive dos emergentes da Ásia, têm-se concentrado na ilha. Como foi isso possível, volto a perguntar?
Não pretendo retomar aqui a história da “batalha ideológica” do século XX, já enfaticamente tratada no livro – e vídeo – conjunto de Daniel Yergin e Joseph Stanislaw sobre a luta pelo controle e administração dos commanding heights da economia. Essa batalha política entre os modelos de comando centralizado e de administração pelo mercado se encerrou e não é preciso dizer quem venceu. A Inglaterra lutou o bom combate e conseguiu reverter sua terrível decadência econômica e política. Antes disso, porém, a batalha foi dura: ela teve, primeiro, de ser levada nos “corações e mentes” dos cidadãos britânicos, nos súditos da rainha, para convencê-los de que a decadência não era inevitável ou uma fatalidade do destino, de que era possível, sim, colocar um ponto final na descida para o declínio social e começar lentamente a obra de recuperação. Depois foi preciso se desfazer de velhos mitos – e não apenas mitos, já que respondendo a construções históricas de seu passado mais ou menos “fabiano” – ligados aos papéis respectivos do Estado e do mercado no provimento de emprego e bem-estar social, de modo geral. Foi uma tremenda “reversão de expectativas”, como diria, em relação ao Brasil, o economista Roberto Campos:
Margareth Tatcher teve de sustentar lutas políticas e batalhas literais contra os interesses corporativos consolidados no antigo modelo de “welfare state”, que de “welfare” já não tinha nada e cujo “estado” era um corpo disforme, esgarçado entre as tendências protecionistas da velha indústria, os protestos enraivecidos (mas puramente de retaguarda) dos sindicatos dos setores estatizados e o desalento geral da maioria da população. Foi uma luta terrível para livrar a Grã-Bretanha do “pacto perverso” entre o Labour e a TUC – Trade Union Congress, a confederação sindical – que, durante a maior parte do pós-Segunda Guerra, tinha conduzido o país direto para a decadência, ao garantir aumentos reais de salários para os setores assim protegidos e ao repassar os custos para o conjunto da sociedade. Foi como se, no Brasil, a CUT e a FIESP, por hipótese no exercício do poder central, tivessem “complotado”, durante anos a fio, para se concederem e assim garantirem, reciprocamente, aumentos generosos de preços e de salários, repassando em seguida a conta para os contribuintes e consumidores, o que aliás não deixou de existir, de certo modo, durante as fases de alta inflação no Brasil. Trata-se da mais segura receita para inviabilizar qualquer processo de crescimento com estabilidade que se possa conhecer e ela foi seguida, conscientemente ou não, por vários governos britânicos durante boa parte da segunda metade do século XX na Inglaterra.
Pois bem, isso agora acabou, e a Grã-Bretanha renasce de sua antiga decadência, renovação tanto mais segura de continuar que o “novo Labour” aderiu ao processo e ao modelo iniciados por Lady Tatcher e deles não pretende se desvencilhar. Um pouco, aliás, como vêm fazendo os socialistas e democratas chilenos, que herdaram do período militar uma gestão mais ou menos em ordem e uma economia em franco crescimento nos quadros da globalização e da liberalização comercial. Alguma lição a tirar?
Claro que sim, e a primeira lição a tirar seria, além da inveja, desejar sorte e sucesso continuado a britânicos e chilenos, que podem desfrutar de baixo desemprego, estabilidade de preços, aumento razoável das expectativas de bem-estar, diminuição das “deseconomias” e das externalidades negativas associadas à má gestão da economia, melhora, ainda que gradual, nos padrões gerais dos serviços públicos – ou privados, não importa muito a forma de provimento – relativos à saúde, educação, facilidades urbanas em transporte, segurança etc. Enfim, sem ser preciso nenhuma revolução ou mudança dramática na situação corrente, deve ser melhor viver numa sociedade que conhece progressos incrementais nas condições de vida do que numa outra que, por hipótese, afunde progressivamente na delinqüência, no desemprego, na inflação, na deterioração dos equipamentos sociais, na compressão do poder de compra, na desesperança trazida pela sensação de aumento na corrupção política, enfim, que se debata com vários males de que padecem hoje muitos países ao redor do mundo.
E o que tem nosso país a ver com isso tudo? O Brasil conhece alguns desses males e, felizmente, está ao abrigo de outros, como poderia ser a inflação galopante que ameaça, mais uma vez, a vizinha Argentina, ou a instabilidade política, que já arrastou mais de um presidente para fora dos palácios presidenciais em outros países da região. Mas, nós acabamos de nos converter, junto com o infeliz Haiti, em campeões do baixo crescimento e da carga fiscal, aqui exclusivamente. Mais ainda, conhecendo a trajetória das contas públicas nos próximos anos, não hesito em dizer que teremos anos negros pela frente e, conhecendo também as atuais condições para a atividade empresarial e o ambiente geral dos negócios, tampouco hesito em dizer que o Brasil reúne, sem sombra de dúvida, todos os requisitos para NÃO CRESCER no futuro previsível.
Se essa trajetória não for revertida, a conclusão inevitável me parece ser apenas esta: caminhamos inevitavelmente para a decadência econômica, o baixo crescimento continuado, o desemprego mantido em altas taxas, a desesperança social convertida em humor nacional e o desalento generalizado quanto à capacidade dos nossos políticos em mudar esse quadro de declínio. O Brasil, por certo, não é um país decadente, em espírito ou disposição para a luta, mas ele parece hoje paralisado por um modelo de organização “estatal” da economia que nos garante, apenas e tão somente, isso que vemos: baixo crescimento, incapacidade de investimentos, “despoupança” líquida dos recursos do setor privado por uma máquina estatal prebendalística e perdulária, comportamentos rentistas das corporações que “assaltaram”, literalmente, o Estado, enfim, um quadro negativo de “deseconomias” de escala que nos garante apenas o que já foi mencionado, ou seja, baixo crescimento e perspectivas sombrias para o futuro.
A julgar pela história exemplar de decadência continuada – em certas épocas, mais do que agravada – dos dois casos mais notórios de baixo desempenho econômico no século XX, a Grã-Bretanha e a Argentina, estamos ainda longe de termos atingido o “auge” do declínio. Em outros termos, ainda teremos muitos problemas pela frente, com um espaço ainda aberto para um desempenho ainda mais medíocre da economia e uma deterioração ainda mais sensível dos costumes políticos. Talvez tenhamos de passar, realmente, por vinte anos de decadência, como no exemplo britânico, antes de sequer pensar no caminho da recuperação. Pelo menos é isso que eu concluo, ao constatar, em pesquisas de opinião, que o brasileiro médio ainda confia no Estado como um provedor de “soluções” a seus problemas cotidianos. Pode até ser, mas certamente não será esse Estado que aí se encontra. Reverter esse quadro vai ser difícil, mas não impossível, uma vez que já começamos a reconhecer o problema.
O próprio fato de se poder apontar para a decadência econômica inevitável do Brasil, como acabo de fazer, talvez já seja o primeiro passo para a necessária tomada de consciência e de posição, num sentido contrário à tendência declinista hoje detectada. Esperemos que não tenhamos de esperar por vinte anos, ou mais, de decadência, antes de conhecer uma reversão de tendência. Estou sendo muito pessimista? Talvez, mas não vejo motivos para muito otimismo no momento e nas condições presentes...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7 de março de 2006.

