domingo, 2 de outubro de 2011

A frase da semana, do ano, de sempre -- Mundo real...

"A vida é horrível: é tão cheia de realidades!"

Frase de uma paciente rebelde da psicanalista americana Karen Horney:
In: Neurose e Desenvolvimento Humano, Cap. II, Exigências Neuróticas
(Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1966).

Pausa para... Ciencia: Marie Curie e o Ano Internacional da Quimica - Felipe A.P.L. Costa


INFORMAÇÃO MALTRATADA

Marie Curie e o Ano Internacional da Química

Por Felipe A. P. L. Costa 
Observatório da Imprensa, 27/09/2011, edição 661


Há exatos cem anos, uma obstinada cientista, mãe de duas filhas e já então viúva, era agraciada com o Nobel de Química. Um feito e tanto, sem dúvida, mas que, por incrível que pareça, não era um feito inédito: oito anos antes, a mesma cientista havia sido agraciada com o Nobel de Física. O nome dela? Marie Sklodowska-Curie (1867-1934) – nascida Maria Salomea Sklodowska, em Varsóvia (Polônia) –, mais conhecida mundo afora como Marie Curie.
Aproveitando o centenário do Nobel de Química dado a Marie Curie, e como parte de uma programação comemorativa mais extensa, envolvendo outras disciplinas científicas, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou 2011 o Ano Internacional da Química (ver AIQ 2011ou IYC 2011). O lema da campanha, promovida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco, na sigla em inglês) em parceria com a União Internacional de Química Pura e Aplicada (Iupac, na sigla em inglês), é “Química: a nossa vida, o nosso futuro”.
Até o momento, porém, a mídia brasileira não parece muito preocupada com o assunto. Afinal, já estamos praticamente no último trimestre do ano e, com raríssimas exceções, até agora nada... Entre as exceções, cabe aqui registrar a cobertura que a revista Ciência Hoje vem fazendo, publicando desde o início do ano artigos especiais em alusão ao AIQ 2011 (ver aqui), a exemplo do que fez em 2009, quando publicou vários artigos em alusão ao Ano Internacional da Astronomia.
“O aterrorizante grau de ignorância científica”
Quando a química aparece na mídia, quase sempre é retratada como se fosse uma cartola de mágico, cheia de truques e curiosidades, ou, na melhor das hipóteses, como uma ciência exclusivamente aplicada – ver, por exemplo, a matéria “Evolução da química levou à criação de aromas sofisticados”, de Sabine Righetti, publicada naFolha de S.Paulo (22/8/2011). Uma explicação para isso é que a química, com perdão do trocadilho, é relativamente impalatável para o grande público, “vendendo” relativamente pouco. Para contornar o problema, editores e repórteres costumam então abusar na maquiagem – o que, em geral, produz matérias distorcidas ou mesmo aberrações.
Além de maltratada pelos meios de comunicação, a química talvez seja, em termos curriculares, a mais marginalizada das ciências naturais. Assim, ao final do ensino médio, o assunto torna-se para a grande maioria dos estudantes cada vez mais distante. Sem uma familiaridade mínima, não é de estranhar que a opinião pública (nacional e internacional) reproduza tantos erros e mal-entendidos grosseiros envolvendo a disciplina. Eis um comentário a respeito desse estado de coisas:
“Havia dois jovens no elevador da estação de rádio quando entrei, depois de terminar uma gravação ao vivo. ‘Você é alguém?’, deixou escapar um deles. Enquanto eu ponderava uma resposta apropriada para essa questão profundamente filosófica, seu amigo disparou: ‘Sim, ele é o cara que fala de química no rádio.’ Essa era a munição de que o filósofo precisava. ‘Ó, não, estamos presos no elevador com um cientista’, brincou, antes de oferecer voluntariamente a informação de que na escola havia tirado dois em química, e ‘mesmo assim colando’.
