sábado, 28 de fevereiro de 2026

Revista Será? Desde 2012 acompanhando o fluxo da história. ANO XIV Nº699

 Revista Será?

Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº699

Recife, 27 de fevereiro de 2026.

Caro leitor:

Há edições que informam. Outras que inquietam. Esta faz as duas coisas — e algo mais: convida o leitor a pensar o Brasil e o mundo sem anestesia. Em tempos de normalização do absurdo, reunimos textos que recusam a acomodação intelectual e enfrentam, com rigor e coragem, os dilemas do presente.

Abrimos com “A banalização da tragédia – Editorial”, que interroga nossa capacidade de indignação diante da repetição anual de desastres anunciados. O texto expõe a omissão estrutural que transforma mortes evitáveis em rotina administrativa e sofrimento passageiro de noticiário.

Em “Democracia como desejo, preocupação e pesquisa”, Rachel Meneguello presta homenagem a José Álvaro Moisés ao mesmo tempo em que revisita décadas de investigação sobre confiança institucional, cultura política e qualidade democrática. O alerta é claro: quando a democracia passa a significar “liberdade sem controle”, algo essencial está em risco.

No plano internacional, Rui Martins, em “A abstenção do Brasil na ONU”, examina as implicações morais e diplomáticas da neutralidade brasileira diante da guerra entre Rússia e Ucrânia. Em diálogo histórico, Paulo Roberto de Almeida, em “Rui Barbosa: 110 anos de um discurso memorável sobre o direito internacional”, resgata a tradição jurídica e ética da diplomacia brasileira, lembrando que, entre o direito e a força, não há neutralidade possível.

A reflexão econômica surge em “Direito à preguiça”, de Sérgio C. Buarque, que revisita Lafargue e De Masi para discutir produtividade, consumo e tempo livre, questionando o paradoxo brasileiro de crescimento do consumo sem correspondente avanço produtivo.

No campo teológico e cultural, Johnny Jara Jaramillo, em “O Machismo e sua Raiz na Igreja Católica”, examina as bases metafísicas que sustentaram a exclusão feminina na tradição cristã, propondo uma revisão crítica das estruturas simbólicas do poder religioso.

Encerrando a sequência ensaística, Paulo Gustavo, em “Da Modéstia e suas Aparições”, oferece uma meditação literária sobre modéstia e narcisismo, transitando entre Thackeray, Proust e Pascal para refletir sobre identidade, vaidade e aparência num mundo saturado de autopromoção.

E, na Última Página, a charge de Elson nos recorda, com ironia aguda, que a política frequentemente revela mais sobre quem move os fios do que sobre quem aparenta estar no palco.

Esta edição percorre tragédia, democracia, guerra, trabalho, fé e caráter. Não são temas dispersos; são faces de um mesmo tempo histórico que exige discernimento.

Boa leitura.
Os Editores

Índice

A banalização da tragédia - Editorial
Democracia como desejo, preocupação e pesquisa - Rachel Meneguello
A abstenção do Brasil na ONU - Rui Martins
Rui Barbosa: 110 anos de um discurso memorável sobre o direito internacional - Paulo Roberto de Almeida
Direito à preguiça - Sérgio C. Buarque
O Machismo e sua Raiz na Igreja Católica - Johnny Jara Jaramillo
Da Modéstia e suas Aparições - Paulo Gustavo
Última Página, a charge de Elson


Revista Será?
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Rui Barbosa: 110 anos de um discurso memorável sobre o direito internacional - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

Rui Barbosa: 110 anos de um discurso memorável sobre o direito internacional

Por Paulo Roberto de Almeida
Revista Será?, fev 27, 2026

Nota sobre a atualidade do discurso de Rui Barbosa em Buenos Aires, em 1916.

