Mini reflexão sobre uma crise comercial e diplomática alimentada politicamente
Paulo Roberto de Almeida
Relações diplomáticas e comerciais entre dois paises soberanos deveriam ser conduzidas nos termos previstos no Direito Internacional e nas regras aplicáveis previstas nos instrumentos específicos que regem essas relações. Estamos falando da Carta da ONU (1945), da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961) e nos acordos de Marrakesh (1993) que criaram a Organização Mundial do Comércio e outras ferramentas conexas a esse ambiente, inclusive sobre solução de controvérsias entre partes contratantes ao Gatt.
Infelizmente não é o que ocorre atualmente entre os Estados Unidos do governo Trump e o Brasil do governo Lula e, em cada lado dos atuais conflitos, grupos politicos e interesses pessoais envolvidos não exatamente numa condução serena das mais diversas interações entre os dois mais importantes Estados do hemisfério americano, mas num enfrentamento político-eleitoral em vista dos pleitos eleitorais que ocorrerão nos dois países em outubro (eleições presidenciais no Brasil) e em novembro (eleições congressuais nos EUA).
A responsabilidade maior pela emergência dos conflitos e pelo agravamento e recrudescimento de medidas e opiniões emitidas desde 2025 (talvez até antes) entre lideranças e figuras representativas dos dois paises incumbe, em primeiro d mais importante lugar, ao governo Trump, ao presidente e seus principais assessores na diplomacia e no comércio, por terem deliberadamente passado à ofensiva unilateral, de forma truculenta e ilegal, não só contra o Brasil, mas praticamente contra o mundo inteiro — à exceção de Israel do premiê Netanyahu e à Rússia do ditador Putin —, segundo o modus operandi brutal e desrespeitoso normalmente exibido pela personagem claramente desequilibrada do presidente americano (o que é apenas uma constatação objetiva).
Do lado brasileiro não se pode deixar de notar uma postura mais politizada do que diplomática adotada pelo presidente Lula contra Trump, aliás desde a campanha presidencial americana de 2024, quando declarou abertamente sua simpatia pela candidata Democrata, numa clara derrogação da cláusula constitucional e das regras diplomáticas aplicáveis, a não intervenção nos assuntos internos de outros Estados (o que sempre ocorreu, deve ser dito, em outras ocasiões anteriores no caso de eleições nos paises vizinhos, quando o presidente Lula, em seus dois primeiros mandatos, e até como figura politica fora deles, em apoio a candidatos de esquerda).
Infelizmente, dois personagens relevantes na liderança dos dois Estados acabam agindo politicamente, segundo suas inclinações pessoais e ideológicas, em detrimento dos interesses objetivos de milhares de empresas e dos de milhões de trabalhadores envolvidos nas relações comerciais e em todos os outros tipos de transações bilaterais dos dois países (e até em escala mais ampla, afetando o próprio equilibrio das relações diplomáticas mais gerais, hemisféricas e mundiais, como nessa luta insana por uma mirífica e inviável “nova ordem global multipolar”, impossível de ser implementada num ambiente dominado por egos extremados e não por estadistas responsáveis).
Lamento pessoalmente, não como diplomata, mas como simples cidadão brasileiro, que se tenha chegado a tal nível e intensidade de desentendimentos politicos e pesdoais entre as duas lideranças, o que redunda em retaliações indesejáveis e prejudiciais aos interesses concretis de milhões de agentes econômicos, empresas e trabalhadores, simples turistas, educadores, cidadãos dos dois países. É deplorável que se tenha chegado a uma situação de enfrentamento e não de cooperação e de entendimento entre dois grandes paises, afetando a vida de centenas de milhões de pessoas desprovidas de cargos politicos servindo não ao bem-estar dos povos respectivos, mas às idiossincrasias de duas personalidades desprovidas das qualidades experadas de estadistas.
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