 

Cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, inicia “interiorização” da presença da diplomacia brasileira na Região Centro de Portugal (Agência Incomparáveis)

 Cônsul-geral do Brasil em Lisboa inicia “interiorização” da presença da diplomacia brasileira na Região Centro de Portugal

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, Alessandro Candeas abordou a criação do Consulado Honorário do Brasil em Belmonte, o potencial económico e académico do Interior de Portugal e a estratégia de aproximação às comunidades brasileiras residentes fora dos grandes centros urbanos neste país europeu
Agência Incomparáveis, 02/07/2026
https://www.agenciaincomparaveis.com/consul-geral-do-brasil-em-lisboa-inicia-interiorizacao-da-presenca-da-diplomacia-brasileira-na-regiao-centro-de-portugal/

[Foto] Alessandro Candeas, cônsul-geral do Brasil em Lisboa.

O cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, defendeu a necessidade de reforçar a presença institucional brasileira no Interior de Portugal, apontando Belmonte, no distrito de Castelo Branco, como um novo polo estratégico para o desenvolvimento das relações entre os dois países.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis, realizada durante deslocação à Beira Interior no âmbito da entrega de um prémio aos alunos do Agrupamento de Escolas Pedro Álvares Cabral, tendo em conta a iniciativa “Amigos e Amigas do Brasil”, este diplomata abordou a recente inauguração do Consulado Honorário do Brasil em Belmonte, o concurso escolar “Amigos e Amigas do Brasil”, o potencial económico e académico da região e o papel do consulado junto da comunidade brasileira residente em Portugal.

Segundo Alessandro Candeas, a criação da estrutura consular em Belmonte representa um passo importante na estratégia de descentralização da presença brasileira em território português.

“Com a inauguração de um consulado honorário na cidade de Belmonte, sendo o doutor António Dias Rocha cônsul honorário desde novembro do ano passado, o nosso objetivo é, justamente, interiorizar a presença do Brasil em Portugal, a partir de Belmonte, a presença consular de serviços consulares de atendimento à comunidade brasileira, mas também empresarial, académica, cultural”, frisou, sublinhando que “Belmonte, a partir de agora, é o nosso ponto de apoio nesse exercício de diversificar a agenda e, como eu disse, de interiorizar geograficamente a ação e a presença do Brasil”.

Concurso escolar promoveu interculturalidade nas escolas portuguesas

Durante a visita a Belmonte, Alessandro Candeas participou, no dia 16 de junho, na cerimónia de entrega do prémio do concurso “Amigos e Amigas do Brasil”, iniciativa lançada pelo Consulado-Geral do Brasil em Lisboa em março deste ano, com o objetivo de “promover a convivência intercultural entre alunos de diferentes nacionalidades presentes nas escolas portuguesas”.

“O concurso ‘Amigos e Amigas do Brasil’ foi um concurso escolar que nós lançamos em março e vim entregar a premiação dos vencedores da escola Pedro Álvares Cabral em Belmonte. Venceram o terceiro lugar na categoria “Vídeo”. Os alunos fizeram um vídeo muito interessante que mostrava a interação, por exemplo, no recreio, entre alunos brasileiros e portugueses. Se divertiam com algumas palavras diferentes que temos no português do Brasil e no português de Portugal. Foi algo muito criativo, muito simbólico e muito bem feito”, salientou.

Ao explicar os objetivos da iniciativa, este responsável sublinhou a importância da diversidade cultural no ambiente escolar.

“O objetivo desse concurso foi divulgar e valorizar a interculturalidade no ambiente escolar português. Ou seja, em várias escolas de Portugal há muitas nacionalidades, há escolas com 20, 40 nacionalidades diferentes e a maioria, normalmente, é de brasileiros. Então, o objetivo foi estimular essa diversidade e a convivência entre nacionalidades diferentes de uma forma muito lúdica, divertida, em três categorias: “Vídeo”, como mereceu destaque entre os alunos em Belmonte, mas também “Redação” e “Pintura””, referiu o cônsul-geral, que considerou que os resultados obtidos “superaram as expetativas iniciais”.

