Sindicatos, associações, clubes, condomínios costumam ser, naturalmente, ambiente diversificados, com todos os tipos de membros, associados, condôminos, frequentadors habituais, enfim, com pessoas das origens as mais diversas, professando religiões diferentes, torcendo para clubes de futebol diferentes, vindos de origens sociais, étnicas e culturais as mais distantes possíveis, e no entanto convivendo sob o mesmo teto ou no mesmo ambiente por razões de conveniência, de escolha, de circunstância.
Num ambiente assim, a aceitação dessa diversidade é de rigor, e a tolerância com posições e posturas diferentes é mesmo obrigatória, com normas respeitadoras dessa diversidade geralmente consolidadas no próprio estatudo de fundação e de funcionamento do clube, entidade, associação.
Assim é que sindicatos ou associações profissionais não costumam ter posições políticas ou sequer afiliações partidárias, deixando a critério de seus membros qualquer decisão a respeito de escolhas que dependem única e exclusivamente de decisões pessoais de cada um.
Apenas na cabeça de um dirigente muito arrogante e autoritário vem a ideia de pretender ditar a atitude dos membros de sua associação.
Pois é isso que está acontecendo na Anpuh, a associação que supostamente representa os professores de história.
Seu presidente tem esse DNA fascista, de pretender que todos os associados pensem como ele.
Transcrevo aqui um trecho do seu manifesto eleitoral, divulgado recentemente, para que se constate o estilo do "coronel" universitário, que de acadêmico só tem o nome, mas não as qualidades:
" Dirijo este texto àqueles que fazem parte como eu desta parcela letrada da sociedade, notadamente, daqueles alojados no interior da Universidade, e que, para minha surpresa e decepção, vêm manifestando a intenção de votar em José Serra no segundo turno das eleições. Como estou escrevendo para pessoas que julgo estar sob o império da racionalidade, nem me vou ocupar de rebater os motivos e argumentos apresentados para não se votar em Dilma Rousseff, em uma das campanhas mais sórdidas, mais caluniosas, injuriosas e preconceituosas já levadas a efeito no país, com a participação decisiva do candidato Serra e da mídia golpista que o apóia, a mídia que medrou e engordou durante a ditadura militar, ..."
Trata-se, manifestamente, de uma ofensa direta a todos os professores que não pensam como ele, pois eles estariam, como direi?, sendo "irracionais", para não dizer reacionários, golpistas, energúnemos e coisas parecidas.
Todo o manifesto partidário do cidadão que infelizmente preside a Anpuh vem escrito nessa linguagem chula, digna de um militante fundamentalista, um terrorista da pena, um intolerante da regras da cidadania, um autocrata de formação.
Acredito que ele consegue, com esse gesto, desconstruir a Anpuh, e desonrar seus estatutos, além de criar um ambiente de trabalho praticamente viciado para o próximo congresso da associação.
Se os membros aplicassem o estatuto com rigor, ele já teria sido automaticamente destituído do cargo. Se continuar apegando-se a ele, não possui, de qualquer forma, autoridade moral para sentar-se na cadeira da presidência.
Meus pêsames aos professores de história que precisam suportar uma personalidade totalitária, vulgar e de má conduta como o seu presidente atual.
Uma desonra para toda a categoria.
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 17 de outubro de 2010
Interrupcao eleitoral (8): partidarização academica, Parte B: associacoes instrumentadas...
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Anpuh,
manifesto partidario
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