“Eu já ouvira isso antes. Depois de dar muitas conferências, tenho sido abordado por pessoas que, de alguma maneira, sentem necessidade de desafogar suas mágoas e dizer-me, com alguma espécie de orgulho perverso, que dormiram durante as aulas de ciências do ensino médio, ou que química fora o único curso em que fracassaram. Tais comentários são emocionalmente dolorosos para qualquer um que ensine ciências. Mas, pior que isso, eles deixam implícito que o ensino de ciências pobre e sem imaginação pode ser parcialmente responsável pelo aterrorizante grau de ignorância científica que permeia nossa sociedade.
“O analfabetismo científico não é assunto para brincadeiras. Certamente nos divertimos com respostas bobas de provas, sugerindo que Benjamin Franklin produziu eletricidade esfregando dois gatos um contra o outro, ou que podemos identificar o monóxido de carbono porque ele tem um “cheiro inodoro”. Mas a falta de familiaridade com os princípios científicos básicos pode causar medos infundados e abrir a porta para charlatães.
“Recentemente, ouvi de um cavalheiro que estava preocupado porque, se dormisse com um cobertor elétrico, ficaria ‘cheio de radioatividade’; de pessoas que haviam investido em uma empresa costa-riquenha que descobriu um processo para transformar a areia vulcânica da praia em ouro; e de uma senhora que se preocupava porque o dióxido de silício do seu adoçante artificial lhe causaria câncer de mama […].
“O absurdo químico chegou até a sala dos tribunais. No julgamento de uma briga de gangues na Califórnia [EUA], o promotor descreveu ‘uma situação muito parecida a quando o nitrogênio se encontra com a glicerina: era certo que ia haver uma explosão de violência’. Ele provavelmente baseava a afirmativa em alguma vaga noção de que a nitroglicerina é um potente explosivo, mas essa substância não é feita combinando nitrogênio com glicerina. [...]
“Mais terrível ainda é a história do jovem Nathan Zohner, que ganhou o prêmio da Grande Feira de Ciências de Idaho [EUA]: ele fez com que 43 entre 50 visitantes assinassem uma petição para banir o monóxido de di-hidrogênio ‘porque pode ser fatal se inalado, é um componente principal da chuva ácida e pode ser encontrado em tumores de pacientes terminais de câncer’. [Para detalhes (em inglês) sobre esse caso, ver ‘Dihydrogen monoxide hoax’, na Wikipedia.] Qual é essa horrível substância química? Água, claro (H2O).” [Joe Schwarcz, Barbies, bambolês e bolas de bilhar, p. 18-20 (Jorge Zahar, 2009)]
Átomos radioativos e isótopos
No que segue, vamos nos debruçar um pouco sobre a vida e obra de Marie Curie, a cientista que cunhou o termo “radioatividade” e que foi, ao mesmo tempo, pioneira nessa área de pesquisa e vítima involuntária de sua própria rotina de trabalho.
A radioatividade é a emissão espontânea de partículas e/ou radiação por parte de núcleos atômicos instáveis, dando origem a outros núcleos, que podem ser eles próprios instáveis ou estáveis. Ao contrário do que alguns imaginam, nem todos os elementos químicos são radioativos.
De onde vem a radiação? A fonte última da energia emitida pelos átomos radioativos é o núcleo. Átomos de um mesmo elemento químico têm, por definição, o mesmo número atômico (que é igual ao número de prótons presentes no núcleo). Átomos de um mesmo elemento têm, portanto, o mesmo número atômico, mas podem ter ou não a mesma massa atômica (que é soma de prótons e nêutrons presentes no núcleo), quando são então referidos como isótopos.
A abundância relativa dos isótopos de um mesmo elemento é bastante desigual. Por exemplo, o carbono-12 (cujo núcleo possui seis prótons e seis nêutrons) é o isótopo de carbono mais comum encontrado na Terra, correspondendo a mais de 98% de todos os isótopos desse elemento – existem ainda o carbono-13 (seis prótons e sete nêutrons) e o carbono-14 (seis prótons e oito nêutrons), entre outros. Algo semelhante ocorre com o urânio, cujo isótopo mais abundante é o urânio-238 (92 prótons e 146 nêutrons), que corresponde a mais de 99% dos isótopos desse elemento – há ainda o urânio-235 (92 prótons e 143 nêutrons) e alguns outros, bem mais raros.