“Entre os que destroem a lei e os que a observam não há neutralidade admissível.” - Rui Barbosa

        Em 1916, quando a Argentina comemorou o primeiro centenário de sua independência, o governo brasileiro designou o senador Rui Barbosa como seu representante nos festejos. Além de participar das cerimônias oficiais, Rui Barbosa foi convidado a palestrar na Faculdade de Direito de Buenos Aires, ali pronunciando uma das mais importantes alocuções da história do direito internacional do Brasil. Dada a contribuição de suas reflexões para a construção da doutrina jurídica que sustenta a essência da política externa brasileira, bem como para a afirmação de valores e princípios da diplomacia defendida pelo Itamaraty, vale relembrar alguns conceitos fundamentais dessa conferência, no momento em que a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia entra no seu quinto ano de destruições maciças e de um morticínio contra a população civil ucraniana, numa violação flagrante da Carta da ONU e de normas elementares do Direito Internacional.
        Em 1983 a Casa de Rui Barbosa publicou o texto definitivo, traduzido do espanhol, dessa palestra, “Os Conceitos Modernos do Direito Internacional”, durante muito tempo denominada como “O Dever dos Neutros”. Rui já era conhecido na Argentina, onde vivera entre 1893 e 1894, fugindo da perseguição que lhe movia o governo de Floriano Peixoto por sua posição em defesa dos revoltosos da Armada. Ele começou a parte substantiva de sua conferência de 1916 relembrando justamente esse episódio, defendendo a liberdade nas palavras de um de seus mais admirados promotores argentinos, Juan Batista Alberdi: “A civilização política é a liberdade. Mas a liberdade não é senão a segurança: a segurança da vida, da pessoa, dos bens.”
        Depois de repassar os episódios mais relevantes do itinerário independentista argentino – iniciado em 1806, avançando em 1810 e consagrado definitivamente no Congresso de Tucuman, em 9 de julho de 1816, quando se proclamou a autonomia do país em face da Espanha –, Rui Barbosa chegou ao cerne de sua exposição: a condenação formal do uso da força, representada pela violação da neutralidade da Bélgica por tropas do Império alemão, em total desrespeito aos princípios discutidos poucos anos antes na Segunda Conferência da Paz da Haia (1907), na qual Rui fora o chefe da delegação brasileira. Suas palavras, em defesa desse princípio, foram muito claras:

“Entre os que destroem a lei e os que a observam não há neutralidade admissível. Neutralidade não quer dizer impassibilidade; quer dizer imparcialidade; e não há imparcialidade entre o direito e a injustiça. (...) O direito não se impõe... com o peso dos exércitos. Também se impõe, e melhor, com a pressão dos povos. (...) Não há duas morais, a doutrinária e a prática. A moral é uma só: a da consciência humana, que não vacila em discernir entre o direito e a força.”

