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terça-feira, 23 de junho de 2026

Diplomatas acadêmicos: aspectos característicos - Paulo Roberto de Almeida

 O que eu escrevia, em 2016, sobre grandes diplomatas intelectuais, numa pequena nota, nunca publicada:


Diplomatas acadêmicos: aspectos característicos

Paulo Roberto de Almeida

30/07/2016

Barão do Rio Branco: O único brasileiro a ter estado presente em quase todos os padrões monetários republicanos. Trata-se de um dos poucos heróis nacionais, em escala internacional, que tenha sido essencialmente, ou quase exclusivamente, um diplomata, mas dotado de características de verdadeiro estadista.

Celso Lafer: Um intelectual de qualidade excepcional, estilo homem renascentista, que exerceu por duas vezes a chancelaria, e que dignifica a comunidade judaica no quadro da cultura nacional, pela qualidade de seus escritos, pela profundidade de suas reflexões em diplomacia e em direito internacional, assim como em diversas outras áreas do conhecimento.

Hélio Jaguaribe: Um pensador, publicista e batalhador patriota, desenvolvimentista no melhor sentido da expressão, quem primeiro defendeu a integração sub-regional, em especial com a Argentina, como uma das prioridades brasileiras no quadro de um processo de desenvolvimento nacional com inserção internacional. A despeito de não ter exercido cargos diplomáticos, exerceu profunda influência sobre diversas gerações de diplomatas, pelo seu nacionalismo integrador, não xenófobo.

Evaldo Cabral de Melo: Um historiador regionalista, ou “regional”, mas dotado de visão nacional e internacional, um pesquisador incansável em arquivos e maços pouco percorridos por outros historiadores, e que iluminou como poucos de seus colegas aspectos inéditos da formação histórica da nação, especialmente em suas raízes coloniais. Revisitou e revisou diversas concepções tradicionais, algumas equivocadas, da historiografia brasileira sobre a formação do povo brasileiro, agregando à sua vertente principal, bastante dominada por uma visão Rio-cêntrica, uma visão regional, de tinturas federalistas, sobre diversos episódios de nossa história política. Provavelmente o maior historiador brasileiro vivo (aliás, sem ter formação na área), na tradição de outros grandes historiadores diplomatas.

Geraldo Holanda Cavalcanti: Dotado de grande cultura clássica, mas também de fina sensibilidade literária, participou e atuou em dossiês relevantes da história diplomática brasileira contemporânea, e dedicou-se, nas décadas recentes, a atividades literárias que o habilitaram, depois de se exercer como presidente da União Latina, a oferecer diversas obras – inclusive na literatura fantástica – totalmente em linha com o que se espera de um acadêmico completo. Personalidade cativante, educação refinada, cultura abrangente, são os traços predominantes neste diplomata culto e elegante, como um Grand Seigneur da literatura brasileira.

No conjunto, todos eles escreveram obras de referência, em suas respectivas especialidades, ou seja, livros publicados que permanecem na bibliografia especializada e na tradição da grande cultura nacional. Outros acadêmicos que merecem a mesma distinção são os diplomatas Alberto da Costa e Silva, Sérgio Paulo Rouanet e José Guilherme Merquior, este último já falecido.

3017. “Diplomatas acadêmicos: aspectos característicos”, Brasília, 30 julho 2016, 1 p. Comentários sobre os seguintes acadêmicos: Barão do Rio Branco, Celso Lafer, Hélio Jaguaribe, Evaldo Cabral de Melo, e Geraldo Holanda Cavalcanti.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Prata da Casa, fevereiro de 2017 a maio de 2017 - resenhas Paulo Roberto de Almeida

Um pouco atrasado, mas finalmente verificado, vou publicar a lista efetiva das resenhas publicadas na revista da ADB:

1266. “Prata da Casa, fevereiro de 2017 a maio de 2017”, Revista da ADB, Associação dos Diplomatas Brasileiros (ano XIX, n. 95, fevereiro de 2017 a maio de 2017, p. 36-37; ISSN: 0104-8503; link: https://adb.org.br/wp-content/uploads/2017/08/Revista-da-ADB-alta.pdf). Mini-resenhas sobre os seguintes livros: (1) Paulo Roberto de Almeida (org.), O Homem que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Editora Appris, 2017, 373 p.; ISBN: 978-85-473-0485-0); (2) José Vicente Pimentel (ed.), Brazilian Diplomatic Thought: policymakers and agents of Foreign Policy (1750-1964) (Brasília: Funag, 2016, 3 vols.; ISBN: 978-85-7631-547-6); (3) Ives Gandra da Silva Martins; Paulo Rabello de Castro (Orgs.). Lanterna na proa: Roberto Campos Ano 100 (São Luís: Resistência Cultural, 2017, 340 p.; ISBN: 978-85-66418-13-2); (4) Sérgio Eduardo Moreira Lima (org.): Visões da obra de Hélio Jaguaribe (Brasília: Funag, 2015, 135 p.; ISBN: 978-85-7631-539-1).  Relação de Originais n. 3107.