Os raios Becquerel e os Curie
Muitos isótopos são instáveis e, por isso mesmo, mudam espontaneamente para uma configuração energeticamente mais baixa e estável. Nesse processo, chamado de desintegração nuclear (ou decaimento radioativo), isótopos instáveis liberam energia (radioatividade) e partículas fundamentais (nêutrons, prótons ou elétrons), sendo então referidos como radioisótopos. Isótopos estáveis não são radioativos – isto é, não sofrem decaimento adicional e, portanto, não emitem radiação.
Em 1896, o físico francês Antoine-Henri Becquerel (1852-1908) relatou em artigo que uma amostra de material contendo urânio (um minério de óxido de urânio chamado pechblenda) era capaz de liberar energia (radiação) espontaneamente. Os raios Becquerel, como chegaram a ser chamados, atravessam sem dificuldade uma série de objetos opacos à luz. A descoberta chamou a atenção da física Marie Curie, que na época já vivia em Paris, onde havia conhecido e se casado com o físico francês Pierre Curie (1859-1906).
Marie e Pierre Curie passaram a se dedicar ao estudo de materiais radioativos. Após um minucioso e demorado trabalho de análise química, o casal – que, ao lado de Becquerel, foi laureado com o Nobel de Física, em 1903 – conseguiu isolar e identificar dois novos elementos: o polônio (nome dado em homenagem à Polônia, terra natal dela) e o rádio (cujo comportamento inspirou a expressão “radioatividade”), ambos altamente radioativos e com os quais eles passariam a lidar quase diariamente. Anos depois, em uma decisão que hoje seria vista como “escabrosa”, Marie Curie deliberadamente abriu mão do direito de patentear o processo de isolamento do rádio. A razão para isso? Simples: facilitar o acesso e as pesquisas com o novo elemento.
Filha e genro agraciados com o Nobel de Química
Pierre Curie morreu precoce e repentinamente, em 1906, após ter sido atropelado por uma carroça em uma rua de Paris. Um congresso internacional de radiologia, realizado na Bélgica, em 1910, homenageou sua memória, dando o nome de curie à unidade de medida da radioatividade. Marie Curie continuou suas pesquisas com materiais radioativos, tendo recebido, em 1911, como foi dito antes, um segundo Nobel, este de Química, tornando-se assim a primeira pessoa a ser duplamente laureada. Tal distinção ocorreu até hoje com outros três cientistas: o químico estadunidense Linus Pauling (1901-1994), laureado com o Nobel de Química (1954) e o da Paz (1962); o engenheiro eletricista estadunidense John Bardeen (1908-1991), laureado duas vezes (1956 e 1972) com o Nobel de Física; e o bioquímico inglês Frederick Sanger (1918-), laureado duas vezes (1958 e 1980) com o Nobel de Química.
Após tantos anos manipulando material radioativo sem as devidas precauções – além da manipulação direta, ela carregava amostras nos bolsos do jaleco, em uma época na qual os efeitos biológicos da radiação ainda eram desconhecidos –, Marie Curie passou a conviver com sérios problemas de saúde, vindo a desenvolver um tipo de câncer (leucemia). Quando faleceu, no entanto, em 1934, as implicações e as aplicações biológicas dos átomos radioativos já estavam sendo avidamente estudadas. Ela própria esteve profundamente envolvida com o assunto desde antes da I Guerra Mundial (1914-1919). Em 1935, sua filha mais velha, Irène Joliot-Curie (1897-1956), e o esposo, o físico francês Frédéric Joliot-Curie (1900-1958), seriam agraciados com o Nobel de Química, mais uma vez em razão de estudos envolvendo a radioatividade.
***
[Felipe A. P. L. Costa é biólogo e autor de Ecologia, evolução & o valor das pequenas coisas (2003)]