        Essa conferência de Rui Barbosa foi relembrada pelo chanceler Oswaldo Aranha, em 1942, no exato momento em que o Brasil se viu confrontado à extensão da guerra europeia ao continente americano, instando, então, o país a assumir suas responsabilidades no plano dos princípios do direito internacional e em consonância com os deveres da solidariedade hemisférica. A Alemanha tinha, mais uma vez, violado a neutralidade da Bélgica, para invadir a França. A postura de Oswaldo Aranha – que havia recepcionado Rui, como jovem estudante no Rio de Janeiro, quando o jurista desembarcou em sua volta ao Brasil –, foi decisiva para que, ao contrário da vizinha Argentina, então controlada pelo Grupo de Oficiais Unidos, de orientação simpática ao Eixo, o Brasil adotasse uma política externa compatível com a construção doutrinária iniciada por Rui e de acordo a seus interesses nacionais, nos contextos hemisférico e global, em face do desrespeito brutal ao direito internacional cometido pelas potências nazifascistas na Europa e fora dela.
        A palestra de Rui Barbosa em 1916 e seus argumentos foram fundamentais para que o então chanceler Oswaldo Aranha apoiasse a tomada de posição da diplomacia brasileira em favor da cessação da postura oficial de neutralidade em relação ao “conflito” então em curso, rompendo relações diplomáticas comas potências do Eixo (ou “Pacto de Aço”), a Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão militarista, e depois declarando guerra aos agressores (mas, também, só depois que submarinos nazistas afundaram navios brasileiros em nossas costas, com perdas humanas e materiais, além dos próprios crimes de guerra).
        Vinte anos depois da recuperação por Oswaldo Aranha da palestra de Rui em Buenos Aires, em 1916, para servir como orientação à postura do Brasil ao início de uma nova quebra da neutralidade no contexto da guerra na Europa, o chanceler San Tiago Dantas, um dos grandes tribunos do pensamento jurídico da diplomacia brasileira, defendeu em 1962 o respeito ao princípio da não intervenção nos assuntos internos de outros Estados, que estava então em causa nas conferências e reuniões panamericanas em torno do caso de Cuba. Outros juristas e diplomatas brasileiros, ao longo do século, a exemplo de Raul Fernandes, Afrânio de Melo Franco, Afonso Arinos, Araújo Castro e Celso Lafer, participaram dessa construção doutrinal e pragmática dos valores e princípios da diplomacia brasileira. A semente da postura do Brasil na questão da neutralidade em casos de guerra, e na formulação de uma resposta diplomática aos casos de violação do direito internacional, pode ser encontrada nessa palestra de Rui Barbosa em Buenos Aires, 110 anos atrás, o que o converteu em um dos principais responsáveis pela construção das grandes diretrizes políticas e jurídicas que hoje integram plenamente o patrimônio da diplomacia brasileira.
        A palestra de Rui Barbosa, assim como diversos dos seus outros discursos por ocasião da segunda Conferência da Paz da Haia, em 1907, sempre constituíram um marco conceitual relevante na formulação jurídica e na implementação prática da doutrina diplomática brasileira, integrando nosso patrimônio político e moral na tomada de posição em relevantes questões da agenda internacional, sobretudo em problemas atinentes à paz e a segurança internacionais, tal como modernamente regulamentadas pelos principais dispositivos da Carta das Nações Unidas (contra a guerra e a opressão, justamente), assim como em diversos outros instrumentos do Direito Internacional.
        Ou pelo menos constituíam, pois que desde a invasão violenta e a anexação ilegal, pela mesma Rússia, em 2014, da península ucraniana da Crimeia, tais princípios de Direito Internacional e do sistema político multilateral deixaram de fazer parte de nossa doutrina diplomática: o governo Dilma Rousseff não tomou oficialmente posição, mas declarou informalmente sua “neutralidade” em relação àquela violência perpetrada contra um Estado soberano, membro das Nações Unidas. Naquela ocasião, diversos estados membros da Organização das Nações Unidas, tomaram oficialmente posição na defesa dos princípios da Carta da ONU, acusando a violação do Direito Internacional e adotando sanções contra o agressor, sanções inteiramente conformes ao espírito e à letra dos artigos 41 e 42 da Carta. Essas sanções foram declaradas “unilaterais” pela diplomacia brasileira, mas isso apenas em virtude do uso abusivo do “direito de veto” pela Rússia, então como agora, em circunstâncias similares e até semelhantes, mas de natureza muito mais grave, pois que se estava falando da invasão unilateral, não provocada, do território soberano de um Estado parte por outro membro, inclusive em situação ainda mais ilegal, pois que formalmente responsável pela garantia da lei e da ordem, da paz e da segurança internacionais, em conformidade com os princípios que regem a atuação dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como é o caso da Rússia.
        Tal “neutralidade” distorcida, em relação ao que recomendam artigos da Carta das Nações Unidas em casos de guerras de agressão unilaterais, como a que ocorreu na Ucrânia duas vezes, 12 e 4 anos atrás, fez parte da política externa do governo Bolsonaro, em 2022, e como tal foi mantida, até com agravantes políticos e diplomáticos, pelo governo de Lula 3, a partir de 2023 até os dias que correm.                         Voltando ao tema da “neutralidade” brasileira, e retomando princípios e valores que já pareciam consagrados em nossa doutrina jurídico-diplomática desde Rui Barbosa, antes ignorados pelo governo de Bolsonaro, hoje aparentemente esquecidos pelo governo de Lula 3, cabe remeter a argumentos de natureza simplesmente moral, ou de cunho apenas humanos, expostos por um sobrevivente do Holocausto nazista, o judeu polonês Elie Wiesel, tal como transcritos abaixo:

“We must take sides. Neutrality helps the oppressor, never the victim. Silence encourages the tormentor, never the tormented. Sometimes we must interfere. When human lives are endangered, when human dignity is in jeopardy, national borders and sensitivities become irrelevant. Wherever men and women are persecuted because of their race, religion, or political views, that place must — at that moment — become the center of the universe.” (Elie Wiesel)

Tradução livre: “Precisamos tomar partido. A neutralidade ajuda o opressor, jamais a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado. Em algumas ocasiões, precisamos interferir. Quando vidas humanas estão em perigo, quando a dignidade humana está sob ameaça, quando as fronteiras nacionais e as sensibilidades se tornam irrelevantes. Onde quer que homens e mulheres são perseguidos por causa de sua raça, religião ou posturas políticas, aquele lugar precisa — naquele momento — tornar-se o centro do universo.”

