Terminei de ler, no trem de Tóquio a Osaka, o livro de John Lewis Gaddis, The Cold War: A New History (New York: Penguin, 2005), que eu já conhecia de folhear em livrarias, mas que nunca tinha lido por completo (o que agora fiz, inclusive notas e referências bibliográficas).
Pois bem, o que me chamou a atenção, mais para perto do final, foi um detalhe prosaico, que eu não conhecia (e aposto que nenhum dos meus leitores tampouco), mas que é imensamente revelador do imenso castelo de areia que constituía, finalmente, o socialismo de tipo soviético.
Transcrevo:
And so on December 25, 1991 -- two years to the day after the Ceausescus execution, twelve years to the day after the invasion of Afghanistan, and just over seventy-four years after the Bolshevik Revolution -- the leader of the Soviet Union [Mikhail Gorbachev] called the president of the United States to wish him a Merry Christmas, transferred to [Boris] Yelstsin the codes needed to lauch a nuclear attack, and reached for the pen with which he would sign the decree that officially terminated the existence of the U.S.S.R. It contained no ink, and so he had to borrow one from the Cable News Network television crew that was covering the event.
[Reference: Don Oberdorfer, From the Cold War to a New Era: The United States and the Soviet Union, 1983-1991 (updated edition; Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1998), p. 471-472]; citado por Gaddis, p. 257 e 297.
Vejam vocês o patético da coisa: o socialismo, que sempre se caracterizou pela penúria generalizada de bens, não conseguiu sequer assegurar uma caneta que funcionasse para que o presidente formal do grande império que constituia a URSS pudesse assinar a dissolução formal desse Estado que durou 70 anos. Se não fosse o pessoal da CNN, o socialismo teria durado mais um pouco...
Claro, para ser totalmente preciso com a história, o que estava acabando em dezembro de 1991 era a União Soviética, não exatamente o socialismo, mas aquela pode ser tomada como a representante legítima deste último, inclusive porque os chineses comunistas estavam brincando de capitalismo há mais de dez anos, então.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 24 de outubro de 2010
Na morte do socialismo, faltou tinta para confirmar por escrito
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fim da URSS,
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4 comentários:
Uma grande saída da China para melhor desenvolvimento econômico que todos nós sabemos, foi a implementação econômica capitalista dentro do país, isso porque a realidade no âmbito mundial foi perceptível aos chineses com antecedência como foi citado no post, todavia, não foi o suficiente para que o Estado chinês deixasse de tomar medidas totalitárias diante a sociedade regida por ela. Mas diante tal regime, só resta lembranças nos livros de história, pois a eficácia de um regime ditatorial não compreende a realidade dos desejos dos povos, da qual é ter as liberdades individuais garantidas e respeitadas. Abraço
De fato eu tbm não tinha conhecimento do evento mencionado. E ele só evidencia o grande fracasso que o socialismo representa na História, além de ser a teoria utópica que ainda hoje ilude milhões de pessoas ao redor do mundo, que só fez levar à morte milhões de pessoas e à falência econômica alguns países governados por cleptocratas velhacos.
Um livro excelente sobre o fim da URSS e do comunismo nos países da cortina de ferro é o "Down with Big Brother", de Michael Dobbs. Saiu em português como "A Queda do Império Soviético", pela Campus.
Philipe,
Muito grato pela dica. Vou procurar ler esse livro do Michael Dobbs, apesar de eu conhecer, pessoalmente digamos assim, a "desafecção" dos "irmãos socialistas" em relação ao Big Brother soviético. Andei pelo socialismo real antes da queda e a atmosfera era a pior possível. Se sentia, por assim dizer, a decadência do sistema.
O abraco do
Paulo Roberto de Almeida
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