Republicanos ortodoxos, democratas gastadores: as sauvas dos EUA

Este economista sensato explica como, sob quais condições, chegar a um consenso sobre a divisão que paralisa atualmente o governo americano: republicanos que não aceitam nenhum aumento de impostos, democratas que querem aumentar impostos e continuar gastando...
Paulo Roberto de Almeida

Opinion

The Problem With ‘No New Taxes’

The New York Times, October 1 2011
IN a debate in August, Republican presidential candidates were asked whether they would support a budget deal that bundled $10 of spending cuts for every $1 of tax increases. All said no. They rejected any deal that involved raising taxes.
Curiously, though, if this approach actually were to become government policy, it would have a surprising effect: it would surely lead to higher rather than lower taxes.
Consider the example more closely. Cutting $10 in spending for every $1 in tax increases would result in $9 in net tax reduction. That’s because lower spending today means lower taxes tomorrow, and limiting the future path of government spending does limit future taxes, as Milton Friedman, the late Nobel laureate and conservative icon, so clearly explained. Promising never to raise taxes, without reaching a deal on spending, really means a high and rising commitment to future taxes.
Furthermore, this refusal to contemplate a tax increase — which I’d characterize as an extreme Republican stance — has brought what seems to be an extreme Democratic response: President Obama’s latest budget plan is moving away from entitlement reform and embracing multiple tax increases on the wealthy. We may be left with no good fiscal options.
The problems with a no-new-taxes stance run deeper. Because it’s unlikely that spending cuts alone can balance the budget, politicians who espouse extreme antitax views often end up denying the scope of our long-run fiscal problems.
The reality is that a mix of our aging population and rising health care costs will create acute budgetary pressures in about 10 years. If Medicare costs rise, say, 5 percent a year, such costs will roughly double in 14 years. Imagine that Congress freezes spending generally. Doing that for Medicare would, in essence, cut the size of the program in half over that period. Since the number of older Americans is rising, the per capita Medicare benefit would fall even more, with increasingly drastic results as the years pass.
That’s politically unlikely, and insisting upon it, or refusing to acknowledge that this is what a spending freeze means, ends up as another way of running away from fiscal reform. Focusing on cutting discretionary spending, a common political tactic, isn’t enough to balance the books.
Another conservative economist and Nobel laureate, James M. Buchanan, emeritus professor of economics at George Mason University, argues that deficit spending leads to yet more spending, and higher future taxes, compared with a pay-as-you-go approach. A move toward balancing the budget may mean some tax increases up front, he says, but future taxes as well as government spending will be lower than they would be otherwise.
In other words, the current antitax strategies advocated by the Republican candidates are unlikely to lead to fiscally conservative ends.
Conservatives may distrust the idea of making a grand fiscal bargain with President Obama. Some may believe that the balance of political influence is shifting in their favor anyhow. Yet from a 10-to-1 starting point, or even from 6-to-1 (one of the deals rumored to be on the table a few months ago) the bargain cannot improve all that much more in favor of spending cuts over taxes. Refusing such a bargain also requires an extreme estimate of how much American public opinion will swing in the conservatives’ direction. Keep in mind, too, that once Republican politicians are in power, they are often less keen to cut spending.
Of course, it may be rational to worry that a grand fiscal bargain isn’t much of a bargain at all. A prudent deal may postpone much of the spending reductions until the economy picks up. Perhaps we’ll end up getting the tax increases up front, and the promised spending reductions will never materialize. Congress may break its word and not make those cuts in future years, or maybe a national emergency — real or fabricated — will bring a completely new fiscal plan. Even so, it’s hard to see the harm in having tried to reach a deal, and taxes will eventually go up in any case, because they must.
What’s more, a vote for a grand fiscal bargain, in which both Republicans and Democrats have at least once endorsed a common vision of reducing entitlement spending, would increase the chance that reform would stick.
The more cynical interpretation of the Republican candidates’ stance on taxes is that they are signaling loyalty to a cause, or simply marketing themselves to voters, rather than acting in good faith. It could be that candidates are more worried about having to publicly endorse tax increases than they are about the tax increases themselves. If that’s true, it is all the more reason to watch out for our pocketbooks; it means that the candidates are protecting themselves rather than the taxpayers.
The final lesson is this: Many professed fiscal conservatives still find it necessary to pander to voter illusions that only a modicum of fiscal adjustment is needed. That’s an indication of how far we are from true fiscal conservatism, but also a sign of how much it is needed.
Tyler Cowen is a professor of economics at George Mason University.