        Este é o caso, neste momento e nos últimos 4 anos, em relação à guerra de agressão, ilegal, desumana, contra o país e o povo da Ucrânia, violadora do Direito e da consciência universais: a Ucrânia é o centro do universo e o desafio fundamental de nossa época. Os princípios e valores da nossa tradição diplomática, as cláusulas de relações internacionais de nossa própria Constituição assim o pedem. Assim deveríamos fazer: tomar partido, como recomendava Rui Barbosa, como aquiesceu Oswaldo Aranha, como apelou Elie Wiesel.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5227, 24 fevereiro 2026; revisão 26/02/2026, 4 p.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Novo livro: História e Historiografia das Relações Internacionais do Brasil: dos descobrimentos ao final do Império - Paulo Roberto de Almeida (Appris)

Meu próximo livro está no forno, por assim dizer:


História e Historiografia das Relações Internacionais do Brasil: dos descobrimentos ao final do Império
Paulo Roberto de Almeida

Índice
Prefácio - embaixador Sérgio Florêncio
Apresentação

Introdução:
Visão Geral sobre a Construção da Nação

1. Quatro séculos de relações internacionais do Brasil
1.1. Uma periodização tentativa da história brasileira
1.2. A construção do Estado independente e sua diplomacia
1.3. Um lento crescimento econômico no século XIX
1.4. A República não transformou estruturalmente o Brasil
1.5. A diplomacia brasileira, do Império à República

Parte I:
Da Colônia à Independência
2. A diplomacia dos descobrimentos: de Colombo a Tordesilhas

2.1. O ato fundador da história moderna
2.2. O monopólio pontifício das relações internacionais
2.3. Da arbitragem papal à negociação direta
2.4. Tordesilhas: a primeira partilha do mundo
2.4. Do condomínio ibérico à balança de poderes
2.6. O nascimento da diplomacia permanente
2.7. A formação territorial do Brasil

3. A formação econômica brasileira antes da autonomia política
3.1. A colônia, até a vinda da família real
3.2. Situação econômica do Brasil colônia, até 1808
3.3. Transformações econômicas a partir do decreto de abertura dos portos
3.4. Efeitos do tratado de comércio de 1810
3.5. Mudanças econômicas a caminho da independência
3.6. O contexto econômico desfavorável das independências ibero-americanas
Quadros e tabelas

4. O nascimento do pensamento econômico brasileiro: Hipólito da Costa
4.1. A economia política pelo método empírico: a missão na América
4.2. A economia política pelo método teórico: leituras de Hipólito
4.3. A abertura dos portos e as indústrias do Brasil: olhando o futuro
4.4. Relações comerciais com a Grã-Bretanha: antecipando o prejuízo
4.5. O tratado de 1810 e o interesse nacional: impacto na historiografia
4.6. A separação de Portugal e o problema da mão-de-obra
4.7. Influência de Hipólito no debate econômico do século XIX
4.8. O legado de Hipólito: humanismo, educação, clarividência econômica

5. As revoluções ibero-americanas e o constitucionalismo luso-brasileiro
5.1. A evolução constitucional na Europa e nas Américas
5.2. Da Constituição de Cádiz (1812) à Revolução do Porto (1820)
5.3. O mundo restaurado e novamente turbulento: ascensão do liberalismo
5.4. O constitucionalismo português e a recolonização do Brasil
5.5. A constituição portuguesa de 1822 e seus efeitos no Brasil

6. A revolução do Porto, o Correio Braziliense e a independência do Brasil
6.1. Primeiras notícias: do lado dos constitucionalistas
6.2. A preocupação com as “coisas” do Brasil
6.3. As Cortes se “esquecem” do Reino Unido do Brasil
6.4. Começam as divergências constitucionais entre os dois reinos
6.5. A revolução do Porto finalmente chega ao Brasil
6.6. O Brasil “decide” ser constitucional
6.7. A separação refletida nas páginas do Correio Braziliense

7. A censura política no momento da independência
7.1. Censura, uma prática estatal, desde a mais remota antiguidade
7.2. A censura política contra o “armazém literário” de Hipólito
7.3. O Correio Braziliense como bastião da liberdade de imprensa

8. A hipótese de um império luso-brasileiro: um ‘imenso Portugal’?
8.1. Poderia o Brasil ter sido o centro de um império luso-brasileiro?
8.2. A importância do Brasil para a economia da metrópole
8.3. Situação de Portugal e Brasil na fase anterior à independência
8.4. A hipótese da união imperial no período joanino e na independência
8.5. Hipólito da Costa e a manutenção da unidade luso-brasileira
8.6. Um império luso-brasileiro a partir de uma unidade americana?
8.7. O Brasil poderia assumir a direção de um império multinacional?

