Decididamente, estão querendo induzir o presidente Obama ao erro.
Vejam o que ele disse:
"Como líder na área de energia renovável, como biodiesel, e como parte da parceria de energia e clima entre as Américas que proponho, o Brasil está compartilhando seu conhecimento na região e no mundo."
Não Mister Obama, o Brasil não é líder nas energias renováveis, embora seja um dos grandes produtores de renováveis. E, mesmo que fosse, certamente não seria de biodiesel, onde ainda estamos muito, mas muito atrasados, e isso porque certo presidente, ignorante nessas matérias, resolveu se fixar no biodiesel de mamona, cuja matéria prima pode servir para muitas coisas, inclusive nobres, menos para queimar com o diesel fóssil no motor dos caminhões. O biodiesel de mamona, no Brasil, é um fracasso completo e o Brasil NUNCA será líder nessa área, pelo menos não com essa matéria prima.
O Brasil pode ser, parcialmente, líder em etanol, ainda que os EUA sejam os maiores produtores, e até se declararam dispostos a exportar um pouco para o Brasil, nesta nossa entressafra da cana, ou no aumento dos preços do açúcar, e escassez de etanol.
Também não se pode dizer, a rigor, que o Brasil compartilha seu conhecimento na região e no mundo, pois a cooperação técnica prestada nessa área é relativamente limitada.
Já estou começando a ficar preocupado com a (má) qualidade dos discursos do Obama: cheios de equívocos e verdades parciais, vários exageros retóricos e pouca substância.
Enfim, ele não tem culpa por todo o conteúdo, embora devesse fazer o seu dever de casa e estudar um pouco mais (o que outros presidentes, diga-se de passagem, não fazem, sobretudo um que conhecemos bem). Mas, ele podia pelo menos consultar o Departamento de Estado, que é do seu governo, ao que parece, para evitar de falar coisas que não são certas. Confiar demais nos assessores palacianos, dá nisso.
Tudo bem, Obama, trata-se de um aprendizado. Você fará melhor da próxima vez...
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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