Já não se fazem mais historiadores como antigamente. Revisando alguns livros de história para terminar um trabalho sobre Varnhagen, deparo-me com este trecho no capítulo IX, "Três Séculos Depois", do livro Capítulos de História Colonial (1908), de Capistrano de Abreu:
"Os mulatos, gente indócil e rixenta, podiam ser contidos a intervalos por atos de prepotência, mas reassumiam logo a rebeldia originária. Suas festas, menos cordiais que as dos negros, não raro terminavam em desaguisados [brigas]; dentre eles saiam os assassinos e os capangas profissionais. Crescendo em número, desconheceram, e afinal extinguiram as distinções de raça e foram bastante fortes para romper com as formas do convencionalismo vigente e viver como lhes pedia a índole irrequieta. Para o nivelamento concorreu sobretudo a parte feminina, com seus dengues e requebres lascivos. Sipx e Martius ouviram cantar na Bahia:
Uma mulata bonita não carece de rezar
Basta o mimo que tem para sua alma se salvar."
p. 232 de
Capistrano
de Abreu, J. (1934). Capítulos de
História Colonial (1500-1800). [Rio de Janeiro:] Edição da Sociedade
Capistrano de Abreu, F. Briguet & Cia.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
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