Parte II:
Os Grandes Desafios da Diplomacia Imperial
9. A diplomacia brasileira da independência: heranças e permanências

9.1. A diplomacia e a política externa na independência do Brasil
9.2. A conquista da autonomia no Arquivo Diplomático da Independência
9.3. A outra independência: uma construção alternativa do Estado
9.4. A Bacia do Prata e a Cisplatina: a primeira guerra do Brasil
9.5. A diplomacia do tráfico escravo: defendendo o indefensável
9.6. A lenta conformação de uma diplomacia profissional

10. O reconhecimento internacional da independência do Brasil
10.1. Antes da Independência, o manifesto às “nações amigas”
10.2. Finalmente o Império do Brasil: as primeiras missões
10.3. A defesa do país exigia uma monarquia unitária
10.4. Sem concessões aos imperialismos europeus
10.5. Estabelecimento de relações com as principais potências
10.6. A primeira diplomacia americanista do Brasil
10.7. Os retardatários da Santa Aliança: Áustria e Espanha
10.8. A diplomacia brasileira na construção do Estado

11. A construção da diplomacia imperial por seus “pais fundadores”
11.1. Um Estado com política externa, mas sem diplomacia
11.2. Construindo a instituição: caminhos da profissionalização
11.3. O papel do Parlamento na condução da diplomacia
11.4. As bases intelectuais da diplomacia imperial: Paulino
11.5. A burocratização da diplomacia imperial: Visconde do Rio Branco

12. A diplomacia da imigração: contornando o escravismo
12.1. A diplomacia da imigração e a competição estrangeira
12.2. A Lei de Terras: uma contrarreforma agrária
12.3. Os diplomatas à cata de imigrantes europeus
12.4. Argentina e Estados Unidos ganham no recrutamento
12.5 A escravidão forçada contra a imigração espontânea
12.6. Os diplomatas e a abolição
Tabela estatística

13. Uma geopolítica avant la lettre: Varnhagen e a reforma do Império
13.1. Um historiador que também foi um pensador geopolítico
13.2. Varnhagen possuía um pensamento estratégico?
13.3. O pensamento estratégico na época de Varnhagen
13.4. Qual era o pensamento estratégico de Varnhagen?
13.5. As propostas de Varnhagen se refletiram no Estado imperial?
13.6. O legado desse pensamento na construção do Estado brasileiro
13.7. Existe uma modernidade em Varnhagen?

Parte III:
Historiografia e História das Relações Internacionais do Brasil
14. A historiografia da independência: uma revisão da literatura
14.1. Os principais trabalhos sobre a história da independência
14.2. Qual historiografia, qual independência?
14.3. A historiografia da independência: seus principais historiadores
14.4. As fontes, os fatos e a historiografia da Independência
14.5. Historiadores estrangeiros dos “sucessos” da independência
14.6. O patrono da historiografia, Varnhagen, e seu crítico: Oliveira Lima
14.7. O Arquivo Diplomático da Independência e o Projeto Resgate

15. A historiografia diplomática até a primeira metade do século XX
15.1. A historiografia: uma quase esquecida na história das ideias
15.2. A historiografia das relações exteriores e seus representantes
15.3. Varnhagen, o pai da historiografia, o legitimista da corte
15.4. João Ribeiro inaugura a era dos manuais de história do Brasil
15.5. Oliveira Lima: o maior dos historiadores diplomatas
15.6. Pandiá Calógeras: a sistematização da história diplomática
15.7. Interregno diversificado: trabalhos até o início do século XX
15.8. Os manuais de história diplomática: Vianna, Delgado e Rodrigues

16. A historiografia econômica do Brasil
16.1. Temas, agendas, historiadores
16.2. Da reconstituição do passado colonial às crises financeiras
16.3. O nascimento de uma história econômica nacional
16.4. O nacionalismo e o papel econômico do Estado
16.5. O grande esforço da industrialização: Celso Furtado
16.6. Os desequilíbrios do crescimento: os novos historiadores
16.7. Progressos na pesquisa em história econômica

