Mostrando postagens com marcador Antonio Airapetov. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Antonio Airapetov. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Recrutamento para morrer na Ucrânia: como Putin caça carne de canhão - Alona Malakhaeva, Antonio Airapetov (Opera)

A pobreza estratégica: como o Kremlin reabastece o exército russo
Da blitzkrieg prometida à guerra longa: o empobrecimento da população como motor silencioso do esforço militar russo na guerra da Ucrânia
ALONA MALAKHAEVA E ANTONIO AIRAPETOV
Revista Opera, 9 de fevereiro de 2026

“Em uma guerra, a Ucrânia durará dois dias”, disse Margarita Simonyán, editora-chefe da Russia Today, o principal órgão de propaganda internacional do Kremlin, dois dias antes do início da invasão em grande escala na Ucrânia.

“Ocupar Kiev em dois dias”, “dois dias para ter toda a Ucrânia”, repetiam os políticos e apresentadores da televisão estatal. Esse era o plano quando cerca de 150 mil soldados profissionais russos cruzaram a fronteira ucraniana no dia 24 de fevereiro de 2022, 50 mil dos quais marcharam sobre Kiev. Mas tomar a capital da Ucrânia de assalto não fazia parte dos planos. Ninguém sabe ao certo com o que o Kremlin contava: se Zelensky concordaria rapidamente em negociar, se os militares ucranianos o destituíram com um golpe de Estado ou se a população ucraniana apoiaria os invasores. Nenhuma das três coisas aconteceu e a prometida blitzkrieg transformou-se numa interminável guerra de posições. Logo ficou claro que isso não poderia ser sustentado com os efetivos disponíveis, e os líderes russos recorreram à mobilização forçada em setembro de 2022.
A mobilização
Essa mobilização representou uma prova de fogo extraordinária para o regime russo. Apenas 302.503 pessoas foram mobilizadas (dados do Ministério da Defesa), mas o caos organizacional foi enorme e episódios abertamente insurrecionais, com tropas mobilizadas prendendo seus oficiais e parando trens, foram registrados às dezenas. Por outro lado, centenas de milhares de jovens, muitas vezes altamente qualificados, fugiram do país, deixando uma economia já caracterizada por um grave déficit de recursos humanos ainda mais descapitalizada e agravando o buraco demográfico cavado pela própria guerra.
A mobilização se transformou imediatamente em uma caçada baseada em batidas de legalidade duvidosa. Iván Chuviliaev, porta-voz da ONG “Idite Lésom”(“Fuja pela floresta”), que ajuda as pessoas a evitar o recrutamento forçado, bem como a fugir ou desertar aqueles que já foram recrutados, explica:
“Literalmente desde o primeiro dia, o próprio procedimento de mobilização começou a ser violado em todos os lugares. Em uma mobilização, a pessoa recebe uma intimação para se apresentar no centro de recrutamento. Essa intimação, de acordo com a lei, só pode ser entregue pessoalmente ao indivíduo pelos funcionários do comitê militar. Mas, na prática, elas foram entregues às mães, avós, amigos, namoradas, vizinhos e chefes. Além disso, muitas vezes, em vez de intimações em papel, as pessoas recebiam mensagens de texto, WhatsApp, Telegram ou telefonemas. A mobilização assumia a forma de batidas policiais. Chegavam às cinco da manhã a um albergue em Moscou, acendiam a luz, reuniam todos os homens, tiravam seus passaportes e, independentemente de estarem sujeitos à lei de mobilização, os levavam para o centro de recrutamento e, de lá, para a Ucrânia.”
Ficou provado que, embora os russos não estivessem em condições de organizar uma resistência ativa à guerra, o ânimo, é claro, também não era muito beligerante. Apesar de todos os recursos direcionados para a promoção da guerra contra a Ucrânia como uma “guerra popular”, ela nunca chegou perto da tão desejada imagem da “Grande Guerra Patriótica”. O regime interpretou bem os sinais de perigo de uma explosão social e, desde então, a consigna tem sido evitar a todo custo a mobilização forçada.