“Tivemos um resultado muito satisfatório e vimos, realmente, o entusiasmo de alunos, mas também de diretores e professores. O engajamento dos professores e professoras foi muito importante nesse concurso e estamos muito satisfeitos com o resultado”, declarou.

Interior de Portugal como “oportunidade ainda por descobrir”

Questionado sobre o papel da Região Centro de Portugal nas relações entre Brasil e Portugal, Alessandro Candeas realçou que existe um potencial significativo pouco explorado por investidores, instituições e agentes económicos brasileiros.

“O Interior de Portugal é uma grande oportunidade ainda a ser descoberta. Ou seja, o foco, tanto político como empresarial, comercial, de investimentos, tem sido, tradicionalmente, o litoral. Cidades como Lisboa, Porto, Coimbra, Torres Vedras e a região do Algarve também, mas há pouco conhecimento do grande potencial de desenvolvimento, de atração de investimentos no Interior de Portugal”, observou.
Cônsul Honorário do Brasil em Belmonte, António Dias Rocha (esq.), e cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas. Foto: Agência Incomparáveis

Este embaixador de carreira identificou particularmente a Beira Interior e o Alentejo como regiões prioritárias na estratégia do Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa.

“A região das Beiras e o Alentejo são a nossa jurisdição do Consulado-Geral em Lisboa, e, claro, nós trabalhamos com a Beira Interior e com o Alentejo. Mas também, evidentemente, o Consulado-Geral do Brasil no Porto terá muito interesse em interiorizar para as regiões da Beira Alta, Beira Litoral, Trás-os-Montes, e, da mesma maneira, nós temos um consulado em Faro, com jurisdição, sobretudo, no Algarve”, explicou, comentando ainda sobre a intenção de promover novas oportunidades de cooperação.

“No que nos concerne, o Consulado-Geral em Lisboa, a nossa área de atuação e de interesse é justamente aqui as Beiras e o Alentejo. Nós queremos atrair, em cooperação, evidentemente, com a Embaixada do Brasil em Portugal, porque essa agenda é mais da competência da Embaixada, investimentos, missões empresariais, todo o interesse académico também. Há muitos brasileiros que estudam e lecionam aqui”, disse.

De acordo com este responsável, Belmonte deverá desempenhar um papel relevante neste processo.

“Da parte do consulado-geral, o nosso objetivo é dar aos brasileiros, à comunidade brasileira residente no Interior de Portugal uma ponte de apoio em Belmonte, mas que também seja aberta para outras oportunidades de comércio, investimentos e academia”, acrescentou.

Covilhã poderá integrar estratégia de expansão da presença brasileira

Durante essa mesma deslocação à região, Alessandro Candeas destacou a importância crescente da Covilhã no contexto da comunidade brasileira instalada no Interior português.

“Covilhã é uma sede muito importante de interesse. Há muitos brasileiros que estudam já e trabalham ou que têm interesse em investir aqui em Covilhã”, afirmou.

O diplomata recordou que o Consulado Honorário do Brasil em Belmonte poderá contar com apoio logístico e instalações na cidade neve.

“O consulado honorário do Brasil em Belmonte poderá vir a ter a oportunidade de contar com um espaço físico, inclusive, de apoio logístico, para atuar desde a Covilhã. Isso vai ser de muito interesse e muito importância para nós”, salientou Alessandro Candeas acredita que este esforço poderá beneficiar ambas as partes.

“Eu tenho certeza de que há um interesse recíproco também por parte dos portugueses dessas regiões em conhecer as oportunidades de intercâmbio com o Brasil”, observou.

Consulado reforça apoio à comunidade brasileira

Na parte final da entrevista, o cônsul-geral deixou uma mensagem dirigida à comunidade brasileira residente na região, reafirmando a missão de proximidade do consulado.

“O consulado está aqui para servir a comunidade brasileira. O objetivo do consulado é atender aos interesses da comunidade expatriada brasileira”, enfatizou, destacando a integração dos brasileiros na sociedade portuguesa.

“Temos uma comunidade crescente aqui em Portugal, muito bem integrada, com trabalho, com estudo, ou seja, uma comunidade que paga os seus impostos, que veio aqui não para disputar nenhum espaço com nenhum trabalhador português, muito pelo contrário”, sustentou, referindo que os brasileiros têm contribuído positivamente para a economia portuguesa.

“A inserção laboral dos brasileiros se dá, sobretudo, em lugares onde há espaço, ou seja, onde, por exemplo, os jovens portugueses não ocupam esse espaço, estão muitas vezes no exterior. Então, há espaços disponíveis a serem ocupados no mercado de trabalho e é aí justamente onde a comunidade brasileira, que é uma comunidade trabalhadora, dinâmica, integrada culturalmente, se manifesta, se localiza, se estabelece e sempre com uma performance muito boa”, afirmou.

Alessandro Candeas concluiu sublinhando o contributo da comunidade brasileira para Portugal e recordando os serviços prestados pelo consulado.

“A comunidade brasileira contribui para o desenvolvimento de Portugal. E qual é o papel do consulado nisto tudo? Estamos aqui para ouvir a comunidade brasileira, atender os seus interesses, prover documentos, como passaportes, atos notariais. Nós também damos assistência jurídica e psicológica em alguns casos extremos, chama-se assistência consular”, explicou.

Por fim, apelou ao contacto permanente com os canais digitais do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa.