Anexos:
Cronologia e Documentos Históricos
1. Cronologia histórica até a independência do Brasil
2. Documentos fundadores da nação brasileira

a) Tratado de Tordesilhas, 1494
b) Carta de El-Rei de Portugal D. Manuel aos Reis Católicos, 1501
c) Tratado de Madri, 1750
d) Tratado de comércio de 1810
e) Elevação do Brasil a Reino Unido, 1815
f) Manifesto aos governos e às nações amigas, 1822

Referências bibliográficas
Notas sobre os trabalhos
Nota sobre o autor

Lançamento do livro A Obra e o Legado de Cançado Trindade - FaDUSP, 4/03/2026, 10hs

Lançamento do livro A Obra e o Legado de Cançado Trindade
Será realizado em 4 de março de 2026, de 10 às 13 horas, na Sala de Congregação da Faculdade de Direito da USP, o lançamento de A Obra e o Legado de Cançado Trindade, organizado pelo Embaixador Sérgio Moreira Lima, Professor Paulo Casella e Carlos Perini. Trata-se de uma obra coletiva com contribuições de grandes juristas brasileiros e estrangeiros, professores, diplomatas.
O livro tem o mérito de sistematizar a extensa bibliografia do maior internacionalista brasileiro moderno. Mais do que registro memorial, a publicação representa um ato de afirmação doutrinária. Ela transforma a trajetória singular do Juiz da Corte Internacional de Justiça na Haia, do Presidente da Corte Interamericana de Direito Humanos, do Consultor Jurídico do Itamaraty, Professor Emérito da UnB e do Instituto Rio Branco, num patrimônio institucional do pensamento jurídico brasileiro.
O livro contribui para situar o Brasil na vanguarda do debate sobre a natureza e os fundamentos do Direito Internacional Contemporâneo. Num momento histórico de tensão entre força e norma, reaparece com intensidade a sistematização desse legado como uma escolha civilizatória: a de que a estabilidade internacional só será duradoura se fundada na justiça e na dignidade humana.
Cançado Trindade foi o único latino americano a receber o Prêmio Yorke em razão de sua tese monumental de doutorado na Universidade de Cambridge. Foi também o único latino-americano a merecer da prestigiosa revista francesa Doctrine(S) todo um exemplar dedicado à sua obra.
Trindade é considerado o grande humanizador do Direito Internacional por sua contribuição a que indivíduo e humanidade ocupem posição central, junto com o Estado, e se tornem beneficiários últimos do Direito Internacional.

O Facebook não gosta de comparações no universo hitleriano...

 O Facebook me avisa que:


"27 de fev de 2026
Removemos seu post
Paulo Roberto de Almeida
25 de fev de 2026
Putin is a failed Hitler, now very near the end.
Você compartilhou isso no seu perfil."

Parece que comparações no universo hitleriano são proibidas.
Posso comparar o tirano de Moscou a um Pol Pot?

O mundo mais tolerante com a “geopolítica da brutalidade”? Paulo Roberto de Almeida

 O mundo mais tolerante com a “geopolítica da brutalidade”?

Paulo Roberto de Almeida 

No imediato seguimento da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, quatro anos atrás, 3/4 dos membros da ONU foram significativamente majoritários em condenar o urso eslavo como responsável pela violação da Carta da ONU e sua invasão ilegítima do país vizinho.

Quatro anos depois, uma resolução da Assembleia Geral sobre a paz na Ucrânia recebe apenas 107 apoios, mas também 51 abstenções, entre elas, infeliz e vergonhosamente, a do Brasil.

Trump mudou a perspectiva do pleno respeito ao Direito Internacional? Virou uma simples opção política, e não mais uma obrigação diplomática e uma especie de compromisso moral contra todas as guerras de agressão?

Publiquei um artigo sobre a “Geopolítica da Brutalidade”.

Disponível na plataforma de interação acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/164789362/5206_O_Brasil_e_a_geopolitica_da_brutalidade_2026_ ; também a partir do blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/o-brasil-e-geopolitica-da-brutalidade.html

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 27/02/2026

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Contatos e coordenadas para materiais sobre diplomacia brasileira e política internacional - Paulo Roberto de Almeida

 Por vezes sou contatado por estudantes, outros professores, jornalistas, curiosos e agentes da CIA ou do FSB, procurando explicações no tocante a alguns eventos relativos ao Brasil e suas relações internacionais, política externa, diplomacia etc.