Embora seja difícil contar as baixas de forma confiável, sabemos que apenas a contagem feita por jornalistas da BBC e da Mediazonacontabilizou, com fontes abertas (como obituários, homenagens, condecorações, publicações nas redes sociais e indenizações para as famílias dos falecidos), mais de 135.100 militares russos que perderam a vida na Ucrânia (até 10 de outubro de 2025). Podemos afirmar sem medo de errar que as baixas definitivas, entre mortos e feridos, chegam a centenas de milhares. Para sustentar uma reposição dessa magnitude sem recorrer a uma nova mobilização, o Kremlin ativou todos os recursos ao seu alcance.
A roleta russa do serviço militar obrigatório
No dia 31 de março de 2025, Vladimir Putin assinou a ordem sobre o recrutamento de 160 mil cidadãos para o serviço militar obrigatório. Não é um fato extraordinário. Trata-se do recrutamento regular que ocorre todos os anos na primavera e no outono. O presidente do Comitê de Defesa da Duma Estatal, Andrei Kartapolov, declarou em 2022 que os recrutas não seriam enviados para a zona da “operação militar especial” na Ucrânia. Mas até que ponto isso é verdade?
Na Rússia, a idade de recrutamento para o serviço militar obrigatório está estabelecida entre 18 e 30 anos. Anteriormente, a idade máxima era de 27 anos, mas aumentou a partir de 1º de janeiro de 2024. A duração é de um ano. O processo de recrutamento inclui: a entrega de uma intimação, um exame médico; a apresentação no local e horário indicados para ser transferido para o local onde o serviço será prestado. Os critérios de aptidão estão especificados no “Catálogo de doenças” do Ministério da Defesa. Além disso, de acordo com a Constituição, os objetores de consciência têm direito a realizar um serviço civil alternativo.
O defensor dos direitos humanos do Movimento de Objetores de Consciência da Rússia e coordenador da Connection e.V., ONG alemã que defende os direitos dos objetores de consciência e desertores, principalmente da Rússia, Ucrânia e República da Bielorrússia, Artyom Klyga, deu uma entrevista para El Salto. Ele nos conta que a maioria das normas para recrutas na Rússia só existe no papel:
“A partir de 2022, foram implementadas uma série de reformas que mudaram completamente o formato do recrutamento para o serviço militar na Rússia. Em primeiro lugar, está a digitalização de todo o processo. Desde abril de 2023, além das intimações por meio dos sites eletrônicos dos serviços públicos, existe um registro eletrônico que interage com todos os órgãos estaduais e municipais, como hospitais, organizações educacionais e controles de fronteira. Se uma pessoa não comparecer ao escritório de recrutamento, em primeiro lugar, ela será impedida de sair do país e, em segundo lugar, serão impostas restrições econômicas, bloqueando o acesso à saúde pública, educação e outros benefícios. Antes, podíamos recorrer aos tribunais para suspender o processo de recrutamento. Agora, você tem que iniciar o serviço enquanto aguarda o resultado do recurso.”
Depois de se depararem com enormes recursos à sua disposição, os responsáveis pelo serviço militar obrigatório dedicaram-se a modificar o recrutamento de forma deliberada e sem muito controle por parte dos órgãos centrais do Estado, mais interessados na eficácia do que na legalidade do processo. Como comenta Artyom:
“Em toda a Rússia e em Moscou, começaram a ser introduzidas práticas arbitrárias de recrutamento, batidas violentas. Moscou tem uma polícia especial que trabalha para a comissão militar. Também dispõe da Rosgvardia (guarda nacional) e de unidades móveis que percorrem residências e escritórios. As batidas violam inúmeras normas federais. Os exames médicos tendem a superestimar a categoria de aptidão. Uma pessoa tem todos os documentos médicos e, mesmo assim, eles se esforçam para declará-la apta. Eles dizem: ‘Sim, você está doente, mas não tão doente assim. Acreditamos que sua doença não o isenta do serviço militar. A lei considera assim, mas nós não’”.