Aqui seguem os textos: 
 

Paulo Roberto de Almeida
 [Miniresenhas; Revista da ADB, Associação dos Diplomatas Brasileiros (ano XIX, n. 95, fevereiro de 2017 a maio de 2017, p. 36-37; ISSN: 0104-8503)]


(1) Paulo Roberto de Almeida (org.):
       O Homem que Pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos
       (Curitiba: Editora Appris, 2017, 373 p.; ISBN: 978-85-473-0485-0)


            Roberto Campos foi, possivelmente, um dos maiores intelectuais brasileiros da segunda metade do século XX, com a peculiaridade de que, além de ser diplomata, se tratava também de um dos grandes economistas, homens públicos e estadistas, que dedicou sua vida a tentar salvar o Brasil de si mesmo, sem no entanto conseguir êxito na empreitada. Organizado por um diplomata que leu, ou releu, toda a sua obra, desde a tese defendida na George Washington University em 1947, até seus últimos escritos, passando pelas suas indispensáveis memórias, o livro também contou com a colaboração de outro diplomata, Carlos Henrique Cardim, que discorreu sobre a participação de Roberto Campos nos encontros internacionais da UnB, que ele também organizou. Paulo Roberto de Almeida traçou sua magnífica trajetória intelectual.



(2) José Vicente Pimentel (ed.):
       Brazilian Diplomatic Thought: policymakers and agents of Foreign Policy (1750-1964)
        (Brasília: Funag, 2016, 3 vols.; ISBN: 978-85-7631-547-6);


Diversos diplomatas colaboraram na empreitada: Synesio Sampaio Goes Filho (Alexandre de Gusmão), João Alfredo dos Anjos (José Bonifácio), Luis Cláudio Villafañe G. Santos (Duarte da Ponte Ribeiro), Luis Felipe de Seixas Corrêa (Honório Hermeto Carneiro Leão), Rubens Ricupero (A política externa da Velha República e o capítulo sobre o Barão do Rio Branco), Carlos Henrique Cardim (Rui Barbosa), Kassius Diniz da Silva Pontes (Euclides da Cunha), Paulo Roberto de Almeida (introdução metodológica e um capítulo sobre Oswaldo Aranha), Eugênio Vargas Garcia (Cyro de Freitas Valle), Guilherme Frazão Conduru (José Carlos Macedo Soares), Samuel Pinheiro Guimarães (Afonso Arinos de Mello Franco, Gelson Fonseca (San Tiago Dantas) e Ronaldo Mota Sardenberg (João Augusto de Araújo Castro).




(3) Ives Gandra da Silva Martins; Paulo Rabello de Castro (orgs.):
       Lanterna na proa: Roberto Campos Ano 100
       (São Luís: Resistência Cultural, 2017, 342 p.; ISBN: 978-85-66418-13-2)


Sessenta e dois colaboradores nesta outra homenagem a Roberto Campos, entre eles quatro diplomatas: Eduardo dos Santos (sobre a sua chefia, de 1974 a 1982, da embaixada em Londres), Paulo Roberto de Almeida (Bretton Woods, BNDE e receita para desenvolver um país), Rubens Barbosa (Um homem adiante de seu tempo) e Sérgio Eduardo Moreira Lima (“Bob Fields”: o estigma, o diplomata e os valores nacionais). Cada um deles desenvolve diferentes aspectos da vida, da obra e das atividades econômicas ou diplomáticas de Roberto Campos, sempre enfatizando seus ideais de liberdade, de economia de mercado, de reformas estruturais para arrancar o Brasil de uma situação de pobreza evitável para colocá-lo numa condição de prosperidade possível.




(4) Sérgio Eduardo Moreira Lima (org.)
       Visões da obra de Hélio Jaguaribe
       (Brasília: Funag, 2015, 135 p.; ISBN: 978-85-7631-539-1)


Em homenagem feita pelos 90 anos do grande pensador do nacionalismo brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães analisou sua contribuição para a diplomacia, enfatizando a “notável atualidade nas ideias que [HJ] defendeu para a política externa”. Para “demonstrar” tal atualidade, destacou trechos do livro O Nacionalismo na Atualidade Brasileira, de 1958, indicando as similaridades com as políticas e posturas defendidas de 2003 a 2016 pela diplomacia brasileira, da qual ele foi um dos principais ideólogos. As mesmas oposições à época destacadas por HJ, entre o capital estrangeiro e o nacional, a autonomia ou a submissão ao império, a união da América Latina para “neutralizar o poder de retaliação dos Estados Unidos” (p. 89), seriam plenamente atuais (pelo menos para esse ideólogo). Como se queria demonstrar...

 

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