A miragem do Mercosul - Editorial ABC Color (Paraguai)

Do final de junho, mas com argumentos ainda válidos...
Paulo Roberto de Almeida 



La mentira de la integración
Editorial: ABC Color (Asunción), 30/06/2011

Dos décadas después de haberse firmado en nuestra capital el tratado que dio origen al proceso de integración regional, Asunción volvió a ser el escenario de una Cumbre presidencial del Mercosur. Desafortunadamente, esta no revistió la trascendencia de aquel destacado evento fundacional, celebrado el 26 de marzo de 1991. No solamente porque la máxima representante de uno de los Estados Miembros no acudió a la cita, la presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner, sino porque ninguno de los relevantes principios que fueron invocados hace dos décadas para promover nuestro común desarrollo económico y social ha sido puesto en práctica hasta la fecha.

Dos décadas después de haberse firmado en nuestra capital el tratado que dio origen al proceso de integración regional, Asunción volvió a ser el escenario de una Cumbre presidencial del Mercosur. Desafortunadamente, esta no revistió la trascendencia de aquel destacado evento fundacional, celebrado en la sede del Banco Central del Paraguay el 26 de marzo de 1991. No solamente porque la máxima representante de uno de los Estados Miembros no se dio cita al encuentro, la presidenta de la República Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, sino porque ninguno de los relevantes principios que fueron invocados hace dos décadas para promover nuestro común desarrollo económico y social ha sido puesto en práctica hasta la fecha. Hasta el propio Fernando Lugo se vio forzado a reconocer los “retrocesos” registrados en el proceso.

Es así como ayer los presidentes se encontraron en la misma ciudad y en el mismo punto del que partimos hace veinte años. A él retornaron sus actuales protagonistas con las manos vacías y las palabras huecas. Se dijo que el Mercosur sería, a partir del 31 de diciembre de 1994, un Mercado Común. Pues no lo es. Se estableció que en él habría libre circulación de bienes, servicios y factores productivos. Pues no la hay. Se dispuso la creación de un arancel externo común. Pero él es constantemente perforado por los cuatro miembros. Se ordenó la coordinación de políticas macroeconómicas. Pero no existe. Se pidió armonizar las legislaciones en las áreas pertinentes. Pero ello solo se cumplió en una parte mínima.

¿Cómo se llegó a esta situación actual? Porque mientras en cada cumbre iba aumentando la escalada retórica de la integración, simultáneamente la realidad de los hechos se encargaba siempre de desmentir las promesas formuladas profusamente por nuestros mandatarios. Además, por egoísmo y espíritu imperialista, los socios mayoritarios del bloque, Argentina y Brasil, que tenían que haber sido los motores que impulsaran todo el proceso integrador, prefirieron anteponer sus intereses nacionales al bien comunitario.

Basta mirar lo que permanentemente le sucede a nuestro país en el Mercosur para sacar una conclusión al respecto. La liberalización del comercio dentro del bloque continúa siendo una utopía para el Paraguay, que periódicamente sufre trabas a su comercio exterior a causa de las recurrentes trabas paraarancelarias que le aplican argentinos y brasileños, hasta por medios intimidatorios como el oprobioso bloqueo portuario contra buques de bandera paraguaya impuesto a fines del año pasado por un grupúsculo de sindicalistas argentinos, envalentonados por un mal disimulado apoyo de su propio gobierno en manos de la señora presidenta de ese país, que no vino tal vez por evitar que se le pregunte sobre ese y otros tema urticantes de la relación bilateral.

Un proteccionismo salvaje por parte del Brasil prácticamente ha hecho colapsar la incipiente industria de neumáticos reprocesados en nuestro país, forzando a los empresarios del sector a sepultar sus ilusiones, acabar con sus perspectivas y despedir a cientos de paraguayas y paraguayos que trabajaban en sus fábricas.

