Recebi mais uma dessas questões mal formuladas por jornalistas aprendizes, sobre um assunto dos mais chatos. Respondi de má-vontade, com frases até mal-humoradas. O tipo de assunto que abomino:
Interferência do governo Trump nas eleições do Brasil
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Respostas a questões de alguma agência folgada demais, e ainda apresentavam deadline (vou postar antes deles, que por acaso não vão postar nada do que escrevi).
Pauta: como os EUA podem interferir nas eleições do Brasil e quais métodos eles podem usar para isso
Deadline: 02/07/2026 às 19h30
Perguntas:
1. Acredita que os EUA usariam esforços para tentar interferir nas eleições brasileiras? O que eles ganhariam com isso?
PRA: Sim, Trump se acha o Imperador das Américas e acha que pode fazer com que um submisso a ele seja eleito nas eleições de outubro e assim ter o domínio quase completo da América do Sul.
2. Quais métodos o governo norte-americano poderia usar para tentar interferir no processo eleitoral?
PRA: Hostilizando o governo Lula, tentando mostrar aos eleitores que estariam melhores com um governo cooperativo, o que é contradito pelas suas próprias ações unilaterais, via tarifas ou outras medidas.
3. A participação dos EUA no golpe de 64 é de alguma forma semelhante ao momento atual? Acredita que uma possível interferência pode resultar em alguma consequência parecida?
PRA: Não existe NENHUMA comparação possível: em 1964 havia uma profunda crise política no Brasil, e os militares estavam prontos para mais um golpe de Estado, entre os muitos que deram a partir de 1889. Os militares atuais não querem nem ouvir falar em golpe, já escaldados pela experiência golpista de um tenente medíocre e covarde, incompetente até para dar um golpe.
4. Caso Trump tente interferir nas eleições brasileiras, é possível dimensionar o impacto dessa ação?
PRA: Ela será contraproducente. Lula aliás gostaria que Trump tentasse interferir nas eleições brasileiras, pois seria inteiramente a seu favor.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5384, 2 julho 2026, 1 p.
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