O serviço civil alternativo se tornou uma armadilha para objetores de consciência mal informados. Muitas pessoas se apresentam à comissão pensando que podem acessar o serviço civil e, assim, evitar tanto o serviço militar quanto a mobilização. Mas, como explica Artyom, “não se oferece serviço alternativo sob demanda. Em Moscou, você é rejeitado e ponto. Em outros lugares, a porcentagem de sucesso não é nula, mas quase. Para rejeitar o pedido, geralmente dizem: ‘você não demonstrou suas convicções, que é pacifista ou que acredita em Deus. Você não nos convenceu’”.
Uma das teses promovidas pelo Ministério da Defesa e pelo próprio Vladimir Putin é que os recrutas que prestam serviço militar obrigatório não são enviados para a frente de batalha e não entram em contato com a zona de conflito.
A resposta de Artyom é categórica: “É mentira. Os recrutas eram e continuam sendo enviados para zonas fronteiriças, especialmente para Belgorod e Kursk. A situação lá é tão complicada que tivemos que elaborar instruções com conselhos ilegais, como que, se tentassem enviá-lo para uma zona fronteiriça, você desertasse, porque é melhor ir para a prisão do que para a guerra. Por outro lado, o Estado russo encontrou nos recrutas um grupo populacional vulnerável sobre o qual exercer confortavelmente pressão física e psicológica para obrigá-los a assinar o contrato com o Ministério da Defesa. Intimidação, ameaças, tortura… essas são as principais denúncias que recebo. Muitos assinam por medo. E, às vezes, se não assinam, alguém assina por eles. O recruta fica sabendo do contrato quando um dia recebe em sua conta os pagamentos do Ministério da Defesa e já não há mais volta: ele será transferido para a Ucrânia imediatamente. No dia 20 de janeiro de 2025, o Tribunal Administrativo de Berlim proferiu a primeira sentença reconhecendo que o serviço militar na Rússia representa um perigo para a vida e a integridade física, e que os objetores de consciência russos podem solicitar proteção internacional. Na Espanha, até hoje, tivemos dois casos de objetores de consciência da Rússia e ambos tiveram o asilo negado.”
As autoridades também preferem procurar contratados em vez da mobilização forçada por alguns aspectos legais. O contrato não tem duração determinada e pode ser prorrogado indefinidamente, uma vez que rescindir antes do tempo implica uma multa que pode ser superior ao rendimento de uma família durante os próximos 20 anos. Isso transforma qualquer contratado num devedor sem direitos. “É evidente que não se encontram lá moscovitas da classe média alta, assalariados de grandes empresas ou empresários de sucesso”, comenta Artyom.
A guerra é coisa de pobres
A busca por contratados é constante e desesperada, além dos jovens obrigados ao serviço militar, e se concentra nos setores mais desfavorecidos da classe trabalhadora. Assim, o Ministério do Trabalho colabora com a Defesa desde agosto de 2024, oferecendo o alistamento como uma oportunidade de emprego aos desempregados. Duas recusas significam a baixa na demanda por emprego e o fim do recebimento de benefícios.
A maioria dos que aceitam assinar o contrato o fazem por motivos econômicos, o que não é de se estranhar, já que os militares russos ganham em média cerca de 2.300 euros, quantia extraordinária considerando que o salário médio na Rússia é de cerca de 640 euros, e nas regiões mais pobres (como Inguchétia) é de 400 euros.
Como resultado, as regiões com mais baixas mortais em termos relativos são Tyvá (342 mortos por cada 100 mil habitantes) e Buriatia (264), regiões cujos povos indígenas pertencem a etnias turcas e mongólicas. A título de comparação, a opulenta e ocidentalizada Moscou, cuja população vive longe da guerra, apresenta apenas 11 mortes por cada 100 mil habitantes. Em termos absolutos, lideram o macabro ranking o Tartaristão e o Bascortostão, curiosamente também pertencentes ao que na Rússia se denomina repúblicas “étnicas”. Neste caso, trata-se de povos turcos de religião muçulmana.