“Contem com o consulado-geral do Brasil em Lisboa. Sigam a nossa página no Instagram ou no Facebook. Nós temos também um chatbot. É possível fazer qualquer consulta sobre qualquer documentação de interesse da comunidade, é possível ter, ao fazer a consulta ao assistente virtual, imediatamente no celular (telemóvel) a resposta que precisa. E, qualquer coisa, estamos aqui totalmente à disposição de vocês e cada vez mais dispostos a atender a comunidade no Interior de Portugal”, finalizou.

O Atendente Virtual do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, referido na entrevista por Candeas, pode ser encontrado em: https://www.chatbase.co/chatbot-iframe/-1p92FwRN1VpNmxoN12jN

terça-feira, 14 de julho de 2026

Madame IA se debruça sobre o caso (terminal?) de DJT, que precisa ser examinado urgentemente por uma junta psiquiátrica (ADL)

 Madame IA se debruça sobre o caso clínico (podendo ser um perigo para toda a humanidade) de DJT (e seu amigo VP), pelo menos um saindo da ala dos Napoleões de hospício (como diria Nelson Rodrigues, capturado pelo saudoso Aldir Blanc).

Conforme declarações públicas dadas por pessoas ligadas à área da saúde (como psicólogos, psiquiatras, médicos, etc.), quais são, teoricamente, as debilidades mentais e comportamentais de Donald Trump? Dê uma resposta detalhada, factual, exemplificativa, cronológica e crítica.

* A seguir, a resposta dada pela Gemini AI (a IA do Google) ao comando acima (inserido em 14/07/2026 às 22h45min, na linha de interações):

As declarações públicas de profissionais de saúde mental sobre o perfil psicológico e cognitivo de Donald Trump compõem um dos debates mais intensos e controversos da história política moderna. Embora ele tenha retornado à presidência dos Estados Unidos em 2025, as discussões clínicas e comportamentais sobre suas atitudes públicas continuam ativas. [1, 2, 3, 4]

 
Abaixo, detalha-se de forma factual, cronológica e crítica o que dizem os especialistas, as debilidades apontadas e os contra-argumentos da própria comunidade médica. [1]

 
1. As Principais Debilidades Apontadas (Teóricas)
Os profissionais de saúde mental que decidiram se manifestar publicamente dividem suas observações em dois grandes eixos: desvios de personalidade (comportamentais) e declínio de capacidades intelectuais (cognitivas). [1, 2]
Eixo Comportamental: Narcisismo Maligno e Transtorno Antissocial
Muitos analistas de comportamento, incluindo psicólogos e psiquiatras focados em perfis de liderança, afirmam que as atitudes de Trump sugerem um quadro de Narcisismo Maligno. Este conceito (não listado oficialmente no DSM, mas amplamente utilizado na psicologia clínica) combina elementos de: [1, 2, 3]
Transtorno de Personalidade Narcisista: Grandiosidade, crença de infalibilidade, necessidade extrema de admiração e ausência crônica de empatia. [1, 2]
Transtorno de Personalidade Antissocial (Sociopatia): Padrão de mentiras repetidas, desprezo pelas regras e leis, impulsividade e falta de remorso ao prejudicar terceiros. [1, 2]
Paranoia e Sadismo: Tendência a se ver constantemente como vítima de conspirações, agressividade vingativa contra opositores e aparente prazer na humilhação de rivais. [1, 2]
Eixo Cognitivo: Sinais de Deterioração Progressiva
Especialistas em geriatria e neurologia têm analisado os discursos públicos de Trump para rastrear sintomas que ultrapassam os traços de personalidade, sugerindo um 

Declínio Cognitivo ou mesmo estágios iniciais de Demência Frontotemporal. Os indícios teóricos apontados incluem: [1, 3] 

Discurso Tangencial: Perda do fio da meada, digressões confusas e a chamada "fuga de ideias" (quando uma palavra engatilha um assunto completamente aleatório). [1, 2]
Confusão Factual e Espacial: Confundir nomes de líderes mundiais, datas e fatos históricos repetidamente. [1, 2]
Perda de Inibição: Aprofundamento de posturas agressivas ou vulgares na internet que, segundo neurologistas, podem refletir a perda de controle de impulsos no córtex frontal conforme o envelhecimento avança. [1, 2]

 
2. Linha do Tempo das Manifestações Médicas (Cronologia)
 

2016–2017: O Alarme Inicial e a Quebra de Paradigmas
Durante sua primeira campanha e vitória eleitoral, milhares de psicólogos assinaram petições organizadas pelo psicólogo John Gartner manifestando preocupação com a estabilidade mental de Trump. Em outubro de 2017, foi lançado o livro de grande repercussão The Dangerous Case of Donald Trump ("O Perigoso Caso de Donald Trump"), onde 27 psiquiatras e psicólogos detalharam o risco que o comportamento do presidente apresentava devido à sua impulsividade e acesso a códigos nucleares. [1, 2, 3, 4]
 

2018: O Teste de Montreal (MoCA)
Pressionado pelas críticas, Trump realizou o Exame Cognitivo de Montreal (MoCA) em 2018. O médico da Casa Branca na época declarou que ele obteve uma pontuação perfeita de 30/30. Médicos independentes reagiram publicamente explicando que o MoCA é uma triagem básica para demência severa (como identificar o desenho de um elefante ou repetir palavras simples), e não um atestado de alta inteligência ou maturidade emocional. [1, 2, 3]

 
2024: O Alerta do Narcisismo no Ano Eleitoral
Em outubro de 2024, uma carta aberta assinada por mais de 200 profissionais de saúde norte-americanos voltou aos holofotes da mídia, afirmando categoricamente que Trump exibia sintomas clássicos de narcisismo maligno e que sua irresponsabilidade comportamental era um perigo para o cargo executivo. [1]