Una voracidad sin límites de nuestros vecinos nos impide el uso legítimo de nuestros recursos energéticos, porque la remanida retórica integradora –reiterada ayer hasta el hartazgo– ni siquiera ha logrado mitigar el perjuicio que nos produce la sistemática explotación neocolonialista aplicada por Brasil y Argentina en la administración de las usinas hidroeléctricas de Itaipú y Yacyretá, al amparo de leoninos tratados concertados a espaldas del pueblo por los dictadores militares de turno.

Basta citar que, a causa de ello, hasta ahora el Paraguay no puede exportar su energía eléctrica excedente al Uruguay ni a Chile, por las insalvables dificultades que pone el Gobierno argentino para facilitar el usufructo de sus redes de interconexión eléctrica. Bien que ellos y los brasileños intercambian campantemente a precio de mercado nuestra energía eléctrica producida en Itaipú y Yacyretá a través de la central transformadora de Garaví, en abierta violación de los sendos tratados que tienen con nuestro país.

También avasallando disposiciones del propio Tratado de Asunción, funcionarios argentinos de cuarta categoría, argumentando impedimentos de carácter fitosanitario o de cualquier otra índole artificial, se permiten la osadía de frenar en las fronteras el paso de centenares de camiones con hortalizas paraguayas, haciendo de esta manera que el fruto del trabajo de humildes campesinos de nuestro país acabe pudriéndose y tirado a un basurero a causa de la altanería de burócratas despiadados.

Estos son claros ejemplos de cómo el Mercosur, en vez de facilitar una repartición equitativa de los beneficios de las usinas hidroeléctricas mediante una asociación energética estratégica regional, tiende más bien a consolidar una entente entre los socios más grandes, en directo perjuicio del Paraguay e, indirectamente, también del Uruguay.

Por esta razón, en esta ocasión de la Cumbre del Mercosur, el pueblo paraguayo reclamó, por intermedio de sus legítimas autoridades, la eliminación de esta sistemática política de mala vecindad para con el Paraguay. Nuestros vecinos debieran comprender que ha llegado el momento de dar un giro geopolítico en sus relaciones con nuestro país, de modo que ayuden a cicatrizar las dolorosas heridas del pasado histórico, constantemente reabiertas a raíz de la aplicación de medidas inamistosas y abiertamente violatorias del Tratado de Asunción, fundamentalmente en los puntos fronterizos.

Mientras tanto, hacemos cuestión de valorar y agradecer la fraterna y constante política de amistad y cooperación tradicionalmente brindada a nuestro país por el gobierno de la República Oriental del Uruguay, en la figura de don José “Pepe” Mujica, el ex líder guerrillero que supo demostrar a su pueblo y a la comunidad internacional que, en vez de reprimir las ansias populares, hay que luchar por liberarlas y hacer que suban hasta la superficie, a fin de construir una verdadera democracia.

El día que Argentina y Brasil renuncien a su afán de sometimiento de los más débiles; el día que expresen una verdadera intención de promover una integración realmente basada en criterios de equidad y justicia para todos los que formamos parte del proceso; el día que antepongan el bien colectivo a sus políticas hegemónicas, ese día los paraguayos creeremos en las palabras que sus mandatarios pronuncian en este tipo de cumbres. Mientras tanto, mientras la verdadera integración no se sustancie en la realidad de los hechos, seguiremos considerándolas mentiras vulgares pronunciadas en discursos baratos con los que ya a ningún paraguayo es posible seguir engañando.

Hora dos paises emergentes? Depende; se cairem no estatismo, vao para tras... -


Entrevista com o cientista político Ian Bremmer
Chegou a hora dos emergentes

Luís Guilherme Barrucho
Revista VEJA, ed. 2237, ano 44, n. 40, 5/10/2011, p. 17 e 20-21