Como se fosse uma experiência neoliberal distópica, o recrutamento tornou-se um mercado dinâmico. “Recrutador” acabou por se tornar uma profissão. A cadeia de intermediários se estende por vários elos, desde o Ministério da Defesa até os recrutadores comuns (comerciários desempregados, donas de casa que buscam um rendimento extra…), passando por empresas públicas, agências de emprego e campos de treinamento. Todos recebem uma porcentagem em troca de levar homens em idade militar, normalmente acossados por problemas financeiros, legais ou vícios, aos centros de recrutamento. O que o intermediário ganha varia de 50 a 3,5 mil euros, dependendo do lugar que ocupa na cadeia. Como não poderia deixar de ser, a fraude e a corrupção já marcaram presença, com vários escândalos de falsos recrutamentos.
Uma das fraudes mais populares é o esquema das chamadas “viúvas negras”: mulheres que se casam com homens que estão prestes a assinar o contrato e ir para a frente de batalha. Os contatos desses homens são vendidos dentro da rede mencionada. De acordo com uma investigação do jornal Svoboda, é um negócio popular tanto entre mulheres solteiras quanto casadas, já que a primeira renda instantânea é recebida no mesmo dia em que você traz um “voluntário” ao centro de recrutamento. A partir daí, todos os rendimentos do Ministério vão para a conta da família, seja ela real ou fictícia. E o prêmio maior: a “pensão estatal por perda do sustento familiar”, que começa com um pagamento inicial único de até 50 mil euros e continua com uma pensão vitalícia para a “viúva do militar”.
Todos os meses, dezenas de famílias na Rússia denunciam fraudes após não receberem o primeiro pagamento da pensão por um familiar falecido na guerra, porque este se casou no dia anterior à assinatura do contrato. A percepção das perdas na guerra na Ucrânia está muito bem refletida nas palavras de uma das “viúvas negras” que publicou em sua rede social: “Se a morte é paga, seria um desperdício que ninguém a cobrasse”.
Por sua vez, as regiões têm que cumprir indicadores de desempenho que incluem o número de recrutas enviados para o front. Para cumprir esses objetivos, e sendo o salário uma motivação insuficiente em um emprego tão incerto, o pagamento inicial foi ganhando cada vez mais importância: o rendimento único que é feito ao assinar o contrato. Esse pagamento permite ao contratado liquidar suas dívidas de uma só vez ou pagar a educação de seus filhos. As regiões competem entre si para oferecer o valor mais alto e os homens migram de um lado para outro em busca da melhor oferta. Em Rostov ou Krasnodar, esses pagamentosse multiplicaram por 10 ao longo de 2024 (de 1,1 mil para 11 mil euros). O Tartaristão liderava com 23,2 mil euros até recentemente, mas acaba de ser superado por Khanty-Mansi, com seus 33,7 mil euros, uma região siberiana muito pouco povoada com uma economia dedicada em 81% à extração de hidrocarbonetos. A elevada renda per capita da indústria petrolífera obrigou as autoridades a melhorar a oferta aos contratantes para poder cumprir as cotas de recrutamento exigidas pelo Kremlin.
Indultos em troca de matar
Outra grande fonte de recrutamento tem sido a população carcerária. O alistamento de condenados em troca de indultos, impensável até então, foi permitido em 2022 e, em 2024, deu-se o passo seguinte: agora, um acusado pode livrar-se da condenação (e, portanto, dos antecedentes criminais) se, na mesma fase da investigação, se oferecer como voluntário para a guerra. Um dos primeiros a se beneficiar dessa graça foiSerguey Trifánov, ex-líder local da juventude do Rússia Unida, o partido do governo, que em 2022 havia roubado, matado e decapitado um deficiente, mas conseguiu a suspensão do julgamento ao se alistar para a guerra na Ucrânia.