As demandas chegam pelos mais diversos canais. Para facilitar o acesso ao que já posto em minhas redes, plataformas de interação acadêmica e ferramentas de comunicação social, transcrevo aqui as coordenadas de cada uma.

Paulo Roberto de Almeida

 - E-mail: pralmeida@me.com 

 - Currículo acadêmico (CV Lattes): http://lattes.cnpq.br/9470963765065128 

 - Blog pessoal, principal disseminador de postagens: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/ 

 - Plataformas acadêmicas de disseminação de textos: 

Academia.edu: https://unb.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida 

Research Gate: https://www.researchgate.net/profile/Paulo_Almeida2

Linkedin: https://www.linkedin.com/in/paulo-roberto-33a0256/ 

 - Redes de comunicação pessoal: 

Facebook: https://www.facebook.com/paulobooks 

X (antigo Twitter): https://x.com/PauloAlmeida53 

Threads: https://www.threads.com/@pralmeida?hl=pt-br 

BlueSky: https://bsky.app/profile/pralmeida.bsky.social

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Ukraine needs an armistice, period!

 The Geneva Talks Show the Ukraine War Has Entered Its Most Dangerous Phase

The Geneva negotiations ended — but the war did not

In February 2026, the United States, Ukraine, and Russia held high-level peace talks in Geneva — the third round of trilateral negotiations after earlier meetings in Abu Dhabi.  

They ended exactly as many analysts expected:

No breakthrough. No agreement. No ceasefire.

Both sides described the discussions as “difficult”, with deep disagreements over territory, security guarantees, and the future of Ukraine.  

This alone marks a historic turning point:

The war has officially entered the negotiation phase.

And historically, this phase is often the most dangerous.

The key reality: the sides remain irreconcilable

The core obstacle is brutally simple.

Russia demands:

 • recognition of occupied territories

 • Ukrainian neutrality

 • military limits on Ukraine  

Ukraine demands:

 • no territorial concessions

 • strong Western security guarantees

 • ceasefire first  

This is the classic geopolitical stalemate:

One side wants land. The other wants security.

Peace requires compromise — but compromise currently appears politically impossible.

A major shift: the United States is pushing for a deal

One of the most important developments is the changing tone from Washington.

The talks were mediated directly by U.S. envoys, and Washington is increasingly urging both sides to reach a settlement.  

Ukrainian President Zelensky openly admitted something remarkable:

the United States is pressuring Ukraine to make concessions.  

This signals a strategic shift from:

“Support Ukraine as long as it takes” → “Find a deal.”

In geopolitical terms, this is enormous.

Ukraine’s red line: no territorial concessions.

Kyiv has drawn a hard line.

Zelensky says Ukraine would reject any peace plan requiring territorial concessions and could even put such a deal to a referendum — where it would likely fail.  

He has also publicly criticized pressure from Washington to compromise.  

From Ukraine’s perspective, this stance is understandable:

Concessions risk rewarding aggression.

But from a cold geopolitical perspective, this stance also means:

Negotiations cannot succeed in the near term.

And wars without negotiations end in only one way:

More fighting.

Europe: the biggest stakeholder — and the biggest bystander

Perhaps the most shocking development is who was not at the negotiating table.

European allies were:

 • briefed

 • consulted

 • informed

But they were not central negotiators.  

This raises a historic question:

The war is in Europe.

The consequences are European.

The refugees are in Europe.

The economic shock is European.

Yet the negotiations are primarily US-Russia-Ukraine.

This is a dramatic sign of Europe’s declining geopolitical autonomy.

The uncomfortable question: are Western policies prolonging the war?

Here lies the most controversial but unavoidable reality.

The war is now entering its fifth year, Europe’s deadliest conflict since WWII.  

Despite massive aid, sanctions, and military support:

 • Russia has not withdrawn

 • Ukraine has not regained its territory

 • Negotiations are stalled

At the same time:

 • Western pressure pushes for negotiations

 • Ukrainian leadership refuses territorial compromise

 • European governments continue support policies

This creates a painful dilemma:

If negotiations fail and military victory remains unlikely,

the war continues indefinitely.