 
2026: Entrada no Registro do Congresso dos EUA
Em maio de 2026, um grupo de mais de 30 médicos seniores (incluindo neurologistas e psiquiatras forenses) enviou uma declaração formal que foi inserida no Registro do Congresso dos EUA. Eles citaram "sinais objetivamente observáveis de preocupação médica séria", como deterioração do funcionamento cognitivo, episódios de aparente sonolência em eventos públicos formais, crenças delirantes de missão divina e severo comprometimento do julgamento. [1, 2, 3]

 
3. Análise Crítica e Controvérsia Científica
O debate sobre a mente de Donald Trump traz profundas implicações éticas e científicas para a medicina, dividindo a própria categoria médica em duas correntes:
A Regra de Goldwater (A Defesa da Ética Tradicional)
A maior parte da comunidade médica institucionalizada, incluindo a American Psychiatric Association (APA), condena rigidamente essas análises públicas. Isso se deve à Regra de Goldwater (criada em 1973), uma norma ética que proíbe psiquiatras de emitirem diagnósticos ou opiniões médicas profissionais sobre figuras públicas que não foram avaliadas pessoalmente em consultório. [1, 2]
O argumento técnico: Diagnosticar à distância com base em aparições na televisão ou postagens em redes sociais é considerado antiético, impreciso e prejudicial à reputação da própria psiquiatria. O renomado psiquiatra Allen Frances, autor dos critérios de Transtorno de Narcisismo no manual DSM-IV, declarou publicamente que Trump não atende aos critérios da doença porque seu comportamento egoísta não lhe causa sofrimento clínico pessoal ou disfunção interna — pelo contrário, suas atitudes lhe renderam dinheiro, fama e poder. [1, 2, 3, 4]

 
O "Dever de Alertar" (A Justificativa dos Dissidentes)
Por outro lado, os médicos que decidiram falar publicamente argumentam que existe um princípio ético maior decorrente da Declaração de Genebra: o dever de alertar o público (duty to warn) quando o comportamento de um líder com poder militar maciço demonstra instabilidade evidente. Eles defendem que não estão fazendo um diagnóstico clínico fechado de gabinete, mas sim uma avaliação de "periculosidade" baseada em um histórico público de dados comportamentais. [1, 2, 3, 4]
Por fim, analistas políticos e médicos apontam que rotular comportamentos puramente ideológicos, estratégias populistas ou falhas de caráter moral como "doença mental" pode blindar o político de sua responsabilidade civil, além de estigmatizar pacientes psiquiátricos reais que não apresentam nenhuma tendência à violência ou ao autoritarismo. [1]

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Grato a Airton Dirceu Lemmertz pela invocação de especialistas, no consultório de Madame IA.

O Sul Global existe, pelo menos é o que parecem acreditar os acadêmicos: Association of Global South Studies Annual Conference

 

Greetings Paulo Roberto Almeida,
A new Announcement has been posted in H-LatAm.

Trump já destruiu o NAFTA, em seu primeiro mandato: agora está destruindo o acordo tripartite com Canadá e México também (Bloomberg)

Trump já destruiu o NAFTA, em seu primeiro mandato: agora está destruindo o acordo tripartite com Canadá e México também (Bloomberg)

Gonzalo Soto

Bloomberg, July 15, 2026

The World Cup was supposed to be North America’s party, a time to showcase partnership. Instead the US, Mexico and Canada are discovering that even the best co-hosting arrangement isn’t immune to underlying political friction.

Washington’s announcement yesterday that it won’t renew the USMCA trade pact, citing “substantial issues” with a deal reached by President Donald Trump in his first term, opens the door to yearly reviews with unclear rules on how that’s going to work.

Suddenly, the region’s $1.6 trillion in trade ties carries a big question mark.

The timing is awkward as Mexico is in the throes of football celebration, the US is basking in its own team’s success, and Canada is enjoying a rare moment of soccer relevance.

A Duty Free sign at the Canada-US border in Saint-Bernard-de-Lacolle, Quebec, Canada, on Tuesday, Feb. 24, 2026. The US Supreme Court's decision to strike down many of Donald Trump's tariffs offers some relief to Mexico and Canada, but a much bigger set of risks still hangs over the trade relationship that joins the three countries. Photographer: Graham Hughes/Bloomberg
A sign at the Canada-US border in Saint-Bernard-de-Lacolle.
Photographer: Graham Hughes/Bloomberg

Mexican President Claudia Sheinbaum, whose morning message had every reason to stay in full World Cup mode after the national team had just beaten Ecuador, had to fold in a few words about what comes next for the trade agreement. Nothing says “soccer fiesta” quite like, “please remain calm about the treaty underpinning our export economy.”

The problem is not merely that the USMCA is being reviewed; that was always in the fine print. At issue is what ensues if the three partners fail to agree on a clean extension: annual reviews that could keep investors, ministries and boardrooms guessing for years.

Mexican officials now face the daunting task of anticipating not just what Washington wants, but how these yearly check-ins would work in practice. Would they be technical, or a fresh opportunity for tariffs and political theater?

It’s another uncertainty for Mexico-US ties that already entangle trade, migration, fentanyl, autos and politics.

World Cup host nations are supposed to act like partners, with synchronized ceremonies and smiling leaders. North America is instead giving off a weird dissonance right now.

The teams may be advancing together. The governments, less so. Gonzalo Soto

TOPSHOT - Canada's Prime Minister Mark Carney (L) and Mexico's President Claudia Sheinbaum (R) shake hands after a joint press conference at the National Palace in Mexico City on September 18, 2025. Mexico's President Claudia Sheinbaum and Canada's Prime Minister Mark Carney met in Mexico City as Trump pushes to renegotiate the USMCA North American trade pact in place since 2020. It replaced the NAFTA accord signed in the 1990s. (Photo by Yuri CORTEZ / AFP) (Photo by YURI CORTEZ/AFP via Getty Images) Photographer: YURI CORTEZ/AFP
Canadian Prime Minister Mark Carney and Sheinbaum in Mexico City on Sept. 18.