Para Ian Bremmer, não há dúvida: os países emergentes vivem o seu momento. Poderão obter ganhos definitivos nesse ambiente de crise que afeta os ricos, mas há o risco de que cometam um grande erro: o do excesso de estatismo.
*
Especialista em países emergentes, o americano lan Bremmer, de 42 anos, cientista político e presidente da consultoria Eurasia Group, de Nova York, vem apontando com ênfase as contradições crescentes do capitalismo de estado, que, em graus variados, é o sistema dominante na China, índia, Rússia - e, infelizmente, agora também no Brasil. Bremmer demonstra que regimes nos quais o governo atribui a si um papel preponderante na economia acabam reféns de interesses políticos menores que, cedo ou tarde, vão se sobrepor aos princípios consagrados que levam prosperidade à maioria. Diz ele: “Se usarem a crise dos ricos como pretexto para aumentar a intervenção estatal na economia, os países emergentes vão perder uma chance de ouro”.

Como a crise nos países mais ricos afeta os emergentes?
Passado o pior período da tormenta, tenho certeza de que o cenário acabará sendo favorável aos países emergentes. Eles ganham com a crise uma excepcional oportunidade para avançar. Enquanto não há nenhuma perspectiva para as nações mais ricas, que estarão por um bom tempo de mãos atadas para injetar dinheiro em suas economias, os emergentes se encontram em situação financeira mais confortável, com seus gigantescos mercados internos ainda por desbravar. Isso não se traduz automaticamente na conclusão de que os emergentes estão imunes à desaceleração das economias do mundo desenvolvido. Mas países como Brasil, China e índia têm as condições essenciais e necessárias para tirar proveito das circunstâncias e, como resultado, expandir sua participação relativa na riqueza mundial. Trinta ou quarenta anos antes, olharia o cenário com muito mais desconfiança. Naquele tempo, o dinheiro poderia até tomar o rumo dos emergentes, como parte de um movimento natural de fuga do marasmo das economias mais ricas em direção às que crescem. Mas seria certamente um fenômeno passageiro. O quadro que enxergo hoje é diverso. O grosso dos investimentos está indo para os países emergentes para ficar. As economias mudaram muito e para melhor. Elas contam com arcabouço institucional mais sólido, proporcionam ambientes de negócios razoavelmente confiáveis e isso se soma às vantagens tradicionais que sempre cintilaram diante dos olhos dos investidores estrangeiros.
(…)

O que pode dar errado?
O grande risco que as economias emergentes correm é cair na tentação estatizante. Existe sempre o perigo de, a pretexto da crise global, os emergentes se deixarem levar pelo ímpeto de intervir mais fortemente na economia. Como se sabe, a qualidade dessas ingerências cedo ou tarde se deteriora, e elas passam a ser motivadas por interesses políticos e empresariais localizados ou, pior, por bandeiras ideológicas. É na interferência excessiva do estado que reside o maior de todos os perigos para os países emergentes. Nos momentos de crise, isso pode parecer justificável, pois se tem a impressão de que há alguém no comando enfrentando a turbulência econômica. Nessas horas, a idéia estatizante fica ainda mais perigosa.

Por quê?
Todos os emergentes já seguem, em diferentes graus, um modelo intervencionista. São países que praticam versões próprias do capitalismo de estado. Esse sistema é muito forte na China e na Rússia, onde os setores estratégicos são controlados pelo governo. Ele é mais brando em países como o Brasil, a índia e o México. Nesses regimes, o livre mercado é aceito e praticado, mas neles o governo age sempre como ator econômico privilegiado e forte. Nesse ambiente, as doses excessivas de intervenção são quase inevitáveis. Elas sempre prejudicam a eficiência da economia. Espero que as autoridades dos países emergentes resistam à tentação de ampliar seus tentáculos pretextando a necessidade de ter mais poderes para enfrentar a crise externa. Espero que segurem o ímpeto desastroso de instrumentalizar as estatais, os bancos públicos ou os fundos soberanos - e, o que seria ainda mais ruinoso. bulir com o destino das empresas privadas que recebem alguma forma de ajuda financeira do estado. Na crise, sob a justificativa de estimular o crescimento e criar mais empregos, esses movimentos podem parecer naturais e necessários. Mas são fatais. O capitalismo de estado desencoraja a competição e, por isso, é insustentável a longo prazo.

Leiam a íntegra da entrevista na revista Veja.

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