And every month of stalemate means:

 • more deaths

 • more destruction

 • more instability

This is the harsh reality of prolonged wars.

The negotiation paradox

The Geneva talks reveal a deeper truth:

Everyone now talks about peace.

But no one can accept the price of peace.

Russia will not retreat.

Ukraine will not concede.

Europe cannot impose.

America wants a deal.

This is the geopolitical deadlock of 2026.

And history shows that wars stuck in this phase rarely end quickly.

Conclusion

The failure of the Geneva talks is not surprising.

What is surprising is what they reveal:

 • The war has entered the bargaining phase

 • The U.S. wants a settlement

 • Europe is sidelined

 • Ukraine refuses concessions

 • Russia refuses retreat

The most dangerous phase of the war has begun —

the phase where everyone wants peace, but no one can accept the terms.

Debate question

Should Ukraine consider territorial compromise to end the war sooner — or would that reward aggression and make future wars more likely?

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Ucrânia: a guerra que Putin não conseguiu vencer e não consegue encerrar - Vitelio Brustolin

 Ucrânia: a guerra que Putin não conseguiu vencer e não consegue encerrar (parte 1 de 2)

Quatro anos após a invasão em larga escala lançada por Vladimir Putin em fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia entrou em seu quinto ano sem que a Rússia tenha alcançado seus principais objetivos políticos e estratégicos. Apesar do grande custo humano e econômico, os ganhos territoriais russos permanecem limitados, cerca de 0,8% do território ucraniano em 2025, e muitas ofensivas avançam apenas metros por dia, revelando dificuldades militares persistentes e um conflito cada vez mais estagnado. Putin subestimou a resistência ucraniana e a capacidade de mobilização do Ocidente, transformando o que deveria ser uma ‘vitória rápida’ em uma guerra prolongada de atrito.

O preço pago pela Rússia tem sido elevado. Estimativas indicam até 325 mil soldados russos mortos e um total de baixas (incluindo os feridos) de 1,2 milhão de combatentes; perdas superiores às de qualquer grande potência em conflitos recentes, enquanto sanções internacionais e gastos militares pressionam a economia do país. Mesmo assim, Moscou mantém exigências maximalistas, posições que são obstáculos a qualquer acordo de paz. A guerra tornou-se um impasse estratégico: cara demais para continuar indefinidamente, mas politicamente difícil demais para Putin admitir fracasso.

Colaborei com o Bom Dia Brasil para essa reportagem sobre o tema, que segue abaixo, dividida em duas partes. Link nos comentários. 

#Rússia #Ucrânia #EstadosUnidos #VitelioBrustolin #Otan

A invasão russa é uma derrota completa: Ukraine drones wipe out over 900 Russian soldiers in brutal 48 hours of carnage

 Ukraine drones wipe out over 900 Russian soldiers in brutal 48 hours of carnage

The elite Russian 76th Guards Air Assault Division reportedly suffered the heaviest losses as they attempted to advance on Pokrovsk. Ukrainian drone units have inflicted enormous losses on Russian troops within the last 48 hours. Most of the casualties occurred in the Donetsk region, where fierce fighting continues around Pokrovsk and Myrnohrad.

Drone operators from Ukraine's Unmanned Systems Forces (SBS) killed 976 Russians in just two days, the equivalent of two infantry battalions. Robert “Madyar” Brovdi - the SBS commander - said 471 Russian infantrymen were hit on December 10, with another 505 the next day. The elite Russian 76th Guards Air Assault Division reportedly suffered the heaviest losses as they attempted to advance on Pokrovsk. Mechanised columns belonging to the elite unit tried to exploit poor weather conditions to approach the besieged city from the south on Wednesday.

However, they met stiff resistance and came under fierce bombardment by drones, which destroyed much of the equipment, as well as the troops.

In a post to his Telegram channel, Brovdi wrote: "The main reserve of worms has been thrown to Donbas, the one that was supposed to seize Zaporizhzhia - the entire 76th division, an elite airborne assault unit. That's what we're wiping out now. We're wiping them out with an unconditional speed violation: one day = one worm battalion."

He added that SBS data showed an average of 282 Russian soldiers were hit per day in November, rising to 395 per day during the first 11 days of December. The commander said the elimination of Russian manpower is now a priority task for Ukraine’s Defence Forces.

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