Photographer: Yuri Cortez/AFP/Getty Images 

O céu cai sobre nossas cabeças, literalmente (The Washington Post)

 Tudo o que o chefe gaulês, Abraracourcix, da série de Goscinny e Uderzzo das afenturas de Asterix e Obelix, mais temia: que le ciel nous tombe sur la tête.
Pois ele está caindo, e seus efeitos podem ser perigosos, se não catastróficos, dependendo do objeto, satélites cuja vida útil já se esgotou.

Why space debris matters for Trump’s agenda
The Washington Post, July 15, 2026

The Neil Gehrels Swift Observatory, nearly 22 years into what was only meant to be a two-year mission, is falling out of orbit. Without intervention, it will come crashing back to Earth.

The situation could have been ripped from a sci-fi screenplay — and so could the solution NASA devised: launching a three-armed spacecraft to intercept the falling observatory, which carries NASA telescopes, and push it, over the course of about a month, into a higher orbit. It’s a relatively novel strategy — it’s only been done once before, by China four years ago — and one NASA may be forced to use more and more frequently in the coming years.

“Every satellite lower in orbit, a couple hundred miles up or so, 400 miles or so, eventually they’re all going to come down, it’s just a matter of how long,” said John Crassidis, a professor of aerospace engineering at the University at Buffalo and former NASA scientist.

What to do about the increasing number of satellites and many random debris floating around Earth is taking on increased importance under President Donald Trump, who has made ensuring “a future of American dominance in space” a cornerstone of his agenda.

As of 2024, NASA estimated there were more than 45,000 human-made objects orbiting Earth, around 14,500 of which are active satellites. Some of these satellites have boosters built in, so when their missions are completed they can be pushed into a high enough orbit that they’ll never fall back to Earth. But much of the random debris one finds floating in space — old satellites, rocket stages and other parts of spacecraft, things astronauts discard, intentionally and not — do not.

Atmospheric drag can cause objects in a low orbit to lose speed and fall out of orbit. Usually, they then burn up in Earth’s atmosphere, though occasionally pieces make their way to land, or, more frequently, sea. The Earth is 71 percent water, and humans inhabit a fraction of the terra firma, so falling space debris is most likely to land somewhere humans aren’t. But that’s not always the case, like in 2024, when debris from the ISS damaged a Florida family’s home, or 2025, when debris from a SpaceX launch landed in a Polish village.

The amount of space debris has increased sharply in recent years, much of it because of commercial satellites and space programs, raising the likelihood of space debris reaching Earth. The risk to humans is still very, very small. The risk to space missions and satellite activity is not.

Even small bits of debris can damage communications or GPS satellites, and active satellites are having to dodge space debris more and more. Elon Musk’s Starlink satellites had to maneuver around debris 144,000 times in the first half of 2025 alone. These maneuvers cause fuel to be used up more quickly, effectively shortening their lifespans, and cause gaps or errors in data collection in systems that do things like provide early warnings of natural disasters.

These collisions are even more dangerous for manned space travel.

The International Space Station already has to routinely re-route to avoid collisions with space debris. NASA has called off at least one spacewalk because of the dangers posed by debris to astronauts. Launch windows, spacecraft trajectories and the satellite data that make mission planning possible are all affected by the growing cloud of space debris. Manned missions are a key part of Trump’s space efforts — with his desire to see man return to the moon and go to Mars — but the space that astronauts will travel to is radically more crowded than when Apollo 11 made it to the moon in 1969.

“We’ve got to get the astronauts through that debris field if we want to go to the moon or Mars,” Crassidis said. “So we’re putting our astronauts in harm’s way too.”

Sen. John Hickenlooper (D-Colorado) has led the most significant legislative effort to address the Earth’s orbital dumpster, introducing the bipartisan Orbital Sustainability (ORBITS) Act in the last few sessions of Congress. It passed the Senate unanimously in 2022 and 2023, only to get shelved in the House. It passed out of committee again this year, and Hickenlooper recently introduced the act as an amendment to the National Defense Authorization Act (NDAA).

The bill, in its most recent form, would direct NASA to publish a list of the debris that poses the greatest risk to spacecraft in orbit and develop technology to repurpose or remove space debris from orbit.

“Earth orbits are turning into a junkyard. Space junk and debris pose a real risk to American satellites and jeopardize future space exploration,” Hickenlooper said in a statement to The Washington Post. “Every day we wait is another day that debris piles up.”

Scientists are doing their best to come up with ways to deal with the debris, exploring everything from nets to scoop it up to harpoons to impale it and move it away. At the moment, moving debris either via built-in boosters or another spacecraft is the most reliable method. But some plans show promise, like one to create a giant oven in space that can cook the debris and turn it into fuel.

Even the most promising of these plans are likely still decades out from practical use. But as Crassidis notes: “Today’s science fiction is tomorrow’s reality.”

