Um daqueles nazistas bem conhecidos teria afirmado -- no que na verdade é uma adaptação mal feita de uma peça de teatro de um simpatizante da causa -- que quando ouvia a palavra cultura, "tinha vontade de sacar o revólver": Wenn Ich Kultur hore [trema no "o"], entsichere Ich meine Lugar..." (ou algo parecido; desculpem, estou citando de memória).
Pois bem, quando eu leio algo parecido com o que vai abaixo, fico logo com vontade de sacar a minha pluma -- no caso, acessar meu teclado -- para desmantelar o manancial de bullshits que suspeito possam existir em textos escritos com tal inspiração.
Desculpem se estou enganado, mas se trata da publicidade de um livro novo que acabo de receber, na qual figura este trecho:
"... constitui um elemento central da problemática do mundo contemporâneo, tanto do ponto de vista da realização do processo de acumulação capitalista – e, por consequência, de justificativa das ações do Estado em direção à criação dos fundamentos da reprodução – quanto do ângulo da (re)produção da vida, que se realiza..."
Não sei por que, mas quando alguém fala de "acumulação capitalista", é porque se trata de um irremediável acadêmico sonhador, incapaz de compreender o mundo como ele é, e que recorre a conceitos vazios para disseminar mais do mesmo...
Acho que estou ficando intolerante com o besteirol universitário...
Paulo Roberto de Almeida
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quinta-feira, 10 de março de 2011
Não querendo sacar o revolver, prefiro sacar a minha pluma...
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big bullshit
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3 comentários:
Caro
E o autor apresenta a "solucionática" para a problemática do mundo moderno? Que coisa.
E esse lero-lero charlatão que se revela no abuso dos parênteses [(re)produção] é de lascar.
É o charlatanismo da profundidade. Assim, quanto mais empolada, abstrata, jargonofásica, desconectada do efetivo é a fala ou a escrita de um teórico, mais ela é vista e tida como rigor ou sofisticação do pensamento.
O cara aí não diz lé com cré.
Abs.
Meu caro Paulo Araujo,
Falando em "charlatanismo da profundidade", parece que no Carnaval deste ano, em Brasilia, professoras PhD.s da UnB, formaram um bloco chamado:
Cansamos de ser profundas
É isso aí...
Paulo Roberto de Almeida
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