De acordo com as estimativas mais modestas, pelo menos 48 mil condenados passaram ou continuam prestando seus serviços na frente de batalha em troca de um perdão. Até a rebelião militar deYevguény Prigozhin em junho de 2023, cerca de 40 mil passaram pelo grupo paramilitar Wagner. Mais tarde, diferentes unidades do Ministério da Defesa e outras empresas assumiram esse papel. De acordo com pesquisadores da Mediazona e da BBC, mais de 17 mil morreram apenas no massacre de Bajmut. Muitos dos que conseguem sobreviver e retornar à vida civil protagonizam homicídios e outros episódios de extrema violência que se tornaram habituais. Foram até documentados casos de um segundo alistamento por parte de indivíduos que, libertados da prisão e tendo cumprido seu serviço na linha de frente, voltaram à criminalidade ao retornar à vida civil.
Soldados importados
“Não temos necessidade de trazer ninguém de fora para a operação militar”, afirmou Vladimir Putin em 2023. O mercenarismo é formalmente proibido na Rússia, mas milhares de soldados foram importados de todas as partes do mundo.
Os imigrantes, ao passarem por um escritório de estrangeiros, recebem notificações com aviso de recebimento sobre a obrigatoriedade de comparecer ao centro de alistamento. “Os migrantes são o segundo grupo mais vulnerável na Rússia, depois dos recrutas do serviço militar obrigatório”, diz Artyom Klyga. “É fácil detê-los, acusá-los de infringir a legislação migratória, impor a eles e suas famílias a expulsão do país, mas, em seguida, oferecer-lhes um contrato que resolve todos esses problemas. Entre outras coisas, isso permite que obtenham a cidadania russa no prazo de um ano, sem passar pelos requisitos de idioma, duração da estadia no país, conhecimento da legislação, etc. A Human Rights Watch nos informa que houve casos em que, sob o pretexto de preencher os documentos para obter a cidadania, migrantes foram obrigados a assinar um contrato militar. Devido à barreira linguística, algumas pessoas caem nessa armadilha e os recrutadores se aproveitam disso.”
Também foram divulgados escândalos relacionados ao trabalho de agentes russos em países de origem de migrantes. Estados como Cuba, Nepal, Índia ou Tajiquistão tiveram que se pronunciar publicamente, abrir investigações sobre redes russas de recrutamento e perseguir seus próprios cidadãos pelo crime de mercenariado para evitar se envolverem no conflito. Investigadores do meio digital russo IStoriesrevelaram que, só entre abril de 2023 e maio de 2024, mais de 1,3 mil mercenários estrangeiros de 43 países foram dispensados por um escritório de recrutamento em Moscou. Muitos outros foram redirecionados para a Ucrânia por meio de empresas paramilitares e campos de treinamento privados. Merecem menção especial os milhares de soldados norte-coreanos, cuja presença nas fileiras russas foi negada durante meses até ser finalmente reconhecida pelo presidente Putin na cúpula do BRICS em abril do ano passado, o que causou preocupação até mesmo em Pequim.
Condições perfeitas
Não há dúvida de que entre as pessoas que vão para a guerra contra a Ucrânia também há pessoas ideologicamente motivadas, dado que a poderosa máquina de propaganda vem preparando, há muitos anos e com intensidade crescente, os russos para a violência que estamos vivendo. Ainda assim, fica claro que apenas o empobrecimento da população permitiu construir e repor o exército russo, em detrimento da doutrinação ideológica, patriótica, imperialista ou nacionalista.
O curioso é que, aparentemente, os próprios líderes russos não estavam plenamente conscientes disso no início. Assim como pareciam acreditar que os ucranianos receberiam seus tanques de braços abertos, eles também superestimaram o grau de comprometimento dos russos com seus objetivos. Prova disso tem sido a evolução das estratégias de recrutamento desde 2022 até hoje. Ficaram para trás a defesa do “mundo russo”, a “desnazificação” e a recuperação do orgulho patriótico, restando-nos um dia-a-dia de estimulação econômica banal e coerção brutal.
(*) Tradução de Raul Chiliani

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...