Tese de Caio Prado Junior para concurso na USP é lançada em livro Roberto C. G. Castro (Jornal da USP)

Tese de Caio Prado Junior para concurso na USP é lançada em livro 

 Diretrizes para Uma Política Econômica Brasileira (1956)

Roberto C. G. Castro 

Jornal da USP, 15/07/2026

https://jornal.usp.br/cultura/tese-de-caio-prado-junior-para-concurso-na-usp-e-lancada-em-livro/ 

Em 1956, o historiador Caio Prado Júnior (1907-1990) – então já respeitado como um importante intelectual comunista – concorreu ao cargo de professor da cadeira de Economia Política da Faculdade de Direito da USP. Para isso, ele apresentou a tese Diretrizes para Uma Política Econômica Brasileira. O historiador não obteve o primeiro lugar no concurso, que coube ao jurista José Pinto Antunes, embora tenha sido aprovado e recebido o título de professor livre-docente – cassado pela ditadura militar em 1968. Já sua tese foi praticamente esquecida. Publicada na época pela gráfica Urupês, em tiragem reduzida, ela não voltou a ser impressa – nem mesmo pela célebre Editora Brasiliense, fundada por Caio Prado Júnior e outros intelectuais mais de dez anos antes. Agora, 70 anos depois, a tese de Caio Prado Júnior foi finalmente lançada pela Boitempo Editorial.

Em sua tese agora disponível em livro, Caio Prado Júnior aborda temas presentes em suas obras clássicas que então já estavam publicadas, como Evolução Política do Brasil (1933), Formação do Brasil Contemporâneo (1942) e História Econômica do Brasil (1945).

Um desses temas é a questão do mercado interno e externo. Para Caio Prado Júnior, a reestruturação econômica do Brasil – que, segundo o historiador, vivia ainda sob um sistema colonial, assentado na produção primária e na exportação – deveria se dar com o deslocamento da base econômica do mercado externo para o interno. Para isso, era preciso dotar o Estado da capacidade de fortalecer o capital privado, a fim de dar condições adequadas para que as “forças produtivas” do País possam realizar as necessárias mudanças na economia. Essas “forças produtivas” são a burguesia industrial e comercial –”livre de compromissos para com o imperialismo e o capital financeiro internacional” –, o proletariado e o campesinato. “Trata-se de cuidar com a maior atenção do movimento de nossas transações externas, tirando delas o máximo e necessário proveito para que elas representem cada vez com menos destaque o papel de fulcro da economia brasileira que atualmente constituem”, escreve Caio Prado Júnior.

O livro que traz a tese de Caio Prado Júnior escrita nos anos 1950 - Foto: Reprodução/Boitempo Editorial
O livro que traz a tese de Caio Prado Júnior escrita nos anos 1950 - Foto: Reprodução/Boitempo Editorial
A Faculdade de Direito da USP - Foto: Wikimedia Commons/Domínio Público

Fiel à sua formação marxista, o historiador percebia que era preciso, antes, considerar os fatos econômicos para, depois, sugerir a política econômica mais adequada. Essa é a razão por que ele recusava a visão idealista e utópica de propostas econômicas revolucionárias e defendia uma ação reformista, ainda no espaço de uma economia de base colonial e dependente do sistema internacional do capitalismo. “Uma política social, e a política econômica em particular, não se pode propor fora e acima dos fatos históricos”, escreve Caio Prado Júnior, justificando a adoção, em suas análises, da dialética marxista – o método de interpretação desenvolvido pelo pensador alemão Karl Marx (1818-1883) que prioriza a realidade, em detrimento das ideias.

reforma agrária é outro tema discutido por Caio Prado Júnior em Diretrizes para Uma Política Econômica Brasileira. Para ele, o baixo índice econômico e de consumo da população rural e as limitações do mercado brasileiro em geral se devem, em boa parte, à estrutura do campo no Brasil e à grande concentração de terras em torno de poucos proprietários. “A grande propriedade agrária, em regra geral, dificilmente se afasta dos limites da monocultura extensiva, e em particular da monocultura destinada à exportação”, nota o historiador. “A facilitação do acesso da massa da população rural brasileira à propriedade fundiária é uma das premissas essenciais, se não a essencial, da transformação econômica do campo brasileiro, tanto no que diz respeito à intensificação e diversificação das atividades produtivas como à correlata extensão do consumo, o que significa extensão do mercado para as indústrias”, acrescenta, lembrando que a reforma no campo deve ser acompanhada de um programa de aparelhamento técnico adequado para a agropecuária.

Alicerce para uma nação mais justa

O livro publicado pela Boitempo Editorial traz uma nota do professor Luiz Bernardo Pericás, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Nela, Pericás lembra que Caio Prado Júnior só se inscreveu no concurso para professor da Faculdade de Direito por insistência de seus camaradas do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que, com a candidatura do historiador, buscavam confrontar o conservadorismo da Congregação da faculdade. Para esta, era inconcebível um comunista como docente de Economia Política, segundo Pericás. Cinco dos 14 integrantes do Congregação chegaram a se opor à inscrição de Caio Prado Júnior no concurso. “A tese deve ter assustado os juízes da banca examinadora, com suas proposições arrojadas com fundamento na dialética”, escreve o professor da FFLCH. “Para Caio Prado Júnior, o magistério não significava o emprego, o meio de vida – não precisava dessa fonte –, mas a oportunidade de divulgar suas ideias.”

Como introdução, Diretrizes para Uma Política Econômica Brasileira publica ainda um texto dos professores Alexandre de Freitas Barbosa, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, e Gilberto Bercovici, da Faculdade de Direito da USP. Nele, Barbosa e Bercovici dão informações sobre a cadeira de Economia Política da Faculdade de Direito da USP – inaugurada em 1829 pelo catedrático Carlos Carneiro de Campos (1805-1878) –, o concurso do qual Caio Prado Júnior participou, em 1956, e a tese apresentada pelo historiador. “Apesar de ter o título de professor livre-docente, Caio Prado Júnior nunca foi chamado para lecionar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco”, escrevem os professores. “Como costuma acontecer na história, a ‘revolução brasileira’ seguiria caminhos tortuosos. Setenta anos depois do concurso, sua obra é ensinada e praticada na Faculdade de Direito e em outros departamentos e institutos da Universidade de São Paulo, ocupando papel de destaque nas universidades públicas brasileiras e servindo de referência para movimentos sociais e partidos de esquerda do País. Seu pensamento serve de alicerce para a construção de uma nação mais justa e soberana.”

