Em torno de uma guerra de agressão que já entrou no seu quinto ano:
Paulo Roberto de Almeida
Falando como simples cidadão, não como diplomata.
Acredito que qualquer pessoa de bom senso sabe distinguir o que é correto e o que é errado na vida humana, no comportamento social, no campo do Direito Internacional, ou no conceito mais simples do Direito, ponto.
Isso se aplica à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, não apenas desde 2022, mas desde 2014.
Não consigo admitir que o governo Dilma, primeiro, não soube ou não quis admitir o que estava errado na invasão e na anexação ilegais da peninsula ucraniana da Crimeia, em 2014, considerando-a apenas uma “questão interna” da Ucrânia. Um absurdo sob qualquer critério, notadamente no plano diplomático e do Direito Internacional.
Não consigo acreditar que Bolsonaro depois, Lula no seguimento, não souberam distinguir entre o que era certo e o que estava errado na brutal invasão total da Ucrânia pela Rússia em 2022. Ficaram nas formalidades? Não viram a postura dos Estados que seguiram e acataram o que está escrito na Carta da ONU, o que era a postura tradicional da diplomacia brasileira antes mesmo da carta da ONU?
São todos néscios, ou estavam cegos por interesses político-eleitoreiros no caso de Bolsonaro, e orientações ideológico-partidárias no caso de Lula, ainda engajado no maior erro estrutural e estratégico-diplomático da política externa brasileira em décadas?
Lula preferiu insistir no Frankenstein disforme do BRIC-BRICS-BRICS+, um monstro metafísico que rompe com os padrões doutrinários da diplomacia brasileira e com simples questões de bom senso na política externa.
Não consigo imaginar como diplomatas tão bem formados, inteligentes, em princípio sensatos, não tenham alertado todos os presidentes, desde 2005 pelo menos, sobre o tremendo erro que consistia em vincular politica e diplomaticamente o Brasil a grandes potências autocráticas, além de tudo nucleares, possuidoras de seus próprios interesses nacionais, forçosamente muito diferentes dos interesses nacionais e internacionais do Brasil, enquanto potência média e pais em desenvolvimento.
Foram tímidos demais, constrangidos pela autoridade do chefe, impulsivo e personalista? O que os impediu de formular algum alerta ou emitir algum aviso contrário? Excesso de cautela ou apenas uma submissão aos dogmas inaceitáveis da hierarquia e da disciplina. O que os impediu de pensar?
Não ocorreu nenhuma mudança de postura nos últimos cinco anos, ou desde 2014 para ser exato.
Não compreendo e não admito certas coisas, para mim tão claras. O certo e o errado eu aprendi desde criança. Acho que eu devo ser ingênuo!
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 4 de julho de 2026
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