Diretrizes para Uma Política Econômica Brasileira, de Caio Prado Júnior, Editora Boitempo, 208 páginas, R$ 62,10.

*Estagiária sob orientação de Simone Gomes

 

 

Geopolítica da infraestrutura digital - Rubens Barbosa (OESP)

Opinião: 

Geopolítica da infraestrutura digital

O Brasil precisa dar prioridade à tecnologia para estar na mesa de governança global com voz e com capacidade de influência real

Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo, 14/07/2026


A disputa por poder, zonas de influência e soberania, em termos de geopolítica clássica, significa controle de territórios, rotas marítimas, reservas de petróleo, arsenais militares e acordos de defesa. No mundo atual, o poder passou a ser exercido também por meio de satélites, algoritmos, cabos submarinos, chips de silício e, cada vez mais, por data centers. A infraestrutura digital tornou-se uma das principais arenas de competição geopolítica global.

Quem controla a conectividade global controla o fluxo de dados e o acesso à informação. Quem controla informação condiciona decisões – econômicas, políticas, militares e sociais. Não é por acaso que os Estados Unidos e a China travam hoje uma batalha sem regras pelo domínio dos semicondutores, da inteligência artificial (IA) e da infraestrutura de nuvem. Os americanos restringiram exportações de chips avançados para a China. Os chineses responderam com restrições a minerais críticos indispensáveis para a fabricação desses mesmos chips.

E não é por acaso que países em desenvolvimento em todo o mundo estão sendo pressionados por Washington e por Pequim para escolher de qual infraestrutura digital vão depender – qual sistema de pagamentos vão adotar, qual rede 5G vão instalar e qual plataforma de nuvem vai armazenar os dados do seu governo.

É importante entender o que está em jogo. O mundo digital, que nasceu com a promessa de ser universal, aberto e neutro, está se partindo em blocos com regras, protocolos e infraestruturas distintas. Há uma internet americana, baseada em plataformas privadas e na doutrina da livre circulação de dados. Há uma internet chinesa, com controle estatal, firewall e padrões próprios de governança. E há uma série crescente de países que tentam, com graus variados de sucesso, construir um terceiro caminho – europeu, indiano ou simplesmente nacional.

O Brasil, com o Marco Civil da Internet, tem defendido uma internet aberta, multilateral e baseada em princípios acordados internacionalmente. Mas defender uma internet aberta no plano dos princípios requer, no plano concreto, que tenhamos infraestrutura própria, capacidade de processamento local e independência tecnológica suficiente para que nossa posição seja genuína – e não apenas uma dependência, disfarçada de escolha soberana.

Outro fator crítico é a conectividade. Satélites em órbita baixa tornam-se ativos geopolíticos estratégicos. No Brasil, o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Estratégica, com vida útil prevista até 2032, desempenha essa função em grande parte do território nacional e no armazenamento de dados do governo. Os cabos submarinos de fibra ótica que conectam os continentes são hoje tão estratégicos quanto as rotas marítimas eram no século 19. Há hoje uma disputa crescente, com implicações diretas de segurança nacional, sobre quem financia esses cabos, quem os opera, quem tem acesso às informações que por eles trafegam e quem pode, em situações de crise, interrompê-los ou monitorá-los.

Está havendo uma corrida pela IA, que está redefinindo completamente a demanda por infraestrutura digital (data centers e satélites). Os países que não tiverem infraestrutura de processamento em seu próprio território vão, na prática, desenvolver sua inteligência artificial em servidores localizados em outros países, sob jurisdições estrangeiras, sujeitos a leis e a pressões que não definiram e sobre as quais têm pouco ou nenhum controle. Mais do que uma questão tecnológica, trata-se de uma questão de controle de dados, de privacidade e de autonomia, de decisão política e econômica. Na geopolítica digital, a distância geográfica perde importância, pois os ataques podem ser marcados de qualquer lugar, daí a relevância da segurança cibernética.

O papel do Estado contemporâneo está sendo redesenhado. Fala-se muito do Estado socioambiental, mas pouco sobre o Estado tecnológico. Para o Brasil, é urgente a definição de uma política para a infraestrutura digital, com um marco regulatório que dê previsibilidade real aos investidores – não apenas para os grandes operadores internacionais, mas para os operadores brasileiros de médio porte que precisam competir em igualdade de condições e que são os que mais sofrem com a insegurança jurídica e a instabilidade regulatória.

É necessária uma política de formação de mão de obra especializada. É essencial uma estratégia de investimentos em áreas de interesse para a infraestrutura digital, como a exploração de minérios críticos.

A infraestrutura digital não é neutra. Os sistemas de inteligência artificial que processam dados dos brasileiros refletem os valores e os interesses de quem os treinou e de quem controla os servidores onde rodam. A governança dos dados – quem pode acessá-los e sob quais condições –, em especial os relacionados com informações de Estado, como é o caso do Brasil, visa à defesa da soberania e não representa um desafio técnico secundário.

O Brasil precisa dar prioridade à tecnologia para estar na mesa de governança global com voz e com capacidade de influência real. E só terá essa voz se tiver infraestrutura própria, regulação sólida e uma política digital coerente com seus interesses nacionais.

 

Rubens Barbosa, presidente do Grupo Interesse Nacional e Membro da Academia Paulista de Letras.

 

https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/geopolitica-da-infraestrutura-digital/

 

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